Yves De La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
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3 Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

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Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

Denise D’Aurea-Tardeli

A missão da educação é transmitir conhecimentos integrados em uma cultura por meio de uma perspectiva ética, fato que leva a educar em valores, não quaisquer valores, mas sim, valores éticos, isto é, aqueles que formam o caráter e permitem promover um mundo mais justo. Isso não é tarefa fácil, já que esses valores vinculam-se a representações sociais e manifestações afetivas que os constituem, bem como a conteúdos de natureza moral.

Tomamos aqui as explicações de Piaget (1954) que dizem que os valores referem-se a uma troca afetiva do sujeito com os objetos, entendendo objeto como as coisas e as pessoas do mundo exterior. Sendo assim, os valores são construídos com base nas interações que o sujeito faz com a realidade. Segundo Araújo (2007, em Arantes, p. 20), “nessa concepção (...) os valores nem estão pré-determinados nem são simples internalizações (de fora para dentro), mas resultantes das ações do sujeito sobre o mundo objetivo e subjetivo em que ele vive”.

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4 O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

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O civismo em discussão: juventude e contemporaneidade de valores

Júlio Rique Neto

INTRODUÇÃO

O debate sobre valores apresentado neste trabalho reflete a preocupação com a possibilidade de que os interesses pessoais e privados, motivados por um individualismo exacerbado, estejam avançando na área dos interesses públicos e sociais. Em outras palavras, as pessoas não estariam mais demonstrando o interesse de participar da sociedade em benefício do coletivo, mas sim em benefício próprio. Sendo assim, pergunta-se: estaríamos vivendo uma crise de valores ou estariam os valores em crise? Crise de valores é a idéia de que certos valores sociais e morais estão doentes e em vias de extinção. Por outro lado, valores em crise indicam que certos valores sociais e morais estão em um processo de reconstrução na sua definição e/ ou forma de expressão, para se adequarem ao momento histórico. Nesse contexto de dúvida, entre estado de crise e de transição, encontram-se os valores cívicos. A questão é: estariam os valores do civismo em extinção ou sofrendo uma transição na sua definição e forma?

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7 Tecendo os sentidos atribuídos por professores do ensino fundamental ao médio profissionalizante sobre a construção de valores na escola

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Crise de valores ou valores em crise? 153

um processo de transformação dos referidos valores, mas não em sua ausência ou progressivo desaparecimento.

Esse movimento de discussão tem estimulado uma vasta gama de iniciativas, seja na esfera da produção acadêmica, no âmbito das práticas pedagógicas, seja, ainda, no terreno das políticas públicas (Aquino e

Araújo, 2000). Os Temas Transversais, contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais, representam uma mostra de tal vigor temático – mesmo considerando as polêmicas que marcaram sua proposição e as dificuldades, por parte da escola e de seus profissionais, de efetuarem a transversalização desses temas no cotidiano escolar.

Compactuamos com a compreensão desses autores, pois verificamos nas queixas dos indivíduos representantes de diferentes estratos sociais, nas posturas assumidas por eles e no encaminhamento de questões do cotidiano que os valores, normalmente aceitos pela sociedade, demandam processos de reflexão e de ressignificação. Evidenciamos com relação a essa questão um saudosismo dos valores clássicos e universais, bem como das grandes figuras que possuíam autoridade suficiente para liderar e encaminhar as situações-problema da comunidade, como os padres, os pais, os professores, o poder público. É importante ressaltar, ainda, as hierarquias de valores, representativas das comunidades onde estão inseridos os indivíduos, que nem sempre são coincidentes com as de outras pessoas. Ao que parece, houve um enfraquecimento dessa base de princípios, regras que norteiam o comportamento. Analisar essa rede de elementos não é algo fácil, transitamos por um campo de conceitos, de representações, movediço e arenoso. Entretanto, estamos sendo constantemente convidados, enquanto educadores, pesquisadores e, também, pessoas comuns, a refletirmos e construirmos uma relação crítica com esse tema complicado.

