99 capítulos
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9786587017099

00:60 00:00

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

voltar lá, perguntar, averiguar, descobrir se, acaso, a mulher não dez dias da visita feita à relojoaria, nada aconteceu. Pensei em maior se manifestasse. Só que, para a minha decepção, após

Em casa, sozinho, passei dias esperando que, de fato, o sentido

Um sentido com nome, corpo e alma: Anne. têm – mas minha vida, desde o acidente, ganhara novo rumo. agarrar as lembranças de volta – um tesouro para quem não as recordar coisas tristes, estava? Claro que era maravilhoso marcou muito, eu sabia. Mas eu não estava em casa para relógio de pulso do meu pai. Foi um dia triste, um tempo que me envolto em tique-taques tantos, lembrei de quando peguei o o sorriso grudado no rosto. Fechei a porta e fui me sentar. Ali, aos montes? A gente tem cada mania! Vendo-os, continuei com tinha a lembrança de ter tantos relógios. E por que eu os queria nas paredes da minha sala, alguns relógios pendurados. Eu não um sorriso. Silencioso, mas muito significativo. À minha frente, engraçado. A primeira coisa que fiz ao abrir a porta, foi soltar

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:57 00:03

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

“O médico já vem olhar o senhor, viu?”, voltou a dizer a consegui.

Umideci os lábios com a língua seca. É estranho, mas

Olhando-a, entendi que era uma enfermeira. já que o gesto não foi nem que estava bem, nem que não estava.

Só balancei a cabeça, não respondi. Nem me fiz entender,

“Como o senhor está, seu Ataíde?” parecia parado. Finalmente, ela disse: escutou não sei o que, pois, para mim, meu velho coração os aparelhos. E colocou um outro aparelho em meu peito. E

E chegou perto. E passou uma das mãos em meu rosto. E olhou

Mas embora parecesse mecânica, tipo máquina, ela sorriu. devagar como se os gestos e os passos fossem bem ensaiados.

Outra mulher de branco apareceu, vindo da porta, andando não sabia. Não me lembrava de nada, ou quase nada. mulher que poderia ser a minha filha, caso eu tivesse uma. Mas cara abatida, rosto meio azulado. Do esquerdo, uma jovem camas, deitadas igual a mim. No lado direito, um senhor de despertasse de vez. À minha volta, outras pessoas. Todas nas monitorando feito robô. O bip repetitivo, insistindo para que eu o mundo em que me encontrava. Cama. Aparelhos ligados me a vista embaçada. Aos poucos, foi se adequando, desvendando encontrou um caminho que me fez abrir os olhos. Primeiro

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:56 00:04

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

Na página seguinte, um menino e uma menina de mãos uma mulher sorrindo com o bebê nos braços. mente uma mulher feliz. E fez outro desenho. Vi. Na folha,

Riscou porque achou a mulher triste. Depois que fez, viu na

“Por que riscou este?” cobri-lo, inutilizá-lo com rabiscos. como se a pequena Anne não gostasse mais dele e quisesse o que significava. Sobre os desenhos, alguns garranchos,

Esta carregava um bebê, ou boneca. Mas eu sabia, de verdade,

Em seguida, me mostrou outros desenhos. Uma mulher grávida.

Contou que desenhava no caderno há bastante tempo.

porque viu na mente daquele jeito, só isso.

Disse que não sabia quem era a mulher. E contou que desenhou quando faz desenhos nesse caderno?”

“Quem é essa mulher? Por que desenhou ela assim? Desde

Mesmo em receio, perguntei:

Por que a doce Anne faria um desenho desses? O que viu?

Um desenho esquartejado. Fiquei com receio de falar algo.

Separados estavam os seios. Braços. Cabeça. e, ao vê-lo, entendi. Na página, rabiscos de pedaços de corpos. ou feia. Mas não demorou para o segundo desenho ser mostrado

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:58 00:02

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

Quantas? Será que minhas lembranças eram apenas as lembrança, que Anne fora minha mulher em outras vidas.

Minha mulher. Parecia-me, por conta da nebulosidade da o nome, e também lembrei-me do mais importante: Anne. meus pais, com uma senhora negra que não me vinha ao certo

é verdade. Mas lembrei-me com felicidade de ter falado com os existiam, de jeito nenhum. Nem tudo vinha-me com clareza, após o acidente. Passei a lembrar-me de fatos que antes não adequada. Todavia, eu era, sem dúvida, um homem diferente

Minha memória, fraca, confusa, não encontrava resposta

rosto significava. O que guardavam elas? vidrados, as pupilas tentavam decifrar o que cada ruga do meu

Depois do banho, fitei-me no espelho. Parado, olhos caídos mas de 70 anos tem quando está sozinho num banheiro de hospital. fiz as coisas com cuidado. Um cuidado normal que toda pessoa

Claro que mesmo sem o soro, sem nada para me preocupar, ridícula de hospital e tomar um banho.

