Aaron T Beck Neil A Rector Neal Stolar Paul Grant (14)
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4. A Conceituação Cognitiva das Alucinações Auditivas

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A Conceituação Cognitiva das Alucinações Auditivas

Um homem branco de 28 anos foi encaminhado para tratamento após ter tido duas hospitalizações. No momento da admissão, ele estava moderadamente deprimido e reclamava de ouvir vozes por meio da ventilação do consultório. O período que antecedeu à sua psicose foi marcado por dois episódios depressivos graves, durante os quais estava suicida e necessitou de hospitalização. Durante um desses episódios, pensou ter ouvido a voz do seu pai criticando-o e chamando-o de bicha e veado. Posteriormente, começou a ouvir vozes onde quer que fosse, e elas gradualmente se transformaram nas vozes de duas crianças, de 12 e 6 anos. Essas vozes comentavam entre si sobre como ele era fraco e também continuavam a chamá-lo de fruta, bicha e veado.

Alguns sinais da origem do conteúdo das vozes estavam evidentes em seu histórico passado. Seu pai, que era bastante forte e atlético, o depreciava por causa da sua falta de capacidade atlética. Ele mesmo criticava o seu desajeitamento e inaptidão geral.

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9. Avaliação e Terapia Cognitivas para Delírios

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Avaliação e Terapia

Cognitivas para Delírios

Apesar da rigidez óbvia das crenças delirantes, atualmente existe uma ampla variedade de estratégias da terapia cognitiva que ajudam os pacientes a reduzir as suas interpretações delirantes e distorcidas e o estresse que as acompanha. Neste capítulo, descrevemos a avaliação e o tratamento dos delírios com base em evidências científicas. Conforme discutido no Capítulo 3, a base cognitiva para o desenvolvimento de crenças delirantes na idade adulta geralmente ocorre no período da adolescência.

O conteúdo delirante das crenças costuma ser uma extensão de crenças anteriores ao início do delírio. Uma vez iniciadas, as distorções cognitivas, o pensamento categórico, o raciocínio emocional e somático e vieses do processamento de informações, como “tirar conclusões precipitadas” e não testar a realidade, servem para consolidar as crenças delirantes e atrapalhar as oportunidades de desconfirmação (Garety, Hemsley e Wessely, 1991). Além disso, as respostas comportamentais motivadas pelas crenças delirantes, como evitação, retraimento e outros comportamentos de segurança, contribuem significativamente para a perturbação e a manutenção dos delírios.

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2. Contribuições Biológicas

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Contribuições Biológicas

Existem várias razões que explicam por que os aspectos biológicos da esquizofrenia podem ser importantes para entender e utilizar os princípios e técnicas da terapia cognitiva na conceituação e tratamento desse transtorno. Primeiramente, reconhecer os múltiplos fatores envolvidos na etiologia da esquizofrenia pode alertar o profissional para limitações no uso da terapia cognitiva no seu tratamento. Conexões neurais inadequadas baseadas na disposição genética, alterações na transmissão neuroquímica e mudanças na atividade de certas regiões cerebrais podem limitar o grau do êxito das tentativas de mudar as crenças dos pacientes sem outros meios de intervenção, como medicamentos. Em segundo lugar, a compreensão de quais sistemas cerebrais específicos podem contribuir para os sintomas da esquizofrenia pode levar a abordagens cognitivas inovadoras, baseadas nas funções desses sistemas. Em terceiro, o abismo entre os pesquisadores e profissionais do mundo biológico e aqueles do mundo psicológico pode ser conectado com uma comunicação melhor, à medida que cada lado aprende os princípios, conceitos e informações do outro. Em quarto lugar, uma análise de todos os aspectos desse transtorno – psicológicos, neurológicos, sociais e outros – pode levar a um entendimento mais abrangente da sua complexidade. A resposta a questões sobre o que é a esquizofrenia e como seus sinto-

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3. A Conceituação Cognitiva dos Delírios

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A Conceituação Cognitiva dos Delírios

Um homem de 20 anos largou a faculdade, porque acreditava que havia uma conspiração entre os colegas para denegri-lo e espalhar rumores negativos a seu respeito. Em qualquer lugar que fosse, achava que podia ouvir conversas depreciativas e também que os outros estudantes estavam olhando para ele. Com o tempo, começou a ficar cada vez mais agitado e, finalmente, teve que abandonar os estudos. Foi hospitalizado e recebeu medicamentos antipsicóticos, que pareciam diminuir os delírios, mas não os eliminavam. Quando voltou para casa, continuou a pensar que as outras pessoas falavam dele.