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5 Valores evocados nos posicionamentos referente sàs cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

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Valores evocados nos posicionamentos referentes

às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Maria Suzana De Stefano Menin

Alessandra de Morais Shimizu

Divino José Silva

INTRODUÇÃO

Crise de valores ou valores em crise? No decorrer deste texto propomo-nos enfrentar o desafio que é pensar, com base em uma pesquisa, o tema “cotas para alunos negros e alunos de escola pública no ensino superior público brasileiro”, no registro dessa pergunta, a qual La Taille denominou enigmática. Mesmo a denominando enigmática, La Taille já nos adiantou um comentário que retira dela seu caráter de mistério, pois não se trata de um enigma como aquele proposto pela Esfinge a Édipo, “decifra-me ou te devoro!”, mas de refletirmos a respeito de valores presentes em nossas práticas e discursos contemporâneos, que não sabemos, ainda, de que polo da pergunta acima enfrentá-los. Enfim, a discussão que hoje presenciamos no Brasil a respeito das cotas no ensino superior, trata-se de crise de valores ou de valores em crise? Como esclarece La

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6 Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

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Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

Cleonice Camino

Márcia Paz

Verônica Luna

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo analisar, dentro de uma perspectiva sócio-histórica, como os valores morais têm sido considerados em livros didáticos e por professores, no âmbito do ensino formal, em três contextos sociopolíticos da realidade brasileira: ditadura militar, redemocratização e momento atual. Para tanto, avalia-se o percurso do ensino da moral, considerando se houve avanço ou retrocesso em relação à formação do indivíduo autônomo, tendo por base a perspectiva cognitiva de Piaget.

Acredita-se que, a compreensão do percurso do ensino de valores nas últimas décadas, seja relevante para interpretar se houve ou não crise de valores na trajetória do ensino da moral. Essa interpretação é feita a partir de uma reflexão retrospectiva sobre as concepções de valores, normas e práticas educativas priorizadas nos diferentes contextos políticos.

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Yves De La Taille (4)
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Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

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Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

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Capítulo 2. Cultura do sentido

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Cultura do sentido

Fechei o capítulo anterior afirmando que somente uma cultura do sentido pode vencer uma cultura do tédio. Afirmei também que tal batalha é possível de ser travada com provável sucesso. Nunca uma cultura é um todo coeso. Em todas elas há sempre paradoxos, tensões, oposições, ambiguidades, contradições, que permitem o movimento, a evolução, a superação. O mesmo vale para os indivíduos. A abordagem construtivista, à qual me filio, vê no homem ricas capacidades de adaptação, de autorregulação, de equilibração, que lhe permitem criar novas formas de pensar e de sentir, que lhe permitem criar novas estruturas mentais que podem dar novos rumos à compreensão que tem do mundo e da vida. A abordagem construtivista vê no sujeito recursos para superar insatisfações, resolver problemas, sair de situações desconfortáveis ou até mesmo insuportáveis.

Para tanto, duas condições devem ser contempladas. A primeira: que o sujeito esteja, de fato, em uma situação que considera problemática. A segunda: que tenha a seu alcance elementos para alimentar a construção de novas soluções.

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Capítulo 1. Cultura do tédio

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Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

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Capítulo 3. Cultura da vaidade

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Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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Steven C Hayes Stefan G Hofmann (32)
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15 - Redução da excitação

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Matthew McKay, PhD

The Wright Institute, Berkeley, CA

Os processos de redução da excitação abordados neste capítulo estão voltados para a excitação do sistema nervoso simpático (Selye, 1955) e podem ser distinguidos da redução da excitação voltada para os processos cognitivos (Beck, 1976), o controle atencional (Wells, 2011) e a descentralização/distanciamento/desfusão (Hayes, Strosahl, & Wilson, 012), que são tratados em outros capítulos deste livro. A história das estratégias modernas de redução da excitação começa na década de 1920, quando Jacobson (1929) introduziu o relaxamento muscular progressivo (RMP). Desde então, vários exercícios de respiração, relaxamento muscular e visualização foram acrescentados a um novo arsenal complexo denominado, em geral, como treinamento de relaxamento.

