A Criança e o seu Mundo, 6ª edição

Autor(es): WINNICOTT, D.W.
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A longa experiência como médico pediatra e como psicanalista proporcionou a Winnicott uma posição ímpar no estudo da Psiquiatria Infantil, e poucos especialistas terão até hoje realizado mais para apresentar o extraordinário mundo da criança – e o dos pais – ao público em geral. Em A Criança e o seu Mundo, o autor versa sucessivamente as fases mãe-filho, pais-filho, criança-escola. Dos problemas de alimentação, moralidade, primeiros passos e outros, típicos da fase inicial da evolução do ser humano, Winnicott passa a focalizar dificuldades e questões concretas como o filho único, os gêmeos, o roubar e o mentir, além das primeiras tentativas de independência. Timidez, educação sexual nas escolas, raízes da agressão, delinquência juvenil, são outros temas abordados por esta obra originalíssima, tornando-a um verdadeiro clássico no assunto, válida, sobretudo, para pediatras, psicanalistas e educadores devotados ao estudo e ao entendimento da criança e do seu mundo. Edição atualizada segundo o novo acordo ortográfico.

 

35 capítulos

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Capítulo 1 - Um Homem Encara a Maternidade

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CAPÍTULO 1

Um Homem Encara a Maternidade

P

, você ficará aliviada, leitora, quando souber que não tenciono explicar o que tem a fazer. Sou homem e, portanto, ara começar

jamais poderei saber, na verdade, o que se sente ao ver ali embrulhado no berço uma parcela do meu próprio ser, um pedaço de mim vivendo uma vida independente, mas, ao mesmo tempo, dependente e tornando-se, pouco a pouco, numa pessoa. Só uma mulher pode sentir isso e, talvez, só uma mulher possa até imaginar essa experiência quando, por infortúnio de uma ou outra espécie, lhe falta a prova real e concreta.

Que me competirá então fazer, se não vou dar quaisquer instruções? Estou habituado a receber mães que me trazem seus filhos e, quando isso acontece, vemos logo diante dos olhos aquilo sobre o que queremos falar. O bebê salta nos joelhos da mãe, tenta agarrar objetos sobre a minha escrivaninha, desliza para o chão e engatinha de um lado para o outro; sobe nas cadeiras ou joga no chão os livros das estantes; ou talvez se agarre com força

 

Capítulo 2 - Conheça o Seu Filhinho

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CAPÍTULO 2

Conheça o Seu Filhinho

A

vida de uma mulher modifica-se, de muitas maneiras, quando ela concebe um filho. Até esse momento, poderia ter sido uma pessoa de vastos interesses, talvez nos negócios, ou uma política arguta, ou uma entusiástica jogadora de tênis, ou alguém sempre disposta para os bailes e diversões. Poderia ser propensa a desdenhar da vida relativamente restrita de suas amigas que tiveram filhos, fazendo rudes comentários sobre a natureza vegetativa de suas existências. É provável que sentisse até repulsa por detalhes técnicos tais como lavar e passar fraldas. Se porventura se interessava por crianças, pode-se dizer que era de um modo mais sentimental que prático. Porém, mais cedo ou mais tarde, acaba por ficar grávida.

No princípio, pode facilmente acontecer que ela se ressinta desse fato, já que poderá vislumbrar, com demasiada clareza, a terrível interferência na sua “própria” vida que isso significa. O que ela vê é a pura realidade, e seria tolice pretendermos negálo. Os bebês são uma carga de trabalho e um embaraço positivo, a menos que sejam desejados. Se uma mulher jovem não começou ainda a querer o bebê que traz dentro de si, não pode evitar sentir-se infeliz.

 

Capítulo 3 - O Bebê como Organização em Marcha

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CAPÍTULO 3

O Bebê como Organização em Marcha

E

screvi até agora, de modo geral, sobre as mães e seus bebês.

