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II – A Filosofia Analítica

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

II

A Filosofia Analítica

Da “virada linguística” à filosofia de Donald Davidson

O neoplatonismo de Frege

A filosofia analítica teve início nos trabalhos de um austríaco interessado antes em lógica e matemática que em filosofia, Gottlob Frege (1848-1925). A lógica de Frege se desenvolveu sem que ele tivesse uma intencional preocupação, ao menos inicialmente, com problemas filosóficos em um sentido amplo. Suas questões envolviam matemática e aritmética ou, talvez, filosofia da matemática. Todavia, suas investigações adentraram o campo semântico de uma maneira abrangente e, ao serem criticadas por

Bertrand Russell (1872-1970) e, depois, aproveitadas e recriticadas por

Lud­wig Wittgenstein (1889-1951), preencheram capítulos básicos da filosofia analítica.

Os estudos semânticos, quando tomados filosoficamente, mostraram-se como uma forma de os filósofos analíticos tratarem da tradicional discussão metafísica a respeito de o que é. Compreender “o que é” para que palavras e expressões fossem portadoras de significados era uma maneira de retomar a discussão sobre as possibilidades internas da linguagem em dizer ou não algo do mundo.

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20. De Nietzsche a Wittgenstein: os estertores da filosofia moderna

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20

De Nietzsche a

Wittgenstein: os estertores da filosofia moderna

N

ietzsche chega a uma crítica do sujeito a partir de uma visão particular da história da cultura no Ocidente. Ele desenvolve sua argumentação oposicionista com os instrumentos da crítica da linguagem. Resumidamente, a crítica da linguagem começa com sua análise das palavras “bom”, “mau” e “ruim”. Ele as observa no interior do quadro de sua teoria da divisão entre

“fortes” e “fracos”.

Segundo ele, o “forte” possui em seu vocabulário o par

“bom”- “ruim”, enquanto o “fraco” possui o par “bom”- “mau”.

Isto é, o forte qualifica o fraco não como “mau”, em um sentido moral, mas apenas como “ruim”, em um sentido técnico: aquilo ou aquele que não funciona; aquilo ou aquele contra o qual nem vale a pena lutar, pois é de qualidade técnico-funcional desprezível.

No entanto, não é assim que age o “fraco”. Ele utiliza para si próprio a palavra “bom”, como aquele que perdoa, que não revida ao ataque; e o contrário de “bom”, para ele, é “mau” – na verdade, para o fraco, o “mau”, em um sentido moral portanto, é o forte, aquele que poderia conter sua espada mas opta por não fazê-lo.

“Mau”, aqui, não é uma palavra utilizada em sentido meramente

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VI – A Filosofia da Arte

Paulo Ghiraldelli Jr. Manole PDF Criptografado

VI

A Filosofia da Arte

A arte que foge do belo

Estética, belo & cia.

A estética filosófica lida com a chamada experiência estética. Trata-se do julgamento do belo e do gosto. A filosofia da arte, por sua vez, focaliza o objeto de arte e desenvolve uma reflexão sobre as noções de “expressão” e “representação” ligadas aos modos de apreciação da arte, além de ser uma narrativa a respeito da teoria da arte.

Boa parte da teoria da arte tem como tarefa mostrar as posições filosóficas paradigmáticas sobre a estética, mas não apenas isso. A teoria da arte tem a tarefa específica de estabelecer uma noção do que é arte ou mesmo de definir a arte, além de falar sobre o valor desta.

Uma vez postas sob o crivo de um panorama histórico, as teorias da arte mostram ao menos cinco grandes argumen­tações sobre o que é a arte.

Tradicionalmente, a arte é vista como “mimese”, “forma” ou “expressão” e, de modo menos tradicional, como “linguagem”. Filósofos contemporâ­neos como George Dickie (1926) e Arthur C. Danto (1924) dão alguns passos extras e tendem a definir arte a partir do que podemos chamar de “teoria institucional da arte”, considerando sua dependência quanto aos aspectos sociais e históricos.

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30. A filosofia política de Rorty

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A filosofia política de Rorty

A

descrição holística de Rorty fornece para o filósofo político um quadro interessante na seguinte medida: diferentemente do liberalismo derivado do jus naturalismo iluminista

(contratualismo), o holismo de Rorty dispensa o fundacionismo.

Assim, liberta as posições liberais e de esquerda de ter de considerar algo como philosophical foundation. Isto é, não há a necessidade de qualquer teoria que venha dizer que alguém deve ser liberal porque esta é a Verdade a respeito da constituição dos humanos como humanos ou esta é a Verdade da constituição dos humanos como seres comunitários, a Verdade da sociedade que faz os humanos se tornarem humanos e assim por diante.

Em outras palavras: ninguém tem de ser liberal; ninguém tem de ser conservador. Cada um será apenas aquilo que conseguir ser a partir das descrições do mundo e de si mesmo adotadas. Dispensam-se as noções de Verdade e de “A Realidade Como Ela É” e adota-se a idéia de que o que há na mão é a linguagem para contar histórias capazes de, com sorte, convencer as pessoas a respeito de coisas como “ser liberal é melhor – mais útil – para elas do que ser conservador ou reacionário”. Isso não é pouco! Aliás, filosofica-

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Medium 9788520427798

II. O Helenismo e o Início da Filosofia Cristã

GHIRALDELLI JR., Paulo Editora Manole PDF Criptografado

II

O Helenismo e o Início da

Filosofia Cristã

T odos os caminhos levarão a Roma

A herança

Quando Aristóteles morreu, o Liceu passou para as mãos de seu discípulo e amigo Teofrasto (372-287 a.C.). De modo similar à Academia de

Platão, cujos trabalhos haviam se mantido após sua morte, o Liceu também continuou funcionando durante muito tempo. Todavia, não foram só essas escolas de filosofia que atraíram os jovens de várias partes do mundo para

Atenas, a fim de estudar filosofia. Havia mais: céticos não filiados à Academia de Platão (que havia se tornado cética), hedonistas ligados a Epicuro, estoicos* da escola de Zenão de Cítio (333-264 a.C.), cínicos como Diógenes de Sinope (413-323 a.C.) e várias outras escolas menores funcionaram em

Atenas. Umas eram escolas no sentido específico, onde estudantes se matriculavam e pagavam pelos estudos. O Liceu e a Academia agiam assim.

Outras não eram propriamente instituições, mas, sim, grupos geradores de posturas e ideias ou mesmo movimentos culturais.

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