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Capítulo V

BLOCH, Marc Zahar PDF Criptografado

Capítulo V1

Capítulo V

Em vão o positivismo pretendeu eliminar da ciência a ideia de causa. Querendo ou não, todo físico, todo biólogo pensa através de “por quê?” e de “porque”. Os historiadores não podem escapar a essa lei comum do espírito. Alguns, como

Michelet, encadeiam tudo num grande “movimento vital”, em lugar de explicar de forma lógica; outros exibem seu aparelho de induções e de hipóteses; em todos o vínculo genético está presente. Porém, do fato de o estabelecimento das relações de causa e efeito constituir assim uma necessidade instintiva de nosso entendimento não se segue que sua investigação possa ser relegada ao instinto. Se a metafísica da causalidade está aqui fora de nosso horizonte, o emprego da relação causal, como ferramenta do conhecimento histórico, exige incontestavelmente uma tomada de consciência crítica.

Um homem, suponhamos, caminha por um atalho de montanha; tropeça e cai num precipício. Foi preciso, para que esse acidente acontecesse, a reunião de um grande número de elementos determinantes. Entre eles, a existência da gravidade, a presença de um relevo, resultante de longas vicissitudes geológicas, o traçado de um caminho, destinado, por exemplo, a ligar uma aldeia a suas pastagens de verão.

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Alvo: Estados Unidos

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

XVIAlvo: Estados UnidosDurante a década que antecedeu Pearl Harbor, o mundo da espionagem ganhou uma nova figura que não podia deixar de dar nas vistas.Era o agente secreto do Japão, que obteve um prestígio cómico de subtil e estranha implicação sinistra. «O espião do Sol Nascente» tornou-se uma personagem de cartoon favorita, um homenzinho familiar que se curvava, sibilando «Mil peldões», com um rasgado sorriso, enquanto as suas mãos vasculhavam atarefadamente o bolso de outrem.Os próprios Japoneses nada viam de divertido nos seus espiões.Consideravam a espionagem um assunto extremamente sério, um instrumento importante da política nacional. De caráter essencialmente oriental, a espionagem japonesa era manifestamente esquizofrénica. Na Ásia, operava com uma selvajaria descontrolada, mas nos Estados Unidos, por exemplo, era educada e cortês. Na Ásia, os Japoneses lidavam com drogas, prostituição, pornografia e jogo.O seu principal objetivo era atingir os fins pela corrupção. A violação, o assassinato, o rapto, o fogo posto e a falsificação eram as principais armas do arsenal dos serviços secretos japoneses. Tratavam as

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Capítulo 3 | A primazia da história política

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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A PRIMAZIA DA HISTÓRIA POLÍTICA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

A geração fundadora de historiadores profissionais na Alemanha, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha tinha uma visão estreita sobre qual era o tema da história, concentrando seus esforços no estudo da história política. Uma razão para se fazer isso era que os métodos da “história científica” se aplicavam mais facilmente a tópicos políticos. Os arquivos de governos estaduais e federais e as obras selecionadas de destacados líderes políticos eram o material documental de mais fácil acesso, de modo que os estados, em lugar dos povos, se tornaram os principais temas.

Alemanha

No caso da Alemanha, além das exigências de método científico, a patronagem do Estado à disciplina emergente e ao trabalho dos historiadores oferecia um segundo motivo para o foco específico na história política, enquanto a propensão luterana a se submeter à autoridade estatal representava um terceiro. Embora rejeitassem quase todos os outros aspectos do trabalho de Hegel, os historiadores lhe faziam eco ao dizer que o Estado era a maior conquista do empreendimento humano. Johann Gustav Droysen associava o Estado ao divino, Friedrich Dahlmann lhe atribuía características mais humanas, de uma “personalidade corporal e espiritualmente valiosa”. Dessa forma, foi dado um primeiro passo para conciliar o foco no Estado em geral com a convicção dos historiadores de que sua preocupação deveria ser com o historicamente particular: O próprio Estado era um indivíduo! O segundo passo foi dado quando foi declarado que a tarefa do historiador era a propagação de seu próprio Estado-Nação. Se os primeiros trabalhos de

