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PARTE II CONQUISTA E GOVERNO

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PARTE II

CONQUISTA E GOVERNO

3.

CONQUISTA E FIXAÇÃO

“Quando lá [nas terras do Brasil] houver sete ou oito povoações estas serão bastante para defenderem [impedirem] aos da terra que não vendam

[pau] brasil a ninguém e não o vendendo as naus

[francesas] não hão de querer lá ir para virem de vazio”, Diogo de Gouveia para D. João III1.

A CONQUISTA INICIAL

O contato inicial dos portugueses com as terras americanas foi frustrante em pelo menos um aspecto: o comercial, como se percebe nas palavras de Pero Vaz de Caminha, escrivão da feitoria que se ia montar em Calecute, “nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata”2, tampouco indicava outros produtos passíveis de comércio na sua famosa carta. Para homens que iam em breve atingir um dos maiores centros comerciais da Ásia, com inúmeras mercadorias e diversos circuitos comerciais estabelecidos, as terras recém-descobertas não passavam de escala aproveitável em tão longa viagem. Aliás, esta parece ser, para

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PARTE III TERRA, TRABALHO E PODER

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PARTE III

TERRA, TRABALHO E PODER

6.

GOVERNO E PATRIMÔNIO

“Os almoxarifes e tesoureiros entram nos cargos sem terem nada e com eles fazem engenhos e grossas fazendas”, padre Luís da Fonseca1.

AS EXIGÊNCIAS E AS VANTAGENS DO CARGO

O rei era em última instância o responsável pela totalidade das mercês concedidas, afinal estas eram sempre feitas, direta ou indiretamente, em seu nome, e sujeitas, pelo menos em teoria, à sua aprovação ou não.

Contudo, para os vassalos presentes nas partes do Brasil, o acesso ao

Monarca, embora não fosse impossível, era difícil, demandando tempo e dinheiro, e, salvo para grandes personalidades, exigia uma série de intermediários.

Além disso, os prêmios mais importantes, tanto simbólicos como materiais, exigiam distinções, serviços e relações prévias inacessíveis ao conjunto dos vassalos engajados no processo de conquista das partes do

Brasil nesses primeiros tempos. Exceção feita a um seleto grupo, constituído pelas principais autoridades da colônia, as mercês mais comuns concedidas pelo Monarca eram basicamente terras, cargos e alguns títulos honoríficos. Porém, mesmo essas, na maior parte dos casos, eram confirmações de mercês feitas anteriormente pelos governadores gerais

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos primeiros tempos da colonização do Brasil, a consolidação do domínio português da fachada atlântica das partes do Brasil, pressupunha, por um lado, a montagem de uma estrutura produtiva e, por outro, o surgimento de uma camada residente detentora de recursos para arcar com grande parte dos custos do empreendimento colonial.

Tal grupo se constituiu ao longo do litoral durante o século XVI e nas primeiras décadas do século seguinte em ritmos próprios a cada capitania, por meio da apropriação privada de terras e de homens. Daí a centralidade das guerras de conquista de novas áreas ao longo do litoral, a partir dos núcleos iniciais, pois, ao mesmo tempo que derrotavam a resistência indígena, possibilitavam, na ausência de tesouros minerais de monta, a ocupação de áreas mais amplas e o cativeiro de milhares de indígenas.

Foi esse processo, comandado pela administração colonial, donatarial ou régia, que permitiu uma espécie de “acumulação primitiva colonial”, transformando as terras em patrimônio privado e obrigando os indígenas, até então livres, a trabalhar para os novos donos, em cativeiro explícito ou não. Criavam-se assim, quase que do nada, fortunas potenciais, que se realizariam plenamente, após a montagem de engenhos e a vinculação da colônia ao comércio europeu.

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PARTE I HONRAS E MERCÊS

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PARTE I

HONRAS E MERCÊS

1.

PRÊMIO E CASTIGO

“O meio, Doroteu, o forte meio

Que os chefes descobriram para terem

Os corpos que governam, em sossego,

Consiste em repartirem com mão reta,

Os prêmios e os castigos...”, Critilo

(Tomás Antônio Gonzaga)1.

