Dinâmica das doenças infecciosas e parasitárias (2a. ed.)

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Após quase sete anos da primeira edição do livro Dinâmica das Doenças Infecciosas e Parasitárias, considerando sua grande aceitação pelos profissionais da área da saúde, demonstrada pelo rápido esgotamento da primeira tiragem e de uma reimpressão, os autores decidiram lançar esta segunda edição. O sucesso da edição anterior traduziu-se principalmente na aceitação da obra pela comunidade científica e na adoção do livro por diversos cursos de graduação e pós-graduação da área da saúde no Brasil.

Essa segunda edição apresenta novidades para o ensino das Doenças Infecciosas e Parasitárias e da Medicina Tropical no Brasil. Atualizada e ampliada, a obra contém quatro novos capítulos - Bases da Resposta Inflamatória, Doenças Ditas Tropicais, Clima e Globalização, A Saúde na Perspectiva da Geografia Médica e Imunopatologia da Doença de Chagas - e 38 novos colaboradores, permanecendo, contudo, com a mesma estrutura da primeira edição: uma parte geral, com 43 capítulos, e uma específica, com 131, escritos por 302 dos mais renomados especialistas brasileiros.

 

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1 - Infecção e Doença Infecciosa

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Infecção e

Doença Infecciosa

José Rodrigues Coura e Marcelo André Barcinski

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Introdução

Classicamente define-se infecção como penetração, multiplicação e/ou desenvolvimento de um germe ou parasito em determinado hospedeiro, e doen­ça infecciosa como as manifestações dos danos causados pelo agente infeccioso no organismo e sua exteriorização clínica por meio de sintomas e sinais. Em outras palavras, infecção é o estabelecimento da interação parasito-hospedeiro e doen­ça infecciosa é o conjunto de manifestações clínicas e patológicas quando ocorre dano naquela relação (Coura, 1977).

Quando um agente infeccioso “aborda” um hospedeiro, as seguintes alternativas podem ocorrer: a) Não se desenvolve por falta de condições adequadas para habitat, como elementos para o seu metabolismo ou condições desfavoráveis para a sua penetração e desenvolvimento b) Desenvolve-se de forma incompleta devido a uma ou mais das causas mencionadas anteriormente c) Desenvolve-se de forma completa, interagindo com o hospedeiro, sem sofrer resistência, mas também sem lhe causar danos d) Desenvolve-se de forma completa e sem causar danos, embora tenha sofrido resistência e) Desenvolve-se de forma completa, e embora sofrendo resistência, consegue causar danos ao hospedeiro, por invasão dos tecidos, por produzir toxinas ou por induzi-lo a uma reação inflamatória e de hipersensibilidade.

 

2 - Bases da Resposta Inflamatória

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Bases da Resposta

Inflamatória

Marco Aurélio Martins, Patricia Machado Rodrigues e

Silva e Vinicius de Frias Carvalho

CC

Introdução

A capacidade de inflamar é uma propriedade inerente e essencial dos tecidos vivos em vertebrados. A inflamação apresenta-se como um conjunto característico de alterações vascula­ res e celulares que ­atua de modo a isolar, neutralizar e eliminar o agente agressor, promovendo o reparo te­ci­dual em situações de lesão ou infecção (Hurley, 1983; Ryan et al., 1977). Na ausência de resposta inflamatória eficiente, o processo infeccioso avançaria sem controle e as lesões te­ci­duais não seriam reparadas.

Contudo, a eficiên­cia da resposta inflamatória está associada invariavelmente à perda transiente do padrão fisiológico, o que muitas vezes contribui para o estabelecimento de doen­

ças (Medzhitov, 2010; Nathan et  al., 2010). Desta maneira, vários agentes anti-inflamatórios estão disponíveis como medicamentos, e são cruciais no controle terapêutico de disfunções inflamatórias diversas, incluindo doen­ças autoimunes, cronico-degenerativas e infecciosas.

 

3 - Parasitismo, Doença Parasitária e Paleoparasitologia

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Parasitismo,

Doença Parasitária e

Paleoparasitologia

Luiz Fernando Ferreira e Adauto Araújo

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Conceito

Os conceitos de parasitismo encontrados nos livros de medicina humana e veterinária dão grande ênfase à capacidade dos parasitos em provocar doenças em seus hospedeiros.

