Z Delia Lerner (5)
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Capítulo 5. O Papel do Conhecimento Didático na Formação do Professor

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Ler e escrever na escola

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O Papel do Conhecimento Didático na Formação do Professor1

O CONHECIMENTO DIDÁTICO

COMO EIXO DO PROCESSO DE CAPACITAÇÃO

Afirmar que o conhecimento didático deve ocupar um lugar central na capacitação dos professores é correr o risco de explicitar o que não requer ser explicitado, é, talvez, incorrer numa redundância injustificada.

Por que então dedicar várias páginas para defender uma afirmação que parece tão óbvia? Porque a necessidade de tomar como eixo o conhecimento didático não foi – e em muitos casos ainda não é – suficientemente contemplada nos processos de capacitação. Também neste caso se verifica algo que tão claramente mostrou Piaget em outros terrenos: o que aparece como óbvio na realidade é produto de uma construção.2

Saber que os problemas que os professores enfrentam dia a dia na sala de aula estão vinculados ao ensino ou à aprendizagem escolar de determinados conteúdos não foi suficiente para deduzir imediatamente que os conhecimentos mais relevantes para eles são precisamente aqueles que contribuem para resolver esses problemas, quer dizer, os conhecimentos didáticos.

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Capítulo 1. Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário

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Ler e escrever na escola

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Ler e Escrever na Escola:

O Real, o Possível e o Necessário1

Ler e escrever... Palavras familiares para todos os educadores, palavras que marcaram e continuam marcando uma função essencial – talvez a única função – da escolaridade obrigatória. Redefinir o sentido dessa função – e explicar, portanto, o significado que se pode atribuir hoje a esses termos tão arraigados na instituição escolar – é uma tarefa incontestável.

Ensinar a ler e escrever é um desafio que transcende amplamente a alfabetização em sentido estrito. O desafio que a escola enfrenta hoje é o de incorporar todos os alunos à cultura do escrito, é o de conseguir que todos seus exalunos cheguem a ser membros plenos da comunidade de leitores e escritores.2

Participar na cultura escrita supõe apropriar-se de uma tradição de leitura e escrita, supõe assumir uma herança cultural que envolve o exercício de diversas operações com os textos e a colocação em ação de conhecimentos sobre as relações entre os textos; entre eles e seus autores; entre os próprios autores; entre os autores, os textos e seu contexto...

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Capítulo 3. Apontamentos a partir da Perspectiva Curricular

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Apontamentos a partir da Perspectiva Curricular1

Ao elaborar documentos curriculares, percorre-se um itinerário problemático.2 Antes de analisar os problemas que é necessário enfrentar e as soluções que é possível ir construindo à medida que se avança nesse percurso, convém explicitar algumas idéias essenciais subjacentes à perspectiva curricular aqui adotada:

1. Todos os problemas que se enfrentam na produção curricular são problemas didáticos. Isso significa que se trata de problemas que somente a didática da língua pode contribuir para resolver. Os saberes das outras disciplinas – em particular os da lingüística, que estuda o objeto, e os da psicolingüística, que estuda a elaboração do conhecimento lingüístico por parte do sujeito – estão indubitavelmente presentes, mas intervêm apenas articulando-se para compreender melhor os problemas didáticos que se apresentam. Os saberes que essas outras disciplinas nos proporcionam constituem uma ajuda fundamental, mas não são suficientes para resolver os problemas curriculares. É imprescindível recorrer a uma análise estritamente didática para encontrar as soluções que se necessitam.

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Capítulo 2. Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita

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Ler e escrever na escola

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Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita

Ler, escrever, evocar... Um texto evoca outros textos, um título evoca outros títulos. “Para transformar o ensino da leitura e da escrita” – novo título para uma nova versão do artigo original1 – é uma alusão a “Para fazer o retrato de um pássaro”, esse poema de Prévert que poderia ser lido como um texto instrucional para se realizar uma difícil missão como a que se propõe aqui: tentar que um pássaro aceite posar como modelo, que detenha seu vôo sem perder sua liberdade; tentar que a escola levante vôo, que produza transformações substanciais sem perder sua especificidade institucional, sem renunciar a sua função ensinante.

Não se desanimar – é o conselho do poeta –, persistir na tentativa, renovar os esforços mais uma vez... Apelar para todas as ferramentas necessárias para tornar realidade um propósito que é difícil alcançar, mas para o qual é imprescindível se encaminhar.

