84858 capítulos
  Título Autor Editora Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta
Medium 9786587017099

00:00 00:00

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

Então, lembro-me de ter fechado os olhos. Do peito ficar ainda

“O senhor estava sozinho!”, alguém disse.

“Minha mulher?”, perguntei.

“É melhor o senhor não se mexer. Foi atropelado.” acontecido. Tentei me levantar. Dor.

Calmo eu estava. Só não entendia muito bem o que havia

“Não sei. Acho que o carro. Senhor, fique calmo.”

“O que aconteceu?”

“O Senhor está bem?”, outra voz. Fraca, preocupada.

“Chamem um médico”, alguém disse. verdade é que todos à volta me devoravam com os olhos. humanos. Que pensamento! O que fosse, realidade ou não, pedaço de carne. Eu, pedaço humano a ser devorado por outros como se bichos fossem. Animais esperando para devorar um meu corpo. Não sei porque, mas imaginei as faces humanas subia e descia pesado. Pessoas aglomeravam-se em volta do chão, mas vivo. A respiração me faltava. O peito, qual chumbo, menos, estava vivo. Tonto. Vista turva. Corpo mole esticado no ponteiros fundiram-se com o fraco som do meu coração. Ao inércia,voltou a correr. Tique-taque, tique-taque. Os sons dos possibilidade de resposta. O tempo, que prendeu-se na

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:01 00:60

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

causado surpresa ao ser jogado para o ar, tombar e me levantar outra realidade que não aquela? Será que eu, velho, fraco, havia olharam para mim. Ficaram tempo fixas, imóveis. Será que viam

à frente. Pessoas se juntavam. Olhavam o motorista, a rua. Duas instante seguinte, já de pé, fiquei a observar o carro parado mais bobo, mole, foi atirado para cima. Tombei no asfalto mas, no

O carro passou por mim. Meu corpo, incontrolável, meio que corpo. Ouvi a buzina. Som alto. Freios. Um grito não meu. vinha feroz com sua lataria prestes a chocar-se com o meu

Tampouco foi possível ver que carro era aquele que, ameaçador, cidade movimentada. Não sei em qual cidade estava. percebi me encontrar parado exatamente no meio da rua de uma delirava, pois ao ver o carro próximo, em velocidade alta, vislumbrava um caminho de terra, flores e rio. Óbvio que eu

as rugas, eu pensava na fraqueza mas, ao mesmo tempo,

Minha mente vagava pelos caminhos das minhas rugas e, vendo que movimento não havia. Não via o carro. Nem os carros. para mim que estava atravessando a rua movimentada achando próprio de gente velha. 70 anos pesam. Pesaram de tal forma flácida e enquanto eu atravessava a rua com vagar mundano, se deu enquanto meus olhos percorriam as rugas da minha pele que definham, imergem em abismo sem volta. – Essa constatação

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:02 00:59

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

relógio aberto em suas mãos.

Não prestou atenção em mim. Só tinha olhos para aquele

Sentado, o homem que consertava relógio não fez nada. ombros, guiou-me até uma cadeira. Sentei. Ela sentou.

A moça sorriu outra vez. Apoiando uma das mãos em meus

“Você me conhece? É minha mulher?”

“Há tempos não o vemos.”

“Vou?”, repeti, mecânico. Daí, falei direito: “Vou bem.”

“Como vai o senhor?” de apertar as mãos. E o gesto, acompanhado de uma pergunta: aproximou. Sorriu. E o sorriso foi acompanhado com o gesto

Então, vindo de algum lugar de dentro da loja, uma moça se dentro de outro tique-taque, e de outro, e de outro. Outro. e agigantava-se em minha alma, era o som de um tique-taque

Mudo estava. E mudo ele permaneceu. O som que se ampliava

“Senhor! Senhor!” nenhuma notou. Não propenso a derrotas, insisti:

O senhor sequer moveu o rosto. Não me olhou. Presença

“Senhor! Senhor!” mas o próprio tempo? Cheguei perto. Chamei. nas mãos. Ou será que a lente aumentaria não só a máquina aumentar aquela pequena máquina do tempo que ele prendia senhor examinava um relógio. Num dos olhos, uma lente para

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:03 00:58

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

Puxei o menino. Levantei. Ele, sem entender, me parou.

em todas as casas de relógios. Tenho que ir. Vamos!”

