Young Julian (29)
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Ilustrações

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ILUSTRAÇÕES

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1. Karl Ludwig Nietzsche (pai de Nietzsche).

2. Franziska Nietzsche (mãe de Nietzsche), com cerca de 25 anos.

3. A paróquia de Röcken, onde Nietzsche nasceu, com a igreja do pai atrás.

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4. Weintgarten, 18, a casa de Franziska Nietzsche em Naumburg.

6. Friedrich Ritschl, o querido professor de

Nietzsche em Leipzig.

5. Nietzsche aos 17 anos.

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7. Paul Deussen, com aproximadamente 19 anos.

8. Nietzsche aos 24 anos na época do serviço militar.

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9. Arthur Schopenhauer, o “retrato celestial de nosso mestre” de Jules Luntenschütz.

10. Franz Overbeck.

11. A casa da família Wagner em Tribschen, Lucerna.

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PARTE DOIS - 10 - CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS

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CONSIDERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS

10

O ano de 1873 foi marcado por duas tensões na vida de Nietzsche. A primeira surgiu com a crise entre seu papel de professor de filologia clássica e seu interesse crescente pela filosofia, entre sua Beruf [profissão] e sua Berufung [vocação], como ele elegantemente descrevia.1 A segunda tensão, por sua vez, referiu-se ao seu compromisso total com o mundo no contexto do “Horizonte de Bayreuth” e de fazer tudo o que fosse possível pela causa de Bayreuth. Mas, por outro lado, havia a tendência progressiva de libertar-se da gigantesca sombra da personalidade e do intelecto de Wagner e de encontrar um lugar ao sol onde poderia desenvolver-se sozinho.

(O compositor Peter Cornelius, apesar da devoção absoluta a Wagner, vivenciava o mesmo problema.) Ele tentou resolver o primeiro destes dilemas ensinando e escrevendo textos clássicos suscetíveis a um tratamento filosófico. Embora nunca mais fosse publicar um livro dedicado ao texto clássico depois de 1872, ele escreveu um estudo importante, mas não publicado, sobre os filósofos gregos pré-platônicos,

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PARTE DOIS - 11 - VOCÊ GOSTA DE BRAHMS?

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VOCÊ GOSTA DE BRAHMS?

11

Nietzsche passou o Natal e o Ano-Novo de 1873-1874 em Naumburg. Apesar do tédio que lhe provocava “a ladainha usual”, ele estava entusiasmado como sempre pelos seus presentes de Natal e os descreveu em uma carta a Von Gersdorff com uma alegria pueril: entre outros, ele ganhou um álbum dourado para grandes fotografias, um porta-cartas de madeira com um desenho floral feito por Elizabeth, objetos de couro russo da Princesa Therese de Altenburg (antiga aluna de seu pai) e uma grande reprodução de Rafael.1De Naumburg ele fez uma viagem a Leipzig para verificar o processo de impressão da segunda Consideração Extemporânea com Fritzsch e a fim de visitar Ritschl, que o submeteu a um “discurso verborreico” referente à péssima poesia de Wagner, ao livro de Overbeck e à suposta conduta de Nietzsche pró-França2

(suposição baseada, provavelmente, em sua crítica à Alemanha bismarckiana).

De volta à Basileia no início de janeiro, ele teve os problemas intestinais e os enjoos costumeiros até o começo de abril. E sua vista não melhorara. Felizmente, seu aluno do ensino médio, Adolf Baumgarter, que lhe parecia talentoso e simpático,3 ofereceu seus serviços de escrevente. Filho de um industrial da Alsácia já falecido,

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PARTE DOIS - 12 - AUF WIEDERSEHEN BAYREUTH

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AUF WIEDERSEHEN BAYREUTH

12

Ao chegar à Basileia em 4 de janeiro de 1875, Nietzsche sentiu-se mais oprimido do que nunca com a quantidade de trabalho que teria de enfrentar. Além das obrigações na universidade e no ensino no Pädegogium, ele irrefletidamente prometera a

