Yves De La Taille Maria Suzana De Stefano Menin (8)
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3 Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

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Adolescência, personalidade e projeto de vida solidário

Denise D’Aurea-Tardeli

A missão da educação é transmitir conhecimentos integrados em uma cultura por meio de uma perspectiva ética, fato que leva a educar em valores, não quaisquer valores, mas sim, valores éticos, isto é, aqueles que formam o caráter e permitem promover um mundo mais justo. Isso não é tarefa fácil, já que esses valores vinculam-se a representações sociais e manifestações afetivas que os constituem, bem como a conteúdos de natureza moral.

Tomamos aqui as explicações de Piaget (1954) que dizem que os valores referem-se a uma troca afetiva do sujeito com os objetos, entendendo objeto como as coisas e as pessoas do mundo exterior. Sendo assim, os valores são construídos com base nas interações que o sujeito faz com a realidade. Segundo Araújo (2007, em Arantes, p. 20), “nessa concepção (...) os valores nem estão pré-determinados nem são simples internalizações (de fora para dentro), mas resultantes das ações do sujeito sobre o mundo objetivo e subjetivo em que ele vive”.

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7 Tecendo os sentidos atribuídos por professores do ensino fundamental ao médio profissionalizante sobre a construção de valores na escola

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Crise de valores ou valores em crise? 153

um processo de transformação dos referidos valores, mas não em sua ausência ou progressivo desaparecimento.

Esse movimento de discussão tem estimulado uma vasta gama de iniciativas, seja na esfera da produção acadêmica, no âmbito das práticas pedagógicas, seja, ainda, no terreno das políticas públicas (Aquino e

Araújo, 2000). Os Temas Transversais, contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais, representam uma mostra de tal vigor temático – mesmo considerando as polêmicas que marcaram sua proposição e as dificuldades, por parte da escola e de seus profissionais, de efetuarem a transversalização desses temas no cotidiano escolar.

Compactuamos com a compreensão desses autores, pois verificamos nas queixas dos indivíduos representantes de diferentes estratos sociais, nas posturas assumidas por eles e no encaminhamento de questões do cotidiano que os valores, normalmente aceitos pela sociedade, demandam processos de reflexão e de ressignificação. Evidenciamos com relação a essa questão um saudosismo dos valores clássicos e universais, bem como das grandes figuras que possuíam autoridade suficiente para liderar e encaminhar as situações-problema da comunidade, como os padres, os pais, os professores, o poder público. É importante ressaltar, ainda, as hierarquias de valores, representativas das comunidades onde estão inseridos os indivíduos, que nem sempre são coincidentes com as de outras pessoas. Ao que parece, houve um enfraquecimento dessa base de princípios, regras que norteiam o comportamento. Analisar essa rede de elementos não é algo fácil, transitamos por um campo de conceitos, de representações, movediço e arenoso. Entretanto, estamos sendo constantemente convidados, enquanto educadores, pesquisadores e, também, pessoas comuns, a refletirmos e construirmos uma relação crítica com esse tema complicado.

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2 As virtudes segundo os jovens

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As virtudes segundo os jovens

Yves de La Taille

Virtudes! Tema clássico da moralidade e do civismo. E também tema recorrente da antiga educação moral que, baseada no “verbo docente”, cantava as glórias de algumas delas e denunciava os terríveis riscos pessoais e sociais de seus opostos, os vícios. Lê-se, por exemplo, no livro Petite

Histoire de l’enseignement de la morale à l’école de Michel Jeury e JeanDaniel Baltassat, que uma atividade proposta às crianças era a de conjugar em vários tempos e modos frases do tipo “Eu preferiria me matar a faltar com o meu nome”, ou “Seja bom. Seja forte. Não seja maldoso. Tenha confiança. Não tenha medo. Escute, não se mexa! Acorde! Acabe sua lição.

Não se queixe” (Jeury; Baltassat; 2000, p.73). Como se vê, virtudes como honra, coragem, bondade, confiança, perseverança, tranquilidade, força, e outras mais eram, sem demais nuances, apresentadas como qualidade boas e necessárias ao adulto digno desse nome. Quanto aos vícios, eles eram evidentemente definidos como aspectos pessoais contrários às virtudes.

