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Capítulo 9 | História e sociologia

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E SOCIOLOGIA

Robert Harrison

9

Entre as disciplinas aparentadas com a história, a sociologia sempre pareceu a mais próxima, mas, ao mesmo tempo, a mais invasiva, a mais intimidativa, a mais desdenhosa em relação à prática histórica. Este capítulo examina as origens e o desenvolvimento da sociologia, observando algumas das formas nas quais os sociólogos deram início à investigação da sociedade, como seu trabalho influenciou a escrita da história nas décadas recentes e, por fim, a crescente penetração dos vários tipos de pensamento histórico dentro da própria sociologia.

Segundo Anthony Giddens, “a sociologia é o estudo da vida social, dos grupos e das sociedades humanos”. Seu tema é nosso próprio comportamento como seres sociais”.1 De que forma, porém, isso difere do tema da história, que o historiador francês do século XIX Fustel de Coulanges identificou como “a ciência das sociedades humanas”?2 A diferença mais óbvia é que a história lida com o passado enquanto a sociologia lida com o presente. Embora essa generalização descreva com precisão as atividades de pesquisa da maioria dos historiadores e sociólogos, há uma sensação de que a construção que o sociólogo faz do “presente etnográfico” e das afirmações do historiador de excluir demandas do presente de sua investigação do passado são igualmente fictícias. Mais importante, há uma crescente escola de sociologia histórica que inclui em suas fileiras figuras influentes como Barrington

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Capítulo VIII - A Aculturação

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

VIII

A Aculturação

1. A MISCIGENAÇÃO

A sociedade brasileira resulta de um profundo processo de miscigenação biológica e cultural que remonta aos primórdios do contato lusoameríndio no Brasil, tendo-se revestido, numa primeira fase, de um cárater exclusivamente euro-americano, a que se juntou, a partir da segunda metade de Quinhentos, a componente africana.

Os contatos dos portugueses com ameríndios foram estabelecidos com grupos tribais e bandos que se localizavam na vertente atlântica da

América do Sul.1 Mesmo antes de a Coroa desencadear o processo de colonização do Brasil já se tinha iniciado, de maneira informal, a miscigenação entre homens lusos e mulheres tupis. Os precursores desse movimento – que teria profundas repercussões na configuração étnica, demográfica e cultural do Brasil – foram os “lançados”, náufragos, desertores ou degredados, primitivos habitantes europeus da Terra de Santa Cruz.

Vários relatos das primeiras décadas do século XVI aludem frequentemente a um degredado – o Bacharel – que há longos anos se encontrava na

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Capítulo II - As Sociedades Indígenas

COUTO, Jorge Grupo Gen PDF Criptografado

II

As Sociedades Indígenas

1. O POVOAMENTO DO CONTINENTE AMERICANO

Sendo atualmente incontroverso que o povoamento do continente americano foi efetuado por populações originárias do Velho Mundo, no entanto, suscitam acesa discussão os problemas relacionados com a região de origem dos ameríndios, com a determinação da época em que se iniciaram as migrações pré-históricas e, ainda, com as rotas de penetração utilizadas.

Verifica-se a existência de um certo número de traços muito marcantes, comuns à generalidade dos autóctones americanos, designadamente a cor acastanhada da pele, os cabelos pretos e lisos, o fraco desenvolvimento do sistema piloso, as maçãs do rosto salientes, a forte arcada supraciliar e a prega na pálpebra que dá aos olhos uma forma oblíqua (“olho mongólico”).1 Estas características físicas conjugadas com dados de ordem genética (grupo sanguíneo exclusivamente de tipo O)2 comprovam que os

índios descendem de populações asiáticas, vulgarmente designadas por raça amarela.