Schmeitzner escrever mais 10 Considerações Extemporâneas nos cinco anos seguintes. Mas este trabalho “real” de redimir a “alma” da época só poderia ser realizado, como contou a Von Bülow, nas férias e nos períodos de dispensa por motivo de saúde. “Graças a Deus”, escreveu, com a falsa expectativa de que sua doença crônica, independente do problema de visão, no momento “não havia sinal de doença à vista, e com os banhos frios que tomara todos os dias era bastante improvável que eu adoecesse de novo”.1Isso foi em janeiro! Assim como seu alter ego, Zaratustra,

Elizabeth comentou, Nietzsche gostava de “zombar do inverno”.2 Para Malwida von

Meysenbug, ele escreveu que tinha tantos deveres profissionais, que os dias transcorriam com uma sensação de “entorpecimento”. Ele invejava os mortos, escreveu, mas decidira envelhecer a fim de concluir sua “tarefa”.3

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PARTE DOIS - 13 - SORRENTO

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SORRENTO

13

Nietzsche chegou à Basileia depois da estadia em Bayreuth em 27 de agosto de 1876 e continuou trabalhando nas anotações do livro Humano, demasiado Humano.

Como Elizabeth, depois de um ano cuidando da casa, voltara para Naumburg, ele retornou à sua antiga moradia de solteiro na Caverna Baumann. Overbeck estava em Dresden com sua nova mulher, Ida, e então o aluno favorito de Nietzsche, Adolf

Baumgartner, ocupou seu lugar. E Rée tornou-se uma companhia nas conversas durante o almoço.

Em Bayreuth Malwida von Meysenbug repetiu o convite que, em benefício de sua saúde, Nietzsche deveria encontrá-la na Itália (CA p. 226). Nietzsche pedira uma licença sabática em maio passado, enfatizando o caráter “acadêmico” (como qualquer pessoa faria) de sua viagem ao sul,1 a terra natal da civilização clássica.

Quando a licença foi aprovada, ele aceitou o convite de Malwida e conseguiu que seu ex-aluno predileto, o frágil Albert Brenner (que morreria 18 meses depois), o acompanhasse. Em 26 de setembro, ele perguntou a Malwida se poderia levar também Paul Rée, porque ele “sentia muito prazer na companhia de sua mente lúcida, assim como por sua alma de um verdadeiro amigo”.2

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Veblen Thorstein (16)
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Capítulo 10 – Vestígios Modernos de Proeza

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Capítulo 10

Vestígios Modernos de Proeza

A classe do lazer vive na periferia da comunidade produtiva, não dentro dela. As suas relações com a produção são de uma natureza pecuniária, e não propriamente produtivo.

A admissão na classe é conseguida mediante o exercício de aptidões pecuniárias – aptidões mais para a aquisição do que para a utilidade. Verifica-se, deste modo, uma constante filtragem do material humano que chega à classe do lazer, e este processo de seleção é efetuado com base na aptidão para objetivos pecuniários. Mas o esquema de vida da classe é, em grande parte, herdado do passado, e encarna muitos dos hábitos e ideais do período bárbaro inicial. Este esquema de vida bárbaro, arcaico impõe-se também às ordens inferiores, mais ou menos mitigado.

Por sua vez, o esquema de vida, das convenções, atua seletivamente e através da educação por forma a moldar o material humano, e a sua ação tende a conservar traços, hábitos e ideais do começo dos tempos bárbaros – a era da proeza e da vida predatória.

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Capítulo 11 – A Crença na Sorte

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Capítulo 11

A Crença na Sorte

A propensão para o jogo de apostas é outro traço subsidiário do temperamento bárbaro. É uma variação de carácter concomitante, de prevalência quase universal entre os homens do desporto e os homens dados a atividades bélicas e emulativas em geral. Este traço tem também um valor económico direto. É reconhecidamente um obstáculo

à maior eficiência de produção coletiva, em qualquer comunidade onde esteja presente num grau significativo.