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6 Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

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Valores morais no âmbito escolar: uma revisão dos valores apresentados nos livros didáticos e por professores, de 1970 a 2006

Cleonice Camino

Márcia Paz

Verônica Luna

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo analisar, dentro de uma perspectiva sócio-histórica, como os valores morais têm sido considerados em livros didáticos e por professores, no âmbito do ensino formal, em três contextos sociopolíticos da realidade brasileira: ditadura militar, redemocratização e momento atual. Para tanto, avalia-se o percurso do ensino da moral, considerando se houve avanço ou retrocesso em relação à formação do indivíduo autônomo, tendo por base a perspectiva cognitiva de Piaget.

Acredita-se que, a compreensão do percurso do ensino de valores nas últimas décadas, seja relevante para interpretar se houve ou não crise de valores na trajetória do ensino da moral. Essa interpretação é feita a partir de uma reflexão retrospectiva sobre as concepções de valores, normas e práticas educativas priorizadas nos diferentes contextos políticos.

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1 Valores em crise: o que nos causa indignação?

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16 La Taille, Menin & cols.

Antes dessa apresentação, todavia, é preciso que nos questionemos: por que a indignação? A resposta a essa pergunta remete-nos a pensar na complexidade dos estudos sobre moral e ética e suas fontes. Em outras palavas, para entender o papel desse sentimento – indignação – na formação de um valor moral, será preciso, primeiro, supor que este participa efetivamente dessa construção. Essa mesma discussão nos ajudará, mais tarde, a pensar na tarefa da escola ao tratar da formação moral e ética de seus alunos.

A COMPLEXIDADE DOS ESTUDOS SOBRE MORAL E ÉTICA

Na história da filosofia clássica, por muito tempo a moral foi compreendida enquanto um conjunto de normas a serem seguidas. O bem e o mal, nessa concepção, são pensados exatamente como normas que vêm de fora, da religião, por exemplo. E se nos perguntarmos o que, ainda segundo essas premissas, define ou classifica tais condutas como boas ou ruins, poderemos ter como resposta: a razão.

Mas a mesma história aponta-nos o contrário: Shaftesbury (Taylor,

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Yves De La Taille (9)
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Medium 9788536316925

Capítulo 1. Cultura do tédio

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Cultura do tédio

É de Benjamin Disraeli o aforismo “a vida é curta demais para ser pequena”. Acrescentaria eu: “para quem sofre de tédio, ela é longa demais, porque pequena”.

A vida é curta! Expressão corrente. Mas por que é empregada? Será uma avaliação objetiva do tempo de que dispomos para habitar o planeta

Terra? Será uma queixa relativa à brevidade de nossa permanência no mundo? Um espanto diante do ritmo em que se sucedem dias e noites?

Uma maneira de expressar nosso medo da morte?

Sim, essas razões são válidas, mas não esgotam o sentido da brevidade da vida. Durasse nossa vida tanto quanto aquela de alguns répteis, ainda seria curta demais, pois finita. Durasse ela vários séculos, ainda seria breve, pois não eterna. Para quem teme a morte, a vida é sempre curta demais. Quem emprega a referida expressão para lamentar nossa condição provisória pensa em viver apenas para não morrer.

Há, porém, quem tema a morte, não apenas porque ela nos priva da vida, mas porque a brevidade desta nos impede de fazer tudo aquilo que gostaríamos. Há quem pense que a vida é curta demais, não tanto como angústia diante do absurdo da morte, mas como frustração existencial.

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Capítulo 3. Cultura da vaidade

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Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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Capítulo 1 - Moral e ética

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Moral e ética: dimensões intelectuais e afetivas

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Moral e ética

O objetivo deste capítulo é o de apresentar conceitos que sejam úteis para o empreendimento psicológico de compreensão das ações morais. Para tanto, apresentarei definições diferentes e complementares de duas palavras que têm cada vez mais freqüentado nossas conversas cotidianas: moral e ética. Peço, portanto, ao leitor, que faça o esforço de, momentaneamente, se despir das definições que ele habitualmente atribui aos dois vocábulos, e que aceite me seguir nos meandros de minha argumentação. Mas por que falar em argumentação, se se trata apenas de dar definições? Não seria mais simples tão-somente apresentá-las? Não, porque definir implica fabricar conceitos, e conceitos são criados para responder a perguntas. Acho que foi Edgard Morin que disse que o erro da educação (em todos os níveis) é o de ensinar as respostas que a filosofia e a ciência deram, sem deixar claro para os alunos quais eram as perguntas que as motivaram. Não quero aqui cair em erro parecido e me limitar a dar definições sem minimamente demonstrar em que medida são úteis, até necessárias, para tratar o tema deste livro, a saber: dimensões psicológicas da moralidade.