Não foi minha intenção especial instruir as mães sobre o que têm a fazer, visto que podem muito facilmente obter conselhos sobre os detalhes em qualquer centro de assistência. De fato, os conselhos desse tipo chegam à mãe com uma quase excessiva facilidade, provocando por vezes uma sensação confusa. Preferi, pelo contrário, escrever para as mães que cuidam normalmente bem dos seus bebês, pretendendo assim ajudá-las a saber como são os bebês e revelar-lhes um pouco do que se passa. A ideia que me anima é que quanto mais elas souberem, tanto mais aptas estarão para confiar em seu próprio discernimento. É precisamente quando a mãe confia em seu próprio julgamento que está em sua melhor forma.

É, sem dúvida, tremendamente importante que a mãe tenha a experiência de fazer aquilo que lhe parece dever fazer, o que a habilita a descobrir a plenitude da maternidade em si própria; pois assim como um escritor fica surpreendido pela abundância de ideias que lhe ocorrem quando põe a caneta sobre o papel, também a mãe se surpreende constantemente pelo que encontra na riqueza do seu contato permanente, minuto a minuto, com seu próprio bebê.

 

Capítulo 4 - Alimentação do Bebê

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CAPÍTULO 4

Alimentação do Bebê

D o início do século atual, muito se fez a respeito à alimentação do bebê; médicos e fisiologistas escreveram inúmeesde

ros livros e artigos científicos, cada um deles acrescentando um pouco aos nossos conhecimentos. O resultado de todo esse trabalho é ser agora possível distinguir entre dois grupos de coisas: os de um tipo físico, bioquímico ou substancial, que era impossível conhecer intuitivamente, e os de um tipo psicológico, que as pessoas sempre puderam conhecer, tanto pelos sentimentos como pela simples observação.

Por exemplo, para irmos imediatamente à raiz do problema, a alimentação da criança é uma questão de relações mãe-filho, o ato de pôr em prática a relação de amor entre dois seres humanos. Contudo, era difícil ver isto aceito (embora as mães sempre o sentissem como verdadeiro), enquanto muitas dificuldades não fossem superadas no aspecto físico do problema. Em qualquer período da história do mundo, uma mãe natural, levando uma vida sadia, terá facilmente pensado sempre na alimentação do bebê como uma simples relação entre ela própria e seu filho; mas existia, ao mesmo tempo, a mãe cujo bebê morria de diarreia e vômitos; ela ignorava que fora um germe que matara o seu bebê e convencia-se de que o seu leite era ruim. As doenças e a morte de crianças faziam as mães perderem a confiança nelas próprias, levando-as a procurar um conselho autorizado. A doença física tem complicado, de inúmeras maneiras, o problema tal como é visto pela mãe. De fato, só em virtude dos grandes

 

Capítulo 5 - Para Onde Vai o Alimento

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CAPÍTULO 5

Para Onde Vai o Alimento

Q

uando os bebês começam a sentir fome, algo principiou a viver neles que está pronto para dominar tudo o mais. Você própria começou a fazer com que certos ruídos se relacionem com a preparação do alimento, os quais são reconhecidos pelo bebê como um sinal de que chegou o momento em que estará seguro para deixar que a ânsia do alimento se converta num terrível e impetuoso anseio. Você poderá ver a saliva escorrer, pois os bebês não engolem a saliva – mostram ao mundo, babando-se, que têm um interesse nas coisas de que possam apoderar-se com a boca.

Bom, isto apenas quer dizer que o bebê está ficando excitado e, especialmente, excitado na boca. As mãos também desempenham seu papel na busca de satisfação. Assim, quando você alimenta o bebê, está satisfazendo um tremendo desejo de alimento. A boca está preparada. O almofadado dos lábios, nessa época, é muito sensível e ajuda a fornecer um elevado grau de sensação de prazer oral que o bebê nunca mais voltará a ter em sua vida ulterior.

