Yves De La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
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1 Valores em crise: o que nos causa indignação?

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16 La Taille, Menin & cols.

Antes dessa apresentação, todavia, é preciso que nos questionemos: por que a indignação? A resposta a essa pergunta remete-nos a pensar na complexidade dos estudos sobre moral e ética e suas fontes. Em outras palavas, para entender o papel desse sentimento – indignação – na formação de um valor moral, será preciso, primeiro, supor que este participa efetivamente dessa construção. Essa mesma discussão nos ajudará, mais tarde, a pensar na tarefa da escola ao tratar da formação moral e ética de seus alunos.

A COMPLEXIDADE DOS ESTUDOS SOBRE MORAL E ÉTICA

Na história da filosofia clássica, por muito tempo a moral foi compreendida enquanto um conjunto de normas a serem seguidas. O bem e o mal, nessa concepção, são pensados exatamente como normas que vêm de fora, da religião, por exemplo. E se nos perguntarmos o que, ainda segundo essas premissas, define ou classifica tais condutas como boas ou ruins, poderemos ter como resposta: a razão.

Mas a mesma história aponta-nos o contrário: Shaftesbury (Taylor,

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8 Valores morais do ponto de vista de professores de ensino fundamental e médio

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186 La Taille, Menin & cols.

Sobre o trabalho com questões morais dentro do espaço escolar, a nossa sociedade conta com uma orientação pedagógica bem fundamentada sobre o tema, uma vez que em 1997 o Ministério da Educação trouxe a público os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1997) para o ensino fundamental e, posteriormente, foram publicados os parâmetros para os outros níveis do ensino. A finalidade de tais trabalhos é propor uma ação pedagógica que apresente a cidadania como eixo direcionador da educação, de maneira que crianças e adolescentes reflitam sobre os conteúdos trabalhados e, a partir disso, construam pontos de vista próprios a respeito dos mesmos. Um dos volumes dos Parâmetros é voltado para um conjunto de temas, que, por sua abrangência, passam a ser de responsabilidade de todos os professores e não de uma única disciplina. Esse conjunto de conhecimentos recebeu o nome de Temas Transversais e envolve assuntos como ética, orientação sexual, pluralidade cultural e outros.

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5 Valores evocados nos posicionamentos referente sàs cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

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5

Valores evocados nos posicionamentos referentes

às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Maria Suzana De Stefano Menin

Alessandra de Morais Shimizu

Divino José Silva

INTRODUÇÃO

Crise de valores ou valores em crise? No decorrer deste texto propomo-nos enfrentar o desafio que é pensar, com base em uma pesquisa, o tema “cotas para alunos negros e alunos de escola pública no ensino superior público brasileiro”, no registro dessa pergunta, a qual La Taille denominou enigmática. Mesmo a denominando enigmática, La Taille já nos adiantou um comentário que retira dela seu caráter de mistério, pois não se trata de um enigma como aquele proposto pela Esfinge a Édipo, “decifra-me ou te devoro!”, mas de refletirmos a respeito de valores presentes em nossas práticas e discursos contemporâneos, que não sabemos, ainda, de que polo da pergunta acima enfrentá-los. Enfim, a discussão que hoje presenciamos no Brasil a respeito das cotas no ensino superior, trata-se de crise de valores ou de valores em crise? Como esclarece La

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6 Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

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6

Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

Cleonice Camino

Márcia Paz

Verônica Luna

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo analisar, dentro de uma perspectiva sócio-histórica, como os valores morais têm sido considerados em livros didáticos e por professores, no âmbito do ensino formal, em três contextos sociopolíticos da realidade brasileira: ditadura militar, redemocratização e momento atual. Para tanto, avalia-se o percurso do ensino da moral, considerando se houve avanço ou retrocesso em relação à formação do indivíduo autônomo, tendo por base a perspectiva cognitiva de Piaget.

