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Situações Clínicas da Prática Psicanalítica

Zimerman, David Grupo A PDF Criptografado

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DAVID E. ZIMERMAN

Situações clínicas da prática psicanalítica

O DESNUDAMENTO DE MARISA NO

DIVÃ NO CURSO DE UMA

TRANSFERÊNCIA EROTIZADA

Uma das minhas primeiras pacientes de análise, Marisa era uma pessoa com o diagnóstico de borderline. Nesse tipo de caso, como o nome indica, o psiquismo do paciente fica numa linha (line) de fronteira (border) entre a neurose e a psicose, de sorte que o paciente não está num estado de graves alterações do estado mental, não apresenta alucinações, idéias delirantes ou profundas alterações da afetividade, porém demonstra prejuízos em algumas áreas, como comportamento bizarro, evidentes falhas de pensamento e de juízo crítico. Assim, já no início da análise, Marisa começou a evidenciar uma transferência erotizada, ou seja, todo o seu pensamento girava em torno de fantasias a meu respeito e de que eu estivesse correspondendo a essas fantasias.

Se meu chaveiro estivesse em cima da escrivaninha do consultório, que ficava ao meu lado, ela logo deduzia que era um sinal em código para lhe dizer que eu a estava convidando para ir ao meu apartamento. Certa vez, em que os laços da cortina da janela do consultório estavam entrelaçados, ela de imediato dizia que já tinha “entendido” todo o meu sinal indireto de que eu estava propondo que fizéssemos um entrelaçamento dos nossos corpos. Os meus assinalamentos analíticos ficavam esterilizados, porque a sua escuta erotizada do que eu dizia revertia tudo para as suas premissas de que havia, de fato, um clima de erotismo e, segundo ela, ora eu fugia, ora dava claras indiretas, por não ter coragem de assumir minhas intenções.

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Medium 9788573078015

A

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A

A (abreviatura do Vínculo do Amor; primeira fileira da Grade) [BION]

Em muitas traduções latino-americanas da obra de BION, a letra A designa a inicial de

Amor (vínculo do). Em muitos outros escritos, a inicial utilizada para designar esse tipo de vínculo é a letra L, inicial do original inglês Love.

Por outro lado, BION emprega a letra A como constituindo a primeira fileira da sua Grade, mais exatamente a que designa o estádio da função de pensar, que ainda está no nível dos protopensamentos, ou seja, dos elementos β. (Ver figura 1, que acompanha o verbete “Grade”).

A, a (abreviatura de Autre e autre) [LACAN].

Em LACAN, a letra A maiúscula é a inicial do vocábulo francês Autre, que LACAN chama de “grande outro”, termo com o qual ele refere mais propriamente a figura do pai interditor, como representante exterior da lei, opondo-se à díade imaginária com a mãe. Como letra minúscula, é inicial de autre ou “pequeno outro” e refere mais geralmente (mas não unicamente) a mãe, tal como está situada no plano do imaginário.

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Medium 9788573075991

Capítulo 7 - Modalidades Grupais

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FUNDAMENTOS BÁSICOS DAS GRUPOTERAPIAS

89

S:

saúde mental (comunitária); sobrevivência social (gays, etc.); sensibilização; sala de espera...

T: treinamento; (com pacientes) terminais...

U: união...

V: vivências...

Por esta pálida amostragem podemos perceber o quanto denominações diferentes podem estar se referindo a uma mesma finalidade grupal e, da mesma forma, um mesmo nome pode estar designando atividades que, em sua essência, são diferentes. Ademais, muitas vezes, a prática grupal permite a criação de novas táticas, inclusive com a combinação de algumas delas, e tudo isso, aliado a um largo espectro de aplicações, pode gerar uma confusa rede conceitual.

Para atenuar este estado de coisas impõe-se a necessidade de uma classificação, sendo que qualquer intento classificatório sempre partirá de um determinado ponto de vista, que tanto pode ser o de uma vertente teórica, como o tipo de setting instituído; a finalidade a ser alcançada; o tipo dos integrantes; o tipo de vínculo com o coordenador, e assim por diante.

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Capítulo 22 Insight, Elaboração e Cura

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FUNDAMENTOS BÁSICOS DAS GRUPOTERAPIAS

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CAPÍTULO 22

Insight, Elaboração e Cura

A aquisição de insight, o processo de elaboração e os resultados terapêuticos são indissociados entre si, razão pela qual serão estudados em conjunto.

INSIGHT

De acordo com a sua etimologia: in (dentro de) + sight (visão), a palavra insight conceitua a aquisição de uma visão interna, a qual se processa a partir da atividade interpretativa do terapeuta. A conceituação de insight, antes do que um simples acréscimo de conhecimentos sobre si próprio, deve se entendida como um descobrimento, no sentido de que o contexto da palavra sugere: o retirar (des) o véu que cobre (coberta) as verdades preexistentes. As descobertas propiciam novas criações.

Em linhas esquemáticas podemos dizer que o insight se processa numa certa seqüência temporal em cinco modos distintos: o insight intelectivo, o cognitivo, o afetivo, o reflexivo e o pragmático.

Insight intelectivo. Neste caso, talvez não se justifique o uso do termo insight, tendo em vista que, enquanto intelectivo, ele não só é inócuo como pode ser prejudicial em alguns casos, como é, por exemplo, a possibilidade de que venha unicamente a reforçar o arsenal defensivo de pacientes que são marcantemente intelectualizadores, como, por exemplo, os obsessivos ou narcisistas.

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Capítulo 8 - A Função “Continente” do Grupo

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97

CAPÍTULO 8

A Função “Continente” do Grupo

A psicanálise contemporânea empresta um valor extraordinário à importância da função de maternagem da mãe desde os primórdios do seu relacionamento com os filhos, muito particularmente no que se refere ao que Bion denominou como continente, concepção essa que encontra uma clara equivalência com o que Winnicott conceituou como holding, embora haja algumas diferenças entre ambas as conceituações.

Destarte, a noção de holding alude mais diretamente à sustentação (o verbo to hold, em inglês, significa “sustentar”) tanto física como emocional dos cuidados da mãe em relação ao bebê, enquanto continente, pelo menos em meu entendimento, tem uma significação mais ampla e profunda, porquanto alude a uma função ativa da mãe que promove importantes transformações no psiquismo da criança, e que abrange os seguintes aspectos: a mãe (ou o terapeuta, na situação analítica) acolhe a carga das identificações projetivas, composta de necessidades, angústias, etc., que a criança (ou o paciente, na aludida situação analítica) deposita dentro dela; num segundo passo a mãe descodifica o significado do conteúdo daquilo que foi colocado nela; a partir daí, empresta a essa importantíssima experiência emocional um significado, um sentido e, sobretudo, um nome àquilo que está se passando entre ela e a criança. Como passo seguinte, a mãe devolve para o seu filho a angústia que ele projetou nela, porém já devidamente compreendida, desintoxicada, significada, transformada e nomeada, num ritmo de devolução apropriado às condições da criança. Bion emprega os termos rêverie e função alfa, o primeiro para designar que é fundamental a atitude psicológica interna da mãe de como ela acolhe o conteúdo das angústias nela depositadas

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