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Literatura e antropofagia

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

va na fogueira palavras jamais pronunciadas em nenhum lugar do planeta. Eu estava aborrecido. Estava dividido entre dois sentimentos desagradáveis: de um lado, temia que o diretor descobrisse o engodo. Por outro, sentia um remorso em relação à língua francesa que, afinal de contas, é minha mãe.

Não lamentei o que pode ser chamado de má ação, mas, por precaução, prefiro chamar de bom coração. Dane-se a francofonia e seus controladores. Não ia colocar a corda no pescoço desse professor que nada me fizera e que, de resto, à medida que o tempo passava, mudava de figura, tornava-se amigável, colorido, quase encantador. Além do mais, esse homem e eu tínhamos dado uma chance, durante pouco mais de meia hora, a uma língua que ninguém nunca falou, uma língua sem antecedente e que ninguém imitará, uma língua jovem e já morta, tão inextricável quanto a floresta vizinha, devorada pelos cipós e líquens da pré-história, e cujas árvores consomem umas às outras e reflorescem sob a carcaça das árvores vizinhas.

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PARTE I HONRAS E MERCÊS

Rodrigo Ricupero Editora Almedina PDF Criptografado

PARTE I

HONRAS E MERCÊS

1.

PRÊMIO E CASTIGO

“O meio, Doroteu, o forte meio

Que os chefes descobriram para terem

Os corpos que governam, em sossego,

Consiste em repartirem com mão reta,

Os prêmios e os castigos...”, Critilo

(Tomás Antônio Gonzaga)1.

A JUSTIÇA DISTRIBUTIVA

“A justiça consiste principalmente em galardoar bons e castigar maus”, definia o teólogo, personagem do livro “Imagem da Vida Cristã”2, de

Frei Heitor Pinto, publicado em 1563 na forma de diálogos. Um dos quais sobre a Justiça, intitulado “do Prêmio e Castigo, e de qual deles se há o príncipe mais de prezar”, no qual apresenta por meio de seus personagens várias ideias sobre o tema, recorrendo em muitos casos a pensadores gregos e romanos ou às escrituras sagradas. A questão proposta no título do diálogo é esclarecida pelo teólogo, que, ao responder

1  CRITILO (Tomás Antônio Gonzaga), Cartas Chilenas, introdução e notas de Afonso

Arinos de Melo Franco. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1940, p. 243.

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Chica da Silva

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

Chica da Silva

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No entanto, há coisas bem mais graves. Lúcio Costa e Niemeyer eram comunistas e jamais questionaram sua ideologia da igualdade. Brasília era um sonho comunista. Os dois homens quiseram fundar uma arquitetura sem classes, homogênea, e na qual nunca houvesse lugar para a miséria, mas o concreto e o aço não obedeceram. Nem a miséria. Ela se convidou. Ela surgiu. Prosperou nas cidades-satélites. Ali, permanecem os pobres; aqueles que, todo dia, dirigem-se ao coração suntuoso da cidade para fazer girar as engrenagens e facilitar a vida dos funcionários, dos políticos, dos diplomatas e dos homens de negócios. Eles se deslocam de suas casas até os palácios nos quais está concentrada a renda mais alta de toda a federação, indecentemente alta.

“Comunistas”, dizem os pobres, “vocês esqueceram os pobres!”. E, mais uma vez, Jean-Pierre Langellier resume de forma brilhante: “Niemeyer venceu o ângulo reto, mas não o capitalismo”.