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Medium 9789724420141

A raposa na sua toca

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

IIA raposa na sua tocaA 31 de agosto de 1939, a Wehrmacht, que fora utilizada na­campanha da Polónia, fervilhava de entusiasmo e tensão. Mas, em ­Berlim, num escritório simples e escassamente mobilado, um homem pequeno e pálido, de cabelo branco, recostava-se, descontraído. Para Wilhelm Canaris, a eclosão da guerra fora um anticlímax. Ele trabalhara longa e arduamente para a preparar; agora, as batalhas que a Wehrmacht ainda tinha de vencer ou perder já eram para ele um assunto arrumado. Canaris e os seus homens travaram a sua própria guerra clandestina com enorme dedicação e rara perícia. Apesar de terem perdido algumas escaramuças, haviam ganho a maioria das batalhas. E julgavam-se agora confiantes de que ganhariam a guerra.Quem era este homem, este grande comandante e o cérebro deste vasto exército clandestino? Tendo sido o mais importante chefe de uma organização de espionagem da Segunda Guerra Mundial, Canaris foi também uma das suas figuras mais controversas. Um antigo e destacado alto oficial germânico escreveu: «Raramente foi uma importante personagem histórica julgada com tantos veredictos c­ontrastantes

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Capítulo 10 | História e antropologia

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA

John Davidson

Segundo Bernard S. Cohn, um norte-americano estudioso do sul da Ásia que percorreu essas disciplinas mais do que a maioria das pessoas, os historiadores e os antropólogos têm um tema em comum: a “alteridade”.

Um dos campos constrói e estuda no espaço, o outro, no tempo. Ambos têm uma preocupação com texto e contexto. Ambos visam, independentemente do que mais façam, explicar o sentido das ações de pessoas enraizadas em um tempo e um espaço a pessoas de outro.1

A maioria dos historiadores praticou seu ofício sem ser influenciada pelos desdobramentos na antropologia e, em muitos casos, ignorando-os. Mas, desde os primeiro dias da história profissional acadêmica, alguns deles têm demonstrado um interesse na antropologia e mesmo visualizado uma indefinição das divisões entre as disciplinas. Os antropólogos, principalmente os antropólogos sociais britânicos, eram mais céticos, mas, nos anos de 1960 e depois, à medida que alguns antropólogos se afastavam dos modelos das ciências naturais, E. E. Evans-Pritchard e

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Conclusão: História e poder

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

CONCLUSÃO

HISTÓRIA E PODER

Peter Lambert e Phillipp Schofield

Antes e depois da virada do milênio, era e ainda é comum lançar dúvidas sobre o lugar da história na sociedade contemporânea. Eric Hobsbawm lamentou o fato de que (na sua opinião) “quase todos os jovens de hoje crescem em uma espécie de presente contínuo, sem qualquer relação organizada com o passado público da época em que vivem”.1 Mesmo assim, seja qual for o vácuo que a falta de relação orgânica com o passado público tenha deixado, ele foi preenchido até transbordar. A “consciência da história”, observa Richard Evans, “tem uma capilaridade total no início do século XX”.2 As contribuições à Parte V deste livro discutiram algumas das áreas em que a fascinação pública em relação ao passado aumentou exponencialmente. O aumento das pesquisas privadas sobre árvores genealógicas, por exemplo, nada deve aos historiadores profissionais e tudo à

“preferência e demanda populares”. Nos registros das repartições públicas, os historiadores profissionais se acotovelam todo o tempo com genealogistas amadores, mas o contato intelectual entre eles é raro.3 Os historiadores profissionais estão mais envolvidos e respondendo mais à história televisiva e à indústria do patrimônio, mas suas contribuições quase não foram decisivas. O desenvolvimento dessas esferas públicas da história não consolou àqueles acadêmicos que as consideram apenas como refugo industrial do problema. Hobsbawm destacou, e podem-se ouvir queixas de que isso “às vezes, beirou a histeria coletiva, mais adequada a grupos de adolescentes em shows de rock do que a ignorantes urbanos com boas maneiras e semi-intelectuais contidos”.4

