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Capítulo 16 | O pós-modernismo e a virada linguística

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

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O PÓS-MODERNISMO E A VIRADA LINGUÍSTICA

Michael Roberts

A expressão “pós-moderno” foi usada a partir da década de 1930 para definir um estilo, especificamente um afastamento das linhas definidas do “estilo internacional” predominante anteriormente na arquitetura. O modernismo floresceu entre as guerras, quando o compromisso com o uso de novas técnicas e materiais para atender às necessidades de moradia para massas fez com que os antigos estilos de construção parecessem redundantes e elevou a arquitetura feita por máquinas a um princípio estético. Sua adaptação às necessidades de uma economia empresarial que ressurgia depois da guerra gerou uma reação. A nova abordagem pós-moderna se baseou na confusão cada vez maior de imagens que transbordava da afluência dos consumidores contemporâneos, na justaposição discordante de velhos signos e símbolos com os mais novos. Um dos primeiros tratados sobre o novo estilo, a obra de Robert Venturi, adequadamente intitulada de Complexidade e contradição em arquitetura (1966), celebrava a “vitalidade desordenada em detrimento da unidade óbvia”. Os arquitetos pós-modernistas gostavam de enfatizar a fachada de um prédio, em vez de sua estrutura, e usar alusões históricas em fragmentos e detalhes no projeto.1 Enquanto isso, sociólogos como Daniel Bell estavam estudando “a sociedade pós-industrial ... uma sociedade que passou de uma etapa de produção de bens a uma sociedade de serviços”. No mesmo ano, 1959, C.

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1. Do papa ao ditador

Julia Carvalho Editora Manole PDF Criptografado

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o d a t i d o a do papa

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“Se tanto tenho de esperar à Porta do Paraíso, prefiro ir ao

Inferno!”. Por essa frase, André Gavião foi investigado pelas visitações do Santo Ofício ao Brasil e processado pelo Tribunal de Inquisição em Portugal.1 Foi apenas uma colocação infeliz, provavelmente dita em um momento de raiva. Entretanto, em tempos de Inquisição, isso era inadmissível. É até possível imaginar a cena. Era mais uma manhã de domingo e uma multidão reunia-se em frente à igreja de Nossa Senhora de Ilhéus, esperando que a missa começasse. Naquela temporada de verão, os dias especialmente quentes castigavam as mulheres embaixo de suas sombrinhas e dentro de seus pesados vestidos.

Mesmo no calor da Bahia, elas insistiam em seguir a moda europeia, com seus corpetes apertados e três ou quatro camadas de saias armadas, justapostas e

1 Souza, Laura de Mello e. O diabo na terra de Santa Cruz: feitiçaria e religiosidade popular no Brasil Colonial. São Paulo: Companhia das Letras,

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A raposa na sua toca

Ladislas Farago Grupo Almedina PDF Criptografado

IIA raposa na sua tocaA 31 de agosto de 1939, a Wehrmacht, que fora utilizada na­campanha da Polónia, fervilhava de entusiasmo e tensão. Mas, em ­Berlim, num escritório simples e escassamente mobilado, um homem pequeno e pálido, de cabelo branco, recostava-se, descontraído. Para Wilhelm Canaris, a eclosão da guerra fora um anticlímax. Ele trabalhara longa e arduamente para a preparar; agora, as batalhas que a Wehrmacht ainda tinha de vencer ou perder já eram para ele um assunto arrumado. Canaris e os seus homens travaram a sua própria guerra clandestina com enorme dedicação e rara perícia. Apesar de terem perdido algumas escaramuças, haviam ganho a maioria das batalhas. E julgavam-se agora confiantes de que ganhariam a guerra.Quem era este homem, este grande comandante e o cérebro deste vasto exército clandestino? Tendo sido o mais importante chefe de uma organização de espionagem da Segunda Guerra Mundial, Canaris foi também uma das suas figuras mais controversas. Um antigo e destacado alto oficial germânico escreveu: «Raramente foi uma importante personagem histórica julgada com tantos veredictos c­ontrastantes

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Capítulo 9 | História e sociologia

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E SOCIOLOGIA

Robert Harrison

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Entre as disciplinas aparentadas com a história, a sociologia sempre pareceu a mais próxima, mas, ao mesmo tempo, a mais invasiva, a mais intimidativa, a mais desdenhosa em relação à prática histórica. Este capítulo examina as origens e o desenvolvimento da sociologia, observando algumas das formas nas quais os sociólogos deram início à investigação da sociedade, como seu trabalho influenciou a escrita da história nas décadas recentes e, por fim, a crescente penetração dos vários tipos de pensamento histórico dentro da própria sociologia.