A tendência para a aposta dificilmente poderá ser considerada uma característica exclusiva do tipo predatório da natureza humana. O principal fator no hábito de apostar

é a crença na sorte, e essa crença parece ter origem, pelo menos num nível elementar, num estádio da evolução humana anterior ao da cultura predatória. Pode ter sido na era da cultura predatória que a crença na sorte evoluiu para a forma em que se encontra, como principal elemento da tendência para a aposta, no temperamento desportivo. Deve, provavelmente, à disciplina predatória a forma específica em que ocorre na cultura moderna.

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Capítulo 12 – Observâncias Devotas

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Capítulo 12

Observâncias Devotas

Uma exposição discursiva de certos incidentes da vida moderna mostrará a relação orgânica dos cultos antropomórficos com a cultura e o temperamento bárbaros.

Servirá também para mostrar como a sobrevivência e a eficácia dos cultos e a prevalência do seu programa de observâncias devotas se relacionam com a instituição de uma classe do lazer e com os ímpetos de ação lhe são subjacentes. Sem qualquer intenção de elogiar ou depreciar as práticas que serão tratadas sob a designação de observâncias devotas, ou os traços espirituais e intelectuais que estas observâncias exprimem, os fenómenos comuns dos atuais cultos antropomórficos podem ser considerados na perspetiva do seu interesse para a teoria económica.

Aquilo que aqui pode ser adequadamente tratado são as características tangíveis, externas das observâncias devotas.

O valor moral, assim como o valor devocional da vida da fé, não se enquadra no presente estudo. Não se pretende, claro, questionar a verdade ou a beleza das crenças em que os cultos têm origem. E nem mesmo o seu impacto económico indireto pode ser considerado aqui; é um tema demasiado recôndito e importante para ser tratado num ensaio tão superficial.

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Capítulo 13 – Vestígios dos Interesses Não Discriminatórios

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Capítulo 13

Vestígios dos Interesses

Não Discriminatórios

À medida que o tempo passa, o culto antropomórfico, com o seu código de observações devotas, vai-se desintegrando progressivamente, sob a pressão das exigências económicas e da decadência do sistema de estatuto. Com o progresso da desintegração, associam-se e misturam-se

à atitude devota certos outros motivos e impulsos que nem sempre têm uma origem antropomórfica, ou atribuível ao hábito de subserviência pessoal. Nem todos esses impulsos secundários que se confundem com o hábito de devoção na vida devocional mais tardia são de uma total congruência com a atitude devota ou com a apreensão antropomórfica da sequência de fenómenos. Não tendo a mesma origem, a sua ação sobre o esquema da vida devota também não segue a mesma linha. Sob muitos aspetos, cruzam a norma subjacente de subserviência ou vida vicária em que o código de observações devotas e as instituições eclesiásticas e sacerdotais têm a sua base fundamental. Através da presença destes motivos alheios, o regime social e produtivo desintegra-se gradualmente, e o cânone de subserviência pessoal perde o suporte que resulta de uma tradição contínua. Hábitos e tendências exteriores invadem o campo de ação ocupado por este

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Capítulo 14 – O Ensino Superior como Expressão da Cultura Pecuniária

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Capítulo 14

O Ensino Superior como Expressão da Cultura Pecuniária

Para que hábitos de pensamento adequados de algumas mentes possam ser preservados na geração seguinte, uma disciplina académica é sancionada pelo senso comum e incorporada no esquema de vida acreditado. Os hábitos de pensamento que assim se formam sob a orientação de professores e tradições académicas possuem um valor económico – um valor na medida em que afetam a utilidade do indivíduo – não menos real do que o idêntico valor económico dos hábitos de pensamento formados sem uma tal orientação, sob a disciplina da vida quotidiana.