Acreditava que os personagens e comentaristas da televisão falavam diretamente com ele. Às vezes, achava que as pessoas estavam roubando seus pensamentos e que estavam colocando ideias estranhas na sua cabeça.

Ele se preocupava particularmente com pensamentos sexuais que lhe eram transmitidos. Às vezes, à noite, sentia que uma das personagens do sexo feminino de um programa de televisão entrava no seu quarto e fazia sexo com ele. Embora esse encontro amoroso secreto aparentemente ocorresse como se fosse em um sonho, ele acreditava que era verdade. Ele se tornou cada vez mais recluso, pois temia que, se saísse de casa, as pessoas não apenas falariam dele, como também poderiam atacá-lo.

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11. Avaliação e Terapia Cognitivas para Sintomas Negativos

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Avaliação e Terapia Cognitivas para Sintomas Negativos

Do ponto de vista histórico, os aspectos característicos dos sintomas negativos, como a baixa motivação, pouca energia, restrições na expressividade emocional e verbal, e distanciamento social são interpretados como

“déficits” que não são passíveis de mudança com intervenções psicológicas. Ainda assim, sabemos que os sintomas negativos vêm e vão para a grande maioria dos pacientes que os têm. Gatilhos internos (ouvir vozes) e externos (hospitalização) são associados ao seu início, e mudanças internas (menos desesperança) e externos (conseguir um emprego) foram observadas em relação à sua redução. Essas observações sugerem que os tratamentos psicológicos podem contribuir para a redução dos sintomas negativos, ajudando os pacientes a aprender a identificar e reduzir os gatilhos da sua ativação e/ou desenvolver estratégias para aliviá-los depois de iniciarem. No Capítulo 5, apresentamos um modelo cognitivo-comportamental dos sintomas negativos, detalhando como eles não se devem apenas a déficits biológicos subjacentes, mas representam uma inter-relação mais complexa entre avaliações, expectativas e crenças, bem como estratégias cognitivas e comportamentais características. Neste capítulo, apresentamos um modelo detalhado para a avaliação e tratamento de sintomas negativos, com base na conceituação cognitivo-comportamental desses sintomas, descrita no Capítulo 5.

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Adriana Wagner (13)
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11. O adolescente em conflito com a lei: reflexões sobre o contexto e a rede de apoio social

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O adolescente em conflito com a lei

Reflexões sobre o contexto e a rede de apoio social

Bianca Branco

Karina Demarchi

Sabe­‑se que a adolescência é uma fase caracterizada pela transição em vários domínios do desenvolvimento biológico, cognitivo ou social. Ela é marcada por conflitos internos e lutos que exigem do adolescente a elaboração e a ressignificação de sua identidade, sua imagem corporal, sua relação com a família e com a sociedade.

Além da divergência interna, própria deste período, estudos têm atentado para os determinantes situacionais da conduta desses jovens (Diretoria

Socioeducativa da Fundação Estadual do Bem­‑Estar do Menor/RS, 2002). Já no fim dos anos 1990, evidenciava­‑se a preocupação com o fato de crianças e jovens serem entendidos como atores sociais sem autonomia, que passam a agir como excluídos ou vítimas da instabilidade conjugal de seus pais.

Sabe­‑se que, na adolescência, as relações deixam de ser centradas na família e deslocam­‑se para as relações com os pares – colegas, amigos ou parceiros românticos que os apoiam. Esses jovens incrementam o desenvolvimento de suas habilidades sociais através dessas interações, pois passam a compartilhar experiências, emoções e conhecimentos. Uma adolescência saudável tem sido vinculada ao equilíbrio entre o apoio da família, das associações formais

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3. A qualidade conjugal como fator de proteção do ambiente familiar

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A qualidade conjugal como fator de proteção do ambiente familiar

Clarisse Pereira Mosmann

Eliana Piccoli Zordan

Adriana Wagner

A qualidade dos relacionamentos afetivos é um dos temas mais discutidos em diversos contextos, desde revistas de grande circulação a programas de televisão; nas conversas entre amigos, colegas de trabalho, e tem sido objeto de pesquisas científicas. Podemos dizer que a conjugalidade está na moda. Mas por que esse assunto provoca tantas polêmicas? Por que, em última análise, todos desejam e buscam um relacionamento duradouro e feliz? O que, então,