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Capítulo 20 | História e patrimônio

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E PATRIMÔNIO

Susan Davies

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O termo heritage* nos remete a algo que é herdado, seja por indivíduos, seja coletivamente. É um termo amplo, muito aceito, tanto na Grã-Bretanha quanto internacionalmente, e resultou do latim heres, e de várias palavras associadas relacionadas a herança e a coisas que podem ser herdadas. Entre as definições do

Oxford English dictionary está a seguinte: “That which comes from the circumstances of birth; an inherited lot or portion; the condition or state transmitted from ancestors”. [O que vem das circunstâncias de nascimento; um lote ou porção herdados; a condição ou estado transmitidos pelos ancestrais] Isso sugere uma amplitude de significados que alguns consideram insuficiente, vaga, preferindo, por exemplo,

“bens culturais” como termo mais específico. Um relatório recente da English Heritage, The power of place (Dezembro de 2000), sugere “o ambiente histórico” como expressão preferida. Mesmo assim, nenhum desses é tão generoso em termos de sentido ou conceito quanto heritage.

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Capítulo 15 | Os historiadores e a “nova” história britânica

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

OS HISTORIADORES E A “NOVA”

HISTÓRIA BRITÂNICA

Paul O’Leary

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É raro que os editoriais de jornais apontem, e mais raro ainda que questionem, o trabalho de historiadores acadêmicos. Portanto, merece menção quando o London Times aproveita a publicação de um relatório financiado pelo governo sobre multiculturalismo para atacar interpretações revisionistas da história britânica. Em um editorial intitulado “Nation and race”, de 12 de outubro de 2000, o jornal discordava veementemente de um grupo pouco definido de historiadores cuja obra passou a ser conhecida como a “nova história britânica”. Particularmente, o Times escolheu autores como Linda Colley, cujo trabalho sobre a “invenção” da britanicidade como ideologia oficial do século XVIII foi considerado uma reinterpretação incompatível do passado nacional, reservando-se críticas especiais

à sua ênfase na natureza construída da identidade nacional britânica. O jornal julgou que esse tipo de obra histórica era parte de uma tendência insidiosa que só poderia servir para minar a confiança na identidade britânica enraizada no que o jornal acreditava ser um passado mais longo e mais duradouro. A ideia de que as nações que constituíram o Reino Unido possam ter forjado uma identidade comum em parte com base no interesse próprio (e assim, implicitamente, poderiam se afastar dela à luz de mudanças em seus interesses) ofendeu especialmente o jornal.

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1. OS PRIMÓRDIOS DA ARQUITETURA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 1

OS PRIMÓRDIOS DA ARQUITETURA

A

lguns leitores talvez fiquem desanimados com a perspectiva de um capítulo inteiro sobre os “primórdios” ou a “pré-história” da arquitetura, acreditando que as construções realmente interessantes e as ideias verdadeiramente provocadoras se encontram muitas páginas à frente; felizmente, este não é o caso. As estruturas que apresentamos neste capítulo inicial são ricas e variadas e, com frequência, sofisticadas. Além disso, por serem “antigas” e sempre locais, estão de certa forma mais expostas à revelação do que as estruturas posteriores. Ou seja, elas expõem certos princípios fundamentais da arquitetura, assim como – quem sabe – alguns aspectos fundamentais da condição humana, para que os consideremos.

Em 1964, o polímato, arquiteto, engenheiro e historiador Bernard Rudofsky organizou a exposição Architecture

Without Architects (Arquitetura Sem Arquitetos) no Museu de Arte Moderna da Cidade de Nova York, e, embora surpreendente para a época, acabou se tornando extremamente influente. A exposição causou certo frisson ao surgir em um período de questionamento cultural generalizado nos Estados Unidos; o subtítulo do livro que a acompanhava – A

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Capítulo 17 | Os historiadores e o cinema

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

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OS HISTORIADORES E O CINEMA

Peter Miskell

Sejamos diretos e admitamos: os filmes históricos incomodam e perturbam os historiadores profissionais, e assim tem sido por um bom tempo.1

Em um exame da relação entre história profissional e versões do passado criadas e apresentadas fora da academia, o cinema é forte candidato a receber nossa atenção. Não apenas oferece uma via para quem não tinha conexões com a academia exibir publicamente sua própria versão de história, como também permite que a história seja apresentada e consumida de uma forma totalmente nova ao século

XX.2 Além disso, a imensa popularidade internacional dos filmes fez com que a história, como se vê nas telas, tenha atingido um público muito mais amplo do que a escrita dos historiadores profissionais. Este capítulo não discutirá teoricamente, em detalhes, se os historiadores acadêmicos têm mais direitos do que os cineastas de afirmar que seu trabalho oferece uma interpretação válida do passado. A intenção aqui é oferecer uma visão do relacionamento variável dos historiadores com o cinema no decorrer do século XX, questionando por que os “filmes históricos têm incomodado e perturbado os historiadores profissionais”. Até que ponto suas atitudes em relação à história apresentada na tela se desenvolveram durante o século XX?

