Boyle David (5)
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4. O legado do Manifesto

BOYLE, David Zahar PDF Criptografado

arx morrera sem pátria nem testamento legal em 1883. Foi enterrado no cemitério de Highgate, em

Londres, onde seu túmulo ainda é local de peregrinação para marxistas de todo o mundo. Sua enorme coleção de cartas e cadernos foi entregue a Engels para que completasse o trabalho de Marx. Por mais de uma década Engels lutou para finalizar O capital, antes de morrer de câncer, em 1895; suas cinzas foram espalhadas por Beachy Head, em

Sussex. O terceiro e último volume de O capital só seria publicado em 1894, na Alemanha. Uma tradução pirata para o inglês foi lançada em Nova York e tornou-se logo best-seller, pois houve um mal-entendido em Wall Street quanto ao assunto abordado pelo livro.

Durante grande parte de suas vidas, a esperança de que suas profecias se tornassem realidade — o que o

Manifesto chama de “derrubada violenta das condições sociais existentes” — parecia remota. Mas apenas vinte e três anos após a morte de Engels, as ideias que ele e Marx expuseram ao mundo viram-se postas em prática. Foi o momento na história em que um punhado de jovens idealistas — duas gerações depois daqueles primeiros leitores do chamado às armas do Manifesto — de repente vira93

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5. O desfecho

BOYLE, David Zahar PDF Criptografado

colapso do comunismo como modelo alternativo para o mundo no final dos anos 1980 não fora exatamente uma surpresa, mas também não poderia ter sido previsto com quinze anos de antecedência. A derrota na Guerra do Vietnã e a queda de Saigon representaram um grande estrago para os Estados Unidos em sua posição de líder dos governos anticomunistas do Ocidente — assim como a invasão soviética do Afeganistão, em 1979 — e durante certo tempo parecia se confirmar a teoria do dominó.

Esse também foi o caso da Europa, onde uma nova espécie de marxismo — conhecido como “eurocomunismo” e que procurava se distanciar dos excessos do governo stalinista — começava a se desenvolver, graças aos esforços de Santiago Carrillo, veterano da Guerra

Civil Espanhola, cujo livro Eurocomunismo e o Estado fora publicado e influenciara muitas pessoas, em 1976.

Carrillo e seus seguidores defendiam os direitos humanos e aceitavam que o setor privado continuasse a existir.

Deixaram os marxistas puristas furiosos ao mostrar que as desigualdades não haviam desaparecido nem na

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1. Contexto e criadores

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uando os autores do Manifesto comunista, Karl Marx e Friedrich Engels, nasceram, ainda se podiam sentir as consequências da primeira grande revolução na Europa. A Revolução Francesa de 1789 foi a primeira grande revolta social a desafiar a velha ordem europeia. Os pais de Marx e de Engels fizeram parte da primeira geração que cresceu consciente de que uma mudança radical, repentina e esmagadora era algo possível na sociedade.

Antes de 1789, as grandes nações da Europa — inclusive a Alemanha, terra natal dos dois autores — haviam sido governadas por uma monarquia poderosa, apoiada pela nobreza privilegiada e pelo clero. Mas uma nova classe média — descrita como “burguesia” no Manifesto

— emergia em todo o continente, principalmente na Inglaterra recém-industrializada, enquanto a classe operária se concentrava nas então recentes cidades industriais.

Tendo em mente a Revolução Francesa enquanto formulavam o documento, Marx e Engels desenvolveram a ideia de que, na França daquela época, a velha ordem testemunhava o aumento da pressão da burguesia e o poder do dinheiro, de modo que um dia se acabariam os privilégios aristocráticos e eclesiais. Na França anterior a 1789,

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3. Impacto imediato

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ossa era, a era da democracia, passa por uma fratura”, escreveu Engels, quase sem conter a satisfação ao ter notícia da primeira revolta francesa em 1848, no momento em que ele e Marx entregavam o texto à gráfica. Tudo o que fora dito pelo Manifesto comunista parecia estar acontecendo. No entanto, não se pode dizer que o livro tenha provocado os eventos. A rebelião irrompera antes que a tinta estivesse seca sobre as folhas de papel, e a primeira edição foi de apenas mil cópias

— em alemão.