Quaisquer características da disciplina e do esquema académico acreditado que tenham origem nas predileções da classe do lazer ou na orientação dos cânones de mérito pecuniário devem ser atribuídas a essa instituição, e qualquer valor económico que essas características do esquema educacional possuam é a expressão particular do valor dessa instituição. Será, então, oportuno salientar quaisquer características peculiares do sistema educativo que tenham a sua origem no esquema de vida da classe do lazer, quer no que se refere ao objetivo e ao método da disciplina, quer no que respeita ao âmbito e ao carácter do corpo de conhecimento inculcado. É no ensino, especificamente,

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Tina Chanter (7)
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1. Momentos e conceitos formadores da história do feminismo

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Momentos e conceitos formadores da história do feminismo

As teóricas feministas gastaram muita energia ao tentar combater as ideologias tradicionais de gênero e superar as afirmações naturalizantes acerca da inferioridade inata das mulheres em relação aos homens ou da irracionalidade feminina. Mesmo quando apontamos o papel limitador que isso tem desempenhado em alguns círculos, devemos também reconhecer que a distinção entre sexo e gênero tem servido bem ao movimento feminista. Ela desempenhou um papel fundamental no estabelecimento da paridade no trabalho, por exemplo. Uma vez posta de lado a ideia de que as mulheres são inatamente incapazes de raciocinar bem, ou a ideia de que naturalmente não estão prontas para os rigores da vida pública, fica logo claro que o que se põe no caminho do progresso das mulheres é a convenção, a tradição ou a opinião, mais do que a natureza, a biologia ou a fisiologia.

Os primeiros argumentos feministas enfocavam a injustiça do fato de as mulheres serem excluídas de algumas das atividades centrais, fundamentais para a humanidade – as atividades definidoras da identidade política moderna – às quais os homens pareciam estar destinados por alguma ordem natural. Tais atividades incluíam o direito de assumir um papel ativo na política, no governo e nas lideranças; o direito à representação política; o direito à educação; o direito à autodeterminação; o direito à propriedade legal e o direito de transmitir uma herança. Razoavelmente, então, o movimento feminista moderno começou como um movimento que tentava estabelecer a paridade com os homens.

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2. Feminismo e marxismo: a utilidade e as limitações dos modelos paralelos

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Feminismo e marxismo: a utilidade e as limitações dos modelos paralelos

Conforme Marx compreendeu em sua análise da alienação e do fetichismo da mercadoria, as relações sociais parecem ser governadas por forças estáticas e implacáveis. As relações entre os seres humanos assumem a aparência de relações entre coisas – elas se tornam reificadas. O capital parece governar essas relações, que assumem a aparência de fixidez e de necessidade. Somente quando surge uma nova forma de produção poderá a autoridade das mercadorias ser posta em questão. O gênio do capitalismo está na sua capacidade de reproduzir­‑se não meramente em nível material, mas também em nível ideológico. Se Louis Althusser analisou as formas como a ideologia se reproduz em nível institucional, na forma de religião, educação e família, Antonio Gramsci enfatizou o quanto aquilo que parece ser senso comum das ideias recebidas (por exemplo, a ideia de que o feminismo deve tratar da igualdade) de fato deriva da ideologia dominante de quem está no poder. Nosso consentimento em relação a essas ideias é produzido pelos interesses prevalentes da classe governante – para adaptar a formulação de Noam Chomsky – ou, por exemplo, por quem ocupa posições de elite em relação à teoria feminista. Tipicamente, as mulheres brancas e privilegiadas definem os termos do debate feminista e, consequentemente, têm podido ignorar formas de desigualdade social ditadas pela opressão de classe e pela discriminação racial. Essa relação hegemônica com o que é aceito como feminista, e com o que é rejeitado como tal, perpetua a marginalização de quem tradicionalmente desempenha papéis menos privilegiados.

