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Capítulo 15 | Os historiadores e a “nova” história britânica

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

OS HISTORIADORES E A “NOVA”

HISTÓRIA BRITÂNICA

Paul O’Leary

15

É raro que os editoriais de jornais apontem, e mais raro ainda que questionem, o trabalho de historiadores acadêmicos. Portanto, merece menção quando o London Times aproveita a publicação de um relatório financiado pelo governo sobre multiculturalismo para atacar interpretações revisionistas da história britânica. Em um editorial intitulado “Nation and race”, de 12 de outubro de 2000, o jornal discordava veementemente de um grupo pouco definido de historiadores cuja obra passou a ser conhecida como a “nova história britânica”. Particularmente, o Times escolheu autores como Linda Colley, cujo trabalho sobre a “invenção” da britanicidade como ideologia oficial do século XVIII foi considerado uma reinterpretação incompatível do passado nacional, reservando-se críticas especiais

à sua ênfase na natureza construída da identidade nacional britânica. O jornal julgou que esse tipo de obra histórica era parte de uma tendência insidiosa que só poderia servir para minar a confiança na identidade britânica enraizada no que o jornal acreditava ser um passado mais longo e mais duradouro. A ideia de que as nações que constituíram o Reino Unido possam ter forjado uma identidade comum em parte com base no interesse próprio (e assim, implicitamente, poderiam se afastar dela à luz de mudanças em seus interesses) ofendeu especialmente o jornal.

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Capítulo II - As Sociedades Indígenas

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

II

As Sociedades Indígenas

1. O POVOAMENTO DO CONTINENTE AMERICANO

Sendo atualmente incontroverso que o povoamento do continente americano foi efetuado por populações originárias do Velho Mundo, no entanto, suscitam acesa discussão os problemas relacionados com a região de origem dos ameríndios, com a determinação da época em que se iniciaram as migrações pré-históricas e, ainda, com as rotas de penetração utilizadas.

Verifica-se a existência de um certo número de traços muito marcantes, comuns à generalidade dos autóctones americanos, designadamente a cor acastanhada da pele, os cabelos pretos e lisos, o fraco desenvolvimento do sistema piloso, as maçãs do rosto salientes, a forte arcada supraciliar e a prega na pálpebra que dá aos olhos uma forma oblíqua (“olho mongólico”).1 Estas características físicas conjugadas com dados de ordem genética (grupo sanguíneo exclusivamente de tipo O)2 comprovam que os

índios descendem de populações asiáticas, vulgarmente designadas por raça amarela.

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Capítulo I. A história, os homens e o tempo

BLOCH, Marc Zahar PDF Criptografado

Capítulo I

A história, os homens e o tempo

A história, os homens e o tempo

1. A escolha do historiador

A palavra história é uma palavra antiquíssima: [tão antiga que às vezes nos cansamos dela. Raramente, é verdade, chegou-se a querer riscá-la completamente do vocabulário.] Os próprios sociólogos da era durkheimiana lhe dão espaço. Mas é para relegá-la a um singelo cantinho das ciências do homem: espécie de calabouço onde, reservando à sociologia tudo que lhes parece suscetível de análise racional, despejam os fatos humanos julgados ao mesmo tempo mais superficiais e mais fortuitos. Vamos preservar-lhe aqui, ao contrário, sua significação mais ampla. [O que não proíbe, antecipadamente, nenhuma orientação de pesquisa, deva ela voltar-se de preferência para o indivíduo ou para a sociedade, para a descrição das crises momentâneas ou a busca dos elementos mais duradouros; o que também não encerra em si mesmo nenhum credo; não diz respeito, segundo sua etimologia primordial, senão à “pesquisa”.] Seguramente, desde que surgiu, já há mais de dois milênios, nos lábios dos homens, ela mudou muito de conteúdo. É a sorte, na linguagem, de todos os termos verdadeiramente vivos. Se as ciências tivessem, a cada uma de suas conquistas, que buscar por uma nova denominação para elas, que batismos e que perdas de tempo no reino das academias! Mesmo permanecendo pacificamente fiel a seu glorioso nome helênico, nossa história não será absolutamente, por isso, aquela que escrevia Hecateu de Mileto; assim como a física de lord Kelvin ou de Langevin não é a de Aristóteles.

