Claudio Simon Hutz Denise Ruschel Bandeira Clarissa Marceli Trentini (18)
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Capítulo 1. Avaliação da inteligência: uma introdução

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Um processo seletivo apresentou aos candidatos a seguinte questão: “Fabio, David e Pedro estavam alegremente conversando sentados ao redor de uma mesa redonda. David não estava à direita de Pedro. Quem estava à direita de Fabio? Alternativas: a) David, b) Pedro e c) Não dá para saber”. Trata-se de uma pergunta simples, mas 30% dos candidatos erraram a resposta. Perguntas similares a essa são rotineiramente apresentadas em processos seletivos de recursos humanos realizados em contextos organizacionais, clínicos ou educativos. Entretanto, qual seria a utilidade desse tipo de pergunta?

Hoje em dia sabemos com alto grau de precisão que os processos mentais que subjazem ao êxito da resposta a perguntas que requerem raciocínio são os mesmos que subjazem à solução de problemas cotidianos. Veja-se, por exemplo, o resultado do estudo de letramento científico realizado no País pelos institutos Abramundo e Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa (Gomes, 2015). No nível 4 de letramento científico (em geral pessoas com ensino superior que poderiam avaliar propostas que exigem o domínio de conceitos e elaborar argumentos sobre a confiabilidade ou a veracidade de hipóteses formuladas), encontrou-se que 8% tiveram dificuldade de interpretar uma conta de luz, 27% teriam dificuldade de apagar um incêndio seguindo as instruções de equipamentos contrafogo e 35% teriam dificuldade de interpretar os resultados de um exame de sangue a partir dos valores de referência fornecidos pelo laboratório. Dificuldades essas não explicadas pelo nível de instrução.

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Capítulo 12. Avaliação da personalidade a partir de teorias fatoriais de personalidade

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O que faz as pessoas agirem de forma distinta, apresentarem interesses diversos e executarem atividades com diferentes níveis de apti­dão são questões que já estavam presentes na Grécia Antiga (Wild & Revelle, 2009). No últi­mo século, entretanto, o interesse e a produção de conhecimento sobre essas questões permiti­ram o surgimento de uma área de estudo conhe­cida como “diferenças individuais”, sendo que o estudo da personalidade se tornou tão popular a ponto de constituir uma área de investigação própria. Inicialmente, o estudo da personalida­de ocorreu dentro da psicologia social, mas pos­teriormente individualizou-se, sendo que al­guns periódicos, como Journal of ­Personality and Social Psychology, Journal of Personality, European Journal of Personality e ­Personality and Individual Differences, foram criados ou adequados, especificamente, para absorver a grande quantidade de conhecimento produzida na área. O modelo de personalidade mais investigado atualmente é conhecido como Big Five (BIG-5 ou Modelo dos Cinco Grandes Fatores – CGF), que explica a personalidade

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Capítulo 11. Estudo de caso: contribuição da avaliação da inteligência em um quadro clínico heterogêneo

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A avaliação da inteligência, como bem descrita ao longo deste livro, é bastante complexa e apresenta-se como um constante desafio aos profissionais que atuam na área. Essa complexidade se dá pela própria natureza do construto, pelas limitações dos instrumentos utilizados e, também, pela dificuldade em estabelecer a clara relação dos resultados obtidos com a funcionalidade global do sujeito avaliado. Ao mesmo tempo, sabemos que a inteligência é um fator muito relevante na vida dos indivíduos, interferindo no funcionamento acadêmico, profissional e social, o que torna sua avaliação fundamental.

O objetivo deste capítulo é apresentar um caso clínico a fim de demonstrar, na prática, como se dá a condução do processo avaliativo. Iniciaremos descrevendo a demanda da avaliação e relatando os dados da entrevista, em seguida apresentaremos os resultados dos instrumentos utilizados e sua interpretação e finalizaremos com o raciocínio clínico necessário para a integração dos dados e discussão dos resultados, identificando possíveis indicações terapêuticas. É importante ressaltar que o caso aqui apresentado não deve ser adotado como um modelo a ser seguido, e sim como uma ilustração que promova a discussão dos aspectos envolvidos na avaliação da inteligência, tendo em vista que cada caso clínico apresenta especificidades que devem ser consideradas.

