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Capítulo 1. Histórias simbólicas sobre o que é recuperação

Ronaldo Laranjeira, Hugo Leal Artmed PDF Criptografado

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HISTÓRIAS SIMBÓLICAS

SOBRE O QUE

É RECUPERAÇÃO

A vivência do alcoólico no Alcoólicos Anônimos (AA) vai muito além do intercâmbio de experiências individuais sobre o desenvolvimento da doença ou o fortalecimento do propósito de se manter abstinente por meio de uma disciplina comportamental comum de mútuo apoio. Na verdade, o que acontece é uma relação de cumplicidade no processo de crescimento e aprimoramento das consciências, que dá, a cada um, ganhos na qualidade de vida e na realização pessoal psíquica e material que realmente compensam as dores da abstinência, com uma nova cosmovisão e novos objetivos de vida.

Nesse caminho, a criatividade e o repertório simbólico das buscas individuais se so­mam e formam uma cultura própria, na qual elementos de diversas expressões se reúnem de modo a convergir em um caminho único, que mostra alegoricamente saídas para angústias e indefinições comuns no cotidiano. Essas histórias, muitas delas refletindo máximas de filosofia perene (conjunto de verdades universais presentes em diversas civilizações de todas as eras), são contadas pelos membros da irmandade quando ex­ põem suas reflexões e acabam funcionando como ícones, indicando o que se fazer ante distorções emocionais ou encruzilhadas nos rumos da existência.

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Capítulo 14. O exemplo não é a melhor forma de convencer. É a Única!

Ronaldo Laranjeira, Hugo Leal Artmed PDF Criptografado

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O EXEMPLO NÃO É A

MELHOR FORMA DE CONVENCER.

É A ÚNICA!

JOSÉ BERNARDO

SOBRE ALCOOLISMO

Meu nome é José, sou um alcoólatra, e só por hoje não bebi. É assim que eu inicio meus depoimentos – partilhas – nos grupos de AA e é também assim que me apresento a mim mesmo, para nunca me esquecer de quem sou e de tudo que isso significa.

Meu ingresso no AA pode ser registrado com uma frase: acordei de madrugada, passando mal de novo, e concluí que estava na hora de parar de beber. Fui a um grupo e, a partir daí, nunca mais bebi. Uma história em que grande parte do texto está no preâmbulo.

Bebi dos 13 aos 40 anos e, na casa dos 18, a chamada maioridade, já era um “profissional do porre”, com várias entradas quase fora do ar no pronto-socorro, inúme­ras aventuras etílicas e uma série de abusos e besteiras nem sempre aceitas pela comunidade na boa. Tudo isso exigia, algumas vezes, um trabalho de “diplomacia” para serenar os

âmbitos e promover uma relativa harmonia entre as partes, ou seja, eu e as outras pessoas envolvidas nas minhas maluquices.

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Capítulo 10. A vida existe para você crescer

Ronaldo Laranjeira, Hugo Leal Artmed PDF Criptografado

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A VIDA EXISTE

PARA VOCÊ CRESCER

JOSÉ CARLOS

SOBRE RECUPERAÇÃO

Sou José Carlos, um dependente químico do tipo que popularmente chamamos de cruza­do.

Tenho 62 anos, e desenvolvi principalmente o uso de álcool e de anfetaminas na época de “ativa”. Hoje, conto 26 anos de sobriedade, graças a uma abstinência contínua obtida pela frequência em Alcoólicos Anônimos (AA) e pelo aprofundamento consciente nos ensinamentos da espiritualidade.

Sou o filho mais velho de uma família de oito irmãos, com um pai disfuncional, expulso ainda criança de sua casa por causa de seu comportamento rebelde – peralta demais, um verdadeiro traquinas, conforme na época, ou com transtorno da conduta, conforme a pedagogia atual. Meu pai seguiu assim pela vida afora, sempre trabalhando por conta própria, sem patrão; era um camelô profissional que desenvolveu o alcoolismo e teve todo tipo de problemas.

Evidentemente nós, seus filhos, passamos dificuldades extremas por causa da falta de dinheiro e de uma estrutura psíquica que nos desse um norteamento com relação ao comportamento social normal. Eu, por exemplo, desde muito cedo fui pressionado pelo meu pai a trabalhar e ajudar na subsistência familiar.

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Capítulo 4. A serenidade está em primeiro lugar

Ronaldo Laranjeira, Hugo Leal Artmed PDF Criptografado

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A SERENIDADE ESTÁ

EM PRIMEIRO LUGAR

MARIA LUÍSA

SOBRE AL-ANON

Meu nome é Maria Luísa, sou esposa de um alcoólico e entrei para o Al-Anon há 27 anos. Entrei, mas não entendi nada. Apesar de ser formada em psicologia e trabalhar na

área, minhas noções do que era o alcoolismo ainda beiravam a ignorância total. Como consequência, me afastei da irmandade, que enxergava, na época, como um grupo de velhos conservadores e puritanos.

Minha família tinha muitos festeiros – a grande maioria bebedores sociais que, de vez em quando, bebiam um pouco além do que aguentavam e ficavam meio “alegres”, alterados, mas sempre em um clima amigável, sem problemas reais de atitude ou de relacionamento. Então, minha relação com o álcool era sempre considerando o beber demais – fazer escândalo, dizer besteiras, dar mancadas, causar acidentes dirigindo, etc. – como culpa da imaturidade, de descontroles emocionais ou da fraqueza de caráter do bebedor. Jamais tinha passado pela minha cabeça a possibilidade de que a situação dos “bons de copo” não poderia ser resolvida com conselhos ou até “chamadas na chincha”, que lhes despertassem “vergonha na cara”. Mas até isso, na verdade, meu código social só colocava como ação válida em situações de alto prejuízo material, ético ou de estrutura familiar – afinal, tomar um porre aqui, outro lá, mesmo que essa situação aumentasse gradualmente em frequência e intensidade, era normal para quem trabalhava, sustentava a família, encarava a dureza da vida e se estressava com desafios financeiros ou maus casamentos, falta de apoio e outros incidentes nada raros entre a população em qualquer nível social, principalmente entre os menos favorecidos.

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Capítulo 17. Aceitação é a solução

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ACEITAÇÃO É A SOLUÇÃO

RAIMUNDO

SOBRE ALCOOLISMO E RECUPERAÇÃO

Meu nome é Raimundo e sou um alcoólatra em recuperação.

Nestes 38 anos como membro de Alcoólicos Anônimos (AA), perdi a conta das ve­zes em que me apresentei assim, seja nas reuniões de grupo na irmandade ou fora delas, em partilhas feitas em empresas, igrejas, hospitais, albergues e outros lugares onde fui, com outros companheiros, tentar transmitir uma mensagem de esperança tanto a outros dependentes do álcool como a seus familiares, já que o desalento, o desespero e a frustração são presenças constantes nas vidas devastadas direta e indiretamente pela doença.

Sou de Fortaleza, no Ceará, radicado em São Paulo desde 1953, onde cheguei aos 22 anos de idade, sem ter nunca experimentado uma gota sequer do álcool na vida. Tinha até uma antipatia sem muita explicação, misturada com desprezo, pelos bêbados que via cambaleando ou caídos na rua e, durante minha adolescência, cheguei mesmo a ser cruel com eles, roubando meio de arrelia seus sapatos ou mesmo alguns trocados que encontrasse no bolso daqueles que desmaiavam de tanta pinga ingerida, e que não eram tão poucos assim.

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