Acredita-se que, a compreensão do percurso do ensino de valores nas últimas décadas, seja relevante para interpretar se houve ou não crise de valores na trajetória do ensino da moral. Essa interpretação é feita a partir de uma reflexão retrospectiva sobre as concepções de valores, normas e práticas educativas priorizadas nos diferentes contextos políticos.

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7 Tecendo os sentidos atribuídos por professores do ensino fundamental ao médio profissionalizante sobre a construção de valores na escola

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Crise de valores ou valores em crise? 153

um processo de transformação dos referidos valores, mas não em sua ausência ou progressivo desaparecimento.

Esse movimento de discussão tem estimulado uma vasta gama de iniciativas, seja na esfera da produção acadêmica, no âmbito das práticas pedagógicas, seja, ainda, no terreno das políticas públicas (Aquino e

Araújo, 2000). Os Temas Transversais, contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais, representam uma mostra de tal vigor temático – mesmo considerando as polêmicas que marcaram sua proposição e as dificuldades, por parte da escola e de seus profissionais, de efetuarem a transversalização desses temas no cotidiano escolar.

Compactuamos com a compreensão desses autores, pois verificamos nas queixas dos indivíduos representantes de diferentes estratos sociais, nas posturas assumidas por eles e no encaminhamento de questões do cotidiano que os valores, normalmente aceitos pela sociedade, demandam processos de reflexão e de ressignificação. Evidenciamos com relação a essa questão um saudosismo dos valores clássicos e universais, bem como das grandes figuras que possuíam autoridade suficiente para liderar e encaminhar as situações-problema da comunidade, como os padres, os pais, os professores, o poder público. É importante ressaltar, ainda, as hierarquias de valores, representativas das comunidades onde estão inseridos os indivíduos, que nem sempre são coincidentes com as de outras pessoas. Ao que parece, houve um enfraquecimento dessa base de princípios, regras que norteiam o comportamento. Analisar essa rede de elementos não é algo fácil, transitamos por um campo de conceitos, de representações, movediço e arenoso. Entretanto, estamos sendo constantemente convidados, enquanto educadores, pesquisadores e, também, pessoas comuns, a refletirmos e construirmos uma relação crítica com esse tema complicado.

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Yves De La Taille (4)
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Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

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Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

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Capítulo 3. Cultura da vaidade

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3

Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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Capítulo 2. Cultura do sentido

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2

Cultura do sentido

Fechei o capítulo anterior afirmando que somente uma cultura do sentido pode vencer uma cultura do tédio. Afirmei também que tal batalha é possível de ser travada com provável sucesso. Nunca uma cultura é um todo coeso. Em todas elas há sempre paradoxos, tensões, oposições, ambiguidades, contradições, que permitem o movimento, a evolução, a superação. O mesmo vale para os indivíduos. A abordagem construtivista, à qual me filio, vê no homem ricas capacidades de adaptação, de autorregulação, de equilibração, que lhe permitem criar novas formas de pensar e de sentir, que lhe permitem criar novas estruturas mentais que podem dar novos rumos à compreensão que tem do mundo e da vida. A abordagem construtivista vê no sujeito recursos para superar insatisfações, resolver problemas, sair de situações desconfortáveis ou até mesmo insuportáveis.

Para tanto, duas condições devem ser contempladas. A primeira: que o sujeito esteja, de fato, em uma situação que considera problemática. A segunda: que tenha a seu alcance elementos para alimentar a construção de novas soluções.