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3. Disciplinar, controlar e normalizar a sexualidade feminina com Foucault e as amigas feministas: corpos dóceis e resistentes

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Disciplinar, controlar e normalizar a sexualidade feminina com

Foucault e as amigas feministas: corpos dóceis e resistentes

Influenciada por Foucault, e fazendo uso de uma sugestão do teórico foucaultiano David Halperin – a de que a categoria da homossexualidade como a pensamos hoje não se aplica à sociedade grega antiga –, Jacqueline

Zita faz a distinção entre as abordagens pré­‑moderna, moderna e pós­

‑moderna da sexualidade. Nesta época contemporânea, pós­‑industrial, capitalista avançada e individualista, conforme demonstrou Foucault, a sexualidade passa a funcionar como uma verdade sobre nós mesmos.

Porém, tais verdades não podiam ter surgido antes da noção atomista, individualista do self como algo decisivamente distinto do nexo social definidor da subjetividade – seja esse nexo entendido como o sistema feudal que precedeu o capitalismo, no qual os servos eram devedores, por meio de um sistema complexo de dízimos e obrigações, de um senhor, seja esse nexo entendido como o nexo presente nos códigos sociais de honra característicos da vida da polis.

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4. Epistemologia feminista: ciência, conhecimento, gênero, objetividade

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Epistemologia feminista: ciência, conhecimento, gênero, objetividade

Quero começar este capítulo recontando uma história que vou chamar de “A história do monge desafortunado”. As páginas a seguir devem muito a Laqueur (1990).

O monge desafortunado

Um jovem aristocrata, obrigado a tornar­‑se monge porque sua família passava por dificuldades, visitou uma hospedaria no interior. Lá, encontrou o casal proprietário de luto pela morte de sua única filha, conhecida por sua beleza. Em seu sofrimento, os pais da desafortunada donzela pediram ao monge para cuidar do corpo da filha durante a noite, até o enterro, que ocorreria na manhã seguinte. O jovem monge concordou em fazê­‑lo e assumiu seu lugar conforme o previsto. A noite veio, e o jovem ficou inquieto. Curioso em verificar a beleza da donzela, o monge levantou a mortalha que cobria o corpo e constatou que a donzela era de fato bela, mesmo morta. Tentado por seus desejos, e apesar de seu voto religioso, o monge, nas palavras do médico do século XVIII que, com delicadeza registrou a história para a posteridade, “tomou as mesmas liberdades com a morta que o sacramento do casamento teria permitido em vida” (Laqueur, 1990, 1). De manhã, tomado pela vergonha, o monge partiu sem esperar pelo funeral.

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5. Teoria feminista pós‑colonialista:o embate retórico entre o “Oriente” e o “Ocidente”

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Teoria feminista pós­‑colonialista: o embate retórico entre o “Oriente” e o “Ocidente”

O objeto da teoria feminista pós­‑colonialista não é simples. Não só estão as feministas trabalhando em contextos pós­‑coloniais frequentemente encarregadas da responsabilidade, de alguma forma ou de outra, de suportar a carga de versões competitivas de nacionalismo; a história também interfere nas divisões entre o colonial e o pós­‑colonial. Tome­‑se a complicada posição de uma feminista do terceiro mundo que se situa em relação à

Índia, por exemplo. Identificar­‑se como alguém do sul da Ásia a fim de evitar os tons hegemônicos do nacionalismo não é meramente alinhar­‑se com

Bangladesh, Butão, Índia, Nepal, Paquistão e Sri Lanka. Conforme alerta

Bhattacharjee (1997), até mesmo o termo “sul­‑asiática” pode ser problemático quando usado para designar uma mulher indiana, já que a Índia – considerada a sua história – é, em alguns aspectos, imperialista em relação a seus vizinhos Paquistão e Bangladesh. Ou, em outro contexto, escrevendo no momento imediatamente anterior à entrega de Hong Kong à China, Rey

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Susana De Castro (7)
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1. Filosofia e tragédia

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capítulo 1

filosofia e tragédia

1. A cultura da vergonha e a cultura da culpa

Na tragédia, diferentemente da epopeia, o ser humano, suas dúvidas, seu ambiente doméstico e seus relacionamentos pessoais têm muito mais relevância para a narrativa. Contudo, o elemento mítico não desaparece da trama trágica, nem mesmo nos dramas de

Eurípedes, considerado o mais mundano dos três grandes tragedió-grafos.