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Capítulo 2. Avaliação da inteligência no ciclo vital

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A avaliação da inteligência é um dos grandes temas de estudo da psicologia e uma prática psicológica existente desde os primórdios da psicologia científica. Excelentes revisões podem ser encontradas em Segabinazi e Zamo (2016), Primi (2006) e Pasquali (2002). A evolução da produção científica em psicologia nas áreas de avaliação psicológica, psicologia do desenvolvimento, psicologia cognitiva e neuropsicologia permite, atualmente, construir um conjunto de conhecimentos que subsidiam a avaliação da inteligência ao longo do ciclo vital, tema deste capítulo.

Com o desenvolvimento das áreas da psicologia citadas e o crescimento do conhecimento acerca do tema, os estudos relacionados à inteligência passaram a focar também nas funções cognitivas, como atenção, percepção, memória, imaginação, organização do conhecimento, linguagem, pensamento, resolução de problemas, criatividade, raciocínio e tomada de decisão. Atualmente, o conceito de inteligência está relacionado à habilidade de utilizar o conhecimento para resolver problemas (Eysenck & Keane, 1994; Matlin, 2004; Sternberg et al., 2000).

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Capítulo 13. Avaliação objetiva da personalidade a partir de teorias psicodinâmicas

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“Até o advento da psicanálise o caráter [a personalidade] era conhecido como destino.”

(Martin Bergman)

“Não há tratamento para doença desconhecida”

(Maximiano)

Na história das ciências, é possível verificar que, nos mais variados campos do conhecimento, inúmeros problemas intrigaram cientistas e que, em determinado período, foram dados como perfeitamente explicáveis e completamente solucionados, mais tarde se descobriu não passarem de explicações parciais e incompletas daqueles fenômenos em questão (p. ex., a astronomia de Galileu comparada às posteriores descobertas de Copérnico ou de Einstein).

Com a história da psicanálise1 não foi dife­rente. Nos tempos de Freud, quando a teoria e a técni­ca estavam em seus primórdios, a esfera das dificuldades que se pretendia diagnosticar e tratar com o método ­psicanalítico era limitada e as terapias frequentemente não ultrapassavam alguns poucos meses (Roazen, 1999). À medida que se avançou no conhecimento, conforme se verificará a seguir, foi possível ampliar o universo dos problemas e o esco­po dos pacientes a serem tratados com as terapias dinamicamente orientadas (Kernberg, 1989; Stone, 1954/1986).

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Claudio Simon Hutz Denise Ruschel Bandeira Clarissa Marceli Trentini Ana Claudia S Vazquez (19)
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Capítulo 12. Avaliação de talentos nas organizações

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O contexto organizacional é um dos espaços onde se pode observar, de forma mais explícita, as intensas mudanças de paradigmas, protocolos e processos impostos pela globalização (Pereira, 2017), pela aceleração no fluxo de inovações em tecnologia, pela rapidez de acesso às informações e pelo aumento da competitividade entre as empresas (Ramos & Marques, 2014). Todo esse processo de evolução da área, associado ao ambiente cada vez mais competitivo, demandou da psicologia organizacional e do trabalho (POT) uma conduta mais dinâmica, tecnológica e contextualizada às necessidades do mercado de trabalho atual (Gontijo, 2005), envolvendo, principalmente, a adoção de técnicas relacionadas à gestão da empresa e de seus recursos humanos.

Entre as atuais demandas, o maior desafio enfrentado para assegurar condições de competitividade da organização tem sido a gestão de talentos (Ramos & Marques, 2014), uma vez que “[...] as empresas que implantarem estratégias que atraiam, desenvolvam e retenham profissionais em potencial terão maiores chances de enfrentar a concorrência e ganhar o mercado” (Ramos & Marques, 2014, p. 90). As empresas buscam identificar e atrair os talentos do mercado externo e reter os existentes em seu quadro de funcionários, e, assim, estão voltando seus olhares, cada vez mais e de maneira mais criteriosa, para o capital intelectual presente dentro e fora da organização, em busca de talentos que possam agregar valor e impulsionar o crescimento organizacional (Becker & Nicácio, 2012).

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Capítulo 16. Avaliação do engajamento no trabalho

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A valiar o engajamento no trabalho é uma medida que muitas organizações estão implantando em suas práticas na gestão de pessoas, principalmente pelo componente motivacional desse construto. Não obstante, alguns cuidados precisam ser tomados para que essa mensuração atinja as finalidades a que se propõe. Primeiro, é preciso compreender de modo aprofundado o conceito de engajamento e diferenciá-lo de outros construtos que tratam de outras facetas do vínculo do trabalhador com seu trabalho.