é necessário para viver uma união amorosa satisfatória? Essas são questões difíceis de serem respondidas; entretanto, as pesquisas a respeito do tema têm comprovado que o casal ao vivenciar um relacionamento satisfatório apresenta maiores níveis de saúde física e emocional, mais estabilidade econômica e seus filhos também gozam de melhores níveis de saúde mental. Por outro lado, já foram comprovados os efeitos deletérios para os filhos das interações conjugais conflituosas intensas, frequentes e preponderantes na vida do casal. Quer dizer, a qualidade do relacionamento conjugal é um fator de proteção do ambiente familiar e da saúde de seus membros. Frente a tais evidências, torna­‑se ainda mais importante descobrir e entender o segredo do “sucesso” das relações conjugais.

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4. Reflexões sobre a violência conjugal: diferentes contextos, múltiplas expressões

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Reflexões sobre a violência conjugal

Diferentes contextos, múltiplas expressões

Denise Falcke

Terezinha Féres­‑Carneiro

Qual foi o primeiro casal com o qual você teve contato na vida? A resposta da maioria das pessoas provavelmente seja: meus pais. Isso mesmo, nossos pais não são somente modelos de pai e de mãe, mas também nos ensinaram, ainda que não intencionalmente, como ser marido e mulher. Desde muito cedo, os filhos observam a relação dos pais e o tipo de vínculo amoroso que cultivam. Este é um fenômeno que ocorre independentemente da configuração familiar, pois os vínculos estabelecidos entre os adultos, por exemplo, pai e madrasta, mãe e padrasto, dois pais ou duas mães, servem como modelos para as futuras relações afetivas dos filhos.

Mesmo que, muitas vezes, os filhos percebam os progenitores essencial­ mente como figuras parentais, eles também constituem um outro subsistema­na família, que diz respeito à relação de ambos como casal, ou seja, o subsis­tema conjugal. No capítulo introdutório deste livro, estão descritos os subsis­temas conjugal e parental, ambos compostos pelo casal, sendo o subsistema parental derivado do conjugal, após o nascimento do primeiro filho e pela assunção dos papéis de pai e mãe. Os filhos, evidentemente, mantêm relação direta com o subsistema parental e não fazem parte do subsistema conjugal; mas, através da convivência, são expectadores e testemunhas de muitas situações vivenciadas pelos pais como marido e mulher. Nesse sentido, as pessoas levam para suas relações futuras tanto um modelo de interação aprendido quanto expectativas baseadas no que observaram na relação de casal de seus pais.

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7. Ser pai e ser mãe: como compartilhar a tarefa educativa após o divórcio?

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Ser pai e ser mãe

Como compartilhar a tarefa educativa após o divórcio?

Luciana Suárez Grzybowski

A complexidade inerente à tarefa de educar os filhos não é novidade. Tal percepção tem levado a inúmeras discussões sobre o papel do pai e da mãe na educação dos filhos, assim como tornou­‑se parte do cotidiano o crescente volume de publicações que investem em ajudar os progenitores a educar sua prole. Muitas são as variáveis e os fatores implicados no processo educativo, alguns deles facilitam e outros dificultam a tarefa de educar uma criança. Como elemento potencializador dessa complexidade, encontra­‑se, por exemplo, o desempenho da parentalidade em casais separados. Ainda que atualmente o vínculo conjugal esteja longe de ser indissolúvel, o vínculo parental é para sempre. Pode­‑se dizer, então, que por mais que existam ex­

‑maridos e ex­‑esposas, jamais existirá ex­‑pai ou ex­‑mãe.

Nesses casos, a parentalidade, que implica uma série de responsabilidades essenciais para com os filhos, precisa ser remodelada e adequada a esse contexto de separação conjugal. Frente a isso, muitas dúvidas surgem: como garantir a satisfação das necessidades econômicas e materiais; oferecer orientação e instrução; exercer autoridade; promover trocas afetivas e partilhar experiências do dia a dia quando não se mora com o filho, por exemplo?

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12. A relação família‑escola:uma parceria possível?