No banheiro, mijei. E aproveitei para livrar-me daquela roupa manhã, já não carregava nada, estava bem. o soro, tomar cuidado com a agulha espetada na veia. Nesta ao banheiro. Bom andar sem ter que arrastar pedestais, segurar da cama, não antes de me sentar por alguns instantes, e fui porém seguro para um homem da minha idade. Levantei-me

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:55 00:05

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

e fiz o que me restava: esperar. Deitado em minha cama, em perguntas. Acabei deixando os pensamentos desvanecerem-se quinze anos não foi capaz de responder a nenhuma dessas minhas lembranças de adulto, evidente que minha mente de para, de fato, entender a vida? Embora eu trouxesse felizes, eu e a pequena Anne? Teria, Deus, me feito morrer mostrou-me que, sim, nós tínhamos melhorado, éramos capacidade de ver gente morta a maneira que Ele, o salvador, casarmos? Teria sido essa minha regressão, essa minha

Por que deixou-a morrer impedindo-a de crescer e nos

Por que Deus não me deixou conhecê-la na minha vida atual? disso. A menina Anne, por sua vez, era minha Anne perfeita. que, no fim, partiu contente. Ficamos melhores, eu e ela, sei

Anne. Neste tempo em que vivo, até a aceitei. E falei para ela verdade. Mas, verdade seja dita, não matei minha segunda erros, é verdade. Com o coração em pedras, também é tornei uma pessoa melhor com a segunda. Ainda com muitos do ato horrendo que fiz com minha primeira Anne, me divino para todos, qual seria o meu? Me pareceu que depois dias nessa vida (morte?), ou na próxima. Se há um plano agora, encontrar a minha felicidade antes dos meus últimos estar deles – minha mãe e meu pai – soube que faltava-me, marcado como uma longa conversa. Complacente com o bemEmbora pouco houvesse falado com meu pai, o encontro ficou

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:54 00:06

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

Com evidência física ou não, a cena que dona Rosi contou ali, há poucos dias, havia acontecido um acidente.

A relojoaria estava exatamente igual. Não era evidente que de todas as vezes fazer mais e mais. anos que, não importa o modo que se encontra, tem a vontade

Cheguei esbaforido, mas com a energia de um garoto de quinze num tempo só. Fui correndo, muito, muito rápido. beijo grande no rosto da dona Rosi. Apertei. Beijei e saí, quase eram a morte. Ou a vida dele na morte, sei lá. Sei que estalei um importantes para o meu pai. Tinham sido a vida dele. Agora

Estava certa, a dona Rosi. Os relógios também eram muito poderia tentar achar ele lá naquela casa dos relógios.”

“Às vezes a pessoa aparece, outras, não. Acho que você

“Como assim? Eu não o vejo!”

“Ué, e por que ocê não vai falá com ele?”

“Tenho saudades do meu pai.” assustada com essa história da morte. Mudei de assunto.

Estava. Eu não ia mesmo deixar a pequena Anne triste e

“Tá bom. Então não fala. Ela é feliz assim, tá certo?”

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:53 00:07

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

No meio do desejar e do acontecer, fui para a cozinha. visto. E também não via meu pai. Deu saudades. Desejei vê-lo. que não estava naquela hora, pelo menos eu não a tinha cozinha. E não era a dona Rosi que ria. Tampouco minha mãe, ficar imaginando histórias, para escutar uma risada vir da

E foi o tempo de eu ir para o quarto, ficar olhando gibis, e

“Daqui a pouco ela aparece, você vai ver.” a dona Rosi.

Mami era o nome carinhoso que eu, nesta idade, chamava

“Acha que vou ver mesmo a Anne, Mami?”

Rosi me fez querer estar perto dessa Anne. momento era encontrá-la. Ouvir a história contada pela dona

Sabendo que existia a menina Anne, tudo o que eu queria no o pensamento. Não queria voltar a tocar nesse assunto.

Se de fato estou morto, é fácil ser anjo, pensei. Só que guardei

“Você tá parecendo um anjo, meu menino.”