Chica da Silva

Ela é uma mulher do Brasil barroco. E Chica ou Xica da Silva é o seu nome. A sua vida é como um conto. Ela é escrava e é negra. O seu amante é um branco muito rico. E também muito submisso. Um dia, Chica da Silva lamenta que nas montanhas escarpadas de Minas Gerais não haja um lago, pois ela ama o mar e sua alma

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Capítulo 6 | História social na Alemanha

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

A HISTÓRIA SOCIAL NA ALEMANHA

Peter Lambert

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Por um breve período durante os anos de 1970, anunciou-se amplamente o progresso triunfal de uma nova abordagem social-científica à escrita de história na

República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental. À frente da marcha, dois jovens historiadores – Hans-Ulrich Wehler e Jürgen Kocka – que trabalhavam na nova Universidade de Bielefeld estavam fazendo incursões confiantes em territórios inexplorados por historiadores alemães. Para se referir a eles, seus colegas próximos e seus alunos, foi rapidamente adotada a expressão “escola de Bielefeld”, como uma abreviação conveniente para um corpo de trabalho crescente, informado por convicções e aspirações compartilhadas. Aí estava, finalmente, uma historiografia progressista e informada teoricamente e, ao mesmo tempo, firmemente ancorada dentro do sistema universitário da Alemanha Ocidental – um novo paradigma que tinha superado a inércia decadente, mas até então, ubíqua, da história política estatista e nacionalista. Os pedidos de desculpas pelo passado alemão deram lugar a uma crítica rigorosa. Supostamente estagnada e isolada até a década de 1960, a historiografia alemã parecia agora estar vívida e haver “retornado ao Ocidente”. Onde tinha sido hostil à teoria, os Bielefelder a assumiram prontamente. Onde a agência histórica tinha sido atribuída a indivíduos, ela agora era ligada a forças e estruturas impessoais.

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Capítulo II - As Sociedades Indígenas

Jorge Couto Grupo Gen PDF Criptografado

II

As Sociedades Indígenas

1. O POVOAMENTO DO CONTINENTE AMERICANO

Sendo atualmente incontroverso que o povoamento do continente americano foi efetuado por populações originárias do Velho Mundo, no entanto, suscitam acesa discussão os problemas relacionados com a região de origem dos ameríndios, com a determinação da época em que se iniciaram as migrações pré-históricas e, ainda, com as rotas de penetração utilizadas.

Verifica-se a existência de um certo número de traços muito marcantes, comuns à generalidade dos autóctones americanos, designadamente a cor acastanhada da pele, os cabelos pretos e lisos, o fraco desenvolvimento do sistema piloso, as maçãs do rosto salientes, a forte arcada supraciliar e a prega na pálpebra que dá aos olhos uma forma oblíqua (“olho mongólico”).1 Estas características físicas conjugadas com dados de ordem genética (grupo sanguíneo exclusivamente de tipo O)2 comprovam que os

índios descendem de populações asiáticas, vulgarmente designadas por raça amarela.

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Capítulo 18 | A cultura popular e os historiadores

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

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A CULTURA POPULAR E OS HISTORIADORES

Gareth Williams

A cultura popular é mais fácil de explorar, ou de deplorar, do que de definir, e desacoplar seus dois elementos constituintes não ajuda a tarefa de definição, já que nenhum dos dois tem uma definição consensual.

No nível mais reconhecível, a cultura é o que faz os cultos, desfrutando, apreciando e praticando trabalhos artísticos, musicais e literários. Por outro lado, o conceito de “modo de vida como um todo” derivado da antropologia faz da cultura praticamente um sinônimo de sociedade: como expressou E. B. Tylor em 1871, “esse complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moralidade, direito, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”, ou o que o teórico da cultura Stuart Hall chamou de “as práticas vividas que possibilitam que uma sociedade, um grupo ou uma classe vivencie, defina, interprete e entenda suas condições de existência”.1

Uma cultura que abarque a comunidade como um todo deve supostamente ser popular, embora, para Peter Burke, especialista na Europa moderna, cultura popular seja a cultura das pessoas que não pertencem às elites.2 Raymond Williams, de cuja observação sobre cultura – que ela é ao mesmo tempo “comum” e “uma das duas ou três palavras mais complicadas da língua inglesa” – não se pode prescindir para fazer qualquer discussão de cultura popular com segurança, considerava que o termo popular denotava low (baixo) ou base (inferior) já no século XVI, com a mudança para o sentido mais moderno de “amplamente estimado” (matizado com

