Yves De La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788536319414

1 Valores em crise: o que nos causa indignação?

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

16 La Taille, Menin & cols.

Antes dessa apresentação, todavia, é preciso que nos questionemos: por que a indignação? A resposta a essa pergunta remete-nos a pensar na complexidade dos estudos sobre moral e ética e suas fontes. Em outras palavas, para entender o papel desse sentimento – indignação – na formação de um valor moral, será preciso, primeiro, supor que este participa efetivamente dessa construção. Essa mesma discussão nos ajudará, mais tarde, a pensar na tarefa da escola ao tratar da formação moral e ética de seus alunos.

A COMPLEXIDADE DOS ESTUDOS SOBRE MORAL E ÉTICA

Na história da filosofia clássica, por muito tempo a moral foi compreendida enquanto um conjunto de normas a serem seguidas. O bem e o mal, nessa concepção, são pensados exatamente como normas que vêm de fora, da religião, por exemplo. E se nos perguntarmos o que, ainda segundo essas premissas, define ou classifica tais condutas como boas ou ruins, poderemos ter como resposta: a razão.

Mas a mesma história aponta-nos o contrário: Shaftesbury (Taylor,

Ver todos os capítulos
Medium 9788536319414

5 Valores evocados nos posicionamentos referente sàs cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

5

Valores evocados nos posicionamentos referentes

às cotas para alunos negros ou alunos de escolas públicas. Uma pesquisa entre universitários

Maria Suzana De Stefano Menin

Alessandra de Morais Shimizu

Divino José Silva

INTRODUÇÃO

Crise de valores ou valores em crise? No decorrer deste texto propomo-nos enfrentar o desafio que é pensar, com base em uma pesquisa, o tema “cotas para alunos negros e alunos de escola pública no ensino superior público brasileiro”, no registro dessa pergunta, a qual La Taille denominou enigmática. Mesmo a denominando enigmática, La Taille já nos adiantou um comentário que retira dela seu caráter de mistério, pois não se trata de um enigma como aquele proposto pela Esfinge a Édipo, “decifra-me ou te devoro!”, mas de refletirmos a respeito de valores presentes em nossas práticas e discursos contemporâneos, que não sabemos, ainda, de que polo da pergunta acima enfrentá-los. Enfim, a discussão que hoje presenciamos no Brasil a respeito das cotas no ensino superior, trata-se de crise de valores ou de valores em crise? Como esclarece La

Ver todos os capítulos
Medium 9788536319414

8 Valores morais do ponto de vista de professores de ensino fundamental e médio

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

186 La Taille, Menin & cols.

Sobre o trabalho com questões morais dentro do espaço escolar, a nossa sociedade conta com uma orientação pedagógica bem fundamentada sobre o tema, uma vez que em 1997 o Ministério da Educação trouxe a público os Parâmetros Curriculares Nacionais (Brasil, 1997) para o ensino fundamental e, posteriormente, foram publicados os parâmetros para os outros níveis do ensino. A finalidade de tais trabalhos é propor uma ação pedagógica que apresente a cidadania como eixo direcionador da educação, de maneira que crianças e adolescentes reflitam sobre os conteúdos trabalhados e, a partir disso, construam pontos de vista próprios a respeito dos mesmos. Um dos volumes dos Parâmetros é voltado para um conjunto de temas, que, por sua abrangência, passam a ser de responsabilidade de todos os professores e não de uma única disciplina. Esse conjunto de conhecimentos recebeu o nome de Temas Transversais e envolve assuntos como ética, orientação sexual, pluralidade cultural e outros.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536319414

2 As virtudes segundo os jovens

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

2

As virtudes segundo os jovens

Yves de La Taille

Virtudes! Tema clássico da moralidade e do civismo. E também tema recorrente da antiga educação moral que, baseada no “verbo docente”, cantava as glórias de algumas delas e denunciava os terríveis riscos pessoais e sociais de seus opostos, os vícios. Lê-se, por exemplo, no livro Petite

Histoire de l’enseignement de la morale à l’école de Michel Jeury e JeanDaniel Baltassat, que uma atividade proposta às crianças era a de conjugar em vários tempos e modos frases do tipo “Eu preferiria me matar a faltar com o meu nome”, ou “Seja bom. Seja forte. Não seja maldoso. Tenha confiança. Não tenha medo. Escute, não se mexa! Acorde! Acabe sua lição.

