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Prefácio

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

PREFÁCIOEm todas as guerras da História, a espionagem desempenhou um papel notável, memorável por vezes, mas seria apenas na SegundaGuerra Mundial que se tornaria uma espécie de Quarto Estado da guerra. A natureza e o alcance deste conflito cruel criaram exércitos especiais, que lutaram clandestinamente atrás das linhas inimigas e nas próprias frentes de batalha. Uma análise das baixas naGrécia dá-nos a verdadeira magnitude deste confronto oculto. Dos73 000 Gregos mortos na Segunda Guerra Mundial, 23 000 morreram em conflitos bélicos convencionais – os restantes 50 000 foram mortos em diversas atividades clandestinas. Na Noruega, onde a fase de confronto direto durou apenas alguns dias, a guerra secreta continuou durante cinco anos, levada a cabo por 47 000 combatentes furtivos. Na guerra secreta que travaram nas montanhas, os ­Jugoslavos sofreram mais baixas do que qualquer outro dos­Aliados – um milhão, dos quais 706 000 homens e mulheres mortos em ações de guerrilha.

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Capítulo 1 | A institucionalização e a organização da história

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

A INSTITUCIONALIZAÇÃO E A

ORGANIZAÇÃO DA HISTÓRIA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

1

A história se estabeleceu como disciplina e profissão a partir da construção de uma base institucional e uma estrutura profissional. Ela deveria se diferenciar de disciplinas vizinhas mais antigas e, só então, poderia ser garantido o financiamento específico para o trabalho histórico e para a formação adequada das gerações futuras de historiadores. Na Europa Continental, na Grã-Bretanha e nos Estados

Unidos, tudo isso aconteceu em momentos diferentes ao longo do século XIX, e com graus variados de finalização e êxito. A importância de estudar a história da própria disciplina – inclusive a das formas como ela se organizava – é algo que os historiadores só reconheceram em um momento relativamente recente. Mesmo assim, como apontou Theodor Schieder, todos os historiadores profissionais trabalham dentro de um sistema organizado. Faculdades e departamentos dentro de universidades, seminários, institutos e sociedades, conferências e simpósios, bibliotecas e arquivos podem ser considerados naturais por historiadores em atividade hoje em dia, mas eles próprios são resultado de um processo histórico. Sua existência foi e é essencial ao historiador profissional, mas as formas precisas com que se desenvolveram ajudaram a definir o estilo e o conteúdo das histórias produzidas. Schieder sugeriu que eles impõem uma medida de uniformidade sobre quem pratica a história: esse

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Capítulo V

BLOCH, Marc Zahar PDF Criptografado

Capítulo V1

Capítulo V

Em vão o positivismo pretendeu eliminar da ciência a ideia de causa. Querendo ou não, todo físico, todo biólogo pensa através de “por quê?” e de “porque”. Os historiadores não podem escapar a essa lei comum do espírito. Alguns, como

Michelet, encadeiam tudo num grande “movimento vital”, em lugar de explicar de forma lógica; outros exibem seu aparelho de induções e de hipóteses; em todos o vínculo genético está presente. Porém, do fato de o estabelecimento das relações de causa e efeito constituir assim uma necessidade instintiva de nosso entendimento não se segue que sua investigação possa ser relegada ao instinto. Se a metafísica da causalidade está aqui fora de nosso horizonte, o emprego da relação causal, como ferramenta do conhecimento histórico, exige incontestavelmente uma tomada de consciência crítica.

Um homem, suponhamos, caminha por um atalho de montanha; tropeça e cai num precipício. Foi preciso, para que esse acidente acontecesse, a reunião de um grande número de elementos determinantes. Entre eles, a existência da gravidade, a presença de um relevo, resultante de longas vicissitudes geológicas, o traçado de um caminho, destinado, por exemplo, a ligar uma aldeia a suas pastagens de verão.

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Rapsódia em vermelho

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

XIIIRapsódia em vermelhoThou that cometh from on high,Stilling suffering and pain,When despair is doubly nigh,Doubly quickening like rain;Ah, I long for pain to ceaseAnd for joy to give me rest!Lovely peace,Come, ah come, into my breastEsta tradução inglesa da melancólica Wanderers Nachtlied, de­Goethe, foi escrita numa prisão alemã por uma americana, numa noite sombria em 1943, poucas horas antes da sua execução. Tratava-se de Mildred Harnack-Fish, uma bela nova-iorquina que desposaraArvid Harnack, descendente de uma grande família de estadistas, poetas e pensadores. Professora primária de profissão, esta jovem distinta e educada, dedicada e tímida, podia ter tido uma vida serena157Guerra Secreta.indd 15712/01/18 10:22A GUERRA SECRETAcom destino diferente. Mas o violento desafio do nazismo converteu a professora primária numa espia e rebelde. Morreu com o marido e com um pequeno grupo de conspiradores que se haviam organizado para se opor a Hitler.

