Tuberculose

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Ainda hoje, cerca de nove milhões de pessoas adoecem por tuberculose em todo o mundo e quase dois milhões de portadores dessa doença morrem a cada ano. O Brasil ocupa a 19.ª posição no ranking dos 22 países responsáveis por 80% dos casos de tuberculose no mundo e é o país com maior número de casos em toda a América Latina. O livro Tuberculose, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), chega em momento importante da luta contra a tuberculose no país. De forma prática e objetiva, são apresentados em seus 23 capítulos os novos conceitos e os conhecimentos de ponta do mundo científico da tuberculose, mesclados na medida exata com o conhecimento clássico da tradicional tisiologia.

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Capítulo 1 - Cenário Histórico e Controle da Turbeculose no Brasil

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CAPÍTULO 1

Cenário Histórico e Controle da Tuberculose no Brasil

Germano Gerhardt

Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg

I n t r o duç ão

A existência ou não da tuberculose (TB) na América pré-colombiana foi durante muitos anos um tema controverso. Em 1971, o mistério começou a ser desvendado com a descoberta, na província de Nazca, no Peru, da múmia de uma criança inca do sexo masculino, que, pela datação com o carbono-14, era do ano 700 d.C.

Na referida múmia foram encontradas evidências do mal de Pott, com visualização de bacilos álcool ácido resistentes (BAAR). Entretanto, deu-se um diagnóstico de probabilidade, pois os bacilos, mesmo sendo BAAR, poderiam não ser do complexo Mycobacterium tuberculosis (M.tb).

A versão da não existência da TB na América pré-colombiana só caiu por terra com a descoberta no Peru, há pouco mais de 15 anos, da múmia de uma mulher inca que viveu há cerca de 1.100 anos. Por meio da biologia molecular, foi identificada, no DNA do bacilo encontrado em um nódulo pulmonar dessa múmia, a inserção sequencial IS-6110, específica do complexo M.tb. Esse é o primeiro diagnóstico bacteriológico, de certeza, de doente que viveu há mais de 10 séculos, provando, irrefutavelmente, a existência de TB na América antes da chegada de Colombo. Isso não significa que os indígenas brasileiros conhecessem a tísica, já que era raro o contato entre as diversas populações habitantes do continente americano.

 

Capítulo 2 - Epidemiologia da Turbeculose

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CAPÍTULO 2

Epidemiologia da Tuberculose

Fernando Augusto Fiuza de Melo

A o r igem d o bac ilo e as p rimeiras epid emias

Estudos genéticos indicam que o Mycobacterium tuberculosis complex deve ter tido um ancestral comum, presente em primatas, quando do início da evolução do Homo sapiens na África. A cepa isolada de um caso de tuberculose (TB) infectado na região da Mauritânia e estudada por Georges Canetti apresentava uma reprodução rápida em meio de cultura com colônias de superfícies lisas, típicas de formas virulentas. Esse bacilo, classificado como M. Canetti, apresentava a estrutura do DNA comum tanto ao M. tuberculosis (M.tb) quanto ao M. bovis, e a diversos outros tipos do complexo.

Embora o bacilo não seja originário da forma bovina, como se acreditava no passado, as primeiras epidemias de doenças pulmonares guardam uma relação com as comunidades humanas que conviveram com cepas bovinas ou de outros mamíferos, seja pela alimentação ou pela ingestão do leite. Estudos indicam que as populações lactase positivas, ou seja, selecionadas para metabolizar a lactase bovina, apresentavam componentes imunológicos de defesa que facilitavam a emergência das formas pós-primárias cavitárias da doença pulmonar, de maior transmissibilidade do que as formas primárias.

 

Capítulo 3 - Etiologia e Imunopatogenia da Tuberculose

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CAPÍTULO 3

Etiologia e Imunopatogenia da Tuberculose

Fernando Augusto Fiuza de Melo

Denise da Silva Rodrigues

Daniela Aparecida de Oliveira

E tio logia e t ransmissão

A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa de evolução crônica, cujo agente etiológico é o Mycobacterium tuberculosis (M.tb), descoberto por Robert Koch, em 1882. O gênero Mycobacterium, único da família Mycobacteriaceae, uma transição entre as eubactérias e os actinomicetos, é constituído por bacilos retos ou ligeiramente curvos, com dimensões que variam entre 0,2 μ e 0,6 μ por 1 μ e

