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Capítulo 1. Introdução e histórico da neuromodulação não invasiva

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INTRODUÇÃO E HISTÓRICO DA

NEUROMODULAÇÃO NÃO INVASIVA

PEDRO SCHESTATSKY

A neuromodulação não invasiva (em inglês Non-invasive brain stimulation, ou

NIBS) teve duas grandes fases conforme a sua modalidade:

Estimulação elétrica:

1750-1950 – Uso leigo + terapêutico-empírico

1950-1998 – Pausa histórica: advento da electroconvulso e de farmacoterapia

1998 em diante – Abordagem contemporânea

Estimulação magnética:

1985 – Uso diagnóstico/pesquisa

1990 – Uso terapêutico

 CONTEXTO HISTÓRICO

A partir do final do século XVIII, a eletricidade tornou-se a atividade científica mais popular da fase do Iluminismo, incluindo Estados Unidos e Europa, com ex­ perimentos e demonstrações realizados em uma variedade de espaços, tais como teatros, universidades e no âmbito doméstico-privado. Experimentos domésticos foram encorajados pela adaptação dos utensílios de casa embalados pela Revolução Industrial (substituição do trabalho artesanal pelo assalariado, com o uso das máquinas), enquanto experimentos elétricos eram promovidos como forma natural de filosofia apropriada para a educação feminina e o entrete­nimento em geral.1 Os experimentos e as demonstrações eram relativamente simples e podiam ser feitos em casa com objetos do dia a dia, como jarras de vidro, algodão e barras de metal. Naquela época, as sensações corporais e sensitivas eram centrais nas demonstrações elétricas, e um dos mais populares experimentos era eletrificar indivíduos ou grupos de pessoas (Fig. 1.1). É provável que estas

últimas experiências tenham inspirado o uso da eletricidade com fins terapêuticos,1-3 conforme a Figura 1.2. No entanto, os efeitos da estimulação elétrica

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Capítulo 21. Desafios, limites e perpesctivas da neuromodulação não invasiva

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DESAFIOS, LIMITES E

PERSPECTIVAS DA

NEUROMODULAÇÃO

NÃO INVASIVA

CELESTE R. S. CAMARGO, CAMILA BONIN PINTO, FELIPE FREGNI

A quantidade de pesquisas realizadas com técnicas de estimulação cerebral não invasiva (ECNI) tem aumentado nos últimos anos, bem como o número de ensaios clínicos em diversas doenças neuropsiquiátricas, como doença de Parkinson, demência, epilepsia, esquizofrenia, dor neuropática e depressão. No Brasil, a

ECNI se tornou uma realidade após aprovação, pelo Conselho Federal de Medicina

(CFM), no ano de 2012, do uso da estimulação magnética transcraniana (EMT) para o tratamento da depressão e de alucinações auditivas de esquizofrenias e para o mapeamento cerebral cirúrgico.

Nesse contexto, entre as técnicas de ECNI mais estudas, destacam-se a EMT e a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC). Ambas são capazes de modular a atividade cerebral, aumentando ou diminuindo a excitabilidade cortical. Apesar de a EMT e a ETCC serem aplicadas em pontos específicos do crâ­nio, seus efeitos podem se estender para outras regiões cerebrais, uma vez que existem conexões do córtex cerebral com inúmeras outras áreas, i­ ncluindo regiões subcorticais. Assim, tanto a ETCC quanto a estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) são capazes de modular redes e vias neurais e promover a plasticidade. Por essa razão, nas últimas décadas, essas técnicas têm sido muito exploradas no contexto da neuropsiquiatria, uma vez que apresentam poucos efeitos colaterais, principalmente quando comparadas a tratamentos farmacológicos disponíveis. Além disso, o avanço do conhecimento das bases fisiopatológicas e da assinatura neural dos transtornos neuropsiquiátricos permitiu o aumento das pesquisas e indicações de uso das técnicas de ECNI, com resultados promissores nos sintomas decorrentes de tais doenças.

