Boyle David (5)
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1. Contexto e criadores

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uando os autores do Manifesto comunista, Karl Marx e Friedrich Engels, nasceram, ainda se podiam sentir as consequências da primeira grande revolução na Europa. A Revolução Francesa de 1789 foi a primeira grande revolta social a desafiar a velha ordem europeia. Os pais de Marx e de Engels fizeram parte da primeira geração que cresceu consciente de que uma mudança radical, repentina e esmagadora era algo possível na sociedade.

Antes de 1789, as grandes nações da Europa — inclusive a Alemanha, terra natal dos dois autores — haviam sido governadas por uma monarquia poderosa, apoiada pela nobreza privilegiada e pelo clero. Mas uma nova classe média — descrita como “burguesia” no Manifesto

— emergia em todo o continente, principalmente na Inglaterra recém-industrializada, enquanto a classe operária se concentrava nas então recentes cidades industriais.

Tendo em mente a Revolução Francesa enquanto formulavam o documento, Marx e Engels desenvolveram a ideia de que, na França daquela época, a velha ordem testemunhava o aumento da pressão da burguesia e o poder do dinheiro, de modo que um dia se acabariam os privilégios aristocráticos e eclesiais. Na França anterior a 1789,

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2. O documento

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MANIFESTO

O MANIFESTO

COMUNISTA

O DOCUMENTO

Um espectro ronda a Europa — o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa uniram-se numa Santa Aliança para exorcizá-lo: o papa e o czar,

Metternich e Guizot, os radicais franceses e os espiões da polícia alemã.

Que partido de oposição não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição também não lançou contra seus adversários progressistas ou reacionários o estigma do comunismo?

Daí decorrem dois fatos:

1. O comunismo já é considerado uma força por todas as potências da

Europa.

2. Já é tempo de os comunistas publicarem abertamente, diante de todo o mundo, suas ideias, seus fins, suas tendências, opondo à lenda do comunismo um manifesto do próprio partido.

Para isso, comunistas de várias nacionalidades reuniram-se em Londres e redigiram o manifesto a seguir, a ser publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.

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3. Impacto imediato

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ossa era, a era da democracia, passa por uma fratura”, escreveu Engels, quase sem conter a satisfação ao ter notícia da primeira revolta francesa em 1848, no momento em que ele e Marx entregavam o texto à gráfica. Tudo o que fora dito pelo Manifesto comunista parecia estar acontecendo. No entanto, não se pode dizer que o livro tenha provocado os eventos. A rebelião irrompera antes que a tinta estivesse seca sobre as folhas de papel, e a primeira edição foi de apenas mil cópias

— em alemão.

A versão original foi publicada provavelmente no dia 24 de fevereiro de 1848. A composição tipográfica ficou a cargo da Sociedade Cultural dos Trabalhadores, em Londres, e foi enviada às pressas para uma gráfica perto da Liverpool Street. Seus primeiros leitores foram imigrantes alemães — o documento fora publicado em série no Deutsche Londoner Zeitung, semanário liberal para alemães refugiados em Londres —, junto com um punhado de franceses, belgas e alguns membros do movimento cartista em Londres.

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4. O legado do Manifesto

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arx morrera sem pátria nem testamento legal em 1883. Foi enterrado no cemitério de Highgate, em

Londres, onde seu túmulo ainda é local de peregrinação para marxistas de todo o mundo. Sua enorme coleção de cartas e cadernos foi entregue a Engels para que completasse o trabalho de Marx. Por mais de uma década Engels lutou para finalizar O capital, antes de morrer de câncer, em 1895; suas cinzas foram espalhadas por Beachy Head, em

Sussex. O terceiro e último volume de O capital só seria publicado em 1894, na Alemanha. Uma tradução pirata para o inglês foi lançada em Nova York e tornou-se logo best-seller, pois houve um mal-entendido em Wall Street quanto ao assunto abordado pelo livro.

