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Capítulo 2 - Linguística

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Capítulo 2

Linguística

2.1 Ramificações da linguística

Como vimos, tanto a linguagem quanto as línguas podem ser estudadas sob diferentes pontos de vista. Portanto, o campo total da linguística pode ser dividido em diversos subcampos segundo o ponto de vista adotado ou a ênfase especial dada a um conjunto de fenômenos, ou premissas, em vez de outro.

A primeira distinção a se estabelecer é entre a linguística geral e a descritiva.

É bastante direta em si mesma. Corresponde à que existe entre estudar a linguagem e descrever determinadas línguas. A pergunta “O que é a lingua(gem)?”, que, no capítulo anterior, dissemos ser a indagação central e definidora de toda a disciplina,

é mais adequadamente considerada a indagação central da linguística geral. A linguística geral e a descritiva não são absolutamente estanques. Cada uma depende explícita ou implicitamente da outra: a linguística geral fornece conceitos e categorias em termos dos quais as línguas serão analisadas; a linguística descritiva, por sua vez, fornece dados que confirmam ou refutam as proporções e teorias colocadas pela linguística geral. Por exemplo, o linguista geral poderia formular a hipótese de que todas as línguas possuem nomes e versos. O linguista descritivo poderia refutá-la com base em uma comprovação empírica de que houvesse pelo menos uma língua em cuja descrição tal distinção não se verificasse. Porém, para refutar ou confirmar a hipótese, o linguista descritivo deve operar com determinados conceitos como

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Capítulo 6 - Mudança Linguística

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Capítulo 6

Mudança Linguística

6.1 Linguística histórica

O que hoje se denomina linguística histórica desenvolveu-se, pelo menos em suas linhas gerais, no decorrer do século XIX (v. Seção 2.1).

Os especialistas há muito tinham consciência de que as línguas mudam com o tempo. Sabiam igualmente que muitas das línguas europeias descendiam, de certo modo, de línguas mais antigas. Por exemplo, sabia-se que o inglês tinha se desenvolvido a partir do anglo-saxão, e o que hoje chamamos de línguas românicas – o francês, o espanhol, o italiano etc. – teve sua origem no latim. Entretanto, antes de se estabelecerem os princípios da linguística histórica não se tinha consciência, de um modo geral, de que a mudança linguística é universal, contínua e consideravelmente regular.

Mais tarde discutiremos em detalhes cada um desses três aspectos da mudança linguística. Aqui registramos que a universalidade e a continuidade do processo de mudança linguística – o fato de que todas as línguas vivas são sujeitas a isso e de que o processo em si não para – foram ofuscadas para a maioria das pessoas pelo conservadorismo das línguas literárias padrão da Europa e pelas atitudes normativas da gramática tradicional (v. Seção 2.4). O status do latim é particularmente importante nesse sentido. Tinha sido usado durante séculos na Europa Ocidental como a língua dos sábios, da administração e da diplomacia internacional. A partir do

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Capítulo 10 - Linguagem e Cultura

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Capítulo 10

Linguagem e Cultura

10.1 O que é cultura?

A palavra ‘cultura’ (e seus equivalentes em outras línguas europeias) tem vários sentidos relacionados, dois dos quais é importante mencionar e distinguir aqui.

Existe, em primeiro lugar, o sentido em que ‘cultura’ é mais ou menos sinônimo de ‘civilização’ e, numa formulação mais antiga e extrema do contraste, oposta a

‘barbarismo’. É esse o sentido, em inglês, do adjetivo ‘cultured’ [“culto”]. Baseia-se, em última instância, na concepção clássica do que constitui excelência em arte, literatura, maneiras e instituições sociais. Revivida pelos humanistas do Renascimento, a concepção clássica foi enfatizada por pensadores do Iluminismo do século XVIII e por eles associada à sua visão da história da humanidade como progresso e autodesenvolvimento.

Essa visão da história foi desafiada, como também muitas das ideias do Iluminismo, por Herder, que disse a respeito do equivalente alemão de ‘cultura’: “Nada é mais indeterminado do que essa palavra, e nada é mais decepcionante do que sua aplicação a todas as nações e períodos” (cf. Williams, 1976:79). Ele criticava especialmente o pressuposto de que a cultura europeia do século XVIII, dominada pelas ideias francesas e pela língua francesa, representasse o ponto alto do progresso humano. É interessante notar, em relação a isso, que a expressão ‘langue de culture’ (literalmente,

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Capítulo 8 - A Linguagem e a Mente

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Capítulo 8

A Linguagem e a Mente

8.1 A gramática universal e sua relevância

Desde os primeiros tempos tem havido uma ligação estreita entre filosofia da linguagem e ramos tradicionalmente reconhecidos da filosofia tais como a lógica (o estudo do raciocínio) e a epistemologia (a teoria do conhecimento). No que diz respeito à lógica, o próprio nome da disciplina que se tornou agora altamente técnica e mais ou menos independente proclama tal ligação: a palavra grega ‘logos’ está relacionada ao verbo que significa “falar” ou “dizer” e pode ser traduzida, segundo o contexto, tanto como “raciocínio” quanto como “discurso”. Não surpreende que tal ligação histórica devesse existir. O bom senso e a introspecção apoiam o ponto de vista segundo o qual o pensamento é um tipo de fala interior; e várias versões mais sofisticadas desse ponto de vista foram apresentadas pelos filósofos através dos séculos. De fato, durante a maior parte dos 2000 anos, ou pouco mais ou menos, em que a gramática tradicional ocidental influenciou vários centros de erudição, não se traçou nenhuma distinção nítida, em nível teórico, entre gramática e lógica. Em determinados períodos – de maneira mais notável no século XIII e novamente no século XVIII – desenvolveramse sistemas do que passou a se chamar gramática universal, nos quais a ligação entre lógica e gramática foi explicitada e recebeu algum tipo de justificação filosófica.

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Capítulo 9 - Linguagem e Sociedade

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Capítulo 9

Linguagem e Sociedade

9.1 Sociolinguística, etnolinguística e psicolinguística

Até o momento não existe um modelo teórico amplamente aceito dentro do qual a linguagem possa ser estudada, macrolinguisticamente, de vários pontos de vista diferentes, igualmente interessantes: social, cultural, psicológico, biológico etc. (v. Seção

2.1). Além disso, é no mínimo duvidoso que tal modelo teórico geral seja um dia elaborado. É importante ter isso em mente.

Poucos linguistas hoje concordariam com os princípios positivistas do reducionismo da mesma forma que Bloomfield e seus companheiros da Unidade da Ciência o fizeram há meio século (v. Seção 2.2). Mas existem muitos linguistas que defendem um tipo mais limitado de reducionismo, dando prioridade às ligações entre a linguística e uma, em vez de outra, das várias disciplinas pertinentes à linguagem.

Alguns, como Chomsky e os gerativistas, vão enfatizar os pontos de contato entre a linguística e a psicologia cognitiva; outros nos dirão que, já que as línguas são uma instituição social, tanto do ponto de vista de sua manutenção quanto de seu funcionamento, não há, em última instância, nenhuma distinção a fazer entre a linguística e a sociologia ou a antropologia social. É natural que um grupo de estudiosos, em virtude de suas tendências, de sua educação ou de seus interesses especiais, adote um desses dois pontos de vista em detrimento do outro. O que tem que ser condenado é a tendência daqueles que adotam um determinado ponto de vista nesse assunto de apresentá-lo como o único cientificamente justificável.

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