Yves De La Taille (4)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788536316925

Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

4

Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316925

Capítulo 2. Cultura do sentido

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

2

Cultura do sentido

Fechei o capítulo anterior afirmando que somente uma cultura do sentido pode vencer uma cultura do tédio. Afirmei também que tal batalha é possível de ser travada com provável sucesso. Nunca uma cultura é um todo coeso. Em todas elas há sempre paradoxos, tensões, oposições, ambiguidades, contradições, que permitem o movimento, a evolução, a superação. O mesmo vale para os indivíduos. A abordagem construtivista, à qual me filio, vê no homem ricas capacidades de adaptação, de autorregulação, de equilibração, que lhe permitem criar novas formas de pensar e de sentir, que lhe permitem criar novas estruturas mentais que podem dar novos rumos à compreensão que tem do mundo e da vida. A abordagem construtivista vê no sujeito recursos para superar insatisfações, resolver problemas, sair de situações desconfortáveis ou até mesmo insuportáveis.

Para tanto, duas condições devem ser contempladas. A primeira: que o sujeito esteja, de fato, em uma situação que considera problemática. A segunda: que tenha a seu alcance elementos para alimentar a construção de novas soluções.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316925

Capítulo 1. Cultura do tédio

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

1

Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316925

Capítulo 3. Cultura da vaidade

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

3

Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

Ver todos os capítulos
Ygor Corr A Carina Rebello Cruz (11)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788584291670

Capítulo 10. A construção comunicativa digital dos sujeitos comunicantes surdos: estratégias metodológicas

Ygor Corrêa; Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

10

A construção comunicativa digital dos sujeitos comunicantes surdos: estratégias metodológicas

Janaína Pereira Claudio

O presente capítulo propõe-se a fazer uma reflexão inicial sobre as análises metodológicas adotadas e as experiências da autora durante a sua tese de doutorado (CLAUDIO,

2016), cuja temática é a busca do entendimento e do reconhecimento do uso, da apropriação e das práticas sociais nos processos comunicativos digitais dos sujeitos comunicantes surdos brasileiros. Esse processo permitiu pensar e estudar um modo de desenvolvimento do objeto de pesquisa que se constituem nas práticas acerca do uso da rede social Facebook pelos sujeitos comunicantes surdos.

Optou-se pela metodologia estruturada em combinações técnicas, como a análise de materiais de arquivo nos ambientes digitais, que são fruto de uma observação sistemática, além da aplicação de questionários, como blocos temáticos e entrevistas etnográficas (ANGROSINO, 2009), com os relatos de trajetórias de vida dos quatro entrevistados surdos que vivenciam deslocamentos territoriais digitais e novas formas de comunicação em comunidades surdas no Brasil. Assim, a importância do uso das mídias nesse método promove reflexões sobre os conhecimentos e experiências dos sujeitos comunicantes surdos usuários do

Ver todos os capítulos
Medium 9788584291670

Capítulo 8. As tecnologias como ferramentas auxiliares na comunicação em língua portuguesa para usuários de língua brasileira de sinais

Ygor Corrêa; Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

8

As tecnologias como ferramentas auxiliares na comunicação em língua portuguesa para usuários de língua brasileira de sinais

Nelson Goettert

As tecnologias têm se apresentado como ferramentas fundamentais para o desenvolvimento e a constituição dos sujeitos surdos.

A partir do desenvolvimento e da ampliação do acesso às novas tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), torna-se necessária a análise do papel delas na comunicação dos surdos. Levando em consideração essas questões, o presente capítulo está organizado em quatro eixos, nos quais se apresentam um breve histórico das TDICs utilizadas pelos surdos, as tecnologias digitais e a comunicação dos surdos, a construção da identidade por meio da comunicação e a comunicação mediada pelas tecnologias.

Os sujeitos surdos estão expostos a inúmeros materiais escritos, o que torna necessário o aprendizado da língua portuguesa.

Parte da dificuldade de comunicação dos surdos se dá pela falta de conhecimento de palavras ou da estrutura da língua escrita.