Dona Rosi, acho que só para me agradar, proferiu: olhos claros saltavam do rosto ainda mais alvo que antes. ao menos interessante na minha avaliação, é que os meus contado dona Rosi, me marcavam a face ossuda. O interessante,

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:49 00:11

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

curta, o short, e, na maioria das vezes, a sandália nos pés do relato. Embora eu quisesse me fazer de homem, a camisa

“A quem eu queria enganar?”, perguntou dona Rosi, no meio que eu já me fazia de moço, honrando meus quinze anos. da deliciosa companhia dela. Bastava alguém nos observar observados por ninguém, eu não me intimidava, não desgrudava amizade. O que acontecia era que, enquanto não éramos me encontrar querendo ignorá-la, a despeito do carinho e intensa achava a menina Anne muito, muito criança. Então, era natural inseparáveis amigos, embora, segundo conta a dona Rosi, eu aconteceram. Não demorou para que Anne e eu nos tornássemos

Depois daquela agradável primeira visita, muitas outras miúda Anne, que só fazia brincar e sorrir em meio aos relógios. deveria saber o que era o amor naquela idade. Muito menos a menina. Talvez pela beleza que ela estampava, já que eu não relojoaria, viu o meu olhar um tanto admirado para a pequena explicou dona Rosi, que também me acompanhava na encaracolados, parecia uma boneca, não gente. Naquele dia, onde meu pai trabalhava. Olhos claros, cabelos cheios, na relojoaria acompanhada do pai, o dono do estabelecimento

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:47 00:13

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

me puxou para o lado e falou baixinho em meu ouvido: olhar. Antes da minha mãe lançar resposta, ela, dona Rosi,

Dona Rosi, escutando a conversa, me repreendeu com o

“Não, mãe, não é isso. Quando a senhora morreu?”

“Nunca deixei você, filho.” senhora me deixou?” Enxuguei as lágrimas.

“Mãe”, comecei, um pouco sem jeito. “Quando, quando a na sua bela imagem. Tão bonita, a minha mãe!

Resolvi perguntar, entre um soluço e outro – olhos vidrados

Devo ter sofrido sua perda. Só que não me lembro de nada. tempo passado, ela se fora, me deixando ainda criança. sabia que ela era morta agora, sim porque, nalguma brecha do ela morrera antes. Comecei a chorar. Não porque aos 17 anos, via a minha mãe morta, o significado era claro: já vista, pois, agora, eu sabia: ela estava morta. E, se eu ali,

Ver minha mãe foi diferente de ver qualquer outra pessoa do tempo, só que no meu caso, um tempo regresso.

Ao fim de tudo, eu era o que todo mundo é, um prisioneiro agarrava-me sem me dar qualquer possibilidade de defesa. um descanso distraído e pronto, o tempo me alcançava, tempo, tão rápido era. Bastava um cochilo, um piscar de olhos, todas as vezes acontecia, sequer eu percebia a mudança do anos porque eu já estava com dezessete. Claro que, como

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:51 00:09

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

“Um dia vou te ver de novo e vamos nos casar.” caixãozinho. “Mu aid uov et rev ed ovon e somav son rasac.” acidente. Dona Rosi disse que deixei um bilhete em seu mesmo nada a ser feito. Anne morreu duas semanas depois do maneira bem diferente, deixando-me impotente. E não houve

Aos 15 anos, portanto, a dor da morte já me abraçava de quando ela ia voltar. Não voltou, e eu esqueci. falta da minha mãe e, por um tempo longo, fiquei perguntando entendia sobre a via e a morte. Não sofri. Apenas sentia

Quando minha mãe se foi, eu, muito, muito criança, nada fácil perder a Anne.

Não é possível ser forte frente a morte de um pai. Não seria fundo, eu tentava ser forte, mostrar-me homem. Como? os três, abraçados, chorando. E ela também contou que, no afeto e otimismo. Um dia, dona Rosi disse que nos viu, hospital. Ali, além de esperar a melhora da filha, me ofereciam

Os pais de Anne, abalados demais, também não deixavam o bem e, na verdade, as chances de vida eram remotas.

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:50 00:10

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

preocupado com isso. Dona Rosi contou que eu disse a ela que original da Alemanha, de 1870. Mas é claro que eu não estava cambaleante, repetindo, cuco, cuco, cuco. Aquele relógio era choque, começou a marcar a hora. O Cuco ficou ali fora, meio

Foi grotesco. Na hora que ela caiu, atingiu o relógio que, pelo no pescoço, sob um relógio Cuco, parcialmente destruído. atingida a pequena Anne, que tombou com um corte profundo loja, também atingiu o cliente, jogando-o longe. Junto, foi

Esmagou o meu pai. Ao lançar-se sem freios pelo interior da a direção e invadiu a loja violentamente. Esmagou a vitrine. quando, de modo completamente absurdo, um Ford 53 perdeu apanhando um relógio na vitrine para mostrar ao cliente

Na relojoaria, eu, Anne, meu pai e um cliente. Meu pai estava acidente. O inesperado aconteceu numa tarde de sexta-feira.