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Capítulo 2 | Metodologia: História científica e o problema da objetividade

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

METODOLOGIA

HISTÓRIA CIENTÍFICA E O PROBLEMA

DA OBJETIVIDADE

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

2

A escrita profissional de história na Europa e nos Estados Unidos não era só a história escrita por profissionais; era história escrita de uma determinada forma.

Poucos historiadores do final de século XIX discordariam da afirmação de J. B.

Bury de que a história era “simplesmente uma ciência, nada menos, nada mais”.

Contudo, para as tradições historiográficas nacionais, ciência poderia significar coisas bastante diferentes.

Alemanha

Na primeira metade do século XIX, as “ciências” (Wissenschaft) humanas na

Alemanha tinham uma reputação superior à das ciências naturais, e não se sabe o quanto as primeiras realmente deviam às segundas. Obviamente, a precisão era considerada essencial para a determinação dos fatos e, por extensão, à identificação e à autenticação das fontes primárias. Até então, a afirmação dos historiadores de que eram capazes de produzir história objetiva parecia não ser complicada, mas nenhum historiador alemão afirmava que as fontes falavam por si. Ao revelar e verificar as evidências, o historiador só tinha realizado as tarefas preliminares. Agora

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Capítulo 1 | A institucionalização e a organização da história

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

A INSTITUCIONALIZAÇÃO E A

ORGANIZAÇÃO DA HISTÓRIA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

1

A história se estabeleceu como disciplina e profissão a partir da construção de uma base institucional e uma estrutura profissional. Ela deveria se diferenciar de disciplinas vizinhas mais antigas e, só então, poderia ser garantido o financiamento específico para o trabalho histórico e para a formação adequada das gerações futuras de historiadores. Na Europa Continental, na Grã-Bretanha e nos Estados

Unidos, tudo isso aconteceu em momentos diferentes ao longo do século XIX, e com graus variados de finalização e êxito. A importância de estudar a história da própria disciplina – inclusive a das formas como ela se organizava – é algo que os historiadores só reconheceram em um momento relativamente recente. Mesmo assim, como apontou Theodor Schieder, todos os historiadores profissionais trabalham dentro de um sistema organizado. Faculdades e departamentos dentro de universidades, seminários, institutos e sociedades, conferências e simpósios, bibliotecas e arquivos podem ser considerados naturais por historiadores em atividade hoje em dia, mas eles próprios são resultado de um processo histórico. Sua existência foi e é essencial ao historiador profissional, mas as formas precisas com que se desenvolveram ajudaram a definir o estilo e o conteúdo das histórias produzidas. Schieder sugeriu que eles impõem uma medida de uniformidade sobre quem pratica a história: esse

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5. O MUNDO ROMANO

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 5

O MUNDO ROMANO

urante o primeiro milênio antes de Cristo, enquanto a civilização grega surgia e florescia no continente e no leste do Mediterrâneo, um povo enigmático

– os etruscos – estava se assentando e desenvolvendo sua própria cultura no centro-norte da Itália, na atual

Toscana. Suas origens não são bem definidas; acredita-se que tenham migrado para a península italiana vindos da