Na década de 1930, o relaxamento autógeno (Schultz & Luthe, 1959) apresentou uma nova forma de redução da excitação baseada na autossugestão: aqueles que procuram alívio do estresse por meio desse método repetem frases usando temas de calor, peso e outras sugestões. Ele foi praticado por anos na Alemanha, e Kenneth Pelletier (1977) o popularizou nos Estados Unidos.

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10 - Princípios evolucionistas da psicologia aplicada

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Steven C. Hayes, PhD

Department of Psychology, University of Nevada, Reno

Jean-Louis Monestès, PhD

Department of Psychology, LIP/PC2S Lab, University Grenoble Alpes

David Sloan Wilson, PhD

Departments of Biology and Anthropology, Binghamton University

A terapia baseada em evidências (EBT, do inglês evidence-based therapy) é baseada em evi-dências de quatro maneiras distintas. Em primeiro lugar, utiliza os recursos e contribui para os princípios básicos de mudança do comportamento. Em segundo, associa esses princípios a modelos e teorias aplicadas. Em terceiro, avalia as extensões e métodos tecnológicos em pesquisas cuidadosamente controladas. E, em quarto, examina se os resultados dos padrões de intervenção podem ser entendidos em termos dos princípios básicos e modelos ou teorias aplicadas.

As terapias cognitivas e comportamentais foram especialmente claras acerca dessas necessidades empíricas, ou pelo menos de uma parte delas. Há mais de 40 anos, a concordância com os passos 1 e 3 citados era considerada característica definidora da terapia comportamental inicial, na forma de “teoria da aprendizagem definida operacionalmente e em conformidade com paradigmas experimentais bem estabelecidos” (Franks & Wilson, 1974, p. 7). Este livro, no entanto, está organizado em torno dessa visão completa de quatro passos. Por exemplo, os Capítulos 6 a 9 focam nos princípios básicos da relevância aplicada, incluindo aqueles focados no comportamento, na cognição, na emoção e na regulação emocional e neurociências. Todos esses tópicos são provavelmente esperados em um livro deste tipo, mas não temos conhecimento de outros livros como este que incluam um capítulo fundador sobre a ciência da evolução.

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29 - Direções futuras em TCC e terapia baseada em evidências

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Steven C. Hayes, PhD

Department of Psychology, University of Nevada, Reno

Stefan G. Hofmann, PhD

Department of Psychological and Brain Sciences, Boston University

Nos primeiros tempos do movimento da terapia comportamental, o falecido Gordon Paul, poucos anos após ter recebido seu PhD, escreveu uma das perguntas mais citadas sobre o verdadeiro objetivo de uma ciência de intervenções baseadas em evidências (1969, p. 44): “Que tratamento, realizado por quem, é o mais efetivo para este indivíduo com esse problema específico, sob qual conjunto de circunstâncias, e como ele acontece?”. Incluímos essa citação no Capítulo 1 porque ela abriu as portas para uma abordagem científica da intervenção terapêutica que associa procedimentos baseados em evidências contextualmente específicos a processos baseados em evidências que resolvem os problemas e promovem a prosperidade de pessoas em particular. No entanto, essa abordagem não foi muito longe porque, nos primeiros tempos da terapia comportamental, havia uma crença muito grande de que os princípios e as teorias da aprendizagem formavam uma base adequada para os procedimentos clínicos. De fato, isso pode explicar por que dois anos antes Paul (1967) não havia incluído a frase “e como ele acontece” na formulação original dessa questão, em vez disso focando inteiramente em procedimentos baseados em evidências contextualmente específicos. Os processos de mudança eram algo secundário.

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16 - Enfrentamento e regulação emocional