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Capítulo 4. Cultura do "respeito de si"

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Cultura do “respeito de si”

Os capítulos dedicados à “cultura do tédio” e à “cultura da vaidade” são, como vimos, complementares. Neles procurei oferecer uma visão geral de dois traços da contemporaneidade que seriamente comprometem o que

Ricoeur define como perspectiva ética: uma vida boa, para e com outrem, em instituições justas. Em uma cultura do tédio e da vaidade, temos uma vida pequena, sem ou contra outrem, em instituições injustas.1

No capítulo dedicado à “cultura do sentido”, comecei a apontar algumas direções para, na educação dos jovens, ajudá-los a construir a perspectiva ética, as quais devem ser agora completadas pelo que se costuma chamar “educação moral”. Como, na perspectiva teórica adotada aqui, o respeito moral por outrem pressupõe a construção de representações de si entre as quais as de valor moral ocupam lugar central, uma “educação moral” depende necessariamente de uma “cultura do respeito de si”.

Isso posto, tudo o que foi escrito no capítulo dedicado à “cultura do sentido” também vale para a educação moral. Com efeito, nós, adultos, precisamos cuidar do mundo, pois, se não o fizermos, além de deixarmos

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Parte II - Plano moral

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Formação ética

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p a r t e II

Plano moral

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Cultura da vaidade

Na Parte I do livro (Plano Ético), empreguei a metáfora do turista para descrever certas características do homem contemporâneo. E, em alguns momentos, fiz comentários de ordem moral: o turista é geralmente alguém que demonstra total indiferença em relação aos possíveis sofrimentos, mazelas e catástrofes pelos quais passam os nativos dos lugares que visita. Tal país é governado por ditadores corruptos? Isso não vai desencorajar o turista a deixar lá seu dinheiro se há locais prestigiosos a serem vistos. Tal outro padece de profunda miséria? Pouco importa, se há praias idílicas ou soberbas cachoeiras. Tal região foi devastada por catástrofe natural? Se não há mais perigo e se os hotéis já foram reconstruídos, lá vai ele gastar seu fragmento de tempo chamado férias. E, se lá está ele quando explode uma rebelião, quando acontece um terremoto ou quando há rumores de uma doença contagiosa, ele corre ao aeroporto, maldizendo seu azar. Sim, o turista costuma ser um indiferente, indiferente em relação à qualidade de vida de quem o acolhe em seu país.1

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William M Baum (14)
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Medium 9788582715239

Capítulo 14. Planejamento cultural: experimentação em prol da sobrevivência

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Planejamento cultural: experimentação em prol da sobrevivência

Talvez nada do que Skinner escreveu tenha provocado mais controvérsia do que suas ideias sobre planejamento cultural.

Críticos viram nessas ideias o espectro de um governo totalitário, padronização e estagnação. Parecia-lhes uma ideia perigosa, uma fórmula para o desastre. Como poderia alguém ser sábio o bastante para projetar uma cultura? E o que aconteceria às pessoas que discordassem do projeto? Alimentando o fogo de tais objeções, Skinner escreveu também sobre engenharia comportamental, o que soava ainda mais estranho.

Embora algumas ideias behavioristas

– sobre livre-arbítrio, mente e linguagem, por exemplo – sejam verdadeiramente controversas, o planejamento cultural e a engenharia comportamental só parecem controversos quando interpretados à luz dos preconceitos mais comuns sobre as palavras planejar e engenharia. Para os críticos, essas palavras sugerem algo como um plano mestre, uma ideia fixa sobre como determinada cultura deveria ser, que fosse executada quer as pessoas concordem, quer não concordem. Contudo, a extensão lógica da análise do comportamento dos conceitos de liberdade (Cap. 9), governo

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Capítulo 11. Relações, gerenciamento e governo

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Relações, gerenciamento e governo

