Circe S Petersen Ricardo Wainer (38)
Título Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

15. Terapia cognitivo‑comportamental para crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual

PDF Criptografado

15

Terapia cognitivo­‑comportamental para crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual

Luísa F. Habigzang

Silvia H. Koller

A violência contra crianças e adolescentes é considerada um problema de saúde pública devido aos efeitos negativos para o desenvolvimento cognitivo, emocional, comportamental e físico das vítimas, bem como pelos altos índices de incidência em diferentes níveis socioculturais. As formas de violência mais comuns são negligência e abusos físicos, psicológicos e sexuais, e seu principal contexto de ocorrência é o ambiente familiar. O abuso sexual tem sido apontado como uma das formas mais graves de violência, pois comumente está associado a abusos físicos e psicológicos. A terapia cognitivo­‑comportamental tem apresentado estudos que apontam a eficácia de suas técnicas para a redução de sintomas e de alterações psicológicas apresentadas por crianças e adolescentes em decorrência do abuso sexual.

Epidemiologia

Os estudos epidemiológicos sobre abuso sexual contra crianças e adolescentes apresentam variações devido a dois fatores:

Ver todos os capítulos

7. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: tratamento farmacológico e não farmacológico

PDF Criptografado

7

Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade: tratamento farmacológico e não farmacológico

Leandro Fernandes Malloy-Diniz

Marco Antônio Silva Alvarenga

Neander Abreu

Daniel Fuentes

Wellington Borges Leite

Durante o desenvolvimento na infância e na adolescência não é raro perceber o quanto crianças e jovens apresentam comportamentos considerados “problemáticos” por seus pares e por seus pais. Desobediência, desrespeito às regras de conduta básica na escola e em outros contextos, impulsividade, agressividade e baixa tolerância à frustração são exemplos desses comportamentos. Muitos se empenham em atividades prazerosas por mais tempo do que nas responsabilidades que lhes são atribuídas.

Entretanto, muitas dessas condutas tendem a desaparecer após intervenções pontuais ou mesmo ao longo da maturação, favorecendo o ajuste do indivíduo consigo mesmo e com seu meio (Ladd e Burgess, 1999).

Por outro lado, diversos problemas de ajustamento que aparecem pela primeira vez na infância prosseguem na adolescência e, muitas vezes, na idade adulta prejudicando os indivíduos em seu cotidiano, no trabalho e nas relações interpessoais (Barkley,

Ver todos os capítulos

Capítulo 9: Terapia cognitivo-comportamental da depressão na infância e adolescência

PDF Criptografado

9

Terapia cognitivo­‑comportamental da depressão na infância e adolescência

Ricardo Wainer

Neri Maurício Piccoloto

Historicamente e de forma romântica, a infância é vista como um período de grandes descobertas e, por consequência, de alegrias e encantamentos. A realidade, entretanto, se mostra, não raro, muito distinta. Embora, por muito tempo se tenha negado a possibilidade de crianças e mesmo pré­‑púberes sofrerem de quadros depressivos, os dados oriundos de estudos epidemiológicos e mesmo da casuística clínica, apontam para fatos de que a depressão e, inclusive, ideações e tentativas de suicídio são ocorrências mais comuns do que se podia até então imaginar.

Pode­‑se conceber que a ideia da infância feliz é muito mais um mito gerado pelo desejo adulto do que infelizmente uma verdade empírica demonstrada pelas evidências

(Miller, 2003). As pressuposições de que a tristeza e as preocupações infantis e adolescentes são sempre brandas e passageiras, ou que esses indivíduos ainda não apresentam sentimentos de culpa intensos por carecerem de responsabilidades importantes constituem armadilhas aos estudiosos que, por muito tempo, em nada contribuíram no desenvolvimento científico desse campo (Méndez, Olivares e Ros, 2005).

