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XII RUA GONÇALVES DIAS, 34, PETRÓPOLIS

Deonísio Da Silva Editora Almedina PDF Criptografado

XII

RUA GONÇALVES DIAS, 34, PETRÓPOLIS

“Tão linda que o mundo espanta!/ chove nela graça tanta/ Que dá graça à formosura;/ Vai formosa, e não segura.”

Frida entrou no bangalô com muito mais facilidade do que na noite anterior. Na sala, Stefan lê. Concentrado na leitura e nas anotações, ele não percebeu a entrada da mulher. Quando enfim dá de cara com ela de arma em punho, seu olhar é de quem acabou de ver uma assombração. Os primeiros momentos são de grande tensão, ela não entrou ali para não fazer nada. Fala em alemão com ele.

— O senhor está sozinho na casa?

— Não.

— Quem mais?

— Ela.

— Onde?

— No quarto. Dorme.

— Falemos baixo, então, não é preciso acordá-la.

— Nossa conversa jamais a acordará. Tomou pesado sonífero.

E baixe a arma. Não ameaço a vida de ninguém.

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deonísio da silva

— Sabemos disso. Mas preciso revistá-lo.

Frida aproxima-se cautelosa, pede que ele se levante e o revista dos pés à cabeça. Stefan poderia desferir-lhe um murro na cabeça quando ela, acocorada ao pé dele, revista as meias dos sapatos, fazendo-lhe cócegas, mas ele é de paz e semelha a um animal que está sendo levado ao matadouro, com a diferença de que sabe o que lhe advém.

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II. A CASA PATERNA

Gabriele D'Annunzio Grupo Almedina PDF Criptografado

iiA CASA PATERNA1Nos fins de abril, Ippolita partiu para Milão, chamada por sua irmã cuja sogra acabava de morrer. Giorgio devia também partir à procura da terra desconhecida. E pelos meados de maio tornar-se-iam a encontrar.Mas, justamente nessa época, Giorgio recebeu uma carta de sua mãe, cheia de coisas tristes, quase desesperadas. E agora não podia retardar mais o seu regresso à casa paterna.Quando compreendeu que, sem mais demora, o seu dever o mandava seguir para o lugar onde estava a verdadeira dor, ­invadiu-o uma angústia, e o primeiro movimento de amor filial foi pouco a pouco vencido por uma irritação crescente cuja aspereza aumentava à medida que surgiam na sua consciência, mais nítidas e numerosas, as imagens do conflito próximo. E essa irritação tornou-se em pouco tempo tão acerba que o dominou completamente, insistente, misturada com os aborrecimentos materiais da partida e pela tristeza das despedidas.A separação foi mais cruel que nunca. Giorgio atravessava um período de sensibilidade hiperaguda. A excitação de todos os seus nervos mantinha-o num contínuo estado de inquietação. Parecia descrer da felicidade prometida, da paz futura. Quando Ippolita lhe disse adeus, ele perguntou:

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VI BREVIÁRIO DE NOSSA PEQUENEZ

Deonísio Da Silva Editora Almedina PDF Criptografado

VI

BREVIÁRIO DE NOSSA PEQUENEZ

“Quem faz injúria vil e sem razão,/ Com forças e poder em que está posto,/ Não vence, que a vitória verdadeira/ É saber ter justiça nua e inteira.”

Vou me matar hoje. Aguardo apenas a noite chegar. A escuridão será a ponte entre o dia e a longa e misteriosa treva da qual tão pouco sabemos por evitar estudá-la, ainda que estudemos assuntos dos quais jamais trataremos.

A morte é mais certa do que o nascimento. Os seres vagam potencialmente no universo, mas muitos não chegam a nascer.

Os que nascem, porém, morrem!

Sou um judeu austríaco que, vagando pelo mundo como folha ao vento ou nave ao léu, veio parar no Brasil, onde espera que enterrem seus ossos. A linda e jovem judia polonesa, minha segunda esposa, que dorme aqui no outro cômodo de nosso bangalô petropolitano, vai morrer também. Ela tem poucos amigos, de sua existência quase ninguém sabe nada. Por enquanto. Meu nome é Stefan Zweig. Faz dois anos que moro no Brasil, depois deter vivido em muitos lugares. O último deles foi Nova York,

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Literatura e poder

Deonísio da Silva Editora Manole PDF Criptografado

Literatura e poder

A luta entre o Escritor e o

Estado nos tribunais

A

parecem resumidas no processo as alegações da ré, no caso a

União, que, obrigada em juízo, teve de dar as razões da censura, feita com uma simples canetada do Sr. Armando Falcão, ministro da Justiça. São quatro as alegações consideradas pelo juiz: a) “que o livro em apreço fere, de modo brutal, preceitos éticos de qualquer sociedade estruturada, pois a linguagem vulgar adotada e os próprios temas dos contos procuram demonstrar a perversão e a maldade que se obtêm pelo estudo de diversas camadas sociais, e que chega a causar repugnância ao leitor mais aberto a ideias”. b) que, pior ainda do que o linguajar indecoroso, é a mensagem apresentada e transmitida, em cujo contexto se faz “a apologia do crime e do criminoso”. c) que o direito de emissão de pensamento está condicionado ao respeito à moral e aos bons costumes e que “ao órgão estatal encarregado da censura compete, com exclusividade, interpretar aquilo que em cada momento histórico constitui a moral do homem médio” e que esse ato da censura seria imune ao controle judicial.