E... e lembrei o que tenho que fazer. Tenho, tenho que ir

“Da casa de relógios. Lembrei que estive lá, está ouvindo?

“O senhor se lembrou do quê?” demorou para falar.

Sorri. Ele ficou contemplando meus dentes, eu acho, pois

“Menino, me lembrei. Me lembrei!” velho, mas bom. Eufórico, disse, sem atropelar as palavras: nos olhos, puxei o menino para perto. Sentamos os dois. Sofá estado na casa de relógios. Trêmulo, com lágrima inesperada na mente me pôs eufórico pela lembrança. Há pouco eu havia

De repente, foi como ter sido atingido por um raio. Um clarão

ter sentido esse tipo de fascinação antes, lá na casa de relógios. indicador aquelas máquinas maravilhosas. Engraçado eu não

Olhei-o. Não falei. Para tentar resposta digna, apontei com o

“O senhor tá bem, seu Ataíde?”

O garoto apareceu, vindo da cozinha. provável, carregava uma lembrança que eu não me lembrava. vida na sala. Certamente cada um tinha seu porquê. Bem vendo aquilo. Atento. Igual retratos, os relógios representavam para uns, mas bem sonoros para mim. Perplexo, continuei mudo

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:04 00:57

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

Por outro lado, me lembrei com satisfação sobre o conselho havia sugerido começar pelas casas de relógios mais próximas.

Escolhi uma das folhas, a esmo. Não me lembrei que o menino deveria amarrar os sapatos.

precisos. Vitória para mim que, antes, não entendia mais como um outro velho, forte, mais consciente, com movimentos e páginas amarelas da lista telefônica. E eu parecia mesmo parede. Minha sala era tão-somente paredes vivas de relógios olhar os relógios e, misturado a eles, as folhas grudadas na tempo impreciso para mim, deparei-me no centro da sala a durex, fita adesiva, qualquer coisa assim. Encontrei. Após um sobre o sofá e comecei a vascular potes e gavetas à busca de debaixo dos braços, cambaleei até a sala. Larguei as páginas folhas espalhadas, uma a uma. Mantendo o maço de papel de incerteza foi embora. Com isso, me agachei e catei as compreender o que fazer em seguida. Mas o instante carregado meus pensamentos e, por um instante, não fui capaz de

Essa imagem insólita logo se foi. E quando ela sumiu, levou gente. O engraçado é que só vi um corpo, não um rosto. daquelas folhas. A vi claramente, sorrindo, como se fosse

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:05 00:56

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

em minha pele flácida não mais estava. E parte das rugas verdade. Mas oitenta, noventa por cento daquela coisa de velho escuras havia desaparecido. Não, não completamente, é as manchas de velho. Onde estavam? As incontáveis pintas eu não era, aproximei as mãos da minha vista a fim de encontrar

Parei, num susto. Arregalei os olhos e, feito um míope que mãos. E abri a torneira. E passei sabão. E esfreguei. Enxaguei. de alívio. Depois do mijo, num ato mecânico fui lavar as

Minha bexiga doía, tão cheia estava. Esvaziei. E suspirei, cheio casa? Esperei para verificar depois. Antes, o banheiro. Urgência. um menino ao lado dela. Quem eram aquelas pessoas em minha cozinha. Com canto de olho e leve inclinada de cabeça, decifrei em direção ao banheiro, vi uma mulher trocando conversa na mais forte, revigorado mesmo. Levantando-me da cama, indo ter dormido pois estava mesmo mais focado, disposto, um tanto