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Capítulo 4. É possível ler na escola?

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Ler e escrever na escola

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É possível ler na escola?1

Devo ser um leitor muito ingênuo, porque nunca pensei que os romancistas quisessem dizer mais do que dizem. Quando Franz Kafka conta que Gregor

Samsa apareceu certa manhã transformado em um inseto gigantesco, não me parece que isto seja símbolo de algo e a única coisa que sempre me intrigou é a que espécie de animal ele pertencia. Acho que houve, na realidade, um tempo em que os tapetes voavam e que havia gênios prisioneiros dentro das garrafas. Acho que o burro de Balã falou – como diz a Bíblia – e a única coisa que é preciso lamentar é não ter gravada sua voz, e acho que Josué derrubou as muralhas de Jericó com o poder de suas trombetas, e a única coisa lamentável

é que ninguém tem transcrita a música capaz da demolição. Acho, enfim, que

Vidriera – de Cervantes – realmente era de vidro, como ele dizia em sua loucura, e acredito mesmo na jubilosa verdade de que Gargantua urinava torrencialmente sobre as catedrais de Paris.

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Yves La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
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capítulo 5: Valores evocados nos posicionamentos referentes às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

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Valores evocados nos posicionamentos referentes

às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Maria Suzana De Stefano Menin

Alessandra de Morais Shimizu

Divino José Silva

INTRODUÇÃO

Crise de valores ou valores em crise? No decorrer deste texto propomo-nos enfrentar o desafio que é pensar, com base em uma pesquisa, o tema “cotas para alunos negros e alunos de escola pública no ensino superior público brasileiro”, no registro dessa pergunta, a qual La Taille denominou enigmática. Mesmo a denominando enigmática, La Taille já nos adiantou um comentário que retira dela seu caráter de mistério, pois não se trata de um enigma como aquele proposto pela Esfinge a Édipo, “decifra-me ou te devoro!”, mas de refletirmos a respeito de valores presentes em nossas práticas e discursos contemporâneos, que não sabemos, ainda, de que polo da pergunta acima enfrentá-los. Enfim, a discussão que hoje presenciamos no Brasil a respeito das cotas no ensino superior, trata-se de crise de valores ou de valores em crise? Como esclarece La

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Capítulo 7: Tecendo os sentidos atribuídos por professores do ensino fundamental ao médio profissionalizante sobre a construção de valores na escola

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Tecendo os sentidos atribuídos por professores do ensino fundamental ao médio profissionalizante sobre a construção de valores na escola

Maria Teresa Ceron Trevisol

Se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela, tampouco a sociedade muda

Paulo Freire

INTRODUÇÃO

Mesmo não sendo um tema contemporâneo, percebemos, principalmente nestas últimas décadas, uma retomada da discussão sobre a moral e os valores. Um dos motivos que poderíamos elencar para o despertar dessa discussão encontra-se na situação de crise dessa base moral que orienta o agir dos indivíduos. Posicionar-se ante à temática moral e aos valores demanda tomar conhecimento de uma rede de fatores que interagem na constituição desse problema. Segundo Charlot (2007, p. 203)

é necessário entender o que está acontecendo com os valores em uma sociedade em que mudaram o trabalho, a família, as relações entre gerações e entre sexos, etc. Autores como Cortella e La Taille (2005) afirmam que a sociedade atravessa uma crise de valores ou, ainda, que os próprios valores estão passando por uma crise. “Crise de valores” traria a ideia de que os valores morais estariam “doentes” e, logo, correndo perigo de extinção. “Valores em crise”, por sua vez, é uma expressão que expõe o fato de que os valores morais não desapareceram, mas estão mudando de interpretação. Logo, “crise de valores” remeteria à presença ou à ausência de legitimação da moral, enquanto “valores em crise” faria-nos pensar em

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Capítulo 8: Valores morais do ponto de vista de professores de ensino fundamental e médio

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Valores morais do ponto de vista de professores de ensino fundamental e médio

Raul Aragão Martins

Izabella Alvarenga Silva

INTRODUÇÃO

Fazer um estudo sobre valores humanos é, em poucas palavras, investigar o que as pessoas prezam em suas relações, é buscar aquilo que fundamenta o convívio e a postura das pessoas diante de seus relacionamentos, definindo o que é central nessas relações a ponto de agirem de acordo com eles. Atualmente, existe um discurso denunciando que os valores estariam em crise; desse modo, o respeito, a honestidade e a justiça foram deixados de lado em favor de outros como o consumismo e os interesses pessoais, dito de outro modo, valores privados e ligados à glória têm sido cada vez mais estimados, em detrimento daqueles de caráter público.