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Torre de papel

Deonísio da Silva Editora Manole PDF Criptografado

Torre de papel

Origens e formação de um caso-síntese

A

ditadura militar, que marcou o período histórico entendido como Velha República, começa no dia 1º de abril de 1964, mas, por motivos vinculados ao folclore da pátria e seus usos e costumes, esta data foi recuada para 31 de março.

Alterações semânticas foram processadas em seguida, e o golpe de Estado, ocorrido no “dia da mentira”, passou a ser conhecido como Revolução de Março, Revolução de 64 etc. Seu término dá-se vinte anos depois, em 1984, com a eleição indireta, realizada pelo Congresso Nacional, de Tancredo Neves para a Presidência da República. Tendo o eleito morrido antes da posse, coube ao vice-presidente, José Sarney, ex-presidente do partido que dava sustentação parlamentar ao antigo regime, substituir o general

João Baptista de Oliveira Figueiredo, último presidente do chamado ciclo autoritário.

As relações entre a nova ordem, imposta a partir de 64, e os intelectuais foram marcadas por tensões e conflitos, acentuados em dois períodos distintos: após a edição do Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, e durante o governo do general Ernesto

Geisel.

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IX A NOITE DAS BRUMAS

Deonísio Da Silva Editora Almedina PDF Criptografado

IX

A NOITE DAS BRUMAS

“Jazia-se o minotauro/ Preso num labirinto/ Mas eu mais preso me sinto”.

Joseph reúne seu grupo. Frida chegou atrasada. Hoje está de vestido, o que causa certo desconforto em Joseph e nos outros.

Vestida de homem, as formas se diluem um pouco, a calça não

é apertada, a blusa é larga, o boné esconde os cabelos, e ela raramente usa batom.

Mas hoje está dentro de um vestido estampado que, embora largo e solto, revela as suas benemerências. O sutiã parece pequeno para esconder tanto seio, e, quando ela se senta, os panos, dispostos em abas, revelam alguns indicadores de sua beleza.

Frida não tem barriga, a cintura é fina, e os pés são pequenos, o que não se pode perceber quando ela está de botas. Hoje está de salto alto. São saltos quadrados, pequenos, mas altos.

— Frida — diz Joseph —, qual foi o motivo do atraso? Você sabe que na operação qualquer demora pode ser fatal.

Gustav e Helmut não gostam da repreensão a Frida, mas engolem seco, o chefe é o outro. Frida se explica:

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VI. A INVENCÍVEL

Gabriele D'Annunzio Grupo Almedina PDF Criptografado

viA INVENCÍVEL1Escolhido por um amigo e alugado em Ancona, expedido paraS.  Vito e transportado com grande trabalho para o Ermo, o piano foi recebido por Ippolita com uma alegria infantil. Colocaram-no na sala a que Giorgio chamava biblioteca, a maior e melhor da casa, onde estava o divã com os seus almofadões, as grandes cadeiras de vime, a rede de dormir, as esteiras, os tapetes, todos os objetos favoráveis à vida horizontal e ao sonho. De Roma, veio-lhes também uma caixa com músicas.Durante muitos dias, foi um novo delírio. Ambos, invadidos por uma sobrexcitação quase louca, renunciaram a todos os seus hábitos, esqueceram tudo e abismaram-se completamente naquela volúpia.Não os incomodava já a sufocação das longas tardes; não tinham as pesadas e irresistíveis sonolências, podiam prolongar os serões quase até à madrugada; podiam estar muito tempo sem comer, que nada sofriam, nem davam conta de nada, como se a sua vida corporal se purificasse, como se a sua substância se sublimasse e se despojasse de todas as vis necessidades. Julgavam sentir crescer a sua paixão, quimericamente, para além de todos os limites, e o palpitar do seu coração atingiu um poder prodigioso. Às vezes, parecia-lhes terem encontrado aquele minuto de supremo esquecimento, aquele minuto único que passou por eles no primeiro crepúsculo, e a sensação inexprimível de sentir indefinidamente dispersar-se no espaço

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O manuscrito e o palimpsesto

Deonísio da Silva Editora Manole PDF Criptografado

O manuscrito e o palimpsesto

A arte de matar, amar e escrever

E

stas são palavras de Sheringford Holmes na novela Um estudo em vermelho, livro de estreia de Conan Doyle, publicado originalmente nas páginas de Strand Magazine, nos finais do século XIX: “Na meada incolor da vida, corre o fio vermelho do crime, e o nosso dever consiste em desenredá-lo, isolá-lo e expô-lo em toda a sua extensão.”