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Amelia Aldao, PhD

Andre J. Plate, BS

Department of Psychology, The Ohio State University

Regulação emocional é o processo pelo qual os indivíduos modificam a intensidade e/ou a duração de suas emoções para responderem aos vários desafios apresentados pelo ambiente (p. ex., Gross, 1998). Esse construto provém da literatura de enfrentamento, especificamente sobre enfrentamento focado nas emoções (Lazarus & Folkman, 1984). Desde a publicação do modelo de processo de regulação emocional de Gross, em 1998, tem ocorrido um crescimento exponencial no estudo das estratégias de regulação emocional em pesquisa básica (Webb, Miles, & Sheeran, 2012) e clínica (Aldao, Nolen-Hoeksema, & Schweizer, 2010). Duas estratégias de regulação comumente discutidas são a reavaliação cognitiva (i. e., reinterpretação de pensamentos ou situações com o objetivo de mudar a intensidade e/ou a duração das experiências emocionais; ver o Cap. 21) e a aceitação (i.e., experimentar pensamentos, emoções e sensações fisiológicas no momento presente e observá-los de maneira não julgadora; ver o Cap. 24). No entanto, algumas vezes os clientes podem encontrar dificuldades quando procuram implantar essas estratégias de regulação emocional na vida diária, em parte porque sua eficácia varia como uma função do contexto (p. ex., Aldao, 2013).

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22 - Modificando crenças nucleares

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Arnoud Arntz, PhD

Department of Clinical Psychology, University of Amsterdam; Department of Clinical Psychological Science, Maastricht University

Uma das mais importantes estruturas cognitivas conceituadas pelas teorias cognitivas da psicopatologia é o esquema. Beck (1967) introduziu o conceito de esquema no contexto da terapia cognitiva, postulando que “um esquema é uma estrutura para triagem, codificação e avaliação dos estímulos que interferem no organismo” (p. 283). Segundo o ponto de vista dos processos da informação, ele pode ser pensado como uma estrutura de conhecimento generalizado na memória que representa o mundo, o futuro e o self. Acredita-se que governa elementos do processamento da informação, tais como atenção (no que focar), interpretação (o significado que é dado aos estímulos) e memória (quais memórias implícitas e explícitas são desencadeadas por pistas específicas).

Crenças nucleares são as representações verbais dos elementos centrais dos esquemas, algumas vezes denominados pressupostos nucleares. Depois que um esquema é ativado, processos atencionais seletivos permitem que boa parte da informação disponível permaneça não processada; no entanto, muito significado é agregado aos dados brutos quando um esquema é ativado.

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Roberta Pay (86)
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12 - Perversão na Visão de Freud, Klein e Seus Seguidores

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12

Perversão na Visão de Freud,

Klein e Seus Seguidores

Berenice Ferreira Leonhardt de Abreu

Introdução

A falta de amor é a mola propulsora de tudo aquilo que é contrário ao que deveria fazer parte da natureza humana: o amor. Porque vai contra todos os princípios que se acredita serem benéficos: inteligência, justiça, diplomacia, riqueza, docilidade, beleza, autoridade, trabalho, simplicidade, oração, lei, fé, vida, afeto. Todos, contraponto ao que nos leva à falta de sensibilidade para com o Outro: perverso, implacável, hipócrita, avaro, servil, orgulhoso, ridículo, tirano, escravo, depreciativo, introvertido, egoí­sta, fanático, torturador e cruel.

Segundo André Green, perverso não é aquele que é sadomasoquista, fetichista, voyeurista ou exibicionista, porque todos nós, na relação com o objeto, lançamos mão de um ou outro tipo de funcionamento, com permissão do objeto, para nos satisfazer sexualmente. Porém, o perverso

é aquele que usa desse tipo de funcionamento com a finalidade de “gozar”, sem se importar com a condição do Outro, sem se importar com o desejo do Outro. Para ele, o perverso é desde o que não segue as éticas de conduta com o Outro, como aquele que se despe na frente de uma criança com a finalidade de se excitar, por exemplo. Nesse sentido, o perverso é aquele que passou pelo processo de castração, curvou-se a ele mas recusa-se a aceitá-lo.1

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42 - Sexualidade na Visão do Psicodrama

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42

Sexualidade na

Visão do Psicodrama

Heloisa Junqueira Fleury e Carmita Helena Najjar Abdo

Introdução

A experiência sexual é complexa, envolvendo fa­ tores biopsicossociais e relacionais.1 A medicina sexual vem trazendo importantes contribuições para o diagnóstico e o tratamento das disfunções sexuais e para a compreensão dos fatores de ris­ co relacionados às comorbidades físicas e a seus tratamentos.

