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Capítulo 8 | História e psicanálise

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E PSICANÁLISE

Siân Nicholas

8

As teorias de Freud sobre a mente humana, derivadas de suas experiências como neurologista e pediatra na Viena da virada do século, moldaram o clima intelectual do século XX, transformando a forma como vemos a nós mesmos e à nossa sociedade, trazendo um novo vocabulário (“ego”, “repressão”, “projeção”, e, é claro, “psicanálise”) para a linguagem cotidiana e influenciando campos tão distintos quanto medicina, arte e literatura, educação e ciências sociais – e a história. No decorrer dos últimos cem anos, a abordagem “psicanalítica” da qual Freud foi pioneiro, a busca de forças ocultas e inconscientes que deram forma à história humana, tornou-se uma das mais polêmicas de todas as metodologias da história, porque parece questionar alguns de nossos pressupostos mais básicos sobre o método histórico, o uso de fontes, até mesmo a natureza humana. Este capítulo procura descrever a essência da abordagem psicanalítica da história e explicar por que ela foi tão revolucionária, o que a tornou tão polêmica – e por que ela permanece tão polêmica até hoje, exaltada por seus proponentes como a maior das abordagens interpretativas da história e difamada por seus detratores como uma pseudociência mais parecida com um culto do que com uma filosofia da história.

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Capítulo 16 | O pós-modernismo e a virada linguística

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

16

O PÓS-MODERNISMO E A VIRADA LINGUÍSTICA

Michael Roberts

A expressão “pós-moderno” foi usada a partir da década de 1930 para definir um estilo, especificamente um afastamento das linhas definidas do “estilo internacional” predominante anteriormente na arquitetura. O modernismo floresceu entre as guerras, quando o compromisso com o uso de novas técnicas e materiais para atender às necessidades de moradia para massas fez com que os antigos estilos de construção parecessem redundantes e elevou a arquitetura feita por máquinas a um princípio estético. Sua adaptação às necessidades de uma economia empresarial que ressurgia depois da guerra gerou uma reação. A nova abordagem pós-moderna se baseou na confusão cada vez maior de imagens que transbordava da afluência dos consumidores contemporâneos, na justaposição discordante de velhos signos e símbolos com os mais novos. Um dos primeiros tratados sobre o novo estilo, a obra de Robert Venturi, adequadamente intitulada de Complexidade e contradição em arquitetura (1966), celebrava a “vitalidade desordenada em detrimento da unidade óbvia”. Os arquitetos pós-modernistas gostavam de enfatizar a fachada de um prédio, em vez de sua estrutura, e usar alusões históricas em fragmentos e detalhes no projeto.1 Enquanto isso, sociólogos como Daniel Bell estavam estudando “a sociedade pós-industrial ... uma sociedade que passou de uma etapa de produção de bens a uma sociedade de serviços”. No mesmo ano, 1959, C.

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Capítulo 13 | História das mulheres e história de gênero

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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HISTÓRIA DAS MULHERES E HISTÓRIA DE GÊNERO

Michael Roberts

A história das mulheres como campo de estudos organizado é um legado do final dos anos de 1960, quando um movimento de libertação emergente começou a buscar explicações para a opressão das mulheres, que se manifestava mesmo dentro das campanhas por direitos civis e contra a guerra na Indochina. Não era inevitável que a libertação envolvesse um retorno ao passado. Afinal de contas, nos Estados Unidos, as pressões sufocantes sobre as mulheres casadas descritas por Betty Friedan em A mística feminina (1963) eram, em grande parte, resultado de um período muito recente de afluência pós-guerra e sua “busca feroz de domesticidade privada”.1 Quando foi fazer pós-graduação em Columbia, em 1963, aos 43 anos, Gerda Lerner considerou algumas das estudantes mais hostis do que os homens à sua “postura de fazer das mulheres um cavalo de batalha constante”.2

Na Grã-Bretanha, mesmo no final dos anos de 1960, ainda não estava claro a

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Capítulo 12 | História e marxismo

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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HISTÓRIA E MARXISMO

Phillipp Schofield

Um modelo básico de determinismo econômico, fabricado a partir das obras de

Marx, apresentou aos historiadores uma atraente ferramenta explicativa que poderia ser usada com particular eficácia nas novas áreas temáticas surgidas desde o final do século XIX. Os historiadores sociais e econômicos encontraram um uso ou uma necessidade para Marx onde seus antecessores estatistas não tinham encontrado.

