Manual Prático de Condutas em Medicina Sexual e Sexologia

Autor(es): GLINA, Sidney
Visualizações: 460
Classificação: (0)

A Medicina Sexual e a Sexologia têm evoluído de maneira muito rápida nos últimos anos. Diagnósticos e terapêuticas têm aparecido e desaparecido com o passar do tempo e a evolução do conhecimento. Informações vêm se acumulando, mas sempre existe um momento em que tudo precisa ser consolidado e se possível de maneira prática e didática. O Manual Prático de Condutas em Medicina Sexual e Sexologia vem ao encontro dessa necessidade. Ao convidar vários dos mais importantes especialistas no estudo da sexualidade humana e suas disfunções, os editores solicitaram que os textos buscassem essa abordagem prática, ao mesmo tempo em que abrangessem as informações. O resultado foi um compêndio do que há de mais atual no diagnóstico e tratamento das disfunções sexuais masculinas e femininas. Confira!

18 capítulos

Formato Comprar item avulso Adicionar à Pasta

1. Porque o Profissional da Saúde deve Abordar o Aspecto Sexual dos Pacientes

PDF Criptografado

Capítulo 1

Porque o Profissional da Saúde deve Abordar o Aspecto

Sexual dos Pacientes

Desde o período pré-histórico a sexualidade faz parte das atividades rotineiras; nas cavernas foram encontrados vários desenhos relacionados à atividade sexual, principalmente a representação do pênis ereto do homem como símbolo de poder e prosperidade; os registros permeiam os hieróglifos da civilização egípcia, as inscrições e as lendas dos deuses gregos e romanos. Havia os festivais e rituais para a fertilidade, pois a sobrevivência da civilização humana dependia da procriação. Naquelas épocas, o sexo era considerado natural e sagrado.1

As religiões judaica, cristã e muçulmana passaram a considerar o sexo como imoral e pecaminoso, salvo durante o casamento em que era permitido apenas por razões de procriação e, quando praticado fora do casamento, estava vinculado ao sentimento de culpa.2 A partir daí, a sexualidade e a vida sexual têm sido tratadas como tabu.

No século XX ocorreram duas grandes revoluções na área da sexualidade. A primeira, a partir da década de 1960, com o surgimento da pílula anticoncepcional, que separou a sexualidade da reprodução e permitiu à mulher ter o controle sobre sua vida sexual, diminuindo sobremaneira o risco de gravidez.3,4 A segunda, já no final do século XX, em 1998, com o surgimento do primeiro tratamento oral para a disfunção erétil (DE) baseado na inibição das fosfodiesterases - o citrato de sildenafila, considerado a “pílula do homem” -, mudou sobremaneira o entendimento, o diagnóstico e a abordagem terapêutica dessa disfunção.5 Entretanto,

 

2. Resposta Sexual

PDF Criptografado

Capítulo 2

Resposta Sexual

Sidney Glina, Carla Cecarello Fraia

Masculina

Sidney Glina

O ciclo da resposta sexual masculina pode ser didaticamente dividido em quatro estágios: desejo, excitação, orgasmo e resolução.1 A fase de orgasmo coincide com a ejaculação. O desejo sexual ou libido está intimamente relacionado com a ação da testosterona. A ereção representa a fase de excitação; a ejaculação e o orgasmo correspondem

à fase de resolução. Os dois últimos geralmente ocorrem concomitantemente, mas são fenômenos distintos, mediados em áreas diferentes do sistema nervoso, podendo ocorrer independentemente um do outro. A ejaculação é um reflexo espinhal, ao passo que o orgasmo é mediado no sistema nervoso central.2

Talvez, esse seja o compartimento da resposta sexual masculina menos compreendido. É um fenômeno complexo que sofre influências biológicas, psíquicas e culturais. Levine3 dividiu o desejo em três partes: o impulso, provavelmente de origem cerebral, o motivo, que depende do relacionamento interparceiros, e o cultural, que impõem ao homem um padrão de comportamento sexual.

