Circe S Petersen Ricardo Wainer (38)
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Capítulo 17: Tricotilomania

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17

Tricotilomania

Edson Luiz Toledo

Embora sejam crescentes os estudos sobre tricotilomania (TTM) em adultos, as pesquisas com crianças e adolescentes estão se desenvolvendo mais lentamente. Só após

1889, quando o dermatologista francês

François Henri Hallopeau cunhou o termo tricotilomania (do grego cabelo thrix e arrancar tillein), casos de arrancar cabelo começaram a aparecer na literatura científica.

Em 1914, o British Journal of Derma‑ tology aludiu a uma epidemia de arrancar cabelo em um orfanato (Davis, 1914). Durante o início do século XX, as referências sobre o ato de arrancar cabelo apareceram na literatura dermatológica como parte da discussão sobre a alopécia infantil ou tricobezoar gástrico (Blalock, 1938), assunto que será discutido a seguir. Até 1930, o comportamento de arrancar cabelo era mencionado na literatura psicanalítica vinculado a uma variedade de etiologias psicodinâmicas

(Berg, 1936; Burrows, 1933).

Epidemiologia

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Capítulo 7: Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade: tratamento farmacológico e não farmacológico

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Transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade: tratamento farmacológico e não farmacológico

Leandro Fernandes Malloy-Diniz

Marco Antônio Silva Alvarenga

Neander Abreu

Daniel Fuentes

Wellington Borges Leite

Durante o desenvolvimento na infância e na adolescência não é raro perceber o quanto crianças e jovens apresentam comportamentos considerados “problemáticos” por seus pares e por seus pais. Desobediência, desrespeito às regras de conduta básica na escola e em outros contextos, impulsividade, agressividade e baixa tolerância à frustração são exemplos desses comportamentos. Muitos se empenham em atividades prazerosas por mais tempo do que nas responsabilidades que lhes são atribuídas.

Entretanto, muitas dessas condutas tendem a desaparecer após intervenções pontuais ou mesmo ao longo da maturação, favorecendo o ajuste do indivíduo consigo mesmo e com seu meio (Ladd e Burgess, 1999).

Por outro lado, diversos problemas de ajustamento que aparecem pela primeira vez na infância prosseguem na adolescência e, muitas vezes, na idade adulta prejudicando os indivíduos em seu cotidiano, no trabalho e nas relações interpessoais (Barkley,

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Capítulo 11: Terapia cognitivo-comportamental para os transtornos de ansiedade

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Terapia cognitivo­‑comportamental para os transtornos de ansiedade

Circe Salcides Petersen

Eduardo Bunge

Javier Mandil

Martín Gomar

Introdução

Neste capítulo, serão abordados as fobias específicas, os transtornos de ansiedade generalizada, a fobia social e o transtorno de ansiedade de separação, que apesar de serem entidades clínicas distintas, apresentam­‑se em um continuum que se estende desde as situações específicas até o transtorno de ansiedade generalizada, caracterizado por temores globais e difusos. Os transtornos de ansiedade serão apresentados do ponto de vista descritivo, etiológico, epidemiológico, curso, prognóstico, tratamento cognitivo­

‑comportamental e, finalmente, caso clínico ilustrativo com conceitualização e técnicas de intervenção como modelo.

A ideia de agregar todos os transtornos de ansiedade, a exemplo de Kendall (2006a), tem por objetivo agregar as técnicas de intervenção dirigidas a esses transtornos em um único capítulo. Serão apresentadas técnicas oriundas de tratamentos baseados em evidências, com sugestões de aplicação de modo flexível e fiel, promovendo a transição e disseminação dos tratamentos baseados em evidências. Os fundamentos empíricos

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13. Programa Friends para tratamento e prevenção de transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes

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Programa Friends para tratamento e prevenção de transtornos de ansiedade em crianças e adolescentes

Cristina Akiko Iizuka

Paula M. Barrett

Introdução

Com frequência, a ansiedade é reconhecida como uma das formas mais prevalentes de psicopatologia infantil (Chavira, Stein, Bailey e Stein, 2004; Costello, Mustillo, Erkanli,

Keeler e Angold, 2003; Donovan e Spence,

2000; Rapee, Schniering e Hudson, 2009) e está associada a diversos outros danos psicossociais, como, por exemplo, dificuldades de relacionamento social, emocionais ou no âmbito acadêmico (Donovan e Spence, 2000).

