Yves De La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
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1 Valores em crise: o que nos causa indignação?

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16 La Taille, Menin & cols.

Antes dessa apresentação, todavia, é preciso que nos questionemos: por que a indignação? A resposta a essa pergunta remete-nos a pensar na complexidade dos estudos sobre moral e ética e suas fontes. Em outras palavas, para entender o papel desse sentimento – indignação – na formação de um valor moral, será preciso, primeiro, supor que este participa efetivamente dessa construção. Essa mesma discussão nos ajudará, mais tarde, a pensar na tarefa da escola ao tratar da formação moral e ética de seus alunos.

A COMPLEXIDADE DOS ESTUDOS SOBRE MORAL E ÉTICA

Na história da filosofia clássica, por muito tempo a moral foi compreendida enquanto um conjunto de normas a serem seguidas. O bem e o mal, nessa concepção, são pensados exatamente como normas que vêm de fora, da religião, por exemplo. E se nos perguntarmos o que, ainda segundo essas premissas, define ou classifica tais condutas como boas ou ruins, poderemos ter como resposta: a razão.

Mas a mesma história aponta-nos o contrário: Shaftesbury (Taylor,

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2 As virtudes segundo os jovens

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As virtudes segundo os jovens

Yves de La Taille

Virtudes! Tema clássico da moralidade e do civismo. E também tema recorrente da antiga educação moral que, baseada no “verbo docente”, cantava as glórias de algumas delas e denunciava os terríveis riscos pessoais e sociais de seus opostos, os vícios. Lê-se, por exemplo, no livro Petite

Histoire de l’enseignement de la morale à l’école de Michel Jeury e JeanDaniel Baltassat, que uma atividade proposta às crianças era a de conjugar em vários tempos e modos frases do tipo “Eu preferiria me matar a faltar com o meu nome”, ou “Seja bom. Seja forte. Não seja maldoso. Tenha confiança. Não tenha medo. Escute, não se mexa! Acorde! Acabe sua lição.

Não se queixe” (Jeury; Baltassat; 2000, p.73). Como se vê, virtudes como honra, coragem, bondade, confiança, perseverança, tranquilidade, força, e outras mais eram, sem demais nuances, apresentadas como qualidade boas e necessárias ao adulto digno desse nome. Quanto aos vícios, eles eram evidentemente definidos como aspectos pessoais contrários às virtudes.

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3 Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

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Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

Denise D’Aurea-Tardeli

A missão da educação é transmitir conhecimentos integrados em uma cultura por meio de uma perspectiva ética, fato que leva a educar em valores, não quaisquer valores, mas sim, valores éticos, isto é, aqueles que formam o caráter e permitem promover um mundo mais justo. Isso não é tarefa fácil, já que esses valores vinculam-se a representações sociais e manifestações afetivas que os constituem, bem como a conteúdos de natureza moral.

Tomamos aqui as explicações de Piaget (1954) que dizem que os valores referem-se a uma troca afetiva do sujeito com os objetos, entendendo objeto como as coisas e as pessoas do mundo exterior. Sendo assim, os valores são construídos com base nas interações que o sujeito faz com a realidade. Segundo Araújo (2007, em Arantes, p. 20), “nessa concepção (...) os valores nem estão pré-determinados nem são simples internalizações (de fora para dentro), mas resultantes das ações do sujeito sobre o mundo objetivo e subjetivo em que ele vive”.

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4 O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

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O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

Júlio Rique Neto

INTRODUÇÃO

O debate sobre valores apresentado neste trabalho reflete a preocupação com a possibilidade de que os interesses pessoais e privados, motivados por um individualismo exacerbado, estejam avançando na área dos interesses públicos e sociais. Em outras palavras, as pessoas não estariam mais demonstrando o interesse de participar da sociedade em benefício do coletivo, mas sim em benefício próprio. Sendo assim, pergunta-se: estaríamos vivendo uma crise de valores ou estariam os valores em crise? Crise de valores é a idéia de que certos valores sociais e morais estão doentes e em vias de extinção. Por outro lado, valores em crise indicam que certos valores sociais e morais estão em um processo de reconstrução na sua definição e/ ou forma de expressão, para se adequarem ao momento histórico. Nesse contexto de dúvida, entre estado de crise e de transição, encontram-se os valores cívicos. A questão é: estariam os valores do civismo em extinção ou sofrendo uma transição na sua definição e forma?