Schaufeli (2018), em seu capítulo sobre o que é o engajamento no trabalho, discute suas diferentes definições e apresenta sua evolução conceitual, demonstrando que o modelo teórico Job-Demand Resources (RDT, Recursos e Demandas de Trabalho) é a base epistemológica que apresenta evidências científicas mais robustas, com verificação de suas proposições em 24 países, incluindo o Brasil. Com base na psicologia positiva, a teoria RDT caracteriza o engajamento no trabalho como um estado mental positivo de direcionamento da energia laboral das pessoas em prol de atuar produtivamente naquilo que mais as realiza e que lhes gera o mais elevado prazer (Schaufeli & Bakker, 2004; Schaufeli, Djistkra, & Vazquez, 2013; Vazquez, 2018). A compreensão clara desse construto, de sua fundamentação teórica e dos avanços científicos na área é o fator primário para que sua avaliação seja efetiva no cotidiano das práticas profissionais e organizacionais.

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Capítulo 9. Cartografando: uma alternativa teórico-metodológica para o mapeamento de competências

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Se perguntas onde fui,

devo dizer: o mar.

Estive sempre ali,

mesmo estando a mudar.

Foi ali que escrevi

tua pele, teu suor.

Ao tempo, seus faróis.

Não mudei de mudar.

O que mudou em mim,

senão andar mudando

sem nunca mais mudar?

Quem mudará em mim,

se não sei mudar? [...]

(Nejar, 1977)

E ste capítulo, em certa medida, ­sintetiza grande parte de minhas reflexões ­sobre a relação entre o trabalho, as pessoas e a noção de competência. Nessas reflexões, o tema desenvolvimento de pessoas é ­transversal. De certa forma, ele retrata muito minha trajetória como docente pesquisadora ao longo dos anos.

Embora a temática central deste capítulo seja o mapeamento de competências nas organizações, as ideias e as reflexões aqui apresentadas veiculam implicitamente tudo o que fui vivenciando e apreendendo sobre o mundo do trabalho durante minha trajetória profissional, com colegas, alunos e organizações, e ao longo de minha formação, da graduação em Psicologia ao doutorado em Administração.

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Capítulo 2. Avaliação de fatores psicossociais no trabalho

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A avaliação de fatores psicossociais no trabalho ganhou importância devido às robustas evidências científicas sobre os impactos de tais fatores na saúde laboral das pessoas e, mais recentemente, à sua relação com o bem-estar dos trabalhadores e os resultados organizacionais (Schaufeli, 2017a; Vazquez, Efrom, & Hutz, 2018). Desde 1980, os fatores psicossociais no trabalho (FPTs) são um tema de destaque na área. Em 1984, a Orga­nização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalharam em um comitê conjunto, em Genebra, e publicaram, em seguida, um dos primeiros relatórios sobre o tema (International Labour Office [ILO], 1986). Já nesse documento, FPTs são definidos como um fenômeno complexo de interação entre variáveis psicológicas e sociais no contexto laboral, em suas diferentes formas de organização em processos de trabalho e na gestão destes. O conceito centra-se não apenas nos fatores psicossociais em si, mas em sua relação interativa com o ambiente laboral, constituída na troca das pessoas com as organizações e destas com os processos de trabalho desenhados na sociedade em que atuam. A definição enfatiza que:

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Capítulo 5. Avaliação do bem-estar no trabalho

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Ser e estar bem são aspectos cruciais para as pessoas e para as sociedades (Diener, 2006). O bem-estar ocupa um lugar central nas necessidades e nas motivações de qualquer pessoa ao longo do seu ciclo de vida. O sentido e a experiência da felicidade e do bem-estar têm atraído a atenção de reconhecidos filósofos, como Platão e Aristóteles, desde a antiguidade. Contudo, nas décadas mais recentes, o bem-estar tem sido estudado por áreas que se preocupam com a qualidade de vida das pessoas: as ciências da saúde, a economia, a sociologia e a psicologia (p. ex., Alston, Lowe, & Wrigley, 1974; Diener, Suh, Lucas, & ­Smith, 1999; Hodge, 1970; Kahneman, Diener, & Schwarz,1999; Layard, 2005; Ryff, 1989).

