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A NECESSIDADE DA MEMÓRIA

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A NECESSIDADE DA MEMÓRIA

(Hiroshima meu amor, de Alain Resnais, 1959)

A primeira imagem de Hiroshima meu amor é de difícil entendimento: massas se movem, pouco a pouco se definem como mulher e homem nus, corpos em cópula, belos recortes visuais de torsos enlaçados, em texturas preparadas especialmente para serem filmadas

— possíveis camadas de óleo, espuma ou areia sobre a pele —, entrega e posse recíprocos. E suas vozes dizem:

— Você não viu nada em Hiroshima, nada.

— Eu vi tudo em Hiroshima, tudo.

Entre tudo e nada, o feminino e o masculino, a condição humana, o intenso encontro amoroso e a sofrida cidade onde estão ou onde cada um esteve isoladamente, as cidades que o homem e a mulher são, como é sintetizado no desfecho do filme:

— Seu nome é Hiroshima, Japão.

— Seu nome é Nevers, França.

Cada cidade é seus homens e suas mulheres, suas belezas e suas dores, suas memórias incontornáveis — por mais que se queira esquecer.

A ação imediata do filme se passa em um dia, entre a noite do encontro amoroso e a noite da separação. Ela é francesa, ele é japonês.

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LONGE DOS “NOBRES HERÓIS UM BRASILEIRO MAIS OU MENOS COMO EU E VOCÊ (Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, 1969)

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LONGE DOS “NOBRES HERÓIS

UM BRASILEIRO MAIS OU MENOS COMO EU E VOCÊ

(Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, 1969)

A rapsódia Macunaíma, de Mário de Andrade, publicada em 1928, é considerada marco na Literatura modernista brasileira. Ela acumulou uma fortuna crítica extensa e diversificada, abrangendo de Roger Bastide a Wilson Martins e Haroldo de Campos, mais Cavalcanti Proença, Gilda de Mello e Souza, Telê Ancona Porto Lopes e muitos outros 1.

Quando Joaquim Pedro de Andrade realizou o filme homônimo, parte dessa valorização estava consolidada. Um desafio para ele foi evitar abordar tal clássico de ruptura cedendo às facilidades da adaptação literal ou apenas laudatória. Isso significaria renunciar à ousadia provocativa do texto modernista e à tradição reflexiva do Cinema Novo.

Joaquim Pedro, ainda jovem (nasceu em 1932), participara da construção do Cinema Novo, com, dentre outros, “Couro de gato” (1960, incluído depois na obra coletiva Cinco vezes favela, de 1962), Garrincha, alegria do povo (1962) e O padre e a moça (1966), inspirado em poema de Carlos Drummond de Andrade2.

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POLICARPO & POLICARPO (Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, de Paulo Thiago, 1998)

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POLICARPO & POLICARPO

(Policarpo Quaresma, Herói do Brasil, de Paulo Thiago, 1998)

O romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Afonso Henriques de Lima Barreto, publicado originalmente em 1915, chegou a ser comparado, pelo importante historiador Manuel de Oliveira Lima, ao Dom

Quixote, de Miguel de Cervantes.

Mesmo com algum desconto em relação ao paralelo (afinal, o que pode ser cotejado com o magnífico livro de Cervantes?), não resta dúvida sobre Triste fim de Policarpo Quaresma ser um ótimo texto, frequentemente indicado — e com justiça — para alunos brasileiros de diferentes graus, e que interessa ao leitor culto em geral. Muitos jovens de nosso país, no meio da correria para prestarem o vestibular, desde 1998, assistiram ao filme Policarpo Quaresma, Herói do

Brasil, de Paulo Thiago, pensando que resolveriam o problema de ler o romance.

Filmar um monumento desses é sempre se expor às cobranças.

Não vale a pena, todavia, agir como se o livro e o filme devessem (ou mesmo pudessem!) ser uma mesma coisa, ou como se o diretor do filme estivesse obrigado a “repetir” o romance. Filmar um escrito literário

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O RETORNO DO VOLUNTARISMO CONSERVADOR (Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro , de José Padilha 2010)

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O RETORNO DO VOLUNTARISMO CONSERVADOR

(Tropa de Elite 2: O inimigo agora é outro, de José Padilha 2010)

O filme Tropa de Elite, dirigido por José Padilha em 2007 e comentado anteriormente, alcançou grande sucesso de público e crítica. Chegou a merecer homenagens, aparentemente espontâneas, no carnaval carioca seguinte a seu lançamento: pessoas de diferentes faixas etárias surgiram em público com a roupa negra básica do BOPE, grupo policial que a obra expôs de forma detalhada em sua face francamente dedicada à missão profissional (muito sofrida, pelas agruras resultantes da absoluta honestidade) no combate ao crime e à corrupção.

O talento de Padilha nos campos de montagem e direção de atores

(com destaque para Wagner Moura, no papel do Capitão Nascimento, mais um bom elenco de apoio) e múltiplos prêmios em festivais contribuíram para que significados francamente conservadores da película de 2007 merecessem pouca atenção. O BOPE findou caracterizado como um Esquadrão da Morte redimido, “do Bem”, com honestidade que legitimava o espetacular justiçamento de traficantes e violências contra quem tivesse relações pessoais com eles (mesmo que não participasse do tráfico: namoradas, parentes), inclusive torturas realizadas ou ameaçadas — torturas reabilitadas no Brasil posterior à ditadura de 1964/1985, depois de denunciadas em tantos filmes sobre esse período1. O argumento dos Direitos Humanos apareceu na condição de veleidade própria a pessoas caracterizadas como coniventes com a corrupção — universitários irresponsáveis, de classe média, consumidores de drogas e integrantes de ONGs demagógicas, suportes mais ou menos involuntários para o tráfico e outros crimes.

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DESEJO NÃO É PECADO, MAS…

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DESEJO NÃO É PECADO, MAS…

(Uma rua chamada pecado, de Elia Kazan, 1951)

O filme de Elia Kazan sobre o clássico drama de Tennessee Williams,

Um bonde chamado desejo (texto antes agraciado com o importante

Prêmio Pulitzer de 1948)1, foi um desdobramento previsível diante da grande repercussão atingida pela primeira montagem da peça na

Broadway, em 1947. Kazan dirigira essa encenação, o ator Marlon

Brando a estrelara (diz-se que o impacto de seu desempenho foi tão grande que deu um especial destaque ao personagem Stanley Kowalsky, até maior do que o atingido pela protagonista Blanche Du Bois, sob a responsabilidade de Jessica Tandy), os atores Kim Hunter (fazendo a personagem Stella, irmã de Blanche) e Karl Malden (representando

Mitch, amigo de Stanley e namorado de Blanche por algum tempo) também participaram dela.

Essa forte memória que deu destaque a Marlon Brando na montagem teatral incidiu sobre o talento (em especial, uma dicção anti-clássica) e

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