Z Delia Lerner (2)
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Capítulo 1. Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário

Z. Delia Lerner Grupo A PDF Criptografado

Ler e escrever na escola

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1

Ler e Escrever na Escola:

O Real, o Possível e o Necessário1

Ler e escrever... Palavras familiares para todos os educadores, palavras que marcaram e continuam marcando uma função essencial – talvez a única função – da escolaridade obrigatória. Redefinir o sentido dessa função – e explicar, portanto, o significado que se pode atribuir hoje a esses termos tão arraigados na instituição escolar – é uma tarefa incontestável.

Ensinar a ler e escrever é um desafio que transcende amplamente a alfabetização em sentido estrito. O desafio que a escola enfrenta hoje é o de incorporar todos os alunos à cultura do escrito, é o de conseguir que todos seus exalunos cheguem a ser membros plenos da comunidade de leitores e escritores.2

Participar na cultura escrita supõe apropriar-se de uma tradição de leitura e escrita, supõe assumir uma herança cultural que envolve o exercício de diversas operações com os textos e a colocação em ação de conhecimentos sobre as relações entre os textos; entre eles e seus autores; entre os próprios autores; entre os autores, os textos e seu contexto...

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Capítulo 2. Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita

Z. Delia Lerner Grupo A PDF Criptografado

Ler e escrever na escola

27

2

Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita

Ler, escrever, evocar... Um texto evoca outros textos, um título evoca outros títulos. “Para transformar o ensino da leitura e da escrita” – novo título para uma nova versão do artigo original1 – é uma alusão a “Para fazer o retrato de um pássaro”, esse poema de Prévert que poderia ser lido como um texto instrucional para se realizar uma difícil missão como a que se propõe aqui: tentar que um pássaro aceite posar como modelo, que detenha seu vôo sem perder sua liberdade; tentar que a escola levante vôo, que produza transformações substanciais sem perder sua especificidade institucional, sem renunciar a sua função ensinante.

Não se desanimar – é o conselho do poeta –, persistir na tentativa, renovar os esforços mais uma vez... Apelar para todas as ferramentas necessárias para tornar realidade um propósito que é difícil alcançar, mas para o qual é imprescindível se encaminhar.

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Yves De La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
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1 Valores em crise: o que nos causa indignação?

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

16 La Taille, Menin & cols.

Antes dessa apresentação, todavia, é preciso que nos questionemos: por que a indignação? A resposta a essa pergunta remete-nos a pensar na complexidade dos estudos sobre moral e ética e suas fontes. Em outras palavas, para entender o papel desse sentimento – indignação – na formação de um valor moral, será preciso, primeiro, supor que este participa efetivamente dessa construção. Essa mesma discussão nos ajudará, mais tarde, a pensar na tarefa da escola ao tratar da formação moral e ética de seus alunos.

A COMPLEXIDADE DOS ESTUDOS SOBRE MORAL E ÉTICA

Na história da filosofia clássica, por muito tempo a moral foi compreendida enquanto um conjunto de normas a serem seguidas. O bem e o mal, nessa concepção, são pensados exatamente como normas que vêm de fora, da religião, por exemplo. E se nos perguntarmos o que, ainda segundo essas premissas, define ou classifica tais condutas como boas ou ruins, poderemos ter como resposta: a razão.

Mas a mesma história aponta-nos o contrário: Shaftesbury (Taylor,

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2 As virtudes segundo os jovens

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

2

As virtudes segundo os jovens

Yves de La Taille

Virtudes! Tema clássico da moralidade e do civismo. E também tema recorrente da antiga educação moral que, baseada no “verbo docente”, cantava as glórias de algumas delas e denunciava os terríveis riscos pessoais e sociais de seus opostos, os vícios. Lê-se, por exemplo, no livro Petite

Histoire de l’enseignement de la morale à l’école de Michel Jeury e JeanDaniel Baltassat, que uma atividade proposta às crianças era a de conjugar em vários tempos e modos frases do tipo “Eu preferiria me matar a faltar com o meu nome”, ou “Seja bom. Seja forte. Não seja maldoso. Tenha confiança. Não tenha medo. Escute, não se mexa! Acorde! Acabe sua lição.

Não se queixe” (Jeury; Baltassat; 2000, p.73). Como se vê, virtudes como honra, coragem, bondade, confiança, perseverança, tranquilidade, força, e outras mais eram, sem demais nuances, apresentadas como qualidade boas e necessárias ao adulto digno desse nome. Quanto aos vícios, eles eram evidentemente definidos como aspectos pessoais contrários às virtudes.