A linha de investigação tradicional sobre o bem-estar focou, ao longo de muitos anos, no estudo da doença, da depressão, do estresse e de outras experiências psicológicas negativas. Essa tendência se preocupou, sobretudo, em compreender as consequências desses estados e/ou experiências negativas. Por oposição a essa perspectiva, surgiu recentemente uma linha de investigação, denominada psicologia positiva, que veio legitimar e realçar a necessidade de se estudar os estados psicológicos positivos. A psicologia positiva tem demonstrado que não só é importante olhar para os estados ou experiências negativas, mas também compreender as experiências positivas e a forma como contribuem para o bem-estar dos indivíduos (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000).

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Cristiano Nabuco De Abreu (70)
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Capítulo 57. Por que existem pessoas preconceituosas? entenda por que julgamos o outro

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Imagine uma criança que acabou de nascer e, sem experiências anteriores, começa a interagir com o meio ambiente. Como se sua mente fosse ainda um papel em branco, sem qualquer registro anterior, as vivências vão, aos poucos, criando um pequeno rastro de experiências, que vai sendo registrado. É dessa forma que a vida compila as primeiras memórias no cérebro infantil.

Obviamente, a consciência, como a entendemos na idade adulta, está longe de existir, e apenas as impressões do que estamos passando são vagarosamente catalogadas. Como estamos em pleno crescimento, ainda não enxergamos bem, não ouvimos corretamente e nossa coordenação motora ainda não é satisfatória.

Apenas próximo aos 2 anos de idade é que a nossa autoconsciência surge e, com ela, seguimos a passos largos, aprendendo e aprimorando as experiências de vida pelas quais vamos nos submetendo.

É assim que adquirimos repertórios dos mais variados comportamentos, como, por exemplo, como reagir frente às pessoas conhecidas, como interagir com os estranhos, como obter o que desejamos de nossos pais (p. ex., fazendo “gracinhas” ou birra), e compomos, assim, um esquema mental maior de ações, sempre à disposição para ser consultado quando uma nova situação se apresenta.

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Capítulo 50. Controle sua raiva, antes que a raiva controle você

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Aqui está um sentimento frequente em nosso cotidiano – mais do que deveria, acredito. Mas, por várias razões, é ainda uma questão desconhecida pela maioria das pessoas, mesmo que quase todos experimentem essa reação vez ou outra.

Creio que vale a pena saber um pouco mais a respeito. Acompanhe-me.

A raiva é uma emoção básica produzida pela nossa amígdala cerebral – o centro identificador do perigo –, e, uma vez disparada, pode variar de intensidade, começando em uma leve irritação, passando por uma frustração mais intensa e até mesmo atingindo um grande estado de fúria.

Assim como nas outras emoções mais primitivas – a tristeza e o medo –, sua manifestação é acompanhada por importantes mudanças fisiológicas, como frequência cardíaca aumentada, pressão sanguínea elevada e intensa liberação de alguns hormônios.

Proveniente de vários estímulos, ela pode ser “acionada” por fatores externos, como uma exaltação causada por alguém que nos trata de maneira desrespeitosa, ou por fatores internos, como nos recordarmos de um evento passado do qual nos arrependemos por ter agido de “cabeça quente”.

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Capítulo 15. Ano novo, vida nova: a psicologia da virada do ano

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Curioso observar o que ocorre com a maioria das pessoas na entrada do ano novo, já percebeu?

De fato, somos tomados por um sentimento de novidade e vigor, que nos faz, por algum tempo, acreditar que, efetivamente, as coisas no ano que se inicia serão diferentes do passado recente e que, “desta vez”, teremos força suficiente para enfrentar os obstáculos que nos fizeram escorregar nos anos anteriores.

Assim, seguimos nos primeiros dias, confiantes e esperançosos, fazendo promessas, planos e cheios de energia, nos preparando para a nova fase que se inicia. As primeiras semanas trazem uma determinação pessoal pouco comum, se comparadas às outras restantes do ano.

Tamanha é a força dessa disposição interna, que até a imagem refletida no espelho, costumeiramente cheia de imperfeições, sofre sutis alterações, e nossos velhos parceiros – os defeitos – começam a exibir uma outra perspectiva, digamos, menos “repugnantes” aos nossos olhos.

É um estado de espírito diferente, e você, que já deve ter passado por isso tudo, percebe a nova dimensão em que entramos.