Com o nome logo mudado para Sherlock Holmes, o personagem ficou tão conhecido que hoje a criatura é muito mais célebre que o criador. Sir Arthur Conan Doyle considerava o romance policial um gênero menor, e muitas das histórias envolvendo Sherlock

Holmes e o Dr. Watson foram escritas a contragosto para atender aos desejos do público. Doyle dava importância a outros projetos literários, considerados mais refinados, e por isso dedicou-se a obras como A companhia branca, As aventuras de Miquéias

Clarke, Escudeiro heroico etc.

Passou a impor preços altíssimos para as narrativas onde brilhavam a inteligência e a capacidade descomunal de fazer deduções de Sherlock Holmes. De nada adiantou. Os editores cobriam as exigências do autor. Irritado, Doyle matou o personagem em

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III O ÚLTIMO DIA DA MINHA VIDA

Deonísio Da Silva Editora Almedina PDF Criptografado

III

O ÚLTIMO DIA DA MINHA VIDA

“Transforma-se o amador na coisa amada,/ Por virtude de muito imaginar;/ Não tenho, logo, mais que desejar,/ Pois em mim tenho a parte desejada.”

É muito bom esse sistema de o leitor receber em domicílio o livro que não pediu. Nem todos os leitores sabem o que precisam ler, ficam indecisos, assim o Clube do Livro da Editora

Guanabara Koogan vai entregando os títulos que o editor ou os leitores escolheram. Não há risco de distribuir encalhes de livros imprestáveis, já que o senhor Koogan é muito criterioso na escolha dos originais a publicar.

Escritor é viciado em livros. Não apenas os escreve, mas os lê, ama, convive com eles como se fossem amigos. O melhor amigo do ser humano não é o cachorro, é o livro. O cachorro é submisso; o livro, não! O ex-amigo te ofendeu ou te traiu, o livro, não! Você pode abandoná-lo na estante, mas ele será sempre o mesmo e só mudará se você mudar antes de o ler, já que cada livro é outro a cada leitura. Escritor é assim: vai morrer hoje, mas morre pensando no seu vício.

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XIII APONTAMENTOS PARA UM DIKTAT

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XIII

APONTAMENTOS PARA UM DIKTAT

“Mas, conquanto não pode haver desgosto/ Onde esperança falta, lá me esconde/ Amor um mal, que mata e não se vê;/ Que dias há que na alma me tem posto/ Um não sei quê, que nasce não sei onde,/ Vem não sei como, e dói não sei por quê”.

Joseph pede a Frida algumas anotações e, não se sabe por quais patologias, quer explicar seu ato à vítima:

— O senhor deve saber que morrer é melhor do que viver...

— Então, morra o senhor! Eu quero viver!

— Não me deixou completar a frase, embora seja um homem bem-educado. Morrer é melhor do que viver quando não se pode ou não se deve mais viver.

— Sim, sei, e são os senhores que sabem quando é melhor viver, quando é melhor morrer. Não aprenderam a lição de Miguel de

Unamuno, dada aos berros ao comandante franquista, que gritou na Universidade de Salamanca: “Viva a morte!”.

— Sei mais do que o senhor imagina. Ele não gritou apenas

“Viva a morte!”, ele gritou também “Abaixo a inteligência!”.

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A proibição

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A proibição

Os bastidores da censura

O

caso Rubem Fonseca começa, para a censura, em 1976, com a proibição de Feliz Ano Novo, publicado no ano anterior pela Editora Artenova. Seu autor, “bem-sucedido executivo

(diretor da Light), realiza o que os profissionais da marginália não conseguem com suas caspas e incompetência ante o sistema e a literatura”, declara Affonso Romano de Sant’Anna em comentário para a revista Veja de 05 de novembro de 1975. Na mesma resenha, o poeta de Que país é este? parece antever a condenação do livro ao afirmar: “Uma leitura superficial desta obra pode tachá-la de erótica e pornográfica.”