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Medium 9788536319414

3 Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

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3

Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

Denise D’Aurea-Tardeli

A missão da educação é transmitir conhecimentos integrados em uma cultura por meio de uma perspectiva ética, fato que leva a educar em valores, não quaisquer valores, mas sim, valores éticos, isto é, aqueles que formam o caráter e permitem promover um mundo mais justo. Isso não é tarefa fácil, já que esses valores vinculam-se a representações sociais e manifestações afetivas que os constituem, bem como a conteúdos de natureza moral.

Tomamos aqui as explicações de Piaget (1954) que dizem que os valores referem-se a uma troca afetiva do sujeito com os objetos, entendendo objeto como as coisas e as pessoas do mundo exterior. Sendo assim, os valores são construídos com base nas interações que o sujeito faz com a realidade. Segundo Araújo (2007, em Arantes, p. 20), “nessa concepção (...) os valores nem estão pré-determinados nem são simples internalizações (de fora para dentro), mas resultantes das ações do sujeito sobre o mundo objetivo e subjetivo em que ele vive”.

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Medium 9788536319414

4 O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

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O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

Júlio Rique Neto

INTRODUÇÃO

O debate sobre valores apresentado neste trabalho reflete a preocupação com a possibilidade de que os interesses pessoais e privados, motivados por um individualismo exacerbado, estejam avançando na área dos interesses públicos e sociais. Em outras palavras, as pessoas não estariam mais demonstrando o interesse de participar da sociedade em benefício do coletivo, mas sim em benefício próprio. Sendo assim, pergunta-se: estaríamos vivendo uma crise de valores ou estariam os valores em crise? Crise de valores é a idéia de que certos valores sociais e morais estão doentes e em vias de extinção. Por outro lado, valores em crise indicam que certos valores sociais e morais estão em um processo de reconstrução na sua definição e/ ou forma de expressão, para se adequarem ao momento histórico. Nesse contexto de dúvida, entre estado de crise e de transição, encontram-se os valores cívicos. A questão é: estariam os valores do civismo em extinção ou sofrendo uma transição na sua definição e forma?

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Medium 9788536319414

5 Valores evocados nos posicionamentos referente sàs cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

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5

Valores evocados nos posicionamentos referentes

às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Maria Suzana De Stefano Menin

Alessandra de Morais Shimizu

Divino José Silva

INTRODUÇÃO

Crise de valores ou valores em crise? No decorrer deste texto propomo-nos enfrentar o desafio que é pensar, com base em uma pesquisa, o tema “cotas para alunos negros e alunos de escola pública no ensino superior público brasileiro”, no registro dessa pergunta, a qual La Taille denominou enigmática. Mesmo a denominando enigmática, La Taille já nos adiantou um comentário que retira dela seu caráter de mistério, pois não se trata de um enigma como aquele proposto pela Esfinge a Édipo, “decifra-me ou te devoro!”, mas de refletirmos a respeito de valores presentes em nossas práticas e discursos contemporâneos, que não sabemos, ainda, de que polo da pergunta acima enfrentá-los. Enfim, a discussão que hoje presenciamos no Brasil a respeito das cotas no ensino superior, trata-se de crise de valores ou de valores em crise? Como esclarece La

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Yves De La Taille (4)
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Medium 9788536316925

Capítulo 1. Cultura do tédio

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1

Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

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Capítulo 2. Cultura do sentido

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

2

Cultura do sentido

Fechei o capítulo anterior afirmando que somente uma cultura do sentido pode vencer uma cultura do tédio. Afirmei também que tal batalha é possível de ser travada com provável sucesso. Nunca uma cultura é um todo coeso. Em todas elas há sempre paradoxos, tensões, oposições, ambiguidades, contradições, que permitem o movimento, a evolução, a superação. O mesmo vale para os indivíduos. A abordagem construtivista, à qual me filio, vê no homem ricas capacidades de adaptação, de autorregulação, de equilibração, que lhe permitem criar novas formas de pensar e de sentir, que lhe permitem criar novas estruturas mentais que podem dar novos rumos à compreensão que tem do mundo e da vida. A abordagem construtivista vê no sujeito recursos para superar insatisfações, resolver problemas, sair de situações desconfortáveis ou até mesmo insuportáveis.

Para tanto, duas condições devem ser contempladas. A primeira: que o sujeito esteja, de fato, em uma situação que considera problemática. A segunda: que tenha a seu alcance elementos para alimentar a construção de novas soluções.

