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00:45 00:15

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

vai sêr melhor.”

“Pode ser tudo verdade. Pode ser. Aceita a moça e o filho, porém calma. Disse, por fim: olhamos, quietos, por muito tempo. Ela mostrava-se pensativa,

O rangido da cedeira permaneceu entre eu e a dona Rosi. Nos

“Ficar. Quer, quer que eu aceite o filho morto.”

“O que a moça quer?”

“Saiu nos jornais da época, dona Rosi.” esquartejamento?”

“Sei não. De onde a moça podia ter lido sobre o tal do identificou. Acho que ela não é normal.”

“Acho que ela leu em algum lugar sobre o acontecido e se

“E o que você acha?” daquela época!” esquartejamento. Disse, disse que as marcas no corpo vêm afirma que a criança não está morta. Ela, ela sabe do

“Ela, ela diz que foi Anne, minha primeira mulher. Também

“Será mesmo, meu menino? O que é que tá escrito aí?”

“Ela está louca”, eu disse, depois de um longo, longo silêncio. de “sente-se”. Me sentei. Mãos trêmulas ao segurar a carta. perturbação e, com os olhos, mostrou-me o sofá num gesto descansava o corpo no vai e vem da cadeira. Viu minha uma nesga de ar. Estava sufocado. Na sala, dona Rosi

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00:57 00:03

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“O médico já vem olhar o senhor, viu?”, voltou a dizer a consegui.

Umideci os lábios com a língua seca. É estranho, mas

Olhando-a, entendi que era uma enfermeira. já que o gesto não foi nem que estava bem, nem que não estava.

Só balancei a cabeça, não respondi. Nem me fiz entender,

“Como o senhor está, seu Ataíde?” parecia parado. Finalmente, ela disse: escutou não sei o que, pois, para mim, meu velho coração os aparelhos. E colocou um outro aparelho em meu peito. E

E chegou perto. E passou uma das mãos em meu rosto. E olhou

Mas embora parecesse mecânica, tipo máquina, ela sorriu. devagar como se os gestos e os passos fossem bem ensaiados.

Outra mulher de branco apareceu, vindo da porta, andando não sabia. Não me lembrava de nada, ou quase nada. mulher que poderia ser a minha filha, caso eu tivesse uma. Mas cara abatida, rosto meio azulado. Do esquerdo, uma jovem camas, deitadas igual a mim. No lado direito, um senhor de despertasse de vez. À minha volta, outras pessoas. Todas nas monitorando feito robô. O bip repetitivo, insistindo para que eu o mundo em que me encontrava. Cama. Aparelhos ligados me a vista embaçada. Aos poucos, foi se adequando, desvendando encontrou um caminho que me fez abrir os olhos. Primeiro

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00:32 00:28

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a última vez que comi. Acho que eu devia ter 70 anos!”

“Não bebo café. Nunca bebo. Nem sei, na verdade, qual foi

“Nada, deixa como tá que tá bom. Café?”

“O que isso... o que significa?” da vida, ou da morte!”

“Não se preocupe. Nem todos nós lembramos das coisas na mente. Por hora, essa lembrança ficou guardada.

O nome dela, todavia, me levou ao futuro vivido e Rosi veio

“Não... não me lembro da senhora!” que sua mãe não tinha pra dar.” tempão, tamém fui ama-seca, dando leite pra você ainda bebê,

“Rosimaria. Curandeira, parteira, faxineira, cozinheira e, por um

“Quem é a senhora?” familiar. mulher sofrida. Negra. Lembrava muito as escravas. Pareceu-me

Gorda. Os rosto bastante enrugado. Pele escura e olhar de dos oitenta, ou mais, passava um café. Forte, pelo cheiro. sabe, a mente. Na cozinha, outro susto! Uma senhora, perto

Resolvi por um copo de água para refrescar o corpo e, quem

O que, verdadeiramente, eu sabia sobre o tempo?