A versão original foi publicada provavelmente no dia 24 de fevereiro de 1848. A composição tipográfica ficou a cargo da Sociedade Cultural dos Trabalhadores, em Londres, e foi enviada às pressas para uma gráfica perto da Liverpool Street. Seus primeiros leitores foram imigrantes alemães — o documento fora publicado em série no Deutsche Londoner Zeitung, semanário liberal para alemães refugiados em Londres —, junto com um punhado de franceses, belgas e alguns membros do movimento cartista em Londres.

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2. O documento

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MANIFESTO

O MANIFESTO

COMUNISTA

O DOCUMENTO

Um espectro ronda a Europa — o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa uniram-se numa Santa Aliança para exorcizá-lo: o papa e o czar,

Metternich e Guizot, os radicais franceses e os espiões da polícia alemã.

Que partido de oposição não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição também não lançou contra seus adversários progressistas ou reacionários o estigma do comunismo?

Daí decorrem dois fatos:

1. O comunismo já é considerado uma força por todas as potências da

Europa.

2. Já é tempo de os comunistas publicarem abertamente, diante de todo o mundo, suas ideias, seus fins, suas tendências, opondo à lenda do comunismo um manifesto do próprio partido.

Para isso, comunistas de várias nacionalidades reuniram-se em Londres e redigiram o manifesto a seguir, a ser publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.

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Gianturco Adriano (25)
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Capítulo 18 – Impostos

GIANTURCO, Adriano Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 18

IMPOSTOS

Quase nenhum manual de ciência política analisa os impostos. Não se estudam e não se ensinam. Mas dá para ter política sem impostos? Como se sustenta a política senão por meio dos impostos? Os impostos são a seiva da política. Não se pode estudar a política transcendendo deles. Quais são as implicações de um estudo da política sem os impostos? Por que não se estudam? Alguém tira vantagem dessa falta? Estudar os impostos de forma analítica e científica traz implicações importantes e talvez perigosas?

18.1 ORIGEM DOS IMPOSTOS

Vimos que na terceira etapa de Oppenheimer, o estado começa a cobrar alguma forma de tributo. Agora o excedente passa a ser levado regularmente pelos camponeses aos pastores. Essa prática também surge por conveniência. Os agricultores evitam as não gratas visitas na própria comunidade, onde as mulheres podiam ser estupradas e alguns serem ameaçados, humilhados, agredidos etc. e os pastores, poupando o tempo da viagem, podem se dedicar a outras conquistas. Os bandos de pastores-caçadores que dominam algumas comunidades de camponeses, então, começam a cobrar impostos de forma moderna. Quando isso acontece exatamente varia de lugar para lugar e importa

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Capítulo 11 – Governo e divisão de poderes

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Capítulo 11

GOVERNO E DIVISÃO DE PODERES

De junho de 2010 a dezembro de 2011, a Bélgica esteve sem governo. Os dois principais grupos étnico-linguísticos (flamingo e francófono) que historicamente compartilham o poder não chegaram a um consenso, e houve um impasse, uma paralisia, não houve acordo para formar um governo. Do final de 2015 ao final de 2016, a

Espanha ficou por um ano sem governo, pelas dificuldades de criar uma coalizão majoritária dentro do parlamento. Isso não significa que os dois países ficaram sem estado, sem uma organização que comandasse e governasse. O estado continuou funcionando, cumprindo as funções básicas de polícia, justiça, saúde, ensino, entre outras, ou seja, ordinária administração. Não havia governo para fazer novas legislações. Na Bélgica, o PIB cresceu muito (2,3%, em 2010, e 1,8%, em 2011) em relação aos anos precedentes e aos sucessivos e para os padrões normais dos países ricos; na Espanha, o PIB cresceu 3,2%.