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Conclusão: História e poder

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

CONCLUSÃO

HISTÓRIA E PODER

Peter Lambert e Phillipp Schofield

Antes e depois da virada do milênio, era e ainda é comum lançar dúvidas sobre o lugar da história na sociedade contemporânea. Eric Hobsbawm lamentou o fato de que (na sua opinião) “quase todos os jovens de hoje crescem em uma espécie de presente contínuo, sem qualquer relação organizada com o passado público da época em que vivem”.1 Mesmo assim, seja qual for o vácuo que a falta de relação orgânica com o passado público tenha deixado, ele foi preenchido até transbordar. A “consciência da história”, observa Richard Evans, “tem uma capilaridade total no início do século XX”.2 As contribuições à Parte V deste livro discutiram algumas das áreas em que a fascinação pública em relação ao passado aumentou exponencialmente. O aumento das pesquisas privadas sobre árvores genealógicas, por exemplo, nada deve aos historiadores profissionais e tudo à

“preferência e demanda populares”. Nos registros das repartições públicas, os historiadores profissionais se acotovelam todo o tempo com genealogistas amadores, mas o contato intelectual entre eles é raro.3 Os historiadores profissionais estão mais envolvidos e respondendo mais à história televisiva e à indústria do patrimônio, mas suas contribuições quase não foram decisivas. O desenvolvimento dessas esferas públicas da história não consolou àqueles acadêmicos que as consideram apenas como refugo industrial do problema. Hobsbawm destacou, e podem-se ouvir queixas de que isso “às vezes, beirou a histeria coletiva, mais adequada a grupos de adolescentes em shows de rock do que a ignorantes urbanos com boas maneiras e semi-intelectuais contidos”.4

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Capítulo IV - O Tempo das Feitorias

Jorge Couto Grupo Gen PDF Criptografado

IV

O Tempo das Feitorias

1. A INTEGRAÇÃO DA TERRA DE SANTA CRUZ NO CONTEXTO DO

IMPÉRIO

O navio alvissareiro efetuou, na viagem de retorno a Lisboa, um reconhecimento do litoral brasílico compreendido entre Porto Seguro e o cabo de São Jorge1 – identificado com o atual cabo de Santo Agostinho – numa extensão superior a 150 léguas, o que permitiu obter a confirmação de que se tratava de um continente. O traçado geral da faixa costeira explorada, uma legenda alusiva ao descobrimento, os topônimos correspondentes às estremas atingidas, sendo que a do norte se encontra assinalada com uma bandeira das Quinas, foram, na sequência da expedição cabralina, inseridos no padrão cartográfico real.

D. Manuel I recebeu, provavelmente no decorrer do mês de julho de

1500,2 Gaspar de Lemos, tomando conhecimento dos sucessos protagonizados pela segunda armada da Índia até 1 de maio, inclusive, bem como da existência no poente de uma grandiosa terra firme austral. Na previsão de que a descoberta da Terra de Vera Cruz pudesse suscitar a eclosão de disputas com Castela acerca da esfera de influência em que o novo domínio se situava, o rei decidiu manter segredo sobre o assunto até obter informações sobre os respectivos limites.

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Música

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

Música

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diabo, pois não colocava todos os ovos na mesma cesta: amiga de Deus, certamente, mas jamais cortou os laços com o diabo, pois nunca se sabe. Ela cortejava Satã tanto quanto o bom Deus, meio a meio, e os ladrões fugiam.

Mesmo quando a guerra civil arrasou a cidade de Salvador, durante as escaramuças que aconteceram depois do fim do império, a mulher de capona saiu-se muito bem. Na cidade em polvorosa, ela passeava tranquilamente. Nenhum soldado teria cometido a grosseria de matá-la. A capona nunca era interpelada. Um raio teria caído e destruído aquele que ousasse tocá-la. Ela passeava em um espaço diferente daquele dos homens. Passava por todas as alfândegas, todas as barreiras, as guaritas do campo legalista e as do campo dos revoltados. Ninguém ousou tocá-la ou importuná-la. Ela avançava e o fogo se apagava.