Ver todos os capítulos
Medium 9788584291670

Capítulo 6. Glossário virtual de língua brasileira de sinais: constituição e usabilidade

Ygor Corrêa; Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

6

Glossário virtual de língua brasileira de sinais: constituição e usabilidade

Cássia Geciauskas Sofiato

O uso de imagens na educação de surdos tem sido observado desde o século XVI, quando os primeiros educadores começaram a desenvolver suas práticas pedagógicas mediadas por tal recurso (SOFIATO, 2016).

De meados do século XVI até a contemporaneidade, o discurso referente à importância da imagem na educação de surdos se faz presente e, hoje, além da imagem impressa, a imagem em movimento ocupa lugar de destaque devido à utilização da tecnologia em diferentes espaços educacionais.

Em contextos educativos, muitas são as possibilidades que se apresentam que podem contar com o uso do recurso imagético, e uma das questões proeminentes é o emprego da tecnologia para o ensino e aprendizado da língua brasileira de sinais

(Libras). Para tal, por vezes são utilizados dicionários ou manuais impressos e também dicionários e glossários virtuais, hoje mais abundantes e de fácil acesso.

Ver todos os capítulos
Medium 9788584291670

Capítulo 9. Uma análise dos surdos como sujeitos bilíngues nas redes sociais

Ygor Corrêa; Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

9

Uma análise dos surdos como sujeitos bilíngues nas redes sociais

Tatiane Folchini dos Reis | Edgar Roberto Kirchof

O surgimento das mídias digitais e, mais especificamente, das redes sociais na internet vem modificando significativamente não apenas as formas de comunicação das comunidades de sujeitos surdos, mas também as suas formas de sociabilidade. Embora já exista um número expressivo de publicações e estudos sobre o impacto das redes sociais na sociedade contemporânea, de maneira geral, ainda há relativamente poucos estudos sobre o modo como os sujeitos surdos se inserem nesse contexto. Conforme ressaltam os pesquisadores Power, Power e

Horstmanshof (2006, p. 80),

[…] apesar da expansão do uso das tecnologias de comunicação por parte dos surdos, há poucas publicações sobre como eles utilizam a comunicação eletrônica em suas vidas sociais e no trabalho, bem como sobre as implicações disso em suas concepções de identidade e de comunidade.

Em nível internacional, embora em número reduzido, existem, desde os anos

Ver todos os capítulos
Medium 9788584291670

Capítulo 5. Framework Términus: comunidades de prática virtuais como apoio ao desenvolvimento de neologismos terminológicos em língua de sinais

Ygor Corrêa; Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

5

Framework Términus: comunidades de prática virtuais como apoio ao desenvolvimento de neologismos terminológicos em língua de sinais

Daniela S. Saito | Elisa Maria Pivetta

Para o pleno exercício da cidadania, além do acesso à informação e ao conhecimento, os cidadãos devem ser capazes de construir significados e desenvolver seu senso crítico

(FRADE, 2002; SILVA et al., 2005). No caso dos surdos, a diferença na modalidade de comunicação, que é visuoespacial, traz alguns desafios relativos ao acesso ao conhecimento. O reconhecimento e a regulamentação da língua brasileira de sinais (Libras) trouxeram grandes avanços em relação ao tema no que se refere ao respeito à diversidade humana, ampliando as oportunidades para o exercício do direito à cidadania.

Embora os avanços sejam visíveis, é sabido que a Libras foi, por muito tempo, excluída dos espaços sociais, e que os impactos dessa exclusão ainda se fazem presentes. Até os dias atuais, em decorrência desse período, é comum identificar problemas quanto ao repertório da língua. Mais especificamente, o que se nota é que muitos conceitos de áreas de especialidade não possuem terminologia específica em língua de sinais. Essa ausência prejudica o acesso aos conhecimentos de uma forma mais natural aos surdos nos mais diversos contextos. Com isso, dependendo da abordagem escolhida para apresentá-los, a compreensão pode se tornar uma tarefa bastante complexa.

