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Canaris prepara o caminho

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IIICanaris prepara o caminhoHans Piekenbrock parecia um próspero comerciante de vinhos, mas, na verdade, era um chefe de espiões extremamente competente. Oriundo da Renânia, era uma pessoa jovial, amiga da paródia, e coronel do Estado-Maior alemão e chefe da Secção I de Canaris, o departamento da Abwehr encarregado da espionagem. De constituição forte, era um homem alto, com ombros largos, franco e muito popular junto dos seus subordinados, que lhe chamavam «Pieki».Poucas missões não fariam por ele se este lhes pedisse.Canaris tinha pouco tempo e apetência para o trabalho minucioso da Secção I, preferindo a refinada atmosfera das informações secretas da política e da diplomacia, pelo que Piekenbrock dispunha de bastante autonomia, que aproveitava ao máximo.Dos seus ficheiros constavam os segredos vitais dos atuais e potenciais inimigos da Alemanha. Devido à enorme dificuldade em obter informações secretas a partir da União Soviética, Piekenbrock optou por negligenciar a URSS. Conseguiu por diversas ocasiões introduzir clandestinamente agentes na União Soviética, e alguns conseguiram regressar, mas o grosso da informação era conseguido

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Babaçu

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B

Babaçu

A palmeira se sente à vontade no Brasil. Das 3 mil espécies relacionadas no mundo, a América detém 1.140 espécies endêmicas, 420 só no Brasil.

Por muito tempo, ela foi uma desconhecida. Ainda que a Bíblia celebre seus frutos e suas palmas, a Europa não a conhece bem. Catarina de Médici fala sobre ela, pois a viu em Hyères. Achou-a magnífica. Alain Hervé, que conhece tudo sobre a natureza e fala de forma magnífica sobre flores, árvores e palmeiras, ensina-nos em seu livro Le palmier (Actes Sud) que Lineu, o grande taxonomista do século XVIII, conhece apenas quinze palmeiras, entre as quais a tamareira.

“Em 1880”, diz Alain Hervé, “o naturalista alemão Alexander von Humboldt descobre cerca de quarenta espécies, no decorrer de sua expedição pelo Brasil, junto com o francês Aimé Bonpland. Em 1823, Karl Friedrich Philipp von Martius, outro naturalista alemão que viajou pelo Brasil, depois de descrever quinhentas palmeiras em sua Historia naturalis universalis palmarum, recebeu o título de ‘pai das palmeiras’. Ele, além de tocar violino, também os fabricava, gravando em sua madeira esta bela frase: ‘Nas florestas me calei; agora que estou morta, canto’. E também dizia: ‘Entre as palmeiras sempre sinto-me jovem, entre as palmeiras, ressuscito’”.

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Capítulo 17 | Os historiadores e o cinema

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OS HISTORIADORES E O CINEMA

Peter Miskell

Sejamos diretos e admitamos: os filmes históricos incomodam e perturbam os historiadores profissionais, e assim tem sido por um bom tempo.1

Em um exame da relação entre história profissional e versões do passado criadas e apresentadas fora da academia, o cinema é forte candidato a receber nossa atenção. Não apenas oferece uma via para quem não tinha conexões com a academia exibir publicamente sua própria versão de história, como também permite que a história seja apresentada e consumida de uma forma totalmente nova ao século

XX.2 Além disso, a imensa popularidade internacional dos filmes fez com que a história, como se vê nas telas, tenha atingido um público muito mais amplo do que a escrita dos historiadores profissionais. Este capítulo não discutirá teoricamente, em detalhes, se os historiadores acadêmicos têm mais direitos do que os cineastas de afirmar que seu trabalho oferece uma interpretação válida do passado. A intenção aqui é oferecer uma visão do relacionamento variável dos historiadores com o cinema no decorrer do século XX, questionando por que os “filmes históricos têm incomodado e perturbado os historiadores profissionais”. Até que ponto suas atitudes em relação à história apresentada na tela se desenvolveram durante o século XX?

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Capítulo 19 | História e história “amadora”

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HISTÓRIA E HISTÓRIA “AMADORA”