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00:49 00:11

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curta, o short, e, na maioria das vezes, a sandália nos pés do relato. Embora eu quisesse me fazer de homem, a camisa

“A quem eu queria enganar?”, perguntou dona Rosi, no meio que eu já me fazia de moço, honrando meus quinze anos. da deliciosa companhia dela. Bastava alguém nos observar observados por ninguém, eu não me intimidava, não desgrudava amizade. O que acontecia era que, enquanto não éramos me encontrar querendo ignorá-la, a despeito do carinho e intensa achava a menina Anne muito, muito criança. Então, era natural inseparáveis amigos, embora, segundo conta a dona Rosi, eu aconteceram. Não demorou para que Anne e eu nos tornássemos

Depois daquela agradável primeira visita, muitas outras miúda Anne, que só fazia brincar e sorrir em meio aos relógios. deveria saber o que era o amor naquela idade. Muito menos a menina. Talvez pela beleza que ela estampava, já que eu não relojoaria, viu o meu olhar um tanto admirado para a pequena explicou dona Rosi, que também me acompanhava na encaracolados, parecia uma boneca, não gente. Naquele dia, onde meu pai trabalhava. Olhos claros, cabelos cheios, na relojoaria acompanhada do pai, o dono do estabelecimento

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III. O ERMO

Gabriele D'Annunzio Grupo Almedina PDF Criptografado

iiiO ERMO1Em carta de 10 de maio, Ippolita dizia:Finalmente, posso dispor de uma hora livre para te escrever com vagar. Há dez dias que o meu cunhado vai arrastando a sua dor, de hotel em hotel, à beira do lago, e ambas o acompanhamos como duas almas penadas. Não calculas a tristeza desta peregrinação. Eu  não posso mais, e espero a primeira oportunidade para me ir embora.Já encontraste o Ermo? As tuas cartas aumentam extraordinariamente a minha tortura. Sei o que sofres e adivinho que sofres mais do que podes exprimir. Daria metade do meu sangue só para ver se te convencia de que sou só tua, tua, tua, para sempre até à morte. Penso em ti, só em ti, constantemente, em todos os instantes da minha vida.Longe de ti, não encontro um minuto de bem-estar e de sossego. Tudo me indispõe e irrita. Quando terei a felicidade de estar junto de ti dias inteiros, de viver a tua vida? Verás que não serei a mesma. Serei boa, carinhosa, meiga. Farei por ser sempre igual, sempre discreta. Dir-te-ei todos os meus pensamentos, e tu dir-me-ás os teus. Hei de ser a tua amante, a tua amiga, a tua irmã, e, se me julgares digna disso, também a tua conselheira. Porque eu tenho uma intuição clara das coisas e nunca me enganei, um cento de vezes em que experimentei essa intuição. O meu cuidado único será agradar-te sempre, nunca ser um peso na tua vida. Em mim só hás de encontrar ternura e ­sossego…

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BRASÍLIA

José Mattos Editora Almedina PDF Criptografado

BRASÍLIA

A

h... Brasília, tão injustiçada Brasília, tão mal falada, difamada

Brasília. Eu gosto das ruas retas, dessas esquinas vazias, desses restaurantes escondidos em superquadras, em setores isso, setores aquilo. Gosto de estar sentado em uma mesa e na mesa ao lado estar o líder do governo jantando com dois ou três deputados da oposição.

E mais adiante o colunista que tão furiosamente escreve contra o governo sentado feliz ao lado de um ministro. Enquanto isso eu, humilde publicitário, aqui na minha mesa vou cuidando da minha vida junto com o diretor de marketing ou comunicação social de algum ministério, fundação, agência, autarquia, viva!!

Depois, o número de garrafas de whisky e vinho bom por mesa em

Brasília é muito superior ao do Rio ou mesmo de São Paulo. Por quê?

Ora, em Brasília quem paga a conta é sempre uma pessoa jurídica e isso dá uma sede... E tem sempre um charutinho Cohiba ou similar para fustigar as tripas e então para acalmá-las nada melhor que um conhaquinho... Ou seja, não há nenhuma razão para não se trabalhar direito em Brasília.

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OTAVIO

José Mattos Editora Almedina PDF Criptografado

OTAVIO

M

anolo estava tranquilo como sempre. O bar estava com meia casa e eu não conhecia ninguém nas outras mesas. Isso não importava, era até melhor assim. Eu estava no meu segundo whisky, o copo cheio de gelo transformava a bebida em um refresco que eu bebia sem pressa.