Se não for tratada em seu estágio inicial, a ansiedade infantil pode levar ao abandono escolar e, posteriormente, limitar o desenvolvimento profissional. Além disso, pode causar aumento do uso de medicamentos, depressão e abuso de drogas durante a adolescência e vida adulta (Donovan e Spence, 2000; Rapee, Kennedy, Ingram, Edwards e Sweeney, 2005). Há estudos evidenciando a relação entre elevados níveis de ansiedade durante a infância e ocorrência de transtornos de ansiedade na vida adulta (Mattison,

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8. Terapia cognitivo‑comportamental para os transtornos de comportamento disruptivo: modelo de treinamento parental

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Terapia cognitivo­‑comportamental para os transtornos de comportamento disruptivo: modelo de treinamento parental

Janaína Thaís Barbosa Pacheco

Caroline Tozzi Reppold

O comportamento disruptivo é o responsável por grande parte da procura por serviços psiquiátricos e psicológicos infantis (Garland et al., 2001). A quantidade de estudos empíricos, principalmente internacionais, indica a seriedade do problema e a mobilização da comunidade acadêmica e dos profissionais da área clínica para compreenderem e desenvolverem intervenções direcionadas para crianças e adolescentes com problemas de comportamento e para suas famílias. Serra­‑Pinheiro, Guimarães e Serrano (2005) afirmam que a alta prevalência dos transtornos disruptivos é observada na literatura internacional e em amostras brasileiras. Por exemplo, no período de um ano

(2001/2002) aproximadamente 50% dos pacientes que procuraram o Centro de Atenção e Reabilitação para Infância e Mocidade

(CARIM) da Universidade Federal do Rio de

Janeiro (UFRJ) tinham queixa de comportamento disruptivo (Serra­‑Pinheiro et al.,

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Affonso Rosa Maria Lopes (25)
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Medium 9788536326955

13. Compreendendo o uso de testes a partir do ludodiagnóstico

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A PDF Criptografado

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Compreendendo o uso de testes a partir do ludodiagnóstico

Helena Rinaldi Rosa

P

enso que, em qualquer contexto em que estejamos atuando, clínico ou não, sempre partimos de uma avaliação, um diagnóstico do que está ocorrendo, para então atuarmos segundo a proposta que, no nosso entendimento, deve ser adequada para aquela situa­ção em que vamos intervir. Entendo também que o nosso fazer, o nosso trabalho, se dá e deve se dar inserido no mundo, na realidade, nas demandas feitas pela sociedade para a psicologia. Para atender a essas demandas, é necessário fazer uma crítica em relação à situação e considerar a finalidade da demanda, mas ao fazê­‑lo deve­‑se ter o comprometimento ético e científico exigidos em cada situação.

Hoje grande parte da demanda do psicólogo, na saúde, seja privada ou pública, e também no Judiciário, na escola, em instituições e até em empresas, tem a ver com resolver problemas que envolvem aspectos psicológicos. Sobre estes podemos – e devemos – falar, o que significa entender – e, portanto, avaliar – o que se passa e sugerir formas de solução. Para se resolver um problema psicológico, é preciso saber qual é ele, o que o afeta, ou seja, é necessário fazer um diagnóstico, uma avaliação, para depois sugerir encaminhamentos.

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20. O lúdico e a tendência antissocial na clínica da aprendizagem

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A PDF Criptografado

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O lúdico e a tendência antissocial na clínica da aprendizagem

Sonia Maria B. A. Parente

N

o presente capítulo, meu objetivo é estabelecer algumas relações entre a origem e o desenvolvimento da capacidade lúdica1 e a tendência antissocial na clínica da aprendizagem baseada na contribuição do pediatra e psicanalista inglês D. W. Winnicott. Para tanto, num primeiro momento, apresentarei fragmentos do atendimento clínico realizado com um garoto de 9 anos, que apresentava uma relação disruptiva com a aprendizagem associada a atos que poderiam ser incluídos no que Winnicott denominou tendência antissocial.