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Capítulo VII - A Organização Econômica e Social

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

VII

A Organização Econômica e Social

1. A POPULAÇÃO

O tratamento da questão demográfica no Brasil quinhentista reveste-se de grande dificuldade devido às escassas referências constantes das fontes coevas, às contradições aí detectadas, bem como ao caráter pouco rigoroso dos métodos utilizados na recolha dos dados.

De entre os documentos disponíveis, selecionaram-se fundamentalmente tratados descritivos de natureza propangadística destinados a fomentar a ida de colonos para a Província de Santa Cruz ou informações gerais da autoria de jesuítas devido à sua estrutura mais sistemática e a conterem estimativas referentes à generalidade das capitanias.

As fontes utilizadas apresentam geralmente os cômputos demográficos relativos aos portugueses em termos de “vizinhos”. A conversão desta unidade em número de habitantes foi efetuada com base num índice de 5,5, dimensão média adotada a partir do cálculo apresentado por Anchieta que estabelece a equivalência aproximada de vizinhos a indivíduos: “... terá em toda sua comarca (Bahia) quase 2.000 vizinhos de portugueses, dos quais haverá 10 ou 12.000 pessoas...”1

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Capítulo 19 | História e história “amadora”

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E HISTÓRIA “AMADORA”

William D. Rubinstein

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Além do tipo de história praticada e produzida por acadêmicos universitários, há outro vasto mundo de historiadores amadores, antiquários, populares e públicos que são quase que invariavelmente ignorados pelos primeiros, e que também os ignoram. Em número, eles certamente fazem o contingente universitário parecer pequeno. No ano de 2000, por exemplo, havia cerca de 2.900 professores universitários de história no Reino Unido. Em comparação, a revista mensal britânica History Today, uma valiosa e bem ilustrada publicação de história popular, vende 30.000 exemplares por edição, cuja grande maioria deve ser comprada por membros comuns do público leitor, avidamente interessados em história, mas com pouca ou nenhuma conexão, tampouco conhecimento, sobre história e historiadores acadêmicos. O objetivo deste capítulo é fazer um levantamento de algumas das mais populares variedades de história não acadêmica, examinando o que elas têm em comum com a história acadêmica da forma como esta é praticada nas universidades, mas também em que diferem. Um desses campos, o dos estudos sobre museus e patrimônio (e o trabalho dos arquivistas profissionais) deixa deliberadamente de ser examinado aqui, por ser uma profissão estabelecida em si mesma, muito próxima do trabalho de historiadores acadêmicos e normalmente exigindo uma formação de pós-graduação em história ou em um tema relacionado.1 A maioria, ou todas as áreas discutidas aqui, é dominada pelo historiador não profissional, muitas vezes, na verdade, por pessoas que não têm qualquer formação universitária em história.

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Na véspera do Dia D

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

XXNa véspera do Dia DO golpe contundente sofrido por Eisenhower no Norte de África em1943 tornou-se parcialmente responsável pela invulgarmente suave invasão de França, em 1944. Fez que Kenneth Strong se juntasse ao seu Estado-Maior e assegurou uma eficiência soberba na ­preparação das informações para a Operação Overlord.Em fevereiro de 1943, durante a campanha na Tunísia, as unidades da linha da frente enviaram para o quartel-general de Ike relatórios sobre movimentações inimigas em torno de Fandouk, Faïd eGafsa que prenunciavam algo. Tinham todas as características de um iminente contra-ataque em larga escala. Os observadores na linha da frente previam que a principal investida viria da direção de Faïd.No entanto, as chefias do próprio serviço de informações de Ike, e depois de terem rejeitado estes avisos como se fossem devaneios fantasiosos de tropas inexperientes, decidiram finalmente que, a haver um contra-ataque, este viria da direção de Fandouk. O contra-ataque veio de Faïd. Até que o alto-comando aliado se apercebesse realmente do que lhe estava a acontecer, os Alemães conseguiram um avanço enorme. Avançaram pelo desfiladeiro de Kesserine e,

