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Ruínas

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

Ruínas

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lão, garotas de Ipanema ondulantes e Brigitte Bardot tomando água de coco em

Búzios. Ó Deus, como é triste lembrar do bonito que algo ou alguém foram quando sua beleza começa a se deteriorar irremediavelmente.”

Todo ano, o carnaval incendeia a cidade. Nada derruba sua energia. Nem crises, nem assassinatos, nem miséria nas favelas, nem esquadrão da morte, nem tormentos ou incertezas da política. Milhões de homens e de mulheres dançam, cantam, gritam, fazem o êxtase e o amor. Por algumas horas, a Baía da Guanabara é o luxo do mundo. No porto, navios despejam sua carga de turistas vindos dos quatro cantos do mundo.

O pôr de sol

Reveste os campos

Os canais, a cidade inteira

De jacintos e de ouro

As melhores escolas de samba desfilam no Sambódromo idealizado por Oscar

Niemeyer em 1984. As mulheres se vestem com as fantasias que bordaram e costuraram durante semanas a fio. As marquesas negras do século de Luís XIV giram

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Medium 9789724420141

Miséria e grandeza da guerra secreta

Ladislas Farago Grupo Almedina PDF Criptografado

XIXMiséria e grandeza da guerra secretaA guerra metálica e ordenada de Hitler estava a ter problemas. A precisão formidável com que os Alemães haviam começado esvaía-se agora como o ar de um balão furado. O Eixo parecia triunfar em toda a parte, mas estava a acontecer algo que não constava dos comunicados, algo tão vago e obscuro que ainda não era visível a olho nu. Nos confins mais negros do conflito global abria-se uma segunda frente, nas ruas, à noite, e nas florestas mortíferas dos territórios ocupados.Ao analisar em retrospetiva aqueles dias de incerteza, o generalSir Colin Gubbins, diretor do SOE britânico, era da opinião de que os Alemães pretendiam escravizar os povos conquistados e as suas indústrias para apoiarem em pleno o seu esforço de guerra. «Por fim», refere, «ainda que esta estratégia os tenha ajudado inicialmente, acabariam por pagar um preço terrível por terem violado todas as leis da humanidade, pela sua agressão, não provocada, a povos indefesos, pelas suas crueldades inimagináveis, exercidas indiscriminadamente sobre homens, mulheres e crianças. Não conseguiram impedir a sabotagem, por mais que tentassem. Não conseguiram impedir

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Medium 9788520435755

Invasões

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

car sua neta na escola. Naquela manhã, ela teve uma aula de geografia e aprendeu que o Brasil não é um país montanhoso. Leyla Perrone-Moisés retruca: mas mesmo assim há montanhas, e algumas são até bem altas. Em Minas Gerais, por exemplo. E também em outros lugares. Podemos esquiar em Santa Catarina, um pouco, pelo menos. “Mesmo no sertão, que as pessoas acreditam ser plano, temos montanhas. Até no interior de Pernambuco, olhe, a cidade de Caetés, onde nasceu o presidente Lula, está a uma altitude de 849 metros. E a Serra do Mar, esse cordão de montanhas que corre ao longo do litoral atlântico, não é de se jogar fora.”

A menina fica sem jeito. Ela deve arbitrar entre sua avó, a quem ama muito, e a professora, que detém o saber. Recorre ao mesmo tempo à delicadeza brasileira e à geografia geral.

“Claro. Na sua época havia montanhas. Já me disseram. Só que, desde então, o vento soprou e, como você sabe, e eu aprendi na escola, o vento, de tanto soprar, acaba gastando a terra... e não há mais montanhas.”

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Medium 9788521625018

PARTE II - A ascensão e queda das parcerias público-privadas em Portugal

Chrysostomo, Oliveira Grupo Gen PDF Criptografado

A ascensão e queda das parcerias públicoprivadas em Portugal

RICARDO FERREIRA REIS

JOAQUIM MIRANDA SARMENTO

Este texto descreve a experiência portuguesa em Parcerias

Público-Privadas (PPPs) como uma história de insucesso quanto à eficiência da utilização dos recursos públicos. As

PPPs foram utilizadas como um instrumento que acelerou o processo de construção de infraestruturas de transportes e equipamento social em Portugal sem comprometer as restrições orçamentais de curto prazo exigíveis pela adesão

à moeda única. Esses atributos conduziram a uma sobreutilização do mecanismo para desorçamentar a despesa pública em um curto espaço de tempo. O elevado número de projetos, o rápido período de execução, a falta de meios técnicos do Estado para gerir tantos projetos simultaneamente e a má alocação dos riscos são os motivos elencados neste texto para explicar o insucesso das PPPs em Portugal.