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Werner Peter H Williams Lori H Hall Tina J (9)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788520440186

2. Como adaptar a ginástica à sua situação de ensino

WERNER, Peter H.; WILLIAMS, Lori H.; HALL, Tina J. Editora Manole PDF Criptografado

Capítulo

2

Como adaptar a ginástica à sua situação de ensino

Após ler e compreender este capítulo, você será capaz de:

• discutir fatores que sejam similares no ensino de educação física nas escolas, independentemente do local ou da escola em que você lecione;

• discutir fatores que sejam diferentes e exclusivos a cada escola e a cada situação de ensino;

• discutir ideias que orientem a tomada de decisões ao planejar o ensino da ginástica; e

• aplicar conhecimentos sobre conteúdo, pedagogia e conteúdo pedagógico, de modo a implementar efetivamente um programa de ginástica.

E

nsinar seria muito mais fácil se todas as escolas e todos os níveis fossem idênticos. Nesse caso, um currículo-padrão com planos de aulas detalhados funcionaria em qualquer lugar. O fato, no entanto, é que nossas situações de ensino possuem algumas similaridades – mas algumas enormes diferenças! As similaridades incluem a necessidade de planejar, de estabelecer normas para o uso de equipamentos, de proporcionar uma prática ampla e desenvolver um ambiente de aprendizado positivo, promover um ambiente seguro, trabalhar com várias faixas etárias, diferentes habilidades e com necessidades especiais dentro de um mesmo grupo de alunos, e atuar como defensor da ginástica. As diferenças incluem o tamanho da sala de aula, a frequência e a duração das aulas, as instalações e os tipos de equipamento.

Ver todos os capítulos
Medium 9788520440186

3. Como incorporar a ginástica em seu programa

WERNER, Peter H.; WILLIAMS, Lori H.; HALL, Tina J. Editora Manole PDF Criptografado

Capítulo

3

Como incorporar a ginástica em seu programa

Após ler e compreender este capítulo, você será capaz de:

• criar seus próprios objetivo e sequência para ginástica com base em seu conhecimento das normas norte-americanas, nos resultados de desempenho para a educação física e em sua própria situação de ensino;

• descrever os estágios da ginástica e fornecer exemplos de cada estágio com suas próprias palavras;

• escolher uma tarefa informativa ou um ponto de partida para uma experiência de aprendizagem de ginástica e apresentar três tarefas de extensão, três de refinamento e três de aplicação para desenvolver o conteúdo em ginástica;

• discutir as habilidades gerais da ginástica em relação às categorias em cada uma delas, exemplos de cada categoria e dos princípios do movimento que governam cada categoria;

• descrever como as variáveis do processo (corpo, espaço, esforço e relacionamento) podem ser usadas no desenvolvimento do conteúdo em ginástica;

Ver todos os capítulos
Medium 9788520440186

Apêndice: Formulários e folhetos

WERNER, Peter H.; WILLIAMS, Lori H.; HALL, Tina J. Editora Manole PDF Criptografado

Apêndice:

Formulários e folhetos

C

omo professor, você provavelmente vai achar esta série de formulários bem útil para promover e desenvolver seu programa de ginástica. Ela começa com um relatório de ginástica que você pode enviar aos pais junto do boletim escolar da criança. Quando preenchê-lo, um simples asterisco (*) pode representar as habilidades que uma criança aprendeu durante a unidade. Além disso, você pode usar um D, P ou F para indicar o nível de domínio de uma habilidade ou de um conceito (veja a explicação na parte final do relatório). O espaço na parte final do relatório permite que você escreva comentários breves sobre séries, sequência de trabalho, avaliação cognitiva e afetiva.