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5 Valores evocados nos posicionamentos referente sàs cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

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Valores evocados nos posicionamentos referentes

às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Maria Suzana De Stefano Menin

Alessandra de Morais Shimizu

Divino José Silva

INTRODUÇÃO

Crise de valores ou valores em crise? No decorrer deste texto propomo-nos enfrentar o desafio que é pensar, com base em uma pesquisa, o tema “cotas para alunos negros e alunos de escola pública no ensino superior público brasileiro”, no registro dessa pergunta, a qual La Taille denominou enigmática. Mesmo a denominando enigmática, La Taille já nos adiantou um comentário que retira dela seu caráter de mistério, pois não se trata de um enigma como aquele proposto pela Esfinge a Édipo, “decifra-me ou te devoro!”, mas de refletirmos a respeito de valores presentes em nossas práticas e discursos contemporâneos, que não sabemos, ainda, de que polo da pergunta acima enfrentá-los. Enfim, a discussão que hoje presenciamos no Brasil a respeito das cotas no ensino superior, trata-se de crise de valores ou de valores em crise? Como esclarece La

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Yves De La Taille (4)
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Capítulo 1. Cultura do tédio

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Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

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Capítulo 2. Cultura do sentido

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Cultura do sentido

Fechei o capítulo anterior afirmando que somente uma cultura do sentido pode vencer uma cultura do tédio. Afirmei também que tal batalha é possível de ser travada com provável sucesso. Nunca uma cultura é um todo coeso. Em todas elas há sempre paradoxos, tensões, oposições, ambiguidades, contradições, que permitem o movimento, a evolução, a superação. O mesmo vale para os indivíduos. A abordagem construtivista, à qual me filio, vê no homem ricas capacidades de adaptação, de autorregulação, de equilibração, que lhe permitem criar novas formas de pensar e de sentir, que lhe permitem criar novas estruturas mentais que podem dar novos rumos à compreensão que tem do mundo e da vida. A abordagem construtivista vê no sujeito recursos para superar insatisfações, resolver problemas, sair de situações desconfortáveis ou até mesmo insuportáveis.

Para tanto, duas condições devem ser contempladas. A primeira: que o sujeito esteja, de fato, em uma situação que considera problemática. A segunda: que tenha a seu alcance elementos para alimentar a construção de novas soluções.

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Capítulo 3. Cultura da vaidade

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Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

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Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

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Yasser Seirawan (46)
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10. O sacrifício de desobstrução

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XADREZ VITORIOSO: TÁTICAS

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O sacrifício de desobstrução

I

magine esta situação: você tem a oportunidade de fazer um grande lance – um lance forte o bastante para ganhar material ou talvez chegar ao xeque-mate.

O problema é que uma de suas peças está no caminho e, se tiver de gastar tempo removendo o obstáculo para uma casa segura, seu adversário terá a chance de preparar a defesa.

A solução para esse dilema é sacrificar a peça que está obstruindo o caminho. Conhecida como sacrifício de desobstrução, essa tática força o adversário a capturar o obstáculo, deixando livre a casa de seus sonhos e impedindo quaisquer medidas defensivas.

Como se pode forçar o adversário a fazer uma captura que levará a sua própria ruína? O melhor meio é dar um xeque no Rei inimigo com essa peça e assim forçar uma resposta. O segundo melhor meio é capturar alguma coisa com essa peça. Se o adversário não fizer a recaptura, você sairá com uma vantagem material.

Obviamente, um lance que envolve o xeque é o método mais atrativo. Apresentamos um exemplo no Diagrama 99, em que as brancas estão montando um

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11. Raios X e moinhos de vento

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YASSER SEIRAWAN & JEREMY SILMAN

seguro porque a Torre em c5 o protege; mas, nesse caso, essa segurança transforma-se em ilusão. Com 1...Txa5!, a Torre-a8 captura o peão, enquanto a Torre preta em d5 aplica um raio X. (O peão, na verdade, estava sendo atacado pelas duas Torres pretas, e a Torre-c5 branca não podia fazer nada para detê-las.)

A tática do raio X é particularmente forte diante de uma fraqueza na primeira fileira, pois, nesse caso, ameaças de xeque ou xeque-mate acrescentam combustível ao fogo. No Diagrama 105, as brancas têm consciência de que o Rei enfrenta o perigo de um xeque-mate na primeira fileira, mas, como a casa-e1 e a casa-f1 parecem bem defendidas, elas se sentem seguras e esperam 1...Txe2 2.Dxe2 para fazer uma troca equilibrada em termos de material. Elas não percebem que um raio X paira sobre suas cabeças e que a casa-e1 está sendo atacada não apenas pela Dama preta, mas também pela Torre. A morte das brancas é rápida e certa: 1...De1+! 2.Txe1 Txe1+ 3.Cf1 Txf1 xeque-mate.