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Capítulo 38. O açúcar consumido durante a gravidez pode causar impactos severos nas crianças

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Não é de hoje que algumas pesquisas se debruçam sobre os efeitos que certos alimentos consumidos pelas mães durante a gestação podem criar na saúde do feto. Cafeína, gordura, alguns queijos não pasteurizados (como camembert e brie) e carne crua, entre outros, já foram objetos de estudos e de reiterados avisos sobre os impactos na formação do bebê.1

Também é de amplo conhecimento que uma alimentação desbalanceada durante a gravidez pode privar o organismo de cálcio, ferro, iodo e outras vitaminas, o que, após o nascimento, leva a deficiências significativas na capacidade de aprendizagem da criança, cria problemas comportamentais que provocam atraso no desenvolvimento da linguagem e causa piora expressiva no desenvolvimento de certas habilidades motoras, se comparadas às de crianças que foram bem nutridas e alimentadas.2

Um novo estudo, no entanto, procurou examinar a possível associação entre o consumo de açúcar (sacarose, frutose, bebidas adoçadas, refrigerantes dietéticos e sucos de frutas) e as habilidades futuras de raciocínio, exibidas após o nascimento da criança.3 Embora isso já tenha sido pesquisado anteriormente, os achados agora vão um pouco mais além. Ainda que o material não tenha sido publicado, já podemos analisar com mais cuidado os resultados.

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Capítulo 2. Estresse na gravidez? o trauma pode ser herdado pelos filhos?

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Já se tornou um clássico, em praticamente todas as narrativas de saúde mental, associar experiências de privação e de abuso vividas nos primeiros anos de vida à (quase) inevitável ocorrência de dificuldades na vida adulta.

Existe muitos textos e investigações científicas a esse respeito e, se eu fosse listá-los, ainda que de maneira genérica, levaria alguns meses para explicá-los por completo.

Claro, desde cedo, a costumeira má relação com algum membro da família, que se arrasta por toda uma existência, é, possivelmente, apontada como a base das mazelas e das inquietudes pessoais da maturidade. Prato cheio para terapeutas e analistas de todos os gostos e espécies.

Pois bem, para além das teorias mais atuais, entretanto, há certas pesquisas que têm analisado alguns elementos que fogem dessa “paisagem psicológica” mais tradicional e que merecem sua atenção: existiriam fatores que podem impactar na saúde mental antes mesmo do nascimento do bebê?

Descobriu-se que o período pré-natal do desenvolvimento humano é, na verdade, um momento em que o meio ambiente exerce uma influência significativa na modelação da fisiologia do feto.

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Diana Lichtenstein Corso M Rio Corso (19)
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O mochileiro romântico

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FILME:

TEMAS:

A busca da autonomia

Herança como peso

A ingratidão dos filhos

Individualismo

Ascetismo contemporâneo

Idealização da natureza

Pensamento romântico

Certos grandes sucessos são fruto de um cruzamento feliz entre um bom livro e um bom filme. Nesse caso, foi o que aconteceu. Um ajudou o outro, e cada um tornou o outro mais conhecido. O livro Na natureza selvagem é do jornalista Jon Krakauer, que se apaixonou pela história do jovem aventureiro Christopher Johnson McCandless e a registrou em livro em 1996. Pessoalmente tocado pela história, por ter sido ele mesmo um ousado alpinista, Krakauer abre-se para outras experiências similares, incluindo as próprias, e questiona o sentido dessas perigosas jornadas. O filme homônimo, com roteiro e direção de Sean Penn (2007), baseou-se no livro, mas ficou centrado na vida e nas viagens de Christopher.

Este capítulo é uma exceção aos outros que desenvolvemos. Todos tratam de ficção, e aqui partimos de uma vida real, porém, a trajetória narrada está distante de ser a verdadeira vida de Chris, que deu origem ao livro. O autor confessa que ficou profundamente identificado com a história quando tomou contato com ela, como jornalista, e por isso mergulhou no passado de nosso infortunado herói. Ele nos conta a vida e os sonhos de McCandless, porém mesclando com algumas experiências suas e de outros jovens obcecados por desafiar a natureza, a solidão e a morte. Insiste que estava tão tomado pelo tema que uma visão desapaixonada seria impossível e que, ainda, preencheu lacunas do que não se sabia sobre o périplo de Chris com interpretações advindas de suas investigações e sentimentos. Apesar de o eixo ter sido a vida de Christopher McCandless, que rompeu com seu passado e caiu na estrada adotando o nome de Alex Supertramp, no texto de Krakauer, o narrador e o narrado, não raro, se confundem. O escritor encontra uma alma gêmea, não esconde isso, e a história passa a ser esse bom encontro.