 

3. Sexualidade

PDF Criptografado

Capítulo 3

Sexualidade

Sidnei Roberto Di Sessa, Adriano Fregonesi, Claudio Borges,

Ricardo Destro Saade, Sidney Glina, Cila Ankier

Do Adolescente

A adolescência é o momento em que ocorre muita transição no corpo, nos sentimentos, na forma de ver o mundo. São modificações sobre as quais não se tem controle, elas assustam, deixam os indivíduos inseguros, levam-os a buscar explicações que nem sempre estão disponíveis e quando, finalmente, eles as acessam, nem sempre são verdadeiras ou de fontes confiáveis.

No estudo de Mário Pedro Santos,1 60% dos entrevistados responderam que as primeiras noções sobre sexo foram dadas pelos amigos de sua idade, 8% pelos pais e 9% pelos professores; 54% receberam essas primeiras informações na faixa etária dos 10-15 anos, 30% na de 5-10 anos, 1% com menos de 5 anos e 14% com mais de 15 anos.

Hoje em dia, essa situação não mudou. Se os adolescentes têm alguma dúvida, em vez de conversar com alguém que tenha o conhecimento para esclarecê-la, por vergonha, guardam-a para si, e quando adquirem coragem para perguntar, muitas vezes, procuram esclarecimento com pessoas não indicadas, em geral, os amigos de colégio, de rua, na internet, nas redes sociais.

 

4. Epidemiologia das Disfunções Sexuais

PDF Criptografado

Capítulo 4

Epidemiologia das

Disfunções Sexuais

Fernando Gonini Martins, Cila Ankier, Sidney Glina

Masculinas

A epidemiologia pode ser definida como o estudo da distribuição, dos determinantes do estado e dos eventos relacionados à saúde em populações específicas com o objetivo final de prevenção e controle dos problemas de saúde.1

Existem várias razões para afirmar que a epidemiologia é importante para a ciência da medicina sexual, pois oferece um conjunto de métodos que possibilitam questionar sobre a natureza, etiologia, prognóstico e tratamento das disfunções sexuais. Em parte, isso se dá porque os casos de disfunção sexual vistos na clínica representam somente uma fração menor de todos os casos de problemas sexuais presentes na população. Além disso, como a manipulação experimental dos principais determinantes das disfunções sexuais geralmente não é possível ou factível, a epidemiologia contribui com a flexibilidade adequada dos estudos que possibilitam avaliar o impacto desses fatores por métodos alternativos.

 

5. Disfunção Erétil

PDF Criptografado

Capítulo 5

Disfunção Erétil

Alister Cara, Marcelo Vieira, Geraldo Eduardo Faria, Sidney Glina,

Oswaldo M. Rodrigues Jr., Tamara Melnik

Definição e Avaliação Diagnóstica

Mínima e Complementar

Alister Cara

A disfunção erétil (DE) é definida como a incapacidade persistente de obter e/ou manter uma ereção peniana o suficiente para a penetração ou para o término do ato sexual satisfatoriamente.1

Estudos epidemiológicos evidenciaram uma alta prevalência de disfunção erétil em todo o mundo, assim como sua associação direta com o envelhecimento.2

No Brasil, aproximadamente 45,1% dos homens apresentam algum grau de DE. Estima-se que cerca de 25 milhões de homens com mais de

18 anos de idade sofram de DE e que 11,3 milhões tenham disfunção erétil de moderada a grave.3-5

A incidência e a prevalência de DE estão associadas à presença de fatores de risco e comorbidades como as doenças cardiovasculares, diabetes melito e síndrome metabólica (obesidade, hipertensão arterial, diabetes melito e hipercolesterolemia).6,7

 

