Marcos Silva (50)
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ENFIM UMA PRINCESA DE CARNE (Carlota Joaquina, princesa do Brasil, de Carla Camurati, 1995)

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ENFIM UMA PRINCESA DE CARNE

(Carlota Joaquina, princesa do Brasil, de Carla Camurati, 1995)

Quem assistiu às primeiras entrevistas de Carla Camurati para a televisão, durante as filmagens de Carlota Joaquina, princesa do Brasil

(programas “Jô Soares” e “Hebe Camargo”, dentre outros), tinha motivos para ficar um pouco desanimado. Carla falava com entusiasmo sobre lances tediosamente pitorescos da vida de Carlota e seus parentes (João VI, marido e rei de Portugal; Maria, enlouquecida sogra e ex-rainha lusitana; Pedro de Alcântara, filho, futuro proclamador da Independência do Brasil, imperador desse novo estado nacional e, posteriormente, rei de Portugal), fazendo temer por um resultado que não fosse, em termos artísticos, além de uma razoável aula de telecurso, quando muito.

Concluído e lançado o filme, descobriu-se, com alívio, que Camurati era meio fraca de entrevista e muito boa de câmera: Carlota Joaquina, princesa do Brasil é interessante, ágil, quase sempre bem realizado artisticamente e, em muitos momentos, aproximou-se da melhor tradição carnavalizadora do cinema brasileiro visto como histórico — Terra em

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SEM REVOLUÇÃO — O RETORNO DA CLASSE MÉDIA (Tropa de elite, de José Padilha, 2007)

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SEM REVOLUÇÃO — O RETORNO

DA CLASSE MÉDIA

(Tropa de elite, de José Padilha, 2007)

O livro clássico Brasil em tempo de cinema, de Jean-Claude Bernardet, analisa vários filmes seminais do Cinema Novo a partir da angústia de classe média diante da miséria reinante no país 1. Personagens tão importantes quanto Antonio das Mortes (o ator Maurício do Vale), em

Deus e o diabo na terra do sol (1964), de Glauber Rocha; o motorista

Gaúcho (o ator Átila Iório) e o soldado Mário (o ator Nelson Xavier), de Os fuzis (1964), de Ruy Guerra; e o jornalista Marcelo (o ator

Oduvaldo Vianna Filho), de O desafio (1965), de Paulo César Saraceni, representam aquela tensão, entre a consciência das relações de poder, a miséria reinante no país e a situação de cada um daqueles homens: nem tão privilegiada, nem tão degradada, intelectuais à sua maneira.

É um quadro organizado ao redor dos projetos reformistas do governo

João Goulart, abortados pela ditadura de 1964.

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A ARTE VENCE O MEDO

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A ARTE VENCE O MEDO

(O sétimo selo, de Ingmar Bergman, 1956)

Antes de assistir a esse filme, vi, nos anos 60, fotogramas de algumas de suas cenas (belos enquadramentos de paisagens e personagens, impressionantes claro-escuros), em livros e revistas sobre Cinema europeu. A imagem da Morte, personagem interpretada pelo ator Bengt

Ekerot, com sua maquiagem muito branca e uma roupa colante e preta, junto da grande capa, jogando xadrez com o cavaleiro Antonius Block

(o ator Max Von Sidow), intrigava-me, possivelmente, porque eu era mais acostumado às tradições cinematográficas marcadas pela pretensão a algum vínculo direto com o social — Neo-Realismo, Nouvelle

Vague, Cinema Novo.

Quando conheci O sétimo selo, nos anos 70, a surpresa foi outra:

Bergman lida com a Morte através dos demais personagens, misturando serenidade e medo, tentativa de postergar a partida final e certeza da derrota, a sobrevivência cotidiana e os rituais de dominação, pequenas rebeliões e gestos de submissão, saídas críticas e possibilidades de beleza. Fala, afinal de contas, da vida! O que parecia, naqueles fotogramas, apenas fantasia enigmática revela-se, no filme, uma realidade complexa, objeto de densa reflexão e atenta a relações sociais.

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A PEQUENEZ DO NAZISMO: O TRIUNFO DO ATOR

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A PEQUENEZ DO NAZISMO: O TRIUNFO DO ATOR

(O grande ditador, de Charles Chaplin, 1940)

“Gostaria de ajudar — se possível — judeus, o gentio… negros… brancos.”

(Discurso final do barbeiro judeu, confundido com

Hynkel, desfecho de O grande ditador)

O grande ditador, de Charles Chaplin, fez e continua a fazer o público rir de Adolf Hitler e Benito Mussolini (apresentados como Adenoid

Hynkel e Benzini Napaloni, nomes paródicos) desde seu lançamento, em 1940 — quando os EEUU ainda não tinham entrado em guerra contra a Alemanha nazista1. Essa reação derivava, e ainda deriva, tanto dos acontecimentos narrativos (desencontros, correrias, batalha no estilo pastelão) quanto do grande talento histriônico dos atores responsáveis por esses e outros personagens do filme, nos planos de voz, expressão facial e coreografias. Chaplin, como ator, encarna o ditador e um veterano da Primeira Guerra Mundial, barbeiro judeu — blasfêmia inominável para o racismo nazista, produzida num momento em que esse racismo vigorava intensamente em parte do mundo. Ainda

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CADÊ OS EMBALOS? EMBALAGENS DA DECADÊNCIA (Sábado, de Ugo Giorgetti, 1995)

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CADÊ OS EMBALOS?

EMBALAGENS DA DECADÊNCIA

(Sábado, de Ugo Giorgetti, 1995)

Esse Sábado se inicia com a chegada de dois funcionários do Instituto

Médico Legal a um prédio antigo e degradado do centro de São Paulo, para dali retirarem o cadáver de um antigo morador, homem idoso, sem parentes. Por defeito técnico, o morto fica preso no elevador, durante horas. E junto com aqueles trabalhadores (o ator Otávio Augusto e o cantor e compositor Tom Zé); mais um anônimo que ali estava de passagem (o cantor e compositor André Abujamra) se vê forçado a auxiliá-los; e uma bela moça, Magda (a atriz Maria Padilha), diretora de arte nas filmagens de um pretensamente sofisticado anúncio de perfume, realizadas no edifício naquele momento.

O convívio forçado entre essas pessoas serve de gancho para diferentes temas no imediato de elevador e prédio, além do entorno da cidade e do mundo Tudo parece contaminado por clima de irreversível decadência: a começar pela edificação, outrora luxuosa e, naquele presente, reduzida a semi-cortiço, recheado por lixo e outros detritos; passando pelo cadáver, que um dos homens do IML insiste em designar como

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