Durante grande parte de suas vidas, a esperança de que suas profecias se tornassem realidade — o que o

Manifesto chama de “derrubada violenta das condições sociais existentes” — parecia remota. Mas apenas vinte e três anos após a morte de Engels, as ideias que ele e Marx expuseram ao mundo viram-se postas em prática. Foi o momento na história em que um punhado de jovens idealistas — duas gerações depois daqueles primeiros leitores do chamado às armas do Manifesto — de repente vira93

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5. O desfecho

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colapso do comunismo como modelo alternativo para o mundo no final dos anos 1980 não fora exatamente uma surpresa, mas também não poderia ter sido previsto com quinze anos de antecedência. A derrota na Guerra do Vietnã e a queda de Saigon representaram um grande estrago para os Estados Unidos em sua posição de líder dos governos anticomunistas do Ocidente — assim como a invasão soviética do Afeganistão, em 1979 — e durante certo tempo parecia se confirmar a teoria do dominó.

Esse também foi o caso da Europa, onde uma nova espécie de marxismo — conhecido como “eurocomunismo” e que procurava se distanciar dos excessos do governo stalinista — começava a se desenvolver, graças aos esforços de Santiago Carrillo, veterano da Guerra

Civil Espanhola, cujo livro Eurocomunismo e o Estado fora publicado e influenciara muitas pessoas, em 1976.

Carrillo e seus seguidores defendiam os direitos humanos e aceitavam que o setor privado continuasse a existir.

Deixaram os marxistas puristas furiosos ao mostrar que as desigualdades não haviam desaparecido nem na

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Diocl Cio Campos J Nior (9)
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Ética e subversão da ordem

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Nada sustenta mais fortemente a subversão pacífica da ordem do que a evolução e o enraizamento da ética no âmago da sociedade. Quanto mais esse componente axiológico se incorpora à mente coletiva, menos se aceita o universo de desigualdades que formam o estofo da sociedade humana.

À luz de tal instrumento perceptivo, nenhuma razão válida justifica o cenário classista, segregacionista, impositivo, escravista e humilhante que faz o pano de fundo da ordem opressora. São perversos estigmas absolutamente incompatíveis com as condições de vida igualitárias, seguras e gratificantes em que merecem viver todos os indivíduos da espécie humana.

Não se fala apenas de direito, mas essencialmente de ética, o valor que, sem limites religiosos ou outros, há de perpassar normas, regras, leis e artifícios condicionantes concebidos para controlar o comportamento das pessoas, fazendo-as submissas ao que o poder da elite dominante entende como estratégia de manutenção da ordem. Assim deveria ser, mas não o é. Na verdade, os preceitos éticos que se universalizam com o passar do tempo são repelidos ardilosamente pela maioria dos legisladores, educadores, dirigentes e demais condutores das políticas públicas e privadas em nome de uma justiça social que não é justa, muito menos social. Fazem-no com calculada desenvoltura, multiplicada pelo imenso contingente dos inocentes úteis, que, frágeis na capacidade perceptiva, disseminam práticas e jargões afinados com os espúrios interesses dos detentores do poder. Daí a estrutura educacional desqualificada na maioria dos países, estratégia sub-reptícia concebida para manter privilégios por meio do cerceamento da conscientização humana, dificilmente atingível sem acesso à educação livre e qualificada.

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A libertação pela subversão da ordem

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A ordem ideal é a que dispensa toda e qualquer estratégia de manutenção. Sobrevive espontaneamente por mecanismos naturais. Corresponde aos anseios existenciais de todos os membros de uma sociedade. Não desperta oposição e não gera qualquer exclusão. Qualifica a vida coletiva sem desigualdades. Respeita a individualidade do ser. Não aliena. Extingue a exploração. Socializa a propriedade. Promove virtudes.

Desestimula conflitos. Adota a moeda única do afeto. Incorpora o idioma do amor. Sepulta a beligerância. Desenvolve a indústria da sensibilidade humana. Produz a tecnologia do encantamento. Dispensa fronteiras. Estimula diferenças. Unifica a cidadania. Abole a ciência das regras. Desativa o acervo de normas. Não cultiva disciplina. Edifica a ética como patrimônio maior a regulamentar conscientemente as relações entre pessoas e instituições.