Os seres humanos são criaturas altamente sociais. Muitos de nossos estímulos indutores, reforçadores e punidores provêm uns dos outros. O dar e receber estímulos e consequências nos leva a estabelecer relacionamentos uns com os outros. Consideramos natural que uma pessoa normal se relacione com seus pais, irmãos, outros parentes, cônjuge, amigos e vizinhos. Tais relações pessoais são características de nossa espécie e podem ser vistas também em outras espécies. As relações especiais que denominamos gerenciamento e governo originaram-se mais recentemente, e nós as associamos exclusivamente à cultura humana. Neste capítulo, examinaremos como os analistas do comportamento podem tratar das relações em geral, com especial atenção ao gerenciamento e ao governo. Pessoas que criticam o behaviorismo frequentemente afirmam que essa abordagem levará a práticas desumanas de gerenciamento e a governos totalitários. Este capítulo mostra por que essas acusações são falsas.

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Capítulo 4. Teoria da evolução e reforço

William M. Baum Grupo A PDF Criptografado

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Teoria da evolução e reforço

A teoria evolucionista moderna fornece um poderoso arcabouço para se falar sobre comportamento. Na verdade, não parece mais possível discutir o comportamento fora desse contexto porque, desde

Darwin, os biólogos reivindicam cada vez mais o comportamento como parte do seu objeto de estudo. Em conformidade com a suposição de continuidade das espécies

(Cap. 1), a atenção deles também tem sido cada vez mais dirigida ao comportamento humano. Ainda mais do que na época de Watson, os psicólogos e analistas do comportamento que hoje ignoram a teoria evolucionista correm o risco de ficar à margem da tendência atual do desenvolvimento científico.

Neste capítulo, nosso interesse pela teoria evolucionista tem dois aspectos.

Em primeiro lugar, a história evolutiva, ou filogênese, de qualquer espécie – inclusive a nossa – pode ajudar a compreender seu comportamento. A maioria dos genes que um indivíduo herda foi selecionada ao longo de muitas gerações porque promove comportamentos que contribuem para o sucesso na interação com o ambiente e na reprodução. Em segundo lugar, a teoria evolucionista representa um tipo de explicação incomum entre as

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Capítulo 10. Responsabilidade, mérito e culpa

William M. Baum Grupo A PDF Criptografado

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Responsabilidade, mérito e culpa

No livro Beyond freedom and dignity,

Skinner afirmou que o mentalismo não só interfere na busca de explicações científicas do comportamento como também não

é prático, no sentido de que nos impede de solucionar problemas sociais, como a guerra, o crime e a pobreza. Dois termos mentalistas por ele criticados foram mérito e culpa. Skinner discutiu mérito e culpa em conexão com o conceito de dignidade, mas, em minha experiência, as afirmações sobre implicações sociais do behaviorismo envolvem mais frequentemente a noção de responsabilidade. Consideramos que as pessoas têm dignidade quando elas podem ser consideradas responsáveis. Neste capítulo, enfocaremos o conceito de responsabilidade, seus fundamentos filosóficos e suas implicações práticas.

A RESPONSABILIDADE

E AS CAUSAS DO

COMPORTAMENTO

Em muitos de seus usos, a palavra responsável parece ser uma forma de falar sobre causas. Quando dizemos “A fiação danificada foi responsável pelo incêndio”, poderíamos igualmente dizer “A fiação dani-

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Capítulo 6. Controle de estímulos e conhecimento

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Controle de estímulos e conhecimento

Todo comportamento ocorre em determinado contexto. Eu salivo quando me sento para jantar; em outros momentos, salivo menos. No caso desse comportamento induzido, o contexto é o conjunto de circunstâncias ambientais que o induzem (a sala de jantar, a mesa arrumada, a visão e o cheiro da comida). Respostas específicas da espécie ao alimento, a predadores, a parceiros sexuais em potencial e a outros eventos filogeneticamente importantes são induzidas pelos contextos nos quais esses eventos são prováveis. No contexto da silhueta de um falcão passando sobre sua cabeça, a codorna se agacha; na ausência desse contexto, ela continua cuidando de sua vida.

O comportamento operante também ocorre apenas em certo contexto. O rato de laboratório treinado a pressionar uma barra o faz apenas na caixa experimental. Quando colocado na caixa, o rato já treinado vai imediatamente para a barra e começa a pressioná-la. Eu carrego meu guarda-chuva somente quando parece que vai chover e vou ao trabalho apenas nos dias úteis.