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3. Do parlamentar ao juiz

CARVALHO, Julia Editora Manole PDF Criptografado

capítulo

3

iz u j o a r a rlament

do pa

até hoje de 1986

Cinco de outubro de 1988. Pela primeira vez na história do Brasil, estava a democracia plena, com todos os direitos individuais garantidos, instituída pela

Constituição:55

Art. 5º

III - Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV - É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX - É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

55 Durante o Império e o período de 1945 a 1964, a liberdade de imprensa foi garantida, mas as diversões públicas ainda eram submetidas à ação da censura. A Constituição de 1988 foi a primeira a garantir a liberdade de expressão em todos os seus âmbitos.

51

XIV - É assegurado a todos o direito à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

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Capítulo 19 | História e história “amadora”

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E HISTÓRIA “AMADORA”

William D. Rubinstein

19

Além do tipo de história praticada e produzida por acadêmicos universitários, há outro vasto mundo de historiadores amadores, antiquários, populares e públicos que são quase que invariavelmente ignorados pelos primeiros, e que também os ignoram. Em número, eles certamente fazem o contingente universitário parecer pequeno. No ano de 2000, por exemplo, havia cerca de 2.900 professores universitários de história no Reino Unido. Em comparação, a revista mensal britânica History Today, uma valiosa e bem ilustrada publicação de história popular, vende 30.000 exemplares por edição, cuja grande maioria deve ser comprada por membros comuns do público leitor, avidamente interessados em história, mas com pouca ou nenhuma conexão, tampouco conhecimento, sobre história e historiadores acadêmicos. O objetivo deste capítulo é fazer um levantamento de algumas das mais populares variedades de história não acadêmica, examinando o que elas têm em comum com a história acadêmica da forma como esta é praticada nas universidades, mas também em que diferem. Um desses campos, o dos estudos sobre museus e patrimônio (e o trabalho dos arquivistas profissionais) deixa deliberadamente de ser examinado aqui, por ser uma profissão estabelecida em si mesma, muito próxima do trabalho de historiadores acadêmicos e normalmente exigindo uma formação de pós-graduação em história ou em um tema relacionado.1 A maioria, ou todas as áreas discutidas aqui, é dominada pelo historiador não profissional, muitas vezes, na verdade, por pessoas que não têm qualquer formação universitária em história.

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Capítulo 6 | História social na Alemanha

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

A HISTÓRIA SOCIAL NA ALEMANHA

Peter Lambert

6

Por um breve período durante os anos de 1970, anunciou-se amplamente o progresso triunfal de uma nova abordagem social-científica à escrita de história na

República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental. À frente da marcha, dois jovens historiadores – Hans-Ulrich Wehler e Jürgen Kocka – que trabalhavam na nova Universidade de Bielefeld estavam fazendo incursões confiantes em territórios inexplorados por historiadores alemães. Para se referir a eles, seus colegas próximos e seus alunos, foi rapidamente adotada a expressão “escola de Bielefeld”, como uma abreviação conveniente para um corpo de trabalho crescente, informado por convicções e aspirações compartilhadas. Aí estava, finalmente, uma historiografia progressista e informada teoricamente e, ao mesmo tempo, firmemente ancorada dentro do sistema universitário da Alemanha Ocidental – um novo paradigma que tinha superado a inércia decadente, mas até então, ubíqua, da história política estatista e nacionalista. Os pedidos de desculpas pelo passado alemão deram lugar a uma crítica rigorosa. Supostamente estagnada e isolada até a década de 1960, a historiografia alemã parecia agora estar vívida e haver “retornado ao Ocidente”. Onde tinha sido hostil à teoria, os Bielefelder a assumiram prontamente. Onde a agência histórica tinha sido atribuída a indivíduos, ela agora era ligada a forças e estruturas impessoais.