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Capítulo 1. Cultura do tédio

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

1

Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

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Steven C Hayes Stefan G Hofmann (32)
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3 - A ciência na prática

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Kelly Koerner, PhD

Evidence-Based Practice Institute

A prática baseada em evidências (PBE) se originou na medicina para prevenir erros e melhorar os resultados na assistência à saúde (Sackett, Rosenberg, Gray, Haynes, & Richardson, 1996). Em psicologia, a PBE é definida como “a integração das melhores pesquisas disponíveis com a expertise clínica no contexto das características, cultura e preferências do paciente” (American Psychological Association Presidential Task Force on Evidence-Based Practice, 2006). Em uma abordagem baseada em evidências para a tomada de decisão (Spring, 2007a, 2007b), o profissional deve:

A PBE parece ser um processo simples: obter evidências relevantes, discuti-las com o cliente e, então, realizar a melhor prática. No entanto, isso requer que sejam transpostos dois conjuntos de desafios significativos: (1) encontrar e avaliar evidências relevantes para muitas decisões clínicas é difícil, e (2) o julgamento clínico é notoriamente falível.

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24 - Cultivando a aceitação psicológica

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

John P. Forsyth, PhD

Timothy R. Ritzert, MA

Department of Psychology, University at Albany,State University of New York

A ideia da aceitação é muito antiga. Ela aparece nas tradições religiosas, nas práticas contemplativas orientais e na maioria das abordagens de psicoterapia quando discutimos a aliança terapêutica e o processo terapêutico. Mais recentemente, foi introduzida na psicoterapia baseada em evidências como um processo central, tanto da psicopatologia quanto da mudança terapêutica. Aceitação psicológica, como a estruturamos aqui, é “a adoção voluntária de uma postura intencionalmente aberta, receptiva, flexível e isenta de julgamentos com respeito à experiência momento a momento” (Hayes, Strosahl, & Wilson, 2012, p. 272). Essa experiência inclui eventos internos (p. ex., pensamentos, emoções, memórias, sensações físicas, ímpetos/impulsos) e situações contextuais intimamente relacionadas que os evocam. Pensada dessa maneira, aceitação psicológica é abrir-se para o que a vida está oferecendo, assim como ela é. Aceitação é uma competência, não meramente um conjunto de técnicas. Também é um processo, e não simplesmente um resultado.

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25 - Escolha e explicitação de valores

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Tobias Lundgren, PhD

Andreas Larsson, PhD

Department of Clinical Neuroscience, Center for Psychiatry Research, Karolinska Institute; Stockholm Health Care Services

Os clientes com frequência entram em terapia presos a uma situação de vida difícil, com emoções, pensamentos, memórias e dores físicas problemáticos. Em suas dificuldades, não é incomum que tenham perdido contato com o que dá significado e propósito à vida. Os tratamentos cognitivos e comportamentais cada vez mais se mostram capazes de abordar esse déficit, reorientando-os à escolha de seus valores.

Os valores e as discussões das escolhas valorizadas são parte essencial da terapia de aceitação e compromisso (Hayes, Strosahl, & Wilson, 1999, 2011), da ativação comportamental (ver o Cap. 19), da entrevista motivacional (ver o Cap. 27) e de uma ampla variedade de outros métodos baseados em evidências. Historicamente falando, o trabalho com os valores em psicoterapia foi a esfera de atuação das psicoterapias humanistas. Viktor Frankl escreveu exaustivamente sobre a busca por significado, com base em sua experiência em um campo de concentração nazista durante a II Guerra Mundial e aplicou suas ideias na logoterapia (Frankl, 1984). Carl Rogers, outro humanista famoso, considerava a busca dos valores essencial na autoatualização e, em úl-tima análise, na saúde psicológica. Usando uma tarefa de classificação de cartões comparando a autopercepção de um cliente com um self ideal antes e depois da terapia, ele desenvolveu dados apoiando sua abordagem centrada na pessoa (Rogers, 1995). As ideias de Rogers foram trazidas para a terapia baseada em evidências, particularmente pela entrevista motivacional (Miller & Rollnick, 2002).