Porém, uma outra postura frente a essa questão aponta para uma crise nos valores morais, de modo que eles estariam em processo de desaparecimento. Autores como Tardif (2000) chama-nos a atenção para os conflitos de valores vivenciados nos espaços onde os seres humanos são os “objetos de trabalho”; segundo esse autor, valores como a saúde, a justiça e a igualdade perderam sua transparência, seu poder de evidência e sua força de integração, e como consequência, aponta a dificuldade que os profissionais encontram para elegerem “princípios reguladores e consensuais” (2000, p. 9). No entanto, não acreditamos em uma falência nos valores morais, e sim em uma mudança na forma como esses valores estão sendo vivenciados, bem como na importância dada a eles nas relações entre as pessoas.

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Capítulo 6: Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

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Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

Cleonice Camino

Márcia Paz

Verônica Luna

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo analisar, dentro de uma perspectiva sócio-histórica, como os valores morais têm sido considerados em livros didáticos e por professores, no âmbito do ensino formal, em três contextos sociopolíticos da realidade brasileira: ditadura militar, redemocratização e momento atual. Para tanto, avalia-se o percurso do ensino da moral, considerando se houve avanço ou retrocesso em relação à formação do indivíduo autônomo, tendo por base a perspectiva cognitiva de Piaget.

Acredita-se que, a compreensão do percurso do ensino de valores nas últimas décadas, seja relevante para interpretar se houve ou não crise de valores na trajetória do ensino da moral. Essa interpretação é feita a partir de uma reflexão retrospectiva sobre as concepções de valores, normas e práticas educativas priorizadas nos diferentes contextos políticos.

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Capítulo 1: Valores em crise: o que nos causa indignação?

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Valores em crise: o que nos causa indignação?

Luciene Regina Paulino Tognetta

Telma Pileggi Vinha

“Quem não tem senso moral não pode envergonhar-se moralmente nem se indignar”.

Tugendhat, 1999

Inúmeras vezes deparamo-nos com certo saudosismo latente que teimosamente nos remete a pensar nos valores de velhas gerações como quase ausentes nas relações estabelecidas atualmente. A mesma angústia prospera na educação. Nesta esfera encontram-se, não raro, educadores de diferentes séries referindo-se aos valores ausentes em seus alunos como a elucidar uma perda de gerações que outrora, em seus conceitos, eram caracterizadas como possuidoras de mais valores morais. É comum declararem: “No meu tempo, bastava o olhar de meu pai... bastava o olhar da professora para que uma regra fosse cumprida.”

Várias são as questões contidas nessa declaração. Uma delas diz respeito ao tipo de obediência e à forma como ela era obtida por nossos progenitores ou autoridades... No entanto, deixemos por hora essa discussão sobre como os valores em épocas anteriores eram desenvolvidos para então nos indagar: quais seriam os valores presentes entre nossos jovens na atualidade. E ainda: seriam esses, valores morais? Para responder e ainda melhor refletir sobre tais perguntas, este capítulo objetiva apresentar os resultados de nossas investigações sobre o sentimento de indignação presente entre adolescentes.

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Yves De La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
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2 As virtudes segundo os jovens

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As virtudes segundo os jovens

Yves de La Taille

Virtudes! Tema clássico da moralidade e do civismo. E também tema recorrente da antiga educação moral que, baseada no “verbo docente”, cantava as glórias de algumas delas e denunciava os terríveis riscos pessoais e sociais de seus opostos, os vícios. Lê-se, por exemplo, no livro Petite

Histoire de l’enseignement de la morale à l’école de Michel Jeury e JeanDaniel Baltassat, que uma atividade proposta às crianças era a de conjugar em vários tempos e modos frases do tipo “Eu preferiria me matar a faltar com o meu nome”, ou “Seja bom. Seja forte. Não seja maldoso. Tenha confiança. Não tenha medo. Escute, não se mexa! Acorde! Acabe sua lição.