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8. A ARQUITETURA MEDIEVAL PRIMITIVA E A ARQUITETURA ROMÂNICA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 8

A ARQUITETURA MEDIEVAL PRIMITIVA

E A ARQUITETURA ROMÂNICA

E

nquanto as culturas bizantina e islâmica floresciam no leste europeu e na orla sul do Mediterrâneo, as regiões da Europa Ocidental que no passado constituíram o

Império Romano entraram em um período contínuo de declínio. Já nos primeiros séculos da era cristã, os postos avançados do Império vinham sendo repetidamente atacados pelas ondas de povos nômades oriundos da Ásia Central. Estas tribos, chamadas de bárbaros pelos romanos civilizados, finalmente cruzaram as fronteiras estabelecidas por Roma e ocuparam a Cidade Eterna em 476. Muitos topônimos de toda a Europa ainda hoje preservam a memória dessas tribos nômades: os francos se assentaram na futura França; os borgonheses, no centro-leste da França, e os lombardos no norte da Itália, dando seus nomes para a Borgonha e a Lombardia, respectivamente. Os godos e os visigodos se tornaram inesquecíveis no estilo de arquitetura que hoje chamamos de gótico; o comportamento dos vândalos, que assolavam todas as partes e frequentemente levavam à devastação absoluta das áreas invadidas, é lembrado na palavra “vandalismo”.

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3. A ARQUITETURA DA ÍNDIA ANTIGA E DO SUDESTE DA ÁSIA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 3

A ARQUITETURA DA ÍNDIA ANTIGA

E DO SUDESTE DA ÁSIA

A

pré-história da Índia é, em grande parte, um relato dos assentamentos ao longo do vale do Indo e suas planícies fluviais – atualmente parte do Paquistão e Afeganistão –, onde diversas culturas regionais prosperaram a partir de cerca de 3000 a.C. Essa fase madura durou cerca de mil anos, iniciando em meados de 2700 a.C., quando Harappa (na porção nordeste do vale) e Mohenjo-Daro (no Indo, quase 640 quilômetros a sudoeste) aparentemente eram as principais cidades de uma extensa

área. Muitos detalhes sobre a cultura dessa região ainda são bastante obscuros, pois não há unanimidade entre os estudiosos quanto ao alfabeto de Harappa, que possui mais de 400 caracteres. Em todo caso, muitos dos escritos que restaram são encontrados em timbres pessoais, os quais dificilmente revelarão muito sobre essa civilização. A base da economia era a agricultura, facilitada pela irrigação e a inundação periódica provocada pelos rios. Havia também o comércio, não somente interno, mas também com assentamentos do sul da Arábia e da Mesopotâmia. Como resultado, houve algumas influências culturais externas. A civilização com escrita no vale do Indo foi de desenvolvimento posterior e de curta duração, se comparada a da Mesopotâmia ou do Egito, porém, a região sobre a qual o vale do Indo exercia controle era maior. Mais de 1.000 sítios arqueológicos de Harappa foram identificados ao longo de uma área de quase 1,3 milhão de km².

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1. OS PRIMÓRDIOS DA ARQUITETURA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 1

OS PRIMÓRDIOS DA ARQUITETURA

A

lguns leitores talvez fiquem desanimados com a perspectiva de um capítulo inteiro sobre os “primórdios” ou a “pré-história” da arquitetura, acreditando que as construções realmente interessantes e as ideias verdadeiramente provocadoras se encontram muitas páginas à frente; felizmente, este não é o caso. As estruturas que apresentamos neste capítulo inicial são ricas e variadas e, com frequência, sofisticadas. Além disso, por serem “antigas” e sempre locais, estão de certa forma mais expostas à revelação do que as estruturas posteriores. Ou seja, elas expõem certos princípios fundamentais da arquitetura, assim como – quem sabe – alguns aspectos fundamentais da condição humana, para que os consideremos.

