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VI – A Filosofia da Arte

Ghiraldelli Jr., Paulo Manole PDF Criptografado

VI

A Filosofia da Arte

A arte que foge do belo

Estética, belo & cia.

A estética filosófica lida com a chamada experiência estética. Trata-se do julgamento do belo e do gosto. A filosofia da arte, por sua vez, focaliza o objeto de arte e desenvolve uma reflexão sobre as noções de “expressão” e “representação” ligadas aos modos de apreciação da arte, além de ser uma narrativa a respeito da teoria da arte.

Boa parte da teoria da arte tem como tarefa mostrar as posições filosóficas paradigmáticas sobre a estética, mas não apenas isso. A teoria da arte tem a tarefa específica de estabelecer uma noção do que é arte ou mesmo de definir a arte, além de falar sobre o valor desta.

Uma vez postas sob o crivo de um panorama histórico, as teorias da arte mostram ao menos cinco grandes argumen­tações sobre o que é a arte.

Tradicionalmente, a arte é vista como “mimese”, “forma” ou “expressão” e, de modo menos tradicional, como “linguagem”. Filósofos contemporâ­neos como George Dickie (1926) e Arthur C. Danto (1924) dão alguns passos extras e tendem a definir arte a partir do que podemos chamar de “teoria institucional da arte”, considerando sua dependência quanto aos aspectos sociais e históricos.

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20. De Nietzsche a Wittgenstein: os estertores da filosofia moderna

Ghiraldelli Jr., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

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20

De Nietzsche a

Wittgenstein: os estertores da filosofia moderna

N

ietzsche chega a uma crítica do sujeito a partir de uma visão particular da história da cultura no Ocidente. Ele desenvolve sua argumentação oposicionista com os instrumentos da crítica da linguagem. Resumidamente, a crítica da linguagem começa com sua análise das palavras “bom”, “mau” e “ruim”. Ele as observa no interior do quadro de sua teoria da divisão entre

“fortes” e “fracos”.

Segundo ele, o “forte” possui em seu vocabulário o par

“bom”- “ruim”, enquanto o “fraco” possui o par “bom”- “mau”.

Isto é, o forte qualifica o fraco não como “mau”, em um sentido moral, mas apenas como “ruim”, em um sentido técnico: aquilo ou aquele que não funciona; aquilo ou aquele contra o qual nem vale a pena lutar, pois é de qualidade técnico-funcional desprezível.

No entanto, não é assim que age o “fraco”. Ele utiliza para si próprio a palavra “bom”, como aquele que perdoa, que não revida ao ataque; e o contrário de “bom”, para ele, é “mau” – na verdade, para o fraco, o “mau”, em um sentido moral portanto, é o forte, aquele que poderia conter sua espada mas opta por não fazê-lo.

“Mau”, aqui, não é uma palavra utilizada em sentido meramente

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II – A Filosofia Analítica

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

II

A Filosofia Analítica

Da “virada linguística” à filosofia de Donald Davidson

O neoplatonismo de Frege

A filosofia analítica teve início nos trabalhos de um austríaco interessado antes em lógica e matemática que em filosofia, Gottlob Frege (1848-1925). A lógica de Frege se desenvolveu sem que ele tivesse uma intencional preocupação, ao menos inicialmente, com problemas filosóficos em um sentido amplo. Suas questões envolviam matemática e aritmética ou, talvez, filosofia da matemática. Todavia, suas investigações adentraram o campo semântico de uma maneira abrangente e, ao serem criticadas por

Bertrand Russell (1872-1970) e, depois, aproveitadas e recriticadas por

Lud­wig Wittgenstein (1889-1951), preencheram capítulos básicos da filosofia analítica.

Os estudos semânticos, quando tomados filosoficamente, mostraram-se como uma forma de os filósofos analíticos tratarem da tradicional discussão metafísica a respeito de o que é. Compreender “o que é” para que palavras e expressões fossem portadoras de significados era uma maneira de retomar a discussão sobre as possibilidades internas da linguagem em dizer ou não algo do mundo.

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I – A Filosofia Continental

Ghiraldelli Jr., Paulo Manole PDF Criptografado

I

A Filosofia Continental

Para além da noção moderna de sujeito e verdade

A crítica da vida inautêntica: Heidegger

No fim do século XIX, Nietzsche não era lido como filósofo, mas como literato. No decorrer das primeiras décadas do século XX, seus livros ganharam leitores mais competentes e rapidamente se tornaram uma referência obrigatória na filosofia. Alguns leram os livros de Nietzsche e os tomaram como criadores de um novo modo de filosofar, quase uma espécie de nova cosmologia, enquanto outros os tomaram como prenhes da metafísica. Seria uma espécie de último canto da metafísica, mas, ainda assim, metafísica.

Martin Heidegger (1889-1976) viu em Nietzsche um guerreiro contra o platonismo e, portanto, um bom opositor à metafísica tradicional. Para

Heidegger, porém, Nietzsche não teria ultrapassado a metafísica. As noções nietzschianas não ultrapassariam aquilo que seriam as características mais fortes do pensamento moderno. Não que as noções nietzschianas de “vontade de potência” e de “forças”, podendo ser vistas com desconfiança por talvez exalarem algum odor metafísico, fossem os elementos que atrelaram

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Medium 9788520427798

III. A Filosofia Medieval

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III

A Filosofia

Medieval

N ada melhor que Deus e a Lógica

Uma agenda das trevas?

A denominação de “Época das Trevas” para a Idade Média (Figura 10) foi uma invenção renascentista. Os filósofos revolucionários posteriores, em especial os iluministas, consagraram o termo. Em parte, queriam mudar a sociedade de seu tempo e, então, vincularam-na ao que teria sido um passado longo e pouco alvissareiro, para poder legitimar a transformação desejada.

Desenharam o passado que queriam abolir como a época de domínio do que pretendiam ver controlado ou eliminado. Almejavam se livrar do controle total de reis e príncipes, e também da Igreja. Então, ao menos verbalmente, fizeram a propaganda para desvalorizar a época anterior; a ideia era mostrar os tempos do império dessas instituições como um período de pouca inteligência. Assim, batizaram os tempos medievais como uma época “sem luz”.

Esses filósofos não estavam completamente sem razão, mas, é claro, exageraram.

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