Um “marxismo vulgar” incentivou os historiadores a levar em consideração os chamamentos por uma interpretação econômico-determinista da história. Por sua vez, o envolvimento e o conflito com um marxismo determinista também levaram os historiadores a insistir na importância da luta de classes como agência histórica e a desenvolver uma perspectiva sobre o passado que admitia pelo menos alguns dos que nem sempre pareciam maduros para estudo. Eventos como esse sinalizaram a criação de uma distinção entre o marxismo ortodoxo, direcionado para modos de produção, e um marxismo “cultural” ou humanismo socialista, que revisitaremos abaixo. Para historiadores no final do século XIX, o impacto dos preceitos fundamentais do marxismo

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Capítulo 18 | A cultura popular e os historiadores

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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A CULTURA POPULAR E OS HISTORIADORES

Gareth Williams

A cultura popular é mais fácil de explorar, ou de deplorar, do que de definir, e desacoplar seus dois elementos constituintes não ajuda a tarefa de definição, já que nenhum dos dois tem uma definição consensual.

No nível mais reconhecível, a cultura é o que faz os cultos, desfrutando, apreciando e praticando trabalhos artísticos, musicais e literários. Por outro lado, o conceito de “modo de vida como um todo” derivado da antropologia faz da cultura praticamente um sinônimo de sociedade: como expressou E. B. Tylor em 1871, “esse complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moralidade, direito, costumes e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”, ou o que o teórico da cultura Stuart Hall chamou de “as práticas vividas que possibilitam que uma sociedade, um grupo ou uma classe vivencie, defina, interprete e entenda suas condições de existência”.1

Uma cultura que abarque a comunidade como um todo deve supostamente ser popular, embora, para Peter Burke, especialista na Europa moderna, cultura popular seja a cultura das pessoas que não pertencem às elites.2 Raymond Williams, de cuja observação sobre cultura – que ela é ao mesmo tempo “comum” e “uma das duas ou três palavras mais complicadas da língua inglesa” – não se pode prescindir para fazer qualquer discussão de cultura popular com segurança, considerava que o termo popular denotava low (baixo) ou base (inferior) já no século XVI, com a mudança para o sentido mais moderno de “amplamente estimado” (matizado com

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10. A ARQUITETURA NATIVA DAS AMÉRICAS E DA ÁFRICA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 10

A ARQUITETURA NATIVA DAS

AMÉRICAS E DA ÁFRICA

E

m 1964, o polímato, arquiteto, engenheiro e historiador Bernard Rudofsky organizou a exposição Architecture Without Architects (Arquitetura sem Arquitetos), acompanhada por um livro de mesmo nome, no Museu de Arte Moderna da Cidade de Nova York, a qual, embora surpreendente para a época, acabou se tornando extremamente influente. A exposição causou certo

“frisson” ao surgir em um período de questionamento cultural generalizado nos Estados Unidos; seu subtítulo – A

Short Introduction to Non-Pedigreed Architecture (Uma Breve

Introdução à Arquitetura sem Pedigree) – indica por que ela se tornou tão fantástica, ou, melhor dizendo, tão iconoclástica. Ilustrando com uma admiração pessoal evidente aquilo que chamava de arquitetura “vernacular, anônima, espontânea, autóctone, rural”, Rudofsky defendia um estudo muito mais inclusivo – cronológica e geograficamente

– do ambiente construído, que não tratasse exclusivamente de construções feitas para os ricos e poderosos e que não resultasse exclusivamente das iniciativas daqueles que poderíamos chamar de projetistas com formação acadêmica.