 

Capítulo 6 - O Fim do Processo Digestivo

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CAPÍTULO 6

O Fim do Processo Digestivo

N

o capítulo anterior, descrevi o destino do leite ao ser engolido, digerido e absorvido. Nos intestinos do bebê ocorrem muitas coisas que não interessam à mãe e, do ponto de vista da criança, essa parte do processo constitui um mistério. Gradualmente, porém, o bebê vê-se envolvido de novo na última fase, a que chamamos excreção, e nela está igualmente envolvida a mãe, podendo desempenhar melhor o seu papel se souber o que ocorre.

O fato é que nem todo o alimento é absorvido; mesmo o leite materno impecavelmente bom deixa certa espécie de resíduo e, em qualquer caso, temos o desgaste da ação intestinal. De uma maneira ou de outra, sobra bastante coisa de que é preciso desembaraçar-se.

As diversas coisas que vão formar o que se converterá no movimento de descarga são gradualmente empurradas para a extremidade inferior do intestino, rumo a uma abertura chamada

ânus. Como se efetua esse movimento? A matéria é movimentada por uma série de ondas de contração, que se desenvolvem em todo o comprimento dos intestinos. A propósito, sabe você que o alimento tem de percorrer um estreito tubo que, num adulto, tem o comprimento total de seis metros? No bebê, os intestinos medem cerca de três metros e meio de comprimento.

 

Capítulo 7 - Pormenores da Alimentação do Bebê pela Mãe

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CAPÍTULO 7

Pormenores da Alimentação do Bebê pela Mãe

Ja vivacidade que o bebê aprecia, talvez desde os primeiros dias, da mãe. O prazer com que a mãe realiza suas taá acentuei

refas logo dá a perceber ao bebê que existe um ser humano por trás de tudo o que é feito. Mas o que finalmente leva o bebê a sentir uma pessoa na mãe é, talvez, a capacidade especial da mãe para colocar-se no lugar da criança e, assim, entender o que ela sente. Não há regras nem livros que possam suprir essa intuição que a mãe tem das necessidades do bebê, a qual lhe permite realizar, algumas vezes, uma adaptação quase exata a essas necessidades.

Exemplificarei isto observando de perto a situação ligada à amamentação e comparando dois bebês. Um destes é alimentado pela mãe em casa e o outro numa instituição, um ótimo lugar, mas onde as assistentes têm muito que fazer e não há tempo para a atenção individual.

Começarei pelo bebê na instituição. As enfermeiras das clínicas pediátricas que lerem estas páginas e que alimentam individualmente os bebês a seu cargo vão me perdoar por usar como exemplo o pior e não o melhor que elas podem fazer.

 

Capítulo 8 - Amamentação

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CAPÍTULO 8

Amamentação

E no último capítulo a amamentação foi examinada de um modo pessoal, no presente capítulo trataremos o mesmo nquanto

assunto num plano mais técnico. Primeiro, vamos conhecer o ponto de vista da mãe sobre o que nos propomos tratar e, depois, os médicos e as enfermeiras podem determinar entre eles quais os problemas que as mães devem enfrentar e sobre os quais pretendem esclarecimentos.

Num debate entre médicos pediatras foi assinalado que realmente não sabemos ainda qual o valor concreto da amamentação. Nem sabemos qual o princípio que deve governar a nossa escolha do momento de desmamar. Obviamente, tanto a Fisiologia como a Psicologia têm um lugar na resposta a essas perguntas. Devemos deixar aos pediatras o estudo muito complexo dos processos físicos, enquanto procuramos elaborar um comentário do ponto de vista da Psicologia.

Embora a psicologia da amamentação seja um problema extremamente complexo, provavelmente já se sabe o suficiente para poder-se escrever algo claro e preciso. Mas há uma complicação. O que se escreve não é necessariamente aceitável, mesmo que seja verdade. Devemos tratar primeiro desse paradoxo.

 

Capítulo 9 - Por que Choram os Bebês?

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CAPÍTULO 9

Por que Choram os Bebês?

