685 capítulos
Medium 9788520435243

29. O que é a relação de antagonismo-sinergia

Adalbert I. Kapandji Editora Manole PDF Criptografado

29

O que é a relação de antagonismo-sinergia

Antes de falarmos sobre uma nova ideia acerca da relação entre antagonismo e sinergia, é importante definirmos o que se entende por esses dois conceitos.

Antes de mais nada, é preciso deixar de lado a lógica binária, introduzida por Aristóteles e chamada de cartesiana ou do terço excluído. Todos já sabemos que, entre o branco e o preto, existe uma infinidade de tons de cinza. É a lógica do terço incluído.

Vamos começar definindo os dois termos: antagonismo e sinergia.

Antagonismo significa, etimologicamente, agir em oposição. Podemos dizer, então, que dois músculos que agem de modo oposto são antagonistas. Um exemplo que logo vem à mente é o do músculo braquial, flexor do cotovelo, oposto à cabeça medial do tríceps braquial, extensora do cotovelo. A propósito desses músculos, podemos citar a lei de Sherrington, que diz que “quando um músculo dito agonista se contrai, aquele com ação oposta, ou seja, seu antagonista, relaxa”.

Ver todos os capítulos
Medium 9788520435243

10. Leis da biomecânica

Adalbert I. Kapandji Editora Manole PDF Criptografado

10

Leis da biomecânica

A biomecânica se diferencia da mecânica geral e, em particular, da mecânica industrial, e possui leis que lhe são próprias, que justamente especificam suas particularidades e suas diferenças em relação à sua prima, a mecânica, com a qual, no entanto, compartilha as leis fundamentais sobre forças, movimentos, inércia etc.

Eis como essas características podem ser evocadas.

No sistema musculoesquelético dos vertebrados e, em particular, do homem, a natureza podia escolher entre o exoesqueleto, caracterizado por uma estrutura rígida em torno dos músculos, e uma estrutura integrada no interior de conjuntos anatômicos, que caracteriza o endoesqueleto, típico dos vertebrados.

Na geometria do sistema musculoesquelético, a geometria comum (Fig. 10.1) não tem vez, já que não existe nenhuma linha reta e todas as linhas são curvas.

Não há nenhum círculo perfeito, nenhum plano e nenhuma superfície de revolução no senso estrito do termo. As superfícies são tortas: as superfícies articulares, que deveriam ser superfícies de revolução, apresentam deformações, mesmo as que parecem ser superfícies de revolução perfeitas, como a cabeça do fêmur.

Ver todos os capítulos
Medium 9788520435243

41. Biomecânica do carpo

Adalbert I. Kapandji Editora Manole PDF Criptografado

41

Biomecânica do carpo

A biomecânica apresenta como uma de suas características o fato de uma superfície articular poder mudar de forma ao longo do movimento, o que nunca ocorre no âmbito da mecânica industrial.

Estrutura do carpo

O carpo é formado por oito ossos (Fig. 41.1: vista anterior) dispostos em duas fileiras.

A fileira proximal compreende, de fora para dentro:

■■

■■

■■

■■

escafoide; semilunar; piramidal; pisiforme, situado na frente do anterior e sem nenhum papel articular.

A fileira distal é formada por:

■■

■■

■■

■■

osso trapézio; trapezoide; capitato ou grande osso; hamato ou osso uncinado.

Entre as duas fileiras, situa-se a entrelinha mediocarpal (vermelha):

■■

■■

em cima da primeira fileira, a entrelinha radiocarpal (azul); abaixo do carpo, a entrelinha carpometacarpal

(verde);

Figura 41.1

■■

a articulação carpometacarpal do polegar, na base do polegar, é especialmente estudada em relação à oposição do polegar.

Ver todos os capítulos
Medium 9788520435243

2. Introdução: a biomecânica

Adalbert I. Kapandji Editora Manole PDF Criptografado

2

Introdução: a biomecânica

A biomecânica trata do funcionamento do sistema musculoesquelético dos seres humanos e de todos os animais que possuem um esqueleto.

Ela tem muitas semelhanças com a mecânica industrial: basta citar como exemplo as alavancas rígidas articuladas entre si e comandadas por motores (Fig.

2.1); o princípio das forças associadas ou decompostas em vetores; os problemas de resistência, de equilíbrio, de inércia; e as noções de centros de gravidade, equilíbrio entre duas forças, torque de rotação e momento de ação. A biomecânica deve todas essas noções à mecânica clássica ensinada nas universidades e aplicada pelos engenheiros nos projetos e na construção das máquinas que estão à nossa volta e das quais nos servimos.

No entanto, o que diferencia a biomecânica é que, como o nome indica, ela diz respeito a estruturas vivas (Fig. 2.2). Por isso, não devemos esperar encon-

Figura 2.1

Figura 2.2

trar linhas retas, planos verdadeiramente perfeitos, circunferências ou superfícies de revolução perfeitas, pois, na biomecânica, tudo é curvo. Não devemos nos esquecer de que as diferentes partes do sistema musculoesquelético são vivas, e não peças inertes. Sua estrutura interna não é modular, composta por partes pré-fabricadas e diferentes, mas, sim, celular: cada peça se constitui de unidades elementares, as células. A consequência, como veremos, é uma diferença fundamental na evolução dos sistemas biomecânicos.

Ver todos os capítulos
Medium 9788520435243

49. O que são os fractais?

Adalbert I. Kapandji Editora Manole PDF Criptografado

49

O que são os fractais?

A noção de fractais é atualmente indispensável para compreender alguns aspectos da biologia e da biomecânica. Graças a um matemático franco-americano de origem polonesa, Benoit Mandelbrot (1924), conhecemos agora esses objetos matemáticos de dimensões intermediárias que apresentam um grande interesse para a biologia, denominados fractais.

O que são os fractais?

Lembremos inicialmente da ideia de dimensões

(ver Cap. 7: Nós somos seres quadridimensionais):

■■

■■

■■

Um ponto não tem dimensão: sua dimensão é zero.

Uma linha, seja ela reta ou sinuosa tem dimensão um.

Uma figura traçada sobre um plano, um quadrado, por exemplo, tem dimensão dois.

Um volume que ocupa o espaço, um cubo, por exemplo, tem dimensão três.

Em nosso universo, não existe uma quarta dimensão de espaço. Por outro lado, o tempo é uma quarta dimensão, mas não de espaço.

Três ilustrações (Fig. 49.1) permitem compreender o que é uma dimensão fractal.

Ver todos os capítulos

Visualizar todos os capítulos