Em seguida, há uma série de cartões de tarefas que servem de exemplos para você usar em conjunto com o trabalho individual ou da estação de trabalho em um ambiente de ginástica. Uma série de jogos de equilíbrio, um sistema de notação de ginástica e uma folha do centro de

Ver todos os capítulos
Medium 9788520440186

4. Como avaliar o progresso das crianças na ginástica

WERNER, Peter H.; WILLIAMS, Lori H.; HALL, Tina J. Editora Manole PDF Criptografado

Capítulo

4

Como avaliar o progresso das crianças na ginástica

Após ler e compreender este capítulo, você será capaz de:

• discutir por que pode ser importante avaliar o progresso das crianças na ginástica;

• descrever métodos de avaliação alternativos e como você pode usar gabaritos para medir o progresso;

• usar as normas norte-americanas e os resultados de desempenho para cada grupo de séries para determinar o que avaliar;

• descrever tipos de avaliações alternativas;

• oferecer exemplos de avaliações informais nas áreas psicomotora, cognitiva e afetiva; e

• desenvolver métodos para reportar avaliações na ginástica para os pais ou outras partes interessadas.

M

uitos professores de educação física lecionam para cerca de 400 a 600 crianças por semana, e cada aluno tem em média duas aulas de 30 minutos. O problema é que aulas curtas para turmas grandes podem fazer a avaliação parecer uma tarefa imensurável. Ainda assim, existem muitas razões para avaliar, como verificar o progresso das crianças em alcançar resultados de desempenho estabelecidos, avaliar o programa geral, ganhar credibilidade com os administradores da escola e com os pais, além de verificar o que você, como professor, ensinou.

Ver todos os capítulos
Medium 9788520440186

7. Experiências de aprendizagem de rotação

WERNER, Peter H.; WILLIAMS, Lori H.; HALL, Tina J. Editora Manole PDF Criptografado

7

Capítulo

Experiências de aprendizagem de rotação

Este capítulo apresenta 11 experiências de aprendizagem do tema de habilidade motora de rotação.

Desenvolvemos as experiências de aprendizagem para as três categorias de rotação, que incluem as características e os princípios de rotação e movimento nos eixos longitudinal, transversal e anteroposterior.

O quadro a seguir apresenta a breve definição do foco de cada experiência de aprendizagem e uma sugestão das turmas em que elas podem ser desenvolvidas. Ao final do capítulo, apresentamos outras sugestões para estimular o desenvolvimento de outras experiências de aprendizagem na ginástica para crianças.

Experiências de aprendizagem deste capítulo

Foco

Nome

Turmas sugeridas

Características da rotação: balanço, rolamento

Bolas, ovos e lápis

Iniciais

Características da rotação: balanço, rolamento para trás

Tudo para trás

Iniciais

Princípios da rotação: raio da rotação

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Veen Wim (6)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788536316864

4. APRENDENDO DE MANEIRA DIVERTIDA

Veen, Wim Grupo A PDF Criptografado

Homo Zappiens

73

4

APRENDENDO DE

MANEIRA DIVERTIDA

Trate as pessoas como se elas fossem o que deveriam ser e con“tribuirá para que elas se tornem o que são capazes de ser.

Johann Wolfgang von Goethe

Nos capítulos anteriores, descrevemos a nova geração de crianças, que cresce em meio à tecnologia da informação e da comunicação. Descrevemos tais crianças como pensadores digitais e tentamos lhes dar uma visão geral sobre a tecnologia, que, para elas, não é novidade. Para você, contudo, talvez o assunto seja inédito e até mesmo revolucionário. Tentamos nomear as habilidades mais importantes e distintivas que essas crianças parecem desenvolver, o que as coloca à parte de nós e que nos faz chamá-las de Homo zappiens – uma nova espécie de ser humano. Também abordamos as similaridades entre jogar e aprender.

Neste capítulo, refletiremos sobre os aspectos de aprendizagem do comportamento do Homo zappiens. Tentaremos traduzir as habilidades que foram descritas no Capítulo 3 acerca de nossa visão atual da sociedade, para demonstrar como elas podem ser consideradas úteis na aprendizagem. A principal questão a responder neste capítulo é se, e como, a aprendizagem mudou por causa da tecnologia. Para fazê-lo, devemos primeiramente observar mais de perto a própria aprendizagem – o que ela é e como pode ser definida.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316864

5. PARANDO A MONTANHA-RUSSA

Veen, Wim Grupo A PDF Criptografado

Homo Zappiens

89

5

PARANDO A

MONTANHA-RUSSA algo que não fica nada a dever a um milagre o

“fatoÉ, nade verdade, os métodos modernos de ensino ainda não terem estrangulado inteiramente a sagrada curiosidade da investigação.