Essa ordem inexiste. É mais que sonho, é uma utopia. Mas uma sociedade que se preza navega no oceano utópico da perfeição. Pretende atingir a planície da vida fértil, regada pelo sentimento cósmico do ser, não pela obrigação do ter. Não admite conviver com iniquidades sociais. Conceitua o direito como recurso de entendimento pacífico, consistentemente fundamentado para promover a igualdade, não o privilégio.

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A manutenção da ordem

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A forte convergência de múltiplas teorias elaboradas para dogmatizar a ordem econômica e o poder das elites produz resultados incontestáveis. A sociedade capitalista, que segue praticamente intacta, resistiu a todas as tentativas de revertê-la. Mostra o profundo enraizamento que chegou a alcançar no seio da população, embotando sua consciência mediante controle comportamental que se aprimora a cada ano. Insiste, com visível êxito, na tônica doutrinária de que o capitalismo é inerente

à espécie humana, não havendo, portanto, qualquer alternativa que se identifique melhor com a organização social atreita ao princípio que emana da lei do mais forte, espelhada no catecismo da natureza, tão claramente delimitado pelo darwinismo.

E a população aceita, assim, como se fossem fenômenos naturais, a desigualdade social, a violência, a criminalidade, a exploração do homem pelo homem, a fome, a miséria, o trabalho escravo, a concentração da riqueza. A sociedade configura-se em função do lucro, gerador da acumulação de capital, fonte da solidez dos donos dos meios de produção. Os espaços urbanos delineiam o apartheid entrevisto como bastião do segregacionismo econômico que impõe fronteiras fechadas às classes inferiores.

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A ordem e o atraso social

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Atraso social tem sido o contraponto do progresso gerado pela ordem, contrastando, por meio de quadros desoladores, com a euforia delirante do avanço tecnológico alcançado pela espécie humana. Está presente em todas as sociedades em graus variáveis, mas sempre facilmente identificável. Representa a imagem da miséria insanável a poluir a fotografia da realidade com manchas desbotadas que nem mesmo o Photoshop é capaz de ocultar.

A fase civilizatória vivida pela humanidade é marcada pela tecnologia deslumbrante que lhe dá a aparência de avanço antes inimaginável. O fenômeno inunda o cotidiano e traz o fascínio da robotização plena, base de uma ficção que defende a delegação ilimitada das competências humanas a engenhos criados para substituir o homem na maioria de suas atividades originais. Já não se dorme nem se desperta, não se come nem se pensa, não se fala nem se ouve sem o auxílio de apetrechos criados para aumentar o conforto de uma espécie animal que quer renegar, a qualquer preço, sua condição de integrante da natureza. Ganha-se alcance e precisão nas ações. Perde-se liberdade e privacidade na existência.

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A ordem e o progresso

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O conceito de progresso difundido na democracia capitalista está intrinsecamente relacionado ao da ordem em todas as dimensões consideradas. Não concebe a possibilidade de progresso sem que as normas em vigor sejam respeitadas, assim como não se pode imaginar o avanço da sociedade no amplo contexto do progresso sem que as instâncias de controle comportamental da cidadania funcionem com determinação.

A palavra em causa é muito utilizada pelas elites governantes. Trata-se, porém, de expressão vaga a definir conteúdo discutível, para não dizer polêmico. Há correntes de pensamento que não admitem sua existência e outras que a aceitam parcialmente. A maioria, sem dúvida, acredita no progresso. Quando se analisa, no entanto, sob o ângulo da história, a relatividade conceitual do tema aparece com evidência. De fato, a variável do tempo decorrido entre a existência de uma civilização e outra precisa ser abstraída do processo para que a comparação entre civilizações distintas, que existiram em eras diferentes, permita avaliar se o conceito de progresso, como se define na atualidade, pode ser afirmado.