O revólver pesava às vezes no bolso, eu tinha vontade de colocá-lo na mesa como se fosse um celular. Era um Rossi 32, presente de meu pai.

Ele fora dado para me defender de ladrões e criminosos eventuais que cruzassem o meu caminho. Ele iria servir para remediar a minha perplexidade com uma vida que eu não lograra compreender e que era inútil para mim e para quem convivia comigo.

Eu talvez tivesse uma dívida com Ângela. Ela casara mesmo comigo, ela realmente entregara sua vida nessa união. Mas...eu não era tão culpado assim e ela afinal tinha apostado mal, tinha apostado no cavalo errado. Amigos, eu não tinha nenhum que valesse a pena.

Ricardo estava preso e ficaria na cadeia alguns anos, Nonato sumira de vez e não dava mais para continuar a conversar com ele depois de tudo que aprontou. A profissão também tinha acabado e que se danem os clientes e toda essa loucura a que eu dediquei minha vida. Anos e anos a defender produtos e empresas, a preocupar-me com planos de marketing, com as vendas de aparelhos de tv, de sabonetes, desodorantes...

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00:19 00:42

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passou. Não me dei conta. Na máquina feita para prender de retratos, sei. O bom de ter tentado de novo, foi que o tempo da imagem, apenas três. Ínfimo número para a quantidade

Libertá-los corretamente, nome e telefone anotados no verso

Perdi a conta de quantos rostos aprisionei na máquina.

Cliquepalavras. Cliquepalavrascliquepalavrascliquepalavras.

Clique, palavras. Clique, palavras. Clique palavras. conversa. Outro clique, outras palavras. Clique e palavras.

Talvez a sorte se expandisse desta vez. Um clique, uma

À espera das fotos, decidi por tentar clicar outras, já disse. estranha energia.

Pelo menos foi o que achei. E foi bom. E me deu nova e seriam perguntas que, por hora, não me incomodariam mais.

O porquê de eu estar rejuvenescendo e não estar comendo viver se agiganta mais. Então, que ficasse o mistério, pronto. muito que o muito, a cada dia, se expande e o mistério de de perguntas sem respostas? Respondemos tão pouco sobre viver sem nos perturbar? Não seria, afinal, a vida um amontoado que a necessidade de encontrar resposta para tudo não pode tentar encontrar) a resposta para o inexplicável. Mas será mesmo mente demostrava um certo cansaço, não queria encontrar (ou feito neblina que nos impede de ver as coisas claramente. Minha explicação: minha mulher. Todo o resto continuava obscuro,

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NONATO, RICARDO E OTAVIO

José Mattos Editora Almedina PDF Criptografado

NONATO, RICARDO E OTAVIO

D

esde sua chegada, Nonato insistia que Ricardo e eu fôssemos com ele para umas termas no centro da cidade. Eu não estava com muita vontade, mas podia ser engraçado. A conversa com Dom Geraldo me deixara completamente desanimado e decidi que precisava me distrair.

Liguei para o Ricardo, ele topou. Disquei para o Nonato e confirmei o programa para a noite.

De nós três, quem mais gosta de puta é o Nonato. Sempre foi assim, desde que a gente começou a se preocupar com mulher, o Nonato foi o mais putanheiro. Ele foi quem demorou mais a arrumar namorada, ele não achava graça em ficar de conversa com menina, ficar de bobeira horas até conseguir um sarrinho decente. Nonato preferia ir a um puteiro e se divertir com as garotas de lá.