10 μ, imóveis e não formadores de esporos ou cápsulas. O crescimento é variável, podendo ser rápido (cerca de 3h) nas paredes das cavidades pulmonares, ou lento (em torno de 18h a 20h) em lesões fechadas e intracelulares. É resistente à descoloração por alcoóis e ácidos, característica esta que se deve ao alto teor de lipídios presente em sua membrana e evidenciado na baciloscopia pelo método de

 

Capítulo 4 - Métodos Laboratoriais

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CAPÍTULO 4

Métodos Laboratoriais em Tuberculose

Moises Palaci

Fernanda Carvalho de Queiroz Mello

D iag nóst ic o laborat orial d a t uberc ulose pulmonar

O diagnóstico da tuberculose (TB) pulmonar permite que tenhamos menores taxas de morbimortalidade e de sequelas entre os portadores da doença ativa, além de interromper a cadeia de transmissão, contribuindo, assim, para a prevenção de novos casos. O sucesso do diagnóstico laboratorial depende, sobretudo, dos procedimentos de coleta do espécime respiratório e da acurácia das metodologias diagnósticas utilizadas.

Coleta dos espécimes

O paciente deve ser orientado a coletar o escarro pela manhã, preferencialmente antes das refeições e após a higiene oral, para minimizar os riscos de contaminação bacteriana ou fúngica da cultura. Deve-se evitar a coleta de saliva. O frasco plástico para a coleta da amostra deve ser estéril, com boca larga e tampa de rosca. Estudos comprovam que escarros coletados com volume superior a 5 ml aumentam a sensibilidade da baciloscopia e cultura. Após a coleta, o escarro deve ser mantido sob refrigeração (4 ºC a 10 °C) até ser encaminhado ao laboratório. Além do escarro espontâneo, pode-se induzir a tosse por meio da inalação de solução salina hipertônica (escarro induzido), que também aumenta a secreção brônquica.

 

Capítulo 5 - Busca Ativa de Casos de Turbeculose

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CAPÍTULO 5

Busca Ativa de Casos de Tuberculose

Ana Maria Campos Marques

Roberto Luiz Targa Ferreira

Solange Cesar Cavalcante

I n t r o duç ão

O controle da tuberculose (TB) foi considerado possível a partir da década de

1960, com a descoberta de medicamentos eficazes, que passaram a curar mais de

90% dos casos por meio de ações programáticas bem estabelecidas. No final dos anos 1990, havia o prenúncio de que pelo menos os Estados Unidos e a Holanda eliminariam a TB já em 2010. Os planos tiveram que ser refeitos e hoje o retorno da estratégia de busca ativa de casos (BAC) de TB ressurge para que se possa tentar o controle da doença nos países com altos coeficientes de incidência. A BAC

é definida como a busca de casos de TB pulmonar ativa em indivíduos com tosse que não procuram o Serviço de Saúde espontaneamente (p. ex., comunidade, grupos de risco elevado etc.) ou que procurem o Serviço de Saúde (espontaneamente) por outro motivo que não a tosse. Várias iniciativas internacionais e globais de combate à TB incluem esta estratégia como básica para qualquer programa de controle da endemia.

 