Nos EUA, existe um mecanismo automático que pode levar ao shutdown, ao fechamento do governo federal (não dos estaduais). Aconteceu 18 vezes, várias vezes nos anos 1980, cada vez por poucos dias, por 28 dias entre 1995 e 1996 e por 16 dias em 2013. Trata-se de um dispositivo legal automático que fecha o governo federal quando este está em dívida e sem recursos para continuar as atividades, pagar os salários assim sucessivamente.

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Capítulo 22 – Análise das políticas públicas

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Capítulo 22

ANÁLISE DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Continuando no estudo específico dos outputs da politics: as policies, as políticas públicas, analisaremos como são aprovadas, quais são os interesses em jogo e como analisá-las, observá-las e medir seu impacto.

22.1 O PROCESSO LEGISLATIVO. GRUPOS, ELITES E GARBAGE CAN

A primeira fase do processo de criação de uma política pública é a politização de determinada questão. Alguns atores sociais, seja porque consideram que dada questão deve ser resolvida por meio da atuação política, seja porque querem ganhar alguma renda política, organizam-se (ação coletiva) em grupos de interesse, grupos de pressão, minorias organizadas, e fazem lobismo para inserir tal questão na agenda dos grupos políticos que movem o estado. Outras vezes, e ao mesmo tempo, os próprios atores políticos querem politizar determinada questão, seja para sinalizar proatividade ao eleitorado, seja para resolver um problema real, e buscam o apoio de outros agentes políticos e também de atores sociais vários para emplacar sua agenda.

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Capítulo 3 – Public Choice

GIANTURCO, Adriano Grupo Gen PDF Criptografado

Capítulo 3

PUBLIC CHOICE

Analisar “a política sem romance”1 é o objetivo e, ao mesmo tempo, o melhor resumo desta Escola de Pensamento.

A Public Choice parte de uma abordagem neutra, cética, fria, analítica, científica, realista. A Escola da Public Choice (ou

Escolha Pública) é uma vertente, “um programa de pesquisa”

(Buchanan) que analisa a política, com os métodos da ciência econômica e especificamente da Escola Neoclássica. Algumas pessoas podem ter a tendência a pensar que a política seja algo positivo, que está lá para suprir nossas vontades, para servir o bem comum, e que representa os interesses do povo por meio de um processo bottom-up por delegação, ou seja, uma visão idealista da política.

Alguns dos autores mais importantes são Gordon Tullock,

Anthony Downs, Richard Wagner, James Buchanan, William

Niskanen, Mancur Olson e Bryan Caplan. Nos anos 1960,

Buchanan ganhou uma bolsa de estudos e foi estudar na Itália.

Lá descobriu a Escola de Finanças Públicas Italiana (Einaudi,

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Capítulo 20 – Renda política e corrupção

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Capítulo 20

RENDA POLÍTICA E CORRUPÇÃO

A corrupção é um dos assuntos que interessam mais os leigos e a mídia. Cada escândalo dá uma boa manchete de jornal, uma boa primeira página e parece ser cada vez uma história nova e diferente. Isso gera vários riscos:

1. Estéril reclamação.

2. Visão acidental. “Shits happen”, fala um ditado americano. A ideia é que coisas erradas acontecem, é a vida, os erros são normais, são os acidentes de percurso. A corrupção é uma falha da política, é um acidente, uma exceção estatística, uma anomalia, uma patologia, um desvio da alta e nobre função da política. Esta visão acidental poderia até ser o ponto conclusivo de uma análise científica, mas se é o ponto de partida aí se exclui a priori a possibilidade que se trate da normalidade da política, de parte integrante dela, de uma característica inerente a ela.