Não se queixe” (Jeury; Baltassat; 2000, p.73). Como se vê, virtudes como honra, coragem, bondade, confiança, perseverança, tranquilidade, força, e outras mais eram, sem demais nuances, apresentadas como qualidade boas e necessárias ao adulto digno desse nome. Quanto aos vícios, eles eram evidentemente definidos como aspectos pessoais contrários às virtudes.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536319414

6 Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

Yves de La Taille, Maria Suzana de Stefano Menin Grupo A PDF Criptografado

6

Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

Cleonice Camino

Márcia Paz

Verônica Luna

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo analisar, dentro de uma perspectiva sócio-histórica, como os valores morais têm sido considerados em livros didáticos e por professores, no âmbito do ensino formal, em três contextos sociopolíticos da realidade brasileira: ditadura militar, redemocratização e momento atual. Para tanto, avalia-se o percurso do ensino da moral, considerando se houve avanço ou retrocesso em relação à formação do indivíduo autônomo, tendo por base a perspectiva cognitiva de Piaget.

Acredita-se que, a compreensão do percurso do ensino de valores nas últimas décadas, seja relevante para interpretar se houve ou não crise de valores na trajetória do ensino da moral. Essa interpretação é feita a partir de uma reflexão retrospectiva sobre as concepções de valores, normas e práticas educativas priorizadas nos diferentes contextos políticos.

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Yves De La Taille (4)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788536316925

Capítulo 2. Cultura do sentido

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

2

Cultura do sentido

Fechei o capítulo anterior afirmando que somente uma cultura do sentido pode vencer uma cultura do tédio. Afirmei também que tal batalha é possível de ser travada com provável sucesso. Nunca uma cultura é um todo coeso. Em todas elas há sempre paradoxos, tensões, oposições, ambiguidades, contradições, que permitem o movimento, a evolução, a superação. O mesmo vale para os indivíduos. A abordagem construtivista, à qual me filio, vê no homem ricas capacidades de adaptação, de autorregulação, de equilibração, que lhe permitem criar novas formas de pensar e de sentir, que lhe permitem criar novas estruturas mentais que podem dar novos rumos à compreensão que tem do mundo e da vida. A abordagem construtivista vê no sujeito recursos para superar insatisfações, resolver problemas, sair de situações desconfortáveis ou até mesmo insuportáveis.

Para tanto, duas condições devem ser contempladas. A primeira: que o sujeito esteja, de fato, em uma situação que considera problemática. A segunda: que tenha a seu alcance elementos para alimentar a construção de novas soluções.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316925

Capítulo 1. Cultura do tédio

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

1

Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316925

Capítulo 3. Cultura da vaidade

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

3

Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

Ver todos os capítulos
Medium 9788536316925

Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

Yves de La Taille Grupo A PDF Criptografado

4

Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

Ver todos os capítulos
Steven C Hayes Stefan G Hofmann (32)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9786581335052

15 - Redução da excitação

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Matthew McKay, PhD

The Wright Institute, Berkeley, CA

Os processos de redução da excitação abordados neste capítulo estão voltados para a excitação do sistema nervoso simpático (Selye, 1955) e podem ser distinguidos da redução da excitação voltada para os processos cognitivos (Beck, 1976), o controle atencional (Wells, 2011) e a descentralização/distanciamento/desfusão (Hayes, Strosahl, & Wilson, 012), que são tratados em outros capítulos deste livro. A história das estratégias modernas de redução da excitação começa na década de 1920, quando Jacobson (1929) introduziu o relaxamento muscular progressivo (RMP). Desde então, vários exercícios de respiração, relaxamento muscular e visualização foram acrescentados a um novo arsenal complexo denominado, em geral, como treinamento de relaxamento.

Na década de 1930, o relaxamento autógeno (Schultz & Luthe, 1959) apresentou uma nova forma de redução da excitação baseada na autossugestão: aqueles que procuram alívio do estresse por meio desse método repetem frases usando temas de calor, peso e outras sugestões. Ele foi praticado por anos na Alemanha, e Kenneth Pelletier (1977) o popularizou nos Estados Unidos.