Propõe-se uma solução de recompra de alguns dos contratos para resolver o problema.

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Medium 9788562938375

INTRODUÇÃO

Rodrigo Ricupero Editora Almedina PDF Criptografado

INTRODUÇÃO

No processo de colonização do Brasil1, a Coroa utilizou-se da iniciativa particular e nela se apoiou, sempre buscando, porém, seu controle. Se na perspectiva do Estado contemporâneo essa situação pode ser vista como fragilidade, à época, no processo de formação do Estado2, tal política constituiu um hábil recurso: a Coroa aplicava recursos humanos e financeiros particulares para viabilizar seus projetos, sem que lhe coubesse

  Aqui cabe um esclarecimento sobre a utilização do termo Brasil empregado em todo o trabalho. Na totalidade da documentação compulsada, as terras que os portugueses povoaram no continente, depois conhecido como América, e que posteriormente formariam no século XIX um Estado Nacional, chamado Brasil, eram designadas, no período por nós estudado, como: a costa do Brasil, as terras do Brasil, as partes do Brasil, ou simplesmente Brasil, o que indicava o reconhecimento de uma unidade geográfica, que, num plano político-administrativo posterior, receberia a designação de Estado do Brasil.

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Medium 9788521625018

PARTE I - A teoria econômica das PPPs: concessões, participação do governo e renovações

Chrysostomo, Oliveira Grupo Gen PDF Criptografado

A teoria econômica das PPPs: concessões, participação do governo e renovações1

VINICIUS CARRASCO

JOÃO MANOEL PINHO DE MELLO

PABLO SALGADO

Introdução

O site do governo brasileiro define uma parceria públicoprivada como “um contrato de prestação de serviços e obras [...] com duração mínima de cinco anos e no máximo de 35 anos firmado entre empresa privada e o governo”, no qual “o agente privado é remunerado exclusivamente pelo governo ou em uma combinação de tarifas cobradas dos usuários dos serviços mais recursos públicos”.2

A definição faz referência explícita a duas dimensões de uma PPP. A primeira dimensão é que a parceria entre a empresa privada e o governo se dá ao longo do tempo.

Naturalmente, ao longo da interação do governo com uma empresa privada em uma PPP, é provável que a empresa não só tenha mais informação a respeito de quão custosa

  Conversas com Rogério Werneck e Klênio Barbosa estimularam o interesse dos autores pelo tópico. Por seus comentários e sugestões, Edmar Bacha merece um agradecimento especial.

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Medium 9788520435755

Proust nas favelas

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

E se for preciso pedir um segredo ao pequeno senhor que sorria maliciosamente toda vez que eu falava com ele, na cafeteria da Aliança Francesa no início do ano de 1951, guardarei este que não vem nem do pensamento cartesiano nem das mães de santo de Salvador: “O sociólogo que quer compreender o Brasil”, dizia Bastidinho, “muitas vezes deve se metamorfosear em poeta”.

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Esse foi o pequeno grupo de professores que, com o apoio do diretor do jornal O

Estado de São Paulo, o grande Júlio de Mesquita, criou em 1935 a Faculdade de Filosofia de São Paulo. Oitenta anos mais tarde, a USP, seu distante prolongamento, é um colosso. Milhões de estudantes passaram por seus anfiteatros. Outros professores franceses de alto nível ensinaram em São Paulo depois da guerra, como o lógico Gilles Gaston Granger ou o filósofo Claude Lefort. Mas o Brasil nunca esqueceu seus pioneiros, Braudel, Lévi-Strauss, Bastide, Monbeig, e principalmente, o filósofo desconhecido Jean Maugüé.

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Medium 9788563899095

Capítulo 16 | O pós-modernismo e a virada linguística

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

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O PÓS-MODERNISMO E A VIRADA LINGUÍSTICA

Michael Roberts

A expressão “pós-moderno” foi usada a partir da década de 1930 para definir um estilo, especificamente um afastamento das linhas definidas do “estilo internacional” predominante anteriormente na arquitetura. O modernismo floresceu entre as guerras, quando o compromisso com o uso de novas técnicas e materiais para atender às necessidades de moradia para massas fez com que os antigos estilos de construção parecessem redundantes e elevou a arquitetura feita por máquinas a um princípio estético. Sua adaptação às necessidades de uma economia empresarial que ressurgia depois da guerra gerou uma reação. A nova abordagem pós-moderna se baseou na confusão cada vez maior de imagens que transbordava da afluência dos consumidores contemporâneos, na justaposição discordante de velhos signos e símbolos com os mais novos. Um dos primeiros tratados sobre o novo estilo, a obra de Robert Venturi, adequadamente intitulada de Complexidade e contradição em arquitetura (1966), celebrava a “vitalidade desordenada em detrimento da unidade óbvia”. Os arquitetos pós-modernistas gostavam de enfatizar a fachada de um prédio, em vez de sua estrutura, e usar alusões históricas em fragmentos e detalhes no projeto.1 Enquanto isso, sociólogos como Daniel Bell estavam estudando “a sociedade pós-industrial ... uma sociedade que passou de uma etapa de produção de bens a uma sociedade de serviços”. No mesmo ano, 1959, C.