3. A falácia do caso específico. Às vezes, tende-se a observar e analisar os diferentes casos de corrupção que acontecem todos os dias no mundo inteiro. As notícias da mídia geram público, escândalo e indignação. As pessoas acompanham os detalhes do último caso vendo exatamente como, quando, quanto quem desviou de dinheiro etc. Alguém pode se perder nesse mar de in-

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Jackson Robert S Rensen Georg (11)
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6. Economia política internacional: teorias clássicas

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

6

Economia política internacional: teorias clássicas

Introdução: o que é EPI?�

230

Pontos-chave�

249

Mercantilismo�

233

Questões�

249

Liberalismo econômico�

236

Marxismo�

240

Orientação para leitura complementar�

250

Conclusão�

248

Links�

250

Resumo

Este capítulo explica a relação entre política e economia, entre Estados e mercados nos assuntos mundiais. Em última análise, a EPI se refere à riqueza e à pobreza, sobre quem ganha o quê no sistema político e econômico internacional. As teorias clássicas mais importantes nessa área são o mercantilismo, o liberalismo econômico e o neomarxismo. Em um sentido mais amplo, essas são “teorias” formadas por um conjunto de suposições e valores por meio dos quais o campo da EPI pode ser abordado. Apresentamos cada uma delas detalhadamente; o próximo capítulo analisa o mais importante debate entre elas.

230 Teorias clássicas

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2. RI como um tema acadêmico

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

2

RI como um tema acadêmico

Introdução�

Liberalismo utópico: o estudo inicial de RI�

62

64

Economia política internacional (EPI)�

88

Vozes dissidentes: abordagens alternativas de RI�

91

O realismo e os vinte anos de crise�

71

Qual teoria?�

94

A voz do behaviorismo nas RI�

75

Conclusão�

96

Pontos-chave�

96

Questões�

98

Orientação para leitura complementar�

98

Links�

99

Neoliberalismo: instituições e interdependência� 79

Neorrealismo: bipolaridade e confronto�

Sociedade internacional: a escola inglesa�

82

84

Resumo

Este capítulo mostra como o pensamento que diz respeito às relações internacionais se desenvolveu a partir do momento em que estas se tornaram uma disciplina acadêmica, por volta da Primeira Guerra Mundial. As abordagens teóricas são um produto de sua própria época: focam os problemas das relações internacionais considerados os mais importantes no momento. Apesar de tudo, as tradições renomadas lidam com questões internacionais de relevância permanente: guerra e paz, conflito e cooperação, riqueza e pobreza, desenvolvimento e subdesenvolvimento. Neste capítulo, vamos nos concentrar em quatro tradições consagradas das RI: o rea­lismo, o liberalismo, a sociedade internacional e a economia política internacional (EPI). Também vamos apresentar algumas abordagens alternativas recentes que desafiam as tradições já consolidadas.

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7. Economia política internacional: debates contemporâneos

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

7

Economia política internacional: debates contemporâneos

Introdução: o complexo cenário da EPI�

254

O poder e a relação entre política e economia�

255

Desenvolvimento e subdesenvolvimento no mundo em desenvolvimento�

265

O que é globalização econômica e a quem beneficia?�

275

Conclusão: o futuro da EPI�

285

Pontos-chave�

286

Questões�

287

Orientação para leitura complementar�

288

Links�

288

Resumo

Este capítulo apresenta três importantes debates abordados pela EPI. O primeiro diz respeito à relação exata entre a política e a economia. A política controla a economia ou seria o contrário? Essa discussão é crucial para nossa compreensão de quem detém o poder no mundo de hoje. O segundo debate tem como tema o desenvolvimento e o subdesenvolvimento no mundo em desenvolvimento. Uma série de países em desenvolvimento são atualmente modernizadores bem-sucedidos, incluindo China, Índia e Brasil, mas isso não significa que devemos esperar que a modernização tenha êxito por toda parte.

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8. Construtivismo social

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

8

Construtivismo social

Introdução�

290

Formação doméstica de identidade e normas�

308

EPI construtivista�

311

A ascensão do construtivismo em RI�

291

O construtivismo como teoria social�

293

Críticas ao construtivismo�

312

Teorias construtivistas de relações internacionais�

299

O projeto de pesquisa construtivista�

316

Pontos-chave�

318

Questões�

319

Orientação para leitura complementar�

320

Links�

320

Culturas da anarquia�

299

Normas da sociedade internacional�302

O poder das organizações internacionais�304

Uma abordagem construtivista da cooperação europeia�

307

Resumo

Este capítulo apresenta a teoria do construtivismo social em RI. Explicamos de onde vem o construtivismo e por que ele se estabeleceu como uma abordagem importante em RI. O construtivismo

é examinado tanto como metateoria sobre a natureza do mundo social quanto como uma teoria substancial de RI. São apresentados vários exemplos da teoria construtivista em RI, seguidos de reflexões sobre os pontos fortes e fracos da abordagem.

