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Capítulo 4 | O surgimento da história econômica britânica, c. 1880 a c. 1930

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

O SURGIMENTO DA HISTÓRIA ECONÔMICA

BRITÂNICA, C. 1880 A C. 1930

Phillipp Schofield

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Em uma palestra – “A Interpretação Econômica da História”, apresentada no final da década de 1880, em Oxford – James E. Thorold Rogers, então professor de economia política naquela universidade e de ciência econômica e estatística no

King’s College, em Londres, começou lamentando que em quase todas as histórias e em quase toda a economia política, a coleta e interpretação dos fatos econômicos, e com isso quero dizer registros da vida social ilustrada e a distribuição de riqueza em diferentes épocas da história da humanidade, foram geralmente negligenciadas.

Essa “negligência”, da forma como ele a via, tornava a “história imprecisa ou, pelos menos, imperfeita”.1 Embora Rogers continuasse na mesma linha nesta e em outras exposições, seu argumento principal já tinha sido apresentado, ou seja, o de que a investigação histórica que não conseguisse assumir um elemento econômico e social (em outras palavras, aquele “tipo” de história a que ele e seus contemporâneos chamariam de “história econômica” ou, como subdisciplinas separadas, de histórias “econômica” e “social”2) era fundamentalmente falho e, por extensão, o vasto conjunto de empreendimentos históricos que ele via sendo realizados dentro das universidades sofria por essa mesma razão. Rogers estava bastante disposto a reconhecer que “o estudo sólido da história teve avanços consideráveis”, de forma que “a narrativa não é mais de guerra e paz, de genealogias reais, de datas não relacionadas”. Entretanto, ele acreditava firmemente que um conjunto de materiais históricos fosse negligenciado pelos historiadores acadêmicos e, mais importante, que em suas preocupações históricas se escondiam preconceitos e partidarismos incentivados pela natureza de suas explorações e a qualidade de suas fontes.3

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Capítulo 9 | História e sociologia

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HISTÓRIA E SOCIOLOGIA

Robert Harrison

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Entre as disciplinas aparentadas com a história, a sociologia sempre pareceu a mais próxima, mas, ao mesmo tempo, a mais invasiva, a mais intimidativa, a mais desdenhosa em relação à prática histórica. Este capítulo examina as origens e o desenvolvimento da sociologia, observando algumas das formas nas quais os sociólogos deram início à investigação da sociedade, como seu trabalho influenciou a escrita da história nas décadas recentes e, por fim, a crescente penetração dos vários tipos de pensamento histórico dentro da própria sociologia.

Segundo Anthony Giddens, “a sociologia é o estudo da vida social, dos grupos e das sociedades humanos”. Seu tema é nosso próprio comportamento como seres sociais”.1 De que forma, porém, isso difere do tema da história, que o historiador francês do século XIX Fustel de Coulanges identificou como “a ciência das sociedades humanas”?2 A diferença mais óbvia é que a história lida com o passado enquanto a sociologia lida com o presente. Embora essa generalização descreva com precisão as atividades de pesquisa da maioria dos historiadores e sociólogos, há uma sensação de que a construção que o sociólogo faz do “presente etnográfico” e das afirmações do historiador de excluir demandas do presente de sua investigação do passado são igualmente fictícias. Mais importante, há uma crescente escola de sociologia histórica que inclui em suas fileiras figuras influentes como Barrington

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Capítulo 17 | Os historiadores e o cinema

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

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OS HISTORIADORES E O CINEMA

Peter Miskell

Sejamos diretos e admitamos: os filmes históricos incomodam e perturbam os historiadores profissionais, e assim tem sido por um bom tempo.1

Em um exame da relação entre história profissional e versões do passado criadas e apresentadas fora da academia, o cinema é forte candidato a receber nossa atenção. Não apenas oferece uma via para quem não tinha conexões com a academia exibir publicamente sua própria versão de história, como também permite que a história seja apresentada e consumida de uma forma totalmente nova ao século