Também definem outras categorias nas relações entre seres de espécies diferentes em que um deles vive a expensas do outro.

Em sua grande maioria, listam definições de relações entre seres vivos tentando estabelecer limites, ou gradações de danos ou benefícios provocados por um deles em seu hospedeiro.

De acordo com a capacidade de provocar lesões em maior ou menor grau, é chamado parasito, mas se o hospedeiro é indiferente à sua presença, e esta não lhe causa qualquer patologia, chama-se comensal. Usa-se, em geral, o termo simbionte para os organismos que vivem em hospedeiros em íntima associação e dependência metabólica, sendo indispensáveis por produzirem, em contrapartida, substâncias essenciais para a sobrevivência do hospedeiro.

 

4 - Interface Parasito-hospedeiro | Coabitologia: Uma Visão Diferente do Fenômeno Parasitismo

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Interface Parasito-hospedeiro |

Coabitologia: Uma Visão

Diferente do Fenômeno

Parasitismo

Henrique Leonel Lenzi e Marcos A. Vannier-Santos

“As teorias passam. A rã fica.” – Jena Rostend, Carnets d’un

Biologiste.

“Em um dia como hoje percebo o que já disse a você umas vezes: não há nada de errado com o mundo. O que está errado é a nossa maneira de olhar para ele.” – Henry Miller, A devil in Paradise.

“A evolução não tira do nada as suas novidades. Trabalha sobre o que já existe, quer transformando um sistema antigo para lhe dar uma nova função, quer combinando diversos sistemas para com eles arquitectar outro mais complexo.” – François Jacob, O jogo dos possíveis.

“A ciên­cia tem a massa na mão, sabe seus constituintes (farinha de trigo, sal, água, fermento etc.), mas não consegue fazer o pão.”

– Carlos Alberto de Carvalho Pereira.

CC

Introdução

Esta é uma visão complementar do capítulo da primeira edição, procurando aprofundar e introduzir novas noções, advindas de reflexões e de trabalhos nossos e da literatura. Na introdução apresentaremos alguns conceitos que julgamos essenciais para entender, como foi salientado por Ferreira (1973), o sistema parasito-hospedeiro-meio ambiente, que preferimos designar de sistema-ser habitante (coabitante 1)-ser habitado (coabitante 2 e habitat)-meio ambiente (metassistema). Na prática, pelo hábito dos leitores, simplificaremos para sistema parasito-hospedeiro.

 

5 - Ecologia

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Ecologia

Fernando Dias de Avila-Pires

Introdução

Entre os limites extremos de uma visão cósmica da natu­ reza e a redução simplista dos fenômenos naturais a níveis de complexidade cada vez mais baixos na hierarquia sistêmica, a ecologia científica ocupa um nicho importante e desempenha um papel de destaque na formulação e solução de problemas que envolvem plantas, animais e mi­cror­ga­nis­mos em suas interações com o ambiente.

Em 1913, Victor E. Shelford definiu a ecologia como a parte da fisiologia geral que trata do organismo como um todo.

Distinguiu, assim, o estudo do funcionamento dos órgãos e sistemas corporais daquele que se ocupa das respostas fisioló­ gicas dos organismos às in­fluên­cias do ambiente exterior. Sua concepção, na época, não se afastava muito daquela expres­ sada por Ernst Haeckel em 1870, ao ampliar a definição de ecologia proposta por Haeckel em 1866, momento em que o estudo das relações dos organismos com o mundo exterior foi dividido em dois segmentos: a ecologia, preocupada em conhecer as relações dos organismos entre si e com o meio inorgânico, e a corologia, que se ocupa da distribuição geográ­ fica das espécies.

 

6 - Ecologia das Zoonoses

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Ecologia das Zoonoses

Fernando Dias de Avila-Pires

“O homem pode receber dos animais inferiores e transmitir a eles certas doen­ças como a raiva, a varío­la, o mormo etc., fato que demonstra com muito mais evidência a grande similaridade de seus tecidos e de seu sangue, tanto na sua composição quanto em sua estrutura elementar do que poderia ser feito pela comparação com o melhor microscópio ou a análise quí­ mica a mais minuciosa. [º] O homem é infestado de parasitos internos, que causam por vezes efeitos funestos e é atormentado por parasitos externos, todos pertencentes aos mesmos gêneros e famílias do que os que se encontram nos outros mamíferos” –

Charles Darwin, 1871, The Descent of Man.