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A casa na Rua Herren

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

XXIA casa na Rua HerrenUm ou dois dias após o Dia D, o quartel-general de Eisenhower emitiu um comunicado. Este revelava um importante segredo: que ao longo de toda a testa de ponte nas praias da Normandia fora servido aos soldados gelado de diversos e deliciosos sabores, dez horas apenas após o desembarque inicial. Isto destinava-se a sossegar as pessoas que ainda assistiam tranquilamente em casa à grande guerra, mas a invasão foi mais do que um teste supremo à eficácia de um batalhão de homens bem dispostos.Quando o primeiro GI desembarcou na Normandia no Dia D, com água pela cintura, era um homem contra aquilo a que o historiador Percy Ernst Schramm, que mantinha o diário de guerra ­oficial do alto-comando alemão, descreveu como «o máximo de forças disponíveis [que os Alemães] conseguiam posicionar a ocidente».Durou algum tempo até os Aliados, que chegavam ininterruptamente pelo Canal, se equivalerem em número aos defensores. Mesmo uma semana após o Dia D, quando já tínhamos 326 000 homens em terra, os Alemães continuavam a ser mais numerosos, na proporção de dois para um. Foram precisos milhões de soldados aliados, e quase

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Capítulo 7 | A “nova história social” nos Estados Unidos

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

7

A “NOVA HISTÓRIA SOCIAL”

NOS ESTADOS UNIDOS

Robert Harrison

“Sem muita dúvida”, observou Peter Stearns em 1988, “a ascensão da história social foi o mais dramático evento na pesquisa histórica nos Estados Unidos nas duas últimas décadas”.1 Como na Grã-Bretanha, ela teve presença frágil na academia até próximo da década de 1950 e, nas décadas seguintes, o volume de publicações cresceu bastante, à medida que muitos recém-chegados entravam no campo e eram abertas novas áreas para a investigação acadêmica. O rápido crescimento da

“nova história social” marcou uma mudança profunda no centro de gravidade da escrita histórica nos Estados Unidos. “Na profissão de historiador como um todo”, observou Gertrude Himmelfarb em 1987, “a nova história é a nova ortodoxia”.

Por sua vez, historiadores políticos e intelectuais de pensamento tradicional, como ela própria, sentiam-se marginalizados e privados de reconhecimento: “O que estava no centro da profissão está agora na periferia”.2 Antes de identificarmos a ascensão da história social como uma mudança de paradigma clássica, devemos reconhecer que a nova subdisciplina era, ela própria, uma igreja ampla, cujos devotos vinham de muitas direções diferentes, trazendo consigo interesses e propostas ideológicas distintas e privilegiando metodologias muito diferenciadas com as quais revelar a experiência vivida do passado dos Estados Unidos. Mais do que isso, sua hegemonia decididamente teve vida curta. Portanto, devemos considerar se a “nova história social” era coerente ou duradoura o suficiente para se constituir em uma importante mudança de paradigma histórico.

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Guerra nos bastidores

Farago, Ladislas Grupo Almedina PDF Criptografado

XIVGuerra nos bastidoresA Itália entrou na guerra a 10 de junho de 1940, não para se apressar, mas para beneficiar do colapso da França. Mussolini entrou com a autorização relutante de Hitler, pois o Führer estava confiante de que, qualquer que fosse o estrago que Il Duce fizesse, este não afetaria o desenlace em termos materiais. Lembrou-se de uma observação sarcástica proferida durante a Grande Guerra, atribuída ao general vonFalkenhayn. Quando em 1915 disseram ao Kaiser que a I­tália planeava mudar de lado, von Falkenhayn assegurou ao soberano que isso não faria qualquer diferença. «Veja, Majestade, se estiverem contra nós, precisamos de 10 divisões para os derrotar. Se estiverem do nosso lado, precisaremos na mesma de 10 divisões para os a­ judar.»Certo é que, na primavera seguinte, quando ainda nada desagradável acontecera às suas forças, Mussolini encarava cada dia como uma vitória. O dia 24 de maio de 1941 parecia ser um desses dias.No Pincio, as árvores entregavam-se às carícias reparadoras da gloriosa primavera romana. As senhoras da sociedade romana, envergando a última moda, percorriam a elegante Via Condotti, e nada no seu requinte denunciava a austeridade de um país em guerra. Mas,

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Capítulo II. A observação histórica

BLOCH, Marc Zahar PDF Criptografado

Capítulo II

A observação histórica

A observação histórica

1. [Características gerais da observação histórica]

[Situemo-nos resolutamente, para começar, no estudo do passado.]