Os combatentes dos dois exércitos, políticos meio traidores e tentados a aceitar as ofertas de “abertura” de seus inimigos, e soldados medrosos se colocavam muitas vezes sob a proteção das caponas. Alguns alugavam seu sublime vestuário e, munidos desse “abre-te sésamo”, tornavam-se invisíveis graças a todos aqueles tecidos, transitando com agilidade de um campo a outro. Em seu magnífico livro, A Bahia já foi assim, Hildegardes Vianna se lembra:

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Anexos

Jorge Couto Grupo Gen PDF Criptografado

Anexos

Anexo A

As investigações de Haffer (1969) e Vanzolini (1970) sobre os padrões de distribuição da fauna na Amazônia, bem como de Journaux (1975) e Meggers (1976) sobre a flora, deram origem ao modelo dos refúgios. De acordo com a interpretação destes cientistas, as bordas dos planaltos das Guianas e Brasileiro e as encostas dos Andes serviram de refúgios às florestas e aos animais a ela adaptados durante as fases secas. Os vários retornos à tropicalidade possibilitaram o seu regresso à região amazônica, explicando, deste modo, a grande variedade de espécies botânicas e zoológicas que a povoam. Cfr. VANZOLINI, P. E.

Zoologia Sistemática, Geografia e a Origem das Espécies. São Paulo, 1970; JOURNAUX,

A. “Géomorphologie des bordures de l’Amazonie brésilienne: de modelé des versants; essai d’évolution páleo-climatique”: Bulletin de l’Association des Géographes Français (Paris),

52 (422-423), 1975. p. 5-19; MEGGERS, B. J. “Vegetacional fluctuation and prehistory cultural adaptation in Amazonia: some tentative correlations”: World Archaeology (Londres),

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Medium 9788502624115

3.1. A NOVA ORDEM POLÍTICA

Rodrigo Goyena Soares Editora Saraiva PDF Criptografado

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A R epública Liber a l

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3.1.  A NOVA ORDEM POLÍTICA

José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal em 1945, assumiu temporariamente a presidência da República após a queda do Estado Novo. Era a situação de compromisso com a qual haviam concordado os militares e a oposição liberal. Haveria eleições no dia 2 de dezembro de 1945, e uma nova Constituição viria a galope. A transição democrática, no entanto, não deixaria espaço para a expansão do pensamento comunista. Assim que assumiu a presidência, José Linhares ordenou saques às sedes do Partido Comunista do

Brasil (PCB). Dizia ser condição para a estabilidade política que o agitado período político exigia. No mesmo sentido, não tardou em substituir interventores varguistas por liberais.

3.1.1.  A eleição de Eurico Gaspar Dutra e a Constituição de 1946

O segundo semestre de 1945 foi marcado por acirrada contenda política entre o candidato liberal Eduardo Gomes e seu opositor, Eurico Gaspar Dutra. A julgar pelo vulto dos comícios organizados pela União Democrática Nacional (UDN), partido do brigadeiro

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Paulmier de Gonneville

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

de 2007, a Convenção sobre as espécies ameaçadas, em Haia, decidiu proteger os elefantes de Botsuana, alguns corais e a Caesalpinia echinata (pau-brasil).

Em relação aos elefantes, a França aprovou. Em contrapartida, lamentou que a

Convenção tomasse medidas em favor do pau-brasil. É que ele não limita seus talentos somente à tintura. Também interessa à música. De todas as árvores da terra, o pau-brasil é aquele com o qual são moldados os melhores arcos de violino. Algumas centenas de empresas, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na China, no

Brasil e principalmente na França, fazem arcos de alto nível.