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5. Sociedade internacional

JACKSON, Robert; SØRENSEN, Georg Zahar PDF Criptografado

5

Sociedade internacional

Abordagem básica da sociedade internacional�

192

As três tradições�

198

Ordem e justiça�

200

Império e sociedade mundial�

A arte de governar e a responsabilidade�

Responsabilidade nacional�

Responsabilidade humanitária e guerra�

212

Críticas à sociedade internacional�

217

205

A atual agenda de pesquisa�

221

208

Pontos-chave�

224

209

Questões�

225

Orientação para leitura complementar�

226

Links�

227

Responsabilidade internacional�209

Responsabilidade humanitária�210

Resumo

A escola da sociedade internacional, também conhecida como escola inglesa de

RI (Buzan 2014), é uma abordagem da política mundial que tem como foco a história, as ideias, as estruturas, as instituições e os valores internacionais. As suposições básicas são: (1) a de que as relações internacionais fazem parte das relações humanas, as quais possuem valores básicos como independência, segurança, ordem e justiça; (2) o acadêmico de RI é chamado para interpretar os pensamentos e as ações de pessoas envolvidas nas relações internacionais; (3) anarquia internacional é um conceito importante, mas não uma premissa exclusiva

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Lisboa Bacha Edmar (19)
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Medium 9788521618676

19- Desindustrialização no Brasil: Fatos e Versões

Lisboa Bacha, Edmar Grupo Gen PDF Criptografado

19

Desindustrialização no Brasil:

Fatos e Versões1

Regis Bonelli

Samuel de Abreu Pessôa

“Since its origins in the 1950s, the study of development economics has been concerned with similarities in the way countries grow”

(Syrquin e Chenery, 1989, p. 145).

1 INTRODUÇÃO

A análise do desempenho da indústria brasileira mostra que esse setor é o mais dinâmico da economia e também o mais exposto às flutuações de curto prazo associadas às crises externas que nos atingiram, bem como às medidas de política econômica adotadas para estabilizar a economia. Mas a existência dessas flutuações não deve desviar nossa atenção das tendências mais longas e de efeitos mais permanentes.

Em parte por causa das flutuações de curto e médio prazos, existe no Brasil preocupação com a perda de importância relativa da indústria na economia. As razões para essa preocupação se baseiam no temor de que o crescimento da produção, do emprego, da produtividade e do investimento industrial no Brasil venha ocorrendo em ritmo inferior ao do total da economia. Existe também a preocupação com o fato de que o Brasil tem crescido menos do que um grupo de países emergentes de crescimento industrial rápido. Mais recentemente, o debate ganhou intensidade com afirmações apontando para a existência de um processo de desindustrialização em marcha no país.2

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3- uma Comparação dos Programas de Quantitative Easing Adotados Pelos Bancos Centrais dos Países Desenvolvidos

Lisboa Bacha, Edmar Grupo Gen PDF Criptografado

3

Uma Comparação dos Programas de

Quantitative Easing Adotados pelos Bancos

Centrais dos Países Desenvolvidos

Deborah B. A. C. de Oliveira

1 Introdução

Em um livro sobre os novos dilemas da macroeconomia não poderia faltar uma discussão sobre a aplicação e os efeitos decorrentes do conjunto de medidas expansionistas não convencionais de política monetária, implementadas em todos os países centrais, durante a recente crise financeira, denominadas quantitative easing (QE). A referência para essa incursão em um mundo desconhecido, de efeitos ainda incertos, foram as medidas de quantitative easing adotadas pelo Banco Central do Japão no início da década, quando a economia japonesa viveu o pior período de estagnação e deflação.