Ver todos os capítulos
Medium 9786581335052

28 - Tratamento e manejo de crises suicidas por uma perspectiva comportamental

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Katherine Anne Comtois, PhD, MPH

Department of Psychiatry and Behavioral Sciences, University of Washington

Sara J. Landes, PhD

Department of Psychiatry, University of Arkansas for Medical Sciences, and Central Arkansas Veterans Healthcare System

Quando surge ideação suicida na psicoterapia, há dois caminhos a seguir: manejo do risco de suicídio e tratamento das variáveis de controle para resolver a ideação suicida. O manejo inclui as medidas que tomamos para minimizar o risco agudo de suicídio e autolesão, incluindo o manejo de meios letais, o desenvolvimento de um plano de segurança e a geração de esperança. Embora o manejo do risco seja importante, os terapeutas frequentemente o confundem com tratamento para prevenção de suicídio. Tratamento é um processo colaborativo e em geral relativamente longo entre terapeuta e cliente para mudar as variáveis controladoras para suicídio e autolesão e os fatores que fazem a vida não valer a pena ser vivida, como dor, isolamento ou falta de significado.

Ver todos os capítulos
Medium 9786581335052

22 - Modificando crenças nucleares

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Arnoud Arntz, PhD

Department of Clinical Psychology, University of Amsterdam; Department of Clinical Psychological Science, Maastricht University

Uma das mais importantes estruturas cognitivas conceituadas pelas teorias cognitivas da psicopatologia é o esquema. Beck (1967) introduziu o conceito de esquema no contexto da terapia cognitiva, postulando que “um esquema é uma estrutura para triagem, codificação e avaliação dos estímulos que interferem no organismo” (p. 283). Segundo o ponto de vista dos processos da informação, ele pode ser pensado como uma estrutura de conhecimento generalizado na memória que representa o mundo, o futuro e o self. Acredita-se que governa elementos do processamento da informação, tais como atenção (no que focar), interpretação (o significado que é dado aos estímulos) e memória (quais memórias implícitas e explícitas são desencadeadas por pistas específicas).

Crenças nucleares são as representações verbais dos elementos centrais dos esquemas, algumas vezes denominados pressupostos nucleares. Depois que um esquema é ativado, processos atencionais seletivos permitem que boa parte da informação disponível permaneça não processada; no entanto, muito significado é agregado aos dados brutos quando um esquema é ativado.

Ver todos os capítulos
Medium 9786581335052

Parte II

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado
Medium 9786581335052

8 - Emoções e regulação emocional

Steven C. Hayes, Stefan G. Hofmann Grupo A ePub Criptografado

Anthony Papa, PhD

Emerson M. Epstein, MA

Department of Psychology, University of Nevada, Reno

A reação e a desregulação emocional subjazem ou exacerbam a maioria dos problemas que são o foco da intervenção clínica. Neste capítulo, definimos o que é uma emoção, como ela se origina, como se torna desregulada e as implicações que esses entendimentos apresentam para a prática clínica.

As definições de emoção variam. Para alguns, emoções são construções, significados culturalmente definidos atribuídos a estímulos antecedentes e impostos às respostas afetivas de base neurofisiológica. Segundo essa perspectiva, a valência simples e as dimensões da excitação caracterizam essas respostas afetivas e, quando combinadas com um processo atribucional motivado pelo social, dão origem à percepção de distintas emoções (Barrett, 2012). Para outros, emoções são tendências de ação discretas que representam adaptações selecionadas naturalmente nos mamíferos. Essas tendências à ação fornecem uma estrutura básica para a resposta rápida a antecedentes historicamente recorrentes, específicos da espécie, visando a promover o sucesso evolutivo individual (Keltner & Haidt, 1999; Tooby & Cosmides, 1990). Outros ainda procuram chegar a um equilíbrio entre essas perspectivas e encaram as emoções como estados distintos, como na visão evolucionista básica, mas processos de avaliação evocados por situações específicas típicas da espécie são mediadores de sua emergência (Hofmann, 2016; Scherer, 2009).

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Roberta Pay (86)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788527731546

14 - Violência Doméstica na Visão Psicanalítica

Roberta Payá Grupo Gen PDF Criptografado

14

Violência Doméstica na

Visão Psicanalítica

Patrícia França Proença

Todo homem mata aquilo que ama.

Oscar Wilde

Introdução

Este capítulo tem como objetivo compreender a violência doméstica com fundamento em conceitos desenvolvidos pela Psicanálise e discutir as estruturas inconscientes dessa dinâmica, considerando se tratar de uma questão muito ampla e que atinge – de uma maneira terrivelmente silenciosa e dramática – crianças, adultos (homens ou mulheres) e idosos, e atravessa todos os grupos sociais, independentemente de classe, idade, etnia, religião, cultura ou região.