Em 1964, o polímato, arquiteto, engenheiro e historiador Bernard Rudofsky organizou a exposição Architecture

Without Architects (Arquitetura Sem Arquitetos) no Museu de Arte Moderna da Cidade de Nova York, e, embora surpreendente para a época, acabou se tornando extremamente influente. A exposição causou certo frisson ao surgir em um período de questionamento cultural generalizado nos Estados Unidos; o subtítulo do livro que a acompanhava – A

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Capítulo VI - A Consolidação da Conquista

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

VI

A Consolidação da Conquista

1. A INSTALAÇÃO DO GOVERNO GERAL

O malogro da empresa colonizadora levada a cabo por Francisco Pereira Coutinho permitiu ao governo joanino incorporar – mediante o pagamento de uma indenização de 400.000 reais por ano ao herdeiro daquele capitão-governador – na Coroa a capitania-donataria da Bahia, transformála em capitania real e aí estabelecer a sede do governo geral.

Os motivos que terão levado D. João III a optar pela Bahia estariam relacionados com o abandono a que se encontrava votada devido à morte do seu titular e de muitos dos seus companheiros em combate com os tupinambás, com as excepcionais condições que proporcionava para a ancoragem de grandes frotas e, finalmente, com o posicionamento geográfico relativamente central que facilitava a inspeção e as operações de socorro às povoações do território então integrado na Província de Santa Cruz.

A instalação do governo geral do Brasil foi cuidadosamente planejada pela administração régia. A 19 de novembro de 1548, o monarca enviou, através do navio comandado por Gramatão Teles, uma mensagem a Diogo Álvares e a um dos seus genros, Paulo Dias Adorno, dando-lhes conhecimento das decisões tomadas, recomendando-lhes que efetuassem diligências junto dos indígenas para que a expedição fosse bem recebida e solicitando-lhes que organizassem o aprovisionamento de mantimentos.1

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16. OS MODERNISMOS DE MEADOS E DO FIM DO SÉCULO XX E ALÉM

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 16

OS MODERNISMOS DE MEADOS E

DO FIM DO SÉCULO XX E ALÉM

E

ste capítulo final ainda trata do Modernismo, mas também aborda as respostas a favor e contra ele e acompanha a arquitetura no início do século XXI. Em função da pouca distância histórica, é mais um relato de eventos correntes do que uma história propriamente dita, pois o cânone ainda não foi definido com firmeza. Existem categorizações para a arquitetura contemporânea discutida neste capítulo, mas devem ser vistas como conveniências momentâneas, uma vez que estarão sujeitas à revisão, assim como os méritos de alguns indivíduos e edificações.

Em 1928, uma organização conhecida pelo acrônimo

CIAM (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna) começou a promover a arquitetura moderna e a abordar questões urgentes de projeto de edificações e planejamento urbano. Le Corbusier era a figura de destaque, mas a maioria dos astros modernistas, incluindo Walter Gropius e o jovem

Alvar Aalto, cuja obra será discutida neste capítulo, participou do CIAM. Depois da Segunda Guerra Mundial, a organização tentou reformular suas metas, mas logo ficou claro que a nova geração de projetistas via a doutrina modernista como uma camisa de força. Em 1953, durante uma reunião realizada no sul da França, um grupo mal organizado que se chamava de Team-X (o “X” representava o número romano dez) ficou encarregado de planejar a próxima conferência – o que seus membros fizeram e resultou no término dos CIAMs.

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Capítulo 17 | Os historiadores e o cinema

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

17

OS HISTORIADORES E O CINEMA

Peter Miskell

Sejamos diretos e admitamos: os filmes históricos incomodam e perturbam os historiadores profissionais, e assim tem sido por um bom tempo.1

Em um exame da relação entre história profissional e versões do passado criadas e apresentadas fora da academia, o cinema é forte candidato a receber nossa atenção. Não apenas oferece uma via para quem não tinha conexões com a academia exibir publicamente sua própria versão de história, como também permite que a história seja apresentada e consumida de uma forma totalmente nova ao século

XX.2 Além disso, a imensa popularidade internacional dos filmes fez com que a história, como se vê nas telas, tenha atingido um público muito mais amplo do que a escrita dos historiadores profissionais. Este capítulo não discutirá teoricamente, em detalhes, se os historiadores acadêmicos têm mais direitos do que os cineastas de afirmar que seu trabalho oferece uma interpretação válida do passado. A intenção aqui é oferecer uma visão do relacionamento variável dos historiadores com o cinema no decorrer do século XX, questionando por que os “filmes históricos têm incomodado e perturbado os historiadores profissionais”. Até que ponto suas atitudes em relação à história apresentada na tela se desenvolveram durante o século XX?