Sexo é importante durante toda a vida para a maioria (80% dos homens e 60% das mulheres) de uma população de 27.500 in­di­ví­duos, entre 40 e 80 anos, segundo estudo que envolveu 29 paí­ ses.2 No estágio atual do desenvolvimento des­ sa ­área, o foco terapêutico tem privilegiado as questões emocionais e sexuais pertinentes aos relacionamentos, visto que aspectos mais subje­ tivos, como um histórico de satisfação (garantin­ do a valorização da atividade sexual), têm papel protetor na manutenção da vida sexual ativa no envelhecimento.3

Nesse contexto, a terapêutica preconizada precisa integrar aspectos biológicos, psicosso­ ciais e culturais do comportamento sexual.4 O

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22 - Envelhecimento e Fenomenologia

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Envelhecimento e

Fenomenologia

Cristiane Stravino Messas e Natalie Deyna Suplicy Vieira

Introdução

Examinar a velhice sob o enfoque da psicopatologia fenômeno-estrutural pode se traduzir em tomar os vários aspectos que contemplam o tema e extrair deles as essências constituintes da estrutura mental existente nessa fase da vida. É olhar diversos elementos fragmentados a partir de um mesmo prisma.

A temática que cerca as preocupações e as indagações sobre o envelhecimento em nossa cultura na atua­li­da­de engloba a saú­de física, mental e social, considerando cada uma dessas esferas separadamente, com especificidades próprias e com o intuito geral de prolongar ao máximo o estado do ser humano não velho ou pré-velho.

Basta notar o apelo e o desejo pela manutenção da aparência jovem nos modelos estéticos que se apresentam. O corpo é velho, mas não se deixa aparentar como tal: a postura é ereta e os movimentos são ágeis e precisos. Não é diferente na esfera mental: vende-se um idoso ativo, dinâmico e com um tipo de expressividade de alegria que destoa de sua natureza. As imagens de mídia deixam o incômodo da superficialidade, fazendo parecer que os idosos oferecidos como ­ideais de consumo sejam seres pré-fabricados: almas jovens, com toda a energia que lhes é própria, em um corpo lamentavelmente envelhecido. Na esfera social, vê-se o mesmo padrão: as relações pessoais são abundantes e a fase da vida apresentada como aposentadoria vem impregnada de valores de prazeres típicos da juventude (viagens pela natureza, esportes etc.). Tudo, sempre, com muito prazer e desfrute. O conceito de velhice no senso comum, aqui apresentado como idea­ li­zação, prefere a terminologia “terceira idade” ou

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23 - Fenômeno Obsessivo-Compulsivo

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23

Fenômeno

Obsessivo-Compulsivo

Julio Cesar Menéndez Acurio

Introdução

O objetivo deste capítulo é compreender o fenômeno obsessivo-compulsivo a partir de uma perspectiva fenomenológica, ou seja, sem uma teoria prévia e sem estabelecer relações causais.

A discussão se dá pela essência da obsessão.

Primeiramente, nos ocuparemos das definições operativas dos sintomas, para então, com o auxílio de exemplos clínicos, discutir o adoecer obsessivo-compulsivo.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um quadro com manifestações clínicas extremamente heterogêneas e, ao mesmo tempo, muito semelhantes em diferentes culturas. Muitas vezes secreto, envolve medos excessivos, dúvidas insolúveis e comportamentos irracionais repetidos incontáveis vezes na busca de um alívio, sempre fugaz.1

Enquanto no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) o TOC é categorizado separadamente, na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) o termo encontra-se sob a rubrica dos “transtornos neuróticos relacionados ao estresse e somatoformes”. Conceitualmente, a CID-10 mantém a distinção tradicional, que considera as obsessões como eventos mentais e as compulsões como comportamentos observáveis, ao passo que o DSM enfatiza sua função, em vez da sintomatologia.2 Desse modo, obsessões seriam pensamentos, impulsos ou imagens mentais recorrentes, invasivos e desagradáveis, reconhecidos como próprios, que causam ansiedade ou mal-estar, tomam tempo e interferem negativamente na vida. Já as compulsões são comportamentos ou atos mentais repetitivos, que o indivíduo é levado a executar voluntariamente em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras rígidas, para neutralizar ou reduzir a ansiedade e o desconforto, ou evitar (de maneira excessiva e não realística) algum evento temido.