Ásia Menor por volta de 1200 a.C., depois do colapso do

Império Hitita. Com base nas inscrições, nas obras de arte, nos artefatos e na arquitetura que chegaram até nós, parece que os etruscos tiveram diversas raízes. A Grécia, durante os Períodos Primitivo e Clássico, exerceu uma influência muito forte, mas também havia outras relações culturais. A língua etrusca continha elementos indo-europeus e não indo-europeus e era escrita em um alfabeto derivado diretamente do grego; sua religião, que dava muita importância a enterrar os mortos com objetos de uso diário necessários no além, tinha muito em comum com a egípcia. Tal qual a arte hitita, a arte etrusca também apresentava relevos de feras protetoras nas entradas dos túmulos e, assim como a arte dos minóicos e micênicos, decorações naturalistas representavam pássaros e golfinhos. A prática etrusca de ler presságios nas vísceras dos animais se assemelha à tradição babilônica e assíria; o uso de arcos e abóbadas em portais monumentais indica conexões com a arquitetura da Ásia Menor. Embora tenham assimilado muito de seus vizinhos, os etruscos eram um povo original, cujos feitos deixaram uma forte impressão na civilização romana.

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11. A ARQUITETURA RENASCENTISTA

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 11

A ARQUITETURA RENASCENTISTA

N

o século XV, enquanto os navegadores europeus viajavam para explorar a África e depois as Américas, a arquitetura europeia passava por mudanças significativas, saindo do estilo Gótico que caracterizou a Idade Média e entrando no Renascimento. O Capítulo 9, que tratou do período Gótico, pouco falou das edificações construídas na Itália. Ali, as igrejas românicas nunca chegaram a ser completamente destituídas dos elementos clássicos, impedindo que a arquitetura religiosa gótica monumental dominasse o outrora centro do Império Romano, onde vestígios de um grandioso passado clássico eram exibidos com muito orgulho.

Ainda assim, a malha urbana da maioria das cidades italianas – especialmente no caso das edificações habitacionais de uso diário – foi tecida entre os séculos XI e XIV. Em centros continentais, como Florença, as edificações eram bastante simples: pesados blocos de alvenaria interrompidos por aberturas com arcos e, às vezes, apresentando galerias ou arcadas sombreadas. Da mesma forma, os edifícios governamentais medievais criavam os centros cívicos das cidades e provocavam o surgimento de espaços abertos (praças) que, até hoje, são vistos como exemplos notáveis. Foi dentro deste contexto medieval bem estabelecido que os arquitetos renascentistas apresentaram suas propostas radicais.

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4. O protetor dos mendigos

CARVALHO, Julia Editora Manole PDF Criptografado

capítulo

os

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4

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amargo

Joracy C

Depois da crise de 1929, da Revolução de 1930 e da

Revolta Constitucionalista de 1932, São Paulo fervilhava. Seus habitantes, em grande parte imigrantes europeus, traziam de sua terra natal ideias novas como o marxismo e o anarquismo, enquanto uma classe média urbana surgia da industrialização. Todo esse contexto de ebulição econômica e social não era acompanhado pelo desenvolvimento do teatro, que ainda era predominado pelo teatro de revista e as famosas “comédias para se fazer rir”.

Para o dramaturgo Joracy Camargo, esse cenário era inconcebível.68 O homem sério, de cabeleira vas68 As informações contidas nesse capítulo foram retiradas dos primeiros seis meses de pesquisa que realizei como bolsista de Iniciação

Científica do CNPq, no Arquivo Miroel Silveira, sob orientação da Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes. Meu trabalho consistiu em terminar e complementar a pesquisa iniciada por outra bolsista, Carolina Rossetti de Toledo, sobre o dramaturgo Joracy Camargo. Seu relatório foi essencial para que eu pudesse saber mais sobre a vida do dramaturgo, que possui pouquíssima bibliografia dedicada a ele.