As características mais visíveis da informação histórica [, entendida no sentido restrito e usual do termo,] foram muitas vezes descritas. O historiador, por definição, está na impossibilidade de ele próprio constatar os fatos que estuda.

Nenhum egiptólogo viu Ramsés; nenhum especialista das guerras napoleônicas ouviu o canhão de Austerlitz. Das eras que nos precederam, só poderíamos [portanto] falar segundo testemunhas. Estamos, a esse respeito, na situação do investigador que se esforça para reconstruir um crime ao qual não assistiu; do físico, que, retido no quarto pela gripe, só conhecesse os resultados de suas experiências graças aos relatórios de um funcionário de laboratório. Em suma, em contraste com o conhecimento do presente, o do passado seria necessariamente “indireto”.

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Capítulo 14 | História, identidade e etnicidade

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA, IDENTIDADE E ETNICIDADE

John Davidson

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É um dos clichês da discussão historiográfica dizer que indivíduos e sociedades usam o passado para sustentar suas identidades atuais. Os fundadores da moderna historiografia aceitaram como algo dado que o foco da identidade era o

Estado-Nação, seja concebido em termos do conceito de Volk, seja como o construto de pais-fundadores heroicos, como no caso dos Estados Unidos ou da França pós-revolucionária. Nos últimos tempos, muitos tipos bastante diferentes de grupos têm demandado sua própria história e se juntado aos operários que fabricavam meias de E. P. Thompson na busca pela emancipação em relação à “enorme condescendência da posteridade”. Os primeiros desafios à visão estatista vieram daqueles que defendiam grupos que não eram de elite dentro do Estado-Nação: a classe trabalhadora, mulheres, imigrantes. Mais recentemente, alguns procuraram desmantelar todo o paradigma e as grandes narrativas que ele sustentava. Esses desenvolvimentos são o produto da interação entre mudanças na teoria social e crítica, muitas vezes mediadas por disciplinas intimamente relacionadas, e mudanças no contexto político, social e cultural mais amplo. O aumento, desde cerca de 1970, da atenção que os historiadores e outros prestam às questões relacionadas a etnicidade e identidade demonstra particularmente bem a interação de contexto e teoria. A persistência – na verdade, o ressurgimento – de divisões comunitárias e linguísticas nos Estados pós-coloniais, o surgimento de nacionalismos novos e relembrados na

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6. A ARQUITETURA PALEOCRISTÃ E A ARQUITETURA BIZANTINA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 6

A ARQUITETURA PALEOCRISTÃ

E A ARQUITETURA BIZANTINA

O

cristianismo, religião desenvolvida pelos seguidores de Jesus de Nazaré, surgiu como uma seita reformista do judaísmo, cujos membros acreditavam que Jesus era o messias prometido. Durante os três séculos seguintes à morte de Jesus, a religião desenvolveu-se em uma igreja organizada por uma hierarquia de bispos e clero. A primeira manifestação de suas crenças

é encontrada no Concílio de Niceia (325 d.C., com revisões posteriores), ainda utilizado pela Igreja Ortodoxa do

Oriente, pela Igreja Católica Romana e por algumas denominações protestantes:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso; Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os mundos; Deus de Deus, Luz da

Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus; Gerado, não feito; Tendo a mesma substância do Pai, por quem todas as coisas foram feitas; Ele, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus; Se encarnou pelo Espírito

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7. A ARQUITETURA ISLÂMICA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 7

A ARQUITETURA ISLÂMICA

C

omo vimos anteriormente, os primeiros cristãos passaram por um longo processo até desenvolver formas de arquitetura que fossem adequadas à sua religião e a expressassem bem. Os seguidores da religião fundada pelo profeta Maomé passaram por um processo evolutivo similar, mas que levou a resultados bastante diferentes à medida que construíam prédios que servissem ao Islamismo e o simbolizassem.

O Islamismo surgiu na Arábia. Conforme acreditam os muçulmanos, em 610 d.C., o anjo Gabriel apareceu para

Maomé, em Meca, e, aos poucos, lhe revelou Deus, ou Alá

(em árabe, “Al-lah” significa “o Deus”). Essas revelações foram reunidas em um livro sagrado, o Alcorão (ou Corão), que expressava na língua árabe a mensagem do Islã, palavra que significa a submissão ao desejo de Alá. Todos os muçulmanos aceitam cinco verdades ou deveres fundamentais: crer em apenas um deus e que Maomé foi seu mensageiro; rezar cinco vezes ao dia; jejuar do amanhecer ao anoitecer durante o mês de Ramadã; dar esmolas aos pobres; e, desde que tenham saúde e dinheiro para tal, fazer ao menos uma peregrinação à cidade sagrada de Meca.