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Amor entre iguais

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FILME:

TEMAS:

Sair do armário

Amizades e amores

Confinamento em guetos

Exclusão da família

Identidade de gênero

Homossexualidade

Clémentine está em pleno desabrochar erótico. Aos quinze anos, sofre a pressão das amigas para fazer sua iniciação e partilhar com elas o relato da experiência. Ela não tem dificuldade em encontrar alguém: um garoto de sua escola se interessa por ela e é correspondido. Ele é delicado, atento ao despertar de seu corpo; sua estreia não teria por que ser problemática. Apesar desse provável bom começo, ela suspeita que algo diferente se desenha em sua vida.

Um simples encontro na rua deixa Clémentine em chamas. Após um momento fortuito, um cruzar de olhares com uma garota de cabelo azul, os sonhos de conteúdo homossexual e as fantasias eróticas proliferam. O desejo por outras meninas se torna evidente, levando-a a suspeitar de que não terá o destino que dela se espera. Este é o ponto em que este capítulo vai se centrar: no surgimento de desejos sexuais que o adolescente supõe serem socialmente condenáveis. Admitir a própria excitação já é difícil, e, quando ela indica caminhos que levarão à discriminação, a preconceitos e à marginalidade, todo cuidado é pouco.

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Nativos digitais: ensaio sobre redes sociais, games e pornografia na internet

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TEMAS:

Game: brincadeiras sérias

Jogo como aprendizado coletivo

Redes sociais: uma nova aldeia

Sociabilidade real e na rede

Aquisição de conhecimento na internet

A mania das selfies

Aparente isolamento

Pornografia e erotismo

Cuidados com a pornografia na rede

Importância da educação sexual

Florescimento da escrita, fanfics eróticas

Vazamento de imagens íntimas

Amores na rede e avatares

As famílias inquietam-se ao ver suas crianças e jovens fechados em seus quartos, entregues às redes sociais ou aos videogames, virando a noite para terminar um jogo, privilegiando um time que joga em rede em detrimento a uma festinha da turma de escola. Temem que eles sejam abduzidos por uma realidade ilusória e levados para territórios alheios aos reais e familiares.

O temor procede, mas não em todos os casos. A internet, principalmente os games e, de algum modo, as redes sociais, é de fato uma realidade alternativa onde refugiar-se. Esse hábitat digital é tão tentador que alguns jogadores falam sobre os expedientes a que recorrem para abster-se, ou manter-se a salvo, do risco de entrar sem conseguir sair. Mas não procede a ideia de que se frequenta um jogo com o grau de entrega e alienação de um zumbi, ou com a voracidade de um viciado buscando satisfação imediata. Jogar é um processo criativo e de construção ativa dos caminhos, estilos e personagens que se quer encarnar. É claro que há os que se comportam como viciados, mas esses já eram compulsivos antes, não ficaram dessa forma por causa da maneira como se relacionam com seus dispositivos digitais.

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A menarca assassina

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TEMAS:

Fantasias e simbolismo da menarca

Tensões pré-menstruais

Advento da fertilidade

Bruxaria e feminilidade

Vamos concordar que “estranho” mesmo é que ainda haja tanto apelo, no século XX, para uma obra que associa a chegada da menarca com bruxaria. Afinal, trata-se da história de uma jovem que, a partir do advento da menstruação, aprende a controlar seus poderes paranormais e, tendo sido ofendida, promove a destruição de sua cidade.

Nos dias atuais, as garotas passam sem maiores traumas pela sua primeira menstruação, são apoiadas pela família, e supõe-se que já estarão previamente informadas a respeito. Além disso, graças à evolução dos métodos contraceptivos, a confirmação da fertilidade não significa uma associação do sexo com a maternidade inevitável. Portanto, as perspectivas que se abrem para as mulheres estreantes são, hoje, menos ameaçadoras. Quando essa obra surgiu, nos anos setenta, já fazia mais de dez anos da descoberta e difusão da pílula anticoncepcional, e a revolução sexual dos anos sessenta já tinha deixado boas heranças mesmo entre os mais conservadores.