William D. Rubinstein

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Além do tipo de história praticada e produzida por acadêmicos universitários, há outro vasto mundo de historiadores amadores, antiquários, populares e públicos que são quase que invariavelmente ignorados pelos primeiros, e que também os ignoram. Em número, eles certamente fazem o contingente universitário parecer pequeno. No ano de 2000, por exemplo, havia cerca de 2.900 professores universitários de história no Reino Unido. Em comparação, a revista mensal britânica History Today, uma valiosa e bem ilustrada publicação de história popular, vende 30.000 exemplares por edição, cuja grande maioria deve ser comprada por membros comuns do público leitor, avidamente interessados em história, mas com pouca ou nenhuma conexão, tampouco conhecimento, sobre história e historiadores acadêmicos. O objetivo deste capítulo é fazer um levantamento de algumas das mais populares variedades de história não acadêmica, examinando o que elas têm em comum com a história acadêmica da forma como esta é praticada nas universidades, mas também em que diferem. Um desses campos, o dos estudos sobre museus e patrimônio (e o trabalho dos arquivistas profissionais) deixa deliberadamente de ser examinado aqui, por ser uma profissão estabelecida em si mesma, muito próxima do trabalho de historiadores acadêmicos e normalmente exigindo uma formação de pós-graduação em história ou em um tema relacionado.1 A maioria, ou todas as áreas discutidas aqui, é dominada pelo historiador não profissional, muitas vezes, na verdade, por pessoas que não têm qualquer formação universitária em história.

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3. Do parlamentar ao juiz

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capítulo

3

iz u j o a r a rlament

do pa

até hoje de 1986

Cinco de outubro de 1988. Pela primeira vez na história do Brasil, estava a democracia plena, com todos os direitos individuais garantidos, instituída pela

Constituição:55

Art. 5º

III - Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV - É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX - É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

55 Durante o Império e o período de 1945 a 1964, a liberdade de imprensa foi garantida, mas as diversões públicas ainda eram submetidas à ação da censura. A Constituição de 1988 foi a primeira a garantir a liberdade de expressão em todos os seus âmbitos.

51

XIV - É assegurado a todos o direito à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

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Palmares

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P

Palmares

A condição do escravo, nas grandes plantações de cana de açúcar, é indigna. Órfãos de suas terras natais, separados de suas tribos e tristes pela perda de sua língua, eles trabalham e morrem. Muitos se resignam. Alguns se suicidam. Outros se rebelam, ainda que morram ou sejam supliciados no pelourinho. Alguns conseguem se reagrupar e organizam uma fuga que resulta em uma repressão implacável, ou na criação de um quilombo – também chamado de mocambo.

Um quilombo é um vilarejo livre que os negros em fuga criam longe das plantações, nas florestas mal conhecidas e impenetráveis. Esses quilombos geralmente têm uma vida bem curta. Os senhores de engenho, auxiliados por seus vigias, os destroem e os castigos continuam. Alguns, no entanto, conseguem durar. O mais célebre, e um dos mais antigos, foi o de Palmares. Ele desafiou as autoridades durante um século e contou com até 80 mil pessoas.

Palmares localiza-se no Nordeste, ao norte do curso inferior do rio São Francisco, no atual Estado de Alagoas. Nos últimos anos do século XVI, cerca de quarenta negros fogem de um dos maiores engenhos de açúcar de Pernambuco. Dirigem-se para as terras altas do interior, que são chamadas de palmares, pois são cobertas de espessas florestas de palmeiras. Os fugitivos distanciam-se do litoral.

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Escravos

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Escravos

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Escravos

Os Estados Unidos e a África do Sul foram cruéis com os negros. Quando acabaram de tratá-los como escravos, impuseram-lhes o apartheid ou a segregação. O

Brasil, ao contrário, sempre foi gentil. Graças ao espírito português que é carinhoso, tranquilo e impróprio ao racismo, os africanos e as africanas descarregados pelos navios negreiros em Salvador e Recife tiveram sorte.

No entanto, essa sorte revelou-se uma faca de dois gumes, pois foram enforcados, espancados e assassinados. A verdade é que não foram mais bem tratados no

Brasil do que em Nova Jersey. Alguns acadêmicos pretendem que no Brasil foi pior.

Vamos nos abster de distribui medalhas de racismo a este ou aquele. O certo é que os negros capturados na África e vendidos em Salvador ou no Rio de Janeiro foram infelizes como negros. O Brasil aguardou até o ano de 1888 para abolir a escravidão por meio da Lei Áurea, e a Inglaterra ainda teve de ameaçar. Ele libertou bruscamente esses milhões de presos. E nada previu para ajudá-los a serem livres. Foi uma catástrofe. O sociólogo brasileiro Thales de Azevedo fulmina: “Lincoln abriu

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4.3. A POLÍTICA EXTERNA

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– História do Brasil II

os quase 40% anuais durante o período. Pior, à crescente dívida externa somavam-se os primeiros sinais de crise orçamentária interna. Os últimos meses do governo Geisel aprofundaram, em parte devido ao contexto externo, o incipiente às dificuldades do cenário econômico interno. O segundo choque do petróleo, de 1979, derrubou a produção desse bem e, portanto, forçou o aumento de seu preço. No Brasil, procedeu-se a nova saída de dólares e novo aumento da inflação. Entre 1979 e 1982, o Banco Central dos Estados Unidos (FED) aumentou os juros de 7% para 18%. Arrefeceu a liquidez internacional e deram-se os primeiros passos para a recessão em escala mundial. No Brasil, o duplo choque internacional não foi magro de consequências. Os juros dos empréstimos contraídos nos Estados Unidos eram flutuantes, o que significou aumento da dívida externa brasileira. O novo acréscimo no número de dólares retirados do Brasil provocou o desequilíbrio do balanço de pagamentos a partir de 1979.