Capítulo 6 - Dianótico da Turberculose Pulmonar em Adultos

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CAPÍTULO 6

Diagnóstico da Tuberculose

Pulmonar em Adultos

Fernanda Carvalho de Queiroz Mello

Gilvan Renato Muzy de Souza

Jamocyr Moura Marinho

T u b e rc ulose primária

A tuberculose (TB) primária é a apresentação da doença que ocorre em seguida

à primoinfecção pelo Mycobacterium tuberculosis (M.tb) e, por este motivo, é mais comum em crianças e adolescentes, particularmente em países com elevada prevalência da doença. A TB na infância será discutida no Capítulo 7. Clinicamente, a TB primária pode se apresentar de forma insidiosa e lenta (mais comum), com febre baixa, inapetência e sudorese, ou de forma aguda e grave. Em países nórdicos, é descrito que a TB primária frequentemente é acompanhada de reação de hipersensibilidade extrapulmonar, como o eritema nodoso, a conjuntivite flictenular e a artralgia de Poncet (estas manifestações serão discutidas no Capítulo10 e no Apêndice C). Embora muito sugestivas de TB primária, estas alterações são incomuns em nosso meio. A TB primária pode se apresentar radiologicamente como um foco pulmonar e/ou um foco ganglionar, geralmente homolateral. O foco pulmonar corresponde a uma pequena consolidação pneumônica, que acomete mais comumente a região média dos pulmões e os lobos inferiores. No foco ganglionar, o acometimento é basicamente mediastínico, hilar ou paratraqueal, sendo predominante a cadeia paratraqueal direita. Nos pacientes que desenvolvem a imunidade tardia, o foco pulmonar evolui para o encapsulamento e a fibrose e, na maior parte das vezes, para a calcificação, que forma a lesão que caracteriza o granuloma, o tubérculo ou o foco de Ghon. O conjunto de imagens composto pelo foco de Ghon, pela linfangite, que liga o foco pulmonar ao ganglionar, e pelo foco ganglionar é chamado de complexo primário ou complexo de Rancke. Nos pacientes em que o quadro clínico se mantém após o desenvolvimento da imunidade tardia (2 a 12 semanas), teremos a chamada TB primária progressiva. Neste caso, o foco pulmonar pode necrosar e drenar o cáseo liquefeito para um brônquio adjacente e com isso surgir uma cavitação praticamente sem parede, semelhante

 

Capítulo 7 - Tuberculose na Infância

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CAPÍTULO 7

Tuberculose na Infância

Clemax Couto Sant’Anna

Terezinha Martire

T u b e rc ulose pulmonar na infânc ia

O diagnóstico de tuberculose (TB) na infância é baseado em dados clínicos, radiológicos e epidemiológicos, pois a confirmação bacteriológica é difícil em crianças até 7 ou 8 anos de idade, considerando que estas não conseguem expectorar de forma a fornecer amostras para exame micobacteriológico. Além disso, a TB nessa faixa etária costuma ser paucibacilar. A partir dos 10 anos, começa-se a observar formas de TB semelhantes às de adultos, com lesões radiológicas extensas, formas escavadas e frequentemente o paciente é bacilífero. Justifica-se, pois, solicitar baciloscopia de escarro em adolescentes.

Diagnóstico

Os métodos de diagnóstico rápidos ainda são incipientes na infância. Assim, a contribuição dos testes de amplificação de ácidos nucleicos (AAR) – como, p. ex., a reação em cadeia da polimerase (PCR) e da sorologia ainda estão reservados à pesquisa. A sorologia para Mycobacterium tuberculosis (M.tb) parece oferecer boas perspectivas na infância, pela relativa simplicidade e o baixo custo. Pesquisas que utilizam ensaios sorológicos com um pool de antígenos específicos do

 

Capítulo 8 - Diagnóstico da Turberculose em Paciente Infectado pelo HIV

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CAPÍTULO 8

Diagnóstico da Tuberculose em Paciente Infectado pelo HIV

Antonio Carlos Moreira Lemos

I n t r o duç ão

A coinfecção tuberculose (TB)/vírus da imunodeficiência humana (HIV) é causa de um aumento drástico na incidência e na morbimortalidade por TB. Este fato

é mais importante no hemisfério Sul, com maior ênfase na África. O diagnóstico de TB em pacientes infectados pelo HIV é uma condição definidora de síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids). Adicionalmente, já está bem descrita a interação recíproca na coinfecção TB/HIV, em que tanto há um efeito da infecção pelo

HIV sobre a TB quanto um efeito da TB sobre a infecção pelo HIV. Entre os efeitos da infecção pelo HIV sobre a TB destaca-se o fato de que os pacientes soropositivos para HIV têm um risco maior de adoecimento, tanto pela progressão da infecção latente de TB para doença de TB ativa quanto por infecção exógena. Este risco aumenta à medida que piora o grau de imunossupressão, e pode variar de

 

Capítulo 9 - Tuberculose em Imunodeprimidos não Infectados pelo HIV

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CAPÍTULO 9

Tuberculose em

Imunodeprimidos Não

Infectados pelo HIV

Rodney Frare

O desequilíbrio da respiração saudável pode ser alterado drasticamente em vários pontos, o que permite o aparecimento de eventos infecciosos no aparelho respiratório. A perda do controle de defesa contra agentes infecciosos deve-se habitualmente a: defeitos intrínsecos no sistema de defesa respiratório do hospedeiro, exposições a ambientes tóxicos, poluição causada pelo tabaco ou drogas ilícitas inaladas, falha na medula óssea, imunidade incompetente oriunda de neoplasia não controlada ou infecções que atinjam células de defesa, além de efeitos colaterais de quimioterapia antirreoplássia ou tratamento imunodepressor.