Segundo Anthony Giddens, “a sociologia é o estudo da vida social, dos grupos e das sociedades humanos”. Seu tema é nosso próprio comportamento como seres sociais”.1 De que forma, porém, isso difere do tema da história, que o historiador francês do século XIX Fustel de Coulanges identificou como “a ciência das sociedades humanas”?2 A diferença mais óbvia é que a história lida com o passado enquanto a sociologia lida com o presente. Embora essa generalização descreva com precisão as atividades de pesquisa da maioria dos historiadores e sociólogos, há uma sensação de que a construção que o sociólogo faz do “presente etnográfico” e das afirmações do historiador de excluir demandas do presente de sua investigação do passado são igualmente fictícias. Mais importante, há uma crescente escola de sociologia histórica que inclui em suas fileiras figuras influentes como Barrington

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Medium 9789724420141

Canaris prepara o caminho

Ladislas Farago Grupo Almedina PDF Criptografado

IIICanaris prepara o caminhoHans Piekenbrock parecia um próspero comerciante de vinhos, mas, na verdade, era um chefe de espiões extremamente competente. Oriundo da Renânia, era uma pessoa jovial, amiga da paródia, e coronel do Estado-Maior alemão e chefe da Secção I de Canaris, o departamento da Abwehr encarregado da espionagem. De constituição forte, era um homem alto, com ombros largos, franco e muito popular junto dos seus subordinados, que lhe chamavam «Pieki».Poucas missões não fariam por ele se este lhes pedisse.Canaris tinha pouco tempo e apetência para o trabalho minucioso da Secção I, preferindo a refinada atmosfera das informações secretas da política e da diplomacia, pelo que Piekenbrock dispunha de bastante autonomia, que aproveitava ao máximo.Dos seus ficheiros constavam os segredos vitais dos atuais e potenciais inimigos da Alemanha. Devido à enorme dificuldade em obter informações secretas a partir da União Soviética, Piekenbrock optou por negligenciar a URSS. Conseguiu por diversas ocasiões introduzir clandestinamente agentes na União Soviética, e alguns conseguiram regressar, mas o grosso da informação era conseguido

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Capítulo V - Os Modelos de Colonização

Jorge Couto Grupo Gen PDF Criptografado

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Os Modelos de Colonização

1. PRELÚDIOS DA COLONIZAÇÃO

O sistema de capitanias de mar e terra e a via diplomática revelaramse incapazes de produzir os resultados desejados, ou seja, a eliminação da presença francesa na América do Sul. A manifesta insuficiência desse modelo para garantir o incontestável domínio português sobre o Brasil induziu o círculo governativo joanino a ponderar, no final da década de vinte, a adoção de soluções mais eficazes destinadas a assegurar a soberania lusitana sobre a totalidade do território americano que lhe pertencia, de acordo com o Tratado de Tordesilhas. No entanto, o monarca francês não lhe reconhecia legitimidade, exigindo ironicamente que lhe mostrassem a cláusula do testamento de Adão que o excluía da partilha do mundo.1

As notícias sobre as explorações efetuadas no rio da Prata pelas armadas de Carlos V provocavam, também, preocupação na corte de Lisboa, uma vez que se pretendia limitar a penetração espanhola na fachada atlântica da

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Parte III A Imprensa no Estado Novo

Isadora de Ataíde Fonseca Editora Almedina PDF Criptografado

Parte III

A Imprensa no Estado Novo

Até meados da década de 1930, a imprensa na África Portuguesa conseguiu desempenhar um papel moderado de crítica e reivindicação, apesar da Ditadura Militar, das restrições da nova legislação de imprensa e do regresso da censura. No entanto, com a emergência do Estado Novo e a sua consolidação ao longo da década de 1930, a imprensa foi forçada a alinhar-se com o regime. A partir de 1940, a instrumentalização da imprensa tornou-se na regra, com o jornalismo a servir o governo autoritário através da propagação da sua ideologia, políticas e práticas nos cinco territórios da África Portuguesa. Ao longo do Estado Novo, a imprensa manteve-se como uma instituição política, ainda que despolitizada nos seus conteúdos, e a representar uma única força social, o regime e os seus governos. Para se analisar as relações entre a imprensa, o regime e a ação colonial durante o

Estado Novo, na primeira parte deste capítulo acompanha-se as principais linhas políticas do Estado autoritário e as suas consequências nas colónias africanas. Num segundo momento, segue-se o desenvolvimento da imprensa no seu contexto sociopolítico em cada uma das colónias. Na terceira parte, faz-se uma análise comparada da imprensa na África Portuguesa no Estado Novo e avança-se proposições sobre o período.