O objetivo deste artigo é expor os diferentes exercícios de quantitative easing efetuados recentemente nos Estados Unidos, Inglaterra e Zona do Euro e oferecer uma análise comparativa do tamanho dessas medidas não convencionais, tipos de programa e efeitos sugeridos pelas duas principais referências acadêmicas internacionais, Joyce et al. (2010) e Gagnon et al. (2010).

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13- Independência Monetária Parcial: o Excesso de Correlação entre Câmbio e Juros Longos

Lisboa Bacha, Edmar Grupo Gen PDF Criptografado

13

Independência Monetária Parcial: o Excesso de Correlação entre Câmbio e Juros Longos1

Diogo Guillén

Thomas Wu

1 Introdução

Um importante resultado do modelo de Mundell-Fleming,2 conhecido como Trindade Impossível, implica que, em países onde fluxos de capital entre residentes e não residentes são permitidos, existe um trade-off entre os graus de independência das políticas cambial e monetária. Se o governo opta por uma taxa de câmbio administrada, seja para prover uma âncora nominal, seja para estimular o crescimento por meio das exportações líquidas, então ele perde a autonomia sobre a taxa de juros, que passa a flutuar ao sabor dos fluxos de capitais. Porém, se a opção é por um regime monetário em que a taxa de juros é fixada de forma a combater os ciclos econômicos, visando a manter preços e produtos estáveis, então se perde a autonomia sobre a taxa de câmbio, cuja dinâmica passa a ser determinada pelas condições do balanço de pagamentos.

De julho de 1994 a janeiro de 1999, o Brasil escolheu abrir mão da independência monetária em troca de uma âncora cambial, com o objetivo de completar o processo de desindexação iniciado, com sucesso, pela URV, três meses antes da introdução do real. Nesse período, coube à taxa de juros a indigesta responsabilidade de absorver os choques externos deflagrados pelas crises mexicana em 1995, asiática em 1997 e russa em 1998. Em cada um desses episódios, os fluxos adversos, com consequente elevação súbita do prêmio de risco, tiveram de ser compensados por níveis estratosféricos da taxa Selic. Após a crise cambial em janeiro de 1999, o papel de âncora nominal passou a ser desempenhado por uma meta para a inflação. A política monetária se preparava, assim, para recuperar sua independência, ao assumir a responsabilidade de manter as expectativas inflacionárias ancoradas ao redor da meta, ao mesmo tempo em que transferia para a taxa de câmbio o papel de absorver os choques externos.

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27- Financiamento do Investimento

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27

Financiamento do Investimento

1

Julio Dreizzen

1 Introdução

Há 25 anos, com a orientação de Dionisio Dias Carneiro, defendi na PUC do Rio de Janeiro minha tese de mestrado sobre Fragilidade Financeira e Inflação, que pouco depois seria publicada pelo BNDES

(Dreizzen, 1985). O trabalho discute e formaliza as ideias de Hyman P. Minsky sobre fragilidade financeira e as situa no contexto de economias com inflação e instabilidade macroeconômica. Recentemente foi reeditado o livro Stabilizing an Unstable Economy (Minsky, 2008), em cuja primeira edição, de

1986, o autor apresentou seus principais desenvolvimentos teóricos.

A crise do Lehman Brothers revelou ao mesmo tempo uma série de questões que podem ser analisadas de uma ótica “minskyana”: a. o excesso de endividamento dos agentes econômicos na etapa ascendente do ciclo econômico; b. �as incertezas sobre os fluxos de fundos futuros e, por conseguinte, sobre a capacidade de servir as dívidas por parte daqueles agentes; c. as fraquezas dos modelos e dos pressupostos implícitos para a avaliação dos ativos; e d. os erros das agências de avaliação de risco e dos participantes do mercado ao analisar riscos.