E

stivemos examinando até agora alguns aspectos bastante óbvios do desejo materno de conhecer o seu bebê e da necessidade que o bebê tem de ser conhecido. Os bebês, tanto quanto necessitam de leite e de carinho maternos, também precisam do amor e compreensão da mãe. Se ela conhece bem o seu bebê, está em condições de ajudá-lo quando ele precisa e, como ninguém pode conhecer um bebê melhor que a própria mãe – ninguém mais, senão ela, poderá ser a pessoa indicada para prestar-lhe essa ajuda.

Passemos agora à análise daqueles momentos em que o bebê parece estar, de um modo especial, solicitando ajuda: quando chora.

Como se sabe, a maioria dos bebês chora bastante, e à mãe cabe decidir, constantemente, se deve deixar que o bebê chore, ou tentar acalmá-lo, alimentá-lo, pedir ao pai que dê uma ajuda, ou levá-lo à senhora do andar de cima, que sabe tudo a respeito de crianças, ou julga que sabe. Você gostaria, provavelmente, que eu lhe pudesse dizer de um modo bastante simples o que fazer, mas, se eu assim procedesse, você diria: “Que idiota!

 

Capítulo 10 - O Mundo em Pequenas Doses

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CAPÍTULO 10

O Mundo em Pequenas Doses

S já assistiu a debates filosóficos, deve ter ouvido algumas vezes as pessoas usarem muitas palavras para e você

explicar a questão do que é real e do que não é real. Umas pessoas dizem que o real significa o que todos podemos tocar, ver e ouvir, enquanto outras afirmam que só conta o que sentimos como real, como um pesadelo ou a raiva pelo homem que nos tomou a frente na fila do ônibus. Tudo isso parece muito difícil. Que importância poderão ter essas coisas para os cuidados da mãe com o bebê? Espero ser capaz de explicar isso.

As mães com bebês estão enfrentando uma situação evolutiva e em constante mutação; o bebê começa nada sabendo acerca do mundo, e na época em que as mães terminaram sua tarefa o bebê já se converteu em alguém que conhece o mundo, que pode descobrir um caminho para viver nele e até para tomar parte na maneira como ele se conduz. Que tremenda evolução!

Mas todos conhecemos pessoas que têm dificuldades em suas relações com as coisas que consideramos reais. Não as sentem como coisas reais. Para você e para mim, as coisas parecem mais reais umas vezes do que outras. Qualquer pessoa pode ter um sonho que parece mais real do que a realidade e, para certos indivíduos, o seu mundo imaginativo pessoal é muito mais real

 

Capítulo 11 - O Bebê como Pessoa

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CAPÍTULO 11

O Bebê como Pessoa

T estado a cogitar sobre a maneira como descrever os bebês como pessoas. É fácil ver que, quando a comida entra enho

no bebê, é digerida, e uma parte dela é distribuída pelo corpo todo para servir ao crescimento. Outra parte é armazenada como energia e a parte restante é eliminada, de um ou outro modo. Isso

é observar a criança com um interesse limitado ao seu corpo.

Mas se observarmos a mesma criança, interessados na pessoa que ela é, poderemos facilmente ver que, tanto quanto essa alimentação do corpo, existe também uma experiência de alimentação imaginativa. Uma baseia-se na outra.

Creio que a mãe poderá obter muito se pensar que todas as coisas que faz em virtude do seu amar pelo bebê entram nele tal qual a comida. O bebê edifica algo a partir de tudo, e não só isso, pois ele tem fases em que usa a mãe e depois a põe de lado, tal como acontece na alimentação. Talvez eu consiga explicar melhor o que quero dizer se deixar o bebê crescer subitamente um pouco.

 

Capítulo 12 - O Desmame

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CAPÍTULO 12

O Desmame

N altura, você já me conhece o suficiente para não esperar que eu lhe diga exatamente como e quando desmamar esta

o bebê; existem vários métodos bons e você poderá receber conselhos do médico de família ou do pediatra. O que pretendo fazer é falar do desmame de modo geral, para ajudá-la a compreender o que está fazendo, seja qual for o método que venha a adotar.

O fato é que a maioria das mães não tem qualquer dificuldade. Por quê?