A JUSTIÇA DISTRIBUTIVA

“A justiça consiste principalmente em galardoar bons e castigar maus”, definia o teólogo, personagem do livro “Imagem da Vida Cristã”2, de

Frei Heitor Pinto, publicado em 1563 na forma de diálogos. Um dos quais sobre a Justiça, intitulado “do Prêmio e Castigo, e de qual deles se há o príncipe mais de prezar”, no qual apresenta por meio de seus personagens várias ideias sobre o tema, recorrendo em muitos casos a pensadores gregos e romanos ou às escrituras sagradas. A questão proposta no título do diálogo é esclarecida pelo teólogo, que, ao responder

1  CRITILO (Tomás Antônio Gonzaga), Cartas Chilenas, introdução e notas de Afonso

Arinos de Melo Franco. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1940, p. 243.

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INTRODUÇÃO

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INTRODUÇÃO

No processo de colonização do Brasil1, a Coroa utilizou-se da iniciativa particular e nela se apoiou, sempre buscando, porém, seu controle. Se na perspectiva do Estado contemporâneo essa situação pode ser vista como fragilidade, à época, no processo de formação do Estado2, tal política constituiu um hábil recurso: a Coroa aplicava recursos humanos e financeiros particulares para viabilizar seus projetos, sem que lhe coubesse

  Aqui cabe um esclarecimento sobre a utilização do termo Brasil empregado em todo o trabalho. Na totalidade da documentação compulsada, as terras que os portugueses povoaram no continente, depois conhecido como América, e que posteriormente formariam no século XIX um Estado Nacional, chamado Brasil, eram designadas, no período por nós estudado, como: a costa do Brasil, as terras do Brasil, as partes do Brasil, ou simplesmente Brasil, o que indicava o reconhecimento de uma unidade geográfica, que, num plano político-administrativo posterior, receberia a designação de Estado do Brasil.

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Rodrigo Goyena Soares (24)
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2.4. RESUMO DO CAPÍTULO

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104

– História do Brasil II

essas associações. Chegou-se a prender um agente nazista na província gaúcha, onde foi acusado de promover motins fascistas. O embaixador da Alemanha no Rio de Janeiro,

Ritter, protestou impetuosamente, o que lhe valeu a declaração de persona non grata. Retirou-se do país, portanto, mas o abalo entre o Brasil e a Alemanha não se desdobrou em um rompimento de relações diplomáticas.

Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos adensaram sua política de influência no Brasil e, mais amplamente, na América Latina. Em julho de 1941, criou-se o Office of the Coordinator of Inter-American Affairs, que tinha o objetivo, precipuamente, de estreitar vínculos culturais entre os Estados Unidos e a América Latina. Orson

Welles foi convidado para gravar, no Ceará, filme intitulado It’s all true, no qual a glorificação do governo Vargas estaria retratada nos jangadeiros saídos de Fortaleza para o Rio de Janeiro com a intenção de reivindicar a legislação trabalhista outorgada por Getúlio. Não por acaso, os personagens principais do filme The Three Caballeros, de Norman Ferguson, traduzido em português como Você já foi à Bahia?, eram o Pato Donald, Panchito e Zé Carioca. Precisamente, personagens estadunidense, mexicano e brasileiro. Se as lembranças do telegrama

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3.4. RESUMO DO CAPÍTULO

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146

– História do Brasil II

Lins. Este último havia sido substituído, ainda na presidência de Juscelino Kubitschek, por

Francisco Negrão de Lima na embaixada do Brasil em Lisboa, quem advogava a defesa da mãe pátria, nas palavras do próprio.

3.4.  RESUMO DO CAPÍTULO

1. A nova ordem política

1.1. A eleição de Eurico Gaspar Dutra e a Constituição de 1946

Dutra eleito pelo PSD. Vence contra Eduardo Gomes, da UDN, e contra Iedo Fiúza, do PCB. José Linhares, presidente do STF, transmite faixa presidencial para Dutra.

