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50 - Os estudantes de medicina e os médicos diante da morte

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Os estudantes de medicina e os médicos diante da morte

Na sociedade ocidental, o nascimento, a doen­ça e a morte estão cada vez mais medicalizados. O nascimento chega a ser considerado um fenômeno não natural! Precisa ocorrer em um hospital e de preferência por cesariana. O conceito de morte por causas naturais vai desaparecendo gradativamente. O ritual de morrer foi transferido da cama da casa para o leito do hospital, ou, pior ainda, para o leito da UTI. Os familiares, ao redor do ente querido, foram subs­ti­tuí­ dos pela equipe de plantonistas. Passaram a fazer parte do ritual de morrer os tubos enfiados em todos os orifícios do corpo e agulhas perfurando veias e artérias. Em vez do silêncio respeitoso, o moribundo vai ter os ruí­dos de monitores, os chiados de equipamentos eletrônicos. O ritual alcança seu ápice quando o monitor anuncia a parada do coração e os procedimentos de “reanimação” têm início.

Muitas vezes, tudo isso é feito em pacientes que não tem mais possibilidades terapêuticas, como acontece principalmente com idosos

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12 - O curso de medicina como fonte de ansiedade

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O curso de medicina como fonte de ansiedade

Este é um tema delicado, mas é necessário abordá-lo: o curso de medicina pode ser fonte de ansiedade? Ao que eu saiba, quem primeiro levantou a questão do curso de medicina como gerador de tensões e ansiedades foi o educador George Miller, autor do famoso livro Pedagogia Médica, cuja 1a edição em português foi publicada em 1967 e teve grande in­fluên­cia na formação de professores de medicina daquela época.

Miller1 salientava que, em princípio, cada estudante reagia a essas tensões de acordo com sua maturidade emocional. Mas, diversos fatores participavam da maneira de reagir.

É importante que se saiba, desde logo, que muitas dessas tensões são inevitáveis e boa parte delas se dissipam naturalmente sem maiores conse­quências à medida que avança no curso.

É comum os estudantes verificarem que, para numerosas doenças, não existe tratamento eficaz, e o médico nada mais faz que aliviar os sintomas e acompanhar a evolução da enfermidade, pouco ou nada alterando sua história natural.

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2 - A aparência do médico... E do estudante de medicina

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A aparência do médico...

E do estudante de medicina

Vou iniciar esta carta, transcrevendo um trecho de um dos livros de

Hipócrates, o maior médico de todos os tempos; na verdade, o criador das bases da medicina que praticamos, hoje, mais de 2.000 anos depois, mas que permanecem vivas e atuais como verdades permanentes:

“Quando um médico entra em contato com um doente, convém estar atento ao modo como se comporta; deverá estar bem vestido, ter uma fisionomia tranquila, dar toda a atenção ao paciente, não perder a paciên­cia e ficar calmo em presença de dificuldades. É um ponto importante para o médico ter uma aparência agradável, porque aquele que não cuida do próprio corpo não está em condições de se preocupar com os outros.

Deverá saber calar-se no momento oportuno e mostrar-se gentil e tolerante; nunca deverá agir impulsiva ou precipitadamente, nunca deverá estar de mau humor nem mostrar-se demasiadamente alegre.”

Este trecho é um conjunto de preciosas lições, porém vou comentar apenas a aparência do médico; melhor dizendo, a aparência que devemos ter diante dos pacientes, desde o primeiro encontro no curso de medicina!

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10 - Discussão de casos clínicos à beira do leito e a medicina de excelência

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Discussão de casos clínicos à beira do leito e a medicina de excelência

Nos hospitais ou em qualquer local onde se realize o ensino prático da medicina costuma-se discutir diagnóstico e tratamento à beira do leito ou nos consultórios onde os pacientes são atendidos. Isso faz parte da dinâmica atual do ensino da medicina, em virtude da necessidade da aprendizagem prática em situações reais, ou seja, com doentes. Aliá­s, não há contra-argumentação: nada substitui o trabalho direto com pacientes! Por mais bem feitas que sejam as

“simulações”, nunca deixarão de ser apenas “simulação”. Medicina de excelência só é possível se o exame clínico é excelente, e este não se aprende em manequins.

A primeira coisa que se deve saber é que os pacientes estão sempre muito atentos a tudo que se fala a respeito deles, principalmente quando sofrem de doen­ças graves, ou que colocam a vida em risco. Alguns fingem que estão dormindo para ouvir melhor, mas estão prestando muita atenção em tudo que se fala!

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85 - As cartas não poderiam ficar em suas gavetas

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As cartas não poderiam ficar em suas gavetas

Apenas agora nas férias (em que temos um descanso das atividades acadêmicas) consegui começar a ler suas cartas, e entendo que realmente elas não podiam ficar em suas gavetas, tinham de ser publicadas!

Tornar-se médico é a carta com a qual mais me identifiquei. Isso porque, desde que decidi pela medicina, tenho me perguntado

“como se torna médica?”. No vestibular, o pensamento de tornarme médica ao entrar na faculdade e concluir o curso era o que me dominava. Logo nos primeiros anos, quando se entende um pouco da dimensão da medicina e de como tudo é amplo, veio o pensamento de que tornar-se médico de verdade acontecia apenas depois da residência, pois uma especialização é necessária (“ora, é impossível saber de tudo, e um médico de verdade deve ser especialista em algo”, pensava). Iniciei o internato no segundo semestre de 2015. Comecei a rotina na Santa Casa de Belo Horizonte, rodeada de residentes e preceptores. Uns incríveis, outros medianos e alguns que me fizeram ter a noção de que a especialização também não torna ningué­m médico de verdade! Quantos cardiologistas, neurologistas, hematologistas, pediatras, cirur­giões passaram pelo meu

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