Winnicott (1945; 1949; 1963-a) deixou muito claros os fundamentos que atravessam toda sua obra na frase “um bebê é algo que não existe”. Com essa afirmação, ele pretendia assinalar o papel determinante do outro (do ambiente) e do fator maturacional na constituição e integração das diferentes dimensões do ser humano ao longo do tempo. Assim, para compreender a origem e o desenvolvimento de qualquer capacidade psíquica, inclusive a que me

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23. O jogo de areia no Brasil

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A PDF Criptografado

23

O jogo de areia no Brasil

Aicil Franco

O

jogo de areia, hoje internacionalmente conhecido pela denominação em inglês – sand­­ play –, tem sido principalmente divulgado como um método de psicoterapia junguiano. Ele nasceu como world technique, criado por Margaret Lowenfeld (1890 – 1973), pediatra inglesa especializada em crianças com comportamentos difíceis. Lowenfeld foi uma das pioneiras na psicoterapia infantil, ao buscar com seu trabalho a diminuição do sofrimento de crianças, após a Primeira

Guerra Mundial.

Essa autora, que esteve sempre envolvida em investigações médicas, interessou­

‑se também em avaliar como algumas crianças sobreviviam e se desenvolviam relativamente bem, apesar de suas experiências traumáticas. Empiricamente, constatou a importância do brincar, não só como atividade curativa, mas também como possibilidade de expressão, e apontou as linguagens verbais como meios insatisfatórios para a avaliação de seus pacientes (www.lowenfeld.org/lowenfeld/index.html).

Em 1928, abandonou a medicina ortodoxa e criou “uma clínica para crianças difíceis e nervosas” (Mitchell e Friedman, 1994, p.8), uma das primeiras clínicas psicológicas infantis onde se objetivava a terapêutica integrada e multidisciplinar. Lowenfeld voltou­‑se, então, para o desenvolvimento de técnicas que permitissem a transmissão de pensamentos e sentimentos infantis sem o uso de palavras. Incorporou aportes teóricos

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1. O brincar e a psicanálise: subsídios à técnica

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A PDF Criptografado

1

O brincar e a psicanálise

Subsídios à técnica

Ryad Simon kayoko yamamoto

N

os primórdios da psicanálise de crianças, em 1923, Melanie Klein atendia uma menina de 7 anos, inibida e com mau aproveitamento escolar. A criança não gostava da escola, faltava às aulas e começava a afastar­

‑se da mãe, apesar de ter anteriormente um bom relacionamento com ela. A criança não desenhava, falava muito pouco. O progresso do atendimento era quase nulo. Klein sentiu que aquela forma de atendimento não levaria muito longe o trabalho. Numa sessão em que a criança ficou silenciosa e retraída, a angústia de Melanie Klein deve tê­‑la mobilizado a criar algum recurso. Avisou que ia sair da sala e voltaria num instante. Como o atendimento era feito na residência, esta pegou alguns brinquedos: algumas bonequinhas, carrinhos, cubos e um trenzinho.

Colocou­‑os numa caixa e trouxe para a pacientezinha inibida. A criança interessou­‑se pelos objetos e começou a brincar.

Por seu modo de brincar, Klein inferiu que os dois bonecos que a menina utilizou para realizar uma brincadeira poderiam representar a própria paciente e um menininho da escola que havia sido mencionado numa sessão anterior. Parecia haver algum segredo na conduta dos dois bonecos, e que os outros bonecos eram vistos como intrusos e afastados. As atividades dos dois bonecos acabavam em catástrofes, como cair e serem atropelados. Esse brincar era repetido, e, à

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10. A análise do procedimento ludodiagnóstico segundo o referencial teórico psicanalítico

Affonso, Rosa Maria Lopes Grupo A PDF Criptografado

10

A análise do procedimento ludodiagnóstico segundo o referencial teórico psicanalítico

Rosa Maria Lopes Affonso

A

análise do ludodiagnóstico vai depender da abordagem teórica do examinador ou dos objetivos para os quais foi utilizada.

Caso tenha sido utilizada como rapport, a análise vai ser voltada para o estabelecimento do vínculo. Caso sua utilização seja para avaliação psicológica ou para o estabelecimento e escolha de testes, a observação será dirigida para a análise do desenvolvimento motor, afetivo, cognitivo ou social.

Por exemplo, para verificar se o problema é motor é necessário observar como a criança utiliza os materiais, se é destra, se os materiais caem, se os movimentos são irruptivos, hipotônicos, hipercinéticos, etc. Outros profissionais estabelecem, inclusive, análises de categorias de comportamento apoiados nas várias teorias de desenvolvimento, como por exemplo, Greenspan e Greenspan (1993).