Desde o século XVII, as virtudes musicais dessa madeira são reconhecidas, mas pouco utilizadas. Recorre-se, para moldar os arcos, ou às madeiras domésticas – teixo, freixo ou lariço –, ou a uma madeira da Guiana, a muirapinima, uma madeira tão densa que afunda na água. No final do século XVIII, os artesãos utilizam cada vez mais o pau-brasil. Por volta de 1860, os irmãos Tourte percebem as virtudes dele.

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2. Do populista ao militar

Julia Carvalho Editora Manole PDF Criptografado

capítulo

2

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985

1946 a 1

Na quinta-feira, dia 18 de julho, meu teatro foi atacado pelo bando do CCC (Centro de Caça aos

Comunistas). Tínhamos recebido diversos telefonemas anunciando o ataque. A própria Cacilda [Becker] me telefonou para avisar que soubera, por um jornalista amigo, que seria nessa noite. Não dei importância: parecia-me mais um lance de guerra psicológica. Fui ao cinema ver 2001 e, quando saí, passei pelo teatro para ver o final do espetáculo. Ao estacionar o carro, percebi algo estranho: duas radiopatrulhas estavam na frente do teatro enquanto, de dentro, saíam gritos de tumulto e ruídos de móveis e aparelhos sendo arrebentados. Da bilheteria e do escritório começaram a surgir funcionários para verificar o que acontecia. As portas do Galpão estavam trancadas por dentro e, em poucos minutos, de mistura com berros e gritos de pânico pedindo socorro, as portas se abriam e um grupo de dezessete homens se precipitava rumo

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Capítulo VI - A Consolidação da Conquista

Jorge Couto Grupo Gen PDF Criptografado

VI

A Consolidação da Conquista

1. A INSTALAÇÃO DO GOVERNO GERAL

O malogro da empresa colonizadora levada a cabo por Francisco Pereira Coutinho permitiu ao governo joanino incorporar – mediante o pagamento de uma indenização de 400.000 reais por ano ao herdeiro daquele capitão-governador – na Coroa a capitania-donataria da Bahia, transformála em capitania real e aí estabelecer a sede do governo geral.

Os motivos que terão levado D. João III a optar pela Bahia estariam relacionados com o abandono a que se encontrava votada devido à morte do seu titular e de muitos dos seus companheiros em combate com os tupinambás, com as excepcionais condições que proporcionava para a ancoragem de grandes frotas e, finalmente, com o posicionamento geográfico relativamente central que facilitava a inspeção e as operações de socorro às povoações do território então integrado na Província de Santa Cruz.

A instalação do governo geral do Brasil foi cuidadosamente planejada pela administração régia. A 19 de novembro de 1548, o monarca enviou, através do navio comandado por Gramatão Teles, uma mensagem a Diogo Álvares e a um dos seus genros, Paulo Dias Adorno, dando-lhes conhecimento das decisões tomadas, recomendando-lhes que efetuassem diligências junto dos indígenas para que a expedição fosse bem recebida e solicitando-lhes que organizassem o aprovisionamento de mantimentos.1

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Capitais: Salvador, Rio, Brasília

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

Capitais: Salvador, Rio, Brasília

De tempos em tempos, o Brasil muda de capital. Nos primeiros anos, a capital é

Lisboa. A Terra da Vera Cruz, mesmo rebatizada Brasil, é tão decepcionante! Um continente indistinto, só o vazio, índios e poeira. Não vamos nomear um funcionário para governar desertos. Portugal gerencia a colônia à distância, preguiçosamente. Todos os pensamentos dos monarcas e todas as cobiças são para a Índia, para seus nativos catequizados por jesuítas, para seus tecidos preciosos e seus milênios. O Brasil aborrece Portugal. Ele não rende um centavo e os índios são às vezes desagradáveis. Em 1530, o rei João III, o Piedoso, aquele que estabelece a Inquisição em Portugal, se limita a retalhar o continente em quinze capitanias donatárias, de um comprimento de trinta a cem léguas portuguesas. O feliz donatário possui sobre seu território uma autoridade soberana. Ele nomeia os juízes, os funcionários. Distribui terrenos de acordo com sua vontade. Fixa os impostos.

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