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4 - A tecnologia da informação e o papel dinâmico da prática

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Gerhard Andersson, PhD

Department of Behavioral Sciences and Learning, Linköping University, and Karolinska Institute

A psicoterapia vem mudando de forma gradual de uma prática presencial preponderantemente individual para várias formas alternativas de oferta de tratamento. Exemplos são o tratamento em grupo, materiais informativos, intervenções baseadas em aulas e psicoeducação, programas de intervenção não guiados e programas guiados de autoajuda com o uso de livros ou intervenções informatizadas baseadas em diferentes plataformas (p. ex., computadores, internet e smartphones). Nem todas essas mudanças no papel do profissional são recentes, nem foram provocadas pela tecnologia moderna da informação, porém meu foco neste capítulo será nas que foram.

Embora continue havendo controvérsia em torno de intervenções grupais e baseadas em aulas (Morrison, 2001), as mudanças produzidas por esses métodos estão presentes no campo há algum tempo, já fazem parte da prática regular e têm apoio empírico em pelo menos algumas condições (Cuijpers, van Straten, & Warmerdam, 2008; White, Keenan, & Brooks, 1992). Isso também vale para algumas formas de tecnologia da informação, como o uso de uma intervenção baseada em textos, na forma de livros e folhetos, como tratamento único, frequentemente referido como biblioterapia (Keeley, Williams, & Shapiro, 2002). Algumas formas mais recentes de intervenção, como a busca de material informativo baseado na web ou grupos de apoio on-line, não estão incluídas no escopo deste capítulo (G. Andersson, 2014), pois raramente estão integradas à prática em si. Neste capítulo, comentarei as mudanças no papel da prática na qual a moderna tecnologia da informação foi introduzida para complementar e algumas vezes até substituir formatos tradicionais de prestação de serviço.

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5 - Competência ética em terapias comportamentais e cognitivas

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Kenneth S. Pope, PhD

Independent Practice, Norwalk, CT

A competência ética em terapia cognitiva e comportamental nos defronta com desafios cognitivos e comportamentais. Esses dois desafios são psicologicamente difíceis.

Precisamos enfrentar os desafios cognitivos do uso do julgamento informado para encontrar – ou, algumas vezes, criar – o caminho mais ético ao longo de situações em constante mudança. Nenhuma dessas situações é exatamente igual a qualquer outra. Podemos ser como muitos outros terapeutas em todos os tipos de aspectos, mas cada um de nós é único em aspectos importantes. Um cliente pode se encaixar em todos os tipos de categorias que incluem muitos outros clientes, mas cada um é único em aspectos importantes. Terapeutas, clientes e situações complexas não estão congelados no tempo – ninguém é exatamente o mesmo que no mês passado, semana passada ou ontem. Para adaptar Heráclito, durante o curso de nosso trabalho com um cliente, nunca entramos duas vezes em uma situação terapêutica idêntica com o mesmo cliente. Encontrar a resposta mais ética a essas situações únicas e em constante mudança nos força a deixar à parte expectativas de respostas fáceis, uma abordagem do tipo receita ou soluções de aplicação geral. Isso requer que estejamos alertas, abertos, informados, conscientes e ativamente questionando.

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Roberta Pay (86)
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70 - Terapia de Casal Sistêmica

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70

Terapia de Casal

Sistêmica

Roberta Payá e Ana Paula Sodero Saccani

Introdução

Diversas são as razões que podem levar um casal a buscar ajuda na terapia. Alguns estão claramente no limite. Outros, por uma discussão violenta, um caso extraconjugal, um evento inesperado que desestabiliza a relação, enfrentam a decisão de um dos parceiros de se separar, o que amea­ça desmoronar toda a relação. Outros o fazem por estar, gradativamente, caminhando para o “limite”

– por exemplo, parceiros que sentem ter pouco em comum e que temem finais de semana prolongados quando as crianças estão fora, quando têm de se deparar com a casa vazia. Há também aqueles que questionam a ideia da terapia em si, mas acabam procurando porque um médico os encaminhou ou o professor da escola dos filhos sugeriu, até mesmo porque não raro há casos nos quais a terapia começa em razão do comportamento inadequado de um dos filhos e, ao longo do processo, configura-se a necessidade de o casal não só avaliar o papel da unidade parental, mas também perceber que, como casal, há algo que não flui e, por conta disso, outras conse­ quências na dinâmica da família podem emergir.