Do ponto de vista anatômico, podemos resumir os defeitos do sistema respiratório de um hospedeiro em 3 grandes áreas, a saber: a) Nível de via aérea: com quebra das barreiras mecânicas de defesa (p. ex., intubação orotraqueal), alterações do clearance muco ciliar (bronquiectasias, fibrose cística), broncoconstrição e defeitos de ação local de imunoglobulinas

 

Capítulo 10 - Tuberculose Extrapulmonar

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CAPÍTULO 10

Tuberculose Extrapulmonar

Nelson Morrone

Márcia Seiscentos

Clemax do C. Sant’Anna

Marcus Conde

I n t r o duç ão

A localização da tuberculose (TB) em outros órgãos que não o pulmão geralmente decorre de disseminações linfo-hematogênicas, embora outros mecanismos também possam ser responsabilizados, como a via canalicular, a extensão direta ou a inoculação direta.

A TB extrapulmonar da disseminação linfo-hematogênica, pode ocorrer precocemente, como na meningite tuberculosa e na TB pleural, ou tardiamente como na TB renal. A disseminação canalicular é responsável, p. ex., pela TB de laringe,

(a partir de foco pulmonar) de ureter e de bexiga (a partir de foco renal). A extensão direta é o mecanismo responsável pelas fístulas gangliobrônquicas e fístulas gangliocutâneas, enquanto a inoculação direta pode causar TB de pele por ferimento cutâneo em necropsiantes.

A presença do bacilo não é suficiente para causar a doença, pois, além dos fatores de defesa em comum com a TB pulmonar, há necessidade de elevado teor de oxigênio e da compactação frouxa do órgão. Assim, casos de TB no miocárdio são inexistentes, pela consistência elevada do órgão; o fígado, por outro lado, frequentemente

 

Capítulo 11 - Diagnóstico e Tratamento da Tuberculose Infecção Latente

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CAPÍTULO 11

Diagnóstico e tratamento da Tuberculose

Infecção Latente

Valéria Góes Ferreira Pinheiro

Almério Machado Júnior

I n t r o d uç ão

A infecção latente por M. tuberculosis (M.tb) ou tuberculose infecção latente (TBL) é definida como o estado do indivíduo no período compreendido entre a entrada do bacilo da tuberculose (TB) no organismo e o aparecimento da doença ativa da TB. Esse período é extremamente variável e difícil de ser certificado, pois a exposição ao bacilo da TB nem sempre resulta em infecção, e esta nem sempre evolui para doença. Cerca de 30% a 50% dos indivíduos intensamente expostos a M.tb não se infectam, conforme demonstrado pela ausência de evidência imunodiagnóstica de infecção ou de ativação das células

T pela infecção. Esses indivíduos podem ter resistência inata (embora não comprovada) à infecção pelo M.tb. Entre os indivíduos expostos ao M.tb e que se infectam, uma proporção substancial permanecerá na condição de indivíduos com TBL, sem evoluir para doença ativa, e uma pequena proporção evoluirá para TB doença ativa. Alguns dos infectados apresentam resposta positiva transitória aos testes de imunodiagnóstico e podem, posteriormente, “reverter” sua reação por meio da “resolução aguda da infecção”. Esses indivíduos podem, entretanto, se reinfectar a partir de novo contato com portador de TB e adquirir então TB doença ativa. Tendo em vista a falta de um padrão ouro para o diagnóstico da TBL, alguns desses postulados se baseiam em evidências circunstanciais ainda não comprovadas. Uma multiplicidade de condições clínicas – infecção pelo HIV, diabetes melito, desnutrição, tabagismo, terapia com inibidor de fator de necrose tumoral (TNF), coinfecção por helmintos, entre outras – pode transtornar o equilíbrio imunológico e promover a transição da TBL para a TB doença ativa (Figura 11.1).

 

Capítulo 12 - o Esquema e o o Esquema e o da Tuberculose Ativa

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CAPÍTULO 12

O Esquema e o

Regime de Tratamento da Tuberculose Ativa

Marcus Conde

Marcelo Fouad Rabahi

T r atament o d a t uberc ulose

Para que se entenda o tratamento da tuberculose (TB), é necessário conhecer as diferentes características do M.tb. Uma lesão tuberculosa é composta por populações micobacterianas de diferentes comportamentos metabólicos. Didaticamente, elas são subdivididas em populações A, B e C (Tabela 12.1).