Não se queixe” (Jeury; Baltassat; 2000, p.73). Como se vê, virtudes como honra, coragem, bondade, confiança, perseverança, tranquilidade, força, e outras mais eram, sem demais nuances, apresentadas como qualidade boas e necessárias ao adulto digno desse nome. Quanto aos vícios, eles eram evidentemente definidos como aspectos pessoais contrários às virtudes.

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8 Valores morais do ponto de vista de professores de ensino fundamental e médio

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186 La Taille, Menin & cols.

Sobre o trabalho com questões morais dentro do espaço escolar, a nossa sociedade conta com uma orientação pedagógica bem fundamentada sobre o tema, uma vez que em 1997 o Ministério da Educação trouxe a público os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1997) para o ensino fundamental e, posteriormente, foram publicados os parâmetros para os outros níveis do ensino. A finalidade de tais trabalhos é propor uma ação pedagógica que apresente a cidadania como eixo direcionador da educação, de maneira que crianças e adolescentes reflitam sobre os conteúdos trabalhados e, a partir disso, construam pontos de vista próprios a respeito dos mesmos. Um dos volumes dos Parâmetros é voltado para um conjunto de temas, que, por sua abrangência, passam a ser de responsabilidade de todos os professores e não de uma única disciplina. Esse conjunto de conhecimentos recebeu o nome de Temas Transversais e envolve assuntos como ética, orientação sexual, pluralidade cultural e outros.

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7 Tecendo os sentidos atribuídos por professores do ensino fundamental ao médio profissionalizante sobre a construção de valores na escola

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Crise de valores ou valores em crise? 153

um processo de transformação dos referidos valores, mas não em sua ausência ou progressivo desaparecimento.

Esse movimento de discussão tem estimulado uma vasta gama de iniciativas, seja na esfera da produção acadêmica, no âmbito das práticas pedagógicas, seja, ainda, no terreno das políticas públicas (Aquino e

Araújo, 2000). Os Temas Transversais, contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais, representam uma mostra de tal vigor temático – mesmo considerando as polêmicas que marcaram sua proposição e as dificuldades, por parte da escola e de seus profissionais, de efetuarem a transversalização desses temas no cotidiano escolar.

Compactuamos com a compreensão desses autores, pois verificamos nas queixas dos indivíduos representantes de diferentes estratos sociais, nas posturas assumidas por eles e no encaminhamento de questões do cotidiano que os valores, normalmente aceitos pela sociedade, demandam processos de reflexão e de ressignificação. Evidenciamos com relação a essa questão um saudosismo dos valores clássicos e universais, bem como das grandes figuras que possuíam autoridade suficiente para liderar e encaminhar as situações-problema da comunidade, como os padres, os pais, os professores, o poder público. É importante ressaltar, ainda, as hierarquias de valores, representativas das comunidades onde estão inseridos os indivíduos, que nem sempre são coincidentes com as de outras pessoas. Ao que parece, houve um enfraquecimento dessa base de princípios, regras que norteiam o comportamento. Analisar essa rede de elementos não é algo fácil, transitamos por um campo de conceitos, de representações, movediço e arenoso. Entretanto, estamos sendo constantemente convidados, enquanto educadores, pesquisadores e, também, pessoas comuns, a refletirmos e construirmos uma relação crítica com esse tema complicado.

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4 O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

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O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

Júlio Rique Neto

INTRODUÇÃO

O debate sobre valores apresentado neste trabalho reflete a preocupação com a possibilidade de que os interesses pessoais e privados, motivados por um individualismo exacerbado, estejam avançando na área dos interesses públicos e sociais. Em outras palavras, as pessoas não estariam mais demonstrando o interesse de participar da sociedade em benefício do coletivo, mas sim em benefício próprio. Sendo assim, pergunta-se: estaríamos vivendo uma crise de valores ou estariam os valores em crise? Crise de valores é a idéia de que certos valores sociais e morais estão doentes e em vias de extinção. Por outro lado, valores em crise indicam que certos valores sociais e morais estão em um processo de reconstrução na sua definição e/ ou forma de expressão, para se adequarem ao momento histórico. Nesse contexto de dúvida, entre estado de crise e de transição, encontram-se os valores cívicos. A questão é: estariam os valores do civismo em extinção ou sofrendo uma transição na sua definição e forma?