Kornblit (1976) dá ênfase à observação da sequência da interação lúdica e, entre outros, sugere a identificação do momento inicial, do de máxima expressão lúdica, bem como do final da hora lúdica, considerando a interação em subsistemas, nos quais podem variar a quantidade de material utilizado e o tipo.

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Amy Wenzel (10)
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Medium 9788582715017

Capítulo 6 - Ativação comportamental

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Ativação comportamental

Ativação comportamental (AC) é uma estratégia em que o trabalho terapêutico tem como objetivo ajudar os clientes a se envolver mais ativamente em suas vidas, aumentando a probabilidade de receberem reforço positivo por seu comportamento. De acordo com Dimidjian, Barrera, Martell, Muñoz e Lewinsohn (2011), os objetivos da AC são

(a) aumentar o engajamento em atividades adaptativas (que muitas vezes são aquelas associadas à experiência de prazer ou domínio), (b) diminuir o envolvimento em atividades que mantêm a depressão ou aumentam o risco de depressão, e (c) resolver problemas que limitam o acesso à recompensa ou mantêm ou aumentam o controle aversivo. (p. 3-4)

Os clientes aprendem a não esperar até “sentir vontade” de se envolver em determinada atividade, mas que, ao se envolverem na atividade, quer sintam vontade ou não, eles obterão um benefício antidepressivo. Em seu importante manual de tratamento, no qual descrevem a AC, Martell, Dimidjian e Herman-Dunn (2010) referiram-se a ela como uma abordagem do viver de fora para dentro, em oposição à postura anterior, de dentro para fora.

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Capítulo 3 - Entrevista motivacional

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Entrevista motivacional

A entrevista motivacional (EM) é uma abordagem terapêutica centrada no cliente que facilita a motivação para a mudança por parte dos próprios clientes, com base em seus valores e preferências (Miller & Rollnick, 1991, 2002, 2013). A EM é indicada quando os clientes são ambivalentes quanto ao tratamento, de modo que tenham boas razões para querer mudar, bem como boas razões para permanecer como estão. Também é usada quando os clientes têm trabalhado para mudar, mas chegaram a algum tipo de obstáculo ou impasse em seu processo terapêutico (Wenzel et al., 2011; Westra, 2012). Os terapeutas que usam EM se abstêm de persuadir ativamente seus clientes a mudar; antes, atentam para o discurso de mudança, ou para indicativos de que estão interessados em mudar, e dão a seus clientes espaço para que elaborem os motivos para a mudança, apropriem-se deles e engajem-se no processo de compromisso com a mudança.

A inclusão de um capítulo sobre EM em um livro sobre inovações em terapia cognitivo-comportamental (TCC) decorre de uma mudança notável no pensamento sobre a prontidão do cliente para um tratamento ativo como essa forma de terapia. Muitos especialistas postularam que um pressuposto básico da TCC é que os clientes estejam motivados para o tratamento. Por exemplo, Young, Klosko e Weishaar (2003), desenvolvedores da abordagem chamada terapia do esquema (descrita no Cap. 5), afirmaram:

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Capítulo 4 - Reestruturação cognitiva de pensamentos automáticos

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Reestruturação cognitiva de pensamentos automáticos

Reestruturação cognitiva é o processo pelo qual os terapeutas ajudam seus clientes a (a) identificar o pensamento associado ao sofrimento emocional, (b) avaliar a precisão e a utilidade desse pensamento e (c) responder de forma adaptativa a esse pensamento se o cliente concluir que ele é exagerado, impreciso ou não ajuda. Pode-se argumentar que a reestruturação cognitiva é uma das estratégias mais centrais, se não a mais central, associada à terapia cognitivo-comportamental (TCC), porque essa intervenção decorre de um princípio básico subjacente à TCC – a de que o pensamento que não ajuda desempenha um papel significativo na manutenção e na exacerbação de problemas de saúde mental. A reestruturação cognitiva pode ser aplicada à modificação de pensamentos automáticos que não ajudam específicos a uma situação e também pode ser aplicada à modelagem de crenças subjacentes que não ajudam ativadas em momentos de estresse.