Tabela 12.1 Populações micobacterianas da lesão tuberculosa

População A

Os bacilos se multiplicam continuamente com velocidade diferente (crescimento rápido ou lento).

População B

Os bacilos se multiplicam lentamente sempre com a mesma velocidade.

População C

Os bacilos permanecem latentes e têm períodos esporádicos de atividade metabólica, quando se multiplicam.

O tratamento da TB combina diferentes medicamentos, levando em conta as diferentes características da população bacilar e tendo 3 objetivos principais:

 

Capítulo 13 - Tratamento da Tuberculose na Infecção pelo HIV

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CAPÍTULO 13

Tratamento da Tuberculose na Infecção pelo HIV

Tatiana Galvão

Luiz Antonio Alves de Lima

I n t r o duç ão

Os princípios que norteiam o tratamento da tuberculose (TB) no indivíduo infectado pelo HIV são os mesmos que se aplicam àqueles HIV soronegativos. No entanto, aspectos específicos merecem ser discutidos pormenorizadamente, como o tempo de tratamento da TB, os esquemas a serem administrados, o momento de iniciar a terapia antirretroviral (TARV), as interações medicamentosas, a superposição de toxicidades e como evitar a síndrome de reconstituição imune.

O tr a t ament o d a t uberc ulose assoc iado

à in f ec ç ão pelo HI V

A infecção pelo HIV aumenta muito o risco de adoecimento por TB. Mesmo em pacientes sob TARV, a incidência de TB é elevada. Pacientes HIV positivos têm menor rendimento da pesquisa de bacilo álcool ácido resistente (BAAR) no escarro. Assim, além da pesquisa de BAAR, devem ser solicitadas cultura, identificação e teste de sensibilidade (TS).

 

Capítulo 14 - Tratamento da Tuberculose em Situações Especiais

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CAPÍTULO 14

Tratamento da Tuberculose em Situações Especiais

Marcus Conde

Marcelo Fouad Rabahi

I n t r o duç ão

Em algumas situações especiais, o tratamento da tuberculose (TB) requer cuidado adicional com as doses, a frequência e a reposição de vitamina B, como nos casos de TB associada à gravidez e amamentação, à insuficiência hepática e renal, ao diabetes, à imunossupressão e em idosos.

G r av id ez e amament aç ão

As mulheres em idade fértil devem ser questionadas a respeito da possibilidade de gestação, antes de iniciar o tratamento para TB. As gestantes devem ser avisadas que o sucesso do tratamento da TB é importante para o sucesso da gestação. O esquema

RHZE pode ser administrado nas doses habituais. No entanto, a rifampicina (R) não deve ser administrada em doses aumentadas em esquemas intermitentes devido ao risco de hipoprotrombinemia e sangramento. O uso de etionamida, estreptomicina e quinolonas em grávidas é contraindicado. Mulheres com TB que estiverem amamentando devem receber o tratamento habitual, pois é a melhor maneira de prevenir a transmissão da doença para o filho. Mãe e filho não devem ser separados e a criança deve continuar sendo amamentada, porém a mãe deve usar máscara e amamentar em ambiente bem ventilado. Depois de afastada a possibilidade da TB doença ativa na criança, ela deve receber isoniazida ou hidrazida (H) por 3 meses e ser submetida ao teste tuberculínico (TT). Caso o TT seja não reator, deverá receber a vacina BCG.

 

Capítulo 15 - Tratamento da Tuberculose com Resistência

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CAPÍTULO 15

Tratamento da Tuberculose com Resistência

Eliana Dias Matos

Virgílio Tonietto

Margareth Maria Pretti Dalcolmo

I n t r o duç ão

A emergência de tuberculose (TB) farmacorresistente é frequentemente atribuída à falência de implantação de adequados programas de controle da TB e correto manejo de casos da doença. Portanto, as resistências em TB são um fiel reflexo da má qualidade dos programas de controle e consequência direta das más práticas terapêuticas de utilização de medicamentos anti-TB.

Apesar dos esforços e de alguns avanços no controle da TB no mundo, a TB farmacorresistente constitui atualmente um importante problema de Saúde Pública.