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Capítulo 3. Cultura da vaidade

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

3

Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

4

Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

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Ygor Corr A Carina Rebello Cruz (11)
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Medium 9788584291670

Capítulo 10. A construção comunicativa digital dos sujeitos comunicantes surdos: estratégias metodológicas

Ygor Corrêa, Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

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A construção comunicativa digital dos sujeitos comunicantes surdos: estratégias metodológicas

Janaína Pereira Claudio

O presente capítulo propõe-se a fazer uma reflexão inicial sobre as análises metodológicas adotadas e as experiências da autora durante a sua tese de doutorado (CLAUDIO,

2016), cuja temática é a busca do entendimento e do reconhecimento do uso, da apropriação e das práticas sociais nos processos comunicativos digitais dos sujeitos comunicantes surdos brasileiros. Esse processo permitiu pensar e estudar um modo de desenvolvimento do objeto de pesquisa que se constituem nas práticas acerca do uso da rede social Facebook pelos sujeitos comunicantes surdos.

Optou-se pela metodologia estruturada em combinações técnicas, como a análise de materiais de arquivo nos ambientes digitais, que são fruto de uma observação sistemática, além da aplicação de questionários, como blocos temáticos e entrevistas etnográficas (ANGROSINO, 2009), com os relatos de trajetórias de vida dos quatro entrevistados surdos que vivenciam deslocamentos territoriais digitais e novas formas de comunicação em comunidades surdas no Brasil. Assim, a importância do uso das mídias nesse método promove reflexões sobre os conhecimentos e experiências dos sujeitos comunicantes surdos usuários do

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Medium 9788584291670

Capítulo 11. Novas tecnologias e suas contribuições para o registro e a divulgação das línguas de sinais: uma discussão sobre o projeto SpreadTheSign no Brasil

Ygor Corrêa, Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

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Novas tecnologias e suas contribuições para o registro e a divulgação das línguas de sinais: uma discussão sobre o projeto SpreadTheSign no Brasil

Angela Nediane dos Santos | Karina Ávila Pereira | Tatiana Bolivar Lebedeff

Este capítulo apresenta uma discussão sobre as contribuições das novas tecnologias para o registro e a divulgação das línguas de sinais a partir do desenvolvimento do projeto SpreadTheSign no Brasil, entrelaçando o estudo sobre o impacto das novas tecnologias no registro das línguas de sinais e a experiência de divulgação e registro da língua brasileira de sinais (Libras) no dicionário internacional de línguas de sinais

SpreadTheSign.

O IMPACTO DAS TECNOLOGIAS

DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

PARA A COMUNIDADE SURDA

É inegável a contribuição que o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs) proporcionam, hodiernamente, para a humanidade. Nunca foi tão fácil e tão rápido se conectar, se encontrar, se comunicar e compartilhar o conhecimento produzido:

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Capítulo 1. Tecnologia para o estabelecimento de documentação de língua de sinais

Ygor Corrêa, Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

1

Tecnologia para o estabelecimento de documentação de língua de sinais

Ronice Müller de Quadros

A documentação de línguas para a constituição dos corpora se desenvolveu muito com os avanços tecnológicos. Segundo

McCarthy e Okeeffe (2010), a invenção do escâner representou um grande avanço na linguística de corpus na década de 1990.

Depois disso, na virada do milênio, os textos passaram a ser digitais de forma ilimitada, consolidando a linguística de corpus.

A possibilidade de ter à disposição dados linguísticos em grandes quantidades viabiliza a identificação de padrões que não eram vistos anteriormente. Conforme os autores indicam, o problema do linguista mudou de acessar grandes quantidades de dados para elaborar metodologias confiáveis que descrevam e deem conta das evidências linguísticas.

No caso das línguas de sinais, está se avançando na mesma direção. Com a possibilidade de acessar vídeos digitalmente, os dados nessas línguas tornam-se cada vez mais acessíveis e também em quantidades muito maiores do que antes. Além disso, os avanços tecnológicos permitem anotar vídeos usando softwares que os integram a sistemas de anotação que localizam os dados de modo muito preciso. Por exemplo, estamos usando o sistema de anotação Eudico (Eudico Language Annotator – Elan1), tecnologia esta que tem revolucionado os estudos linguísticos das línguas de sinais.