Promulgação da Constituição de 1946; assemelha-se às anteriores. nn Promulgada. nn Republicana. nn Federalista. nn Tripartição dos poderes. nn Legislação trabalhista: benefícios para trabalhadores urbanos. nn Pluripartidarismo, liberdade de expressão e habeas corpus restabelecidos.

1.2. O retorno de Getúlio Vargas ao poder

Vargas, pelo PTB, lança chapa com Café Filho, do PSP. Ademar de Barros faz acordo com Vargas: daria seu apoio em 1950, mas, em troca, Vargas daria o seu em 1955. Vence contra Eduardo Gomes, da UDN, e Cristiano Machado, do PSD. UDN pede ao STF invalidação da eleição, visto que Vargas não havia obtido maioria absoluta. STF nega teoria da maioria absoluta.

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4.2. O PROCESSO ECONÔMICO

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162

– História do Brasil II

deputados do PT, malgrado as instruções para anular o voto, também se puseram do lado do

PMDB. Em 21 de abril de 1985, no entanto, reverteu-se o curso das eleições. Faleceu Tancredo em São Paulo, após uma série de intervenções cirúrgicas às quais foi submetido desde fevereiro de 1985. A posse, prevista para março, ocorreu, mas não sob os sapatos de Tancredo. Assumiu José Sarney, e houve quem visse nisso um retorno aos comandos da ARENA.

Os primeiros sinais da presidência de Sarney foram de ambiguidade política. Se, por um lado, dizia respeitar as liberdades públicas, por outro, manteve o repasse de verba pública para o SNI. Paralelamente, ampliou-se o direito ao voto para os analfabetos e legalizou-se o conjunto dos partidos nacionais, inclusive o PCB e o PC do B. Das eleições para o Congresso marcadas para novembro de 1986 surgiriam os parlamentares para a Assembleia Nacional

Constituinte. Em 1986, confirmou-se a maioria do PMDB tanto na Câmara quanto no Senado: das 487 cadeiras para a Câmara, o PMDB obteve 260, e das 49 para o Senado, 38.

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4. O REGIME MILITAR

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Questões do IRBr

261

Daniel Aarão Reis. In: História do Brasil Nação. Rio de Janeiro: Objetiva/MAPFRE, 2014, v. 5 (1964-2010), p. 23-4 (com adaptações).

Considerando o trecho de texto acima e o período histórico nele referido, julgue (C ou E) os itens a seguir.

1. A política econômica do governo de Médici, baseada na firme condução pelo Estado, provocou um ciclo de grande crescimento econômico.

2. O projeto de desenvolvimento e industrialização, impulsionado pelo Estado, articulava capitais nacionais e estrangeiros; no plano político, o Ato Institucional n. 5 servia para reprimir as oposições.

3. Nesse período, o Brasil teve posturas de subordinação aos interesses comerciais dos países industrializados, apoiando as posições desses países nos fóruns internacionais em que se discutia o comércio internacional.

4. Houve a estatização da indústria cinematográfica, com a criação da empresa estatal

EMBRAFILME, que tinha o monopólio da produção e distribuição de filmes no

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4.1. A POLÍTICA AUTORITÁRIA

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– História do Brasil II

nn CMBEU: BNDE. nn Petrobras e Lei de Remessa de Lucros. nn Recusa à entrada na Guerra da Coreia.

3.2. O padrão associado de inserção na Guerra Fria

Governo JK: alinhamento associado. nn OPA, 1958. Proposta de Plano Marshall para América Latina. Contexto: revolução

Cubana. nn Diversificação de mercados. nn Relações comerciais com a URSS. nn Ruptura com o FMI.

3.3. O padrão autonomista de inserção na Guerra Fria

Governos Jânio Quadros e João Goulart: formação e consolidação da Política Externa

Independente. nn Universalismo, pragmatismo, diversificação de parcerias, não ingerência, princípio de autodeterminação dos povos. nn Retórica anticolonialista. Hesitações quanto às colônias portuguesas. nn Presença como país observador nas conferências dos países não alinhados. Bandung,

1955, e Belgrado, 1961. nn Reatamento das relações diplomáticas com a URSS.