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Pau-brasil

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

Consciência Negra”, que é celebrado em 20 de novembro, data da morte de Zumbi. O presidente José Sarney classifica como lugar histórico a Serra da Barriga, em memória do quilombo de Palmares. Em 20 de novembro de 1995, o presidente da

República, Fernando Henrique Cardoso, pronuncia um elogio a Zumbi: “Vim aqui para dizer que Zumbi nos pertence, ao povo brasileiro, e que ele representa o melhor de nosso povo: seu desejo de liberdade!”.

Pau-brasil

No início, os portugueses estão perplexos. O que vão fazer com essa Terra de Vera

Cruz? Não basta encontrar um país. É preciso saber se servir dele. Os primeiros viajantes não se sentem seduzidos. Essa terra talvez seja bela, mas a pesca não foi boa e o retorno da idade do ouro pode demorar um pouco. Enquanto isso, é preciso cuidar dela.

Felizmente, existem as florestas. Há a selva da Amazônia que é inextricável, sombria e angustiante, assim como a Mata Atlântica na borda do litoral. Elas são ricas em árvores preciosas como o jacarandá. Escondem madeiras desconhecidas, inúmeras palmeiras, nogueiras gigantes como o anacárdio, cujo fruto, o caju, horrível e deliciosamente ácido, salva muitos marinheiros do escorbuto. Há também a seringueira, que produz a borracha; a ubiragara, cuja madeira se transforma em belas canoas; a balsa, com a qual os índios moldam a jangada, essa embarcação acrobática e de uma elegância sem igual, e na qual Júlio Verne mais tarde se inspirou e que, segundo as belas tradições, seria o navio de Ulisses na Odisseia. E há, principalmente, na Mata Atlântica, uma árvore que ganha de todas as outras, a Caesalpinia echinata, que os tupis chamam de ibirapitanga e os portugueses, de pau-brasil: a árvore de brasa.

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Bandeirantes

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

O riso dele é como seu nome, como uma bala que parte a toda velocidade. A sua mulher diz:

– Nos dias em que não trabalha, ele trabalha. Você sabe o que ele faz? Em vez de descansar, vai para a floresta.

Bala é orgulhoso. No domingo, passeia na floresta. Ele olha. Ouve os pássaros.

A passagem da capivara, dos tamanduás, e os cães querem o tempo todo atacar os tamanduás, mas “não deixo eles fazerem o que querem”.

O que Bala gosta na natureza, o que o cativa e o enfeitiça, é a abundância, os renascimentos, a decomposição, as floradas, a profusão, a vida. É a fertilidade. O inesgotável da terra. A floresta é igual a um ventre. A floresta é um ventre de mulher.

“Você está vendo? A folhagem, lá em cima, está ‘coalhada’ de macacos. [Não sei o que significa essa palavra “coalhada”, sem dúvida cheia, recheada de macacos.]

O que é certo é que ouvimos sua gritaria. São os barrigudos... e eu juro que eles enchem bem a barriga com todos esses frutos que estão por todo lado. Quando vejo de longe os galhos sacudindo, como se fosse um furacão, isso quer dizer que estão se enchendo de frutos e de carnes. Comem até não poder mais todas as delícias do mundo, e é isso o que me alegra, que a floresta se mexa e que ela seja boa; tem todas essas coisas que estão lá no seu interior e todas aquelas que eu não vejo.

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Capítulo 2 | Metodologia: História científica e o problema da objetividade

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METODOLOGIA

HISTÓRIA CIENTÍFICA E O PROBLEMA

DA OBJETIVIDADE

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

2

A escrita profissional de história na Europa e nos Estados Unidos não era só a história escrita por profissionais; era história escrita de uma determinada forma.

Poucos historiadores do final de século XIX discordariam da afirmação de J. B.

Bury de que a história era “simplesmente uma ciência, nada menos, nada mais”.

Contudo, para as tradições historiográficas nacionais, ciência poderia significar coisas bastante diferentes.