Como muito bem explicado por E. R. Dodds

(1988), as tragédias surgem em um momento de transição de uma justiça cósmica, da época arcaica, para uma justiça laica, da época clássica tardia. Tanto na época homérica quanto na arcaica – e na clássica inicial, a dos poetas trágicos –, acreditava-se no poder do sobrenatural de intervir na vida humana. A moral trágica da epopeia homérica está expressa, segundo Dodds, na fala

filosofia e tragédia

Figura 4.  Corpo de Heitor sendo levado de volta a Troia – alto relevo romano em mármore, detalhe de um sarcófago.

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2. Medéia e Clitemnestra: mulheres poderosas?

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capítulo 2

Medéia e Clitemnestra: mulheres poderosas?

You’re like a bulldog. It’s not very feminine.

Ésquilo (Agamêmnon, verso 640; trad. Anne Carson)

Se a leitora moderna tivesse à sua disposição apenas as tragédias que chegaram até os dias atuais (as

19 peças de Eurípedes, entre as 74 que escreveu; as

7 de Sófocles, entre as 123 ou mais que teria escrito; e as 7 de Ésquilo, entre as 94 que escreveu)1, talvez ficasse, em um primeiro momento, com a impressão errônea de que as mulheres atenienses eram poderosas, já que somente uma dessas tragédias, Filoctetes, de Sófocles, não possui um personagem feminino. Além disso, a maioria dos dramas enuncia, já em seu título, um protagonismo feminino, como As troianas, As suplicantes, Electra,

Medéia, Hécuba, Andrômaca, As bacantes, Antígona, As fenícias, As traquinianas, Eumênides, Ifigênia em Áulis,

1

Ver Mario da Gama Cury, 2007, p.11.

as mulheres das tragédias gregas: poderosas?

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3. Antígona, o espírito grego

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capítulo 3

Antígona, o espírito grego

Na obra dos três grandes tragediógrafos gregos,

Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, há uma gradação na relação com o divino. Para Ésquilo, o herói sofre e é aniquilado porque cometeu uma falta ao tentar ultrapassar os limites que o separava dos deuses, devendo ele (ou seus descendentes diretos) expiar seu crime. Em suas peças, há uma clara separação entre os homens e os deuses, e os homens reconhecem essa separação. Já no caso de Eurípedes, a ideia de um destino ou uma expiação provocada pela ira de um deus já perdeu sua força. Seus personagens respiram um ar cético com relação à religião e os deuses surgem apenas no final, de maneira artificial e exterior (deux ex machina).

Em Sófocles, a situação é diferente. O trágico está no enigma que representa a fronteira entre o homem e o deus. Nele, a tragicidade significa a ausência e o afastamento dos deuses, que parecem não mais se importar com o destino dos mortais. O exemplo clássico é o de

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4. Electra e Hécuba, a ética feminina da súplica

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capítulo 4

Electra e Hécuba, a ética feminina da súplica

Nas tragédias gregas, é muito recorrente que as mulheres façam o papel de suplicantes. Os gestos e o comportamento eram “padronizados”, isto é, seguiam uma liturgia específica para essas ocasiões. A mulher deveria se ajoelhar e alçar as mãos para o queixo e para a mão direita daquele a quem fazia a súplica.1

Como bem observado por Helene P. Foley (2002, p.145), a lamentação é um tipo de comportamento ético próprio às mulheres dentro de uma sociedade em que a forma da justiça era a da vendeta. Em geral, as mulheres dos aristocratas e grandes proprietários não saíam do ambiente doméstico. A situação só mudava quando ocorria a morte de algum parente, pois, nesse caso, as mulheres da família se encarregavam dos serviços fúnebres. Cabia a elas seguir à risca o ritual do luto e das exéquias. Vestiam-se de negro, cortavam o

1

Ver Hécuba, vv. 3544-356.

as mulheres das tragédias gregas: poderosas?