Descansei. Acordei cedo, se é que dormi, não me recordo. Devo nas casas de relógios não seria fácil, não senhor. juntar disposição, ganhar força. A busca pela minha mulher sempre se mistura na mente, achei por bem descansar para poder faxineira. Quieta, me permitiria pensar. E entre o pensar que os relógios. De preferência, era melhor nem falar muito, a páginas amarelas grudadas nas paredes. Deixasse quietos também banheiro. Que não mexesse na sala, nunca. Deixasse lá as

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:06 00:55

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

O que seria a vida sem o tempo?, pensei ao contemplar

muitos, eram os relógios nas paredes, no balcão, nas vitrines. deixando-a com aquele ar de eternidade bela desejado por

Casa pequena, velha. As únicas coisas que a embelezavam,

Entre um ainda não e outro, finalmente chegamos.

“Ainda não, seu Ataíde, ainda não.”

“Estamos chegando?”, eu perguntava a cada esquina. de encontrar a minha mulher foi a que ficou.

Deixei pra lá. Esse pensamento se desfez. No lugar, a ansiedade que a vida reserva para qualquer pessoa, jovem ou velha. repentinos. No fim, talvez fossem mesmo os clarões de memória

Mas, óbvio, não lembrava de tantas coisas assim. Eram clarões alegria expansiva, esperada, era minha, de ninguém mais.

Achei que o menino fosse expressar mais alegria. Todavia, a

“Que bom, seu Ataíde. Que bom.”

“Estou me lembrando das coisas”, comentei. antes. Minha mente, enfim, vivia. Olhei para o menino e sorri. só foi possível porque, afinal, eu me lembrara de como era conta de que os comparativos que fiz sobre tudo estar igual viviam, ou pareciam viver de modo alheio. De repente, dei-me

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:07 00:54

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

Não sei porque aquela estranha me perguntou isso, pois até onde

“Seu Ataíde, vai almoçar?” cabeça, consegui ouvir a voz de uma mulher vir da cozinha. levariam?, Enquanto esse pensamento dançava em minha amarelas presas nas paredes. Para onde aqueles endereços me no sofá e fiquei ali ouvindo os relógios e vendo todas as páginas

O menino foi. E eu, meio esbaforido, fui para sala. Sentei-me

“Vai, menino, vai!”

“Mas...”

“Vou tirar fotos. Arrume a máquina.” o senhor precisa são de fotos da sua mulher.”

“Não sei. Mesmo se tiver, seu Ataíde, não vai adiantar. O que

“Tem máquina fotográfica em sua casa?”

Vasculhei de novo. Máquina não havia.

“Uma máquina, precisamos de uma máquina!”

“Mas, seu Ataíde, se as fotos não estão aqui...”

“Precisamos de fotos”, falei para o menino.

Tampouco existe sentido no tempo sem a lembrança.

Nessa hora, entendi que a vida não faz sentido sem o tempo.

Nada em papel, nada em minha mente. Onde, o meu passado? porque todo casal vive momentos bons, não estavam registrados. retratos da minha mulher. Momentos bons que vivemos juntos, lugares da casa e não encontrei fotografia alguma. Nada de

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:08 00:53

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

“Então, quer que eu entregue a foto para a sua mulher?” ela procura ele nas relojoarias. É só entregar a foto.”

“Senhor”, começou o menino, “O seu Ataíde procura a mulher,

“E o que eu tenho com isso?”

“Este sou eu. Procuro a minha mulher. Ela me procura.”

Estiquei a fotografia. Expliquei, antes que ele perguntasse:

“Em que posso ajudá-lo?”, perguntou, depois da lamúria. um tempo bom para ele. sobrou nada, nem relógios e nem pessoas. Não era, liquidar o tempo e vendeu os relógios por preços baixos. Não

Disse, o homem, que a crise levara seu estoque. Teve que havia muitos relógios na loja. Não havia pessoas. Onde, todos? para nós. Sorriu. Primeiro para o menino, depois para mim. Não caminhada. Caminhada de velho. Outro velho abriu a porta que constava na lista, não distante dali. Quinze minutos de