6. Distúrbios da Ejaculação

PDF Criptografado

Capítulo 6

Distúrbios da Ejaculação

Ejaculação Precoce

Definição, Avaliação Diagnóstica Mínima e

Complementar, Tratamento Clínico e/ou Cirúrgico

Luiz Otávio Torres

Tratamento Psicoterapêutico

Aparecida Favoreto

Ejaculação Retardada

Definição, Avaliação Diagnóstica Mínima e

Complementar, Tratamento Clínico

Eduardo Berna Bertero

Mário Henrique Bueno Bavaresco

Tratamento Psicoterapêutico

Carlos Eduardo Carrion

Glina_8P_Cap 06.indd 189

6/2/2013 09:58:00

Glina_8P_Cap 06.indd 190

6/2/2013 09:58:04

Capítulo 6

Distúrbios da Ejaculação

Luiz Otávio Torres, Aparecida Favoreto, Eduardo Berna Bertero,

Mário Henrique Bueno Bavaresco, Carlos Eduardo Carrion

Ejaculação Precoce

Definição, Avaliação Diagnóstica Mínima e

Complementar, Tratamento Clínico e/ou Cirúrgico

Luiz Otávio Torres

Ejaculação precoce (EP), ejaculação prematura e ejaculação rápida são termos utilizados para uma situação clínica na qual o homem ejacula antes do que gostaria. Masters e Johnson1 definem a EP como a incapacidade de retardar a ejaculação o suficiente para que a parceira obtenha orgasmo em pelo menos 50% das vezes. Kaplan2 define a

 

7. Doença de Peyronie

PDF Criptografado

Capítulo 7

Doença de Peyronie

Patrick Ely Telöken, Claudio Telöken

Definição

A doença de Peyronie (DP), assim chamada em homenagem a François Gigot de La Peyronie por sua descrição em 1743, também é conhecida como induratio penis plastica ou enduração plástica do pênis e caracteriza-se pela formação de uma placa inelástica de tecido fibroso na túnica albugínea.

Apresentação Clínica

♦♦ Dor peniana: pode ocorrer espontaneamente no estado flácido,

à palpação e/ou durante ereção.

♦♦ Deformidade: percebida durante a ereção, pode assumir forma de curvatura, afilamento e/ou encurtamento peniano. Pode estar associada à instabilidade (“efeito dobradiça”).

♦♦ Placas penianas palpáveis: qualquer porção da túnica albugínea pode ser acometida, sendo mais frequentes na região dorsal do terço médio do pênis; pode ser referida dor à palpação.

♦♦ Disfunção erétil: pode ser relatada como tendo início antes ou após os outros elementos. Alguns pacientes referem apenas disfunção erétil, sendo a DP descoberta pelo exame físico.

 

8. Priapismo

PDF Criptografado

Capítulo 8

Priapismo

Roberto C. Campos, Celso Gromatzky,

Carlos Ricardo Doi Bautzer

Baixo Fluxo ou Isquêmico

Roberto C. Campos

De acordo com o American Urological Association Guideline on the

Management of Priapism (AUA),1 priapismo é a ereção persistente que se mantém por horas após ou independentemente de um estímulo sexual. O priapismo envolve apenas o ingurgitamento dos corpos cavernosos, poupando a glande e o corpo esponjoso.

Difícil é haver consenso sobre o número de horas que transforma uma “ereção” fisiológica em “priapismo”, ou seja, a partir de que momento deveremos intervir para reverter esse quadro. Convencionalmente, o tempo de 4 horas é considerado como limite para que esteja instalada uma situação de emergência.

Não temos dados epidemiológicos que nos permitam conhecer a verdadeira incidência dos episódios de priapismo e suas causas. Previamente, o priapismo de causa idiopática era a forma mais comum.

Atualmente, o uso das drogas intracavernosas para o tratamento da disfunção erétil, muito provavelmente, é a causa mais frequente dessa condição.

 

9. Desejo Sexual Hipoativo

PDF Criptografado

Capítulo 9

Desejo Sexual Hipoativo

João Afif-Abdo, Lúcia Pesca

Definição e Prevalência, Avaliação Diagnóstica

Mínima e Complementar, Tratamento Clínico

João Afif-Abdo

Definição

Prevalência

parte ii

Embora bem menos frequente do que ocorre com a mulher, o homem também pode ter a libido diminuída ou até ausente. Essa disfunção sexual masculina é conhecida como desejo sexual hipoativo (DSH), condição caracterizada por ausência ou acentuada diminuição de desejo para a prática de atividade sexual.1

Em contraste com outras disfunções sexuais, tais como alterações na ereção ou na ejaculação, os aspectos etiológicos do DSH não são identificados tão pronta e concretamente. Em função disso, o DSH tem sido subdiagnosticado e, em alguns casos, tratado equivocadamente como disfunção erétil.