Albert Einstein

As pessoas sempre aprendem. Mesmo quando você pensa que elas estão realizando as atividades mais inúteis que se possa imaginar, ainda se pode dizer que estão aprendendo a ser mais experientes em fazer algo inútil. Esse adquirir experiência não é, porém, o que, em termos gerais, chamamos de aprendizagem. Pensamos na aprendizagem como alguma mudança mensurável ou perceptível em resposta a uma determinada situação. Essa própria definição impede a possibilidade de se aprender em uma só situação, já que nunca teremos a oportunidade de testemunhar a mudança em uma resposta a uma situação que não volte a ocorrer novamente. Agora você deve estar pensando: “Espere um pouco! Isso está errado”, e, é claro, mais uma vez você está certo. A aprendizagem não é um estado binário em nossa percepção, algo que você possa fazer ou não fazer; há vários graus de aprendizagem, pelo menos para o observador, embora um cientista possa argumentar que a aprendizagem é uma atividade binária.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316864

1. TEMPOS DE MUDANÇA

Veen, Wim Grupo A PDF Criptografado

1

TEMPOS DE MUDANÇA

Em tempos de mudança, aqueles que aprenderem herdarão a

“Terra, enquanto aqueles que já aprenderam encontrar-se-ão esplendidamente equipados para lidar com um mundo que não mais existe.

Eric Hoffer

Há alguns anos ficamos assombrados com a mídia, quando, com o final do século, deparamo-nos repentinamente com o que passou a ser chamado de o “bug do milênio”: os chips dos computadores haviam sido programados para ter uma data de seis dígitos e, com a passagem de 1999 para 2000, havia o risco de que esses chips passassem a informar que estávamos vivendo no ano de 1900, e não 2000. Havia o medo de que nossa vida e a sociedade que construimos com tanto cuidado – com nossos governos, nossos registros de transações, nossos equipamentos eletrônicos, entre muitas outras coisas – fossem seriamente prejudicadas. Para piorar o problema, muitos dos programadores daqueles antigos chips, feitos em linguagem FORTRAN ou COBOL, estavam aposentados, levando seu conhecimento embora com eles. O quadro apresentado era de desastre.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316864

6. O QUE AS ESCOLAS PODERIAM FAZER

Veen, Wim Grupo A PDF Criptografado

100

Veen & Vrakking

mais tempo a ela. Por outro lado, se você acha que devemos mudar alguma coisa, não se sinta desestimulado se nossas sugestões não estiverem em perfeita consonância com o que você pensa. Como última observação, gostaríamos novamente de recomendar a visita a nosso site (www.homozappiens.nl), que servirá como uma plataforma e oportunidade de discussão sobre os tópicos da aprendizagem, educação e progresso tecnológico.

CENÁRIOS PARA A EDUCAÇÃO FUTURA

Presumimos e desejamos que nossas visões não sejam apenas fantasias, mas que recebam apoio de outras pessoas. Assim, pensamos que as escolas deveriam se encaixar na sociedade a que servem, e, por isso, projetar escolas para o futuro é algo que se deve fazer tendo em mente os avanços da sociedade. O problema todo é dispor ou não de precognição: alguns alegam tê-la, embora ninguém possa provar. Um método bem-conhecido, e de uma natureza bem-pensada, no lidar com a incerteza futura é o desenvolvimento de cenários, que são futuros quadros possíveis, retirados das tendências atuais e de nossas expectativas. Tendemos a depositar maior confiança em cenários que são sustentados por especialistas reconhecidos

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316864

2. CONHECENDO O HOMO ZAPPIENS

Veen, Wim Grupo A PDF Criptografado

2

CONHECENDO O

HOMO ZAPPIENS

A curto prazo, sempre superestimamos os efeitos das novas tecnologias, mas, a longo prazo, sempre os subestimamos.