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Peter Lambert Phillipp Schofield (21)
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Capítulo 4 | O surgimento da história econômica britânica, c. 1880 a c. 1930

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O SURGIMENTO DA HISTÓRIA ECONÔMICA

BRITÂNICA, C. 1880 A C. 1930

Phillipp Schofield

4

Em uma palestra – “A Interpretação Econômica da História”, apresentada no final da década de 1880, em Oxford – James E. Thorold Rogers, então professor de economia política naquela universidade e de ciência econômica e estatística no

King’s College, em Londres, começou lamentando que em quase todas as histórias e em quase toda a economia política, a coleta e interpretação dos fatos econômicos, e com isso quero dizer registros da vida social ilustrada e a distribuição de riqueza em diferentes épocas da história da humanidade, foram geralmente negligenciadas.

Essa “negligência”, da forma como ele a via, tornava a “história imprecisa ou, pelos menos, imperfeita”.1 Embora Rogers continuasse na mesma linha nesta e em outras exposições, seu argumento principal já tinha sido apresentado, ou seja, o de que a investigação histórica que não conseguisse assumir um elemento econômico e social (em outras palavras, aquele “tipo” de história a que ele e seus contemporâneos chamariam de “história econômica” ou, como subdisciplinas separadas, de histórias “econômica” e “social”2) era fundamentalmente falho e, por extensão, o vasto conjunto de empreendimentos históricos que ele via sendo realizados dentro das universidades sofria por essa mesma razão. Rogers estava bastante disposto a reconhecer que “o estudo sólido da história teve avanços consideráveis”, de forma que “a narrativa não é mais de guerra e paz, de genealogias reais, de datas não relacionadas”. Entretanto, ele acreditava firmemente que um conjunto de materiais históricos fosse negligenciado pelos historiadores acadêmicos e, mais importante, que em suas preocupações históricas se escondiam preconceitos e partidarismos incentivados pela natureza de suas explorações e a qualidade de suas fontes.3

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Capítulo 9 | História e sociologia

Peter Lambert, Phillipp Schofield Grupo A PDF Criptografado

HISTÓRIA E SOCIOLOGIA

Robert Harrison

9

Entre as disciplinas aparentadas com a história, a sociologia sempre pareceu a mais próxima, mas, ao mesmo tempo, a mais invasiva, a mais intimidativa, a mais desdenhosa em relação à prática histórica. Este capítulo examina as origens e o desenvolvimento da sociologia, observando algumas das formas nas quais os sociólogos deram início à investigação da sociedade, como seu trabalho influenciou a escrita da história nas décadas recentes e, por fim, a crescente penetração dos vários tipos de pensamento histórico dentro da própria sociologia.

Segundo Anthony Giddens, “a sociologia é o estudo da vida social, dos grupos e das sociedades humanos”. Seu tema é nosso próprio comportamento como seres sociais”.1 De que forma, porém, isso difere do tema da história, que o historiador francês do século XIX Fustel de Coulanges identificou como “a ciência das sociedades humanas”?2 A diferença mais óbvia é que a história lida com o passado enquanto a sociologia lida com o presente. Embora essa generalização descreva com precisão as atividades de pesquisa da maioria dos historiadores e sociólogos, há uma sensação de que a construção que o sociólogo faz do “presente etnográfico” e das afirmações do historiador de excluir demandas do presente de sua investigação do passado são igualmente fictícias. Mais importante, há uma crescente escola de sociologia histórica que inclui em suas fileiras figuras influentes como Barrington

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Capítulo 17 | Os historiadores e o cinema

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17

OS HISTORIADORES E O CINEMA

Peter Miskell

Sejamos diretos e admitamos: os filmes históricos incomodam e perturbam os historiadores profissionais, e assim tem sido por um bom tempo.1