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Medium 9788521625018

PARTE II - PPPs: a experiência internacional em infraestrutura

Chrysostomo, Oliveira Grupo Gen PDF Criptografado

PPPs: a experiência internacional em infraestrutura

CLÁUDIO R. FRISCHTAK

Introdução

O objetivo deste trabalho é relatar de forma sintética a experiência internacional com parcerias público-privadas

(PPPs) em infraestrutura e inferir algumas lições que podem ser úteis no contexto brasileiro.

As PPPs podem ser entendidas como uma alternativa de financiamento e aquisição de ativos físicos e uma forma de gestão e entrega de serviços de natureza pública, suportada por esses ativos. No plano contratual, as PPPs são uma estrutura de alocação de riscos, cujo fluxo de caixa é oriundo de tarifas (pagas pelos usuários) e – se estas forem insuficientes – de transferências governamentais. Os polos de uma PPP são o setor público – parte contratante –, e o setor privado, enquanto agente que, em grande medida, financia e absorve os riscos inerentes à provisão dos serviços.

Os serviços fornecidos e os ativos subjacentes no caso de PPPs são geralmente caracterizados por elevadas externalidades e, por vezes, associados à dificuldade de excluir não pagadores de usufruí-los. Nesses casos, o setor público historicamente se encarregou de financiar os ativos

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Medium 9788578680725

4. O protetor dos mendigos

Julia Carvalho Editora Manole PDF Criptografado

capítulo

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amargo

Joracy C

Depois da crise de 1929, da Revolução de 1930 e da

Revolta Constitucionalista de 1932, São Paulo fervilhava. Seus habitantes, em grande parte imigrantes europeus, traziam de sua terra natal ideias novas como o marxismo e o anarquismo, enquanto uma classe média urbana surgia da industrialização. Todo esse contexto de ebulição econômica e social não era acompanhado pelo desenvolvimento do teatro, que ainda era predominado pelo teatro de revista e as famosas “comédias para se fazer rir”.

Para o dramaturgo Joracy Camargo, esse cenário era inconcebível.68 O homem sério, de cabeleira vas68 As informações contidas nesse capítulo foram retiradas dos primeiros seis meses de pesquisa que realizei como bolsista de Iniciação

Científica do CNPq, no Arquivo Miroel Silveira, sob orientação da Profa. Dra. Mayra Rodrigues Gomes. Meu trabalho consistiu em terminar e complementar a pesquisa iniciada por outra bolsista, Carolina Rossetti de Toledo, sobre o dramaturgo Joracy Camargo. Seu relatório foi essencial para que eu pudesse saber mais sobre a vida do dramaturgo, que possui pouquíssima bibliografia dedicada a ele.

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Medium 9789724422640

Henrique Galvão em Buenos Aires

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

LU ÍS BIGOT T E CHOR ÃO

em Lisboa, insinuando-se como artífice da criação de condições mais propícias à solução de um caso cujo arrastamento não interessava à

Argentina e menos ainda a Portugal.

É neste quadro que se realiza em Buenos Aires, a 12 de Maio, a audiência concedida pelo ministro das Relações Exteriores argentino ao embaixador de Portugal. De acordo com o telegrama dessa data expedido para Lisboa, o embaixador Antas de Oliveira informou que o ministro se congratulara com a «atitude amistosa» do governo português ao não haver colocado a questão Galvão no plano jurídico, cuja solução, disse, seria «extremamente complexa», tendo considerado a questão «praticamente resolvida» e recordado não ter a Argentina ratificado a Convenção de Bogotá. E disse ainda «ser pessoalmente partidário da restrição do asilo político cuja prática abusiva estava criando crescentes dificuldades entre os Governos sul-americanos».

O embaixador Antas de Oliveira informou ainda o Ministério de que não havia deixado de fazer sentir ao ministro que a solução dada à questão Galvão devia ser considerada excepcional e que qualquer caso futuro seria encarado de acordo com a doutrina do memorando(433).

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Medium 9788563899149

Conclusão

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

CONCLUSÃO

Os impulsos em direção à profissionalização da história, junto à adoção de uma abordagem que apresentava um alto grau de uniformidade independentemente de fronteiras nacionais, tiveram raízes locais nas três sociedades de que tratamos nesses estudos de caso. Contudo, como também sugerimos, a profissionalização da história só pode ser entendida se levarmos em conta a interconexão dessas experiências nacionais: foi um processo com dimensões internacionais e marcado por transferências culturais. Principalmente depois de 1945, o padrão foi reproduzido para além dos exemplos “ocidentais” e europeus que discutimos.