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Capítulo 6 | História social na Alemanha

Peter Lambert; Phillipp Schofield; Colaboradores Grupo A PDF Criptografado

A HISTÓRIA SOCIAL NA ALEMANHA

Peter Lambert

6

Por um breve período durante os anos de 1970, anunciou-se amplamente o progresso triunfal de uma nova abordagem social-científica à escrita de história na

República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental. À frente da marcha, dois jovens historiadores – Hans-Ulrich Wehler e Jürgen Kocka – que trabalhavam na nova Universidade de Bielefeld estavam fazendo incursões confiantes em territórios inexplorados por historiadores alemães. Para se referir a eles, seus colegas próximos e seus alunos, foi rapidamente adotada a expressão “escola de Bielefeld”, como uma abreviação conveniente para um corpo de trabalho crescente, informado por convicções e aspirações compartilhadas. Aí estava, finalmente, uma historiografia progressista e informada teoricamente e, ao mesmo tempo, firmemente ancorada dentro do sistema universitário da Alemanha Ocidental – um novo paradigma que tinha superado a inércia decadente, mas até então, ubíqua, da história política estatista e nacionalista. Os pedidos de desculpas pelo passado alemão deram lugar a uma crítica rigorosa. Supostamente estagnada e isolada até a década de 1960, a historiografia alemã parecia agora estar vívida e haver “retornado ao Ocidente”. Onde tinha sido hostil à teoria, os Bielefelder a assumiram prontamente. Onde a agência histórica tinha sido atribuída a indivíduos, ela agora era ligada a forças e estruturas impessoais.

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6. O anticensor

CARVALHO, Julia Editora Manole PDF Criptografado

6

sor n e c i t n a o to oelho Ne

capítulo

esto

João Ern

C

João Ernesto Coelho Neto entrou bufando pela porta da sala. Tinha andado os últimos quarteirões em um passo apressado, e subiu as escadas o mais rápido que pode. Estava atrasado. Odiava estar atrasado, mas estava, não teve jeito. Já estavam todos esperando, Décio de Almeida Prado entre eles. A discussão do dia era o futuro do teatro amador no Brasil. Décio, como anfitrião, achou que poderia fazer a cobrança:

— O que aconteceu, Coelho?

— Desculpem-me o atraso, a prova era hoje e não podia faltar.

— Prova? Prova do quê?

— A prova do concurso público — respondeu João, hesitante.

— Mas que concurso, homem?

— Concurso para censor.

A sala ficou em completo silêncio. Todos se olharam, incrédulos. E, então, começaram a rir. Primeiro bai-

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xinho, depois gargalhando alto: João Ernesto Coelho Neto, o presidente da Federação Paulista de Teatro Amador, o diretor de mais de 30 grupos, um dos homens mais apaixonados pelos palcos, trabalhando para o Departamento de Censura? Finalmente, alguém estaria lutando de dentro! Finalmente, o teatro seria salvo!

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14. O PROGRESSO NO SÉCULO XIX

Fazio, Michael Grupo A PDF Criptografado

CAPÍTULO 14

O PROGRESSO NO SÉCULO XIX

A

arquitetura do século XIX talvez tenha sido a mais diversificada até então. A liberdade introduzida pelo

Neoclassicismo e o Movimento Romântico promoveram o revivescimento de outros estilos históricos, incluindo o Gótico, Grego, Islâmico, Egípcio, Bizantino e

Paleo-Cristão, somados a invenções criativas, como os estilos Chinesice, Japonismo, Mourisco e Hindu. Para ilustrar esse fenômeno, consideremos algumas edificações inglesas e norte-americanas projetadas depois de 1800. Os oficiais colonialistas que voltavam ricos da Índia para se aposentar na Inglaterra construíam casas de prazer, como a Sezincote, em Gloucestershire, cujas vedações externas foram concebidas no estilo Indiano por Samuel Pepys Cockerell (1754–

1827) para seu irmão Charles, em 1805. No mesmo espírito, John Nash (1752–1835) construiu o Pavilhão Real, em

Brighton, para o Príncipe Regente, entre 1818 e 1821.

Em muitos casos, os estilos foram escolhidos em função de suas associações. Por exemplo: o estilo Egípcio foi sugerido para edificações relacionadas à medicina – que se acreditava ter surgido no Vale do Rio Nilo – e à morte, uma vez que os majestosos monumentos do Egito foram edificados para os faraós e suas jornadas para o além, ou sempre que sugestões de grande massa ou eternidade eram desejadas, como em fábricas, prisões, pontes suspensas e bibliotecas. Nos Estados Unidos, Benjamin Henry Latrobe

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