Nas últimas 2 décadas, os relatos da Organização Mundial de Saúde (OMS) têm sinalizado um significativo incremento da TB multirresistente (TBMR), seguida por

TB extensivamente resistente (TBXDR), representando um sério obstáculo para o controle da doença, especialmente em áreas onde suas prevalências são altas.

 

Capítulo 16 - Tratamento Cirúrgico da Tuberculose

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CAPÍTULO 16

Tratamento Cirúrgico da Tuberculose

Giovanni Antonio Marsico

His tó ric o

Antes do advento dos fármacos antituberculose, o repouso e a colapsoterapia eram os tratamentos padrão para a tuberculose (TB) pulmonar. Em 1820, na Inglaterra, James Carson foi o primeiro a sugerir o pneumotórax para o tratamento da

TB. Entretanto, somente em 1882, Carlo Forlanini introduziu nitrogênio no espaço pleural com o objetivo de colapsar a área pulmonar comprometida. Jacobeus, em

1912, utilizou um cistoscópio modificado para, junto com o cautério, desfazer as aderências pleurais que impediam o colapso da área doente. O pneumotórax terapêutico, associado ao repouso, passou então a ser largamente empregado.

Todavia, com a experiência adquirida, verificou-se que o volume de pneumotórax considerado satisfatório e adequado para o colapso somente era obtido e mantido em 25% dos pacientes. Vinte por cento destes últimos se complicavam com empiema pleural e cerca de 1/5 morria entre 10 e 20 anos de idade. Em 1933, o pneumoperitônio foi associado à paralisia frênica temporária ou definitiva para o tratamento da TB pulmonar. O ar no abdômen causa elevação do diafragma e comprime os lobos inferiores, porém tem pouco efeito sobre as cavidades apicais.

 

Capítulo 17 - Vacinação BCG

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CAPÍTULO 17

Vacinação BCG

Clemax Couto Sant’Anna

I n t r o duç ão

A vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin) é originária de cepas atenuadas, avirulentas do Mycobacterium bovis, após mutações genéticas e com propriedades imunogênicas protetoras contra a tuberculose (TB), constituindo-se no M. bovis

BCG. Ainda hoje, esta vacinação é a medida preventiva contra a TB mais difundida na maioria dos países em que a doença é endêmica. Deve ser administrada o mais precocemente possível a todas as crianças. O ideal é que seja feita ainda na maternidade, pois, assim, a criança ficará imunizada em tempo hábil e protegida de formas graves de TB, caso venha a ter contato com o M. tuberculosis (M.tb) em idade precoce.

No Brasil, a vacinação foi instituída em 1925 pela via oral (VO) e, a partir de

1973, pela via intradérmica; é prioritária em crianças de 0 a 4 anos e obrigatória para menores de 1 ano, de acordo com a Portaria n.º 452, de 06/12/76, do Ministério da Saúde (MS). A vacina BCG é apresentada sob a forma liofilizada. É muito sensível à luz solar e deve ser armazenada entre 4 ºC e 8 ºC. Sua aplicação é por via intradérmica, no braço direito, na altura da inserção do músculo deltoide. Pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas, inclusive com as de vírus vivos.

 

Capítulo 18 - Tuberculose e e Tabagismo

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CAPÍTULO 18

Tuberculose e Tabagismo

Alberto José de Araújo

Alexandre Milagres

José Roberto Lapa e Silva

I n t r o duç ão

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de doenças evitáveis no mundo. A dependência química à nicotina se desenvolve em 70% dos casos ainda durante o período da adolescência e é classificada pela Classificação Internacional de Doenças (CID-10) como um distúrbio neurocomportamental associado ao consumo de tabaco (F17). Os danos produzidos pelos 4.700 componentes da fumaça ambiental do tabaco (FAT), por exposição ativa ou passiva, são responsáveis diretos por 55 doenças, dentre as quais se destacam:

a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);

o infarto do miocárdio;

o acidente vascular encefálico;

o câncer de pulmão.

Entretanto, o tabagismo, além de contribuir para agravar quadros de outras patologias, como a asma brônquica, é considerado um fator de associação para o desenvolvimento da tuberculose (TB). A hipótese é apoiada por consistentes estudos epidemiológicos realizados nas últimas décadas, os quais demonstram que o tabagismo é um fator de risco para infecção de TB e para o desenvolvimento de

 

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