XX.2 Além disso, a imensa popularidade internacional dos filmes fez com que a história, como se vê nas telas, tenha atingido um público muito mais amplo do que a escrita dos historiadores profissionais. Este capítulo não discutirá teoricamente, em detalhes, se os historiadores acadêmicos têm mais direitos do que os cineastas de afirmar que seu trabalho oferece uma interpretação válida do passado. A intenção aqui é oferecer uma visão do relacionamento variável dos historiadores com o cinema no decorrer do século XX, questionando por que os “filmes históricos têm incomodado e perturbado os historiadores profissionais”. Até que ponto suas atitudes em relação à história apresentada na tela se desenvolveram durante o século XX?

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Capítulo 2. Tecnologia, Ambiente e Transformações na História Mundial

Candice Goucher, Linda Walton Grupo A PDF Criptografado

2

Tecnologia, Ambiente e Transformações na

História Mundial

O

escritor romano Plínio, o Jovem, descreveu a erupção do Monte Vesúvio na Península itálica em 24 de Agosto de 79 d.C., um evento natural que destruiu e enterrou as cidades de Pompeia e Herculano. Depois de relatar os esforços heroicos de seu tio para resgatar as pessoas com os barcos da frota que ele comandava a partir da costa, Plínio registrou sua própria fuga.

As chamas ficaram a alguma distância; então novamente a escuridão desceu e as cinzas começaram a cair mais uma vez, agora em pesadas chuvas. Erguíamo-nos de tempo em tempo e a sacudíamos, do contrário também seríamos enterrados e esmagados sob seu peso. Poderia me gabar de que não me escapou nem um gemido ou lágrima de medo durante aquele perigo, mas admito ter dedicado um pobre consolo ao meu lado mortal a partir da crença de que o mundo estava morrendo comigo e eu com ele... Ao menos a escuridão diminuiu e se dispersou como fumaça ou nuvem; então, houve uma verdadeira luz do dia, e o sol realmente brilhou, mas amarelado como durante um eclipse. Ficamos apavorados em ver como tudo mudou, enterrado fundo em cinzas como em um monte de neve.

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Capítulo 5. O Lugar da Família na História Mundial

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O Lugar da Família na

História Mundial

N

a China do século XVII, o autor de um guia para a vida familiar, chamado Yuan

Cai, na verdade explicava as origens dos laços entre pais e filhos:

Os bebês são intimamente ligados aos seus pais, e estes são extremamente generosos com seu amor por seus filhos, fazendo todo o possível para cuidá-los. A razão parece ter sido que não passou muito tempo desde que eles eram a mesma carne e sangue e, além disso, os sons de um bebê, os sorrisos e os gestos são de uma natureza que traz

à tona o amor humano. Além do mais, o

Criador fez com que esse elo fosse um princípio da natureza, de forma a assegurar que a sucessão de nascimentos continue ininterruptamente. Até mesmo o mais insignificante inseto, pássaro ou animal se comporta dessa maneira. Quando o primeiro recém-nascido sai do ventre ou da casca, essas criaturas o amamentam ou alimentam com comida pré-mastigada, passando por tudo para cuidar dele. Se algo ameaça o filhote deles, eles o protegem, sem se preocupar com a própria segurança.

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Capítulo 10. Cruzando Fronteiras

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Cruzando Fronteiras

Limites, encontros e fronteiras

E

ntre os povos que viveram na província da

Nova Espanha (atual México) nos tempos pós-conquista estavam os Nahua, que, entre

1550 e cerca de 1800, produziram numerosos documentos em sua própria língua (nahuatl), que foram escritos na escrita europeia. As fontes nahuatl mostram como as estruturas indígenas e os padrões da cultura nahua sobreviveram à conquista em uma grande escala e por um período de tempo muito mais longo do que julgaram os relatórios dos cidadãos espanhóis. Por exemplo, embora os espanhóis “reivindicassem” e “possuíssem” a terra, determinando seus limites, ela foi garantida a outros, frequentemente revertida aos habitantes indígenas. Um trecho do documento abaixo descreve uma garantia de terra de 1583, na cidade de San Miguel de Tocuillán, no México. Sua receptora e a porta-voz da família é Ana:

Ana falou a seu irmão mais velho, Juan

Miguel: “Meu querido irmão mais velho, deixe-nos ficar sob seu teto por alguns dias

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Capítulo 9. Transmissão de Tradições

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Transmissão de Tradições

História, cultura e memória

O

colossal monumento de pedra, conhecido como Esfinge, guarda as grandes pirâmides do antigo Egito na planície de Gizé.