Alemanha

Na primeira metade do século XIX, as “ciências” (Wissenschaft) humanas na

Alemanha tinham uma reputação superior à das ciências naturais, e não se sabe o quanto as primeiras realmente deviam às segundas. Obviamente, a precisão era considerada essencial para a determinação dos fatos e, por extensão, à identificação e à autenticação das fontes primárias. Até então, a afirmação dos historiadores de que eram capazes de produzir história objetiva parecia não ser complicada, mas nenhum historiador alemão afirmava que as fontes falavam por si. Ao revelar e verificar as evidências, o historiador só tinha realizado as tarefas preliminares. Agora

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Lisboa, Janeiro de 1959

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Lisboa, Janeiro de 1959

Corriam os primeiros dias de 1959 quando o general Humberto

Delgado tomou a decisão de solicitar asilo na Embaixada do Brasil em Lisboa, o que ocorreu a 12 de Janeiro. O capitão Henrique Galvão formularia idêntico pedido na representação diplomática da Argentina, a 17 de Fevereiro seguinte.

Esses pedidos de asilo transformaram-se naturalmente em acontecimentos políticos de primeira ordem, desde logo pelas suas repercussões internacionais, ou não fossem deles protagonistas duas personalidades que as vicissitudes da política interna tinham já projectado por maus motivos nos meios diplomáticos e na opinião pública(1).

O general Delgado acabara de sair de um confronto violento com o regime, a campanha presidencial de 1958(2), e o capitão Galvão andava a ser arrastado de prisão em prisão havia cerca de sete anos,

«reduzido a uma sombra numa enfermaria, isolado e espicaçado, como para fazerem dele uma sombra — uma sombra demente»(3).

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PARTE II - O atual cenário das PPPs no setor de saúde pública no Brasil: potencialidades, desafios e as primeiras experiências em âmbito estadual

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O atual cenário das

PPPs no setor de saúde pública no

Brasil: potencialidades, desafios e as primeiras experiências em

âmbito estadual1

TOMAS ANKER

BRUNO RAMOS PEREIRA2

Introdução

Este artigo descreve um conjunto de percepções que derivam, sobretudo, de um exercício de sistematização realizado em virtude de um seminário em que se comemorou os dois anos de funcionamento do Hospital do Subúrbio, em

Salvador, que é a iniciativa pioneira de parceria públicoprivada (PPP) em saúde no Brasil.

Após quase dez anos da promulgação da Lei Federal no 11.079/04, também conhecida como “Lei das PPPs”,

  Este artigo reflete tão somente as visões e opiniões dos autores e não representa necessariamente as visões e opiniões das instituições as quais os autores estão vinculados.

2

  Os autores agradecem à Secretária de Saúde e à Unidade de PPP do Estado da

Bahia pelo convite para o seminário que comemorou os dois anos de funcionamento do Hospital do Subúrbio, pelas reflexões elaboradas a partir desse evento.

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Prefácio

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PREFÁCIOEm todas as guerras da História, a espionagem desempenhou um papel notável, memorável por vezes, mas seria apenas na SegundaGuerra Mundial que se tornaria uma espécie de Quarto Estado da guerra. A natureza e o alcance deste conflito cruel criaram exércitos especiais, que lutaram clandestinamente atrás das linhas inimigas e nas próprias frentes de batalha. Uma análise das baixas naGrécia dá-nos a verdadeira magnitude deste confronto oculto. Dos73 000 Gregos mortos na Segunda Guerra Mundial, 23 000 morreram em conflitos bélicos convencionais – os restantes 50 000 foram mortos em diversas atividades clandestinas. Na Noruega, onde a fase de confronto direto durou apenas alguns dias, a guerra secreta continuou durante cinco anos, levada a cabo por 47 000 combatentes furtivos. Na guerra secreta que travaram nas montanhas, os ­Jugoslavos sofreram mais baixas do que qualquer outro dos­Aliados – um milhão, dos quais 706 000 homens e mulheres mortos em ações de guerrilha.

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Jeito, gambiarra

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Jeito, gambiarra

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Jeito, gambiarra

Claude Lévi-Strauss deu um ar de nobreza aos pequenos consertos caseiros. Antes dele, essa prática era tratada com condescendência. Ela evocava os domingos dos aposentados que gastam horas amarrando pedaços de barbantes a liquidificadores e bobinas de fio elétrico a clipes. Claude Lévi-Strauss também fez isso. No entanto, abriu nossos olhos e agora sabemos que essas atividades são um exercício complexo e uma operação intelectual refinada. Até mesmo um antropólogo, será que ele faz muito mais do que juntar e amarrar pedaços? As suas missões nos lugares mais distantes do mundo não se parecem com os longos domingos de um aposentado? Ainda que os aperfeiçoem, não se dedicam a ajustar os escombros de mitos e de lendas moribundas, tradições esparsas e línguas derrotadas, até comporem sob nossos olhos surpresos, com esses dejetos, um quebra-cabeça perfeito, grandioso, uma marchetaria complexa e de uma beleza igual à de um móvel antigo?

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