Em 1977, Lief2 descreveu pela primeira vez o DSH como entidade clínica. Em 1980,3 no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, terceira edição (DSM-III), foi reconhecido como disfunção sexual.

 

10. Antropometria Peniana

PDF Criptografado

Capítulo 10

Antropometria Peniana

Em todo o mundo existe uma tentativa de correlação entre o pênis, suas dimensões e a masculinidade, dependendo da cultura e da lenda em questão.1,2 É comum os urologistas realizarem aconselhamento sexual a pacientes adultos e jovens, quando atingem a fase sexual ativa, preocupados e ansiosos em relação à dimensão da genitália.3-5 Também não é infrequente a angústia das mães em relação à genitália de seus filhos.4 Na maioria das vezes, trata-se de uma percepção anormal da imagem corporal (dismorfofobia), pois o falo, como outras partes do corpo, apresenta variações de forma e tamanho, sem caracterizar nenhuma anomalia.6 Essa percepção anormal do pênis promove o surgimento da angústia, do trauma do “pênis pequeno”, e sentimentos negativos que podem afetar a autoestima e repercutir na performance sexual ou mesmo profissional do indivíduo.1,5

Independentemente da cultura ou da educação, o tamanho peniano sempre representou virilidade e, em consequência, poder, e nenhum homem escolheria para si um pênis pequeno ao invés de um grande.7 Contudo, deve-se ter em mente que um pênis pequeno (< 4 cm), mas bem formado, pode acompanhar uma série de circunstâncias como: micropênis, síndrome de Prader-Willi, anencefalia, apituitarismo, síndrome de Kalman e alguns tipos de dwarfismo (uma forma de nanismo).8,9

 

11. Características Multifatoriais

PDF Criptografado

Capítulo 11

Características Multifatoriais

Até recentemente, a moral religiosa exerceu forte influência sobre as pessoas, legitimando o sexo apenas com finalidade de procriação.

A sexualidade, especialmente a das mulheres, foi silenciada durante séculos por estar relacionada à ideia cristã de pecado. Giddens1 cita

Foucault e sua constatação de que o termo “sexualidade” surgiu pela primeira vez no século XIX. Antes, a palavra era um jargão técnico dos campos da Biologia e da Zoologia, só depois passou a ser empregada com um significado muito próximo ao de hoje. Conforme consta no

Oxford English Dictionary, o termo se refere à “qualidade de ser sexual ou de possuir sexo”. Giddens1 explicou que o termo apareceu com essa conotação em um livro publicado em 1889, cuja preocupação central era a predisposição feminina a várias enfermidades que não afetam os homens. A literatura daquela época demonstra fartamente quanto a sexualidade estava relacionada à tentativa de manter sob controle a expressão sexual feminina. Os inúmeros discursos produzidos pela cultura europeia dos séculos XVIII e XIX, de forma geral, buscaram fomentar uma adequação ideal entre as mulheres e o conjunto de atributos, funções, predicados e restrições que caracterizam a gênese do que se denominou feminilidade.2 Embora esses discursos procurassem exaltar a natureza feminina, também defendiam a ideia contraditória de que essa mesma natureza precisaria ser domada pela sociedade e pela educação, o que impunha limites rígidos de comportamento e padrões de feminilidade dos quais era praticamente impossível fugir.

 

12. Desordens do Desejo Sexual

PDF Criptografado

Capítulo 12

Desordens do Desejo Sexual

Carmita Helena Najjar Abdo

Definição

A falta de desejo para a atividade sexual frequentemente é referida por mulheres. Esse fato, entre outras razões que passaremos a detalhar, motivou a reconceitualização da resposta sexual feminina, revisando as definições dos distúrbios do desejo e da excitação da mulher.1-3