Possuindo mais de 10 vezes a altura de um ser humano, a Esfinge – uma escultura que é parte homem, parte deus e parte animal – foi construída por volta de 2600 a.C. Ela serve como uma poderosa lembrança do passado egípcio.

Embora tendamos a considerar esses tesouros monumentais como memórias culturais imutáveis, esse não é o caso. No tempo do faraó Thutmose IV, na época de 1401 a.C., a Esfinge já era antiga, já havia sido alterada e necessitava de uma grande reforma. De acordo com as inscrições em uma placa de granito vermelho, erigida em frente à estátua, Thutmose removeu a areia do deserto e restaurou o corpo de leão danificado com grandes blocos de pedra calcária, para a proteção contra a erosão do vento.

Após outros mil anos, os gregos e os romanos visitaram e novamente reformaram a

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Capítulo 7. Criação de Ordem e Desordem

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Criação de Ordem e Desordem

Estados e Impérios, antigos e novos

A

o final da Segunda Guerra Mundial, o líder nacionalista vietnamita Ho Chi Minh

(1890-1969) escreveu a introdução à declaração de independência vietnamita:

Todos os homens são criados iguais: eles são dotados, por seu Criador, com certos direitos inalienáveis; entre esses estão a

Vida, a Liberdade e a busca pela Felicidade.

Essa frase imortal foi feita na

Declaração de Independência dos Estados

Unidos da América, em 1776. Em um sentido amplo, isso significa: todos os povos na terra são iguais no nascimento, todas as pessoas têm o direito de viver, serem felizes e livres.

A Declaração da Revolução Francesa, feita em 1791, sobre os Direitos do Homem e do Cidadão também afirma: “Todos os homens nascem livres e com direitos iguais, e devem sempre permanecer livres e com direitos iguais”.

Essas são verdades irrefutáveis.

(Citado em William D. Bowman,

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Capítulo 3 | A primazia da história política

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A PRIMAZIA DA HISTÓRIA POLÍTICA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

A geração fundadora de historiadores profissionais na Alemanha, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha tinha uma visão estreita sobre qual era o tema da história, concentrando seus esforços no estudo da história política. Uma razão para se fazer isso era que os métodos da “história científica” se aplicavam mais facilmente a tópicos políticos. Os arquivos de governos estaduais e federais e as obras selecionadas de destacados líderes políticos eram o material documental de mais fácil acesso, de modo que os estados, em lugar dos povos, se tornaram os principais temas.

Alemanha

No caso da Alemanha, além das exigências de método científico, a patronagem do Estado à disciplina emergente e ao trabalho dos historiadores oferecia um segundo motivo para o foco específico na história política, enquanto a propensão luterana a se submeter à autoridade estatal representava um terceiro. Embora rejeitassem quase todos os outros aspectos do trabalho de Hegel, os historiadores lhe faziam eco ao dizer que o Estado era a maior conquista do empreendimento humano. Johann Gustav Droysen associava o Estado ao divino, Friedrich Dahlmann lhe atribuía características mais humanas, de uma “personalidade corporal e espiritualmente valiosa”. Dessa forma, foi dado um primeiro passo para conciliar o foco no Estado em geral com a convicção dos historiadores de que sua preocupação deveria ser com o historicamente particular: O próprio Estado era um indivíduo! O segundo passo foi dado quando foi declarado que a tarefa do historiador era a propagação de seu próprio Estado-Nação. Se os primeiros trabalhos de