A principal coisa é que a amamentação correu bem. O bebê teve realmente alguma coisa de que deve agora ser afastado.

Não se pode privar uma pessoa de qualquer coisa que ela nunca teve.

Recordo-me perfeitamente de uma ocasião, quando eu era menino, em que me autorizaram a comer tantas framboesas com creme quantas eu pudesse. Foi uma experiência maravilhosa.

Agora, dá-me muito mais prazer a recordação dessa experiência do que comer framboesas. Talvez você possa recordar também algo parecido com isso.

 

Capítulo 13 - Mais Ideias sobre os Bebês como Pessoas

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CAPÍTULO 13

Mais Ideias sobre os Bebês como Pessoas

O do ser humano é um processo contínuo.

Tal como no desenvolvimento do corpo, assim também no da desenvolvimento

personalidade e no da capacidade de relações. Nenhuma fase pode ser suprimida ou impedida sem efeitos perniciosos.

A saúde quer dizer maturidade – maturidade apropriada à idade. Se ignorarmos certas doenças acidentais isso é obviamente válido no tocante ao corpo, e em questões de Psicologia não existem razões, praticamente, para que a saúde e maturidade não signifiquem a mesma coisa. Por outras palavras, no desenvolvimento emocional de um ser humano, se não houver entraves ou desvios no processo evolutivo, há saúde.

Isso quer dizer, se não me engano, que todos os cuidados que a mãe e o pai dediquem ao seu bebê não constituem apenas um prazer para eles e para a criança; trata-se também de uma necessidade absoluta e, sem eles, o bebê não poderá transformar-se num adulto sadio ou prestimoso.

 

Capítulo 14 - A Moralidade Inata do Bebê

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CAPÍTULO 14

A Moralidade Inata do Bebê

M

ais cedo ou mais tarde, a pergunta será formulada: até que ponto os pais devem tentar impor seus padrões e suas convicções

à criança? O normal seria dizermos que a nossa preocupação se limita ao “treino”. A palavra “treino” certamente traz à ideia o tipo de questões que tenciono agora abordar, ou seja, como fazer para que o bebê se torne atraente e limpo, bom e obediente, sociável, moral etc. Eu ia também dizer feliz, mas não se pode ensinar uma criança a ser feliz.

Essa palavra “treino” sempre me soou aos ouvidos como algo relacionado ao treinamento de cães. Os cães precisam ser treinados. Suponho que podemos aprender alguma coisa com os cães, na medida em que, se tivermos ideias claras, o nosso cão é mais feliz do que se não tivermos; as crianças também gostam que tenhamos nossas próprias ideias sobre as coisas. Mas um cão não tem que converter-se finalmente num ser humano, de modo que, quando se trata de um bebê, temos de começar de novo, e a melhor coisa a fazer é estudar até que ponto poderemos prescindir inteiramente da palavra “treino”.

 

Capítulo 15 - Instintos e Dificuldades Normais

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CAPÍTULO 15

Instintos e Dificuldades Normais

Q

uando aparece uma doença, as conversas e os livros desorientam bastante. O que a mãe necessita para o filho doente é um médico que possa ver e examinar o bebê e discutir o caso com ela. Mas as complicações comuns de crianças habitualmente saudáveis constituem uma questão distinta, e creio que as mães pensam ser uma boa ajuda assinalar-lhes que não se pode esperar de suas crianças sadias crescerem sem dar jamais um motivo de preocupação e ansiedade.

As crianças normalmente sadias apresentam, sem dúvida, toda espécie de sintomas.

O que é que provoca essas complicações na infância? Se eu partir do princípio de que a assistência da mãe foi criteriosa e constante, de modo que se possa afirmar que ela criou as bases para a saúde desse novo membro da sociedade, de maneira satisfatória, o que determina, então, que a criança ainda apresente problemas? A resposta, creio eu, está ligada principalmente a uma questão de instintos. É sobre isto que pretendo agora escrever.

