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QUARTA SESSÃO - 14 - Debates da Quarta Sessão

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Debates da

Quarta Sessão

Pedro Malan: Algo que se extrai dessas três apresentações, assim como das da manhã e das de depois do almoço, é o fato de a convivência da economia global com a política nacional ser fonte de tensão duradoura. Muitas das questões que discutimos aqui, desde os sistemas de previ‑ dência social até a abordagem das questões estru‑ turais de prazo mais longo, são decididas, para melhor ou para pior, por meio de processos polí‑ ticos nacionais. Isso dito, há, sem dúvida, muito espaço para a cooperação internacional, cada vez mais necessária. Quanto a isso, tendo a concor‑ dar com Larry em que já fizemos alguns avan‑

ços, mas ainda temos longo caminho a percorrer.

Especificamente, Larry, ao ouvi‑lo, lembrei‑me de nosso amigo mútuo, André Lara Resende, e de

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Estado da Economia Mundial: Desafios e Respostas

nossas conversas sobre como aprender com a experiência, durante as quais insistíamos em que, para aprender com a experiência, inclusive com os erros, é preciso algum tipo de arcabouço con‑ ceitual que possibilite pôr a questão em perspectiva. Algo sobre os arcabouços conceituais que eu quero mencionar é o tema dos desequilíbrios em conta‑corrente. Não havia dúvida para a maio‑ ria dos macroeconomistas – uma vez que o déficit dos Estados

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PRIMEIRA SESSÃO - 2 - Lições dos Ajustes Fiscais na Europa

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2

Lições dos Ajustes

Fiscais na Europa

Francesco Giavazzi

Depois da visão geral de Caio sobre a crise europeia, dedicarei meus quinze minutos à análise de aspecto específico da crise – como reduzir as dívidas e os déficits.

Comecemos com um exemplo: a perda pela

Itália da confiança dos mercados, em dezembro de 2011, quando as taxas de juros dos bônus de longo prazo saltaram para 7 % e 7,5 % em poucas semanas. O país foi pressionado a reagir a essa perda de confiança dos mercados com a adoção de medidas fiscais muito rigorosas. Para tanto, mudou‑se o governo, e a nova administração promoveu forte correção fiscal – 3 % do PIB em cerca de um ano e meio, algo enorme. O ajuste consistiu

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em aumento de impostos (80 %) e em redução de gastos (20 %).

Os resultados para a economia, que, em 2011, estava empacada em zero, foram uma contração de 2,5 % em 2012 e, provavelmente, outro retrocesso de 1,5 % ou 2 % em 2013. Em outras palavras, o desfecho macroeconômico da correção fiscal foi um desastre, que, infelizmente, teve consequências políticas. Nas eleições a serem realizadas na Itália em fevereiro de 2013, o principal slogan de um dos partidos políticos é “deixaremos o euro quando assumirmos o governo”. Este partido é o segundo mais popular depois da esquerda, representando cerca de 20 % do eleitorado.

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DISCURSOS NO COQUETEL - 15 - Introdução de Edmar Bacha

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15

Introdução de

Edmar Bacha

Edmar Bacha: Quando conversei com minha mulher ontem à noite sobre o seminário de hoje, ela me perguntou: “Como você acha que serão os debates?” Respondi: “Receio que sejam um pouco cacofônicos.” Ao que ela retrucou: “Cacofônicos?

Você está sendo muito pessimista. Serão polifôni‑ cos.” E agora posso dizer que também ela foi pes‑ simista: foram sinfônicos. Muito obrigado a todos vocês por isso.

Devo dizer algumas palavras especiais de agra‑ decimentos. Antes de tudo, a nossos amigos estran‑ geiros, todos os oito provenientes de lugares tão distantes quanto Hong Kong e Israel, vindo dire‑ tamente, ou via Moscou e Genebra. E a Caio, que veio da Alemanha.

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Caio Koch‑Weser: Alemanha, via São Paulo.

Edmar Bacha: Via São Paulo... bem, foi um desvio errado, mas não importa. Portanto, obrigado a esses cavalheiros, pessoas muito ocupadas, com compromissos importantes em outros luga‑ res, mas que, como todos nós do Brasil, queriam estar aqui hoje para homenagear Pedro. Também quero agradecer ao Banco Itaú

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PRIMEIRA SESSÃO - 3 - Visão da Crise Europeia e Suas Lições

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3

Visão da Crise

Europeia e Suas

Lições

John Williamson

Diferentes são os tipos de crises. A crise europeia resultou da tentativa de operar uma entidade híbrida, promovendo a união monetária, mas omitindo seus complementos essenciais; o experimento decerto não funcionou. Como ninguém na América Latina está propondo a criação de uma união monetária, não vejo na crise europeia nenhuma lição para a região. O ensinamento mais geral é que não se deve recorrer a entidades híbridas – ou se vai até o fim ou não se começa. Isso era sabido antes da crise: daí a literatura sobre “área monetária ótima”, que, basicamente, pergunta

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Estado da Economia Mundial: Desafios e Respostas

como identificar as condições sob as quais o ajuste não seria necessário; só assim seria possível constituir uma união monetária sem uma união fiscal.

Antes da crise, os movimentos de capital dentro da Europa tinham características de um esquema Ponzi. Qualquer país podia tomar empréstimos para financiar qualquer tipo de déficit, pagando taxa de juros marginalmente mais alta que a predominante alhures. A Alemanha não devia sentir-se confortável com essa situação. Só depois, porém, que a Grécia elegeu um governo relativamente honesto, em 2009, a Alemanha despertou para o fato de que não havia mecanismo de ajuste no sistema anterior.

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PRIMEIRA SESSÃO - 4 - Debates da Primeira Sessão

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4

Debates da

Primeira Sessão

Ilan Goldfajn: Primeiro, tenho uma pergunta para o Caio. Você mencionou umas duas vezes que a falta de pressão do mercado pode realmente permitir que alguns países, como Espanha e outros, não peçam ajuda. Isso talvez seja perigoso, pois pode resultar em outra rodada de crises, antes de finalmente se promover o ajuste. Portanto, minha pergunta é: Agora que os governos conseguiram que os mercados saíssem um pouco de seus pés, seria isso um problema ou podemos prescindir dessa pressão?

Caio Koch-Weser: Pressões dos mercados, boas ou ruins? É uma pergunta difícil. Evidentemente, eu gostaria de distinguir, seletivamente, diferentes pressões de mercado. Obviamente, elas eram muito poucas antes da crise; não havia razoável

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prêmio de risco. Acho que os mercados financeiros pareciam estar adiante da economia real. Acho que teremos mais pressões de mercado; as pressões, porém, insisto neste ponto, seriam decorrentes do crescimento e do desempenho da Europa. Gostaria que o mercado diferenciasse. Tomando Portugal como exemplo – o país se saiu muito bem em todos os indicadores, está reconstruindo suas curvas de rendimento e voltou aos mercados. Seria bom que fosse recompensado por esses resultados. Acho que um pouco dessa diferenciação está ocorrendo na maneira como o mercado está tratando a Irlanda agora e, com seis meses de atraso, Portugal.

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