Bonito, de corpo bem feito e com uma aparência que não escondia o berço de ouro, Nonato era o sucesso da zona e a turma fazia fila para subir com ele para os quartos. Logo conheceu uns dois serviços de call girls e nem mais à zona ia. Por telefone mesmo, encomendava as meninas para a suruba que ocorria ou na enorme casa de seus pais no Leblon ou na casa da Praia da Armação em Búzios. Eu e o Ricardo íamos na onda e nos divertíamos muito. Mas o motor do bacanal sempre foi o

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00:17 00:44

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caso este não me levasse antes, traria a bem-vinda compreensão. esperança. Eu a combati. Disse para mim mesmo que o tempo,

Sensação de inércia tentou ocupar os espaços reservados para a mulher fotografada. Ao contrário, nada feito. que pedir autorização como o endereço e o telefone de cada eram dessa maneira. Para as próximas fotos, não só eu teria seu endereço, suas particularidades. Não, não. As coisas não lembrado. E lembrando-me dela, me surgiria à mente, esperava, reconhecê-la? Bom, se eu a reconhecesse é porque teria me minha mulher caso uma daquelas fotos me fizesse, de fato,

Onde moravam? Qual o telefone? Como, afinal, encontrar a adiantava ter as fotos das mulheres se delas eu nada sabia? atingido de surpresa por uma constatação tardia. De que me como eu a amo?” Entre o perguntar e o não perguntar, fui

A de trinta talvez esperasse as seguintes palavras: “Me ama de vinte anos: “Se casaria com um velho como eu?”

Para cada foto, uma pergunta. Por exemplo, para a bonita moça mulheres de vinte, trinta, cincoenta e até sessenta anos. consideração as fotos feitas, critério não havia. Ali, na parede, busca não tinha qualquer critério. Ou tinha? Ao se levar em penduradas na parede do quarto. Olhando-as, percebi que minha permanecer com os olhos vidrados nas fotos das mulheres primeiro, para não acordar em um novo ano; segundo, por

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00:46 00:14

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“Agora você vive a sua vida.” a dona Rosi teria.

“E agora?”, perguntei, à busca de uma resposta que, eu sabia, tinha meus sessenta, setenta anos. clássicos em preto e branco, que eu assistia quando já tinha atual para a época, eu parecia uma figura de filme. Igual aos

1959. 19 anos. Magro. Vestido de uma roupa ridícula, porém

“Ela se foi, menino. O tempo mudou!”

“Onde está a Anne, dona Rosi?”

“Você tá uma criança”, falou.

Dona Rosi abriu os olhos. Junto, aquele sorriso largo, alvo.

“Onde ela está?”

Na sala, vendo a dona Rosi que parecia dormir, perguntei: relógios pelas paredes. Também um relógio Cuco.

um adolescente. Livros espalhados. E muitos, muitos muito bonito. Outro de pêndulo. No meu quarto, coisas de

Na parede da sala, dois relógios. Um relógio Cuco muito,

Na imagem, eu, dona Rosi e, provavelmente, minha mãe.

Porta-retratos, finalmente, com alguma coisa do meu passado.

Alguns móveis desconhecidos até então. Outros ambientes. vai e vem da vida na cadeira. A sala estava um pouco diferente.

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V. TEMPVS DESTRVENDI

Gabriele D'Annunzio Grupo Almedina PDF Criptografado

vTEMPVS DESTRVENDI1Na loggia, a mesa tinha um ar alegre, com as porcelanas claras, os cristais azulinos, os cravos vermelhos, à luz doirada de um grande candeeiro fixo que atraía as borboletas noturnas errando no crepúsculo.– Olha, Giorgio, olha! Uma borboleta infernal! Tem olhos de diabo. Vê-los a luzir?Ippolita apontava para uma borboleta, maior que as outras, de aspeto estranho, coberta com uma espessa penugem loira, de olhos salientes que, contra a luz, brilhavam como dois carbúnculos.– Dirige-se para ti! Dirige-se para ti! Acautela-te! Riu estrepitosamente, divertindo-se com a atrapalhação instintiva que Giorgio costumava ter, quando um desses insetos queria tocá-lo.– Preciso de o agarrar! – exclamou ela com o entusiasmo de um capricho infantil.Preparou-se para apanhar a borboleta infernal, que, sem pousar, voejava à volta do candeeiro.– Que fúria! – disse Giorgio para a entusiasmar. – Mas não a agarras.– Hei de agarrá-la – replicou a teimosa, olhando-o no fundo dos olhos.