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Guilherme A Silva Williams Gon Alves (18)
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A

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A

ALCA

A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) teve como ponto de partida a Primeira Cúpula das Américas, realizada em Miami em dezembro de 1994. Junto com o anfitrião do encontro, o então presidente norte-americano Bill Clinton, 33 chefes de Estado e de governo da região, entre eles o presidente do Brasil à época, Itamar Franco, e o presidente eleito Fernando Henrique Cardoso, decidiram criar uma área livre de barreiras ao comércio e ao investimento, da qual está excluída a ilha de Cuba, por não ser considerada pelos demais um país democrático. Esses líderes assumiram o compromisso de concluir as negociações até o fim do ano de 2005. As negociações, porém, não foram concluídas. Havendo sido iniciadas numa conjuntura internacional em que as teses neoliberais preponderaram em toda a região, as negociações foram interrompidas quando governos nacionalistas de esquerda foram sendo eleitos no subcontinente sul-americano nos primeiros anos da primeira década, sendo que alguns desses governos assumiram posições marcadamente antinorte-americana, o que impossibilitou qualquer avanço no sentido de criação da área de livre comércio.

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B

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B

BALANÇA DE PODER

Ver Equilíbrio de poder.

BRETTON WOODS

A Conferência Econômica de Bretton Woods, ao lado das conferências políticas de Teerã (1943), Yalta (1945) e Potsdam (1945), foi uma das mais importantes havidas durante a Segunda Guerra Mundial. Realizada entre 1 e 22 de julho de 1944, num hotel da pequena cidade norte-americana de Bretton Woods, em New Hampshire, a conferência reuniu representantes de 44 países, inclusive da antiga

União Soviética, com a finalidade de criar as instituições que formariam os pilares da nova ordem econômica internacional do pós-guerra e estabelecer seus princípios.

Os Estados Unidos eram um dos países mais interessados no

êxito da conferência. Para o governo de Franklin Roosevelt era absolutamente necessário que ao término da guerra a nova arquitetura econômico-financeira internacional estivesse concluída. Essa arquitetura constituía condição fundamental para a inserção do Estado norte-americano no novo sistema internacional.

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C

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C

COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE (CEPAL)

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)

é uma das cinco comissões regionais do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas. Criada em fevereiro de 1948, a comissão teve como objetivo primeiro o exame da economia da

América Latina para explicar as razões de seu atraso diante das economias industrializadas e para recomendar as medidas necessárias para a superação dessa desigualdade. Em julho de 1984, o conselho decidiu estender seu raio de ação para a região do Caribe e incorporar às atribuições da Cepal a promoção do desenvolvimento social de todos os países que compõem a macrorregião. Desde a sua criação, a Cepal permanece sediada em Santiago, no Chile.

Esse organismo tem desempenhado importante papel no processo de desenvolvimento da América Latina. Além de fornecer dados estatísticos sobre as economias em questão, a Cepal vem ajudando a formar uma bagagem teórica da maior relevância para o conhecimento histórico e econômico da região. Assim, qualificou técnicos para exercer tarefas de apoio junto a governos e instituições e tem servido como centro de discussão política.

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D

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D

DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento tornou-se uma questão internacional no fim da década de 1950. A importância que o tema ganhou como reflexão sobre a realidade internacional foi resultado de dois eventos concomitantes: o processo político de independência das colônias asiáticas e africanas de suas metrópoles europeias e a renovação do pensamento econômico latino-americano ocorrida logo após a Segunda Guerra Mundial.

Até os anos 1950, desenvolvimento era sinônimo de crescimento econômico. A partir de então, em razão da reflexão a respeito da experiência dos países pobres que lutavam para melhorar sua condição, introduziu-se uma diferenciação conceitual. A ideia de crescimento econômico supõe que a acumulação de capital e o investimento produtivo por parte dos proprietários de fatores de produção são por si só suficientes para promover a elevação da qualidade de vida de todos que compõem a nação. A diferença que o conceito de desenvolvimento apresenta é que ele vai além da mera variação quantitativa da economia; ele supõe, nas palavras de François Perroux, “a expansão das atividades dos homens em relação aos homens pela troca de bens ou serviços e pela troca de informação e de símbolos”