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Willem Kuyken Christine A Padesky Robert Dudley (10)
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4. Incorporação dos pontos fortes do cliente e desenvolvimento da resiliência

Willem Kuyken, Christine A. Padesky, Robert Dudley Grupo A PDF Criptografado

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Incorporação dos pontos fortes do cliente e desenvolvimento da resiliência

Um psiquiatra consultor que também é terapeuta em TCC é chamado para atender Zainab, uma mulher casada de 31 anos que está hospitalizada no andar clínico do hospital da comunidade após uma tentativa séria de suicídio.

ZAINAB: Vá embora. Eu não estou com defeito, não preciso ser consertada. (A voz que saía de baixo do cobertor fala em um inglês claro, com sotaque forte.)

TERAPEUTA: A equipe pediu que eu viesse conhecê-la para ver se existe alguma forma de ajudá-la.

ZAINAB: Eu não quero a sua ajuda; vá embora, eu disse. (silêncio)

TERAPEUTA: OK, eu entendo. Eu vou dizer à enfermeira e falar com o seu marido.

Zainab é mãe de quatro filhos pequenos e trabalha como assistente em sala de aula. Sua família emigrou de um país da África do Norte há cinco anos. Zainab até o momento se recusou a discutir seus problemas com qualquer pessoa da equipe do hospital. Assim, os detalhes da sua tentativa de suicídio foram colhidos a partir das informações do seu marido, Muhammad.

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8. Aprendizagem e ensino da conceitualização de caso

Willem Kuyken, Christine A. Padesky, Robert Dudley Grupo A PDF Criptografado

8

Aprendizagem e ensino da conceitualização de caso

“Eu acompanhei com interesse o que fez a terapeuta de Mark nos três

últimos capítulos. Eu teria lidado com as coisas de modo diferente em alguns pontos, embora, de um modo geral, a conceitualização e o plano de tratamento fizessem bastante sentido. Eu gostaria de ensinar essa abordagem aos meus alunos. Por onde começo?”

Terapeuta de nível avançado em TCC

“Eu gostaria que a minha conceitualização de caso e habilidades de tratamento fossem do mesmo nível que as da terapeuta de Mark. Embora tudo nos últimos três capítulos tenha feito sentido para mim, não estou certo se eu teria ajudado Mark a construir suas conceitualizações de forma tão clara ou se teria executado tão bem os planos de tratamento.”

Terapeuta de nível intermediário em TCC

“Quanto tempo levou para a terapeuta de Mark aprender todas essas teorias? Eu realmente tenho que conhecer os achados de pesquisas para ajudar os clientes a construírem conceitualizações em TCC? Tenho muito que aprender. Por onde começo?”

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9. Avaliação do modelo

Willem Kuyken, Christine A. Padesky, Robert Dudley Grupo A PDF Criptografado

9

Avaliação do modelo

A aprendizagem nunca termina; em vez disso, ela progride para níveis mais profundos de conhecimento. Este capítulo final revisita temas apresentados anteriormente neste livro para ver quais as novas perspectivas que foram obtidas por meio da nossa abordagem da conceitualização. Além disso, sugerimos direções para pesquisas futuras que podem nos ajudar a avaliar e a entender este modelo em maior profundidade. Especificamente, as próximas sessões (1) examinam aspectos característicos do nosso modelo de conceitualização, (2) discutem como o modelo pode preencher as funções da conceitualização de caso e (3) oferecem sugestões de como avaliar o modelo conceitual e empiricamente. Os principais testes do nosso modelo referem-se ao quanto ele é útil aos terapeutas e aos clientes e também ao quanto ele resiste a pesquisas cuidadosamente conduzidas.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO MODELO

Quais são as características que distinguem o nosso modelo e como elas são úteis aos terapeutas e aos clientes em TCC?