 

Capítulo 16 - As Crianças e as Outras Pessoas

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CAPÍTULO 16

As Crianças e as Outras Pessoas

A emocional da criança tem início no começo da sua vida. Se quisermos julgar a maneira como um ser humano evolução

trata com os seus semelhantes, e ver como edifica a sua personalidade e vida, não nos poderemos dar ao luxo de deixar de fora o que sucede nos primeiros anos, meses, semanas e mesmo dias de sua vida. Quando abordamos os problemas dos adultos, por exemplo, os associados ao casamento, somos confrontados, evidentemente, por muita coisa que pertence a um período ulterior do desenvolvimento. Contudo, no estudo de qualquer indivíduo, encontramos tanto o passado como o presente, tanto a criança quanto o adulto. Os sentimentos e pensamentos que podem convenientemente ser denominados sexuais aparecem numa idade prematura, muito mais cedo do que era admitido na filosofia dos nossos avós e, em certo sentido, toda a gama de relações humanas está presente desde o começo.

Vejamos o que acontece quando crianças sadias brincam de pais e mães. Por uma parte, podemos estar certos de que o sexo intervém na brincadeira, embora, muito frequentemente, não seja por representação direta. É possível captar muitos símbolos de comportamento sexual adulto, mas não é com esse aspecto que estou preocupado neste momento. Mais importante, do nosso ponto de vista, é que essas crianças estão desfrutando, em sua brincadeira, algo que se baseia na capacidade delas para sentirem-se identificadas com os pais. É óbvio que elas obser-

 

Capítulo 17 - E o Pai?

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CAPÍTULO 17

E o Pai?

N

o decorrer do meu trabalho, muitas mães têm debatido comigo a questão: E o pai? Suponho ser um fato claro para todo mundo que, em tempos normais, depende da atitude que a mãe tome, o pai acabar ou não por conhecer o seu bebê.

Há todo um rosário de motivos pelos quais é difícil para um pai participar na criação do seu filho pequeno. Para começar, raramente estará em casa quando o bebê está acordado.

Mas, muitas vezes, mesmo quando o pai está em casa, a mãe acha um pouco difícil saber quando utilizar seu marido ou quando desejar que ele saia do caminho. Sem dúvida, é com frequência muito mais simples deitar o bebê antes que o pai chegue, assim como é boa ideia ter as lavagens prontas e a refeição preparada. Mas muitas mães concordarão, baseadas na própria experiência, que constitui uma grande ajuda na relação entre pessoas casadas que elas compartilhem, cotidianamente, os pequenos detalhes que parecem idiotas para os que veem o problema de fora, mas que se revestem de uma tremenda importância, na época, tanto para os pais como para a criança. E quando o bebê cresce, a riqueza de detalhes aumenta, tornando cada vez mais profundo o vínculo entre o pai e a mãe.

 

Capítulo 18 - Os Padrões Deles e os Seus

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CAPÍTULO 18

Os Padrões Deles e os Seus

S que todo mundo tem ideais e normas. Todos os que estão formando um lar têm ideias sobre o modo como as coisas uponho

devem ser organizadas, sobre as cores a escolher para a decoração da casa, os móveis e a maneira como se põe a mesa para o café da manhã. A maioria das pessoas sabe, perfeitamente, que espécie de casa teria se a fortuna lhe batesse à porta, e se é mais confortável viver na cidade ou no campo, ou que espécie de filme vale a pena ir ver.

Quando a moça se casa, pensa: “Agora posso viver como gosto.”

Uma menina de cinco anos que estava colecionando palavras ouvira alguém dizer: “O cão voltou para casa por sua livre vontade.” Ela adotou a palavra e, no dia seguinte, disseme: “Hoje é o meu aniversário, assim tudo tem de ser como a minha livre vontade.” Pois quando a moça se casa, pensa também, “agora, finalmente, posso viver num ambiente de minha livre vontade”, para usar a linguagem da garotinha. Note-se: não é que a “livre vontade” da moça seja melhor que a da sogra, mas é dela – e isso faz uma enorme diferença.

 

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