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Capítulo IV - O Tempo das Feitorias

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

IV

O Tempo das Feitorias

1. A INTEGRAÇÃO DA TERRA DE SANTA CRUZ NO CONTEXTO DO

IMPÉRIO

O navio alvissareiro efetuou, na viagem de retorno a Lisboa, um reconhecimento do litoral brasílico compreendido entre Porto Seguro e o cabo de São Jorge1 – identificado com o atual cabo de Santo Agostinho – numa extensão superior a 150 léguas, o que permitiu obter a confirmação de que se tratava de um continente. O traçado geral da faixa costeira explorada, uma legenda alusiva ao descobrimento, os topônimos correspondentes às estremas atingidas, sendo que a do norte se encontra assinalada com uma bandeira das Quinas, foram, na sequência da expedição cabralina, inseridos no padrão cartográfico real.

D. Manuel I recebeu, provavelmente no decorrer do mês de julho de

1500,2 Gaspar de Lemos, tomando conhecimento dos sucessos protagonizados pela segunda armada da Índia até 1 de maio, inclusive, bem como da existência no poente de uma grandiosa terra firme austral. Na previsão de que a descoberta da Terra de Vera Cruz pudesse suscitar a eclosão de disputas com Castela acerca da esfera de influência em que o novo domínio se situava, o rei decidiu manter segredo sobre o assunto até obter informações sobre os respectivos limites.

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Capítulo 17 | Os historiadores e o cinema

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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OS HISTORIADORES E O CINEMA

Peter Miskell

Sejamos diretos e admitamos: os filmes históricos incomodam e perturbam os historiadores profissionais, e assim tem sido por um bom tempo.1

Em um exame da relação entre história profissional e versões do passado criadas e apresentadas fora da academia, o cinema é forte candidato a receber nossa atenção. Não apenas oferece uma via para quem não tinha conexões com a academia exibir publicamente sua própria versão de história, como também permite que a história seja apresentada e consumida de uma forma totalmente nova ao século

XX.2 Além disso, a imensa popularidade internacional dos filmes fez com que a história, como se vê nas telas, tenha atingido um público muito mais amplo do que a escrita dos historiadores profissionais. Este capítulo não discutirá teoricamente, em detalhes, se os historiadores acadêmicos têm mais direitos do que os cineastas de afirmar que seu trabalho oferece uma interpretação válida do passado. A intenção aqui é oferecer uma visão do relacionamento variável dos historiadores com o cinema no decorrer do século XX, questionando por que os “filmes históricos têm incomodado e perturbado os historiadores profissionais”. Até que ponto suas atitudes em relação à história apresentada na tela se desenvolveram durante o século XX?

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Capítulo 15 | Os historiadores e a “nova” história britânica

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

OS HISTORIADORES E A “NOVA”

HISTÓRIA BRITÂNICA

Paul O’Leary

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É raro que os editoriais de jornais apontem, e mais raro ainda que questionem, o trabalho de historiadores acadêmicos. Portanto, merece menção quando o London Times aproveita a publicação de um relatório financiado pelo governo sobre multiculturalismo para atacar interpretações revisionistas da história britânica. Em um editorial intitulado “Nation and race”, de 12 de outubro de 2000, o jornal discordava veementemente de um grupo pouco definido de historiadores cuja obra passou a ser conhecida como a “nova história britânica”. Particularmente, o Times escolheu autores como Linda Colley, cujo trabalho sobre a “invenção” da britanicidade como ideologia oficial do século XVIII foi considerado uma reinterpretação incompatível do passado nacional, reservando-se críticas especiais

à sua ênfase na natureza construída da identidade nacional britânica. O jornal julgou que esse tipo de obra histórica era parte de uma tendência insidiosa que só poderia servir para minar a confiança na identidade britânica enraizada no que o jornal acreditava ser um passado mais longo e mais duradouro. A ideia de que as nações que constituíram o Reino Unido possam ter forjado uma identidade comum em parte com base no interesse próprio (e assim, implicitamente, poderiam se afastar dela à luz de mudanças em seus interesses) ofendeu especialmente o jornal.