Em um exame da relação entre história profissional e versões do passado criadas e apresentadas fora da academia, o cinema é forte candidato a receber nossa atenção. Não apenas oferece uma via para quem não tinha conexões com a academia exibir publicamente sua própria versão de história, como também permite que a história seja apresentada e consumida de uma forma totalmente nova ao século

XX.2 Além disso, a imensa popularidade internacional dos filmes fez com que a história, como se vê nas telas, tenha atingido um público muito mais amplo do que a escrita dos historiadores profissionais. Este capítulo não discutirá teoricamente, em detalhes, se os historiadores acadêmicos têm mais direitos do que os cineastas de afirmar que seu trabalho oferece uma interpretação válida do passado. A intenção aqui é oferecer uma visão do relacionamento variável dos historiadores com o cinema no decorrer do século XX, questionando por que os “filmes históricos têm incomodado e perturbado os historiadores profissionais”. Até que ponto suas atitudes em relação à história apresentada na tela se desenvolveram durante o século XX?

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Capítulo 3 | A primazia da história política

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3

A PRIMAZIA DA HISTÓRIA POLÍTICA

Robert Harrison, Aled Jones e Peter Lambert

A geração fundadora de historiadores profissionais na Alemanha, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha tinha uma visão estreita sobre qual era o tema da história, concentrando seus esforços no estudo da história política. Uma razão para se fazer isso era que os métodos da “história científica” se aplicavam mais facilmente a tópicos políticos. Os arquivos de governos estaduais e federais e as obras selecionadas de destacados líderes políticos eram o material documental de mais fácil acesso, de modo que os estados, em lugar dos povos, se tornaram os principais temas.

Alemanha

No caso da Alemanha, além das exigências de método científico, a patronagem do Estado à disciplina emergente e ao trabalho dos historiadores oferecia um segundo motivo para o foco específico na história política, enquanto a propensão luterana a se submeter à autoridade estatal representava um terceiro. Embora rejeitassem quase todos os outros aspectos do trabalho de Hegel, os historiadores lhe faziam eco ao dizer que o Estado era a maior conquista do empreendimento humano. Johann Gustav Droysen associava o Estado ao divino, Friedrich Dahlmann lhe atribuía características mais humanas, de uma “personalidade corporal e espiritualmente valiosa”. Dessa forma, foi dado um primeiro passo para conciliar o foco no Estado em geral com a convicção dos historiadores de que sua preocupação deveria ser com o historicamente particular: O próprio Estado era um indivíduo! O segundo passo foi dado quando foi declarado que a tarefa do historiador era a propagação de seu próprio Estado-Nação. Se os primeiros trabalhos de

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Capítulo 19 | História e história “amadora”

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HISTÓRIA E HISTÓRIA “AMADORA”

William D. Rubinstein

19

Além do tipo de história praticada e produzida por acadêmicos universitários, há outro vasto mundo de historiadores amadores, antiquários, populares e públicos que são quase que invariavelmente ignorados pelos primeiros, e que também os ignoram. Em número, eles certamente fazem o contingente universitário parecer pequeno. No ano de 2000, por exemplo, havia cerca de 2.900 professores universitários de história no Reino Unido. Em comparação, a revista mensal britânica History Today, uma valiosa e bem ilustrada publicação de história popular, vende 30.000 exemplares por edição, cuja grande maioria deve ser comprada por membros comuns do público leitor, avidamente interessados em história, mas com pouca ou nenhuma conexão, tampouco conhecimento, sobre história e historiadores acadêmicos. O objetivo deste capítulo é fazer um levantamento de algumas das mais populares variedades de história não acadêmica, examinando o que elas têm em comum com a história acadêmica da forma como esta é praticada nas universidades, mas também em que diferem. Um desses campos, o dos estudos sobre museus e patrimônio (e o trabalho dos arquivistas profissionais) deixa deliberadamente de ser examinado aqui, por ser uma profissão estabelecida em si mesma, muito próxima do trabalho de historiadores acadêmicos e normalmente exigindo uma formação de pós-graduação em história ou em um tema relacionado.1 A maioria, ou todas as áreas discutidas aqui, é dominada pelo historiador não profissional, muitas vezes, na verdade, por pessoas que não têm qualquer formação universitária em história.