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Capítulo 2. Construção de ambientes virtuais de ensino e aprendizagem acessíveis para surdos: recomendações de projeto e avaliação de usabilidade

Ygor Corrêa, Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

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Construção de ambientes virtuais de ensino e aprendizagem acessíveis para surdos: recomendações de projeto e avaliação de usabilidade

Carla da Silva Flor | Tarcisio Vanzin

Ambientes virtuais de ensino e aprendizagem (AVEAs) são um conjunto de ferramentas digitais que favorecem o compartilhamento de informações para o gerenciamento da aprendizagem. Com a evolução dos sistemas de transmissão de dados pela internet, a transferência de vídeos tem se tornado cada vez mais fácil e rápida, o que corrobora o uso da língua de sinais nos AVEAs. De fato, estudos sobre o uso da língua de sinais em sites têm mostrado que eles facilitam a navegação de surdos na internet, uma vez que, quando os vídeos estão presentes, os surdos ficam menos desorientados (visitam menos páginas em busca da informação pretendida) do que quando estão navegando apenas por meio de hyperlinks textuais (FAJARDO; ABASCAL; CAÑAS, 2008; FAJARDO;

VIGO; SALMERÓN, 2009; FAJARDO; PARRA; CAÑAS, 2010).

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Capítulo 3. Auxiliando designers de recursos educacionais digitais bilíngues: uma proposta de 33 diretrizes de projeto

Ygor Corrêa, Carina Rebello Cruz Grupo A PDF Criptografado

3

Auxiliando designers de recursos educacionais digitais bilíngues: uma proposta de 33 diretrizes de projeto

Maria Nilza Oliveira Quixaba | Eduardo Cardoso | Gabriela Trindade Perry

O objetivo do trabalho descrito neste capítulo é o de apresentar diretrizes de projeto de recursos educacionais digitais, voltados para a educação bilíngue de surdos, como forma de auxiliar designers. A justificativa é que muitos designers não estão acostumados a projetos que envolvam tecnologias assistivas ou acessibilidade, mesmo que de maneira geral; não estão familiarizados com as necessidades do público surdo; não percebem que a língua brasileira de sinais

(Libras) e o português são dois idiomas distintos; e não compreendem a necessidade da educação bilíngue de surdos. Ainda que estas possam ser características da população em geral (no Brasil e no mundo), argumenta-se que, no caso dos designers, é preciso oferecer ferramentas que permitam uma rápida aculturação neste universo de modo que possam projetar recursos educacionais universais e inclusivos.

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Yasser Seirawan (46)
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Medium 9788536306643

10. O sacrifício de desobstrução

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XADREZ VITORIOSO: TÁTICAS

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10

O sacrifício de desobstrução

I

magine esta situação: você tem a oportunidade de fazer um grande lance – um lance forte o bastante para ganhar material ou talvez chegar ao xeque-mate.

O problema é que uma de suas peças está no caminho e, se tiver de gastar tempo removendo o obstáculo para uma casa segura, seu adversário terá a chance de preparar a defesa.

A solução para esse dilema é sacrificar a peça que está obstruindo o caminho. Conhecida como sacrifício de desobstrução, essa tática força o adversário a capturar o obstáculo, deixando livre a casa de seus sonhos e impedindo quaisquer medidas defensivas.

Como se pode forçar o adversário a fazer uma captura que levará a sua própria ruína? O melhor meio é dar um xeque no Rei inimigo com essa peça e assim forçar uma resposta. O segundo melhor meio é capturar alguma coisa com essa peça. Se o adversário não fizer a recaptura, você sairá com uma vantagem material.

Obviamente, um lance que envolve o xeque é o método mais atrativo. Apresentamos um exemplo no Diagrama 99, em que as brancas estão montando um

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Medium 9788536306643

11. Raios X e moinhos de vento

Yasser Seirawan Grupo A PDF Criptografado

104

YASSER SEIRAWAN & JEREMY SILMAN

seguro porque a Torre em c5 o protege; mas, nesse caso, essa segurança transforma-se em ilusão. Com 1...Txa5!, a Torre-a8 captura o peão, enquanto a Torre preta em d5 aplica um raio X. (O peão, na verdade, estava sendo atacado pelas duas Torres pretas, e a Torre-c5 branca não podia fazer nada para detê-las.)

A tática do raio X é particularmente forte diante de uma fraqueza na primeira fileira, pois, nesse caso, ameaças de xeque ou xeque-mate acrescentam combustível ao fogo. No Diagrama 105, as brancas têm consciência de que o Rei enfrenta o perigo de um xeque-mate na primeira fileira, mas, como a casa-e1 e a casa-f1 parecem bem defendidas, elas se sentem seguras e esperam 1...Txe2 2.Dxe2 para fazer uma troca equilibrada em termos de material. Elas não percebem que um raio X paira sobre suas cabeças e que a casa-e1 está sendo atacada não apenas pela Dama preta, mas também pela Torre. A morte das brancas é rápida e certa: 1...De1+! 2.Txe1 Txe1+ 3.Cf1 Txf1 xeque-mate.