Richard Thieme

“Repentinamente, as crianças que chegavam à nossa escola demonstravam um comportamento bastante diferente: direto, ativo, impaciente, incontrolável e, de certa forma, indisciplinado; parecia-me que algo havia acontecido no verão. Isso me assustava e empolgava ao mesmo tempo.”

Foi assim que uma professora sueca descreveu o que sentiu quando começou o novo ano letivo em um bairro de Estocolmo na metade da década de

1990, quando crianças de 6 anos voltaram à escola depois das férias de verão. A professora teve a sensação de que de um ano para o outro uma nova geração surgira e que ela tinha de lidar com elas, ainda não sabendo, mas percebendo, que precisaria empregar estratégias e abordagens diferentes.

Desde que essa professora teve tal impressão sobre seus alunos, muitos colegas na Europa inteira experimentaram o fato de que os alunos de hoje demandam novas abordagens e métodos de ensino para que se consiga manter a atenção e a motivação na escola. Ouvimos muitos deles dizerem que os alunos dedicam atenção às coisas por um período curto de tempo, que não conseguem ouvir alguém falar por mais de cinco minutos.

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Tizuko Morchida Kishimoto J Lia Oliveira Formosinho (7)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788565848695

Capítulo 3 - Questões de letramento emergente e do processode alfabetização em classes do 1o ano do ensinofundamental para crianças de 6 anos.

Tizuko Morchida Kishimoto; Júlia Oliveira-Formosinho Grupo A PDF Criptografado

3

Questões de letramento emergente e do processo de alfabetização em classes do 1o ano do ensino fundamental para crianças de 6 anos

Idméa Semeghini-Siqueira

Este capítulo trata de uma investigação realizada em duas classes de alunos de 6 anos de uma escola pública, início da escolarização obrigatória, com o intuito de discutir as atividades propostas e verificar a existência de fatores que poderiam explicar os problemas de leitura e escrita no decorrer do ensino fundamental (EF) de 9 anos, que recebe os alunos de 6 a 15 anos.

Atualmente, é considerável o número de pesquisas (Ribeiro, 2004;

Soares, 2004a) e publicações em diferentes mídias (Schleicher, 2008) que demonstram interesse em encontrar soluções para minimizar o problema dos restritos graus de letramento apresentados por jovens de 15 anos. Os resultados (provenientes de escolas públicas e particulares) dos testes de avaliação internacionais, encomendados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) (Pisa, 2000, 2003,

Ver todos os capítulos
Medium 9788565848695

Capítulo 4 - A dimensão da alfabetização na educaçãomatemática infantil

Tizuko Morchida Kishimoto; Júlia Oliveira-Formosinho Grupo A PDF Criptografado

4

A dimensão da alfabetização na educação matemática infantil

Manoel Oriosvaldo de Moura

Neste capítulo, discute-se uma dimensão de alfabetização matemática, tornando-a um processo de apropriação de conhecimento por aquele que se insere em uma determinada cultura como sujeito. Sujeito aqui entendido como aquele que tem como objetivo de sua aprendizagem tanto as significações construídas socialmente quanto os modos de construí-las.

Sendo assim, na educação escolar, o conteúdo e o modo de apropriação deste se constituem em objetos de ensino. A atividade de ensino, como o modo de objetivação da aprendizagem, é uma organização do professor, que tem como intencionalidade proporcionar condições para que os que a realizam se apropriem de conhecimentos que consideramos relevantes para o bem viver. Ao ensinar, o professor, como parceiro mais capaz, na perspectiva vygotskiana, e com uma responsabilidade outorgada por uma comunidade, deverá ter como intencionalidade proporcionar àqueles que chegam ao grupo a apropriação de instrumentos simbólicos que lhes permitam interagir e produzir nessa comunidade.