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A relação família­‑escola

Uma parceria possível?

Luiza Maria de Oliveira Braga Silveira

A escola, desde seu surgimento como uma instituição social de educação formal, teve suas raízes entrelaçadas à família. A concepção de escola e de educação existia desde as civilizações da antiguidade oriental e grega, como a Paideia, mas foi a partir da Idade Moderna que o ensino passou a ser formalizado e institucionalizado.

Com a criação dos centros urbanos, as mulheres iniciaram sua inserção no mundo do trabalho, dividindo com a escola o cuidado e a educação dos filhos. Desde então, a escola passou a contribuir com a família na formação e na educação de jovens e crianças. Mas qual é o papel da família e qual o papel da escola nesse processo nos dias de hoje?

Este é um tema que têm gerado grande polêmica frente à necessidade de definir as tarefas educativas da família e as da escola. Nessa interlocução, observa­‑se que tanto a família quanto a escola buscam apoiar­‑se mutuamente, porém, acabam se desencontrando e produzindo, muitas vezes, um jogo de culpados e inocentes. A fim de entender o que acontece é necessário compreender qual a tarefa e como se dá o processo educativo na família e na escola, bem como a relação construída entre tais sistemas.

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Ana Karina C R De Farias (20)
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Medium 9788536321004

17. Disfunções sexuais e repertório comportamental:um estudo de caso sobre ejaculação precoce

Ana Karina C. R. De-Farias Grupo A PDF Criptografado

Capítulo 17

Disfunções Sexuais e Repertório Comportamental

Um Estudo de Caso Sobre Ejaculação Precoce

Alceu Martins Filho

Ana Karina C.R. de-Farias

O

bservando o ínterim do pensamento psicológico, desde Aristóteles na

Grécia antiga às teorias psicodinâmicas surgidas em meados do século XIX, a vida mental, a consciência, as emoções e os sentimentos, sempre fizeram parte do interesse dos pensamentos sobre os assuntos humanos. No início do século XX, no entanto, iniciou-se o movimento de cientificidade da Psicologia. Nesse contexto, os critérios selecionados para “observação e explicação” das ações humanas levaram em consideração, apenas, aquilo que poderia ser diretamente observado pelo cientista; no caso, o comportamento e suas determinações encontradas no ambiente externo/ público. Dessa maneira, a ciência sobre os atos dos seres humanos adotava uma metodologia já empregada nas ciências naturais (Catania, 1998/1999; Moore, 1990;

Skinner, 1938, 1953, 1957, 1963, 1971,

1976, 1981). Apesar da exclusão da vida mental do objeto de estudo da Psicologia, esse movimento, denominado behaviorista e ambientalista, não desconsiderava a existência dos processos mentais, apenas os excluía de seu objeto de estudo (Baum,

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9. Caso clínico: formulação comportamental

Ana Karina C. R. De-Farias Grupo A PDF Criptografado

Capítulo 9

Caso Clínico

Formulação Comportamental

Denise Lettieri Moraes

A

Análise do Comportamento tem como objeto de estudo o comportamento, ou seja, ela analisa relações entre um indivíduo que se comporta e o ambiente no qual ele está inserido. A terapia derivada dessa abordagem busca a explicação para a origem e manutenção dos problemas comportamentais, assim como as condições para alterá-los, nessas relações. Se todo comportamento é considerado como selecionado e mantido pelas relações que o indivíduo estabelece com o ambiente, não há porque considerar um comportamento como patológico, já que a reação do indivíduo é sempre adaptativa

(Banaco, 1997).

É importante ressaltar que grande parte do trabalho realizado pelo terapeuta analista do comportamento é baseada em relatos trazidos pelo cliente sobre suas relações com o meio. Procura-se analisar os eventos relatados e, em alguns casos, sugerir formas de alterar as relações estabelecidas. O terapeuta, como parte do ambiente do cliente, tem condições de observar o seu comportamento e contingenciá-lo de forma a desenvolver um repertório que proporcione ao cliente o estabelecimento, em seu dia a dia, de interações menos aversivas que aquelas preexistentes (Zamignani, 2000).

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1. Por que “análise comportamental clínica”? Uma introdução ao livro

Ana Karina C. R. De-Farias Grupo A PDF Criptografado

Capítulo 1

Por que “Análise

Comportamental Clínica”?