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30 - Transtornos Alimentares | Obesidade na Visão Analítica

Roberta Payá Grupo Gen PDF Criptografado

30

Transtornos Alimentares |

Obesidade na Visão

Analítica

Liliana Liviano Wahba

Você tem sede de ­quê?

Você tem fome de ­quê?

Trecho da canção “Comida”, de Arnaldo Antunes,

Marcelo Fromer e Sérgio Britto.

Introdução

De modo amplo, entende-se por transtorno alimentar um desvio do comportamento que pode levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades. Estudos epidemiológicos demonstram aumento de incidência de alguns transtornos alimentares concomitantemente à evolução do padrão de beleza feminino para o corpo magro, ou seja, em parte, esses transtornos estariam ligados à cultura. Há de se levar em conta também a mudança de hábitos na sociedade ocidental, que favorece o consumo de alimentos prontos, repletos de gorduras e açúcares.

Os principais transtornos são a anorexia e a bulimia e, entre outros, existem a obesidade mórbida, a falta de apetite e a crise do comer compulsivo (binge eating disorder), que consiste em episódios de voracidade fágica, mas sem uso de método purgativo como na bulimia. Esse transtorno acomete três mulheres para cada dois homens, com prevalência de 2% na população geral e de 30% entre obesos que procuram tratamento para emagrecer.1 O Diagnostic and

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25 - Fenomenologia e Psicanálise | A Contribuição de Binswanger

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25

Fenomenologia e

Psicanálise | A Contribuição de Binswanger

Nelson Ernesto Coelho Junior

Introdução

Herdeiro de uma longa tradição em psiquiatria, o suí­ço Ludwig Binswanger (1881-1966), criador da Daseinsanalyse (termo que pode ser traduzido como “analítica existencial”), foi o principal elo entre a filosofia fenomenológica e a Psicanálise freudiana no ­século 20. Ao longo de sua vida, embora tenha se dedicado fundamentalmente à clínica psiquiá­trica, Binswanger sempre recorreu às concepções filosóficas para ampliar o escopo de suas formulações clínicas e teó­ricas. Buscou na filosofia os fundamentos para uma antropologia existencial que possibilitasse a criação de uma nova ciên­cia psiquiá­trica. Ao lado de sua paixão pela filosofia, Binswanger manteve um grande fascínio pela obra de Freud. Assim, paradoxalmente, mesmo tendo desenvolvido concepções bastante originais sobre o trabalho psicoterapêutico, sempre se considerou um psicanalista.

Binswanger iniciou seus estudos de medicina em Lausanne, para depois continuá-los na

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84 - Psicoterapia Cognitiva para Crianças e Adolescentes

Roberta Payá Grupo Gen PDF Criptografado

84

Psicoterapia Cognitiva para

Crianças e Adolescentes

Renato Maiato Caminha, Marina Gusmão Caminha e

Jaqueline Andréa Malheiros da Silveira

Introdução

A década de 1960  foi palco do surgimento de novas modalidades de psicoterapia, as psicoterapias cognitivo-comportamentais. Uma das características mais importantes dessa nova abordagem de transtornos mentais é sua capacidade integrativa.

Beck e Alford1 reforçam a ideia do forte componente interacionista das psicoterapias cognitivas. Tal componente, entretanto, não significa que essas psicoterapias sejam “colchas de retalhos” teó­ricos; pelo contrário, elas têm, conforme

Dobson et  al.2, um constructo paradigmático constituí­do da seguinte maneira: a cognição afeta o comportamento; a cognição pode ser monitorada e alterada; e pode-se alterar o comportamento por meio da mudança cognitiva.