O modelo linear da resposta sexual humana, sistematizado por

Masters e Johnson,4 e posteriormente modificado por Kaplan,5 descreve as fases da resposta sexual em uma sequência invariável – desejo, excitação (com importante foco genital), orgasmo e resolução. Entretanto, as mulheres, especialmente em relacionamentos de longo prazo, iniciam e/ou aceitam praticar sexo por motivos variados;6 o desejo sexual espontâneo raramente é citado.6-8 As principais razões incluem proximidade emocional com o parceiro (aumentando o próprio senso de bem-estar da mulher), sentir-se mais atraente ou mais atraída pelo parceiro, compreender ou satisfazer sua própria percepção de desejo/ necessidade sexual, entre outras.9

 

13. Desordens de Aversão Sexual

PDF Criptografado

Capítulo 13

Desordens de Aversão Sexual

Gerson Lopes, Cibele Rudge

Definição e Prevalência

Sabe-se que a sexualidade feminina é diferente da masculina, mas somente em 2001, a canadense Rosemary Basson publicou e apresentou uma nova proposta para o ciclo feminino de resposta sexual enfatizando o valor da intimidade como motivação feminina para o sexo.2,3 Muitas mulheres iniciam o ato sexual sem suficiente entusiasmo ou interesse: na verdade, elas desejam aproximação física e carinho, antes que a sensação erótica as envolva.

Basson apresentou um modelo circular para o ciclo de resposta sexual da mulher em que a ausência de desejo sexual espontâneo (no início do ciclo) não significa disfunção sexual, o que exclui muitas mulheres da categoria de disfuncionais (veja esse modelo na figura 2-1).

A disfunção sexual feminina (DSF) é problema multifatorial que agrega determinantes biológicos, psicológicos e interpessoais. A real incidência das DSF ainda é controversa e afeta de 25 a 63% das mulheres, no entanto, sabe-se que existe uma relação direta com o avançar da idade.4

 

14. Desordens de Excitação Feminina

PDF Criptografado

Capítulo 14

Desordens de Excitação Feminina

Carla Zeglio

A reação orgástica depende da excitação sexual. Sentir a própria sexualidade depende de quanto a mulher se sente à vontade consigo mesma, com suas ideias, sobre homens e mulheres. Assim, crescer sexualmente tem muito a ver com o crescimento de maneira geral.

Neste capítulo, abordaremos os aspectos psicológicos, sociais e os avanços da psicometria e da fisiologia das Desordens de Excitação

Feminina (DEF), os quais indubitavelmente têm seus estudos limitados, desde a primeira tentativa de descrição feita. Inicialmente, Kaplan2 nomeou toda e qualquer dificuldade de excitação de disfunção sexual geral. As DEFs podem ser chamadas de transtorno, disfunção e desordem. Entendemos que o texto nos obriga à necessidade de clareza dentro da obscuridade do tema. Algumas afirmativas de estudiosos da sexualidade humana3,4 começam a nos esclarecer por que tanta dificuldade em compreender e nomear as DEFs. Eles as consideram como desordens da sexualidade de pouca relevância e vulnerabilidade aos transtornos físicos. Assim, os estudos sobre o tema tornam-se também menos relevantes e menos publicados.

 

15. Desordens do Orgasmo

PDF Criptografado

Capítulo 15

Desordens do Orgasmo

Ricardo Cavalcanti

Não é fácil definir o orgasmo. Se a mulher já teve um, saberá. Caso contrário, qualquer tentativa para explicá-lo é como descrever um arco-iris a um cego.

Prakash Kothari1

Há uma estreita correlação entre o apetite sexual e o orgasmo. O prazer sexual e o desejo estão intimamente associados. O orgasmo é o maior reforçador do desejo erótico; tanto que as pessoas anorgásmicas tendem a diminuir gradualmente o desejo sexual, tornando-se portadoras de transtornos do desejo. Nesse particular, os comportamentalistas são bastante explícitos: O “não reforço” determina a extinção do apetite sexual; a anorgasmia é irmã gêmea da inapetência.

Para conceituar o que denominamos de desordens do orgasmo é necessário partir da ideia do que chamamos de orgasmo. Do ponto de vista psicofísico, durante a resposta sexual o indivíduo é submetido a um estado de crescente excitação, chegando a um ponto em que ela

é tão intensa que detona um reflexo de alívio, acompanhado por uma agradável sensação de prazer psicofísico. É essa sensação que se chama de orgasmo. Se algum fator físico ou psíquico a inibe ou bloqueia, a tensão crescente chega a um ponto em que se converte em sensação desagradável, aversiva e, às vezes, até dolorosa.

