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39 As primeiras supervisões oficiais de atendimento psicanalítico

Zimerman, David Grupo A PDF Criptografado

VIVÊNCIAS DE UM PSICANALISTA

117

REFLEXÕES

Na atualidade, penso que muito dificilmente algum analista didata teria recusado iniciar a análise com um pretendente a candidato que já fora avaliado em entrevistas de seleção prévia, que estava bem recomendado por demais colegas e que, segundo o próprio Guedes, estava bem motivado para fazer uma análise de verdade. Entretanto, em nenhum momento guardei algum tipo de rancor contra o analista e jamais diria que ele foi rígido demais, inflexível ou autoritário comigo. Simplesmente ele foi fiel aos cânones da época. Na atualidade, os analistas, em sua grande maioria, perderam o medo de chegar mais perto dos pacientes e vice-versa. Também não levam ao pé da letra a necessidade de manter um completo anonimato e o rigoroso cumprimento da regra da “neutralidade”, tal como a IPA preconizava.

AS PRIMEIRAS SUPERVISÕES

OFICIAIS DE ATENDIMENTO

PSICANALÍTICO

Nos institutos psicanalíticos do mundo inteiro, a atividade de supervisão do trabalho psicanalítico clínico dos candidatos, tanto a individual como a coletiva, é extremamente valorizada. Em termos de análise individual, são feitas no mínimo duas supervisões, com analistas diferentes, à escolha do candidato. Cada supervisão, feita separadamente, deve se prolongar por dois anos, sempre mantendo com os pacientes um mínimo de quatro sessões semanais. No meu caso, a primeira supervisão, embora eu já estivesse autorizado, demorou um longo tempo para iniciar-se, pela simples razão de que as pessoas que procuravam análise, em sua imensa maioria, eram do sexo feminino, e havia uma imposição por parte do nosso Instituto de

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Carta aberta aos pacientes e ao público em geral

Zimerman, David Grupo A PDF Criptografado

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ARTA ABERTA AOS PACIENTES

E AO PÚBLICO EM GERAL

Este livro, em sua maior parte, é dirigido a todos os pacientes – os pacientes do passado, que, em algum período de suas vidas, já passaram pela experiência de um tratamento de base psicanalítica; os do presente, que, de alguma forma, estão no curso de uma terapia analítica, e também os do futuro, ou seja, todos aqueles que, por razões distintas, cogitam, em algum momento, experimentar a experiência analítica, que, a um só tempo, é algo difícil e fascinante.

Com a carta a seguir, pretendo trazer alguns esclarecimentos, tentar desfazer alguns equívocos, mitos e tabus e reconhecer os inegáveis méritos, porém, também, as inevitáveis limitações e falhas do método analítico.

Usei esse recurso também, dirigindo-me aos que estão se iniciando como psicoterapeutas psicanalíticos, em meu livro Manual de técnica psicanalítica,

2003. Na carta publicada nesse livro, e dirigida aos jovens (jovens não no sentido cronológico, mas no que tange à disponibilidade para aprender), tomo a liberdade de falar intimamente sobre princípios, valores e posturas a se levar em conta como psicoterapeutas. Penso que aquela complementa a carta a seguir, e aos interessados sugiro que acesse o site da Artmed

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Medium 9788573075991

Capítulo 16 Contra-Resistência

Zimerman, David Grupo A PDF Criptografado

FUNDAMENTOS BÁSICOS DAS GRUPOTERAPIAS

157

CAPÍTULO 16

Contra-Resistência

Na literatura especializada, a expressão contra-resistência não costuma ser usualmente empregada, embora o surgimento deste fenômeno seja de alta relevância em qualquer processo terapêutico.

Essa afirmação parte da premissa que norteia a ideologia deste livro, ou seja, a de que qualquer terapia não deve ser encarada como uma simples descoberta e resolução dos conflitos instintivos centrados unicamente na pessoa do paciente; antes, ela repousa no vínculo interacional no qual terapeuta e pacientes intercambiam emoções.

A partir deste ponto de vista, impõe-se a necessidade de fazermos a diferença entre o que é contra-resistência — caso em que são as resistências do indivíduo, ou do grupo, que mobilizam o terapeuta a uma resposta análoga — e o que é a resistência provinda do próprio terapeuta, e por cujo surgimento ele é o único responsável.

Em princípio, todas as formas de manifestações resistenciais que descrevemos nos pacientes em terapia podem estar presentes na pessoa do terapeuta. No campo grupal, este fenômeno adquire uma maior complexidade, pelo fato de que o coordenador de qualquer grupo pode estabelecer conluios com um determinado indivíduo, com uma parte subgrupal ou com a totalidade grupal.

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Capítulo 27 Estado Atual e Perspectivas Futuras das Grupoterapias

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FUNDAMENTOS BÁSICOS DAS GRUPOTERAPIAS

227

CAPÍTULO 27

Estado Atual e Perspectivas

Futuras das Grupoterapias

As múltiplas aplicações práticas resultantes do conhecimento e do manejo dos fenômenos que ocorrem em qualquer grupo humano têm sofrido profundas modificações nas últimas décadas.

Seguindo o esquema simplificado de classificação que adotamos em relação à prática com grupos, pode-se dizer que:

As atividades grupais concernentes à utilização dos grupos de reflexão na área do ensino têm apresentado algum crescimento, sendo que, a nosso juízo, muito aquém do que poderia e deveria ser.

Os grupos terapêuticos, não os de funcionamento estritamente analítico, têm revelado um significativo desenvolvimento e uma progressiva demanda. São exemplos: o emprego de técnicas psicodramáticas, a terapia de casal, a de família, grupos com psicóticos egressos, diversos tipos de grupos homogêneos, sobretudo os de auto-ajuda. Especialmente estes vêm revelando, nesta última década, expansão e aproveitamento notáveis, sobretudo em infindáveis aplicações na área da Medicina.

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Medium 9788573078015

R

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R

R [BION]

Dentre os seis elementos de psicanálise propostos por BION, consta o da relação I – R, ou seja, da Idéia (ver esse verbete) com a

Razão.

No capítulo oitavo de Elementos em Psicanálise” (1963), BION afirma que a razão tem a função de administrar as pulsões de vida e de morte que, em sua forma rudimentar, servem de escravas da paixão. As pulsões são forçadas a submeter-se à razão que, assim, se torna “senhora das paixões e genitora da lógica”.

Desse modo, conclui BION, “a busca de satisfação de desejos incompatíveis conduz à frustração (...) e o predomínio do princípio da realidade estimula o desenvolvimento do pensamento e do pensar, da razão e a da percepção da realidade psíquica e ambiental”.

Rabisco, jogo do [WINNICOTT]

Ver o verbete Jogo do rabisco.

Racionalização

Termo freqüentemente empregado dentro e fora da psicanálise, foi introduzido por E.

JONES, em 1908, no artigo “A racionalização na vida cotidiana”. Como o nome sugere, está ligado ao uso da razão, por parte do sujeito, para apresentar uma explicação coerente, do ponto de vista da lógica, ou para encontrar uma justificativa do ponto de vista moral para uma atitude, uma conduta, uma idéia, um sentimento, etc., cujos motivos verdadeiros, de alguma forma, ele nega.

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