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Capítulo 4 | O surgimento da história econômica britânica, c. 1880 a c. 1930

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

O SURGIMENTO DA HISTÓRIA ECONÔMICA

BRITÂNICA, C. 1880 A C. 1930

Phillipp Schofield

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Em uma palestra – “A Interpretação Econômica da História”, apresentada no final da década de 1880, em Oxford – James E. Thorold Rogers, então professor de economia política naquela universidade e de ciência econômica e estatística no

King’s College, em Londres, começou lamentando que em quase todas as histórias e em quase toda a economia política, a coleta e interpretação dos fatos econômicos, e com isso quero dizer registros da vida social ilustrada e a distribuição de riqueza em diferentes épocas da história da humanidade, foram geralmente negligenciadas.

Essa “negligência”, da forma como ele a via, tornava a “história imprecisa ou, pelos menos, imperfeita”.1 Embora Rogers continuasse na mesma linha nesta e em outras exposições, seu argumento principal já tinha sido apresentado, ou seja, o de que a investigação histórica que não conseguisse assumir um elemento econômico e social (em outras palavras, aquele “tipo” de história a que ele e seus contemporâneos chamariam de “história econômica” ou, como subdisciplinas separadas, de histórias “econômica” e “social”2) era fundamentalmente falho e, por extensão, o vasto conjunto de empreendimentos históricos que ele via sendo realizados dentro das universidades sofria por essa mesma razão. Rogers estava bastante disposto a reconhecer que “o estudo sólido da história teve avanços consideráveis”, de forma que “a narrativa não é mais de guerra e paz, de genealogias reais, de datas não relacionadas”. Entretanto, ele acreditava firmemente que um conjunto de materiais históricos fosse negligenciado pelos historiadores acadêmicos e, mais importante, que em suas preocupações históricas se escondiam preconceitos e partidarismos incentivados pela natureza de suas explorações e a qualidade de suas fontes.3

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4. A ARQUITETURA TRADICIONAL DA CHINA E DO JAPÃO

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 4

A ARQUITETURA TRADICIONAL

DA CHINA E DO JAPÃO

A

China tem um vasto território e a maior população entre todos os países da Terra. Costumamos considerá-la uma cultura antiga porque, embora sua civilização histórica tenha se desenvolvido um pouco mais tarde do que na Mesopotâmia ou no Egito, a China se distingue das demais civilizações por ter mantido o mais alto grau de continuidade cultural ao longo de seus quatro mil anos de existência. Os quase 26 milhões de metros quadrados do país abrigam condições geográficas distintas e mais de 50 grupos étnicos, mas a sociedade, em geral, é definida pelos chineses han, representantes do maior grupo étnico. Nas mãos de imperadores poderosos, o governo unificado promoveu a uniformidade em muitas estruturas sociais, incluindo o planejamento urbano e as práticas de construção; assim, as tradições da arquitetura chinesa se mantiveram incrivelmente estáveis ao longo dos séculos até a intrusão forçada da cultura ocidental, no século XIX, e a deposição do último imperador, em 1911.

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Capítulo 19 | História e história “amadora”

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E HISTÓRIA “AMADORA”

William D. Rubinstein

19

Além do tipo de história praticada e produzida por acadêmicos universitários, há outro vasto mundo de historiadores amadores, antiquários, populares e públicos que são quase que invariavelmente ignorados pelos primeiros, e que também os ignoram. Em número, eles certamente fazem o contingente universitário parecer pequeno. No ano de 2000, por exemplo, havia cerca de 2.900 professores universitários de história no Reino Unido. Em comparação, a revista mensal britânica History Today, uma valiosa e bem ilustrada publicação de história popular, vende 30.000 exemplares por edição, cuja grande maioria deve ser comprada por membros comuns do público leitor, avidamente interessados em história, mas com pouca ou nenhuma conexão, tampouco conhecimento, sobre história e historiadores acadêmicos. O objetivo deste capítulo é fazer um levantamento de algumas das mais populares variedades de história não acadêmica, examinando o que elas têm em comum com a história acadêmica da forma como esta é praticada nas universidades, mas também em que diferem. Um desses campos, o dos estudos sobre museus e patrimônio (e o trabalho dos arquivistas profissionais) deixa deliberadamente de ser examinado aqui, por ser uma profissão estabelecida em si mesma, muito próxima do trabalho de historiadores acadêmicos e normalmente exigindo uma formação de pós-graduação em história ou em um tema relacionado.1 A maioria, ou todas as áreas discutidas aqui, é dominada pelo historiador não profissional, muitas vezes, na verdade, por pessoas que não têm qualquer formação universitária em história.