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12. Zwischenzug

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Zwischenzug

S

empre me disseram que o xadrez é um esporte difícil para os americanos porque sua linguagem é muito “européia”. Além da luta com termos do tipo zugzwang, en passant e en prise, é preciso enfrentar os nomes dos jogadores, que são verdadeiros trava-línguas. Nomes como Dzindzihashvili, Nimzovich e Ljubojevic dificultam ainda mais a compreensão do jogo. Como qualquer outro esporte, o xadrez exige prática. No tempo certo, termos antes muito estranhos parecerão absolutamente naturais, e os nomes serão pronunciados tão facilmente quanto os de velhos amigos. Logo você vai acrescentar seu próprio jargão ao corpo clássico dos termos do xadrez.

Tomemos a tática zwischenzug como exemplo. Essa é uma palavra alemã que significa lance intermediário. No linguajar norte-americano, transformou-se em intermezzo (intermediário), zwischy e assim por diante.

A idéia embutida nesse termo é simples. Imagine que você esteja pensando em iniciar uma seqüência de trocas que seguem mais ou menos assim: “Eu capturo, ele captura, eu capturo, ele captura e, então, eu ganho um peão”. Parece uma boa idéia, não parece? Você coloca sua idéia em prática, mas o resultado é o seguinte: “Eu capturo, ele captura, eu capturo, ele dá um xeque? O.k., não tem problema, eu simplesmente movo meu Rei. Oh, não. Agora ele captura com um xeque! Xiiii.” O que aconteceu? Você foi vítima de um zwischenzug. Seu adversário usou um lance furtivo antes da recaptura prevista. Os advogados dizem que não se deve nunca fazer à vítima uma pergunta cuja resposta não se sabe. Bem, zwischenzugs são as réplicas inesperadas do xadrez. Em geral (mas não sempre) são xeques.

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13. Outros tipos de empates

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XADREZ VITORIOSO: TÁTICAS

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Outros tipos de empates

É

impossível vencer sempre e, algumas vezes, as coisas andam tão mal que um empate parece até um resultado excepcional, diante das circunstâncias. Além da possibilidade de um mate afogado ou de um xeque perpétuo (veja o Capítulo 5), há outras opções para salvar um jogo. Neste capítulo discutiremos duas dessas opções: as perseguições perpétuas e a construção de fortalezas. Examinaremos também posições que resultam num empate porque o lado mais forte não tem material suficiente para forçar uma vitória. Todas essas situações costumam ocorrer com facilidade e, caso o jogador esteja na defesa, com freqüência é possível alcançar o empate numa partida que, de outro modo, estaria perdida. O falecido

Grande Mestre americano Sammy Reshevsky deu esse conselho simples sobre a melhor atitude a ser tomada numa situação aparentemente irremediável:

Agüente firme e torça por um erro grave.

Também é útil colocar-se no lugar do adversário e descobrir o tipo de lance que ele menos gostaria de ver você jogar.

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14. Adolf Anderssen (1818-1879)

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Adolf Anderssen

(1818-1879)

N

ascido em Breslau, na Alemanha, Adolf Anderssen é considerado um dos maiores jogadores combinatórios de todos os tempos. No decorrer de sua longa carreira de partidas e torneios, venceu o primeiro grande torneio internacional (Londres, 1851) e foi classificado como o melhor jogador do mundo até a derrota para o norte-americano Paul Morphy, num match, em 1858. Anderssen também ganhou primeiros prêmios em Manchester, em 1862, e em Baden-Baden, em 1870; ficou em terceiro em Viena, em 1873; e terminou em sexto em Paris, 1878, aos

60 anos de idade.

Como a maioria dos jogadores de sua época, Anderssen sabia apenas atacar, mas, num mundo repleto de atacantes, não havia nenhum igual a ele. Suas duas vitórias mais famosas – a Imortal e a Sempre-viva – serão lembradas enquanto existir o xadrez. Com uma imaginação espantosa e visão tática inigualável, jogou partidas que se transformaram em fontes exemplares de criatividade, apreciadas por mestres do passado e do presente.