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Capítulo 2 - Conceitualização de caso

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Conceitualização de caso

A conceitualização de caso (também chamada formulação de caso) é a aplicação de um sistema teórico, como a teoria cognitivo-comportamental, para compreender os fatores que precipitam, mantêm e exacerbam o problema de saúde mental ou a perturbação emocional de um cliente (ver Eells, 2007). Ela serve como um modelo para integrar informações colhidas em uma avaliação psicológica e ao longo do tratamento e formar um quadro coerente. Segundo Key e Bieling (2015), “O papel central da formulação de caso cognitiva é traduzir a teoria e a pesquisa cognitiva nomotética em tratamento idiográfico” (p. 223).

A conceitualização de caso tem muitas finalidades. Em primeiro lugar, a maioria dos clientes é caracterizada por apresentações clínicas heterogêneas, de modo que satisfazem critérios para mais de um transtorno mental ou compartilham características de vários deles. Além disso, muitos clientes descrevem estressores e desafios que não são facilmente incorporados aos diagnósticos, como problemas médicos, pobreza e racismo. A conceitualização de caso ajuda o terapeuta na organização dessas informações e na compreensão de como essas diferentes forças influenciam as reações cognitivas, emocionais e comportamentais descritas pelos clientes, bem como de que forma essas reações exacerbam seus problemas de saúde mental, médicos e ambientais. Em segundo lugar, quando uma conceitualização de caso está estabelecida, ela pode ajudar o terapeuta a entender e abordar novas informações ou ocorrências inesperadas, tais como uma ruptura na relação terapêutica. Por fim, ela aponta alvos importantes para as intervenções, pois os terapeutas cognitivo-comportamentais têm por objetivo aplicar ferramentas estratégicas a fim de modificar os fatores psicológicos (ou seja, cognições, emoções, comportamentos) que contribuem para manter e exacerbar problemas de saúde mental e transtornos emocionais.

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Medium 9788582715017

Capítulo 8 - Manejo do afeto

Amy Wenzel Grupo A PDF Criptografado

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Manejo do afeto

A dificuldade em lidar com afeto negativo intenso está no cerne das lutas de muitos clientes com problemas de adaptação e de saúde mental, levando-os, em muitos casos, a finalmente buscar uma intervenção. Na verdade, os clientes frequentemente solicitam “ferramentas de enfrentamento” para lidar com ansiedade, tristeza, raiva, culpa e outras experiências emocionais desagradáveis. Ao longo das últimas duas décadas, os construtos da regulação emocional e da tolerância ao sofrimento – ambos relevantes para esses casos – receberam muita atenção, e o desenvolvimento dessas abordagens produziu uma série de ferramentas que os clientes podem usar para manejar o afeto negativo.

Existem muitas definições sobrepostas de regulação emocional. De acordo com

Bridges, Denham e Ganiban (2004), ela envolve “processos fisiológicos, comportamentais e cognitivos que permitem aos indivíduos modularem a experiência e a expressão de emoções positivas e negativas” (p. 340). Da mesma forma, Gross (2014) definiu regulação emocional como “moldar quais emoções sentimos, quando as sentimos e como as experimentamos ou expressamos” (p. 6). A capacidade de regular as emoções depende da interação entre tendências e restrições de base biológica no ambiente social. Ocorre desregulação emocional quando uma pessoa não responde de forma flexível e adaptativa

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Ana Karina C R De Farias Fl Via Nunes Fonseca Lorena Bezerra Nery (115)
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Medium 9788582714720

Capítulo 6. A formulação comportamental na terapia analítico-comportamental infantil

Ana Karina C. R. de-Farias; Flávia Nunes Fonseca; Lorena Bezerra Nery Grupo A PDF Criptografado

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A formulação comportamental na terapia analítico-comportamental infantil

Ana Rita Coutinho Xavier Naves | Raquel Ramos Ávila

Uma criança, ao ser frequentemente exposta a altas exigências nos âmbitos familiar, educacional e social, associadas à falta de repertórios comportamentais amplos ou bem estabelecidos, pode apresentar comportamentos tidos como perturbadores que requerem intervenção de um profissional capacitado, no campo da Psicologia. Comportamentos perturbadores1, em oposição a comportamentos chamados alternativos, repercutem negativamente nas interações interpessoais da criança, tanto para ela diretamente como para outros indivíduos. Tais comportamentos perturbam de alguma maneira essas interações ao produzirem consequências aversivas, emoções indesejáveis, conflitos recorrentes, custos altos e assim por diante, ainda que em uma análise mais ampla também resultem em alguns benefícios (Layng, 2009). Devido às demandas presentes nas contingências nas quais a criança está inserida atualmente e ao sofrimento pessoal e familiar gerado por comportamentos perturbadores por ela adquiridos, o atendimento psicológico a crianças e seus cuidadores2 tem se tornado frequente no cenário brasileiro.