O estudo desse tema é extremamente relevante em virtude do imenso sofrimento a que suas vítimas ficam suscetíveis e que impede seu adequado desenvolvimento mental, emocional e físico. Torna-se necessário, além de entender a questão da vítima da violência, também buscar o entendimento sobre o agressor e como foi seu desenvolvimento psíquico, seus conceitos e valores para que culminassem em determinados comportamentos violentos.

Ver todos os capítulos
Medium 9788527731546

63 - Abuso e Dependência de Substâncias na Visão Sistêmica | Contribuições das Escolas Modernas e Pós-Modernas

Roberta Payá Grupo Gen PDF Criptografado

63

Abuso e Dependência de

Substâncias na Visão

Sistêmica | Contribuições das Escolas Modernas e

Pós-Modernas

Roberta Payá

Introdução

A dependência do ál­cool e de substâncias ilícitas afeta diretamente o relacionamento entre os membros de uma família ou de um casal, e, para o entendimento sistêmico, as condições desses relacionamentos afetam o quadro do abuso e/ou da dependência de alguma substância.

Nesses sistemas, percebe-se que, geralmente, existe uma relação pouco saudável entre o membro que é usuá­rio e o resto da família, o que causa danos a ele e a outras pessoas. A família, que procura ajudar, acaba corroborando para o agravamento do quadro, por conta de sua própria dinâmica. Essa relação revela-se, então, parasitária, um lado se alimentando dos esforços emocionais do outro. Essa relação pode se prolongar por anos, a ponto de ser considerada “normal” por aqueles que a vivem.1

Na prática clínica, pessoas que apresentam diferentes tipos e graus de problemas com ál­cool ou drogas são encaminhadas para tratamento e terapias. A inclusão da família no tratamento de dependentes quí­micos tem sido consideravelmente estudada, e a literatura tem concluí­do que famílias que realizam terapia familiar e de casal obtêm melhores resultados que famílias que não são incluí­das no tratamento.2,3 Embora não exista uma única proposta de tratamento a ser utilizado, o modelo sistêmico familiar, que ganhou importância de 1970 até 1980, recebeu destaque por dois fatores importantes:4,5

Ver todos os capítulos
Medium 9788527731546

30 - Transtornos Alimentares | Obesidade na Visão Analítica

Roberta Payá Grupo Gen PDF Criptografado

30

Transtornos Alimentares |

Obesidade na Visão

Analítica

Liliana Liviano Wahba

Você tem sede de ­quê?

Você tem fome de ­quê?

Trecho da canção “Comida”, de Arnaldo Antunes,

Marcelo Fromer e Sérgio Britto.

Introdução

De modo amplo, entende-se por transtorno alimentar um desvio do comportamento que pode levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades. Estudos epidemiológicos demonstram aumento de incidência de alguns transtornos alimentares concomitantemente à evolução do padrão de beleza feminino para o corpo magro, ou seja, em parte, esses transtornos estariam ligados à cultura. Há de se levar em conta também a mudança de hábitos na sociedade ocidental, que favorece o consumo de alimentos prontos, repletos de gorduras e açúcares.

Os principais transtornos são a anorexia e a bulimia e, entre outros, existem a obesidade mórbida, a falta de apetite e a crise do comer compulsivo (binge eating disorder), que consiste em episódios de voracidade fágica, mas sem uso de método purgativo como na bulimia. Esse transtorno acomete três mulheres para cada dois homens, com prevalência de 2% na população geral e de 30% entre obesos que procuram tratamento para emagrecer.1 O Diagnostic and

Ver todos os capítulos
Medium 9788527731546

33 - Autismo na Visão da Psicologia Analítica

Roberta Payá Grupo Gen PDF Criptografado

33

Autismo na Visão da

Psicologia Analítica

Ceres Alves de Araujo

Histórico

Ao estudar o histórico do autismo, Assumpção

Jr.1 relata que, em 1942, Kanner2 descreve, sob o nome “distúrbios autísticos do contato afetivo”, um quadro que ele caracteriza por isolamento extremo, obsessividade, estereotipias e ecolalia.

Em trabalho de 1956, Kanner3 continuou descrevendo esse quadro como uma “psicose infantil”, referindo que nenhum exame clínico e laboratorial fornecia dados consistentes naquilo que se relacionava à sua etiologia, porém o diferenciava dos quadros deficitários sensoriais, como afasia congênita, e dos quadros ligados às oligofrenias; assim, novamente, considerava-o uma “verdadeira psicose”. Com o passar do tempo, o quadro foi descrito melhor, com maior fidedignidade diagnóstica e conceitual, sendo, em meados da década de 1960, denominado, de maneira vaga,

“psicose infantil”.

