110 capítulos
Medium 9788582714874

Capítulo 9. Avaliação assistida da inteligência

Claudio Simon Hutz, Denise Ruschel Bandeira, Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

A avaliação assistida, dinâmica ou interativa, tem por objetivo avaliar o desempenho cognitivo dos sujeitos e ampliar a visão sobre o seu potencial de aprendizagem. Dessa forma, fornece estimativas do resultado de possíveis estratégias reabilitadoras (Boosman, Bovend’Eerdt, Visser-Meily, Nij­boer, & Heugten, 2014; Grigorenko, 2009). As discussões sobre o método iniciaram-se considerando, principalmente, a avaliação da inteligência e da aprendizagem. Nesse sentido, fundamenta-se, sobretudo, em dois conceitos: o de “experiência de aprendizagem mediada”, de Feuerstein, e o de “zona de desenvolvimento proximal”, de Vygotsky. Esses conceitos serão discutidos ao longo do presente capítulo, o qual objetiva apresentar os procedimentos de avaliação assistida e suas formas de apresentação para mensuração de construtos relacionados com a inteligência. Pretendemos, dessa forma, contrapor este com outros métodos existentes na área de avaliação da cognição, aprendizagem e inteligência. Neste capítulo, focalizaremos tais construtos por já apresentarem estudos mais consistentes na literatura. No entanto, a área é promissora, podendo englobar outros, tais como habilidades sociais e autoconceito. Ressaltamos que no presente capítulo adotou-se a terminologia “avaliação assistida”, que é a denominação mais utilizada no Brasil.

Ver todos os capítulos
Medium 9788582714874

Capítulo 2. Avaliação da inteligência no ciclo vital

Claudio Simon Hutz, Denise Ruschel Bandeira, Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

A avaliação da inteligência é um dos grandes temas de estudo da psicologia e uma prática psicológica existente desde os primórdios da psicologia científica. Excelentes revisões podem ser encontradas em Segabinazi e Zamo (2016), Primi (2006) e Pasquali (2002). A evolução da produção científica em psicologia nas áreas de avaliação psicológica, psicologia do desenvolvimento, psicologia cognitiva e neuropsicologia permite, atualmente, construir um conjunto de conhecimentos que subsidiam a avaliação da inteligência ao longo do ciclo vital, tema deste capítulo.

Com o desenvolvimento das áreas da psicologia citadas e o crescimento do conhecimento acerca do tema, os estudos relacionados à inteligência passaram a focar também nas funções cognitivas, como atenção, percepção, memória, imaginação, organização do conhecimento, linguagem, pensamento, resolução de problemas, criatividade, raciocínio e tomada de decisão. Atualmente, o conceito de inteligência está relacionado à habilidade de utilizar o conhecimento para resolver problemas (Eysenck & Keane, 1994; Matlin, 2004; Sternberg et al., 2000).

Ver todos os capítulos
Medium 9788582714874

Capítulo 1. Avaliação da inteligência: uma introdução

Claudio Simon Hutz, Denise Ruschel Bandeira, Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

Um processo seletivo apresentou aos candidatos a seguinte questão: “Fabio, David e Pedro estavam alegremente conversando sentados ao redor de uma mesa redonda. David não estava à direita de Pedro. Quem estava à direita de Fabio? Alternativas: a) David, b) Pedro e c) Não dá para saber”. Trata-se de uma pergunta simples, mas 30% dos candidatos erraram a resposta. Perguntas similares a essa são rotineiramente apresentadas em processos seletivos de recursos humanos realizados em contextos organizacionais, clínicos ou educativos. Entretanto, qual seria a utilidade desse tipo de pergunta?