Atualmente, a história pode afirmar ser uma disciplina global, ainda que acossada por dificuldades. Onde, até 1945, os principais obstáculos que os membros da profissão enfrentavam para se comunicar tinham sido as guerras entre as nações, a Guerra Fria representou barreiras semelhantes ao longo de meio século depois disso. Em anos mais recentes, surgiram dificuldades na condução de diálogo entre historiadores no “Ocidente” e alguns de seus colegas no Terceiro Mundo. Ainda se debate se os hábitos de pensamento arraigados na historiografia “Ocidental”, as categorias que os historiadores “ocidentais” empregam e até mesmo a própria história, podem ser uma imposição sobre o Terceiro Mundo.1

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Medium 9789724422640

Asilo em Timor

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

LU ÍS BIGOT T E CHOR ÃO

Mucho menos podría Guatemala aceptar la obligación de entregar a las autoridades locales o de expulsar de sus missiones a las personas que acudan a ellas en solicitud de asilo, ya que tal posición violaría radicalmente la postura sustentada por este país en esa matéria, así como violaría princípios fundamentales de nuestra Constitución

Política […].

E concluía:

[…] Guatemala puede esperar que Portugal sabría respectar el asilo que eventualmente pudiera ser concedido por nuestros Representantes en aquel país y que la falta de tratado no sería obstáculo a que, por cortesia internacional, por reciprocidad y con base en los principios generales del Derecho, Portugal extendiera el salvoconducto y diera todas las facilidades necessárias para la salida del asilado del território portugués.(527)

Em Setembro, o embaixador na Venezuela, Carlos Branquinho, informava o ministro Marcello Mathias de que o seu homólogo venezuelano, [Ignacio Luis] Arcaya, defendia o critério de que o asilo «devia ser concedido a toda a gente, independentemente da sua condição militar ou civil», tendo acrescentado que a «Venezuela em nenhuma circunstância assinaria qualquer convenção inter-americana com princípio diferente»(528).

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Canaris prepara o caminho

Ladislas Farago Grupo Almedina PDF Criptografado

IIICanaris prepara o caminhoHans Piekenbrock parecia um próspero comerciante de vinhos, mas, na verdade, era um chefe de espiões extremamente competente. Oriundo da Renânia, era uma pessoa jovial, amiga da paródia, e coronel do Estado-Maior alemão e chefe da Secção I de Canaris, o departamento da Abwehr encarregado da espionagem. De constituição forte, era um homem alto, com ombros largos, franco e muito popular junto dos seus subordinados, que lhe chamavam «Pieki».Poucas missões não fariam por ele se este lhes pedisse.Canaris tinha pouco tempo e apetência para o trabalho minucioso da Secção I, preferindo a refinada atmosfera das informações secretas da política e da diplomacia, pelo que Piekenbrock dispunha de bastante autonomia, que aproveitava ao máximo.Dos seus ficheiros constavam os segredos vitais dos atuais e potenciais inimigos da Alemanha. Devido à enorme dificuldade em obter informações secretas a partir da União Soviética, Piekenbrock optou por negligenciar a URSS. Conseguiu por diversas ocasiões introduzir clandestinamente agentes na União Soviética, e alguns conseguiram regressar, mas o grosso da informação era conseguido

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Chuva de Belém do Pará

Gilles Lapouge Editora Manole PDF Criptografado

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Dicionário dos apaixonados pelo Brasil

sileiros? Chica é uma dessas mulheres negras, talvez mais aperfeiçoada que outras, ocupando um lugar mais inacessível que suas irmãs, um lugar ao mesmo tempo ausente, proibido, inexistente e vencedor. Ela usa o poder aterrador de sua cor, de sua condição e de seu sexo para conduzir um combate quase político e talvez metafísico. Ao dominar o corpo do representante do rei em Minas Gerais, não é o poder branco que ela escraviza? A carne enigmática de Chica da Silva subjuga o corpo do rei branco de Lisboa. Assim, a negra Chica da Silva se situaria no mais secreto da inacessível identidade brasileira, no coração de seus enigmas, de seus silêncios e de seus conflitos: Chica é uma mulher. Chica é uma escrava. Chica é uma negra e, com todas essas supostas insuficiências, Chica, pelo poder mirabolante da feminilidade, se alça milagrosamente ao topo da sociedade. Sobre o tabuleiro invertido, o corpo do rei branco levou um xeque-mate.

io

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