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Anexos

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

Anexos

Anexo A

As investigações de Haffer (1969) e Vanzolini (1970) sobre os padrões de distribuição da fauna na Amazônia, bem como de Journaux (1975) e Meggers (1976) sobre a flora, deram origem ao modelo dos refúgios. De acordo com a interpretação destes cientistas, as bordas dos planaltos das Guianas e Brasileiro e as encostas dos Andes serviram de refúgios às florestas e aos animais a ela adaptados durante as fases secas. Os vários retornos à tropicalidade possibilitaram o seu regresso à região amazônica, explicando, deste modo, a grande variedade de espécies botânicas e zoológicas que a povoam. Cfr. VANZOLINI, P. E.

Zoologia Sistemática, Geografia e a Origem das Espécies. São Paulo, 1970; JOURNAUX,

A. “Géomorphologie des bordures de l’Amazonie brésilienne: de modelé des versants; essai d’évolution páleo-climatique”: Bulletin de l’Association des Géographes Français (Paris),

52 (422-423), 1975. p. 5-19; MEGGERS, B. J. “Vegetacional fluctuation and prehistory cultural adaptation in Amazonia: some tentative correlations”: World Archaeology (Londres),

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14. O PROGRESSO NO SÉCULO XIX

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 14

O PROGRESSO NO SÉCULO XIX

A

arquitetura do século XIX talvez tenha sido a mais diversificada até então. A liberdade introduzida pelo

Neoclassicismo e o Movimento Romântico promoveram o revivescimento de outros estilos históricos, incluindo o Gótico, Grego, Islâmico, Egípcio, Bizantino e

Paleo-Cristão, somados a invenções criativas, como os estilos Chinesice, Japonismo, Mourisco e Hindu. Para ilustrar esse fenômeno, consideremos algumas edificações inglesas e norte-americanas projetadas depois de 1800. Os oficiais colonialistas que voltavam ricos da Índia para se aposentar na Inglaterra construíam casas de prazer, como a Sezincote, em Gloucestershire, cujas vedações externas foram concebidas no estilo Indiano por Samuel Pepys Cockerell (1754–

1827) para seu irmão Charles, em 1805. No mesmo espírito, John Nash (1752–1835) construiu o Pavilhão Real, em

Brighton, para o Príncipe Regente, entre 1818 e 1821.

Em muitos casos, os estilos foram escolhidos em função de suas associações. Por exemplo: o estilo Egípcio foi sugerido para edificações relacionadas à medicina – que se acreditava ter surgido no Vale do Rio Nilo – e à morte, uma vez que os majestosos monumentos do Egito foram edificados para os faraós e suas jornadas para o além, ou sempre que sugestões de grande massa ou eternidade eram desejadas, como em fábricas, prisões, pontes suspensas e bibliotecas. Nos Estados Unidos, Benjamin Henry Latrobe

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13. O SÉCULO DEZOITO

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 13

O SÉCULO DEZOITO

O

s avanços de arquitetura do século XVIII foram complexos, incluindo elementos e temas divergentes, alguns antigos e outros novos. O Barroco

Tardio ainda perdurava especialmente na Europa

Central, principalmente nas grandes obras para a nobreza ou a Igreja Católica. Vierzehnheiligen e a Würzburg Residenz, na Alemanha, bem como o Palácio de Blenheim, na

Inglaterra, e os últimos estágios da construção francesa em

Versalhes, datam do século XVIII.