Uma introdução ao Livro1

Ana Karina C. R. de-Farias

Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,

Espécie de acessório ou sobressalente próprio,

Arredores irregulares da minha emoção sincera,

Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.

Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.

Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,

Como de um sonho formado sobre realidades mistas,

De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,

Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,

Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,

De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,

Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,

De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,

De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,

De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

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4. Relação terapêutica sob a perspectiva analítico-comportamental

Ana Karina C. R. De-Farias Grupo A PDF Criptografado

Capítulo 4

Relação Terapêutica Sob a Perspectiva

Analítico-Comportamental

Nathalie Nunes Freire Alves

Geison Isidro-Marinho

H

istoricamente, os empreendimentos de cunho comportamental na clínica relegaram a relação terapêutica a um segundo plano. Ferster (1972) é o primeiro autor de origem analítico-comportamental a chamar a atenção para importância da relação terapêutica como instrumento de mudança. Por outro lado, contribuições de teorias como as humanistas são inegáveis quando se fala em relação terapêutica. Ainda, as abordagens psicodinâmicas também trataram da importância do tema sob o rótulo de relação de transferência e contratransferência.

A despeito das distinções teóricas e epistemológicas das abordagens em questão, um ponto que parece comum a todas elas é a ênfase dada às dificuldades de interação social de muitos clientes. Dessa forma, consideram a possibilidade da emergência dessas dificuldades dentro do consultório, sendo a relação terapêutica utilizada para reelaborar e aperfeiçoar as formas de interação empregadas pelos clientes em seu convívio social, principalmente com as pessoas significativas.

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10. Um estudo de caso em terapia analítico-comportamental: construção do diagnóstico a partir do relato verbal e da descrição da diversidade de estratégias interventivas

Ana Karina C. R. De-Farias Grupo A PDF Criptografado

Capítulo 10

Um Estudo de Caso em Terapia

Analítico-Comportamental

Construção do Diagnóstico a Partir do

Relato Verbal e da Descrição da

Diversidade de Estratégias Interventivas

Suelem Araújo Ruas

Alessandra Rocha de Albuquerque

Paula Carvalho Natalino

S

kinner (1953/2000) afirma que “a ciência se ocupa do geral, mas o comportamento do indivíduo é necessariamente único” (p. 30). Nesse sentido, o estudo de caso “tem riquezas e características que estão em nítido contraste com os princípios gerais” (Skinner, 1989/1991, p.

30), sendo considerado um recurso fundamental e necessário para o estudo do comportamento. Silvares e Banaco (2000) afirmam que “o estudo de caso pode ser a forma ideal de aumentar o corpo de conhecimento em terapia comportamental”

(p. 38) e de demonstrar a eficácia da ação terapêutica.

O presente trabalho teve como objetivo geral descrever, por meio de um estudo de caso, um processo terapêutico de base analítico-comportamental, do diagnóstico à intervenção, enfatizando o papel do comportamento verbal como fonte de informações a respeito do cliente e como elemento propulsor de mudanças. Para tanto, os temas Operantes Verbais, Correspondência Verbal-NãoVerbal e Diagnóstico e Intervenção Analítico-Comportamental serão teórica e brevemente tratados e, posteriormente, apresentar-se-á o Estudo de Caso.

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Aristides Volpato Cordioli Eugenio Horacio Grevet (46)
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Capítulo 18. Psicoterapias em grupo

Aristides Volpato Cordioli, Eugenio Horacio Grevet Grupo A PDF Criptografado

18

Psicoterapias em grupo

Elizeth Heldt

Andressa S. Behenck

Ana Cristina Wesner

Este capítulo descreve um breve histórico das psicoterapias em grupo e os fatores terapêuticos que são comuns a todas elas. São abordadas as principais modalidades em uso no tratamento dos transtornos mentais – as terapias cognitivo-comportamentais (TCCs), a psicoterapia de orientação analítica (POA) em grupo e os grupos de autoajuda. Além disso, são apresentados os fundamentos, as técnicas, as indicações e contraindicações e o papel do terapeuta em cada um desses modelos, bem como as evidências empíricas de eficácia. Por fim, são discutidas as questões em aberto e as perspectivas futuras dessa modalidade de psicoterapia.

