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II. A CASA PATERNA

Gabriele D'Annunzio Grupo Almedina PDF Criptografado

iiA CASA PATERNA1Nos fins de abril, Ippolita partiu para Milão, chamada por sua irmã cuja sogra acabava de morrer. Giorgio devia também partir à procura da terra desconhecida. E pelos meados de maio tornar-se-iam a encontrar.Mas, justamente nessa época, Giorgio recebeu uma carta de sua mãe, cheia de coisas tristes, quase desesperadas. E agora não podia retardar mais o seu regresso à casa paterna.Quando compreendeu que, sem mais demora, o seu dever o mandava seguir para o lugar onde estava a verdadeira dor, ­invadiu-o uma angústia, e o primeiro movimento de amor filial foi pouco a pouco vencido por uma irritação crescente cuja aspereza aumentava à medida que surgiam na sua consciência, mais nítidas e numerosas, as imagens do conflito próximo. E essa irritação tornou-se em pouco tempo tão acerba que o dominou completamente, insistente, misturada com os aborrecimentos materiais da partida e pela tristeza das despedidas.A separação foi mais cruel que nunca. Giorgio atravessava um período de sensibilidade hiperaguda. A excitação de todos os seus nervos mantinha-o num contínuo estado de inquietação. Parecia descrer da felicidade prometida, da paz futura. Quando Ippolita lhe disse adeus, ele perguntou:

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I. O PASSADO

Gabriele D'Annunzio Grupo Almedina PDF Criptografado

iO PASSADO1Ippolita parou de repente quando viu um grupo de homens debruçados no parapeito a olhar para a rua.– Que terá acontecido? – perguntou, esboçando um pequeno gesto de receio ao pousar involuntariamente a mão no braço de­Giorgio, como que para o segurar.– Certamente foi alguém que se atirou do terraço – disse ele, observando a atitude dos homens. – Queres voltar para trás?Ela hesitou por um momento, suspensa entre a curiosidade e o temor, mas acabou por responder:– Não. Vamos.Avançaram ao longo do parapeito, até ao extremo da alameda.Ippolita acelerava instintivamente o passo em direção ao grupo de curiosos. Naquela tarde de março, o Píncio estava quase deserto e naquela atmosfera pesada e entorpecida vagos rumores desfaleciam.– Como previ – confirmou Giorgio. – Matou-se alguém.Pararam perto do ajuntamento. Todos os espectadores fitavam, com olhares atentos, a calçada lá em baixo. Era gente do povo, sem nada para fazer, com fisionomias muito distintas, sem um reflexo de compaixão ou tristeza; a imobilidade do olhar refletida nos olhos como uma espécie de espanto bestial.

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Anexos

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Anexos

Relação dos livros proibidos

Abajur lilás: teatro — Plínio Marcos, Global Ed.

Abbey opens up — Andrew Laird

ABC do comunismo — Alexeyevich Evgeni Preobrazhensky

Actas tupamares: uma experiência de guerrilha urbana no

Uruguai

Adelaide, uma enfermeira sensual — Marilyn Monray, Cristal

Ed. (RJ)

Adoráveis gatinhas — René Clair

Ahnnn... — Camille La Femme

Aldeia da China Popular, Uma — Jan Myrdal

Aliciadora feliz, A — Xaviera Hollander

All juiced up — Veronica Ming

Alô sim... — Madame Claude

Amada amante — Ivonit Karystyse

Amado amante negro — June Warren, Publicações Sucessos

Literários

Amante amada — R. Barnes, Mek Ed. (SP)

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Anexos

Amante de Kung Fu, A — Lee van Lee

Amante insaciável, O — James Garan

Amantes e exorcistas — Wesley Simon York

América Latina: ensaios de interpretação econômica — José Serra e outros

Amor a três — Brigitte Bijou

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Torre de papel

Deonísio da Silva Editora Manole PDF Criptografado

Torre de papel

Origens e formação de um caso-síntese

A

ditadura militar, que marcou o período histórico entendido como Velha República, começa no dia 1º de abril de 1964, mas, por motivos vinculados ao folclore da pátria e seus usos e costumes, esta data foi recuada para 31 de março.

Alterações semânticas foram processadas em seguida, e o golpe de Estado, ocorrido no “dia da mentira”, passou a ser conhecido como Revolução de Março, Revolução de 64 etc. Seu término dá-se vinte anos depois, em 1984, com a eleição indireta, realizada pelo Congresso Nacional, de Tancredo Neves para a Presidência da República. Tendo o eleito morrido antes da posse, coube ao vice-presidente, José Sarney, ex-presidente do partido que dava sustentação parlamentar ao antigo regime, substituir o general

João Baptista de Oliveira Figueiredo, último presidente do chamado ciclo autoritário.

As relações entre a nova ordem, imposta a partir de 64, e os intelectuais foram marcadas por tensões e conflitos, acentuados em dois períodos distintos: após a edição do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, e durante o governo do general Ernesto

Geisel.

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A proibição

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A proibição

Os bastidores da censura

O

caso Rubem Fonseca começa, para a censura, em 1976, com a proibição de Feliz Ano Novo, publicado no ano anterior pela Editora Artenova. Seu autor, “bem-sucedido executivo

(diretor da Light), realiza o que os profissionais da marginália não conseguem com suas caspas e incompetência ante o sistema e a literatura”, declara Affonso Romano de Sant’Anna em comentário para a revista Veja de 05 de novembro de 1975. Na mesma resenha, o poeta de Que país é este? parece antever a condenação do livro ao afirmar: “Uma leitura superficial desta obra pode tachá-la de erótica e pornográfica.”

Não foi outra a leitura da censura. E, em 15 de dezembro de

1976, a tesoura do ministro da Justiça do governo Geisel aparava

Feliz Ano Novo, depois de 30.000 exemplares e de várias semanas na lista dos dez mais vendidos da Veja. O despacho de Armando

Falcão dizia:

Nos termos do parágrafo 8º do artigo 153 da Constituição Federal e artigo 3º do Decreto-Lei nº 1.077, de 26 de janeiro de 1970, proíbo a publicação e circulação, em todo o território nacional, do livro

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