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22- A Deterioração do Regime Fiscal no Segundo Mandato de Lula e Seus Desdobramentos

Lisboa Bacha, Edmar Grupo Gen PDF Criptografado

22 A Deterioração do Regime Fiscal no Segundo

Mandato de Lula e Seus Desdobramentos

Rogério Werneck

No Brasil, o efeito mais grave da recente crise econômica mundial adveio da onda de afrouxamento generalizado de restrições orçamentárias que teve origem nas economias avançadas. A crise deu ao governo pretexto para mudanças substanciais no regime fiscal e nas relações entre o Estado e a economia. A metade final do segundo mandato do Presidente Lula tem sido marcada por clara deterioração de contas públicas, com expansão mais acelerada de gastos primários e compromisso cada vez mais frouxo com o cumprimento estrito de metas fiscais. Revelando preferência inequívoca por soluções de project financing intensivas em recursos públicos, o governo tem recorrido à emissão de dívida pelo Tesouro para promover rápida expansão do crédito estatal subsidiado. As mudanças vêm implicando reversões de avanços institucionais importantes que chegaram a parecer definitivos, como a absoluta separação entre as contas do setor público não financeiro e das instituições financeiras federais. O artigo analisa a extensão dessa multifacetada deterioração do regime fiscal e seus possíveis desdobramentos.

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Silva Guilherme A Gon Alves Williams (18)
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U

SILVA, Guilherme A; GONÇALVES, Williams Editora Manole PDF Criptografado

U

UNIÃO EUROPEIA (UE)

Bloco regional europeu instituído pelo Tratado de Maastricht, assinado pelos doze Estados-membros na cidade holandesa de Maastricht em 7 de fevereiro de 1992, que entrou em vigor em 1o de novembro de 1993, após sua ratificação. A União Europeia é formada por 27 Estados-membros. O processo de construção da UE começou com a reunião de seis Estados: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Em 1973 houve a adesão de Dinamarca, Irlanda e Reino Unido. A Grécia passou a participar em 1981.

Em 1986 ingressaram Espanha e Portugal. Em 1995 foi a vez de Áustria, Finlândia e Suécia. Por fim, em 1o de maio de 2004, incorporaram-se dez novos membros, entre os quais oito países do antigo bloco comunista: Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia,

Lituânia, Malta, Polônia e República Checa. Em 2007, Bulgária e

Romênia ingressaram no bloco regional. A Croácia, a República da

Macedônea e a Islândia aguardam com a Turquia a decisão de seu pedido de ingresso. Em 1986, mediante a assinatura do Ato Único

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E

SILVA, Guilherme A; GONÇALVES, Williams Editora Manole PDF Criptografado

E

ECONOMIA POLÍTICA INTERNACIONAL

O estudo da relação entre política e economia começou a ganhar espaço a partir da década de 1970, quando assuntos econômicos passaram a ter prevalência crescente no estudo das relações internacionais, ao lado de temas tradicionais como segurança e política internacional. A economia política internacional (EPI) trata prioritariamente das relações financeiras e de comércio entre os Estados, das relações entre o Estado e o mercado, bem como dos arranjos políticos necessários para o sucesso de iniciativas de cooperação, com vistas à criação e à manutenção de instituições destinadas à regulação da economia internacional (regimes internacionais). Temas pertinentes à EPI são as relações econômicas entre os países do norte, o abismo econômico entre os países do norte e os do sul, as formas de imperialismo político-econômico, o papel dos atores não governamentais no sistema econômico internacional, a assistência financeira internacional, os investimentos externos, o débito internacional e os processos de integração regional, entre outros. Dentre as teorias e os conceitos consagrados no campo da EPI estão a noção de bens coletivos e sua problemática para a obtenção da cooperação internacional, a teoria de estabilidade hegemônica e a teoria da dependência.

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T

SILVA, Guilherme A; GONÇALVES, Williams Editora Manole PDF Criptografado

T

TEORIA CRÍTICA

A teoria crítica forma, junto com o pós-modernismo e o construtivismo, abordagens conceituais definidas como componentes da teoria do conhecimento ou reflexivismo. Como característica comum, essas abordagens conceituais questionam os princípios e métodos positivistas adotados pelas correntes mais difundidas no estudo das relações internacionais, como o realismo e o idealismo. Defendem o argumento de que não há fatos objetivos, tão somente definições e teorias que, por sua vez, criam a percepção de que fatos existem. Assim, a análise da linguagem e do discurso é essencial para compreender o processo de transformação daquilo que é apenas interpretação em realidade.