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Capítulo 13 | História das mulheres e história de gênero

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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HISTÓRIA DAS MULHERES E HISTÓRIA DE GÊNERO

Michael Roberts

A história das mulheres como campo de estudos organizado é um legado do final dos anos de 1960, quando um movimento de libertação emergente começou a buscar explicações para a opressão das mulheres, que se manifestava mesmo dentro das campanhas por direitos civis e contra a guerra na Indochina. Não era inevitável que a libertação envolvesse um retorno ao passado. Afinal de contas, nos Estados Unidos, as pressões sufocantes sobre as mulheres casadas descritas por Betty Friedan em A mística feminina (1963) eram, em grande parte, resultado de um período muito recente de afluência pós-guerra e sua “busca feroz de domesticidade privada”.1 Quando foi fazer pós-graduação em Columbia, em 1963, aos 43 anos, Gerda Lerner considerou algumas das estudantes mais hostis do que os homens à sua “postura de fazer das mulheres um cavalo de batalha constante”.2

Na Grã-Bretanha, mesmo no final dos anos de 1960, ainda não estava claro a

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Capítulo 1 | A institucionalização e a organização da história

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

A INSTITUCIONALIZAÇÃO E A

ORGANIZAÇÃO DA HISTÓRIA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

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A história se estabeleceu como disciplina e profissão a partir da construção de uma base institucional e uma estrutura profissional. Ela deveria se diferenciar de disciplinas vizinhas mais antigas e, só então, poderia ser garantido o financiamento específico para o trabalho histórico e para a formação adequada das gerações futuras de historiadores. Na Europa Continental, na Grã-Bretanha e nos Estados

Unidos, tudo isso aconteceu em momentos diferentes ao longo do século XIX, e com graus variados de finalização e êxito. A importância de estudar a história da própria disciplina – inclusive a das formas como ela se organizava – é algo que os historiadores só reconheceram em um momento relativamente recente. Mesmo assim, como apontou Theodor Schieder, todos os historiadores profissionais trabalham dentro de um sistema organizado. Faculdades e departamentos dentro de universidades, seminários, institutos e sociedades, conferências e simpósios, bibliotecas e arquivos podem ser considerados naturais por historiadores em atividade hoje em dia, mas eles próprios são resultado de um processo histórico. Sua existência foi e é essencial ao historiador profissional, mas as formas precisas com que se desenvolveram ajudaram a definir o estilo e o conteúdo das histórias produzidas. Schieder sugeriu que eles impõem uma medida de uniformidade sobre quem pratica a história: esse

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Capítulo 20 | História e patrimônio

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E PATRIMÔNIO

Susan Davies

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O termo heritage* nos remete a algo que é herdado, seja por indivíduos, seja coletivamente. É um termo amplo, muito aceito, tanto na Grã-Bretanha quanto internacionalmente, e resultou do latim heres, e de várias palavras associadas relacionadas a herança e a coisas que podem ser herdadas. Entre as definições do

Oxford English dictionary está a seguinte: “That which comes from the circumstances of birth; an inherited lot or portion; the condition or state transmitted from ancestors”. [O que vem das circunstâncias de nascimento; um lote ou porção herdados; a condição ou estado transmitidos pelos ancestrais] Isso sugere uma amplitude de significados que alguns consideram insuficiente, vaga, preferindo, por exemplo,

“bens culturais” como termo mais específico. Um relatório recente da English Heritage, The power of place (Dezembro de 2000), sugere “o ambiente histórico” como expressão preferida. Mesmo assim, nenhum desses é tão generoso em termos de sentido ou conceito quanto heritage.

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