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5 Valores evocados nos posicionamentos referente sàs cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

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Valores evocados nos posicionamentos referentes

às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Maria Suzana De Stefano Menin

Alessandra de Morais Shimizu

Divino José Silva

INTRODUÇÃO

Crise de valores ou valores em crise? No decorrer deste texto propomo-nos enfrentar o desafio que é pensar, com base em uma pesquisa, o tema “cotas para alunos negros e alunos de escola pública no ensino superior público brasileiro”, no registro dessa pergunta, a qual La Taille denominou enigmática. Mesmo a denominando enigmática, La Taille já nos adiantou um comentário que retira dela seu caráter de mistério, pois não se trata de um enigma como aquele proposto pela Esfinge a Édipo, “decifra-me ou te devoro!”, mas de refletirmos a respeito de valores presentes em nossas práticas e discursos contemporâneos, que não sabemos, ainda, de que polo da pergunta acima enfrentá-los. Enfim, a discussão que hoje presenciamos no Brasil a respeito das cotas no ensino superior, trata-se de crise de valores ou de valores em crise? Como esclarece La

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Yves De La Taille (6)
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Capítulo 2. Cultura do sentido

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Cultura do sentido

Fechei o capítulo anterior afirmando que somente uma cultura do sentido pode vencer uma cultura do tédio. Afirmei também que tal batalha é possível de ser travada com provável sucesso. Nunca uma cultura é um todo coeso. Em todas elas há sempre paradoxos, tensões, oposições, ambiguidades, contradições, que permitem o movimento, a evolução, a superação. O mesmo vale para os indivíduos. A abordagem construtivista, à qual me filio, vê no homem ricas capacidades de adaptação, de autorregulação, de equilibração, que lhe permitem criar novas formas de pensar e de sentir, que lhe permitem criar novas estruturas mentais que podem dar novos rumos à compreensão que tem do mundo e da vida. A abordagem construtivista vê no sujeito recursos para superar insatisfações, resolver problemas, sair de situações desconfortáveis ou até mesmo insuportáveis.

Para tanto, duas condições devem ser contempladas. A primeira: que o sujeito esteja, de fato, em uma situação que considera problemática. A segunda: que tenha a seu alcance elementos para alimentar a construção de novas soluções.

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Parte II - Plano moral

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Formação ética

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p a r t e II

Plano moral

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Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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Capítulo 1. Cultura do tédio

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1

Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

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Capítulo 3. Cultura da vaidade

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Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

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4

Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

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Ygor Corr A Carina Rebello Cruz (11)
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Capítulo 11. Novas tecnologias e suas contribuições para o registro e a divulgação das línguas de sinais: uma discussão sobre o projeto SpreadTheSign no Brasil

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Novas tecnologias e suas contribuições para o registro e a divulgação das línguas de sinais: uma discussão sobre o projeto SpreadTheSign no Brasil

Angela Nediane dos Santos | Karina Ávila Pereira | Tatiana Bolivar Lebedeff

Este capítulo apresenta uma discussão sobre as contribuições das novas tecnologias para o registro e a divulgação das línguas de sinais a partir do desenvolvimento do projeto SpreadTheSign no Brasil, entrelaçando o estudo sobre o impacto das novas tecnologias no registro das línguas de sinais e a experiência de divulgação e registro da língua brasileira de sinais (Libras) no dicionário internacional de línguas de sinais

SpreadTheSign.

O IMPACTO DAS TECNOLOGIAS

DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

PARA A COMUNIDADE SURDA

É inegável a contribuição que o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs) proporcionam, hodiernamente, para a humanidade. Nunca foi tão fácil e tão rápido se conectar, se encontrar, se comunicar e compartilhar o conhecimento produzido:

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Capítulo 8. As tecnologias como ferramentas auxiliares na comunicação em língua portuguesa para usuários de língua brasileira de sinais

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As tecnologias como ferramentas auxiliares na comunicação em língua portuguesa para usuários de língua brasileira de sinais

Nelson Goettert

As tecnologias têm se apresentado como ferramentas fundamentais para o desenvolvimento e a constituição dos sujeitos surdos.

A partir do desenvolvimento e da ampliação do acesso às novas tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), torna-se necessária a análise do papel delas na comunicação dos surdos. Levando em consideração essas questões, o presente capítulo está organizado em quatro eixos, nos quais se apresentam um breve histórico das TDICs utilizadas pelos surdos, as tecnologias digitais e a comunicação dos surdos, a construção da identidade por meio da comunicação e a comunicação mediada pelas tecnologias.