Ver todos os capítulos

9. Terapia cognitivo‑comportamental da depressão na infância e adolescência

PDF Criptografado

9

Terapia cognitivo­‑comportamental da depressão na infância e adolescência

Ricardo Wainer

Neri Maurício Piccoloto

Historicamente e de forma romântica, a infância é vista como um período de grandes descobertas e, por consequência, de alegrias e encantamentos. A realidade, entretanto, se mostra, não raro, muito distinta. Embora, por muito tempo se tenha negado a possibilidade de crianças e mesmo pré­‑púberes sofrerem de quadros depressivos, os dados oriundos de estudos epidemiológicos e mesmo da casuística clínica, apontam para fatos de que a depressão e, inclusive, ideações e tentativas de suicídio são ocorrências mais comuns do que se podia até então imaginar.

Pode­‑se conceber que a ideia da infância feliz é muito mais um mito gerado pelo desejo adulto do que infelizmente uma verdade empírica demonstrada pelas evidências

(Miller, 2003). As pressuposições de que a tristeza e as preocupações infantis e adolescentes são sempre brandas e passageiras, ou que esses indivíduos ainda não apresentam sentimentos de culpa intensos por carecerem de responsabilidades importantes constituem armadilhas aos estudiosos que, por muito tempo, em nada contribuíram no desenvolvimento científico desse campo (Méndez, Olivares e Ros, 2005).

Ver todos os capítulos

Capítulo 10: Terapia cognitivo-comportamental para transtorno bipolar na infância

PDF Criptografado

10

Terapia cognitivo­‑comportamental para transtorno bipolar na infância

José Caetano Dell’Aglio Jr.

Circe Salcides Petersen

Introdução

O transtorno bipolar(TB) se manifesta comumente na adolescência ou no início da vida adulta. No entanto, descrições clássicas e numerosos estudos de caso demonstraram a presença do transtorno na infância. Nos

últimos anos, a identificação de quadros precoces do transtorno tem gerado grande interesse entre clínicos e cientistas, na população geral e na mídia. Parte desse interesse se originou na recente hipótese de que o TB seja um processo neurobiológico progressivo que pode piorar à medida que os episódios vão se perpetuando. Portanto, a identificação precoce e o tratamento adequado podem atenuar o curso da doença.

Curiosamente, de modo crescente, os pais têm buscado respostas e ajuda para os filhos que mostram sintomas severos e que estão sob riscos de sérios problemas comportamentais e educacionais, assim como suicídio. À parte das considerações de tratamento, o transtorno bipolar de aparecimento na infância também levanta questões conceituais e etiológicas: Há diferentes subtipos com diferentes causas e cursos? Quais são as distinções definitivas entre a doença bipolar pediátrica e outros transtornos pediátricos da infância, tal como o transtorno de

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Affonso Rosa Maria Lopes (25)
Título Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

4. Brincar, significação e representação

PDF Criptografado

4

Brincar, significação e representação

Rosa Maria Lopes Affonso

Brincar

Por que, na perspectiva deste livro, é importante considerar significação e representação na perspectiva do brincar no contexto psicoterapêutico da situação ludodiagnóstica?

Conversar com a criança; dispor de materiais para conversar; compreender as dificuldades de uma criança a partir da sua expressão por meio de brinquedos são exemplos de atitudes que pressupõem um diálogo entre um adulto – no caso clínico, o terapeuta – e uma criança, quando ela, mediada pelos brinquedos, tenta dizer quais são suas preocupações, suas dificuldades, se concorda ou não em estar ali naquele contexto ludodiagnóstico. Enfim, trata­‑se de um “diálogo” em que pressupomos um tipo de linguagem.

Para o adulto que interage com a criança, é uma situação difícil, pois ele deve entender a linguagem pré­‑verbal, além da verbal, no contexto do jogo, e neste sentido, terá que contar também com um padrão de signos sobre o brinquedo que é incluído neste diálogo. A criança que recebe essa consigna pode contestar ou concordar respondendo verbalmente ou através dos materiais lúdicos. O psicoterapeuta vai interpretando as ações da criança através desse material lúdico, e pode­‑se dizer que através desse interjogo é que se entende o diálogo pré­‑verbal da criança, e também podemos verificar que algumas significações podem se impor a ele,

Ver todos os capítulos

1. O brincar e a psicanálise: subsídios à técnica

PDF Criptografado

1

O brincar e a psicanálise

Subsídios à técnica

Ryad Simon kayoko yamamoto

N

os primórdios da psicanálise de crianças, em 1923, Melanie Klein atendia uma menina de 7 anos, inibida e com mau aproveitamento escolar. A criança não gostava da escola, faltava às aulas e começava a afastar­