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68 - Perspectiva Sistêmica de Intervenção na Violência contra Crianças e Adolescentes

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68

Perspectiva Sistêmica de

Intervenção na Violência contra Crianças e

Adolescentes

Maria Aparecida Penso e Liana Fortunato Costa

Introdução

Este capítulo é o resultado de um projeto de pesquisa-ação que durou de 2001 a 2010 e apresenta a proposta de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência e suas famílias, especificamente aqueles acometidos por abuso sexual.1 Seu objetivo é apresentar os fundamentos teó­ricos que orientam o trabalho e descrever a metodologia de atendimento a essa clientela.

As características dessa metodologia foram desenhadas para que possa ser adotada/adaptada por instituições públicas e para proporcionar um acolhimento focal, ou seja, mais econômico e realista diante das grandes dificuldades que, em geral, as famílias das vítimas apresentam para comparecer a atendimentos de natureza psicossocial.2-4

Fundamento teó­rico

O trabalho com a temática da violência contra crianças e adolescentes na família ou nas relações próximas requer a compreensão de três perspectivas complementares: uma perspectiva histórica que analise as diferentes maneiras de resolução de conflitos violentos adotadas por cada época; uma perspectiva política que dê ênfase a programas de prevenção; e uma perspectiva compreensiva que enfatize uma ação em direção à intimidade da família ou da pessoa.5

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Robert Plomin John C Defries Gerald E Mcclearn Peter Mcguffin (19)
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Capítulo 18. O futuro da genética do comportamento

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P

O futuro da genética do comportamento

rever o futuro da genética do comportamento não é um assunto a ser contemplado com uma bola de cristal, porque o ritmo dos desenvolvimentos recentes dá a certeza de que este campo vai prosperar, especialmente na medida em que a genética do comportamento continuar a seguir a tendência das pesquisas. Este ritmo é impulsionado por novos achados, métodos e projetos, tanto em genética quantitativa quanto em genética molecular. Um excelente balanço feito pela Sociedade Americana de Genética Humana sobre o futuro da genética do comportamento está disponível na Revista da Sociedade (Sherman et al., 1997) e online (http://www.faseb.org/ genetics/ashg/policy/pol­‑28.htm).

Outra razão do otimismo sobre o con­ tínuo crescimento da genética nas Ciências do Comportamento é que os principais pesquisadores incorporaram estratégias genéticas em suas avaliações (Plomin,

1993). Essa tendência cresceu com muito mais força agora que o custo do acesso à pesquisa genética é apenas a coleta de um pouco de células bucais a partir da qual o DNA é extraído de amostras de ­gêmeos ou adotados, o que não é difícil de ser obtido. Essa tendência é importante porque as melhores pesquisas em genética do comportamento provavelmente serão feitas por cientistas do comportamento que não são originalmente geneticistas.

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Capítulo 2. As leis da hereditariedade de Mendel

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As leis da hereditariedade de Mendel

Doença de Huntington (DH) começa por alterações da personalidade, esquecimento e movimentos involuntários. Ataca tipicamente na metade da idade adulta; durante os 15 a 20 anos seguintes, leva

à perda completa do controle motor e da função intelectual. Não se encontrou nenhum tratamento que interrompesse ou retardasse o declínio inexorável. Embora afete apenas aproximadamente 1 em

20.000 indivíduos, hoje um quarto de milhão de pessoas no mundo acabará por desenvolver a DH.

Quando a doença foi investigada ao longo de muitas gerações, surgiu um consistente padrão de herança. Os indivíduos atingidos tinham um dos genitores com a doença, e aproximadamente metade dos filhos de um genitor afetado desenvolvia a doença. (ver a Figura 2.1 para uma explicação dos símbolos tradicionalmente usados para descrever as árvores familiares, chamadas de genealogias. A Figura

2.2 mostra um exemplo de uma genealogia da DH.) Que leis da hereditariedade estão em jogo? Por que essa condição letal persiste na população? Responderemos a essas perguntas na próxima seção, mas primeiro consideremos outro transtorno herdado.