Não foi outra a leitura da censura. E, em 15 de dezembro de

1976, a tesoura do ministro da Justiça do governo Geisel aparava

Feliz Ano Novo, depois de 30.000 exemplares e de várias semanas na lista dos dez mais vendidos da Veja. O despacho de Armando

Falcão dizia:

Nos termos do parágrafo 8º do artigo 153 da Constituição Federal e artigo 3º do Decreto-Lei nº 1.077, de 26 de janeiro de 1970, proíbo a publicação e circulação, em todo o território nacional, do livro

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Documentos

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Documentos

Ação movida pelo Autor contra a União

Petição inicial, deflagradora da ação movida por

Rubem Fonseca1

Exmo. Sr. Dr. Juiz Federal da Vara

Rubem Fonseca, que também se assina José Rubem Fonseca, brasileiro, escritor e advogado, residente à rua ..., vem propor

Processo Ordinário contra a União Federal, com base nos fatos e razões de direito que expõe a seguir.

Requer a citação da Ré na pessoa do Sr. Procurador da República, com apoio na Constituição da República, art. 153 § 8º.

Requer prova testemunhal e pericial.

Dá à causa, para efeito de custas, o valor de Cr$ 100.000,00.

Rio de Janeiro, 28 de abril de 1977

Clovis Ramalhete

1

Os documentos aqui transcritos foram obtidos junto ao Ministério da Justiça,

1ª vara Federal do Rio de Janeiro e Tribunal Federal de Recursos.

Por apresentarem erros de ortografia e pontuação, alguns deles foram revisados, a fim de facilitar sua leitura e compreensão.

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XVII LOTTE TALVEZ ESTEJA AQUI

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XVII

LOTTE TALVEZ ESTEJA AQUI

“Ao vício vil, de quem se viu rendido,/ Mole se fez e fraco; e bem parece,/ Que um baixo amor os fortes enfraquece.”

Brasil. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Centro Acadêmico XI de Agosto. Abril de 2000.

Os painelistas querem saber quem matou Stefan Zweig e sua mulher Lotte na madrugada de 22 para 23 de fevereiro de 1942.

Indagam por que razão aquelas pompas fúnebres foram tão apressadas e a morte dos dois, tão mal investigada.

Um dos debatedores diz que é preciso analisar com perspicácia os recados deixados por um escritor que, sendo romancista, dizia as coisas mais importantes por meio de metáforas e outras figuras de linguagem repletas de sutilezas. E conclui:

— Ele morreu jogando xadrez, e seu último romance é sobre um jogo de xadrez. Alguma coisa ele quis nos dizer com esses avisos.

Num quadro luminoso, estão estampados trechos escolhidos do livro do jornalista Alberto Dines, Morte no Paraíso, publicado

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Anexos

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Anexos

Relação dos livros proibidos

Abajur lilás: teatro — Plínio Marcos, Global Ed.

Abbey opens up — Andrew Laird

ABC do comunismo — Alexeyevich Evgeni Preobrazhensky

Actas tupamares: uma experiência de guerrilha urbana no

Uruguai

Adelaide, uma enfermeira sensual — Marilyn Monray, Cristal

Ed. (RJ)

Adoráveis gatinhas — René Clair

Ahnnn... — Camille La Femme

Aldeia da China Popular, Uma — Jan Myrdal

Aliciadora feliz, A — Xaviera Hollander

All juiced up — Veronica Ming

Alô sim... — Madame Claude

Amada amante — Ivonit Karystyse

Amado amante negro — June Warren, Publicações Sucessos

Literários

Amante amada — R. Barnes, Mek Ed. (SP)

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Anexos

Amante de Kung Fu, A — Lee van Lee

Amante insaciável, O — James Garan

Amantes e exorcistas — Wesley Simon York

América Latina: ensaios de interpretação econômica — José Serra e outros

Amor a três — Brigitte Bijou

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VIII O DESCONFIADO JEREMIAS

Deonísio Da Silva Editora Almedina PDF Criptografado

VIII

O DESCONFIADO JEREMIAS

“Os gostos, que tantas dores/ Fizeram já valer menos,/ Não os aceita pequenos,/ Quem nunca teve maiores.”

O delegado Martins interroga o escrivão encarregado do relato.

— O que vocês viram na casa dele?

— Olha, doutor, ao lado das camas, no criado-mudo, havia um tubo de Adalina. Eu sei que escreveram Veronal para o inquérito, mas era Adalina. Eu sei ler e escrever. Veronal, só se botaram lá depois. O que vi era Adalina. E Adalina, o médico disse que é um remedinho de dormir, que ele não se matou com isso, não.

Que tomando tudo não mata nem uma pessoa, imagina duas.

— Você disse “ao lado das camas”? Que é isso, homem, ele dormia em duas camas?

— Doutor, ele numa cama, ela na outra.

— E as duas no mesmo quarto? Jeremias, me diga, você é casado?

— Sou, sim senhor!

— E desculpe perguntar, mas você dorme com a sua mulher?

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deonísio da silva

— E essa agora? Doutor, claro que durmo com a minha mulher.

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