‑se da mãe, apesar de ter anteriormente um bom relacionamento com ela. A criança não desenhava, falava muito pouco. O progresso do atendimento era quase nulo. Klein sentiu que aquela forma de atendimento não levaria muito longe o trabalho. Numa sessão em que a criança ficou silenciosa e retraída, a angústia de Melanie Klein deve tê­‑la mobilizado a criar algum recurso. Avisou que ia sair da sala e voltaria num instante. Como o atendimento era feito na residência, esta pegou alguns brinquedos: algumas bonequinhas, carrinhos, cubos e um trenzinho.

Colocou­‑os numa caixa e trouxe para a pacientezinha inibida. A criança interessou­‑se pelos objetos e começou a brincar.

Por seu modo de brincar, Klein inferiu que os dois bonecos que a menina utilizou para realizar uma brincadeira poderiam representar a própria paciente e um menininho da escola que havia sido mencionado numa sessão anterior. Parecia haver algum segredo na conduta dos dois bonecos, e que os outros bonecos eram vistos como intrusos e afastados. As atividades dos dois bonecos acabavam em catástrofes, como cair e serem atropelados. Esse brincar era repetido, e, à

Ver todos os capítulos

8. O brinquedo, sua evolução e seus possíveis significados

PDF Criptografado

8

O brinquedo, sua evolução e seus possíveis significados

Rosa Maria Lopes Affonso

O

significado do brinquedo pode ser um tema polêmico, na medida em que nenhum psicoterapeuta ou profissional da saúde considera os significados dos brinquedos como algo estático e imutável. Além disso, o estudo do significado do brinquedo envolveria necessariamente estudar a sua evolução no contexto das diversas culturas, daí a grande polêmica quando ele se direciona a dar significados específicos a determinados brinquedos.

Uma pesquisa sobre a significação dos jogos pode também ser feita segundo um referencial evolutivo específico, como propõe

Aberastury (1992), fundamentada na teoria psicanalítica, a partir de Freud e Klein e utilizado por inúmeros educadores e clínicos.

Sobre a significação das fezes e da urina

Aberastury (1992, p. 40) comenta:

Entram alimentos em sua boca, pas­sam através do corpo e saem transformados; os sólidos, suscetíveis de originar capacidade criadora. A criança ama e teme as substâncias que saem de seu corpo. Uma vez que elas estão condenadas a desaparecer, devido às proibições do adulto, a criança busca na água, terra e areia os substitutos permitidos das fezes e da urina. Desse modo, água, terra e areia passam do estado de puras substâncias para adquirir aspectos selvagens, mangueiras de apagar

Ver todos os capítulos

21. O ludodiagnóstico e a deficiência visual

PDF Criptografado

21

O ludodiagnóstico e a deficiência visual

Elisa Marina Bourroul Villela

A

s pessoas com deficiência visual não for­mam um grupo homogêneo na maneira de ser no mundo. Algumas nascem cegas, outras perdem a visão ainda na primeira infância, outras têm muito pouca visão e terão de aprender a usá­‑la de forma eficiente, mesmo que limitada e inconstante. Doen­

ças degenerativas podem levar a perdas

­graduais e há pessoas que sofrem acidentes, perdendo a visão abruptamente, umas antes da idade escolar, outras já na idade adulta.

Cada uma dessas situações impõe condições diferentes, com as quais o indivíduo terá de lidar. Em comum há a limitação perceptiva, que restringe as possibilidades de apreensão do mundo pela visão, o que conduzirá a processos peculiares de desenvolvimento.

Além disso, a potencialidade para o estabelecimento de uma relação saudável na família, na escola e no ambiente social pode ser estimulada ou inibida pelas atitudes das pessoas que as rodeiam.

No brincar espontâneo encontra­‑se o singular daquele que brinca. A compreensão dessa singularidade é o objetivo de um psicodiagnóstico como ponto de partida para as intervenções terapêuticas. Na prática diagnóstica, para a compreensão do universo vivencial do deficiente visual, devemos estar atentos para dois aspectos indissociáveis entre si.