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5. Helena, o resgate da honra perdida

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capítulo 5

Helena, o resgate da honra perdida

Em Helena, Eurípedes revisita a história do rapto de Helena dando-lhe outra interpretação. Na versão apresen­tada na peça, Helena não teria sido sequestrada por Páris, como é dito na Ilíada. Na verdade, chateada por ter sido preterida por Afrodite na disputa de beleza entre as deusas (Atena, Hera e Afrodite), Hera substitui a verdadeira Helena, prêmio de Páris por ter escolhido

Afrodite, por um simulacro (eidolon) de Helena: mas Hera, despeitada por não ter vencido as outras deusas, encheu de vento as minhas núpcias para Alexandre e dá-lhe não a minha pessoa, mas uma imagem viva, em tudo semelhante a mim, que ela formou de bruma, e entrega-a ao filho do rei Príamo

(vv. 30- 35).

A verdadeira Helena é embarcada em segurança por

Zeus, seu pai, para o Egito, onde vive durante toda a guerra de Troia sob a proteção do rei Proteu.

as mulheres das tragédias gregas: poderosas?

Figura 21.  A perseguição de Teseu. Vaso de aproximadamente 440-430 a.C. Museu do Louvre, Paris.

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Steven French (10)
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10. Parcialidade de gênero

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Steven French

mulheres com altas posições na academia, por exemplo, diminui drasticamente na medida em que subimos na escada em direção às posições dos titulares.

Não estão claras quais sejam as razões para isso. Em geral, o tópico do cuidado das crianças é ventilado: as mulheres não são contratadas como cientistas porque elas são vistas como um risco na medida em que poderão deixar seu lugar para ficarem grávidas; as mulheres têm dificuldades de voltar

à profissão depois de terem dado à luz devido às providências para o cuidado adequado da criança; ou as mulheres têm dificuldade de se estabelecer como parte de uma equipe científica porque elas têm obrigações familiares que evitam que fiquem no laboratório as horas necessárias. Um relatório recente da União

Europeia abordou o assunto da seguinte forma:

As razões para o desequilíbrio são muitas. Certas áreas são consideradas a propriedade dos homens e, portanto, a parcialidade de gênero afeta os julgamentos de excelência científica. As indústrias e a academia também são relutantes em contratar mulheres porque elas não são vistas como flexíveis o suficiente.

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1. Introdução

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1

Introdução

É sempre bom começar um livro como este com uma declaração com a qual certamente todos concordarão: como um fenômeno cultural, a ciência tem tido um impacto nas nossas vidas maior do que qualquer outro. Poderíamos simplesmente listar somente os derivativos tecnológicos: a engenharia genética, as armas nucleares, a cura para o câncer de ovário, o laptop no qual estou escrevendo este texto, o forno de micro-ondas no qual preparo meu jantar, o iPod no qual escuto minhas músicas (fora de moda)... E, é claro, o modo como essas tecnologias derivaram da ciência é um tópico interessante por si mesmo, o qual não teremos tempo de tratar aqui. Contudo, para além dos benefícios práticos, há o modo profundo como a ciência formou e mudou nossa visão do mundo e do nosso lugar nele: pense na teoria da evolução e na maneira como ela transformou a compreensão que temos das nossas origens. Considere o posterior – e relacionado – desenvolvimento da teoria da genética e como isso transformou não só nossa compreensão de uma gama de doenças e de distúrbios, mas também a nossa visão do nosso comportamento, das nossas atitudes e de nós mesmos. Ou pense na física quântica e na afirmação de que a realidade é fundamentalmente aleatória; ou na teoria da relatividade de

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2. Descoberta

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Steven French

2

Descoberta

Quando as pessoas pensam nos cientistas, elas normalmente pensam em um homem (tipicamente) vestido com um jaleco branco; e quando pensam no que os cientistas fazem, elas geralmente os imaginam fazendo grandes descobertas, pelas quais poderiam receber o Prêmio Nobel. A descoberta – de algum fato, de alguma explicação para um fenômeno, de alguma teoria ou hipótese – é vista como estando no centro da prática científica. Desse modo, a questão fundamental que procuraremos responder neste capítulo é: como são descobertas as teorias, as hipóteses, enfim, os modelos científicos? Comecemos com uma resposta bastante comum e bem-conhecida.