Saímos. Eu e o menino fomos para a próxima casa de relógios

“Qualquer mulher”, reforcei. mostro a foto. Qualquer mulher?” fotografia comigo. Se aparecer alguma mulher à sua procura,

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:09 00:52

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

rejuvenescido, pareceu-me ainda mais jovem. aguçada. Deitei os olhos em minhas mãos. O que já tinha pálida. E, percebi, minha audição revelava-se diferente, mais

Contudo, meu rosto parecia mais firme, a pele viva, não tão cinco anos mais jovem, concluí. Claro que havia rugas. normal. No espelho, minha imagem mais jovem. Pelo menos

Fui para o banheiro. Passos rápidos, mais vigorosos que o

“Não...não pintei o cabelo”, avisei, resmungo baixo.

“Os brancos diminuíram. Ficou muito bom, viu?”

“Não entendi”, resmunguei. seu Ataíde. O cabelo, tá pintado? O senhor pintou o cabelo?”

“Sei, sei. Não tou falando disso, não. Tou falando do senhor,

“Bilhetes”, respondi. razão, achei que a tal tivesse o nome de Rosi.

Olhei para a mulher. Lembrei-me: era a faxineira. Por alguma

“Meu Deus do céu, qué isso, seu Ataíde?” está à minha procura, por favor, me ligue.

Não me lembro de você, mas sou o seu marido. Se você também bilhetes com meu nome e telefone. E uma frase: tomada pelas páginas de endereços, pelos relógios e por vários

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:10 00:51

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

cadeira que eu nunca vira antes. Pelo menos não me passava

Ela, qual estátua, apoiava uma das mãos no encosto de uma

Das colagens, passei os olhos pelos móveis, pela faxineira. corri os olhos pelas paredes repletas de minhas colagens.

eufórico, impaciente. Consultei as horas. Uma vez mais, nome e rosto. Tal conclusão me colocou em estado jovem, existia a possibilidade de eu lembrar-me de seu moço? Se não me reconhecesse, ao menos, tornando-me mais encontrá-la antes de me tornar outro? Ela me reconheceria

retrocedendo? E a minha mulher? Que tempo eu tinha para muito. Mas qual seria o tanto de sabedoria que eu perderia claro. Mais memória, força, saúde, disposição. Ganhamos

Se tanto, passaria ao contrário. É bom voltar a ser jovem,

Percebi, então, que o tempo, no meu caso, não iria passar. o tempo passa. Chamo de maturidade.

(Ou nada?) A gente entende as coisas melhor conforme

O tempo. É, o tempo seria capaz de esclarecer tudo.

real compreensão sobre os fatos. enlouquecia. Se não a loucura, faltava-me evidentemente a

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:11 00:50

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

movimentos. Perguntei:

O menino, sentado no chão, calado, acompanhava os meus fotos, as páginas amarelas com os preciosos endereços. numa sacola plástica, dessas de mercado. Também pus as casas de relógios. E catei bilhetes. E os coloquei, amassados,

E da parede também tirei folhas amarelas com os endereços das firmes, provavelmente livres da artrite. Peguei fotos da parede.

Levantei-me, num salto. Estava mais forte, pernas e joelhos inerte no sofá, o tempo ia passar sem que a solução aparecesse. a minha mulher. Era necessário pressa. Parado ali, corpo não enlouquecendo. E, se jovem ficasse, talvez não encontrasse

A única coisa que eu entendia era que estava rejuvenescendo, questionamentos. Todos sem respostas, claro. fotos e as páginas amarelas, meu pensamento zanzarou por

Sentado no sofá, fitando a parede lotada de relógios, bilhetes,

Seremos, por exemplo, eternos? Na eternidade não há tempo. situações ou coisas (vidas?) que não dependem de tempo? for verdade? E se o tempo for apenas uma mistura de para o trabalho, o descanso. Mas, e se nada disso, desse tempo, isso, aquilo. Tempo para nascer, morrer. Ser triste, feliz. Tempo vários são esquecidos em conseqüência do tempo. Tempo para como fazem. Ficamos presos ao tique-taque onde sentidos marcam o tempo talvez não devessem marcar a vida do modo