Em alguns locais, arquitetos produziram “bolos confeitados”, como o Pavilhão Amalienburg, de Françoise

Cuvillé, no Castelo de Nymphenburg, perto de Munique

(1734–39). Dentro desse pequenino pavilhão de jardim, que inclui canis quase tão elaborados quanto o salão principal, a ornamentação com estuque de Johann Baptist Zimmerman explode em inúmeras cores e texturas, de modo a acompanhar a boiserie, ou talhas de madeira dourada. O florescimento tardio do Barroco durante a primeira metade do século XVIII é conhecido como Rococó. O nome é uma fusão das palavras rocaille, que descreve as formas orgânicas das rochas, plantas e conchas aquáticas, e coquille, que significa “concha”. Na França, o estilo Rococó foi usado principalmente nos interiores, o que é exemplificado pela obra de J. A. Meissonier (1695–1750), mas posteriormente os arquitetos neoclássicos do país reagiram aos excessos.

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Capítulo V - Os Modelos de Colonização

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

V

Os Modelos de Colonização

1. PRELÚDIOS DA COLONIZAÇÃO

O sistema de capitanias de mar e terra e a via diplomática revelaramse incapazes de produzir os resultados desejados, ou seja, a eliminação da presença francesa na América do Sul. A manifesta insuficiência desse modelo para garantir o incontestável domínio português sobre o Brasil induziu o círculo governativo joanino a ponderar, no final da década de vinte, a adoção de soluções mais eficazes destinadas a assegurar a soberania lusitana sobre a totalidade do território americano que lhe pertencia, de acordo com o Tratado de Tordesilhas. No entanto, o monarca francês não lhe reconhecia legitimidade, exigindo ironicamente que lhe mostrassem a cláusula do testamento de Adão que o excluía da partilha do mundo.1

As notícias sobre as explorações efetuadas no rio da Prata pelas armadas de Carlos V provocavam, também, preocupação na corte de Lisboa, uma vez que se pretendia limitar a penetração espanhola na fachada atlântica da

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1. Do papa ao ditador

CARVALHO, Julia Editora Manole PDF Criptografado

r

o d a t i d o a do papa

capítulo

1

945

1500 a 1

“Se tanto tenho de esperar à Porta do Paraíso, prefiro ir ao

Inferno!”. Por essa frase, André Gavião foi investigado pelas visitações do Santo Ofício ao Brasil e processado pelo Tribunal de Inquisição em Portugal.1 Foi apenas uma colocação infeliz, provavelmente dita em um momento de raiva. Entretanto, em tempos de Inquisição, isso era inadmissível. É até possível imaginar a cena. Era mais uma manhã de domingo e uma multidão reunia-se em frente à igreja de Nossa Senhora de Ilhéus, esperando que a missa começasse. Naquela temporada de verão, os dias especialmente quentes castigavam as mulheres embaixo de suas sombrinhas e dentro de seus pesados vestidos.

Mesmo no calor da Bahia, elas insistiam em seguir a moda europeia, com seus corpetes apertados e três ou quatro camadas de saias armadas, justapostas e

1 Souza, Laura de Mello e. O diabo na terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil Colonial. São Paulo: Companhia das Letras,

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6. A ARQUITETURA PALEOCRISTÃ E A ARQUITETURA BIZANTINA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 6

A ARQUITETURA PALEOCRISTÃ

E A ARQUITETURA BIZANTINA

O

cristianismo, religião desenvolvida pelos seguidores de Jesus de Nazaré, surgiu como uma seita reformista do judaísmo, cujos membros acreditavam que Jesus era o messias prometido. Durante os três séculos seguintes à morte de Jesus, a religião desenvolveu-se em uma igreja organizada por uma hierarquia de bispos e clero. A primeira manifestação de suas crenças

é encontrada no Concílio de Niceia (325 d.C., com revisões posteriores), ainda utilizado pela Igreja Ortodoxa do

Oriente, pela Igreja Católica Romana e por algumas denominações protestantes:

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso; Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai antes de todos os mundos; Deus de Deus, Luz da

Luz, verdadeiro Deus do verdadeiro Deus; Gerado, não feito; Tendo a mesma substância do Pai, por quem todas as coisas foram feitas; Ele, por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus; Se encarnou pelo Espírito

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