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E

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E

ECONOMIA POLÍTICA INTERNACIONAL

O estudo da relação entre política e economia começou a ganhar espaço a partir da década de 1970, quando assuntos econômicos passaram a ter prevalência crescente no estudo das relações internacionais, ao lado de temas tradicionais como segurança e política internacional. A economia política internacional (EPI) trata prioritariamente das relações financeiras e de comércio entre os Estados, das relações entre o Estado e o mercado, bem como dos arranjos políticos necessários para o sucesso de iniciativas de cooperação, com vistas à criação e à manutenção de instituições destinadas à regulação da economia internacional (regimes internacionais). Temas pertinentes à EPI são as relações econômicas entre os países do norte, o abismo econômico entre os países do norte e os do sul, as formas de imperialismo político-econômico, o papel dos atores não governamentais no sistema econômico internacional, a assistência financeira internacional, os investimentos externos, o débito internacional e os processos de integração regional, entre outros. Dentre as teorias e os conceitos consagrados no campo da EPI estão a noção de bens coletivos e sua problemática para a obtenção da cooperação internacional, a teoria de estabilidade hegemônica e a teoria da dependência.

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Jackson Robert S Rensen Georg (11)
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10. Política externa

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10

Política externa

O conceito de política externa� 350

Análise de política externa�

351

Como estudar política externa: uma abordagem do nível de análise�

356

O nível sistêmico�

O nível do Estado-nação�

357

359

O nível do indivíduo responsável pela tomada de decisões�

365

Indo à guerra no golfo Pérsico:

368 um estudo de caso�

Nota sobre especialistas e think tanks�

373

Pontos-chave�

377

Questões�

378

Orientação para leitura complementar�

379

Links�

379

Resumo

Este capítulo trata das teorias e abordagens envolvidas na análise de política externa, um estudo do gerenciamento das relações e atividades externas de

Estados-nação como algo distinto de suas políticas domésticas. O capítulo foi organizado da seguinte maneira: primeiro se delineia o conceito de política externa, depois se discutem várias abordagens desse tipo de análise. Os argumentos das principais teorias são apresentados usando-se uma abordagem de “nível de análise” que compreende o nível do sistema internacional, o do Estado-nação e o do indivíduo responsável pela tomada de decisões. Um estudo de caso sobre a Guerra do Golfo demonstra como é possível conciliar entendimentos de diversas abordagens da análise de política externa e se encerra com comentários sobre os limites desse tipo de conhecimento. Finalmente, inclui-se uma nota sobre especialistas e think tanks de política externa para indicar o volume das pesquisas sobre o tema, que se estendem muito além das universidades.

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11. Questões-chave em RI contemporâneas

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11

Questões-chave em RI contemporâneas

Introdução �

382

Conclusão �

416

Terrorismo internacional�

382

Pontos-chave�

417

Religião nas RI: um choque de civilizações? �

Questões�

418

390

O meio ambiente �

398

Orientação para leitura complementar�

418

Links�

419

Novos padrões de guerra e paz: mudanças na condição do Estado�

406

Resumo

Este capítulo discute quatro das mais importantes questões contemporâneas em RI: terrorismo internacional, religião, meio ambiente e novos padrões de guerra e paz. Alguns desses temas já eram evidentes anteriormente, mas por muitas razões ganharam proeminência apenas na agenda atual. O capítulo discute ainda as diferentes maneiras pelas quais esses assuntos são analisados pelas várias teorias apresentadas neste livro.

382 Política e questões

Introdução

Este capítulo discute quatro das mais importantes questões levantadas por acontecimentos atuais. Poderíamos ter optado por outras questões, mas nossas escolhas são suficientes para ilustrar como diferentes temas podem surgir na disciplina e mudar seu enfoque teórico. Um tema de RI surge quando uma questão é considerada importante em termos de valor e de teoria. Os valores são relevantes porque a decisão do que é ou não importante é sempre tomada com base em valores. Ao mesmo tempo, é preciso trazer a teoria à discussão porque para se argumentar em favor de um novo tema é necessária uma ideia da importância deste para o estudo das RI. Por essas razões, as novas questões frequentemente estão associadas a novas abordagens de RI.