 

16. Dispareunia

PDF Criptografado

Capítulo 16

Dispareunia

Cláudia Golcman Glina Rubin

Definição

Segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4a edição),3 a dispareunia (não devida a uma condição médica geral) é definida e classificada como:

♦♦ 302.76 - Dispareunia: “A característica essencial da Dispareunia

é a dor genital associada com o intercurso sexual (critério A).

Embora a dor seja experimentada com maior frequência durante o coito, ela também pode ocorrer antes ou após o intercurso.

Glina_8P_Cap 16.indd 409

parte iii

A dispareunia (dor durante a penetração sexual) é uma queixa comum na prática ginecológica e de difícil manejo clínico e tratamento.1

Na CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10a revisão, versão 2008),2 a dispareunia

é classificada como:

♦♦ F52.6 – Dispareunia não orgânica (psicogênica): “A dispareunia

(ou dor durante as relações sexuais) ocorre tanto na mulher quanto no homem. Pode comumente ser atribuída a uma causa patológica local e deve então ser classificada na rubrica da afecção patológica em causa. Esta categoria deve ser utilizada unicamente quando não há outra disfunção sexual primária

 

17. Vaginismo

PDF Criptografado

Capítulo 17

Vaginismo

Cila Ankier

Definição e Classificação

Na CID-101 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10a revisão, versão 2008), o vaginismo é classificado como:

♦♦ F52.5 – Vaginismo não orgânico (psicogênico): “Espasmo da musculatura do assoalho pélvico que circunda a vagina causando oclusão do introito vaginal. A entrada do pênis é impossível ou dolorosa.” Exclui vaginismo orgânico.

♦♦ N94.2 – Vaginismo (de origem orgânica): “Dor e outras afecções associadas com os órgãos genitais femininos e com o ciclo menstrual”. Exclui vaginismo psicogênico.

♦♦ 306.51 – Vaginismo: “A característica essencial do vaginismo é a contração involuntária, recorrente ou persistente, dos músculos do períneo adjacentes ao terço inferior da vagina, quando é tentada a penetração vaginal com pênis, dedo, tampão ou espéculo

(critério A).

A perturbação deve causar acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal (critério B).

 

18. Questionários Validados em Português Utilizados para Avaliação da Resposta Sexual

PDF Criptografado

Capítulo 18

Questionários Validados em

Português Utilizados para

Avaliação da Resposta Sexual

Rosane Thiel

Avaliação da Resposta Sexual

O crescente interesse pelo estudo da sexualidade e a melhor compreensão das disfunções encontra como obstáculos:

♦♦ A dificuldade para avaliar os diferentes aspectos da resposta sexual com seus componentes anatômicos, fisiológicos, médicos, psicológicos e sociais.1

♦♦ A grande diversidade de métodos que dificulta a generalização de informações e compromete as propostas de tratamento.

♦♦ A utilização de diferentes definições da resposta sexual, visto que muitas investigações foram embasadas em um modelo linear, com sequência definida e constituída de fases comuns para ambos os sexos.2

Anteriormente, as medidas das alterações fisiológicas ocupavam um papel essencial na avaliação da resposta sexual, contudo, com o refinamento da classificação diagnóstica das disfunções, ficou evidente a necessidade de avaliar também as questões subjetivas envolvidas nessa resposta. Atualmente, uma grande variedade de questionários tem sido desenvolvida para avaliar aspectos da sexualidade de homens e mulheres.4

 

Detalhes do Produto

Livro Impresso
eBook
Capítulos

Formato
PDF
Criptografado
Sim
SKU
BPPD000223766
ISBN
9788541201131
Tamanho do arquivo
17 MB
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
Formato
PDF
Criptografado
Sim
Impressão
Desabilitada
Cópia
Desabilitada
Vocalização de texto
Não
SKU
Em metadados
ISBN
Em metadados
Tamanho do arquivo
Em metadados