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Capítulo 5. Aspectos regulatórios da neuromodulação não invasiva

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ASPECTOS REGULATÓRIOS

DA NEUROMODULAÇÃO

NÃO INVASIVA

MERCÊDES JUREMA OLIVEIRA ALVES, MAURO FERNANDO MUMIC FERREIRA,

ANTÔNIO GERALDO DA SILVA

A neuromodulação, em suas diversas técnicas invasivas e não invasivas, constitui-se em área nova e promissora como terapêutica biológica adicional aos recursos até então disponíveis em psiquiatria. Ela vem sendo apreciada, es­ tu­dada, analisada, aprovada e tipificada pelas instâncias reguladoras, sejam agências, conselhos profissionais, órgãos governamentais ou autárquicos, com suas diretrizes, normas, regras e códigos sempre baseados no princípio da legalidade e da ética.

Este capítulo aborda os aspectos regulatórios dessa modalidade terapêutica, que teve grande crescimento nas três últimas décadas, revendo os preceitos que se referem à pesquisa, à clínica e à propaganda médica.

 ÉTICA

Segundo Aurélio Buarque de Holanda,1 ética é

[...] o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativa­ mente a uma sociedade, seja de modo absoluto.

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Apêndice III. Serviços de neuromodulação não invasiva no Brasil

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APÊNDICE

III

SERVIÇOS DE NEUROMODULAÇÃO

NÃO INVASIVA NO BRASIL

ANDRE RUSSOWSKY BRUNONI

Atualmente, há várias clínicas de neuromodulação não invasiva no Brasil, de forma que seria impossível listar todas neste apêndice. Além disso, objetivo aqui não é apresentar um catálogo completo dos serviços disponíveis no País, mas destacar alguns deles, coordenados por autores deste livro. Todas estas clínicas são dirigidas por profissionais líderes em suas áreas que também atuam como pesquisadores, desempenhando papel importante no cenário brasileiro da neuromodulação.

 SÃO PAULO

Clínica/Serviço: Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação IPq-HC-FMUSP

Coordenador/Diretor: Dr. Andre Russowsky Brunoni 

Endereço: Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785, 2º andar, Ala Sul, CEP 05403903, São Paulo (SP)

Contatos: e-mail: emt.ipq@hc.fm.usp.br; Telefone (11) 2661-8159; www.sin.org.br 

Clínica/Serviço: Instituto de Pesquisas Avançadas em Neuroestimulação (IPAN)

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Capítulo 4. Segurança no uso da estimulação magnética transcraniana

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SEGURANÇA NO USO DA

ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA

TRANSCRANIANA

WOLNEI CAUMO, LUCIANA C. ANTUNES, TIAGO MADEIRA CARDINAL

Neste capítulo abordaremos questões relacionadas à segurança da estimulação mag­nética transcraniana repetitiva (EMTr). A EMTr foi introduzida há mais de 20 anos, como método de estimular o cérebro por meio do escalpo, de modo indolor e com os sujeitos conscientes. Seus efeitos se devem à indução de um campo elétrico pelas ondas eletromagnéticas, o qual produz modificações na ati­vidade elétrica neuronal.1 Existem dois tipos EMTr, variando de acordo com a frequência de estimulação: de baixa frequência (≤ 1 Hz), que leva à diminuição da excitabilidade neuronal e resulta em inibição da atividade cortical, e de alta fre­q uência (> 1 Hz, podendo chegar a 60 Hz), que assumiria um efeito oposto, levando ao aumento da excitabilidade neuronal e à consequente estimulação da atividade cortical.2

Na EMTr, a carga elétrica armazenada em um capacitor é liberada por uma bo­bina que produz corrente em pulso, que gera campo magnético nas áreas pró­ xi­mas à bobina. De acordo com a lei de Faraday de indução eletromagnética, o tem­po do campo magnético induz campo elétrico de magnitude proporcional, que, no caso da EMTr, é determinado pela taxa de mudança de corrente na bo­ bi­na. Se a bobina estiver sobre a cabeça, gera campo magnético que penetra no escalpo e induz um campo elétrico cerebral. O fluxo de íons nesse campo elé­ tri­co nos dois lados da membrana despolariza ou hiperpolariza os neurônios.

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