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Lu S Bigotte Chor O (23)
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Henrique Galvão em Buenos Aires

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

LU ÍS BIGOT T E CHOR ÃO

em Lisboa, insinuando-se como artífice da criação de condições mais propícias à solução de um caso cujo arrastamento não interessava à

Argentina e menos ainda a Portugal.

É neste quadro que se realiza em Buenos Aires, a 12 de Maio, a audiência concedida pelo ministro das Relações Exteriores argentino ao embaixador de Portugal. De acordo com o telegrama dessa data expedido para Lisboa, o embaixador Antas de Oliveira informou que o ministro se congratulara com a «atitude amistosa» do governo português ao não haver colocado a questão Galvão no plano jurídico, cuja solução, disse, seria «extremamente complexa», tendo considerado a questão «praticamente resolvida» e recordado não ter a Argentina ratificado a Convenção de Bogotá. E disse ainda «ser pessoalmente partidário da restrição do asilo político cuja prática abusiva estava criando crescentes dificuldades entre os Governos sul-americanos».

O embaixador Antas de Oliveira informou ainda o Ministério de que não havia deixado de fazer sentir ao ministro que a solução dada à questão Galvão devia ser considerada excepcional e que qualquer caso futuro seria encarado de acordo com a doutrina do memorando(433).

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Precedentes: o caso dos asilados integralistas de Martinho Nobre de Melo

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

ASI LO POLÍ T ICO EM T EM POS DE SA LA ZA R

para regressar a sua casa. Na verdade, não estava disposto a conceder

«garantias para o futuro» e ponderava até o ministro a hipótese de o general vir a praticar actos em conflito com alguém nas ruas.

No seu diário, a 20 de Janeiro, Lins, que tinha certamente presente as circunstâncias em que o general lhe dissera temer ser preso, às quais se referira quando havia solicitado asilo, registou:

Pensei comigo mesmo: mas também, nas condições do regime vigente em Portugal, como seria fácil, à própria polícia, criar um incidente dessa espécie para um desfecho porventura já deliberado!(90)

Precedentes: o caso dos asilados integralistas de Martinho Nobre de Melo

A respeito da conexão de Portugal com casos de asilo, quer dizer, de precedentes, o embaixador Álvaro Lins não perdeu a oportunidade para, a propósito do caso pendente, argumentar, e fazer prova, com documentação diplomática, que o antigo embaixador de Portugal no Rio de Janeiro, Martinho Nobre de Melo(91), fizera entrega no

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Delgado a caminho do Rio de Janeiro

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ASI LO POLÍ T ICO EM T EM POS DE SA LA ZA R

brasileiros, e como dois destes eram movidos pelo medo, que não pelo perigo, ele desde logo disse ao embaixador que não perdesse tempo e os mandasse para casa porque nada havia contra eles…

E acrescentou:

Enfim, cá fui procurando dar alguma utilidade prática à minha vinda aqui […].(409)

Delgado a caminho do Rio de Janeiro

Na noite de 20 de Abril, o general Delgado viajava finalmente para o Rio de Janeiro.

Através de um telegrama dirigido a todas as embaixadas e legações de Portugal, o chefe da diplomacia portuguesa instruíu os funcionários diplomáticos com a versão oficial dos acontecimentos relacionados com a saída de Portugal de Humberto Delgado, de modo a contrariar a ideia de cedência por parte do governo português:

Seguiu [na] noite [de] 20 para 21 de Abril para o Rio de Janeiro no avião de carreira da Panair do Brasil, o General Silva Delgado que desde 12 de

Janeiro findo alegando o receio de ser preso se refugiara na Embaixada do

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Uma diligência de Paulo Cunha a partir de Caracas

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

ASI LO POLÍ T ICO EM T EM POS DE SA LA ZA R

— O homem diz que se asilou e só vai para casa se o Brasil mandar…

— Ahmm! — murmurou o Chateaubriand.