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Capítulo 20 | História e patrimônio

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E PATRIMÔNIO

Susan Davies

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O termo heritage* nos remete a algo que é herdado, seja por indivíduos, seja coletivamente. É um termo amplo, muito aceito, tanto na Grã-Bretanha quanto internacionalmente, e resultou do latim heres, e de várias palavras associadas relacionadas a herança e a coisas que podem ser herdadas. Entre as definições do

Oxford English dictionary está a seguinte: “That which comes from the circumstances of birth; an inherited lot or portion; the condition or state transmitted from ancestors”. [O que vem das circunstâncias de nascimento; um lote ou porção herdados; a condição ou estado transmitidos pelos ancestrais] Isso sugere uma amplitude de significados que alguns consideram insuficiente, vaga, preferindo, por exemplo,

“bens culturais” como termo mais específico. Um relatório recente da English Heritage, The power of place (Dezembro de 2000), sugere “o ambiente histórico” como expressão preferida. Mesmo assim, nenhum desses é tão generoso em termos de sentido ou conceito quanto heritage.

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Palhas ao vento norte

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

VIIPalhas ao vento norteNos anais dos traidores, o major Vidkun Quisling ocupa um lugar de destaque, em parte porque a sua traição foi monstruosa e também porque os seus motivos foram muito intrigantes. Quisling foi um traidor em grande escala, no entanto, nunca o admitiu. Imaginava-se a reencarnação de Haroldo, o Conquistador, predestinado por desígnios divinos a guiar o seu povo a uma terra prometida. Onde e como seria a tal terra prometida, Quisling não fazia ideia.Nasceu em Tyrdesdal, na Noruega, em 1887, filho do pastor local.Era uma região inóspita, onde os ursos vagueavam pelos campos.Quisling partiu bastante novo, todavia a viva impressão que lhe causara a «terra natal selvagem» incutira-lhe sentimentos de inferioridade e a mania da grandeza. Estava imbuído de ideais humanitários:«Quando era novo», disse certo dia, «o meu sonho era pregar aos sábados e fazer curas milagrosas durante a semana.» Todavia, seguiu a carreira militar.Na academia militar, foi um estudante brilhante e muito aplicado, no entanto, era teimoso, taciturno e introvertido. Foi capitão do Estado­-Maior norueguês antes dos trinta anos e viria a ser o adido

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Estagnação no campo aliado

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

IVEstagnação no campo aliadoEm marcado contraste com os cada vez mais desenvolvidos serviços secretos de Hitler, os países democráticos ou não tinham quaisquer serviços de informações dignos desse nome, ou mantinham algumas organizações muito reduzidas e em hibernação. Os serviços francês e britânico incluíam-se nesta última categoria. Na sua maior parte, subsistiam com orçamentos exíguos e respaldados no prestígio passado, com as inevitáveis consequências. Dito de forma franca, tanto os serviços secretos franceses como britânicos eram maus e completamente inadequados face aos desafios e exigências desses anos fatais.Em França, país que produzira Joseph Fouché, um dos chefes de espiões mais iníquos da História, a recolha de informações era um instrumento tradicional de poder, mas praticada como arte e não como ciência exata. Em sintonia com a organização caótica do governo francês e da burocracia predatória e invejosa dos seus f­ uncionários, a recolha de informações estava descentralizada e compartimentada. Cada serviço mantinha-se à parte dos outros e não aprovava nem a ligação nem a cooperação, com medo de que a ­concordância

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