Os sujeitos surdos estão expostos a inúmeros materiais escritos, o que torna necessário o aprendizado da língua portuguesa.

Parte da dificuldade de comunicação dos surdos se dá pela falta de conhecimento de palavras ou da estrutura da língua escrita.

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Capítulo 2. Construção de ambientes virtuais de ensino e aprendizagem acessíveis para surdos: recomendações de projeto e avaliação de usabilidade

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Construção de ambientes virtuais de ensino e aprendizagem acessíveis para surdos: recomendações de projeto e avaliação de usabilidade

Carla da Silva Flor | Tarcisio Vanzin

Ambientes virtuais de ensino e aprendizagem (AVEAs) são um conjunto de ferramentas digitais que favorecem o compartilhamento de informações para o gerenciamento da aprendizagem. Com a evolução dos sistemas de transmissão de dados pela internet, a transferência de vídeos tem se tornado cada vez mais fácil e rápida, o que corrobora o uso da língua de sinais nos AVEAs. De fato, estudos sobre o uso da língua de sinais em sites têm mostrado que eles facilitam a navegação de surdos na internet, uma vez que, quando os vídeos estão presentes, os surdos ficam menos desorientados (visitam menos páginas em busca da informação pretendida) do que quando estão navegando apenas por meio de hyperlinks textuais (FAJARDO; ABASCAL; CAÑAS, 2008; FAJARDO;

VIGO; SALMERÓN, 2009; FAJARDO; PARRA; CAÑAS, 2010).

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Capítulo 10. A construção comunicativa digital dos sujeitos comunicantes surdos: estratégias metodológicas

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A construção comunicativa digital dos sujeitos comunicantes surdos: estratégias metodológicas

Janaína Pereira Claudio

O presente capítulo propõe-se a fazer uma reflexão inicial sobre as análises metodológicas adotadas e as experiências da autora durante a sua tese de doutorado (CLAUDIO,

2016), cuja temática é a busca do entendimento e do reconhecimento do uso, da apropriação e das práticas sociais nos processos comunicativos digitais dos sujeitos comunicantes surdos brasileiros. Esse processo permitiu pensar e estudar um modo de desenvolvimento do objeto de pesquisa que se constituem nas práticas acerca do uso da rede social Facebook pelos sujeitos comunicantes surdos.

Optou-se pela metodologia estruturada em combinações técnicas, como a análise de materiais de arquivo nos ambientes digitais, que são fruto de uma observação sistemática, além da aplicação de questionários, como blocos temáticos e entrevistas etnográficas (ANGROSINO, 2009), com os relatos de trajetórias de vida dos quatro entrevistados surdos que vivenciam deslocamentos territoriais digitais e novas formas de comunicação em comunidades surdas no Brasil. Assim, a importância do uso das mídias nesse método promove reflexões sobre os conhecimentos e experiências dos sujeitos comunicantes surdos usuários do

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Capítulo 1. Tecnologia para o estabelecimento de documentação de língua de sinais

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Tecnologia para o estabelecimento de documentação de língua de sinais

Ronice Müller de Quadros

A documentação de línguas para a constituição dos corpora se desenvolveu muito com os avanços tecnológicos. Segundo

McCarthy e Okeeffe (2010), a invenção do escâner representou um grande avanço na linguística de corpus na década de 1990.

Depois disso, na virada do milênio, os textos passaram a ser digitais de forma ilimitada, consolidando a linguística de corpus.

A possibilidade de ter à disposição dados linguísticos em grandes quantidades viabiliza a identificação de padrões que não eram vistos anteriormente. Conforme os autores indicam, o problema do linguista mudou de acessar grandes quantidades de dados para elaborar metodologias confiáveis que descrevam e deem conta das evidências linguísticas.

No caso das línguas de sinais, está se avançando na mesma direção. Com a possibilidade de acessar vídeos digitalmente, os dados nessas línguas tornam-se cada vez mais acessíveis e também em quantidades muito maiores do que antes. Além disso, os avanços tecnológicos permitem anotar vídeos usando softwares que os integram a sistemas de anotação que localizam os dados de modo muito preciso. Por exemplo, estamos usando o sistema de anotação Eudico (Eudico Language Annotator – Elan1), tecnologia esta que tem revolucionado os estudos linguísticos das línguas de sinais.

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