O interesse pela psicoterapia de grupo o

­ correu principalmente na década de 1940, fruto da

­alta demanda gerada por condições psiquiátricas durante a Segunda Guerra Mundial, quando os profissionais eram escassos e a necessidade de tratamento se tornava cada vez maior.

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Capítulo 15. Psicoterapia baseada na mentalização

Aristides Volpato Cordioli, Eugenio Horacio Grevet Grupo A PDF Criptografado

15

Psicoterapia baseada na mentalização

Christian Kieling

Simone Hauck

A teoria da mentalização foi desenvolvida a partir da integração da teoria psicanalítica com as pesquisas do desenvolvimento e achados da neurociência. A capacidade de mentalizar envolve a compreensão de si mesmo e dos outros de forma implícita e explícita. Baseia-se na ideia de perceber e interpretar o comportamento humano em relação aos estados mentais intencionais (p. ex., necessidades, desejos, sentimentos, crenças, objetivos, propósitos, razões). A habilidade de mentalizar se desenvolve no contexto de uma relação de apego e está diretamente ligada à capacidade do cuidador de dar significado aos estados mentais do bebê/da criança e de comunicar essa compreensão de volta para o bebê/a criança por meio do espelhamento contingente marcado. Falhas na mentalização estão relacionadas a diversos transtornos psiquiátricos que envolvem patologias do self, como os transtornos da personalidade borderline (TPB) e antissocial, os transtornos alimentares, a depressão e o trauma. A melhora da mentalização pressupõe maior capacidade de regulação do afeto, controle de impulsos e assertividade. A terapia baseada na mentalização (TBM) propõe uma estrutura que organiza as intervenções conforme o entendimento do desenvolvimento e adverte claramente sobre técnicas psicoterápicas que podem ser prejudiciais na vigência de patologia central associada à mentalização. Neste capítulo, são revisadas as bases teóricas que deram origem à TBM e seus desenvolvimentos, as características desse tipo de tratamento e sua aplicação, bem como evidências disponíveis e perspectivas futuras.

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Capítulo 36. Terapia comportamental no tratamento das fobias específicas

Aristides Volpato Cordioli, Eugenio Horacio Grevet Grupo A PDF Criptografado

Terapia comportamental no tratamento das fobias específicas

36

Aristides Volpato Cordioli

Cristiano Tschiedel Belem da Silva

Ilana Andretta

As fobias específicas figuram entre os transtornos psiquiátricos mais comuns. Caracterizam-se por início relativamente precoce e curso crônico, caso não sejam tratadas de modo adequado. Neste capítulo, são apresentados os aspectos epidemiológicos e as características gerais das diferentes fobias. Também são discutidos os diferentes modelos teóricos propostos para explicar a gênese e a manutenção das fobias e que embasam sua abordagem por meio da psicoterapia comportamental de exposição. Casos clínicos ilustram os distintos aspectos abordados. É descrita a terapia de exposição e são analisados os moderadores de resposta à psicoterapia comportamental, entre eles o uso de farmacoterapia adjuvante e dos potencializadores cognitivos. Ao final do capítulo, são discutidas as perspectivas futuras e questões em aberto.

As fobias são os problemas psiquiátricos mais comuns, sendo que a maioria das pessoas apresenta temporariamente algum subtipo que, por ser de grau leve, acaba não afetando seu dia a dia. Também é muito frequente que crianças, em determinado momento do desenvolvimento, apresentem alguma fobia, que, na maioria das vezes, desaparece de forma espontânea. Entretanto, cerca de 10% das pessoas têm sua vida comprometida, em maior ou menor grau, por esses medos irracionais.

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Capítulo 22. Focos de atenção na fase adulta

Aristides Volpato Cordioli, Eugenio Horacio Grevet Grupo A PDF Criptografado

Focos de atenção na fase adulta

22

Simone Hauck

Ives Cavalcante Passos

Pricilla Braga Laskoski

Luís Francisco Ramos-Lima

A idade adulta compreende a fase mais longa do ciclo vital e pode ser dividida em fase do adulto jovem (20 a 40 anos) e fase do adulto intermediário (40 a 65 anos). Na fase do adulto jovem, o indivíduo enfrenta alguns dos maiores desafios do ciclo vital, desde a definição de sua identidade e independização às escolhas relativas a trabalho e constituição de família.

O momento atual apresenta grandes modificações em termos tecnológicos e culturais, implicando aumento significativo da expectativa de vida e ampla reavaliação dos valores da sociedade em direção à busca da igualdade de oportunidades e de respeito às diferenças.