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Primeira estação do amor

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TEMAS:

O primeiro amor

Construção da identidade de gênero

O preço da fantasia romântica

Perda e rompimentos dilacerantes

Acaso versus predestinação

Restos infantis no amor

Aadolescência é considerada a estação do amor, mais especificamente a primavera do ser humano, época do cio. Talvez devêssemos pensar o contrário: que seria o amor a chave do estado adolescente, independentemente da idade do apaixonado. De qualquer maneira, seja exercido, seja fantasiado, o amor é o espaço mais propício para elaborar tudo o que é imprescindível à formação de nossa identidade. Os primeiros são os amores de dentro de casa, paixões incestuosas, inaugurais, fundamentais e fabricantes da neurose. A partir da adolescência, chegam as experiências que vão colocar em jogo todo esse acervo de fantasias que sobreviveram ao fim da infância. As vivências que virão a partir daí também ajudam a lapidar nossa identidade, porque no amor estamos sempre aprendendo a ser.

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Jesse H Wright Gregory K Brown Michael E Thase Monica Ramirez Basco (11)
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8 - Modificando esquemas

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Ao ajudar as pessoas a modificarem seus esquemas, você estará trabalhando nos alicerces do autoconceito e do modo de viver delas no mundo. Os esquemas são as crenças nucleares que contêm as regras fundamentais para o processamento de informações. Eles são uma matriz para:

1.selecionar e filtrar informações do ambiente;

2.tomar decisões;

3.direcionar os padrões característicos de comportamento.

O desenvolvimento de esquemas é moldado pelas interações com pais, professores, colegas e outras pessoas importantes na vida da pessoa, além de eventos da vida, traumas, sucessos e outras influências evolutivas. A genética também tem um papel na produção de esquemas, contribuindo para o temperamento, o intelecto, as habilidades especiais ou a falta de habilidades (p. ex., proeza atlética, forma física, atratividade, talento musical, habilidade para resolver problemas) e a vulnerabilidade biológica a doenças tanto mentais quanto físicas.

Várias são as razões pelas quais é importante entender os esquemas subjacentes de seu paciente. Primeiro, uma teoria básica da terapia cognitivo-comportamental (TCC) – a hipótese diátese-estresse – especifica que crenças nucleares desadaptativas, que podem jazer sob a superfície e ter relativamente poucos efeitos negativos durante períodos de normalidade, podem ser ativadas por eventos estressantes e se tornarem fortes controladoras do pensamento e do comportamento durante episódios de doença (Clark et al., 1999). Assim, os esforços para revisar os esquemas disfuncionais podem gerar benefícios positivos em duas áreas principais:

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9 - Terapia cognitivo-comportamental para a redução do risco de suicídio

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Se um paciente tiver perdido toda a esperança e não conseguir enxergar nada além de dor e desespero no futuro, o suicídio pode parecer uma boa opção. Como as cognições de desesperança podem ter essas consequências intensamente negativas, sua validade deve ser questionada com toda a habilidade e criatividade que o terapeuta puder reunir. Se o terapeuta não se concentrar em ajudar o paciente a modificar tais cognições de desesperança, pode ocorrer uma validação tácita das crenças, e o processo de terapia pode ser prejudicado. Quando um paciente acredita que a recuperação é possível ou provável, que existem razões genuínas para viver e consegue enxergar possíveis soluções para os problemas, é possível que consiga tolerar os níveis extremos de depressão sem considerar ferir-se seriamente (Wright et al., 2009).

Vários tratamentos baseados em evidências para prevenir o comportamento suicida foram testados em estudos randomizados controlados. A terapia cognitiva para a prevenção do suicídio (Brown et al., 2005), a terapia cognitivo-comportamental (TCC) breve (Rudd et al., 2015; Slee et al., 2008), a terapia comportamental dialética (Linehan et al., 2006) e várias outras abordagens (Bateman e Fonagy, 1999; Guthrie et al., 2001; Hatcher et al., 2011) demonstraram efeitos positivos na prevenção de tentativas de suicídio ou de violência autodirigida em adultos. Por exemplo, indivíduos que tentaram o suicídio recentemente e foram tratados com terapia cognitiva para a prevenção do suicídio tiveram 50% menos probabilidade de tentar se matar novamente em um período de 18 meses do que indivíduos que não receberam a terapia (Brown et al., 2005). Uma característica principal desse tratamento é a aplicação de estratégias cognitivas e comportamentais cujo alvo seja a prevenção direta do comportamento suicida e a redução da gravidade da desesperança e da depressão. O Cadastro Nacional de Práticas e Programas Baseados em Evidências do órgão administrativo dos serviços de abuso de substâncias e saúde mental dos Estados Unidos identificou a terapia cognitiva para a prevenção do suicídio (Brown et al., 2005) como um tratamento fundamentado em evidências promissor para a redução do risco de suicídio.