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XI ASSALTO AO BANGALÔ

Deonísio Da Silva Editora Almedina PDF Criptografado

XI

ASSALTO AO BANGALÔ

“Ó grandes e gravíssimos perigos,/ Ó caminho da vida nunca certo,/ Que aonde a gente põe sua esperança/ Tenha a vida tão pouca segurança!”

Noite de 22 de fevereiro de 1942. Há um automóvel estacionado na quadra próxima ao bangalô onde vive o casal que vai morrer.

O homem e a mulher fazem os últimos preparativos que antecedem ao recolhimento para o sono. Mas será que vão dormir?

Dentro de algumas casas, os últimos rádios ligados, já em volume mais baixo para não incomodar o sono dos que se recolheram antes. Nas transmissões predominam os comentários sobre o carnaval que acabou há poucos dias.

Joseph distribui o grupo pelas laterais do bangalô. Frida é encarregada de entrar primeiro. Ela testa a porta dos fundos, podia dar um empurrãozinho qualquer e entrar, como entrou em tantas outras operações. Em vez disso, usa pequenas ferramentas que tira do bolso da capa e enfim entra. Dá de cara com uma cozinha, que faz também as vezes de sala de jantar. Louças usadas há pouco estão sobre a mesa.

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00:11 00:50

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movimentos. Perguntei:

O menino, sentado no chão, calado, acompanhava os meus fotos, as páginas amarelas com os preciosos endereços. numa sacola plástica, dessas de mercado. Também pus as casas de relógios. E catei bilhetes. E os coloquei, amassados,

E da parede também tirei folhas amarelas com os endereços das firmes, provavelmente livres da artrite. Peguei fotos da parede.

Levantei-me, num salto. Estava mais forte, pernas e joelhos inerte no sofá, o tempo ia passar sem que a solução aparecesse. a minha mulher. Era necessário pressa. Parado ali, corpo não enlouquecendo. E, se jovem ficasse, talvez não encontrasse

A única coisa que eu entendia era que estava rejuvenescendo, questionamentos. Todos sem respostas, claro. fotos e as páginas amarelas, meu pensamento zanzarou por

Sentado no sofá, fitando a parede lotada de relógios, bilhetes,

Seremos, por exemplo, eternos? Na eternidade não há tempo. situações ou coisas (vidas?) que não dependem de tempo? for verdade? E se o tempo for apenas uma mistura de para o trabalho, o descanso. Mas, e se nada disso, desse tempo, isso, aquilo. Tempo para nascer, morrer. Ser triste, feliz. Tempo vários são esquecidos em conseqüência do tempo. Tempo para como fazem. Ficamos presos ao tique-taque onde sentidos marcam o tempo talvez não devessem marcar a vida do modo

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00:01 00:60

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

causado surpresa ao ser jogado para o ar, tombar e me levantar outra realidade que não aquela? Será que eu, velho, fraco, havia olharam para mim. Ficaram tempo fixas, imóveis. Será que viam

à frente. Pessoas se juntavam. Olhavam o motorista, a rua. Duas instante seguinte, já de pé, fiquei a observar o carro parado mais bobo, mole, foi atirado para cima. Tombei no asfalto mas, no

O carro passou por mim. Meu corpo, incontrolável, meio que corpo. Ouvi a buzina. Som alto. Freios. Um grito não meu. vinha feroz com sua lataria prestes a chocar-se com o meu

Tampouco foi possível ver que carro era aquele que, ameaçador, cidade movimentada. Não sei em qual cidade estava. percebi me encontrar parado exatamente no meio da rua de uma delirava, pois ao ver o carro próximo, em velocidade alta, vislumbrava um caminho de terra, flores e rio. Óbvio que eu

as rugas, eu pensava na fraqueza mas, ao mesmo tempo,

Minha mente vagava pelos caminhos das minhas rugas e, vendo que movimento não havia. Não via o carro. Nem os carros. para mim que estava atravessando a rua movimentada achando próprio de gente velha. 70 anos pesam. Pesaram de tal forma flácida e enquanto eu atravessava a rua com vagar mundano, se deu enquanto meus olhos percorriam as rugas da minha pele que definham, imergem em abismo sem volta. – Essa constatação

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