Ver todos os capítulos

23. O jogo de areia no Brasil

PDF Criptografado

23

O jogo de areia no Brasil

Aicil Franco

O

jogo de areia, hoje internacionalmente conhecido pela denominação em inglês – sand­­ play –, tem sido principalmente divulgado como um método de psicoterapia junguiano. Ele nasceu como world technique, criado por Margaret Lowenfeld (1890 – 1973), pediatra inglesa especializada em crianças com comportamentos difíceis. Lowenfeld foi uma das pioneiras na psicoterapia infantil, ao buscar com seu trabalho a diminuição do sofrimento de crianças, após a Primeira

Guerra Mundial.

Essa autora, que esteve sempre envolvida em investigações médicas, interessou­

‑se também em avaliar como algumas crianças sobreviviam e se desenvolviam relativamente bem, apesar de suas experiências traumáticas. Empiricamente, constatou a importância do brincar, não só como atividade curativa, mas também como possibilidade de expressão, e apontou as linguagens verbais como meios insatisfatórios para a avaliação de seus pacientes (www.lowenfeld.org/lowenfeld/index.html).

Em 1928, abandonou a medicina ortodoxa e criou “uma clínica para crianças difíceis e nervosas” (Mitchell e Friedman, 1994, p.8), uma das primeiras clínicas psicológicas infantis onde se objetivava a terapêutica integrada e multidisciplinar. Lowenfeld voltou­‑se, então, para o desenvolvimento de técnicas que permitissem a transmissão de pensamentos e sentimentos infantis sem o uso de palavras. Incorporou aportes teóricos

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Amy Wenzel (10)
Título Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 4 - Reestruturação cognitiva de pensamentos automáticos

PDF Criptografado

4

Reestruturação cognitiva de pensamentos automáticos

Reestruturação cognitiva é o processo pelo qual os terapeutas ajudam seus clientes a (a) identificar o pensamento associado ao sofrimento emocional, (b) avaliar a precisão e a utilidade desse pensamento e (c) responder de forma adaptativa a esse pensamento se o cliente concluir que ele é exagerado, impreciso ou não ajuda. Pode-se argumentar que a reestruturação cognitiva é uma das estratégias mais centrais, se não a mais central, associada à terapia cognitivo-comportamental (TCC), porque essa intervenção decorre de um princípio básico subjacente à TCC – a de que o pensamento que não ajuda desempenha um papel significativo na manutenção e na exacerbação de problemas de saúde mental. A reestruturação cognitiva pode ser aplicada à modificação de pensamentos automáticos que não ajudam específicos a uma situação e também pode ser aplicada à modelagem de crenças subjacentes que não ajudam ativadas em momentos de estresse.

Ver todos os capítulos

Capítulo 6 - Ativação comportamental

PDF Criptografado

6

Ativação comportamental

Ativação comportamental (AC) é uma estratégia em que o trabalho terapêutico tem como objetivo ajudar os clientes a se envolver mais ativamente em suas vidas, aumentando a probabilidade de receberem reforço positivo por seu comportamento. De acordo com Dimidjian, Barrera, Martell, Muñoz e Lewinsohn (2011), os objetivos da AC são

(a) aumentar o engajamento em atividades adaptativas (que muitas vezes são aquelas associadas à experiência de prazer ou domínio), (b) diminuir o envolvimento em atividades que mantêm a depressão ou aumentam o risco de depressão, e (c) resolver problemas que limitam o acesso à recompensa ou mantêm ou aumentam o controle aversivo. (p. 3-4)

Os clientes aprendem a não esperar até “sentir vontade” de se envolver em determinada atividade, mas que, ao se envolverem na atividade, quer sintam vontade ou não, eles obterão um benefício antidepressivo. Em seu importante manual de tratamento, no qual descrevem a AC, Martell, Dimidjian e Herman-Dunn (2010) referiram-se a ela como uma abordagem do viver de fora para dentro, em oposição à postura anterior, de dentro para fora.