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:12 00:49

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

gritando da cozinha:

Que dia e ano nós estamos? Quem respondeu foi o menino,

tempo. A pergunta aflita que veio em minha mente foi: pulso. Queria conferir a hora. Depois das horas, pensei no

Só então olhei em volta e consultei o relógio em meu até o susto passar e a respiração acelerada voltar ao normal. assustado. Num sobressalto, pus-me de pé. De pé fiquei

Foi nessa hora que abri os olhos de novo. Acordei ofegante, irremediavelmente jovem, me levantaria e me atiraria na luz. jovem. Dentro do sonho, pensei: seria bom ser jovem. Se fosse velho. E um velho que, sentindo-se preso, incapaz, queria ser

A ordem não era obedecida pelo corpo. Um corpo ainda dava a ordem para que eu me levantasse, saísse donde estava.

porém, meu corpo não esboçava qualquer reação. Meu cérebro seguir pela luz acima dos meus olhos era imensa. Deitado, arrastada, pesada. Enquanto tentava respirar, a vontade de batidas de um coração, só que fraco. Minha respiração era

O sibilar de equipamentos marcava um ritmo qual as meus olhos. Tudo confuso, nebuloso. algumas feições. Uma luz forte, muito forte explodia acima de verde claro. Máscaras, iguaizinhas essas de médico, escondiam

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:13 00:48

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

casado e preciso, d e s e s p e r a d a m e n t e, encontrá-la. lembrar de seu nome, tampouco seu rosto. Sei apenas que sou

Estou com 64 anos agora, meu amor. Não consigo ainda me quanto a minha ansiedade.

Caneta e papel em mãos, pus-me a escrever rápido, tão rápido

E como tinha.

“Quem tem pressa é o senhor, seu Ataíde.”

“Vou escrever novos bilhetes, espere”, falei para o menino. a busca seria em vão. que sem um bilhete melhor para acompanhar aquela imagem,

Achei impossível me reconhecer no papel. Pareceu-me claro jovem. Depois do espelho, já na sala, olhei minha foto.

Não estava. No espelho, conferi meus traços cada vez mais

“Tá como sempre foi, seu Ataíde.” diferente?” minha mulher não vai mais me reconhecer. Estou muito

“Seja quantas forem, não temos tempo. Estamos em 2002. Logo

“Não sei, não, seu Ataíde.” casas de relógios já visitamos?”

“Pegue as fotos. E uma das páginas com endereços. Quantas

“Foi o que eu disse.” o que disse?”

Ver todos os capítulos
Medium 9786587017099

00:14 00:47

Newton Cesar Editora Almedina PDF Criptografado

um simples velho como eu. Uma e outra, bem jovem – pois

E, ao perceberem, decidiram por não reclamar, não ligar para

Mulheres que fotografei não perceberam. Ou perceberam. de serem revelados e, quem sabe, um deles, reconhecido. se sobrepondo. Um sem-número deles. Tantos rostos à espera ser visto. E os cliques, presos à máquina de retratos, foram fazer muitos cliques. E precisei fotografar rostos não vistos sem caminho nos separa entre o desejo e a realização. E tive que seria, finalmente, vencida pela busca. Não obstante, um longo fosse disparado. Uma única vez, um só clique e a procura mulher por trás da lente da máquina assim que o botão torturar a mente. Meu desejo, evidente, seria descobrir a minha

Caminhei nervoso. Fiapo de insegurança começando a para a mulher ser revelada. não sabia ainda que face era esta. Bastava um clique (ou vários) imagens, para mim, tinham um rosto específico. Eu apenas

Nada era tão importante quanto as imagens reais, concluí. E tais imagens mais importantes que as imagens reais? da vida? Seriam as imagens eletrônicas vindas da caixa de fatos na tevê. Mas não seria melhor assistir aos acontecimentos

Ver todos os capítulos

Carregar mais