Ao final da década de 1960, foi incluído entre as psicoses da primeira e da segunda infâncias, fato que permeou algumas confusões conceituais até o momento presente. E isso porque, segundo esse pensamento, descreve-se o autismo infantil enquanto problema primário, a ser distinguido do autismo secundário devido a dano cerebral ou retardo mental, bem como do distúrbio simbió­ tico interacional, englobando as chamadas psicoses simbió­ticas, com dependência incomum à mãe no modo de um prolongamento da ligação, e outras psicoses, correspondendo às crianças com desenvolvimento atípico, alguns comportamentos autísticos e indiferença emocional.4

Ver todos os capítulos
Medium 9788527731546

53 - Transtorno de Estresse Pós-Traumático na Visão da Psicologia Corporal

Roberta Payá Grupo Gen PDF Criptografado

53

Transtorno de Estresse

Pós-Traumático na Visão da

Psicologia Corporal

Périsson Dantas do Nascimento

Introdução

A relevância do estudo da temática deste capítulo está conectada com a crescente tendência, em nível internacional, do interesse em pesquisar e tratar os efeitos do trauma no funcionamento psicossomático do ser humano. Pesquisadores em neuropsicologia têm desenvolvido pesquisas comprovando as mudanças cerebrais e psicofisiológicas nocivas que eventos traumáticos podem ocasionar, acarretando sintomas como: ansiedade generalizada, isolamento social, fobias, alucinações, transtornos psicossomáticos, entre outros.1-3 Alterações da memória, mudanças distorcidas na fisiologia cerebral e falta de controle emocional são efeitos frequentes do choque traumático nos seres humanos, que dificilmente são acessados por meio de intervenções verbais.

Decorre desse fato, então, a necessidade de desenvolver estratégias de cuidados que envolvam uma intervenção psicossomática, partindo da memória implícita das sensações corporais, conforme noção desenvolvida por Damasio.4

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Robert Plomin John C Defries Gerald E Mcclearn Peter Mcguffin (19)
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9788536324272

Capítulo 12. Psicopatologia do desenvolvimento

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

12

A

Psicopatologia do desenvolvimento

esquizofrenia e os outros transtornos de humor são tipicamente diagnosticados na idade adulta; outros surgem na infância. O transtorno cognitivo geral, os transtornos de aprendizagem e os da comunicação foram discutidos no Capítulo 7. Outras categorias diagnósticas do

DSM­‑IV diagnosticadas pela primeira vez na infância incluem transtornos globais do desenvolvimento (por exemplo, transtorno autista), transtorno de déficit de atenção e comportamento disruptivo (por exemplo, o TDAH e o transtorno de conduta), transtornos de ansiedade, de tique

(por exemplo, transtorno de Tourette) e transtornos da excreção (por exemplo, enurese). Estima­‑se que uma em cada quatro crianças tenha um transtorno diagnosticável (Cohen et al., 1993), e uma em cada cinco tenha um transtorno moderado ou grave (Brandenburg, Friedman e

Silver, 1990).

Somente nas duas últimas décadas é que a pesquisa começou a se direcionar para os transtornos da infância (Rutter et al., 1999). A psicopatologia do desenvolvimento não está limitada à infância. Ela considera as mudanças e a continuidade durante o curso da vida, como a demência que se desenvolve no final da vida

Ver todos os capítulos
Medium 9788536324272

Capítulo 5. Natureza, criação e comportamento

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

5

A

Natureza, criação e comportamento

maioria dos traços comportamentais

é muito mais complexa do que os transtornos causados por único gene como a

Doença de Huntington e a PKU (ver Capítulo 2). As dimensões e os transtornos complexos são influenciados pela hereditariedade, mas não por um único gene apenas. Geralmente estão envolvidos múltiplos genes, assim como influências ambientais múltiplas. O propósito deste capítulo é descrever as formas como podemos estudar os efeitos genéticos nos traços comportamentais complexos.

As palavras natureza (nature) e criação

(nurture) apresentan um rico histórico de controvérsias, mas são utilizadas aqui simplesmente como categorias amplas que representam as influências genéticas e ambientais, respectivamente. Elas não são categorias distintas – o Capítulo 16 discute a interação entre elas.