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12. Zwischenzug

Yasser Seirawan Grupo A PDF Criptografado

12

Zwischenzug

S

empre me disseram que o xadrez é um esporte difícil para os americanos porque sua linguagem é muito “européia”. Além da luta com termos do tipo zugzwang, en passant e en prise, é preciso enfrentar os nomes dos jogadores, que são verdadeiros trava-línguas. Nomes como Dzindzihashvili, Nimzovich e Ljubojevic dificultam ainda mais a compreensão do jogo. Como qualquer outro esporte, o xadrez exige prática. No tempo certo, termos antes muito estranhos parecerão absolutamente naturais, e os nomes serão pronunciados tão facilmente quanto os de velhos amigos. Logo você vai acrescentar seu próprio jargão ao corpo clássico dos termos do xadrez.

Tomemos a tática zwischenzug como exemplo. Essa é uma palavra alemã que significa lance intermediário. No linguajar norte-americano, transformou-se em intermezzo (intermediário), zwischy e assim por diante.

A idéia embutida nesse termo é simples. Imagine que você esteja pensando em iniciar uma seqüência de trocas que seguem mais ou menos assim: “Eu capturo, ele captura, eu capturo, ele captura e, então, eu ganho um peão”. Parece uma boa idéia, não parece? Você coloca sua idéia em prática, mas o resultado é o seguinte: “Eu capturo, ele captura, eu capturo, ele dá um xeque? O.k., não tem problema, eu simplesmente movo meu Rei. Oh, não. Agora ele captura com um xeque! Xiiii.” O que aconteceu? Você foi vítima de um zwischenzug. Seu adversário usou um lance furtivo antes da recaptura prevista. Os advogados dizem que não se deve nunca fazer à vítima uma pergunta cuja resposta não se sabe. Bem, zwischenzugs são as réplicas inesperadas do xadrez. Em geral (mas não sempre) são xeques.

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13. Outros tipos de empates

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XADREZ VITORIOSO: TÁTICAS

111

13

Outros tipos de empates

É

impossível vencer sempre e, algumas vezes, as coisas andam tão mal que um empate parece até um resultado excepcional, diante das circunstâncias. Além da possibilidade de um mate afogado ou de um xeque perpétuo (veja o Capítulo 5), há outras opções para salvar um jogo. Neste capítulo discutiremos duas dessas opções: as perseguições perpétuas e a construção de fortalezas. Examinaremos também posições que resultam num empate porque o lado mais forte não tem material suficiente para forçar uma vitória. Todas essas situações costumam ocorrer com facilidade e, caso o jogador esteja na defesa, com freqüência é possível alcançar o empate numa partida que, de outro modo, estaria perdida. O falecido

Grande Mestre americano Sammy Reshevsky deu esse conselho simples sobre a melhor atitude a ser tomada numa situação aparentemente irremediável:

Agüente firme e torça por um erro grave.

Também é útil colocar-se no lugar do adversário e descobrir o tipo de lance que ele menos gostaria de ver você jogar.

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14. Adolf Anderssen (1818-1879)

Yasser Seirawan Grupo A PDF Criptografado

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Adolf Anderssen

(1818-1879)

N

ascido em Breslau, na Alemanha, Adolf Anderssen é considerado um dos maiores jogadores combinatórios de todos os tempos. No decorrer de sua longa carreira de partidas e torneios, venceu o primeiro grande torneio internacional (Londres, 1851) e foi classificado como o melhor jogador do mundo até a derrota para o norte-americano Paul Morphy, num match, em 1858. Anderssen também ganhou primeiros prêmios em Manchester, em 1862, e em Baden-Baden, em 1870; ficou em terceiro em Viena, em 1873; e terminou em sexto em Paris, 1878, aos

60 anos de idade.

Como a maioria dos jogadores de sua época, Anderssen sabia apenas atacar, mas, num mundo repleto de atacantes, não havia nenhum igual a ele. Suas duas vitórias mais famosas – a Imortal e a Sempre-viva – serão lembradas enquanto existir o xadrez. Com uma imaginação espantosa e visão tática inigualável, jogou partidas que se transformaram em fontes exemplares de criatividade, apreciadas por mestres do passado e do presente.

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