A teoria crítica se diferencia, no entanto, por estar fundamentada nos princípios da sociologia crítica, particularmente nos trabalhos da Escola de Frankfurt e de seu maior expoente, Jürgen Habermas.

Segundo Habermas, há três tipos de interesse constitutivo do saber

(knowledge-constitutive interests): o técnico, o prático e o emancipatório. O primeiro se refere às necessidades materiais e à busca do controle da natureza. O segundo se refere à busca da mútua compreensão entre indivíduos e grupos humanos por intermédio da linguagem, de símbolos, normas e ações. O terceiro, o emancipatório, diz respeito à capacidade humana de refletir, o que nos permite identificar as formas de poder que inibem a realização dos potenciais humanos. A teoria crítica reflete esses interesses cognitivos emancipatórios.

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FEMINISMO

O feminismo como corrente teórica no estudo das Relações Internacionais começa a conquistar relevância com o fim da Guerra

Fria, na década de 1980. Até então os temas de “alta política” dominavam os estudos da área, particularmente aqueles referentes à guerra. Segundo J. Ann Tickner, esses são temas relacionados à experiência dos homens, considerados especialistas em assuntos militares, o que implícita ou explicitamente serve como argumento para a exclusão da participação da mulher nos assuntos internacionais (Tickner,

2003). Com o fim da Segunda Guerra, a agenda de estudos em relações internacionais se amplia e passa a incorporar temas como conflitos étnicos, globalização, democratização, direitos humanos, feminismo, entre outros.

A reavaliação metodológica e ontológica das Relações Internacionais como campo de pesquisa acadêmica, ocorrida sobretudo a partir da década de 1990, representa outro importante fator. Não apenas temas novos foram incorporados à disciplina como também perspectivas metodológicas diversas daquelas tradicionalmente adotadas pelas ciências sociais. Quase sempre de natureza interdisciplinar, esse foi o caso da abordagem feminista, que se utiliza do método hermenêutico, bem como daqueles de cunho histórico e humanístico. Dessa forma, o feminismo encontrou ambiente propício para o questionamento das próprias estruturas sociais, domésticas ou internacionais. Como resultado, o movimento denunciou hierarquias sociais apoiadas sobre a divisão do gênero humano entre homens e mulheres (gênero de sexo).

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SANTA ALIANÇA

A Santa Aliança constituiu a tentativa das três potências vitoriosas na guerra contra Napoleão – Rússia, Prússia e Áustria – de impedir o avanço das ideias nacionalistas e constitucionalistas nas áreas sob sua influência. Assinada em 26 de setembro de 1815, a Santa

Aliança foi concebida por Alexandre I, imperador da Rússia, como a união dos três ramos da família cristã europeia – os ortodoxos russos, os protestantes prussianos e os católicos austríacos – para coibir a propagação daquelas ideias que se fortaleceram com a Revolução

Francesa e que haviam desestabilizado toda a Europa.

Com o decorrer do tempo, os demais Estados europeus foram se juntando às três potências originais, entre eles a própria França, fortalecendo assim sua ideologia conservadora. A Inglaterra, entretanto, nunca participou da Santa Aliança. Embora tenha participado de todas as coligações formadas para lutar contra Napoleão Bonaparte, a diplomacia inglesa foi afastada pela ideologia antiliberal que estava no centro dessa aliança. Inclusive, por julgar que a ideia apresentada pelo imperador da Rússia tinha como finalidade última pôr a Inglaterra à margem das questões políticas europeias, garantindo assim a proeminência russa no continente, o negociador inglês Castlereagh propôs a formação da Quádrupla Aliança. Ela foi assinada em 15 de novembro de 1815 e reunia à Inglaterra as três potências signatárias da Santa Aliança, com o propósito de promover consultas sempre que a situação política europeia o exigisse.

Apresentando como seu principal formulador político o príncipe austríaco Metternich, a Santa Aliança realizou algumas interven-

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