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1. O dilema de Procrusto

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O dilema de Procrusto

O personagem mitológico Procrusto era um anfitrião que trazia convi­ dados para a sua casa, declarando que todos os visitantes, não importa a altura tivessem, caberiam na cama do seu quarto de hóspedes. Esse argumento tão grande e mágico atraía muita atenção. O que Procrusto não dizia aos seus convidados era que ele estava disposto a cortar as pernas deles ou esticá-las em uma armação para que se adequassem à cama. A história de Procrusto poderia servir como um alerta aos clientes de psicoterapia. Embora existam muitos modelos testados empiricamente para a compreensão do sofrimento psicológico, poucos clientes querem se consultar com um terapeuta que corte ou distorça as experiências do seu cliente para encaixá-lo nas teorias preexistentes.

Os clientes trazem apresentações complexas e com comorbidade para as quais nenhuma abordagem irá se adequar 100%. Este livro ensina aos tera­ peutas como se tornarem hábeis nos métodos de conceitualização de caso que oferecem uma hospitalidade sob medida para os pacientes que buscam ajuda.

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7. “O meu futuro se parece com o meu passado?”

Willem Kuyken, Christine A. Padesky, Robert Dudley Grupo A PDF Criptografado

7

“O meu futuro se parece com o meu passado”

Conceitualizações explanatórias longitudinais

MARK: Eu estou melhor. Aquela sensação de estar deprimido todo o tempo já passou em sua maior parte; isso fez uma grande diferença, especialmente no trabalho.

(Dá um leve sorriso.)

TERAPEUTA: Você fez verdadeiros progressos, Mark, e isso se deve ao trabalho árduo que você investiu na terapia. Estou satisfeita por você porque melhorar as coisas no trabalho era uma alta prioridade para você quando começamos a trabalhar juntos. (Sorri estimulando e depois, aproveitando a comunicação não verbal de

Mark, continua:) Eu estou percebendo um “porém” no que você está dizendo.

MARK: (Faz uma pausa, sorri de leve novamente e depois começa a parecer desesperançado.)

Sim, no sábado passado pela manhã tivemos uma briga em casa que me abalou, particularmente porque parecia que eu realmente estava fazendo progressos.

TERAPEUTA: Conte-me o que aconteceu e vamos ver o que conseguimos entender.

MARK: Eu havia tido uma semana difícil no trabalho e, em sua maior parte, manejei bem as situações. Mas quando acordei no sábado de manhã, eu imediatamente comecei a me preocupar, você sabe, todos aqueles pensamentos familiares sobre

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Tayyab Rashid Martin Seligman (8)
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Capítulo 8. Sessão dois: Forças de caráter e forças de assinatura

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SESSÃO DOIS

Forças de caráter e forças de assinatura

A Sessão Dois é a primeira das três sessões que focam nas Forças de Caráter e nas Forças de

Assinatura, as quais são traços positivos que podem ser desenvolvidos por meio da prática e contribuem para o crescimento pessoal e o bem-estar. Tomadas em conjunto, as Sessões

Dois a Quatro abrangem a avaliação das forças; a compreensão de seu uso contextualizado específico para a situação; e como forças específicas podem ser utilizadas para criar uma versão do self desejada ou ainda melhor.

ESBOÇO DA SESSÃO DOIS

Conceitos Centrais

Prática na Sessão: Avaliação das Forças de

Caráter

Reflexão e Discussão

Vinhetas

Adequação e Flexibilidade

Considerações Culturais

Manutenção

Recursos

CONCEITOS CENTRAIS

Para nos ajudar a estimar o sofrimento psicológico de um cliente, a terapia tradicional tem formas válidas e confiáveis de avaliar os estressores, sintomas, disfunções, déficits e transtornos. A psicoterapia positiva (PPT) oferece ferramentas válidas e confiáveis para avaliar as forças de caráter dos clientes, de modo que eles possam compreender e descobrir muitas formas diferentes pelas quais podem ser bons, sadios e positivos.

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Capítulo 7. Sessão um: Apresentação positiva e diário de gratidão

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SESSÃO UM

Apresentação positiva e diário de gratidão

A Sessão Um orienta os clientes para o contexto clínico e esclarece os papéis e as responsabilidades do cliente e do clínico. Essa sessão também ensina como iniciar a prática contínua de cultivar gratidão por meio do registro em um diário de experiências positivas e avaliar o impacto da gratidão no bem-estar. As duas práticas da psicoterapia positiva (PPT) tratadas nesta sessão são a Apresentação Positiva e o

Diário de Gratidão.