Ver todos os capítulos

Capítulo 8 - Manejo do afeto

PDF Criptografado

8

Manejo do afeto

A dificuldade em lidar com afeto negativo intenso está no cerne das lutas de muitos clientes com problemas de adaptação e de saúde mental, levando-os, em muitos casos, a finalmente buscar uma intervenção. Na verdade, os clientes frequentemente solicitam “ferramentas de enfrentamento” para lidar com ansiedade, tristeza, raiva, culpa e outras experiências emocionais desagradáveis. Ao longo das últimas duas décadas, os construtos da regulação emocional e da tolerância ao sofrimento – ambos relevantes para esses casos – receberam muita atenção, e o desenvolvimento dessas abordagens produziu uma série de ferramentas que os clientes podem usar para manejar o afeto negativo.

Existem muitas definições sobrepostas de regulação emocional. De acordo com

Bridges, Denham e Ganiban (2004), ela envolve “processos fisiológicos, comportamentais e cognitivos que permitem aos indivíduos modularem a experiência e a expressão de emoções positivas e negativas” (p. 340). Da mesma forma, Gross (2014) definiu regulação emocional como “moldar quais emoções sentimos, quando as sentimos e como as experimentamos ou expressamos” (p. 6). A capacidade de regular as emoções depende da interação entre tendências e restrições de base biológica no ambiente social. Ocorre desregulação emocional quando uma pessoa não responde de forma flexível e adaptativa

Ver todos os capítulos

Capítulo 5 - Reestruturação cognitiva de crenças

PDF Criptografado

5

Reestruturação cognitiva de crenças

Muitos clientes podem encerrar o tratamento depois de adquirir habilidades para manejar o atual afeto negativo utilizando ferramentas para reestruturar pensamentos automáticos e outras técnicas descritas neste livro. Entretanto, vários também apresentam dificuldades de longa data, além de transtornos mentais crônicos e comórbidos. Em muitos casos, esses clientes exigem estratégias que vão além do controle do estresse aqui e agora. Neste último grupo, eles com frequência têm visões claramente negativas de si mesmos (p. ex., “Eu não tenho valor”), dos outros (p. ex., “As pessoas só querem se aproveitar de você”), do mundo (p. ex., “Coisas ruins acontecem, por mais que você tente evitá-las”) e do futuro (p. ex., “Estou condenado”). Os princípios da reestruturação cognitiva podem ser aplicados para remodelar essas crenças. Muitos terapeutas cognitivo-comportamentais acreditam que uma maior quantidade de mudanças na terapia cognitivo-comportamental (TCC) é obtida por meio da reestruturação de crenças que não ajudam subjacentes a pensamentos automáticos (ver J. S. Beck, 1995, 2011; Wenzel,

Ver todos os capítulos

Capítulo 10 - Terapia cognitivo-comportamental: revisitada

PDF Criptografado

10

Terapia cognitivo-comportamental: revisitada

A TCC contribuiu com conhecimentos imensuráveis para a teoria e o tratamento de transtornos mentais e problemas de adaptação. Ela melhorou a vida de inúmeros indivíduos. Forneceu a pessoas vulneráveis ferramentas para prevenir o surgimento de transtornos mentais e problemas de adaptação. Foi por meio da perseverança e do empenho na validação empírica dos primeiros estudiosos do campo que a TCC se tornou uma abordagem terapêutica tão rica e matizada e um campo específico, à luz das tendências dominantes na psicoterapia que prevaleceram nas décadas de 1960 e 1970.

O que sabemos sobre a TCC? De forma muito simples, sabemos que funciona para uma ampla gama de transtornos mentais e problemas de adaptação. Ela constantemente supera controles de lista de espera, assistência usual ou rotineira, e condições de placebo em estudos randomizados controlados (ERCs; ver Butler et al., 2006).

Ela estabeleceu-se como um tratamento eficaz mesmo para os clientes mais difíceis de tratar, tais como os que sofrem de esquizofrenia (Grant, Huh, Perivoliotis, Stolar,

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Ana Karina C R De Farias Fl Via Nunes Fonseca Lorena Bezerra Nery (115)
Título Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 12. Deficiência: uma leitura analítico-comportamental, da topografia à intimidade

PDF Criptografado

12

Deficiência: uma leitura analítico-comportamental, da topografia à intimidade

Clarissa Grasiella da Silva Câmara | Lorena Bezerra Nery

O presente capítulo tem o objetivo de apresentar os desafios e progressos no atendimento psicoterapêutico individual analítico-comportamental, em clínica-escola, de um adolescente com deficiência, adquirida na gestação, e com dificuldades escolares. Para tanto, serão apresentados os diagnósticos tradicionais dados ao jovem, as particularidades do caso e a participação da rede de apoio mais próxima no formato de uma formulação comportamental construída durante quase dois anos de processo psicoterapêutico.