Sem dúvida, uma das escolas que mais influenciaram a psicoterapia cognitiva foi a escola comportamentalista, por trabalhar com técnicas derivadas do laboratório para a clínica e por sua capacidade de apresentar modelos de intervenção clínica replicáveis, características fundamentais de um paradigma que pretendia ser a ciên­cia do comportamento humano.

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21 - Fenomenologia e Infância

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21

Fenomenologia e Infância

Susan Meire Mondoni

Introdução

Subtipos fenomênicos

Na fenomenologia, descreve-se um fenômeno psíquico tal qual vivido pelo in­di­ví­duo, ou seja, aproxima-o empaticamente do que é sentido, dando forma e linguagem a esse fenômeno. Entretanto, descrever um fenômeno psíquico tal qual vivido por uma criança é uma tarefa bastante complexa. Dependendo da idade, a criança ainda não tem vocabulário para expressar o que sente. Além disso, muitas vezes, o que se passa em nível psíquico é indiscriminado e vivido no corpo. Discriminar as diversas formas de vivenciar corporalmente os sofrimentos psíquicos em uma criança é o desafio maior dos terapeutas infantis. Aqui, tentaremos discorrer a respeito do olhar da fenomenologia sobre tais aspectos.

Para isso, discutiremos algumas apresentações da agitação infantil e da agressividade, duas das principais queixas trazidas pelos pais aos consultórios de psicólogos e psiquiatras da infância. Essas queixas provêm dos sinais observados pelos pais, pela família e/ou pela escola, sendo menos frequente o relato de percepção da própria criança.

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Robert Plomin John C Defries Gerald E Mcclearn Peter Mcguffin (19)
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Capítulo 14. Psicologia da saúde e do envelhecimento

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

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A

Psicologia da saúde e do envelhecimento

pesquisa genética em psicologia direcionou seu foco para as habilidades e transtornos cognitivos (capítulos 7­‑9), para a psicopatologia (capítulos 10­‑12) e para a personalidade (Capítulo 13). O motivo para isso é que essas são as áreas da psicologia que têm a história mais longa de pesquisas sobre as diferenças individuais.

A respeito da genética de outros campos importantes da psicologia que tradicionalmente não enfatizaram as diferenças individuais, como a percepção, a aprendizagem e a linguagem sabe­‑se muito menos.

O propósito deste capítulo é apresentar uma visão geral da pesquisa genética em duas áreas das ciências do comportamento. Uma das áreas mais novas é a psicologia da saúde, por vezes chamada de medicina psicológica ou do comportamento porque ela se situa na intersecção entre a psicologia e a medicina. A pesquisa nesta área concentra­‑se no papel do comportamento na promoção da saúde e na prevenção e no tratamento de doenças.

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Capítulo 1. Visão Geral

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

1

A

Visão geral

lgumas das descobertas recentes mais importantes sobre o comportamento envolvem a genética. Por exemplo, o autismo (Capítulo 12) é um transtorno raro, porém grave, que inicia cedo na infância e no qual a criança se isola socialmente, não se envolve no contato visual nem físico, e apresenta acentuados déficits de comunicação e comportamento estereotipado. Até a década de 1980, achava­‑se que o autismo tinha causas ambientais por conta de pais frios e rejeitadores ou por danos cerebrais. Entretanto, estudos genéticos comparando o risco em gêmeos univitelinos, que são geneticamente idênticos (como clones), e em gêmeos fraternos, que são apenas 50% iguais geneticamente, indicam uma in­fluência genética substancial. Se um membro de um par de gêmeos idênticos for autista, o risco de que o outro gêmeo também seja autista é muito alto, em torno de 60%. Em contraste, entre gêmeos fraternos o risco é muito baixo. Os estudos de genética molecular estão tentando identificar genes individuais que contribuam para a suscetibilidade genética ao autismo.