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1. Por que estudar RI?

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1

Por que estudar RI?

Conclusão�

As relações internacionais na vida cotidiana�

26

Breve descrição histórica do sistema de Estados �

35

Globalização e o sistema de Estados�

45

As RI e o mundo contemporâneo

48 dos Estados em transição �

55

Pontos-chave�57

Questões �

58

Orientação para leitura complementar�59

Links�59

Resumo

Este capítulo responde à pergunta “por que estudar RI?”. Começa apresentando as bases sociais e históricas das relações internacionais, ou RI. O objetivo é enfatizar a realidade prática das relações internacionais em nossas vidas e associá-la ao seu estudo acadêmico. Essa ligação é feita, aqui, focando o principal tema histórico das RI: os Estados soberanos modernos e as relações internacionais do sistema de Estados. Por que existem Estados e sistemas de Estados? Três tópicos centrais são discutidos: o significado das relações internacionais na vida cotidiana e os principais valores providos pelos Estados; a evolução histórica do sistema de

Estados e da economia mundial; e o mundo contemporâneo de Estados em transição.

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2. RI como um tema acadêmico

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2

RI como um tema acadêmico

Introdução�

Liberalismo utópico: o estudo inicial de RI�

62

64

Economia política internacional (EPI)�

88

Vozes dissidentes: abordagens alternativas de RI�

91

O realismo e os vinte anos de crise�

71

Qual teoria?�

94

A voz do behaviorismo nas RI�

75

Conclusão�

96

Pontos-chave�

96

Questões�

98

Orientação para leitura complementar�

98

Links�

99

Neoliberalismo: instituições e interdependência� 79

Neorrealismo: bipolaridade e confronto�

Sociedade internacional: a escola inglesa�

82

84

Resumo

Este capítulo mostra como o pensamento que diz respeito às relações internacionais se desenvolveu a partir do momento em que estas se tornaram uma disciplina acadêmica, por volta da Primeira Guerra Mundial. As abordagens teóricas são um produto de sua própria época: focam os problemas das relações internacionais considerados os mais importantes no momento. Apesar de tudo, as tradições renomadas lidam com questões internacionais de relevância permanente: guerra e paz, conflito e cooperação, riqueza e pobreza, desenvolvimento e subdesenvolvimento. Neste capítulo, vamos nos concentrar em quatro tradições consagradas das RI: o rea­lismo, o liberalismo, a sociedade internacional e a economia política internacional (EPI). Também vamos apresentar algumas abordagens alternativas recentes que desafiam as tradições já consolidadas.

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3. Realismo

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3

Realismo

Introdução: elementos do realismo�

104

Realismo clássico�

106

Tucídides�

Maquiavel�

106

108

Hobbes e o dilema de segurança�

110

Morgenthau e o realismo clássico 112

Repensando o equilíbrio de poder �

133

Duas críticas contra o realismo�

136

Programas e perspectivas de pesquisa�

142

Pontos-chave�

144

Questões�

146

Schelling e o realismo � estratégico�

117

Waltz e o neorrealismo�

121

Mearsheimer, teoria da estabilidade e hegemonia�

Orientação para leitura complementar�

146

125

Links �

147

Realismo neoclássico�

131

Resumo

Este capítulo descreve a tradição realista das RI e observa uma importante dicotomia neste pensamento entre as abordagens clássicas e contemporâneas acerca da teoria, incluindo abordagens estratégicas e estruturais. Realistas clássicos enfatizam os aspectos normativos do realismo, assim como os empíricos. A maioria dos realistas contemporâneos segue uma análise científica social das estruturas e dos processos da política mundial, mas tende a ignorar normas e valores. O capítulo discute tanto tendências clássicas como contemporâneas do pensamento realista. Ele examina um recente debate teórico entre intelectuais das RI de viés realista quanto à relevância do conceito de equilíbrio de poder. Em seguida analisa duas críticas à doutrina realista: uma da sociedade internacional e outra emancipatória. A última seção avalia as perspectivas para a tradição realista como um programa de pesquisa em RI.

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