A pequena Anne, claro, não namorou comigo, impedida pelo papai. Contou, a dona Rosi, que eles caíram na gargalhada. adaroman”. Queria dizer, “Quero ser sua namorada”, respondeu

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:48 00:12

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

que lhe acontecesse algo antes do nascimento. Mas, felizmente, submetia a algum esforço desnecessário. Tinha, evidente, medo extremamente apreensiva todas as vezes em que eu me prestativa, preocupada, atenta. Por isso, também se mostrava

“Naquela época, a dona Rosi já vivia conosco. Sempre boa, tempo único. Demorou o olhar mais na dona Rosi. Continuou:

Minha mãe sorriu. Olhou para mim e para dona Rosi num com medo de você nascer entre uma dança e outra.”

Às vezes, eu e seu pai nos púnhamos a dançar na sala, sempre

Camisa Listrada. Ah, como eram músicas bonitas, filho! me entregava às músicas de sucesso Touradas em Madri,

A situação só melhorava quando eu, admirada, quase alegre, nem um pouco adequados a uma mulher em meu estado. dias e, não raro, às noites maldormidas, eram tensos, realmente rádio que eram transmitidas no programa Hora do Rádio. Os

Mesmo assim, eu não conseguia me desgrudar das notícias do confortadora, vivia dizendo para eu não ficar apreensiva demais. preocupava mais do que o necessário. Seu pai, figura sempre

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:59 00:01

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

para a mulher do balcão, que me recebeu com sorriso. Quanto

foto. Emocionado, um pouquinho trêmulo, estendi a imagem fazer exatamente o que eu iria fazer agora: entregar a minha a certeza, lembrança viva, de já ter estado ali antes para

Cheguei. Ao entrar na relojoaria – o coração aos pulos – tive ser a lembrança mais importante do momento. claro que não me importei. Afinal, aquela relojoaria me parecia relojoaria e não me recordava tão claramente de outras. Mas é

Não sei ao certo porque lembrava tão claramente dessa

“Me leva na relojoaria da Barata Ribeiro.” digitais. Agradeci. Voltei para o táxi e pedi: bem contrastada. Resultado, sem dúvida, das novas maravilhas

Eu estava bonito na foto. Velho, mas bonito. Imagem nítida, o táxi e qualquer outra repentina eventualidade. carregava na carteira. Me certifiquei de deixar notas para pagar

Paguei com um pouco do dinheiro amassado e velho que eu feias, 3x4. Valia a pena. Foto boa. Tamanho grande.

Tiravam. Paguei trinta reais por uma foto. Mas não era dessas

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:52 00:08

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

“Tem alguma coisa que eu possa fazer?”

Entre um fazer de sentido e outro, ainda perguntei: casado. As coisas faziam sentido, por mais estranho que fossem. terem me dito, quando eu ainda era velho, que eu não era

Assim que ela explicou, entendi o porquê de algumas pessoas tá vivendo.” encontrar as sua Anne agora, nessa mistura de tempo que você a sua Anne nessa vida. Acho que, por isso, veio pra cá, para

“Não, não foi. Por causa desse acidente, você não encontrou peito e, finalmente, sem mais espera, disse: ombros. Sentamos no sofá. Dona Rosi puxou o ar, encheu o

Dona Rosi e minha mãe me levaram para sala, as mãos em meus

Eu fui casado com a Anne nessa vida, dona Rosi?”

Não encontrei fotos, nada que mostrasse nossa convivência.

“Eu nunca me lembrei da Anne, como ela era, como vivíamos.

“Se eu souber, digo.” então, dizer uma coisa sobre o meu futuro, dona Rosi?”

“A senhora disse que já viveu no passado, no futuro. Pode,

“Acho que era, sim, meu menino.”

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:45 00:15

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

vai sêr melhor.”

“Pode ser tudo verdade. Pode ser. Aceita a moça e o filho, porém calma. Disse, por fim: olhamos, quietos, por muito tempo. Ela mostrava-se pensativa,

O rangido da cedeira permaneceu entre eu e a dona Rosi. Nos

“Ficar. Quer, quer que eu aceite o filho morto.”

“O que a moça quer?”

“Saiu nos jornais da época, dona Rosi.” esquartejamento?”

“Sei não. De onde a moça podia ter lido sobre o tal do identificou. Acho que ela não é normal.”

“Acho que ela leu em algum lugar sobre o acontecido e se

“E o que você acha?” daquela época!” esquartejamento. Disse, disse que as marcas no corpo vêm afirma que a criança não está morta. Ela, ela sabe do

“Ela, ela diz que foi Anne, minha primeira mulher. Também

“Será mesmo, meu menino? O que é que tá escrito aí?”

“Ela está louca”, eu disse, depois de um longo, longo silêncio. de “sente-se”. Me sentei. Mãos trêmulas ao segurar a carta. perturbação e, com os olhos, mostrou-me o sofá num gesto descansava o corpo no vai e vem da cadeira. Viu minha uma nesga de ar. Estava sufocado. Na sala, dona Rosi

Ver todos os capítulos

Carregar mais