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Capítulo 12. Psicopatologia do desenvolvimento

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A

Psicopatologia do desenvolvimento

esquizofrenia e os outros transtornos de humor são tipicamente diagnosticados na idade adulta; outros surgem na infância. O transtorno cognitivo geral, os transtornos de aprendizagem e os da comunicação foram discutidos no Capítulo 7. Outras categorias diagnósticas do

DSM­‑IV diagnosticadas pela primeira vez na infância incluem transtornos globais do desenvolvimento (por exemplo, transtorno autista), transtorno de déficit de atenção e comportamento disruptivo (por exemplo, o TDAH e o transtorno de conduta), transtornos de ansiedade, de tique

(por exemplo, transtorno de Tourette) e transtornos da excreção (por exemplo, enurese). Estima­‑se que uma em cada quatro crianças tenha um transtorno diagnosticável (Cohen et al., 1993), e uma em cada cinco tenha um transtorno moderado ou grave (Brandenburg, Friedman e

Silver, 1990).

Somente nas duas últimas décadas é que a pesquisa começou a se direcionar para os transtornos da infância (Rutter et al., 1999). A psicopatologia do desenvolvimento não está limitada à infância. Ela considera as mudanças e a continuidade durante o curso da vida, como a demência que se desenvolve no final da vida

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Capítulo 10. Esquizofrenia

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Esquizofrenia

psicopatologia tem sido a área mais ativa da pesquisa em genética do comportamento, em grande parte devido à importância social da doença mental. Uma em cada duas pessoas nos Estados Unidos tem alguma forma de transtorno durante a sua vida, e uma em cada três pessoas sofreu de algum transtorno no último ano

(Kessler et al., 2005). O custo em termos de sofrimento dos pacientes e seus amigos e parentes, bem como os custos econômicos, fazem com que a psicopatologia seja um dos problemas mais urgentes atualmente.

A genética da psicopatologia abriu caminho para a aceitação da influência genética na psicologia e psiquiatria. A história da genética psiquiátrica está descrita no Quadro 10.1.

Este capítulo e os próximos dois apresentam uma visão geral do que se sabe a respeito da genética de várias categorias importantes de psicopatologia: a esquizofrenia, os transtornos de humor e os transtornos de ansiedade. Outros transtornos, como o do estresse pós­‑traumático, os somatoformes e os da alimentação, também são revisados rapidamente, assim como os transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância: o autismo, o déficit de atenção/hiperatividade e o transtornos de tique. Outras categorias importantes do Manual Diagnóstico e Estatístico dos

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Capítulo 4. Dna: a base da hereditariedade

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M

Dna: a base da hereditariedade

endel foi capaz de deduzir as leis da hereditariedade, embora não tivesse ideia de como ela funcionava em nível químico ou psicológico. A genética quantitativa, como, por exemplo, o estudo de gêmeos e adoção, depende das leis da hereditariedade de Mendel, mas não requer conhecimento da sua base biológica.

Entretanto, é importante que se entenda os mecanismos biológicos subjacentes

à hereditariedade por duas razões. Primeiro, o entendimento da base biológica da hereditariedade deixa claro que os processos pelos quais os genes afetam o comportamento não são místicos. Segundo, esse entendimento é crucial para a valorização dos avanços empolgantes na tentativa de se identificar os genes associados ao comportamento. Este capítulo descreve a base biológica da hereditariedade, como o processo é regulado, como surgem as variações genéticas e como essa variação genética é detectada, usando as técnicas da genética molecular.

Existem muitos textos excelentes de genética que fornecem muitos detalhes sobre essas questões (Lewin, 2004; Watson et al., 2004). A base biológica da hereditariedade inclui o fato de que os genes estão contidos em estruturas chamadas cromossomos. A ligação dos genes que estão muito próximos em um cromossomo possibilitou o mapeamento do genoma humano. Além do mais, as anormalidades nos cromossomos contribuem de forma importante para os transtornos de comportamento, especialmente o retardo mental.

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