A deficiência, denominada mielomeningocele ou espinha bífida, está relacionada ao defeito do fechamento do tubo neural durante a gestação. É ocasionada por fatores genéticos e ambientais. Ela poderá ser a fonte de diversas sequelas neurológicas e motoras determinadas pela localidade da coluna na qual ocorre a má-formação e pela magnitude das lesões no conteúdo do sistema nervoso (Andrade, Nomura, Barini,

Ver todos os capítulos

Capítulo 9. Anorexia nervosa na adolescência: avaliação e tratamento sob a perspectiva analítico-comportamental

PDF Criptografado

9

Anorexia nervosa na adolescência: avaliação e tratamento sob a perspectiva analítico-comportamental

Felipe Alckmin-Carvalho | Márcia H. S. Melo

No presente capítulo, inicialmente são descritos os critérios diagnósticos da anorexia nervosa

(AN), os prejuízos fisiológicos e sociais associados ao transtorno psiquiátrico e as mudanças na epidemiologia do transtorno alimentar (TA). Em um segundo momento, é descrita a compreensão analítico-comportamental da AN, com ênfase em seus determinantes filogenéticos, ontogenéticos e culturais. Por fim, trazemos o caso clínico de um menino, adolescente, diagnosticado com AN; apresentamos análises funcionais molares e moleculares do caso e as implicações dessas análises para o delineamento do tratamento.

Consideramos que este capítulo contribui para preencher uma lacuna na literatura científica nacional sobre a avaliação e o tratamento analítico-comportamental de adolescentes com AN.

Esperamos que a leitura seja útil para a formação de psicólogos clínicos e outros profissionais da

Ver todos os capítulos

Capítulo 8. A intervenção clínica comportamental para problemas no momento de dormir e despertar noturno na infância

PDF Criptografado

8

A intervenção clínica comportamental para problemas no momento de dormir e despertar noturno na infância

Renatha El Rafihi-Ferreira | Maria Laura Nogueira Pires | Edwiges Silvares

PROBLEMAS DE SONO

NA INFÂNCIA: DEFINIÇÃO

E PREVALÊNCIA

Os problemas de sono mais frequentes em crianças pequenas são as dificuldades de iniciar e manter o sono. Essas queixas são referidas como problemas no momento de dormir e despertares noturnos (Meltzer & Mindell, 2014).

Problemas no momento de dormir

Problemas no momento de dormir são caracterizados pela resistência a ir para a cama, permanecer nela ou se negar a participar da rotina pré-sono. Assim, é frequente as crianças relutarem para ir para a cama ou atrasar esse momento com repetidas requisições (p. ex., mais uma história ou um beijo a mais) (Durand, 2008; Moore, 2010;

Owens, 2008).

Esses problemas iniciam quando as crianças buscam independência e testam os limites de seus cuidadores, o que é extremamente comum durante o seu desenvolvimento. Contudo, à noite, muitos pais encontram dificuldades no manejo de tais comportamentos, o que leva a inconsistências na rotina pré-sono e no estabelecimento de limites, e, consequentemente, os problemas no momento de dormir emergem (Mindell &

Ver todos os capítulos

Capítulo 5. O autoconhecimento na terapia comportamental: revisão conceitual e recursos terapêuticos como sugestão de intervenção

PDF Criptografado

5

O autoconhecimento na terapia comportamental: revisão conceitual e recursos terapêuticos como sugestão de intervenção

Esequias Caetano de Almeida Neto | Denise Lettieri

Poucos discordariam que um repertório refinado de autoconhecimento coloca o indivíduo em situação vantajosa em relação a seu mundo físico e social. Alguém que saiba reconhecer a sensação de fome mais provavelmente irá buscar comida no momento adequado e, assim, eliminar a fome. Alguém que saiba identificar quais condições são capazes de lhe gerar sentimentos agradáveis terá mais facilidade para criar ocasiões para experimentá-los e, assim, sentir-se melhor.

