Eduard Hanslick (9)
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Capítulo VI

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VIA relação com a natureza é para todas as coisas o [elemento] primeiro, por isso, o mais respeitável e o mais influente. Quem quer que tenha tomado o pulso da época, ainda que só fugazmente, sabe que o domínio deste conhecimento se encontra em poderosa expansão.A investigação moderna é caracterizada por um rasgo tão pronunciado no sentido da vertente natural de todos os fenómenos que até as pesquisas mais abstractas gravitam sensivelmente em torno do método das ciências naturais. A estética, se não pretender levar uma simples existência aparente, tem de conhecer tanto a raiz nodosa como a fibra fina em que cada arte singular está ligada ao fundamento natural.Se, neste conhecimento, a ciência do belo legou aos pintores e poetas aspectos fragmentários, ao músico deve ela não menos do que tudo.As relações naturais da música costumavam sobretudo considerar-se apenas do ponto de vista físico, e pouco se foi além das ondas e figuras sonoras, do monocórdio, etc. Se se deu um passo qualquer no sentido da investigação mais excelente, bem depressa ele se detém porque se alarmou perante os seus próprios resultados ou frente ao conflito violentíssimo com a doutrina dominante. E, no entanto, a relação da música com a natureza desfralda as mais importantes consequências para a estética musical. A posição das suas mais difíceis matérias, a solução das suas questões mais controversas depende da correcta apreciação desta conexão.

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Capítulo IV

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IVEmbora consideremos que há-de ser princípio e tarefa primordial da estética musical submeter o império usurpado do sentimento ao domínio justificado da beleza, as exteriorizações afirmativas do sentir reclamam, na vida musical prática, um papel demasiado chamativo e importante para se despachar mediante a simples subordinação.Porque a fantasia, enquanto actividade por intuir, e não o sentimento, é o órgão a partir do qual e para o qual nasce todo o belo artístico, a obra de arte musical surge também como uma criação não condicionada pelo nosso sentir, especificamente estética, que a consideração científica, separando-a dos acessórios psicológicos da sua origem e efeito, deve apreender na sua constituição intrínseca.Mas, na realidade, esta obra de arte, conceptualmente livre do nosso sentir, autónoma, revela-se como meio eficaz entre duas forças vivas: o seu donde e o seu para onde, isto é, entre o compositor e o ouvinte.Na vida anímica de ambos, a actividade artística da fantasia não pode extrair-se à maneira de puro metal, tal como se apresenta na obra de arte pronta, impessoal – pelo contrário, opera ali sempre em estreita interrelação com sentimentos e sensações. O sentir conservará, portanto, antes e depois da criação da obra, primeiro no compositor, em seguida no ouvinte, uma importância a que não podemos subtrair a nossa atenção.

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Advertência do tradutor

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ADVERTÊNCIA DO TRADUTORA presente tradução do opúsculo Do Belo Musical de EduardHanslick pretende ser um acto de justiça e um esforço tardio de reparação (ou até de ocultamento e disfarce) de uma vergonha cultural entre nós provecta, como muitas outras. As principais línguas europeias já há muito fizeram passar pelas suas estruturas sintácticas e semânticas este clássico da estética musical que também o é da estética geral e da filosofia. Era mais do que tempo de o trazer também ao nosso idioma.Crítico musical famoso e polémico na Viena do século xix, injustamente ridicularizado na figura de Beckmesser na Ópera Os MestresCantores, de Richard Wagner, a cuja estética (expressa nos escritos Arte e Revolução, Ópera e Drama, A Obra de Arte do Futuro) tenazmente se opunha, Eduard Hanslick (11.9.1825, Praga, 16.8.1904Baden-Viena), embora de formação jurídica, ensinou História daMúsica e Estética na capital austríaca até 1895.Na sua obra, acusa a influência de Kant, mas ao longo dos anos também não permaneceu indiferente ao fascínio de Hegel. Como era defensor de uma teoria da música absoluta (instrumental, no seu caso), tornou-se para ele inevitável o choque com a estética de Wagner, fervoroso adepto da união da poesia e da música, e para quem esta

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Capítulo V

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VNada impediu tanto o desenvolvimento científico da estética musical como o valor excessivo que se atribuiu aos efeitos da música sobre os sentimentos. Quanto mais conspícuos se mostravam tais efeitos tanto mais se enalteceram como arautos da beleza musical. Pelo contrário, vimos que nas impressões mais avassaladoras da música se imiscui a fortíssima participação da excitação corpórea, por parte do ouvinte. Do lado da música, esta intensa ingerência no sistema nervoso não reside no seu momento artístico, que dimana do espírito e se dirige ao espírito, mas no seu material, que a natureza dotou com aquela insondável afinidade electiva fisiológica. O elementar da música, o som, e o movimento é o que acorrenta os sentimentos indefesos de tantos afeiçoados da música, cadeias que eles de bom grado fazem retinir. Longe de nós pretender cercear os direitos do sentimento na música. Mas este sentimento que efectivamente se une mais ou menos à contemplação pura só pode passar por artístico quando permanece consciente da sua origem estética, isto é, da alegria encontrada numa beleza e, claro está, determinada. Se esta consciência falta, falta a contemplação livre do belo artístico determinado e o ânimo sente-se apenas prisioneiro do poder natural dos sons, então a arte pode tanto menos atribuir a si semelhante impressão quanto mais intenso ele se apresenta. É muito significativo o número dos que ouvem ou, em rigor, sentem deste modo a música. Ao permitir que o elementar da música actue neles em passiva receptividade, ficam enredados numa vaga agitação, imperceptivalmente sensível,85

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Capítulo II

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IIEm parte como consequência desta teoria, que considera os sentimentos o fim último do efeito musical, em parte como correctivo seu, estabelece-se a asserção de que os sentimentos constituem o conteúdo que a arte dos sons deve representar.A investigação filosófica de uma arte impele à indagação do seu conteúdo. A toda a arte é peculiar um âmbito de ideias, que ela representa com os seus meios de expressão: som, palavra, cor, pedra.A obra de arte individual encarna, pois, uma determinada ideia como belo em manifestação sensível. Esta ideia determinada, a forma que a corporifica e a unidade de ambas são as condições do conceito de beleza, de que nenhuma inquirição científica de uma arte qualquer pode já separar-se.O que constitui o conteúdo de uma obra da arte poética ou plástica pode expressar-se com palavras e reduzir-se a conceitos. Dizemos: este quadro representa uma florista, esta estátua um gladiador, aquele poema uma façanha de Rolando. A absorção mais ou menos perfeita do conteúdo assim determinado na manifestação artística fundamenta, em seguida, o nosso juízo sobre a beleza da obra de arte.

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