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Medium 9788578680725

3. Do parlamentar ao juiz

Julia Carvalho Editora Manole PDF Criptografado

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iz u j o a r a rlament

do pa

até hoje de 1986

Cinco de outubro de 1988. Pela primeira vez na história do Brasil, estava a democracia plena, com todos os direitos individuais garantidos, instituída pela

Constituição:55

Art. 5º

III - Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV - É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX - É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

55 Durante o Império e o período de 1945 a 1964, a liberdade de imprensa foi garantida, mas as diversões públicas ainda eram submetidas à ação da censura. A Constituição de 1988 foi a primeira a garantir a liberdade de expressão em todos os seus âmbitos.

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XIV - É assegurado a todos o direito à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

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Capítulo 1 | A institucionalização e a organização da história

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

A INSTITUCIONALIZAÇÃO E A

ORGANIZAÇÃO DA HISTÓRIA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

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A história se estabeleceu como disciplina e profissão a partir da construção de uma base institucional e uma estrutura profissional. Ela deveria se diferenciar de disciplinas vizinhas mais antigas e, só então, poderia ser garantido o financiamento específico para o trabalho histórico e para a formação adequada das gerações futuras de historiadores. Na Europa Continental, na Grã-Bretanha e nos Estados

Unidos, tudo isso aconteceu em momentos diferentes ao longo do século XIX, e com graus variados de finalização e êxito. A importância de estudar a história da própria disciplina – inclusive a das formas como ela se organizava – é algo que os historiadores só reconheceram em um momento relativamente recente. Mesmo assim, como apontou Theodor Schieder, todos os historiadores profissionais trabalham dentro de um sistema organizado. Faculdades e departamentos dentro de universidades, seminários, institutos e sociedades, conferências e simpósios, bibliotecas e arquivos podem ser considerados naturais por historiadores em atividade hoje em dia, mas eles próprios são resultado de um processo histórico. Sua existência foi e é essencial ao historiador profissional, mas as formas precisas com que se desenvolveram ajudaram a definir o estilo e o conteúdo das histórias produzidas. Schieder sugeriu que eles impõem uma medida de uniformidade sobre quem pratica a história: esse

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1.3. A CRISE DA DÉCADA DE 1920: TENENTISMO E REVOLTAS

Rodrigo Goyena Soares Editora Saraiva PDF Criptografado

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– História do Brasil II

anarquista. Conforme relembra Boris Fausto, era preciso conquistar o poder, para depois instituir uma ditadura do proletariado (FAUSTO, 2008). Abrir o caminho, portanto, para a revolução socialista, como advogava a III Internacional de Moscou. A insatisfação popular contra a perpetuação do arranjo oligárquico constituído entre mineiros e paulistas encontrou nova expressão com as eleições de 1922. Apoiado pelos Estados de São Paulo e de Minas

Gerais, Epitácio Pessoa indicou o mineiro Arthur Bernardes para a sucessão presidencial, o que muito desagradou pernambucanos, baianos, fluminenses e, especialmente, gaúchos. A

Reação Republicana, como ficou conhecida a candidatura oposicionista de Nilo Peçanha, denunciava os sucessivos planos de valorização do café. No Rio Grande do Sul, Borges de

Medeiros advogava políticas de equilíbrio fiscal e de combate à inflação. Acreditava-se, não sem razão, que as receitas da União não atendiam aos interesses dos Estados ditos de segunda grandeza, quais sejam, todos, exceto São Paulo e Minas Gerais. O baiano J. J. Seabra preconizava, ainda, a adoção de uma Justiça Eleitoral e do voto secreto.

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Um homem chamado «Ramsey»

Ladislas Farago Grupo Almedina PDF Criptografado

XVUm homem chamado «Ramsey»Na primavera de 1935, chegou a Nova Iorque um turista vindo deTóquio e com destino a Berlim. Registou-se no Hotel Lincoln, na 44.aRua Oeste, sob o nome de Dr. Richard Sorge, correspondente estrangeiro do Frankfurter Zeitung, um dos principais jornais a­ lemães.Os serviços de informações de vários países tinham tentado manter atualizada uma ficha com dados biográficos sobre este homem, mas o seu percurso errático revelara-se algo difícil de acompanhar.A  sua «ficha de suspeito» nos arquivos dos serviços de contrainformação americanos datava já de 1929 e continha uma série de­entradas sensacionais, indicando Sorge como membro muito importante do grande aparelho soviético de espionagem.Este Sorge era um intelectual melancólico, nascido em Baku, noSul da Rússia. O seu avô fora Adolph Sorge, secretário de Karl Marx na I Internacional, e o pai um engenheiro alemão que trabalhava para uma companhia petrolífera no Cáucaso; a sua mãe era de origem mais obscura, e dizia-se que era russa. Sorge fora um rapaz sensível, bonacheirão e estudioso, e algo mimado pelos seus pais, que lhe chamavam «Ika».