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Capítulo 19 | História e história “amadora”

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HISTÓRIA E HISTÓRIA “AMADORA”

William D. Rubinstein

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Além do tipo de história praticada e produzida por acadêmicos universitários, há outro vasto mundo de historiadores amadores, antiquários, populares e públicos que são quase que invariavelmente ignorados pelos primeiros, e que também os ignoram. Em número, eles certamente fazem o contingente universitário parecer pequeno. No ano de 2000, por exemplo, havia cerca de 2.900 professores universitários de história no Reino Unido. Em comparação, a revista mensal britânica History Today, uma valiosa e bem ilustrada publicação de história popular, vende 30.000 exemplares por edição, cuja grande maioria deve ser comprada por membros comuns do público leitor, avidamente interessados em história, mas com pouca ou nenhuma conexão, tampouco conhecimento, sobre história e historiadores acadêmicos. O objetivo deste capítulo é fazer um levantamento de algumas das mais populares variedades de história não acadêmica, examinando o que elas têm em comum com a história acadêmica da forma como esta é praticada nas universidades, mas também em que diferem. Um desses campos, o dos estudos sobre museus e patrimônio (e o trabalho dos arquivistas profissionais) deixa deliberadamente de ser examinado aqui, por ser uma profissão estabelecida em si mesma, muito próxima do trabalho de historiadores acadêmicos e normalmente exigindo uma formação de pós-graduação em história ou em um tema relacionado.1 A maioria, ou todas as áreas discutidas aqui, é dominada pelo historiador não profissional, muitas vezes, na verdade, por pessoas que não têm qualquer formação universitária em história.

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Capítulo 10 | História e antropologia

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HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA

John Davidson

Segundo Bernard S. Cohn, um norte-americano estudioso do sul da Ásia que percorreu essas disciplinas mais do que a maioria das pessoas, os historiadores e os antropólogos têm um tema em comum: a “alteridade”.

Um dos campos constrói e estuda no espaço, o outro, no tempo. Ambos têm uma preocupação com texto e contexto. Ambos visam, independentemente do que mais façam, explicar o sentido das ações de pessoas enraizadas em um tempo e um espaço a pessoas de outro.1

A maioria dos historiadores praticou seu ofício sem ser influenciada pelos desdobramentos na antropologia e, em muitos casos, ignorando-os. Mas, desde os primeiro dias da história profissional acadêmica, alguns deles têm demonstrado um interesse na antropologia e mesmo visualizado uma indefinição das divisões entre as disciplinas. Os antropólogos, principalmente os antropólogos sociais britânicos, eram mais céticos, mas, nos anos de 1960 e depois, à medida que alguns antropólogos se afastavam dos modelos das ciências naturais, E. E. Evans-Pritchard e

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Capítulo 11 | História e literatura

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HISTÓRIA E LITERATURA

Tim Woods

A nova senha nos recentes estudos literários foi a virada de volta à história, em parte comandada por uma gama de pressões institucionais: por exemplo, a necessidade frenética de garantir verbas de pesquisa, o novo utilitarismo ideológico que permeia os estudos literários em resposta a auditorias de qualidade e classificações de pesquisas e a necessidade de ser visto produzindo pesquisa de natureza

“inovadora”, que pressiona inexoravelmente os acadêmicos e as verbas de pesquisa em direção a arquivos históricos (com frequência “intocados”). Mesmo assim, o debate sobre pesquisa “histórica” versus “literária” está em uma gangorra nos estudos literários pelo menos durante os últimos 25 anos. Já houve discussões acirradas no campo dos estudos literários sobre as formas com que a teoria negligencia a história, principalmente entre pós-estruturalistas e marxistas: quanto mais importância se dá à teoria, mais se excluem a “textualidade” e “o real”.1

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Capítulo 5 | A escola dos Annales e a escrita da história