Tais mudanças permitem uma gama muito maior de possibilidades e exercício da individualidade. Nesse contexto, a fase de adulto intermediário, antes bastante marcada pela dita

“crise da meia-idade”, passa a ser uma janela de oportunidade para revisão das escolhas da fase anterior ou consolidação delas, em busca de uma vida mais satisfatória e autêntica.

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Capítulo 28. Psicoterapias no tratamento dos transtornos por uso de substâncias: álcool e outras substâncias

Aristides Volpato Cordioli, Eugenio Horacio Grevet Grupo A PDF Criptografado

Psicoterapias no tratamento dos transtornos por uso de substâncias:

28

álcool e outras substâncias

Lisia von Diemen

Silvia Bassani Schuch Goi

Felix Kessler

Flavio Pechansky

As psicoterapias seguem como o tratamento padrão-ouro para os transtornos por uso de substâncias (TUSs). Apesar de todos os modelos apresentarem evidências de eficácia, as terapias cognitivo-comportamentais (TCCs) são as que se mostram mais aplicáveis no contexto clínico e com maior adesão. É importante saber em qual estágio de mudança o paciente se encontra para, assim, indicar a melhor técnica que contemple o momento do indivíduo.

Em geral, as intervenções são simultâneas e complementares, podendo ser utilizadas em conjunto para auxiliar na remissão dos sintomas. A entrevista motivacional (EM) e a prevenção de recaída (PR) são as técnicas mais difundidas e, em geral, são os pilares do tratamento. Além disso, outras estratégias terapêuticas já utilizadas para outros transtornos mentais têm sido incorporadas ao tratamento dos TUSs, com bons resultados. Algumas delas são apresentadas aqui.

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Aronson Elliot Wilson Timothy D Akert Robin M (16)
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CAPÍTULO 12 - Agressão: Por que Ferimos Outras Pessoas? Conseguimos Prevenir Isso?

ARONSON, Elliot; WILSON, Timothy D.; AKERT, Robin M. Grupo Gen PDF Criptografado

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Aronson - Cap 12 Prova gráfica final.indd 250

Agressão 

Por que Ferimos Outras Pessoas?

Conseguimos Prevenir Isso?

16/06/2015 16:55:07

N

o dia 20 de abril de 1999, os corredores e as salas de aula da escola de

Columbine em Littleton, Colorado, reverberaram aos sons de tiros. Dois estudantes, Eric Harris e Dylan Klebold, munidos de armas de fogo e explo‑

sivos, iniciaram um tumulto, matando um professor e vários de seus colegas estudantes.

Eles então apontaram as armas para si mesmos e se mataram. Depois que a poeira baixou, havia 15 pessoas mortas (incluindo os atiradores) e outras 23 hospitalizadas, algumas em estado grave.

Apesar de ter sido horrível, o número de vítimas poderia ter sido muito maior. Al‑ gumas semanas antes do massacre, os dois atiradores gravaram vídeos e, a partir deles, pudemos saber que prepararam 95 dispositivos explosivos que não funcionaram na hora.

Um conjunto desses dispositivos foi colocado a alguns quilômetros de distância com a intenção de explodir primeiro e distrair a polícia, mantendo‑a ocupada e longe da escola.

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CAPÍTULO 6 - A Necessidade de Justificar Nossos Atos: Os Custos e Benefícios da Redução da Dissonância

ARONSON, Elliot; WILSON, Timothy D.; AKERT, Robin M. Grupo Gen PDF Criptografado

6

A Necessidade de Justificar

Nossos Atos 

Os Custos e Benefícios da Redução da Dissonância

Aronson - Cap 06 3ª prova.indd 106

17/01/2015 23:39:13

F

oi uma notícia chocante: 39 pessoas foram encontradas mortas em uma pro‑ priedade de luxo no rancho santa fé, califórnia. Todos eram membros de um obscuro culto denominado Portal do Céu e participaram de um suicídio coletivo.