Uma pessoa capaz de perceber quais comportamentos seus geram mais aproximação ou afastamento em suas relações interpessoais mais facilmente conseguirá se relacionar de maneira satisfatória com outras pessoas. Conforme dizia

Skinner (1974/2000), “uma pessoa que se tornou consciente de si mesma (...) está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento” (p. 31).

Ver todos os capítulos

Capítulo 10. Envelhecimento e depressão: uma perspectiva analítico-comportamental

PDF Criptografado

10

Envelhecimento e depressão: uma perspectiva analítico-comportamental

Eliene Moreira Curado | Paula Carvalho Natalino

Envelhecimento e depressão, quando tomados como objetos de estudo separadamente, são dois fenômenos complexos por envolverem múltiplos fatores e se manifestarem de diferentes maneiras.

Quando tomados em conjunto, representam um desafio ainda maior para pesquisadores e profissionais que atuam com a população idosa nos mais diversos contextos – profissional, educacional, de saúde, de entretenimento, entre outros.

Enquanto o envelhecimento humano é inquestionavelmente universal, a depressão atinge uma parcela considerável das populações em todo o mundo. Contudo, ambos são frequentemente alvo de preconceito, o que pode prejudicar a produção de conhecimento científico, favorecer práticas sociais e de saúde discriminatórias e afetar de forma negativa o comportamento das pessoas idosas e das pessoas em depressão. Paschoal (2002) descreve ser comum associar a velhice a incapacidade, dependência, doença e solidão e considerar o idoso chato, rabugento e triste. A mídia reforça esses preconceitos, segundo

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Antonio De P Dua Serafim Fabiana Saffi (30)
Título Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

Capítulo 24 | Traumatismo craniencefálico

PDF Criptografado

24

Traumatismo craniencefálico

ANA JÔ JENNINGS MORAES

ANTONIO DE PÁDUA SERAFIM

A ação humana deriva dos contextos bio­ lógico, ambiental e psíquico. A expressão da atitude humana implica aprovações, reprovações, reforços e aceitação do outro e da sociedade, e o padrão dessas ações e atitudes caracteriza o comportamento. Este, por sua vez, determinará o grau da relação do indivíduo com os meios físico e social.

Para que possamos compreender os fatores eliciadores, reforçadores e mantenedores do comportamento, precisamos identificar suas causas e consequências.

Vários fatores podem modificar o comportamento, como, por exemplo, o traumatismo craniencefálico (TCE), objeto de análise deste capítulo. O TCE é um tipo de lesão encefálica adquirida que apresenta grande expressão no panorama mundial da medicina. É considerado um problema de saúde pública, uma vez que se configura como uma das principais causas de lesão cerebral e apresenta altos índices de morbidade e mortalidade. O TCE é um tipo de agressão imposta ao organismo, podendo desencadear consequências devastadoras e acarretar drástica ruptura nas atividades desempenhadas na vida do indivíduo e de seus familiares (Hyder, Wunderlich, Puvanachandra, Gururaj, & Kobusingye, 2007). Por acometer uma região funcional de suma importância, que está no centro de controle de todas as funções do organismo, esse tipo de trauma pode causar graves prejuízos funcionais e gerar

Ver todos os capítulos

Capítulo 7 | Memória

PDF Criptografado

7

Memória

MERY CANDIDO DE OLIVEIRA

ANTONIO DE PÁDUA SERAFIM

CONCEITOS

A memória possibilita ao indivíduo remeter-se a experiências impressivas e compará-las com as atuais, projetando-se nas prospecções e nos programas futuros, do mesmo modo como aprendizados passados podem levar a novos comportamentos ou à alteração de hábitos antigos (Abreu &

Mattos, 2010).

Além de atuar na adaptação social da pessoa, a memória apresenta relação estreita com outras funções cognitivas, com destaque para a atenção. Essa associação torna praticamente impossível reter qualquer informação, seja de que natureza for (visual, auditiva, etc.), sem que a atenção tenha sido envolvida na tarefa.