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Capítulo 6. A formulação comportamental na terapia analítico-comportamental infantil

Ana Karina C. R. de-Farias; Flávia Nunes Fonseca; Lorena Bezerra Nery Grupo A PDF Criptografado

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A formulação comportamental na terapia analítico-comportamental infantil

Ana Rita Coutinho Xavier Naves | Raquel Ramos Ávila

Uma criança, ao ser frequentemente exposta a altas exigências nos âmbitos familiar, educacional e social, associadas à falta de repertórios comportamentais amplos ou bem estabelecidos, pode apresentar comportamentos tidos como perturbadores que requerem intervenção de um profissional capacitado, no campo da Psicologia. Comportamentos perturbadores1, em oposição a comportamentos chamados alternativos, repercutem negativamente nas interações interpessoais da criança, tanto para ela diretamente como para outros indivíduos. Tais comportamentos perturbam de alguma maneira essas interações ao produzirem consequências aversivas, emoções indesejáveis, conflitos recorrentes, custos altos e assim por diante, ainda que em uma análise mais ampla também resultem em alguns benefícios (Layng, 2009). Devido às demandas presentes nas contingências nas quais a criança está inserida atualmente e ao sofrimento pessoal e familiar gerado por comportamentos perturbadores por ela adquiridos, o atendimento psicológico a crianças e seus cuidadores2 tem se tornado frequente no cenário brasileiro.

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Capítulo 12. Deficiência: uma leitura analítico-comportamental, da topografia à intimidade

Ana Karina C. R. de-Farias; Flávia Nunes Fonseca; Lorena Bezerra Nery Grupo A PDF Criptografado

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Deficiência: uma leitura analítico-comportamental, da topografia à intimidade

Clarissa Grasiella da Silva Câmara | Lorena Bezerra Nery

O presente capítulo tem o objetivo de apresentar os desafios e progressos no atendimento psicoterapêutico individual analítico-comportamental, em clínica-escola, de um adolescente com deficiência, adquirida na gestação, e com dificuldades escolares. Para tanto, serão apresentados os diagnósticos tradicionais dados ao jovem, as particularidades do caso e a participação da rede de apoio mais próxima no formato de uma formulação comportamental construída durante quase dois anos de processo psicoterapêutico.

A deficiência, denominada mielomeningocele ou espinha bífida, está relacionada ao defeito do fechamento do tubo neural durante a gestação. É ocasionada por fatores genéticos e ambientais. Ela poderá ser a fonte de diversas sequelas neurológicas e motoras determinadas pela localidade da coluna na qual ocorre a má-formação e pela magnitude das lesões no conteúdo do sistema nervoso (Andrade, Nomura, Barini,

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Capítulo 9. Anorexia nervosa na adolescência: avaliação e tratamento sob a perspectiva analítico-comportamental

Ana Karina C. R. de-Farias; Flávia Nunes Fonseca; Lorena Bezerra Nery Grupo A PDF Criptografado

9

Anorexia nervosa na adolescência: avaliação e tratamento sob a perspectiva analítico-comportamental

Felipe Alckmin-Carvalho | Márcia H. S. Melo

No presente capítulo, inicialmente são descritos os critérios diagnósticos da anorexia nervosa

(AN), os prejuízos fisiológicos e sociais associados ao transtorno psiquiátrico e as mudanças na epidemiologia do transtorno alimentar (TA). Em um segundo momento, é descrita a compreensão analítico-comportamental da AN, com ênfase em seus determinantes filogenéticos, ontogenéticos e culturais. Por fim, trazemos o caso clínico de um menino, adolescente, diagnosticado com AN; apresentamos análises funcionais molares e moleculares do caso e as implicações dessas análises para o delineamento do tratamento.