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Capítulo 11. Outras psicopatologias adultas

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

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Outras psicopatologias adultas

Embora

a esquizofrenia tenha sido o transtorno mais estudado em genética do comportamento, em anos recentes o foco de atenção se voltou para os transtornos de humor. Neste capítulo apresentamos uma visão geral da pesquisa genética sobre os transtornos de humor e também outras psicopatologias adultas. O capítulo encerra com uma discussão sobre até que ponto os genes que afetam um transtorno também afetam outros.

Transtornos de humor

Os transtornos de humor envolvem graves oscilações do humor, não apenas o

“baixo astral” que todas as pessoas sentem em alguma ocasião. Por exemplo, o risco de suicídio durante a vida para pessoas diagnosticadas como tendo transtorno de humor foi estimado em 19% (Goodwin e

Jamison, 1990). Existem duas categorias importantes de transtornos de humor: transtorno depressivo maior, que consiste em episódios de depressão, e transtorno bipolar, em que existem episódios tanto de depressão quanto de mania.

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Medium 9788536324272

Capítulo 4. Dna: a base da hereditariedade

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

4

M

Dna: a base da hereditariedade

endel foi capaz de deduzir as leis da hereditariedade, embora não tivesse ideia de como ela funcionava em nível químico ou psicológico. A genética quantitativa, como, por exemplo, o estudo de gêmeos e adoção, depende das leis da hereditariedade de Mendel, mas não requer conhecimento da sua base biológica.

Entretanto, é importante que se entenda os mecanismos biológicos subjacentes

à hereditariedade por duas razões. Primeiro, o entendimento da base biológica da hereditariedade deixa claro que os processos pelos quais os genes afetam o comportamento não são místicos. Segundo, esse entendimento é crucial para a valorização dos avanços empolgantes na tentativa de se identificar os genes associados ao comportamento. Este capítulo descreve a base biológica da hereditariedade, como o processo é regulado, como surgem as variações genéticas e como essa variação genética é detectada, usando as técnicas da genética molecular.

Existem muitos textos excelentes de genética que fornecem muitos detalhes sobre essas questões (Lewin, 2004; Watson et al., 2004). A base biológica da hereditariedade inclui o fato de que os genes estão contidos em estruturas chamadas cromossomos. A ligação dos genes que estão muito próximos em um cromossomo possibilitou o mapeamento do genoma humano. Além do mais, as anormalidades nos cromossomos contribuem de forma importante para os transtornos de comportamento, especialmente o retardo mental.

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Capítulo 6. Identificação dos genes

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

6

Identificação dos genes

É necessário que haja muito mais pes-

quisa sobre genética quantitativa do tipo descrito no Capítulo 5 para que se identifiquem os componentes e o conjunto de componentes herdáveis do comportamento e para que se explorem as inter­

‑relações entre natureza e criação. Contudo, uma das direções mais empolgantes da pesquisa em genética comportamental

é a união da genética quantitativa com a molecular na tentativa de identificar os genes responsáveis pela influência genética no comportamento, mesmo em comportamentos mais complexos sobre os quais muitos genes e também muitos fatores ambientais estão atuando.

Conforme ilustrado na Figura 6.1, a genética quantitativa e a genética molecu­ lar iniciaram ambas por volta do início do século XX. Os dois grupos, biometristas

(galtonianos) e mendelianos, rapidamente­ entraram em discordância, conforme descrito no Capítulo 3. Suas ideias e pesquisas evoluíram independentemente, com os geneticistas quantitativos focados nas variações genéticas naturais e nos traços quantitativos complexos; e com os geneticistas moleculares analisando as mu­tações de genes únicos com frequência criadas artificialmente por substâncias químicas ou irradiação X. Durante a última década, contudo, a genética quantitativa e a molecular começaram a se aproximar para identificar genes de traços quantitativos complexos. Semelhante aos sistemas poligênicos, são chamados de loci de caracteres quantitativos (QTL; quantitative trait loci). Diferente dos efeitos monogênicos, que são necessários e suficientes para o

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