A primeira pergunta que precisa ser feita a respeito dos traços comportamentais é se a hereditariedade é absolutamente importante. Nos transtornos monogênicos, essa não é a questão, porque, de modo geral, é óbvio que a hereditariedade é importante, quanto aos genes dominantes, como o gene da Doença de Huntington, você não precisa ser um geneticista para perceber que todo indivíduo afetado tem um genitor afetado. A transmissão do gene recessivo não é tão fácil de observar, mas o padrão de herança esperado está claro.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536324272

Capítulo 6. Identificação dos genes

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

6

Identificação dos genes

É necessário que haja muito mais pes-

quisa sobre genética quantitativa do tipo descrito no Capítulo 5 para que se identifiquem os componentes e o conjunto de componentes herdáveis do comportamento e para que se explorem as inter­

‑relações entre natureza e criação. Contudo, uma das direções mais empolgantes da pesquisa em genética comportamental

é a união da genética quantitativa com a molecular na tentativa de identificar os genes responsáveis pela influência genética no comportamento, mesmo em comportamentos mais complexos sobre os quais muitos genes e também muitos fatores ambientais estão atuando.

Conforme ilustrado na Figura 6.1, a genética quantitativa e a genética molecu­ lar iniciaram ambas por volta do início do século XX. Os dois grupos, biometristas

(galtonianos) e mendelianos, rapidamente­ entraram em discordância, conforme descrito no Capítulo 3. Suas ideias e pesquisas evoluíram independentemente, com os geneticistas quantitativos focados nas variações genéticas naturais e nos traços quantitativos complexos; e com os geneticistas moleculares analisando as mu­tações de genes únicos com frequência criadas artificialmente por substâncias químicas ou irradiação X. Durante a última década, contudo, a genética quantitativa e a molecular começaram a se aproximar para identificar genes de traços quantitativos complexos. Semelhante aos sistemas poligênicos, são chamados de loci de caracteres quantitativos (QTL; quantitative trait loci). Diferente dos efeitos monogênicos, que são necessários e suficientes para o

Ver todos os capítulos
Medium 9788536324272

Capítulo 13. Personalidade e transtornos de personalidade

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

13

Se

Personalidade e transtornos de personalidade

lhe perguntassem como alguém é, você provavelmente descreveria vários traços de personalidade, especialmente aqueles que retratam extremos do comportamento. “Jennifer é cheia de energia, muito sociável e tranquila.” “Steve é consciencioso, calado, mas muito explosivo.” Os pesquisadores em genética foram atraídos para o estudo da personalidade porque, dentro da psicologia, a personalidade sempre foi o campo principal para o estudo da variação normal das diferenças individuais, com a variação anormal sendo a procedência da psicopatologia. Uma regra que surge da pesquisa em genética do comportamento é que os transtornos comuns são o extremo quantitativo dos mesmos fatores genéticos e ambientais que contribuem para a amplitude de variação normal. Em outras palavras, uma patologia pode ser o extremo da variação normal da personalidade. Voltaremos às conexões entre personalidade e psicopatologia no final deste capítulo, depois de termos descrito a pesquisa básica sobre personalidade.

Ver todos os capítulos
Medium 9788536324272

Capítulo 4. Dna: a base da hereditariedade

Robert Plomin, John C. DeFries, Gerald E. McClearn, Peter McGuffin Grupo A PDF Criptografado

4

M

Dna: a base da hereditariedade

endel foi capaz de deduzir as leis da hereditariedade, embora não tivesse ideia de como ela funcionava em nível químico ou psicológico. A genética quantitativa, como, por exemplo, o estudo de gêmeos e adoção, depende das leis da hereditariedade de Mendel, mas não requer conhecimento da sua base biológica.

Entretanto, é importante que se entenda os mecanismos biológicos subjacentes

à hereditariedade por duas razões. Primeiro, o entendimento da base biológica da hereditariedade deixa claro que os processos pelos quais os genes afetam o comportamento não são místicos. Segundo, esse entendimento é crucial para a valorização dos avanços empolgantes na tentativa de se identificar os genes associados ao comportamento. Este capítulo descreve a base biológica da hereditariedade, como o processo é regulado, como surgem as variações genéticas e como essa variação genética é detectada, usando as técnicas da genética molecular.

Existem muitos textos excelentes de genética que fornecem muitos detalhes sobre essas questões (Lewin, 2004; Watson et al., 2004). A base biológica da hereditariedade inclui o fato de que os genes estão contidos em estruturas chamadas cromossomos. A ligação dos genes que estão muito próximos em um cromossomo possibilitou o mapeamento do genoma humano. Além do mais, as anormalidades nos cromossomos contribuem de forma importante para os transtornos de comportamento, especialmente o retardo mental.

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Carregar mais