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3 - Avaliação e formulação

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O processo de avaliação dos pacientes para a terapia cognitivo-comportamental (TCC) e de realização de conceitualizações de caso baseia-se em um modelo abrangente de tratamento. Embora os elementos cognitivos e comportamentais para a compreensão do transtorno do paciente recebam a maior ênfase, as influências biológicas e sociais também são consideradas características essenciais da avaliação e da formulação. Neste capítulo, discutiremos as indicações para a TCC, as características dos pacientes que são associadas a uma afinidade com essa abordagem e elementos principais que avaliam a adequação para a terapia. Também apresentaremos um método pragmático para organizar as conceitualizações de caso e desenvolver planos de tratamento.

A avaliação na TCC começa com os aspectos fundamentais utilizados em qualquer forma de psicoterapia: uma anamnese completa e um exame do estado mental. Deve-se estar atento aos sintomas atuais do paciente, às suas relações interpessoais, à sua base sociocultural e aos seus pontos fortes pessoais, além de levar em consideração o impacto da história de seu desenvolvimento, da genética, dos fatores biológicos e das doenças médicas. A avaliação detalhada das influências desses múltiplos domínios permitirá produzir uma formulação de caso multidimensional, como detalhado no próximo tópico, “Conceitualização de caso na terapia cognitivo-comportamental”.[NT]

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11 - Desenvolvendo competência na terapia cognitivo-comportamental

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Se você fez um curso básico de terapia cognitivo-comportamental (TCC), estudou este livro e usou os exercícios para praticar suas habilidades terapêuticas, provavelmente deu passos largos em direção a se tornar um terapeuta cognitivo-comportamental competente. Contudo, é bem provável que você precise de mais treinamento e mais experiência para dominar bem essa abordagem (Rakovshik e McManus, 2010). Recomendamos que você busque obter competência total na TCC por três motivos principais. O primeiro é que você pode obter melhores resultados (Rakovshik e McManus, 2010; Strunk et al., 2010; Westbrook et al., 2008). O segundo é que o conhecimento e a experiência do terapeuta são muito importantes para os pacientes. Juntamente com excelentes habilidades para ouvir, correta empatia e outros atributos terapêuticos gerais, sua capacidade de administrar os métodos específicos da TCC pode significar muito para as pessoas que você trata. O terceiro é que você poderá ter mais satisfação no seu trabalho diário – um fenômeno que nós vivenciamos à medida que fomos nos tornando mais proficientes na TCC e sendo capazes de oferecer mais auxílio aos pacientes. Neste capítulo, detalhamos as diretrizes de competência, descrevemos os métodos para medir seu progresso na aprendizagem da TCC, sugerimos algumas maneiras de dar continuidade a seu desenvolvimento como terapeuta e oferecemos dicas sobre como evitar a fadiga e o esgotamento do terapeuta.

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6 - Métodos comportamentais I: melhorando o humor, aumentando a energia, concluindo tarefas e solucionando problemas

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melhorando o humor, aumentando a energia, concluindo tarefas e solucionando problemas

Energia baixa, capacidade diminuída de desfrutar das atividades e dificuldade de concluir tarefas ou resolver problemas são queixas comuns das pessoas com depressão. Não se envolver em atividades potencialmente prazerosas ou recompensadoras geralmente resulta em um agravamento dos sintomas. Isso pode resultar em um ciclo vicioso, no qual o menor envolvimento em atividades estimulantes ou produtivas é seguido de mais falta de interesse ou prazer, baixo humor (sentimento de tristeza e desespero), maior desamparo ou falta de valor. Tal reação, por sua vez, pode levar ao maior desligamento do indivíduo das atividades prazerosas ou recompensadoras e a uma subsequente piora dos sintomas depressivos. Por fim, uma espiral descendente pode continuar acontecendo até que o indivíduo assumir que é incapaz de sentir prazer, de concluir tarefas ou de resolver problemas. Pacientes com os níveis mais profundos de depressão podem perder a esperança e desistir de fazer qualquer tentativa de mudança.

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