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Wim Veen Ben Vrakking (6)
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1. TEMPOS DE MUDANÇA

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TEMPOS DE MUDANÇA

Em tempos de mudança, aqueles que aprenderem herdarão a

“Terra, enquanto aqueles que já aprenderam encontrar-se-ão esplendidamente equipados para lidar com um mundo que não mais existe.

Eric Hoffer

Há alguns anos ficamos assombrados com a mídia, quando, com o final do século, deparamo-nos repentinamente com o que passou a ser chamado de o “bug do milênio”: os chips dos computadores haviam sido programados para ter uma data de seis dígitos e, com a passagem de 1999 para 2000, havia o risco de que esses chips passassem a informar que estávamos vivendo no ano de 1900, e não 2000. Havia o medo de que nossa vida e a sociedade que construimos com tanto cuidado – com nossos governos, nossos registros de transações, nossos equipamentos eletrônicos, entre muitas outras coisas – fossem seriamente prejudicadas. Para piorar o problema, muitos dos programadores daqueles antigos chips, feitos em linguagem FORTRAN ou COBOL, estavam aposentados, levando seu conhecimento embora com eles. O quadro apresentado era de desastre.

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2. CONHECENDO O HOMO ZAPPIENS

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CONHECENDO O

HOMO ZAPPIENS

A curto prazo, sempre superestimamos os efeitos das novas tecnologias, mas, a longo prazo, sempre os subestimamos.

Richard Thieme

“Repentinamente, as crianças que chegavam à nossa escola demonstravam um comportamento bastante diferente: direto, ativo, impaciente, incontrolável e, de certa forma, indisciplinado; parecia-me que algo havia acontecido no verão. Isso me assustava e empolgava ao mesmo tempo.”

Foi assim que uma professora sueca descreveu o que sentiu quando começou o novo ano letivo em um bairro de Estocolmo na metade da década de

1990, quando crianças de 6 anos voltaram à escola depois das férias de verão. A professora teve a sensação de que de um ano para o outro uma nova geração surgira e que ela tinha de lidar com elas, ainda não sabendo, mas percebendo, que precisaria empregar estratégias e abordagens diferentes.

Desde que essa professora teve tal impressão sobre seus alunos, muitos colegas na Europa inteira experimentaram o fato de que os alunos de hoje demandam novas abordagens e métodos de ensino para que se consiga manter a atenção e a motivação na escola. Ouvimos muitos deles dizerem que os alunos dedicam atenção às coisas por um período curto de tempo, que não conseguem ouvir alguém falar por mais de cinco minutos.

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3. ENTENDENDO O CAOS

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ENTENDENDO O CAOS

A melhor coisa a respeito dos melhores jogos é que eles levam a

“garotada a uma aprendizagem muito intensa.

Seymour Papert

Como interpretar o uso que as crianças fazem da tecnologia? Será que seu comportamento aparentemente caótico de zapear de um canal para outro e de navegar na internet é perda de tempo? Assistir à televisão e jogar no computador pode ser útil? Ou os benefícios de jogar no computador ou navegar na internet simplesmente se reduzem ao desenvolvimento de uma boa coordenação entre o olhar e o movimento das mãos? No que diz respeito a essa habilidade, parece que os jovens cirurgiões que jogaram no computador durante sua infância têm um melhor desempenho em cirurgias do que os que não jogaram (Rosser, 2004). É claro que se pode argumentar que apenas uma pequena parcela de nossa força de trabalho atuará na profissão de cirurgião, e que, assim, as vantagens de uma coordenação bem-desenvolvida se aplicaria somente a um número restrito de profissões. Então, como a tecnologia poderia ajudar a maioria das pessoas a tirar vantagem dos usos da própria tecnologia? Até que ponto a tecnologia pode ajudar as crianças a se tornarem melhores aprendizes?

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4. APRENDENDO DE MANEIRA DIVERTIDA

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Homo Zappiens

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APRENDENDO DE

MANEIRA DIVERTIDA

Trate as pessoas como se elas fossem o que deveriam ser e con“tribuirá para que elas se tornem o que são capazes de ser.

Johann Wolfgang von Goethe

Nos capítulos anteriores, descrevemos a nova geração de crianças, que cresce em meio à tecnologia da informação e da comunicação. Descrevemos tais crianças como pensadores digitais e tentamos lhes dar uma visão geral sobre a tecnologia, que, para elas, não é novidade. Para você, contudo, talvez o assunto seja inédito e até mesmo revolucionário. Tentamos nomear as habilidades mais importantes e distintivas que essas crianças parecem desenvolver, o que as coloca à parte de nós e que nos faz chamá-las de Homo zappiens – uma nova espécie de ser humano. Também abordamos as similaridades entre jogar e aprender.

