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Capítulo 2 - Uma Revisão sobre o Desenvolvimento da Personalidade

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FUNDAMENTOS BÁSICOS DAS GRUPOTERAPIAS

29

CAPÍTULO 2

Uma Revisão sobre o

Desenvolvimento da

Personalidade

Desde Freud conhecemos o princípio básico de que o grupo e as individualidades são indissociados e se encontram em um permanente jogo dialético entre si. Este postulado justifica a necessidade de revisarmos os principais movimentos que processam a normalidade, ou a patologia, da formação da personalidade dos indivíduos.

As considerações que seguem não visam mais do que a uma tentativa de sistematizar os conceitos evolutivos, que são amplamente conhecidos mas também comumente acompanhados de uma certa imprecisão conceitual e de uma falta de ordenamento claro, o que se deve ao fato de as contribuições dos pesquisadores procederem de múltiplas escolas do pensamento psicanalítico com diversos vértices teóricos, os quais, sob diferentes denominações, muitas vezes se superpõem, convergem ou divergem, num complexo jogo combinatório.

Por esta razão, a sumarização que se apresenta a seguir resulta de uma livre utilização dos conhecimentos adquiridos, a partir dos autores mais representativos das diversas correntes psicanalíticas, sem privilegiar nenhuma, mas, sim, pelo critério de como eles estão elaborados em nós.

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V

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V

Vazio (WINNICOTT)

Em seu trabalho “Fear of Breackdown”

(“Medo do Colapso”) publicado postumamente por sua esposa Clare, em 1974,

WINNICOTT assim se expressa: “Em alguns pacientes o vazio necessita ser experimentado e esse vazio pertence ao passado, a época antes que o grau de maturidade tivesse feito possível esse vazio ser experimentado.

Para compreender isso, é necessário pensar que é mais fácil para um paciente lembrar de um trauma do que se lembrar que nada aconteceu quando poderia ter acontecido

(...) Na prática, a dificuldade é que o paciente tem horror do vazio e, em defesa, pode organizar um vazio controlado não comendo (uma alusão ao problema da anorexia nervosa) ou não aprendendo, ou então ele pode impiedosamente prenchê-lo por uma voracidade compulsiva e que se sente como louca”. Provavelmente corresponda ao estado de bulimia.

Vazio, patologia do [FRANCIS TUSTIN]

Os recentes e aprofundados conhecimentos teóricos e técnicos relativos ao desenvolvimento emocional primitivo dos bebês permitem afirmar com convicção que nem

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A

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A

A (abreviatura do Vínculo do Amor; primeira fileira da Grade) [BION]

Em muitas traduções latino-americanas da obra de BION, a letra A designa a inicial de

Amor (vínculo do). Em muitos outros escritos, a inicial utilizada para designar esse tipo de vínculo é a letra L, inicial do original inglês Love.

Por outro lado, BION emprega a letra A como constituindo a primeira fileira da sua Grade, mais exatamente a que designa o estádio da função de pensar, que ainda está no nível dos protopensamentos, ou seja, dos elementos β. (Ver figura 1, que acompanha o verbete “Grade”).

A, a (abreviatura de Autre e autre) [LACAN].

Em LACAN, a letra A maiúscula é a inicial do vocábulo francês Autre, que LACAN chama de “grande outro”, termo com o qual ele refere mais propriamente a figura do pai interditor, como representante exterior da lei, opondo-se à díade imaginária com a mãe. Como letra minúscula, é inicial de autre ou “pequeno outro” e refere mais geralmente (mas não unicamente) a mãe, tal como está situada no plano do imaginário.

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No Programa de Educação Médica Continuada (PEC)

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VIVÊNCIAS DE UM PSICANALISTA

103

No Programa de Educação Médica Continuada (PEC)

A FILOSOFIA E O MODO DE AGIR DO PEC

No fim da década de 1960, surgiu a idéia de criar-se junto à Associação

Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS) um departamento que se encarregasse de introduzir em cidades do interior do Estado um moderno sistema de aprendizado na formação de uma autêntica identidade médica e da prática cotidiana da medicina, especialmente no que tange ao relacionamento médico-paciente. A iniciativa principal desse projeto foi do saudoso

Isaac Lewin, a quem já me referi antes. Falecido muito cedo, Lewin foi um grande idealista, com uma concepção integrativa (biopsicossocial) da medicina.

O projeto foi aceito pela diretoria da AMRIGS e Lewin montou uma equipe pioneira, constante de um grupo fixo composto por um médico internista, um gineco-obstetra, um pediatra, um cirurgião e um psiquiatra, além de outros colegas especialistas, como radiologista, laboratorista, etc.

Eu tive a ventura de ser convidado pelo querido Lewin para ser o integrante da primeira equipe formada. Foram feitos os necessários contatos com os grupos médicos de determinadas cidades de porte médio do interior que já possuíssem hospital em boas condições de funcionamento. Dentre as cidades interessadas, por uma série de critérios, a primeira escolhida foi

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Capítulo 22 Insight, Elaboração e Cura

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FUNDAMENTOS BÁSICOS DAS GRUPOTERAPIAS

185

CAPÍTULO 22

Insight, Elaboração e Cura

A aquisição de insight, o processo de elaboração e os resultados terapêuticos são indissociados entre si, razão pela qual serão estudados em conjunto.

INSIGHT

De acordo com a sua etimologia: in (dentro de) + sight (visão), a palavra insight conceitua a aquisição de uma visão interna, a qual se processa a partir da atividade interpretativa do terapeuta. A conceituação de insight, antes do que um simples acréscimo de conhecimentos sobre si próprio, deve se entendida como um descobrimento, no sentido de que o contexto da palavra sugere: o retirar (des) o véu que cobre (coberta) as verdades preexistentes. As descobertas propiciam novas criações.

Em linhas esquemáticas podemos dizer que o insight se processa numa certa seqüência temporal em cinco modos distintos: o insight intelectivo, o cognitivo, o afetivo, o reflexivo e o pragmático.

Insight intelectivo. Neste caso, talvez não se justifique o uso do termo insight, tendo em vista que, enquanto intelectivo, ele não só é inócuo como pode ser prejudicial em alguns casos, como é, por exemplo, a possibilidade de que venha unicamente a reforçar o arsenal defensivo de pacientes que são marcantemente intelectualizadores, como, por exemplo, os obsessivos ou narcisistas.

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