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A ESCOLA DOS ANNALES E A ESCRITA DA HISTÓRIA

Michael Roberts

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Os historiadores associados à revista francesa Annales exerceram provavelmente a influência isolada mais marcante no caráter da escrita histórica desde a

Segunda Guerra Mundial. Isso se deve muito ao fato de que, nos 20 anos posteriores à sua fundação, em 1929, os editores da revista desenvolveram um paradigma efetivo dentro do qual conclusões de pesquisas sobre uma gama cada vez mais ampla de temas e abordagens históricos poderiam ser assimiladas e ganhar coerência. Suas ambições de compor uma “história total” integrada, que prestasse atenção à amplitude da geografia e às sutilezas da perspectiva ou “mentalidade” humana (geralmente expressa no plural, como mentalités), combinaram-se com uma fascinação pela experiência do tempo muito apropriada ao século XX. Isso passou a ser a base para grande parte do trabalho de ponta na França e, cada vez mais, em outros lugares, a partir da década de 1960. As volumosas publicações dos editores da revista, até mesmo mais do que os artigos constantes dela própria, são consideradas hoje em dia como clássicos, tendo se tornado básicos em disciplinas de metodologia histórica. Essa realização se torna ainda mais impressionante por ter estendido um programa moldado por preocupações francesas durante o período de 1870-1914 a um padrão verdadeiramente transnacional de pesquisa.

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Capítulo 11. Imaginando o Futuro

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Imaginando o Futuro

As encruzilhadas da história mundial

O

adivinho ioruba, Babalawo Kolawole

Ositola, senta-se perante uma bandeja de madeira esculpida (opon) no bairro Porogun da cidade de Ijebu-Ode, na Nigéria. Ele começa o ritual de adivinhação no qual irá explicar o presente e predizer o futuro ao invocar o passado.

Primeiro ele traça os padrões de cruzamento, duas linhas que se interceptam em certo ângulo, no pó irosun na superfície da bandeja. A encruzilhada simboliza o ponto de encontro de todas as direções, todas as forças. Como qualquer cruzamento movimentado, a encruzilhada forma um lugar de perigo e confusão, que surge com a oportunidade de mudar de direção. A experiência ioruba do universo é expressa pelas gravações no opon e nas palavras que o adivinho profere, de contínua mudança e transformação, em meio às realidades sociais de interação e interdependência. A adivinhação se tornará um diálogo com os ancestrais e as forças espirituais. O mensageiro divino, a divindade Exu/

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Capítulo 14 | História, identidade e etnicidade

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HISTÓRIA, IDENTIDADE E ETNICIDADE

John Davidson

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É um dos clichês da discussão historiográfica dizer que indivíduos e sociedades usam o passado para sustentar suas identidades atuais. Os fundadores da moderna historiografia aceitaram como algo dado que o foco da identidade era o

Estado-Nação, seja concebido em termos do conceito de Volk, seja como o construto de pais-fundadores heroicos, como no caso dos Estados Unidos ou da França pós-revolucionária. Nos últimos tempos, muitos tipos bastante diferentes de grupos têm demandado sua própria história e se juntado aos operários que fabricavam meias de E. P. Thompson na busca pela emancipação em relação à “enorme condescendência da posteridade”. Os primeiros desafios à visão estatista vieram daqueles que defendiam grupos que não eram de elite dentro do Estado-Nação: a classe trabalhadora, mulheres, imigrantes. Mais recentemente, alguns procuraram desmantelar todo o paradigma e as grandes narrativas que ele sustentava. Esses desenvolvimentos são o produto da interação entre mudanças na teoria social e crítica, muitas vezes mediadas por disciplinas intimamente relacionadas, e mudanças no contexto político, social e cultural mais amplo. O aumento, desde cerca de 1970, da atenção que os historiadores e outros prestam às questões relacionadas a etnicidade e identidade demonstra particularmente bem a interação de contexto e teoria. A persistência – na verdade, o ressurgimento – de divisões comunitárias e linguísticas nos Estados pós-coloniais, o surgimento de nacionalismos novos e relembrados na

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