ESBOÇO DA SESSÃO UM

Conceitos Centrais (Parte 1)

Prática na Sessão: Apresentação Positiva

Reflexão e Discussão

Vinhetas

Adequação e Flexibilidade

Considerações Culturais

Manutenção

Conceitos Centrais (Parte 2)

Prática na Sessão: Diário de Gratidão

Reflexão e Discussão

Vinheta

Adequação e Flexibilidade

Considerações Culturais

Manutenção

Recursos

CONCEITOS CENTRAIS (PARTE 1)

A psicoterapia é uma das poucas vezes em nossas vidas em que temos a oportunidade de compartilhar nossas histórias de vida de uma forma que nenhuma outra interação social oferece

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Capítulo 4. A centralidade das forças de caráter e como usá-las na psicoterapia positiva

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A CENTRALIDADE DAS FORÇAS

DE CARÁTER E COMO USÁ-LAS

NA PSICOTERAPIA POSITIVA

PONTOS FORTES DE CARÁTER –

TÃO CENTRAIS QUANTO OS SINTOMAS

A obra Character strengths and virtues (CSV), de Peterson e Seligman (2004), foi o primeiro esforço abrangente, coerente e sistemático em psicologia para classificar as forças humanas essenciais (veja a Tabela 4.1: Valores em Ação:

Classificação das Forças). As forças de caráter são definidas como traços universais que são valorizados por si só e não necessariamente levam a resultados instrumentais. Em sua maior parte, as forças de caráter não diminuem; ao contrário, indivíduos com tais forças elevam aqueles que testemunham essa força, produzindo admiração em vez de ciúme. São tremendas as variações nos padrões das forças que possuímos. As instituições sociais tentam cultivar essas forças de caráter por meio de rituais. No entanto, a classificação das CSV é descritiva, e não prescritiva, e as forças de caráter podem ser estudadas como outras variáveis comportamentais.

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Capítulo 1. Psicoterapia positiva: o que é e por que precisamos dela?

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PSICOTERAPIA POSITIVA

O que é e por que precisamos dela?

Por mais de um século, a psicoterapia tem sido o lugar em que os clientes discutem seus problemas. Milhares de pessoas a cada ano participam de palestras motivacionais, workshops, retiros e cursos e ainda compram livros e aplicativos digitais de autoajuda. O foco dessas iniciativas terapêuticas está baseado no pressuposto de que a descoberta de traumas infantis, a distorção de pensamentos falhos ou o restabelecimento de relações disfuncionais é curativo.

Esse foco nos aspectos negativos faz sentido intuitivamente, mas, como autores deste manual, acreditamos que os clínicos perderam de vista a importância dos aspectos positivos.

A psicoterapia faz um bom trabalho ao fazer os clientes se sentirem menos deprimidos e menos ansiosos, mas o bem-estar dos clientes não é um objetivo explícito da terapia. A psicoterapia positiva (PPT), por sua vez, é um esforço terapêutico dentro da psicologia positiva (PP) que visa aliviar o estresse sintomático por meio da valorização do bem-estar.

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Capítulo 2. Intervenções positivas e pressupostos teóricos

Tayyab Rashid; Martin Seligman Grupo A PDF Criptografado

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INTERVENÇÕES POSITIVAS

E PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

As intervenções psicológicas voltadas para os aspectos positivos são poucas e dispersas. Iniciamos este capítulo revisando brevemente as primeiras intervenções e tratamentos relacionados, os quais servem como precursores das intervenções em psicologia positiva (IPPs) contemporânea e psicoterapia positiva (PPT).

UMA VISÃO HISTÓRICA DAS

INTERVENÇÕES PSICOLÓGICAS

POSITIVAS

Cientistas, filósofos e sábios tentaram descrever felicidade, bem-estar e prosperidade segundo muitas perspectivas. Por exemplo, Confúcio acreditava que o significado da vida residia na existência humana comum combinada com disciplina, educação e relações sociais harmoniosas. Para atingir a felicidade, a busca de uma vida virtuosa é a condição necessária segundo

Sócrates, Platão e Aristóteles. Antes da Segunda Guerra Mundial, a psicologia tinha três missões claras: curar a psicopatologia, tornar as vidas de todas as pessoas mais produtivas e gratificantes e identificar e estimular altos talentos

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