A VISÃO COMUM: O MOMENTO EURECA

Nos quadrinhos, a criatividade é muitas vezes representada por uma lâmpada sobre a cabeça do herói. Supõe-se que represente o lampejo da inspiração. De modo semelhante, as descobertas científicas são geralmente caracterizadas como algo que ocorre de repente, em um dramático momento criativo da imaginação, um lampejo de visão ou uma experiência do tipo “aha!”.

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3. Heurística

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Ciência

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Heurística

Até aqui apresentamos duas visões da descoberta. Uma enfatiza o chamado momento eureca e tanto se combina com a visão “romântica” da criatividade quanto dá apoio ao que se conhece como a visão hipotético-dedutivista da ciência, de acordo com a qual a ciência funciona apresentando hipóteses – de que modo nós não sabemos, e de fato, como filósofos, isso não nos interessa – e a dedução de consequências experimentais decorrentes delas que são então submetidas ao teste experimental. A outra visão dá ênfase à observação e alimenta o que chamamos de explicação “indutiva”, segundo a qual reunimos uma grande quantidade de observações, coletadas em uma variedade de circunstâncias, e de alguma maneira “induzimos” uma teoria disso. Ambas as visões são inadequadas.

Ora, aqui está uma terceira alternativa, a qual reconhece que a descoberta científica não é só uma questão de se ter um pico criativo, ou de alguma espécie de lâmpada mental se acender, mas também não se trata de uma lenta e meticulosa coleção de observações. Essa é uma visão baseada na ideia de que podemos identificar certos passos na descoberta, certos movimentos que os cientistas fazem que são tanto racionais quanto capazes de desempenhar um papel na explicação de como as descobertas são feitas e, portanto, de como a ciência funciona. Tais movimentos estão sob o guarda-chuva geral do que é conhecido como “heurística”.

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Medium 9788536317175

4. Justificação

Steven French Grupo A PDF Criptografado

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Ciência

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Justificação

INTRODUÇÃO

Você fez a sua descoberta e pensa que está na trilha de algo importante, mas agora as pessoas estão começando a perguntar “Onde estão as evidências”? Essa pergunta leva-nos para a nossa próxima fase a respeito de como a ciência funciona, o que tem a ver com o modo como as teorias relacionam-se com as evidências. Isso é o que os filósofos da ciência chamam de “justificação”

(é evidente que, se as fases da descoberta e da justificação podem ser bem separadas, esta é em si mesmo uma questão filosófica).

Eis, então, a nossa questão fundamental: qual é o impacto dos dados experimentais nas teorias? Examinaremos duas respostas. A primeira coloca que os dados verificam as teorias; a segunda insiste que, ao contrário, os dados falsificam as teorias. Consideremos essas duas respostas antes de avançarmos para além delas.

VERIFICABILIDADE É TUDO O QUE IMPORTA!

A primeira resposta à nossa questão foi proposta, de maneira que ficou famosa, por um grupo heterogêneo de filósofos, cientistas, economistas e outros teóricos que vieram a ser conhecidos como os “positivistas lógicos”. Eles eram chamados assim porque, em primeiro lugar, eram vistos como parte de uma linha de comentários da ciência que enfatizava o conhecimento científico como o supremo ou, em certo sentido, a mais autêntica forma de conhecimento, obtido por meio do apoio positivo dado às teorias pelas observações através do método científico; e, em segundo lugar, por que eles empregavam todos os recursos da lógica, e em particular a formalização da lógica tornada acessível por teóricos como Hilbert, Russell e Whitehead no início do século XX, tanto para analisar quanto para representar essa forma de conhecimento.

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