Ver todos os capítulos
Medium 9788565848695

Capítulo 2 - Desenvolvimento profissional em contexto

Tizuko Morchida Kishimoto; Júlia Oliveira-Formosinho Grupo A PDF Criptografado

2

Desenvolvimento profissional em contexto: estudo de condições de formação e mudança

Mônica Appezzato Pinazza

Este capítulo refere-se a uma investigação-ação desenvolvida em colaboração entre a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo e um centro de educação infantil (CEI) da rede municipal de educação da cidade de São Paulo, desde 2005. Cumprido um período de quatro anos (2005-2008), entendeu-se que, para falar do processo formador desencadeado na unidade de educação infantil e dos eventuais impactos nas práticas com as crianças, nada mais conveniente do que ouvir as próprias pessoas envolvidas nesse processo.

Neste capítulo, pretende-se trazer à luz as impressões pessoais de professoras sobre as suas experiências em uma proposta definida como formação contínua em contexto, de tal sorte ser possível depreender, de seus depoimentos, os elementos que melhor definem essa proposta. Para tanto, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 13 professoras do centro de educação infantil, 10 professoras que acompanharam o processo desde 2005 e 3 professoras que chegaram à unidade em 2008 e que manifestaram intenção de permanência em 2009. As entrevistas aconteceram no período de outubro a dezembro de 2008, e os depoimentos foram considerados mediante a realização de análise de conteúdo (Bardin, 1977; Lankshear; Knobel, 2008).

Ver todos os capítulos
Medium 9788565848695

Capítulo 1 - Brincar, letramento e infância

Tizuko Morchida Kishimoto; Júlia Oliveira-Formosinho Grupo A PDF Criptografado

1

1

Brincar, letramento e infância

1

Tizuko Morchida Kishimoto

O letramento na infância tem sido tema polêmico, refletindo-se em eventos científicos, como no Congresso de Leitura do Brasil (Cole), realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 2003, em que afloram diversas concepções sobre o mundo da escrita da pequena infância, e no XV Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino (ENDIPE), em Belo Horizonte, em 2010, que desnuda as convergências e tensões no campo da alfabetização e letramento. Esse embate aparece em publicações

(Faria; Mello, 2005; Frade et al., 2010) que tratam da questão na ultima década. Afirmações de que não se pode alfabetizar crianças pequenas se contrapõem a outras que mencionam ser a alfabetização um processo que tem início desde o nascimento e a outras, ainda, que tratam a alfabetização como algo diverso do letramento.

Diante do problema, o presente capítulo pretende aprofundar a questão inserindo um novo elemento na educação do primeiro segmento da infância – o brincar, em decorrência das novas Diretrizes Curriculares

Ver todos os capítulos
Medium 9788565848695

Capítulo 6 - Da pedagogia burocrática à pedagogia intercultural:diversidade cultural na escola para todos

Tizuko Morchida Kishimoto; Júlia Oliveira-Formosinho Grupo A PDF Criptografado

6

Da pedagogia burocrática à pedagogia intercultural: diversidade cultural na escola para todos

João Formosinho

Joaquim Machado

A modernidade caracterizou-se pela construção de sistemas educativos baseados em uma interpretação uniformista da igualdade progressivamente concretizada em um currículo uniforme, em uma pedagogia transmissiva e em uma organização pedagógica destinada a facilitar o ensinar a todos como se fossem um só. A construção da escola fundamental, baseada em concepções burocráticas que perspectivavam a igualdade como tratamento impessoal, opôs-se a uma evolução das ideias pedagógicas que valorizou a diferenciação pedagógica e o envolvimento das pessoas na construção da sua aprendizagem. A “pedagogia burocrática” construída pelo “autor anônimo” tem vindo a apresentar-se como a pedagogia oficiosa da escola para todos, em detrimento das pedagogias participativas. Na sociedade pós-moderna, o respeito pelas diferenças sociais e culturais emerge como um valor tão importante como o da igualdade. O conceito de educação compensatória, baseado na visão moderna das diferenças como déficit que se constitui no principal obstáculo ao sucesso da pedagogia burocrática, tem sido progressivamente questionado por uma pedagogia intercultural, baseada em uma aceitação e valorização pós-moderna das diferenças e preconizando a participação na construção da própria aprendizagem e identidade cultural. Este capítulo apre­ senta a Pedagogia-em-Participação promovida pela Associação Crian­ça como uma pedagogia intercultural.

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Carregar mais