— Porque — continua o Lins — o homem diz: vai mas se o Brasil disser que não dá mais asilo então diz que vai para tudo… agradece ao

Brasil o asilo que deu, não guarda ressentimento e vai para casa… […].(143)

Uma diligência de Paulo Cunha a partir de Caracas

Por certo contribuindo para agravar as preocupações do ministro

Marcello Mathias, da Embaixada de Portugal em Caracas foi recebido um telegrama do aí ministro plenipotenciário de Portugal, Alberto

Carlos Teixeira Branquinho — antigo ministro em Budapeste(144) —, cuja transmissão a Lisboa lhe fora solicitada pelo antigo ministro dos

Negócios Estrangeiros, Paulo Cunha(145). Em síntese, o antecessor de

Marcello Mathias dialogara com o embaixador do Brasil em Caracas,

Pires do Rio, e com Armando Falcão(146), líder da bancada do governo

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Depois de Delgado… Galvão

Luís Bigotte Chorão Editora Almedina PDF Criptografado

ASI LO POLÍ T ICO EM T EM POS DE SA LA ZA R

Não se deve esquecer que, ouvido pelo Diário de Lisboa, Mendes

Viana afirmou estar satisfeito com o resultado da sua missão, sublinhando ter encontrado em Lisboa um «clima de compreensão». E mais, disse ter-se apoiado na «forte personalidade» de Álvaro Lins — assim a caracterizou —, reconhecendo ao embaixador tudo haver feito para que as negociações «fossem ainda mais amistosas»(420)…

À chegada a Lisboa, declarara, aliás, vir «cooperar com o embaixador

Álvaro Lins e com o Governo Português para a obtenção de uma solução pronta de um problema que a todos nos coloca em posição difícil»(421).

Se o chefe da diplomacia portuguesa considerou que a «atitude espectacular» de Delgado procurara apenas «introduzir na vida política interna portuguesa elementos de perturbação e confusão internacionais», o que a dignidade de Portugal não podia admitir(422), a verdade

é que o «desenlace do dissídio luso-brasileiro»(423) terá levado o grande artífice da orientação política e diplomática do assunto, Oliveira

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Ladislas (45)
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A casa na Rua Herren

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XXIA casa na Rua HerrenUm ou dois dias após o Dia D, o quartel-general de Eisenhower emitiu um comunicado. Este revelava um importante segredo: que ao longo de toda a testa de ponte nas praias da Normandia fora servido aos soldados gelado de diversos e deliciosos sabores, dez horas apenas após o desembarque inicial. Isto destinava-se a sossegar as pessoas que ainda assistiam tranquilamente em casa à grande guerra, mas a invasão foi mais do que um teste supremo à eficácia de um batalhão de homens bem dispostos.Quando o primeiro GI desembarcou na Normandia no Dia D, com água pela cintura, era um homem contra aquilo a que o historiador Percy Ernst Schramm, que mantinha o diário de guerra ­oficial do alto-comando alemão, descreveu como «o máximo de forças disponíveis [que os Alemães] conseguiam posicionar a ocidente».Durou algum tempo até os Aliados, que chegavam ininterruptamente pelo Canal, se equivalerem em número aos defensores. Mesmo uma semana após o Dia D, quando já tínhamos 326 000 homens em terra, os Alemães continuavam a ser mais numerosos, na proporção de dois para um. Foram precisos milhões de soldados aliados, e quase

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Um homem chamado «Ramsey»

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XVUm homem chamado «Ramsey»Na primavera de 1935, chegou a Nova Iorque um turista vindo deTóquio e com destino a Berlim. Registou-se no Hotel Lincoln, na 44.aRua Oeste, sob o nome de Dr. Richard Sorge, correspondente estrangeiro do Frankfurter Zeitung, um dos principais jornais a­ lemães.Os serviços de informações de vários países tinham tentado manter atualizada uma ficha com dados biográficos sobre este homem, mas o seu percurso errático revelara-se algo difícil de acompanhar.A  sua «ficha de suspeito» nos arquivos dos serviços de contrainformação americanos datava já de 1929 e continha uma série de­entradas sensacionais, indicando Sorge como membro muito importante do grande aparelho soviético de espionagem.Este Sorge era um intelectual melancólico, nascido em Baku, noSul da Rússia. O seu avô fora Adolph Sorge, secretário de Karl Marx na I Internacional, e o pai um engenheiro alemão que trabalhava para uma companhia petrolífera no Cáucaso; a sua mãe era de origem mais obscura, e dizia-se que era russa. Sorge fora um rapaz sensível, bonacheirão e estudioso, e algo mimado pelos seus pais, que lhe chamavam «Ika».

