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A ALMA DO NEGÓCIO SEM ALMA

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A ALMA DO NEGÓCIO SEM ALMA

(O triunfo da vontade, de Leni Rifehnstahl, 1935)

A diretora Leni Riefenstahl representa um desafio para a visão crítica de filmes: ela se constitui num evidente talento, é dotada de cultura cinematográfica, capacidade inventiva e inovadora em seu campo de linguagem… a serviço do Nazismo. Sobrevivendo longamente ao regime (nasceu em 1902 e morreu em 2003!), a cineasta sempre negou ter sido nazista, alegando que não se filiou ao partido e também que, se vivesse na URSS ou nos EEUU, faria filmes nesses outros regimes políticos, porque Cinema era sua profissão. Supunha, portanto, certa indiferença da produção artística em relação ao campo político da experiência humana.

Jamais saberemos com exatidão sobre convicções íntimas de

Riefenstahl nem de ninguém. Seu trabalho concreto de direção no documentário O triunfo da vontade, que apresenta o Quarto Congresso do Partido Nazista (1934), contudo, é mais que coerente com a ideologia filmada, é um exemplo privilegiado dela, que Leni Riefenstahl assumiu enquanto convicção pública, em elegante estilo cinematográfico.

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A PEQUENEZ DO NAZISMO: O TRIUNFO DO ATOR

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A PEQUENEZ DO NAZISMO: O TRIUNFO DO ATOR

(O grande ditador, de Charles Chaplin, 1940)

“Gostaria de ajudar — se possível — judeus, o gentio… negros… brancos.”

(Discurso final do barbeiro judeu, confundido com

Hynkel, desfecho de O grande ditador)

O grande ditador, de Charles Chaplin, fez e continua a fazer o público rir de Adolf Hitler e Benito Mussolini (apresentados como Adenoid

Hynkel e Benzini Napaloni, nomes paródicos) desde seu lançamento, em 1940 — quando os EEUU ainda não tinham entrado em guerra contra a Alemanha nazista1. Essa reação derivava, e ainda deriva, tanto dos acontecimentos narrativos (desencontros, correrias, batalha no estilo pastelão) quanto do grande talento histriônico dos atores responsáveis por esses e outros personagens do filme, nos planos de voz, expressão facial e coreografias. Chaplin, como ator, encarna o ditador e um veterano da Primeira Guerra Mundial, barbeiro judeu — blasfêmia inominável para o racismo nazista, produzida num momento em que esse racismo vigorava intensamente em parte do mundo. Ainda

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APRESENTAÇÃO

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APRESENTAÇÃO

Entre o Cineclube (a Cinemateca, a Sala de Cinema, o Espaço Residencial) e a Sala De Aula — Ver Filmes de URSS,

Alemanha, EEUU, Japão, Suécia, França, Itália e Irã

Este segundo volume de Sessões descontínuas é dedicado a filmes procedentes de diferentes países. Como no tomo anterior, voltado para filmes brasileiros, alguns dos escritos aqui reunidos tiveram uma primeira divulgação em periódicos impressos (Jornal da Tarde, O Poti) ou eletrônicos (Olho da História, Teorema da Feira, Substantivo Plural).

Dentre os títulos abordados, há obras-primas da cinematografia mundial: Outubro, Rastros de Ódio, O Sétimo Selo, Hiroshima Meu Amor,

Rocco e Seus Irmãos, Blow-Up e Morte em Veneza. Outros, em escala artística menor, suscitam debates sobre grandes questões humanas.

Eles ajudam o espectador brasileiro a entender trajetos internacionais da linguagem cinematográfica e a situar produções nacionais nesse universo.

A circulação desses filmes, no Brasil, correspondeu a um momento histórico diferente de exibição cinematográfica em salas públicas em relação à atualidade, quando essa prática tende a diminuir e a se concentrar em circuitos especializados. A tendência mais recente das salas públicas ainda existentes, em geral nos shoppings e espaços similares,

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OS FATOS DO FILME E O TRIUNFO DA POESIA

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OS FATOS DO FILME E O TRIUNFO DA POESIA

(Outubro, de Sergei Eisenstein e Grigory.

Alexandrov, 1927)

O filme Outubro possui elementos que o identificam facilmente ao gênero “cinema histórico”: seu tema é a Revolução Russa, de 1917, grande acontecimento da História do século XX; e ele foi encomendado para comemorar os dez anos do evento, constituindo uma memória intencional sobre o tema.

Vale a pena explorar outros níveis de historicidade, principalmente a assustadora materialidade cinematográfica. Como noutros filmes de Eisenstein, o trabalho com a linguagem do cinema é meticuloso, ousado a ponto de alguns de seus resultados terem se transformado em referências canônicas para cineastas e fotógrafos posteriores.

O pavão com aparência metalizada, na sala de trabalho de Alexandre

Kerensky, parece ter ressurgido na coruja replicante que voa na sala de Tyrell, o empresário de Blade Runner (filme de Ridley Scott), que projetara os robôs humanóides, tornados humanos (até mais que os humanos) através da própria experiência — ver abaixo. As foices e os fuzis, erguidos com orgulho por soldados e camponeses revolucionários, foram reapropriados por Sebastião Salgado, em suas tantas fotografias de camponeses.

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PODEROSAS MULHERES

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PODEROSAS MULHERES

(Levada da Breca, de Howard Hawks, 1938)

Levada da Breca é um exemplo destacado das comédias amalucadas

(screwball comedies) no cinema norte-americano dos anos 30: nada parece funcionar nos eixos e a personagem de Katharine Hepburn, a rica herdeira Susan Vance, faz de tudo para não deixar o pacato paleontólogo Dr. David Huxley (o ator Cary Grant) em paz e conquistá-lo amorosamente. A desvairada energia de Susan e a excessiva quietude de David sugerem uma complementaridade libidinosa particular: a potência vem dela. O homem precisa ser muito provocado (excitado) para atender às demandas da fêmea, que se expressam como excesso de atividade e desejo atropelador. A paz é mais de cemitério que outra coisa, não merece ser mantida. E o macho parece gostar da situação, que o retira do imobilismo, apesar das confusões — as demandas eróticas são dele também, talvez menos conscientes.

Trata-se de um erotismo difuso muito peculiar, como se o sexo estivesse longe dali o tempo todo. Mas a própria energia alucinante da ação e algumas sugestões simbólicas dispersas no filme — o osso do brontossauro (falo adormecido), que aparece, some e retorna, e a fuga da onça (a feroz maciez da libido, tema indireto de uma canção muito posterior de Roberto e Erasmo Carlos: “Um leão está solto nas ruas”) — indicam que o desejo está a todo vapor e produzindo efeitos

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