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IX. Tratamento Psicanalítico da Psicose

QUINET, Antonio Grupo Gen PDF Criptografado

IX

TRATAMENTO PSICANALÍTICO DA PSICOSE

Que significa tratamento? Na linguagem psicanalítica significa tratamento por um intermédio de um discurso. É possível o tratamento da psicose pelo discurso do analista? Antes de chegarmos ao discurso do analista, vejamos por quais discursos o louco tem sido tratado.1

O louco nos quatro discursos

O louco é tratado pela psiquiatria, pela polícia, ou ainda, pela assistência social. A repressão trata o louco com a injunção à adaptação à norma para que ele produza trabalho. Aqui tem-se a estrutura do discurso do mestre:

S1

S/

S2 a

O agente da polícia, por exemplo, atua sobre o louco: (S1  S2) para que este produza o objeto (a) com o qual aquele poderá gozar: seja objeto de divertimento, sejam objetos de consumo produzidos pelo trabalho forçado dito terapêutico.

A psiquiatria universitária trata o louco não como sujeito, mas como objeto – de estudo, exames, cuidados, farmacopeia. Pode-se depreender da prática da psiquiatria a estrutura do discurso universitário:

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XVII. Arte Virgem – A Função da Pintura na Psicose

QUINET, Antonio Grupo Gen PDF Criptografado

XVII

ARTE VIRGEM

A FUNÇÃO DA PINTURA NA PSICOSE

Em 1946, no Engenho de Dentro, no Centro Psiquiátrico Pedro

II, no Rio de Janeiro, uma jovem doutora, Nise da Silveira, cansada do arsenal terapêutico dos eletrochoques, comas insulínicos e psicocirurgias, decide abrir um ateliê de pintura para os internos, sustentando então a aposta de que lá onde eram jogados os rebotalhos da sociedade utilitarista havia sujeitos – sujeitos do inconsciente.

Os usuários, a maior parte esquizofrênicos, como ela mesma os nomeia, começam a produzir livremente desenhos, quadros, esculturas. Pintores, curiosos e interessados passam então a frequentar esse ateliê e, em maio de 1952, Nise da Silveira inaugura o famoso Museu do Inconsciente. Por mais que nossa doutora considere, como ela mesma diz em seu livro Imagens do Inconsciente, essa experiência como um fracasso,1 devido ao fato de ela ter permanecido até hoje totalmente marginal à instituição, é fato que esse Museu de arte bruta no Rio conta hoje com mais de 250.000 peças produzidas pelos ditos loucos.

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IV. O Gozo na Psicose

QUINET, Antonio Grupo Gen PDF Criptografado

IV

O GOZO NA PSICOSE

Para além de uma questão preliminar

A psicose desvela “a origem sórdida do nosso ser”.1

A questão preliminar a todo tratamento possível da psicose é a questão que “nos é colocada”, diz Lacan, “pela existência do louco”. E que será por ele respondida com a foraclusão do Nome-do-Pai no lugar do Outro como condição essencial da psicose, e que tem como efeito, quando do desencadeamento, a regressão tópica ao estádio do espelho.

Trata-se, então, nesse texto de Lacan, daquilo que, no registro simbólico, vai corresponder à estrutura da psicose e seus efeitos no registro imaginário. Mas logo após o trecho em que estabelece a foraclusão Lacan afirma: “o que acabo de trazer aqui como questão preliminar a todo tratamento possível da psicose, prossegue sua dialética para além. (...)”.2

Quais são as coordenadas que existem nesse texto mesmo e que nos permitem ir além? As que estão em conexão com o aforisma correspondente à foraclusão do Nome-do-Pai: “o que está foracluído no simbólico retorna no real”.

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I. Psicose: uma Estrutura Clínica

QUINET, Antonio Grupo Gen PDF Criptografado

I

PSICOSE: UMA ESTRUTURA CLÍNICA

Não é louco quem quer

Lacan era psiquiatra de formação e jamais deixou de se interessar pela psicose desde sua tese de doutorado de 1932, intitulada

“Da psicose paranoica e suas relações com a personalidade”. Esse interesse manifesta-se tanto no Seminário sobre as psicoses, em 1955, onde retoma as memórias do presidente Schreber, como no Seminário sobre “Joyce, o Sintoma”, realizado em 1975/76. Além disso, sempre recebeu psicóticos em seu consultório e fez durante toda a vida apresentações de pacientes no hospital Saint-Anne, em Paris.

Nesse mesmo hospital, ainda como residente, Lacan escreveu na sala de plantão uma frase que ficou na história: “Não é louco quem quer”. Este enunciado, que pode ser lido como “Só é louco quem pode”, já prenuncia o que será a sua postura – eminentemente freudiana – diante da loucura: abordar a psicose como algo específico e determinado, que tem sua lógica e seu rigor, e não como um estado de espírito que qualquer um pode apresentar. Trata-se de considerar a psicose como uma estrutura clínica diferente da neurose. É justamente a referência ao Édipo o divisor de águas entre o campo das neuroses e o campo das psicoses.

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APRESENTAÇÃO Da 5ª EDIÇÃO

MARTINEZ, Luciano Editora Saraiva PDF Criptografado

APRESENTAÇÃO Da 5ª EDIÇÃO

O Curso completa seu 5º ano de existência e, graças a um trabalho sério e atento às necessidades do leitor, ganha a cada aniversário, como seu melhor presente, o reconhecimento dos diversos públicos para os quais foi projetado. Por conta de respostas objetivas, mas bem fundamentadas, vemo-nos, com orgulho e satisfação, indicados pelos mais respeitáveis sites de preparação para Exame da Ordem e concursos públicos, e, ao mesmo tempo, citados em monografias de graduação e de pós-graduação, dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos de periódicos, livros, manuais e em muitas peças processuais.

Como forma de retribuir tal reconhecimento, permanecemos atentos e cuidadosos na construção de cada nova edição. Revisamos textos, precisamos diferenças entre institutos, reforçamos argumentos, atualizamos jurisprudências e tratamos das mais relevantes mudanças legislativas nos planos trabalhista e previdenciário.

Entre as muitas novidades da 5ª edição, são destaques o aprofundamento de temas polêmicos à luz dos direitos fundamentais laborais, entre os quais os direitos ao trabalho, à igualdade, à não discriminação, ao lazer, à intimidade, à vida privada, à liberdade religiosa e à liberdade sindical; o tratamento de novos temas relacionados ao contrato de estágio (nos planos da saúde e segurança no local de estágio; da inserção da cláusula de exclusividade contratual de estágio; do tratamento discriminatório aos estagiários e da competência jurisdicional); a rediscussão do dever de motivação da dispensa unilateral de empregado por empresa estatal e sociedade de economia mista; a análise de consequências decorrentes de evento acidentário por “culpa exclusiva do empregado” e de falecimento do operário por culpa patronal; o oferecimento de novas perspectivas quanto a antigos institutos (horas in itinere, piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho, contrato dos atletas profissionais, culpa recíproca, auxílio-desemprego etc.); e, especialmente, a reconstrução meticulosa de todas as passagens que tratam dos empregados domésticos por conta da importante publicação da EC n.

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