Os corpos foram encontrados deitados, sem sinais de violência, calçados com tênis Nike pretos novos, e o rosto coberto por uma mortalha roxa. Os membros do culto morreram tranquilamente por vontade própria, deixando fitas de vídeo em que descreviam as razões do suicídio: acreditavam que o cometa Hale‑Bopp, recentemente descoberto cruzando o céu à noite, era o ingresso deles para uma nova vida no paraíso. Eles estavam convencidos de que, na esteira do cometa, havia uma gigantesca nave espacial, cuja missão era levá‑los para uma nova encarnação. Para serem apanhados pela espaçonave, era preciso primeiro livrarem‑se dos “recipientes” atuais, isto é, precisavam deixar o corpo, pondo fim à própria vida. Infelizmente, nenhuma espaçonave chegou.

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CAPÍTULO 3 - Cognição Social: Como Pensamos sobre o Mundo Social

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Cognição Social 

Como Pensamos sobre o Mundo Social

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oi uma disputa épica no programa de televisão americano “jeopardy!”, no qual os competidores recebem uma resposta e têm de saber a pergunta correta.

Dois dos três participantes estavam entre os melhores de todos os tempos. Ken

Jennings detinha o recorde da mais longa série de vitórias (ele ganhou 74 jogos consecu‑ tivos), e Brad Rutter ganhou o maior prêmio em dinheiro da história do programa. E o terceiro participante? Quem ousaria desafiar intelectualmente esses temíveis oponentes?

Na verdade, não era “quem”, mas “o quê”: um supercomputador chamado Watson, desen‑ volvido pela IBM e batizado em homenagem ao fundador da empresa, Thomas J. Watson.

A partida começou de maneira acirrada, a liderança passava de um competidor para outro, mas, no terceiro e último dia, Watson havia acumulado insuperável vantagem. Jo‑ gada atrás de jogada, o supercomputador dava respostas corretas a pistas herméticas. Na categoria Legal “Es” (“juridiquês”), por exemplo, Watson recebeu a pista: “Esta cláusula em um contrato sindical determina que os salários aumentem ou diminuam dependendo de um parâmetro, como custo de vida”, e corretamente respondeu: “O que é ‘escalator’ (cláu‑ sula de reajuste)?” Ken Jennings, que se descreveu como “a Grande Esperança à Base de

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CAPÍTULO 10 - Atração Interpessoal: Das Primeiras Impressões aos Relacionamentos Íntimos

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266  CAPÍTULO 12  bullying e proteger/ajudar as crianças solitárias. Os professores organizaram grupos de estudo cooperativos e passaram a agir rapidamente contra xingamentos e outras formas de agressão que se transformavam em bullying. Os diretores das escolas asseguraram‑se de que os refeitórios, ba‑ nheiros e playgrounds fossem adequadamente supervisionados. Em terceiro lugar, caso o bullying ocorresse mesmo com essas ações preventivas, tutores treinados fariam uma intervenção, usando uma combinação de punições leves com terapia intensa e aconselhamento dos pais.

Vinte meses depois do começo da campanha, os atos de bullying diminuíram pela metade, com progresso em todos os anos escolares. Olweus concluiu: “não é mais concebível evitar agir sobre os problemas do bullying usando como desculpa a falta de conhecimento — tudo se resume à vontade e ao envolvimento por parte dos adultos” (1991, p. 415). Você consegue pensar em maneiras de usar as técnicas de Olweus para reduzir o cyberbullying?

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CAPÍTULO 4 - Percepção Social: Como Chegamos a Entender as Pessoas

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Percepção Social 

Como Chegamos a Entender as Pessoas

03/02/2015 14:05:36

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ão é fácil entender as outras pessoas. Por que elas são como são? Por que fazem o que fazem? A frequência e a urgência com que fazemos essas perguntas ficam claras em uma comovente história enviada por um leitor ao The New York

Times. O leitor conta que uma amiga havia recentemente terminado um relacionamento e tinha decidido jogar fora uma sacola contendo as cartas de amor, cartões e poemas do ex‑namorado. Ela ficou espantada quando ele ligou no dia seguinte para perguntar por que ela fizera aquilo. Como ele ficara sabendo? Um morador de rua encontrou as cartas quando revirava o lixo, leu a correspondência e ficou curioso a respeito de por que a re‑ lação dos dois amantes havia chegado ao fim. Ele foi até um telefone público e ligou para o namorado, depois de encontrar seu número em uma das cartas. “Eu teria ligado antes”, disse ao antigo namorado, “mas essa foi a primeira moeda que me deram hoje” (De Marco,

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