Neste capítulo, refletiremos sobre os aspectos de aprendizagem do comportamento do Homo zappiens. Tentaremos traduzir as habilidades que foram descritas no Capítulo 3 acerca de nossa visão atual da sociedade, para demonstrar como elas podem ser consideradas úteis na aprendizagem. A principal questão a responder neste capítulo é se, e como, a aprendizagem mudou por causa da tecnologia. Para fazê-lo, devemos primeiramente observar mais de perto a própria aprendizagem – o que ela é e como pode ser definida.

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5. PARANDO A MONTANHA-RUSSA

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Homo Zappiens

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PARANDO A

MONTANHA-RUSSA algo que não fica nada a dever a um milagre o

“fatoÉ, nade verdade, os métodos modernos de ensino ainda não terem estrangulado inteiramente a sagrada curiosidade da investigação.

Albert Einstein

As pessoas sempre aprendem. Mesmo quando você pensa que elas estão realizando as atividades mais inúteis que se possa imaginar, ainda se pode dizer que estão aprendendo a ser mais experientes em fazer algo inútil. Esse adquirir experiência não é, porém, o que, em termos gerais, chamamos de aprendizagem. Pensamos na aprendizagem como alguma mudança mensurável ou perceptível em resposta a uma determinada situação. Essa própria definição impede a possibilidade de se aprender em uma só situação, já que nunca teremos a oportunidade de testemunhar a mudança em uma resposta a uma situação que não volte a ocorrer novamente. Agora você deve estar pensando: “Espere um pouco! Isso está errado”, e, é claro, mais uma vez você está certo. A aprendizagem não é um estado binário em nossa percepção, algo que você possa fazer ou não fazer; há vários graus de aprendizagem, pelo menos para o observador, embora um cientista possa argumentar que a aprendizagem é uma atividade binária.

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William E Deturk (22)
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Capítulo 10 - Avaliação Cardiovascular

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C APÍTULO 10

AVALIAÇÃO CARDIOVASCULAR

Lawrence P. Cahalin

INTRODUÇÃO

Como ocorre com o sistema pulmonar, o exame do sistema cardíaco também requer o uso adequado de informações auditivas, observacionais, posicionais, táteis, auscultatórias e clínicas. Alterações no exame inicial percebidas por meio de diferentes posições corporais ou manobras podem fornecer importantes achados observacionais, táteis e auscultatórios a fim de (1) direcionar as técnicas de exame, (2) direcionar as técnicas de tratamento e (3) fornecer importantes informações prognósticas. Este capítulo revisará uma variedade de técnicas de exame e manobras específicas que podem auxiliar a direcionar e a prognosticar os efeitos das técnicas de exame e tratamento.

Muitas dessas informações são apresentadas no Quadro 10.1.

Exame Fisioterapêutico

Análise da Informação Clínica e dos Fatores de Risco

A história clínica é muito importante e deve ser incluída na avaliação dos pacientes. Isto é particularmente verdadeiro para pacientes com doença cardíaca conhecida ou suspeita.

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Capítulo 11 - Eletrocardiografia

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C APÍTULO 11

ELETROCARDIOGRAFIA

William E. DeTurk

Lawrence P. Cahalin

INTRODUÇÃO

O eletrocardiograma (ECG) é uma representação gráfica da despolarização do coração. A fisiologia da despolarização do coração foi descrita no Capítulo 5, e os caminhos específicos da condução da onda de despolarização são apresentados na

Figura 11.3. A eletrocardiografia passou por grandes mudanças desde que foi aplicada em humanos pela primeira vez em

1

1887, por Augustus D. Waller. Um breve histórico da eletro1-6 cardiografia é apresentado na Tabela 11.1.