Consideramos que este capítulo contribui para preencher uma lacuna na literatura científica nacional sobre a avaliação e o tratamento analítico-comportamental de adolescentes com AN.

Esperamos que a leitura seja útil para a formação de psicólogos clínicos e outros profissionais da

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Capítulo 10. Envelhecimento e depressão: uma perspectiva analítico-comportamental

Ana Karina C. R. de-Farias; Flávia Nunes Fonseca; Lorena Bezerra Nery Grupo A PDF Criptografado

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Envelhecimento e depressão: uma perspectiva analítico-comportamental

Eliene Moreira Curado | Paula Carvalho Natalino

Envelhecimento e depressão, quando tomados como objetos de estudo separadamente, são dois fenômenos complexos por envolverem múltiplos fatores e se manifestarem de diferentes maneiras.

Quando tomados em conjunto, representam um desafio ainda maior para pesquisadores e profissionais que atuam com a população idosa nos mais diversos contextos – profissional, educacional, de saúde, de entretenimento, entre outros.

Enquanto o envelhecimento humano é inquestionavelmente universal, a depressão atinge uma parcela considerável das populações em todo o mundo. Contudo, ambos são frequentemente alvo de preconceito, o que pode prejudicar a produção de conhecimento científico, favorecer práticas sociais e de saúde discriminatórias e afetar de forma negativa o comportamento das pessoas idosas e das pessoas em depressão. Paschoal (2002) descreve ser comum associar a velhice a incapacidade, dependência, doença e solidão e considerar o idoso chato, rabugento e triste. A mídia reforça esses preconceitos, segundo

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Antonio De P Dua Serafim Fabiana Saffi (30)
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Capítulo 6 | Atenção

Antonio de Pádua Serafim; Fabiana Saffi Grupo A PDF Criptografado

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Atenção

LUCIANA DE CARVALHO MONTEIRO

FABIANA SAFFI

O estudo do funcionamento atencional é de grande interesse para a neuropsicologia, uma vez que a atenção viabiliza a entrada das informações que serão processadas no cérebro. Ou seja, para que determinados estímulos sejam selecionados, codificados e aprendidos, eles precisam, primeiro, ser percebidos.

Segundo Lima (2005), tudo o que percebemos depende diretamente do direcionamento de nossa atenção. Assim, quando prestamos atenção em algo, diversos processos são disparados em nosso cérebro, inibindo vários elementos distratores e priorizando os que são considerados, naquele momento, mais relevantes. Contudo, a capacidade cerebral de processar informações é limitada e depende do funcionamento eficaz de diferentes sistemas, que, por meio de processos sequenciais, os quais compreendem uma série de estágios, visam

à seleção e à manutenção de inputs (Strauss

& Sherman, 2006).

Na execução de atividades cotidianas, a atenção exerce um papel fundamental, pois estamos inseridos em ambientes repletos de estímulos, que podem ser relevantes ou não e que ocorrem de modo contínuo. Esses estímulos, independentemente da modalidade sensorial pela qual são per-

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Capítulo 19 | Transtorno obsessivo-compulsivo

Antonio de Pádua Serafim; Fabiana Saffi Grupo A PDF Criptografado

19

Transtorno obsessivo-compulsivo

CARINA CHAUBET D’ALCANTE

ANTONIO DE PÁDUA SERAFIM

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) se caracteriza pela presença de obsessões e compulsões recorrentes. O quadro de obsessão é composto por um pensamento, ideia, imagem ou impulso persistente e que a pessoa não consegue inibir ou eliminar por vontade própria. Uma vez que esses fatores não passam pelo prisma do controle voluntário e são repugnantes para o paciente, são classificados como egodistônicos (Holmes, 2000). Já as compulsões são a manifestação do pensamento obsessivo em forma de comportamento, que é repetitivo e ritualizado.

Os impulsos obsessivos, em sua maioria, envolvem questões ligadas a sujeira e contaminação, impactando tanto a vida profissional (dificuldade de planejamento e inibição dos pensamentos intrusivos) como a rotina do indivíduo. Além disso, pensamentos de violência ou de prejudicar alguém também podem ocorrer, aumentando o risco de repercussões legais.