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A raposa na sua toca

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IIA raposa na sua tocaA 31 de agosto de 1939, a Wehrmacht, que fora utilizada na­campanha da Polónia, fervilhava de entusiasmo e tensão. Mas, em ­Berlim, num escritório simples e escassamente mobilado, um homem pequeno e pálido, de cabelo branco, recostava-se, descontraído. Para Wilhelm Canaris, a eclosão da guerra fora um anticlímax. Ele trabalhara longa e arduamente para a preparar; agora, as batalhas que a Wehrmacht ainda tinha de vencer ou perder já eram para ele um assunto arrumado. Canaris e os seus homens travaram a sua própria guerra clandestina com enorme dedicação e rara perícia. Apesar de terem perdido algumas escaramuças, haviam ganho a maioria das batalhas. E julgavam-se agora confiantes de que ganhariam a guerra.Quem era este homem, este grande comandante e o cérebro deste vasto exército clandestino? Tendo sido o mais importante chefe de uma organização de espionagem da Segunda Guerra Mundial, Canaris foi também uma das suas figuras mais controversas. Um antigo e destacado alto oficial germânico escreveu: «Raramente foi uma importante personagem histórica julgada com tantos veredictos c­ontrastantes

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As difíceis ervas daninhasda Inglaterra

Ladislas Editora Almedina PDF Criptografado

XAs difíceis ervas daninhas da InglaterraNo verão de 1940, a Abwehr atingira o seu auge e estava a deteriorar-se impercetivelmente. Os serviços de informações britânicos haviam saído da sua letargia e inépcia, tendo-se tornado, quase de um dia para o outro, um braço crucial do governo de Sua M­ ajestade.Estas alterações exerceram considerável influência na História:Hitler precisava da Abwehr mais do que tudo para preparar o caminho para o próximo destino; Churchill necessitava do conselho dos seus Serviços de Informações para impedir que o Führer o atingisse.Após a conclusão da campanha francesa, Hitler estava algo indeciso quanto ao que fazer. Durante alguns dias chegou a pensar em sugestões de paz. O rei da Suécia, entre outros, surgiu nos bastidores a oferecer os seus serviços para mediar alguma forma de acordo de paz que permitisse ao nazi manter o seu saque. Os serviços de­Gustavo V foram rejeitados por ambos os lados; de forma indignada por Churchill, e perplexa por Hitler. Depois disto, Hitler não hesitou.

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Livre na Sicília

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XIILivre na SicíliaA União Soviética, tradicionalmente a principal potência da espionagem mundial, herdara da Rússia czarista uma complexa organização de serviço secreto, que aumentou e aperfeiçoou.Antes da guerra, a espionagem soviética estava muito bem organizada, tinha um propósito e era dirigida com excecional perícia, pese embora a troca frequente de diretores e os muitos serviços repetidos. No conjunto, o Kremlin tinha à sua disposição seis grandes organizações de serviços de informação, cinco delas operacionais em diversas áreas, e uma encarregada da análise estratégica. Estaúltima era o chamado Departamento Confidencial do Secretariado do Comité Central do Partido Comunista, veículo para a transmissão de informações das agências de investigação ao Politburo e aoComité Central.Entre as cinco organizações operacionais, a 4.a Divisão do­Estado-Maior do Exército Vermelho e o Departamento dos NegóciosEstrangeiros do Comissariado (mais tarde Ministério) do Interior, a infame NKVD, igualavam-se em importância e influência. A terceira divisão consistia no departamento de informações políticas do

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