A contração e a descontração do miocárdio, sístole e diástole, respectivamente, são causadas por sua despolarização e repolarização. O vetor (ou soma total) de todas as força elétricas durante um ciclo cardíaco é chamado de onda de despolarização. Essa onda se movimenta ao longo do caminho de condução normal desde os átrios até os ventrículos, provocando a contração do miocárdio e produzindo a deflexão das linhas do eletrocardiograma. Com relação

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Capítulo 12 - Avaliação da Intolerância do Paciente ao Exercício

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C APÍTULO 12

AVALIAÇÃO DA INTOLERÂNCIA

DO PACIENTE AO EXERCÍCIO

William E. DeTurk

Lawrence P. Cahalin

INTRODUÇÃO

Os Capítulos 9 e 10 apresentaram informações sobre as avaliações cardíaca e pulmonar. Essas informações incluíam testes e medições apropriadas para o diagnóstico e a medição do estado cardíaco e pulmonar, métodos de determinação da freqüência cardíaca e da pressão arterial, além de exames como a oximetria de pulso e a avaliação da função muscular. O Capítulo

11 apresentou um outro instrumento de medição muito importante, a eletrocardiografia. Entretanto, conhecer os instrumentos e os procedimentos de exame constitui apenas uma parte do quadro completo: durante os testes de exercício, o clínico também deve saber interpretar os dados obtidos e decidir o que fazer com eles. O uso dessas informações pode se limitar apenas à decisão de quando interromper o teste de exercício, mas tão importante quanto isso é o uso das informações obtidas em intervenções terapêuticas capazes de otimizar os resultados. O exame e a intervenção são, assim, processos dinâmicos que não se limitam à relação paciente–fisioterapeuta. O registro adequado das informações e as consultas subseqüentes podem incluir a participação de outros membros de uma equipe multidisciplinar, tais como enfermeiros, cardiologistas e assistentes sociais, por exemplo. Um programa de fisioterapia que utiliza avaliações constantes, somadas a tratamentos e a informações documentadas por outros membros da equipe de saúde, pode render melhores resultados. De fato, tal abordagem é benéfica em, pelo menos, três aspectos:

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Capítulo 13 - Cuidados Cardiorrespiratórios em Pacientes com Déficit Tegumentar e Musculoesquelético: Uma Abordagem Baseada em Evidências

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C APÍTULO 13

CUIDADOS CARDIORRESPIRATÓRIOS EM

PACIENTES COM DÉFICIT TEGUMENTAR

E MUSCULOESQUELÉTICO: UMA

ABORDAGEM BASEADA EM EVIDÊNCIAS

John S. Leard

Chris L. Wells

INTRODUÇÃO

A proposta deste capítulo é descrever as doenças tegumentares e musculoesqueléticas mais comuns, considerando sua influência sobre o sistema cardiorrespiratório. Os prejuízos da estrutura óssea, das articulações, da pele, da fáscia e musculatura do tórax podem levar a um decréscimo da função cardiorrespiratória. Tais prejuízos causam danos à circulação,

à capacidade aeróbia/resistência, à ventilação e à respiração/ troca gasosa pela restrição dos movimentos corporais, resultando em um decréscimo da mobilidade funcional do paciente e em algum tipo de incapacidade. Este capítulo descreve também as evidências encontradas na literatura, bem como as intervenções comumente associadas a essas doenças.

Condições Musculoesqueléticas

Osteoporose (Padrões de Prática 4A, 4B, 4C, 4F,

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Capítulo 14 - Cuidados Cardiorrespitatórios em Pacientes com Déficit Neurológico: Uma Abordagem Baseada em Evidências

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C APÍTULO 14

CUIDADOS CARDIORRESPIRATÓRIOS

EM PACIENTES COM DÉFICIT

NEUROLÓGICO: UMA ABORDAGEM

BASEADA EM EVIDÊNCIAS

Sue Ann Sisto

INTRODUÇÃO

Os fisioterapeutas são responsáveis pela prescrição de exercícios e pelo tratamento de pacientes com distúrbios neurológicos. A abordagem fisioterapêutica para pacientes com doenças neurológicas é focada principalmente no déficit neurológico ou de movimento. A disfunção do movimento em geral é atribuída ao comprometimento dos sistemas musculoesquelético e neurológico. No entanto, o sistema cardiorrespiratório representa um papel importante no movimento, porque sua função é transportar oxigênio ao músculo esquelético. Anormalidades no sistema cardiorrespiratório podem produzir limitações no movimento.

As populações incapacitadas apresentam um problema especial de condicionamento devido à hospitalização ou à inatividade resultante de sua deficiência ou doença. Essa falta de condicionamento pode definir a diferença entre independência ou dependência. O fisioterapeuta pode ser o primeiro profissional da saúde a observar aspectos cardiorrespiratórios pela maneira como os pacientes respondem a exercícios e trocas de postura.

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