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8. A ARQUITETURA MEDIEVAL PRIMITIVA E A ARQUITETURA ROMÂNICA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 8

A ARQUITETURA MEDIEVAL PRIMITIVA

E A ARQUITETURA ROMÂNICA

E

nquanto as culturas bizantina e islâmica floresciam no leste europeu e na orla sul do Mediterrâneo, as regiões da Europa Ocidental que no passado constituíram o

Império Romano entraram em um período contínuo de declínio. Já nos primeiros séculos da era cristã, os postos avançados do Império vinham sendo repetidamente atacados pelas ondas de povos nômades oriundos da Ásia Central. Estas tribos, chamadas de bárbaros pelos romanos civilizados, finalmente cruzaram as fronteiras estabelecidas por Roma e ocuparam a Cidade Eterna em 476. Muitos topônimos de toda a Europa ainda hoje preservam a memória dessas tribos nômades: os francos se assentaram na futura França; os borgonheses, no centro-leste da França, e os lombardos no norte da Itália, dando seus nomes para a Borgonha e a Lombardia, respectivamente. Os godos e os visigodos se tornaram inesquecíveis no estilo de arquitetura que hoje chamamos de gótico; o comportamento dos vândalos, que assolavam todas as partes e frequentemente levavam à devastação absoluta das áreas invadidas, é lembrado na palavra “vandalismo”.

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Capítulo 20 | História e patrimônio

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E PATRIMÔNIO

Susan Davies

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O termo heritage* nos remete a algo que é herdado, seja por indivíduos, seja coletivamente. É um termo amplo, muito aceito, tanto na Grã-Bretanha quanto internacionalmente, e resultou do latim heres, e de várias palavras associadas relacionadas a herança e a coisas que podem ser herdadas. Entre as definições do

Oxford English dictionary está a seguinte: “That which comes from the circumstances of birth; an inherited lot or portion; the condition or state transmitted from ancestors”. [O que vem das circunstâncias de nascimento; um lote ou porção herdados; a condição ou estado transmitidos pelos ancestrais] Isso sugere uma amplitude de significados que alguns consideram insuficiente, vaga, preferindo, por exemplo,

“bens culturais” como termo mais específico. Um relatório recente da English Heritage, The power of place (Dezembro de 2000), sugere “o ambiente histórico” como expressão preferida. Mesmo assim, nenhum desses é tão generoso em termos de sentido ou conceito quanto heritage.

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5. O pai dos perseguidos

CARVALHO, Julia Editora Manole PDF Criptografado

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capítulo

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Nelson R

Flor de obsessão. Eis um dos apelidos que melhor define Nelson Rodrigues, cravado por Cláudio Mello e

Souza, um dos jornalistas mais conhecidos do ramo.

As passagens de Cláudio pelo Jornal do Brasil e suas crônicas esportivas no O Globo marcaram, respectivamente, o jornalismo das décadas de 1960 e 1980.

Em retribuição ao apelido, Nelson o chamaria, em crônica, de “remador de Ben Hur”, em razão de seu permanente bronzeado. A amizade entre os dois permitiu que Cláudio acertasse em cheio. O também jornalista, escritor e dramaturgo era mesmo um obcecado: pela morte, pelo sexo, pelo Fluminense e

— como eterna vítima — pela censura. Quase todas as suas peças sofreram algum tipo de corte, quando não foram totalmente vetadas. Seu livro, O casamento, foi retirado das livrarias. Suas novelas só seriam liberadas graças à influência dos diretores da TV Globo, que escreviam longas cartas tentando convencer

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Capítulo VII - A Organização Econômica e Social

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

VII

A Organização Econômica e Social

1. A POPULAÇÃO

O tratamento da questão demográfica no Brasil quinhentista reveste-se de grande dificuldade devido às escassas referências constantes das fontes coevas, às contradições aí detectadas, bem como ao caráter pouco rigoroso dos métodos utilizados na recolha dos dados.

De entre os documentos disponíveis, selecionaram-se fundamentalmente tratados descritivos de natureza propangadística destinados a fomentar a ida de colonos para a Província de Santa Cruz ou informações gerais da autoria de jesuítas devido à sua estrutura mais sistemática e a conterem estimativas referentes à generalidade das capitanias.

As fontes utilizadas apresentam geralmente os cômputos demográficos relativos aos portugueses em termos de “vizinhos”. A conversão desta unidade em número de habitantes foi efetuada com base num índice de 5,5, dimensão média adotada a partir do cálculo apresentado por Anchieta que estabelece a equivalência aproximada de vizinhos a indivíduos: “... terá em toda sua comarca (Bahia) quase 2.000 vizinhos de portugueses, dos quais haverá 10 ou 12.000 pessoas...”1

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