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Medium 9788521625018

PARTE III - O paradoxo do investimento público no Brasil

Chrysostomo, Oliveira Grupo Gen PDF Criptografado

O paradoxo do investimento público no Brasil

MANSUETO ALMEIDA

Introdução

Aqueles acostumados a acompanhar os gastos de investimento no Brasil sempre se deparam com um fato corriqueiro: o baixo nível de execução do investimento público

(liquidado e pago) apesar da disponibilidade de recursos para investimento. Por exemplo, em 2011, a dotação autorizada para investimento do orçamento geral da União foi de R$ 107,4 bilhões. Desse total, ao longo daquele ano, o investimento executado (investimento pago) pelo Governo

Federal foi de menos de R$ 50 bilhões, ou seja, menos de

50% dos valores autorizados pela Lei Orçamentária Anual

(LOA) de 2011.

Infelizmente, mais do que exceção, o comportamento da execução do investimento público em 2011 se repete nos demais anos. Desde 2004, por exemplo, em nenhum ano fiscal o Governo Federal conseguiu executar metade dos recursos para investimentos previstos na LOA, apesar de o investimento público sempre aparecer como um gasto prioritário nos discursos oficiais. Do ponto de vista da LOA, parece que há “excesso” de recursos disponíveis para investimento. Mas, se isso é verdade, por que o Estado brasileiro tem sérios problemas para investir mais do que 1% do PIB?

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O grande carrilhão

Ladislas Farago Grupo Almedina PDF Criptografado

VIO grande carrilhãoNo início de 1937, Hitler autorizara a criação de uma rede de espionagem na Grã-Bretanha, e o almirante Canaris de imediato deitou mãos à obra. A chefia das operações estava a cargo do coronel KarlBusch, oficial veterano dos serviços secretos, que dirigia a divisão anglo-americana da Abwehr.Busch formou não um, mas dois grupos independentes na Grã-Bretanha. O primeiro era constituído por agentes subalternos.Incluía centenas de mädchen alemãs, que trabalhavam como criadas infiltradas nos lares de personalidades inglesas influentes. Tal como outros espiões, estas jovens eram treinadas na escola da Abwehr, emHamburgo, onde aprendiam coisas tão diversas como cozinhar rosbife ou usar um radiotransmissor.Busch considerava este grupo importante, mas não imprescindível. Reunia informação útil, mas funcionava principalmente como um isco. Busch previa que atraísse a atenção dos serviços de contraespionagem britânicos, com poucos recursos humanos, permitindo que o segundo grupo, o mais importante, não fosse detetado.

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Humberto Delgado asilado na Embaixada do Brasil

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

ASI LO POLÍ T ICO EM T EM POS DE SA LA ZA R

Fora então mandado instaurar ao general Delgado um processo disciplinar, no qual, ainda de acordo com a mesma nota oficiosa, tinham não apenas ficado provados «todos os factos delituosos», como agravada a situação decorrente dos mesmos, por razão das respostas dadas aos quesitos pelo visado. A nota do subsecretário de Estado da

Aeronáutica concluía anunciando que o general transitara para a situação de separado do serviço. Dias mais tarde, em plena «crise», Kaúlza de Arriaga foi condecorado por Américo Thomaz(27).

Humberto Delgado asilado na Embaixada do Brasil

A 12 de Janeiro de 1959, o ministro dos Negócios Estrangeiros,

Marcello Mathias, ultimou o telegrama destinado ao embaixador no

Rio de Janeiro, Manuel Farrajota Rocheta(28), pelo qual o informava haver-se deslocado o embaixador do Brasil ao Ministério para comunicar verbalmente que o general Humberto Delgado se apresentara durante a tarde desse dia na chancelaria(29) «pedindo asilo como refugiado político, alegando que receava ser preso», e esclareceu o ministro:

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Uma página da campanha do governo português contra Lins

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

ASI LO POLÍ T ICO EM T EM POS DE SA LA ZA R

Janeiro, acima reproduzida(163). Esse bluff passava, de acordo com a tentativa de Manuel Rocheta, pela transferência do general Delgado para a sua residência a pedido da Embaixada do Brasil com o compromisso do governo português.

À margem da simpatia pessoal e política que Lins pudesse ter por certas personalidades da oposição portuguesa, e da sua perspectiva crítica em relação ao regime salazarista, designadamente quanto à negação de liberdades públicas e à política colonial, a concessão de asilo ao general não tinha constituído um fait-divers na Embaixada de Álvaro Lins em Lisboa, nem a sua aprovação pelo Rio de Janeiro uma decisão imponderada.

A formação jurídica de base do embaixador, realizada na prestigiada Faculdade de Direito do Recife, conferiu-lhe sensibilidade para uma ponderação, com amplitude de vistas, sobre o direito de asilo, pelo que a decisão tomada e as posições que afirmou nas conversas mantidas depois, designadamente com o chefe da diplomacia portuguesa, assentaram em argumentos jurídicos dos quais deixou amplas referências nas suas memórias(164).

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