Memória significa aquisição, formação, conservação e evocação de informações. A aquisição também é chamada de aprendizado: só se grava aquilo que foi aprendido. O conjunto de lembranças de cada um determinará aquilo que se denomina personalidade ou forma de ser (Izquierdo, 2011). Para que ocorra o armazenamento de informações, é necessária a vivência do indivíduo, a qual se traduz em experiências perceptivas, motoras, afetivas (experiências emocionais) e cognitivas

Ver todos os capítulos

Capítulo 29 | Jovens infratores

PDF Criptografado

29

Jovens infratores

NATALI MAIA MARQUES

MERY CANDIDO DE OLIVEIRA

Ressaltamos que nosso papel está dentro do que nos é cabível oferecer: conhecimentos acerca do funcionamento psicológico de determinada pessoa, em termos de assistência, orientação e de perícia no contexto judicial, e, para tal, não julgamos, não sentenciamos, não absolvemos, não beneficiamos nem prejudicamos.

(Serafim & Saffi, 2012).

ADOLESCÊNCIA: CONSTRUÇÃO DA

IDENTIDADE E DESENVOLVIMENTO

NEUROBIOLÓGICO

A adolescência é compreendida como uma fase do processo de socialização e construção da identidade, o qual está baseado na família, na sociedade, nos grupos relacionais, na escola, etc. A partir de uma visão cartesiana racionalista-desenvolvimentista, além da crença em uma “identidade adolescente”, também se acredita que é nesse período que se constrói a identidade do sujeito. Por isso, tal etapa seria o momento inaugural da personalidade que definiria o sujeito para o resto de sua vida. Erik Erikson (1976, p. 14), um dos estudiosos do desenvolvimento psicossocial, afirmou que a adolescência é

Ver todos os capítulos

Capítulo 4 | A perícia em saúde mental

PDF Criptografado

4

A perícia em saúde mental

ANTONIO DE PÁDUA SERAFIM

FABIANA SAFFI

A individualidade de cada pessoa e a consequente qualidade dessa singularidade permeiam uma variedade de questionamentos relacionados a direitos, deveres, autonomia, responsabilidade e capacidade.

A complexidade dessas indagações provoca maior perplexidade quando envolve violência. Nota-se, hoje, que ações criminosas como o homicídio vêm crescendo entre os menores de 18 anos e em pessoas que, na concepção sociocultural, seriam consideradas “normais”. O fator motivacional de comportamentos tão extremos é uma questão de difícil compreensão, que sugere investigações igualmente complexas e reflexões multifatoriais acerca da correlação entre uma possível psicopatologia e a conduta antissocial.

A ausência de sentimentos morais, éticos e altruístas, que impulsiona alguns indivíduos a cometer crimes com requintes extremados de brutalidade e crueldade, de fato nos remete a uma estigmatizante associação entre doença mental grave e violência. Em muitos casos que envol­vem homicídio, as características citadas estão presentes, provocando reações impactantes na sociedade em geral e demandando uma possível explicação para tamanha barbárie.

Ver todos os capítulos

Capítulo 20 | Transtorno de estresse pós-traumático

PDF Criptografado

20

Transtorno de estresse pós-traumático

MERY CANDIDO DE OLIVEIRA

NATALI MAIA MARQUES

ESTRESSE

Atualmente, o termo “estresse” é definido como uma resposta de adaptação do organismo às demandas ambientais. Essa interação com o meio externo tem, de um lado, estímulos que exigem mudança e adaptação e, de outro, respostas que dependem do aparato psicofísico de cada indivíduo. No Quadro

20.1 estão expressos os principais fatores de risco para o estresse. Os impulsos que o produzem não são necessariamente aversivos, de modo que essa resposta depende mais da

duração do estímulo e das respostas do indivíduo às situações estressoras.

São dois os sistemas tidos como os indicadores primários de uma resposta de estresse, ambos pertencentes ao sistema nervoso autônomo e inter-relacionados: o sistema nervoso simpático – medular-suprarrenal (SAM) e o eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal (HHA).

Os critérios diagnósticos para o trans­ torno de estresse pós-traumático (TEPT), segundo o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), estão expressos no Quadro 20.2.

Ver todos os capítulos

Ver Todos

Carregar mais