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Capítulo 17 | Transtorno bipolar

Antonio de Pádua Serafim; Fabiana Saffi Grupo A PDF Criptografado

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Transtorno bipolar

CRISTIANA CASTANHO DE ALMEIDA ROCCA

FABIANA SAFFI

CARACTERÍSTICAS

CLÍNICAS E DIAGNÓSTICO

O transtorno bipolar (TB) é uma doença psiquiátrica grave, crônica, caracterizada pela recorrência de episódios de hipomania, mania e depressão, bem como de episódios considerados mistos (nos quais ocorrem sintomas característicos tanto das fases de mania/hipomania como da depressão).

Os episódios variam em intensidade, duração e frequência, e as oscilações do humor acompanham alterações nas funções vegetativas e cognitivas que se expressam no comportamento como um todo. Além disso, esse transtorno pode se associar a comportamentos agressivos, impulsivos, suicidas e de alto risco, que são conhecidos por diminuir a qualidade de vida do paciente e que podem, inclusive, gerar problemas de ordem legal (Doerfler et al., 2010).

Na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, da

American Psychiatric Association (2013), o transtorno bipolar foi separado dos transtornos depressivos, tendo sido incluídos os seguintes diagnósticos: transtorno bipolar tipo I, transtorno bipolar tipo II, transtorno ciclotímico, transtorno bipolar e transtorno relacionado induzido por substância/ medicamento, transtorno bipolar e transtorno relacionado devido a outra condição médica, outro transtorno bipolar e trans-

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Capítulo 29 | Jovens infratores

Antonio de Pádua Serafim; Fabiana Saffi Grupo A PDF Criptografado

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Jovens infratores

NATALI MAIA MARQUES

MERY CANDIDO DE OLIVEIRA

Ressaltamos que nosso papel está dentro do que nos é cabível oferecer: conhecimentos acerca do funcionamento psicológico de determinada pessoa, em termos de assistência, orientação e de perícia no contexto judicial, e, para tal, não julgamos, não sentenciamos, não absolvemos, não beneficiamos nem prejudicamos.

(Serafim & Saffi, 2012).

ADOLESCÊNCIA: CONSTRUÇÃO DA

IDENTIDADE E DESENVOLVIMENTO

NEUROBIOLÓGICO

A adolescência é compreendida como uma fase do processo de socialização e construção da identidade, o qual está baseado na família, na sociedade, nos grupos relacionais, na escola, etc. A partir de uma visão cartesiana racionalista-desenvolvimentista, além da crença em uma “identidade adolescente”, também se acredita que é nesse período que se constrói a identidade do sujeito. Por isso, tal etapa seria o momento inaugural da personalidade que definiria o sujeito para o resto de sua vida. Erik Erikson (1976, p. 14), um dos estudiosos do desenvolvimento psicossocial, afirmou que a adolescência é

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Medium 9788582711811

Capítulo 3 | Noções básicas do direito: orientaçõespara a perícia em saúde mental

Antonio de Pádua Serafim; Fabiana Saffi Grupo A PDF Criptografado

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Noções básicas do direito: orientações para a perícia em saúde mental

ANNA CECÍLIA SANTOS CHAVES

ROBERTO AUGUSTO DE CARVALHO CAMPOS

O sistema jurídico brasileiro adotou o princípio da persuasão racional como diretriz norteadora do exercício jurisdicional, o que significa dizer que o magistrado deve formar sua convicção com fundamento nos elementos probatórios disponíveis nos autos do processo. No entanto, essa apreciação não se dará segundo um valor prefixado pela lei a cada espécie probatória, mas deverá seguir um método de ponderação crítica e racional. Qualquer arbítrio no exercício decisório será evitado em função do dever do magistrado de expressar e dar publicidade à motivação de todas as suas decisões, conforme estabelece a Constituição da República, no artigo 93, inciso IX.

É no auxílio à formação da convicção do julgador que atua o perito, que coloca a serviço do juiz seus conhecimentos especializados, de forma a orientar sua decisão.

Seu exercício profissional deve se dar de maneira neutra, equidistante, e o laudo deverá ser a fiel expressão de sua certeza técnica. O perito não pode adentrar a matéria jurídica (Motta, 2012); tampouco deverá considerar, em sua atuação, possíveis repercussões de suas conclusões periciais à seara do Direito, sob risco de enviesar a neutralidade de sua observação. O agir profissional do perito deve restringir-se ao campo de sua expertise, uma vez que a tarefa de-

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