Hoje em dia sabemos com alto grau de precisão que os processos mentais que subjazem ao êxito da resposta a perguntas que requerem raciocínio são os mesmos que subjazem à solução de problemas cotidianos. Veja-se, por exemplo, o resultado do estudo de letramento científico realizado no País pelos institutos Abramundo e Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa (Gomes, 2015). No nível 4 de letramento científico (em geral pessoas com ensino superior que poderiam avaliar propostas que exigem o domínio de conceitos e elaborar argumentos sobre a confiabilidade ou a veracidade de hipóteses formuladas), encontrou-se que 8% tiveram dificuldade de interpretar uma conta de luz, 27% teriam dificuldade de apagar um incêndio seguindo as instruções de equipamentos contrafogo e 35% teriam dificuldade de interpretar os resultados de um exame de sangue a partir dos valores de referência fornecidos pelo laboratório. Dificuldades essas não explicadas pelo nível de instrução.

Ver todos os capítulos
Medium 9788582714874

Capítulo 15. Sistemas classificatórios de avaliação da personalidade: CID, DSM e Escalas Semiestruturadas de Personalidade

Claudio Simon Hutz, Denise Ruschel Bandeira, Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

Na história da psiquiatria, o critério de agrupamento das doenças mentais tem oscilado entre as concepções categorial ou sintomatológica e dimensional ou desenvolvimentista. Essa alternância vem ocorrendo desde a época de Hipócrates de Cós (460 a.C.-370 a.C.).

No final do século XIX, com o avanço dos estudos em ciências naturais, surge na medicina uma maior preocupação em tentar compreender as doenças por meio de classificações de acordo com a localização dos órgãos afetados, da etiologia e/ou do desenvolvimento do curso da doença e da observação detalhista da anatomia patológica.

Emil Kraepelin (1856-1926), aluno de Wilhelm M. Wundt, um dos fundadores da psicologia moderna, foi chamado de “o pai da psiquiatria” porque contextualizou as doenças mentais em um enfoque mais “cientificista”, a partir do modelo da medicina e das ciências naturais de sua época. Estabeleceu categorias diagnósticas nas quais cada doença mental constituía uma espécie, ou gênero, em si mesma. Ou seja, cada categoria de doença tinha um conjunto de sintomas e uma causa que poderia ser orgânica ou não. Entre suas categorias diagnósticas constavam as personalidades psicopáticas – delinquentes natos, instáveis, mentirosos e fraudadores mórbidos, pseudoquerelantes – e nevroses psicógenas. Estas, por sua vez, seriam a loucura histérica, a nevrose de susto e a nevrose da “esfera ansiosa”.

Ver todos os capítulos
Medium 9788582714874

Capítulo 5. Escalas Wechsler na avaliação da inteligência

Claudio Simon Hutz, Denise Ruschel Bandeira, Clarissa Marceli Trentini Grupo A ePub Criptografado

Neste capítulo, serão apresentadas as versões completas das Escalas Wechsler de Inteligência. Para tal, serão contextualizadas historicamente, incluindo as adaptações realizadas para o contexto brasileiro. Em seguida, as características comuns às escalas serão descritas. Tópicos específicos serão dedicados a cada uma das versões em uso no Brasil.

As Escalas Wechsler de Inteligência englobam versões para diferentes grupos etários, existindo uma versão para crianças pré-escolares, outra para crianças e adolescentes e uma terceira para adultos. Mais recentemente, foi desenvolvida uma versão abreviada, que pode ser aplicada em diferentes faixas etárias. Além do objetivo comum de medir a inteligência, as versões originais para cada faixa etária têm estrutura semelhante, embora variem quanto ao número de tarefas e ao conteúdo dos itens.

A primeira escala desenvolvida por David Wechsler foi a Escala Wechsler-Bellevue Forma I (W-B I). Ele se baseou nos testes individuais existentes à época (anos 1920 e 1930) e desenvolveu uma bateria que incluía tarefas verbais e de execução. Conforme aponta Kaufman (1990), o mérito de Wechsler foi ter reunido em um único instrumento tarefas verbais e não verbais para fins clínicos, antecipando, assim, as necessidades futuras dos profissionais da área.

Ver todos os capítulos

Visualizar todos os capítulos