CC

Definições e conceitos

A posição privilegiada que o homem confere à própria espécie fez com que vários séculos decorressem antes que aceitasse sua origem comum e reconhecesse suas relações de parentesco com os demais organismos na natureza. E ainda mais tempo até que fosse firmemente estabelecida a doen­ça como uma das circunstâncias habituais e naturais da vida humana e, par­ticular­mente, as doen­ças compartilhadas com outros animais. Assim, em 1877, enquanto autores evolucio­ nistas como Thomas Huxley reconheciam maiores diferenças dentro da espécie humana do que entre homens e os demais antropoides, antropólogos como Quatrefages e outros criacio­ nistas con­ti­nuavam a defender um lugar especial na escala dos seres para o homem.

 

7 - Dinâmica dos Reservatórios Extra-humanos das Doenças Infecciosas e Parasitárias

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7

Dinâmica dos Reservatórios

Extra-humanos das Doenças

Infecciosas e Parasitárias

Fernando Dias de Avila-Pires

CC

Introdução

Doenças, como processos biológicos que comprometem o desempenho das atividades normais e amea­çam a sobrevivência, antecedem de muito o ser humano e podem ser datadas dos tempos das primeiras manifestações de vida no nosso planeta, após 3,5 bilhões de anos passados. Associações cooperativas ou competitivas entre organismos constituem uma das características fundamentais dos sistemas ecológicos, que o homem moderno veio integrar há apenas algumas dezenas de milhares de anos. Essas associações, muitas vezes, têm caráter circunstancial, mas podem ser específicas, íntimas e permanentes. Dentre elas, as de parasitismo são importantes para o bem-estar do ser humano e da fauna doméstica selecionada por motivos utilitários, tróficos, gastronômicos, econômicos, lúdicos e afetivos.

Nossos primeiros ancestrais terrícolas, ao passarem a privilegiar o carnivorismo, iniciaram uma das mais profundas alterações nos padrões de saú­de e de doen­ça que já afetaram o ser humano ao longo de sua história evolutiva. O exercício da caça e o contato íntimo com peles, couros, carcaças, sangue e vísceras expuseram nossos ancestrais ao contato com parasitos externos e internos de diferentes espécies. A nova dieta viria alterar o meio interior. Animais doentes são mais fáceis de serem capturados e caçadores pouco experientes e desprovidos de um corpo de conhecimentos tradicionais e empíricos, ainda em estágio de formação, foram alvo dos primeiros surtos de zoonoses que afetaram as populações primitivas. A expansão de sua ­área de origem na África para terras mais frias alterou a composição de sua flora parasito, graças à sucessão sazonal característica dos climas temperados e à associação com animais estranhos à fauna dos biomas de florestas e savanas africanos. Muitos de seus antigos parasitos falharam em se estabelecer definitivamente no ser humano e permaneceram para trás, em seus focos zoonóticos de hospedeiros e vetores originais. Quando os primeiros neandertais espalharam-se pela Europa, há cerca de 100 mil anos, a linhagem humana já passara por três grandes mudanças ecológicas que se refletiram nos padrões sanitários: a adoção de hábitos terrícolas e um íntimo contato com o solo, a adoção do carnivorismo e onivorismo e a colonização de biomas em outras latitudes. Há

 

8 - Principais Insetos Vetores e Mecanismos de Transmissão das Doenças Infecciosas e Parasitárias

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Principais Insetos Vetores e

Mecanismos de Transmissão das Doenças Infecciosas e

Parasitárias

Ricardo Lourenço de Oliveira

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Histórico

Embora há alguns ­séculos se postulasse a participação de insetos e outros artrópodes na transmissão de agentes etiológicos de doen­ças do ser humano e de animais domésticos, foi somente no final do ­século 19, e nos primeiros anos do século

20, que houve a comprovação de que alguns mi­cror­ga­nis­mos e parasitos só infectavam vertebrados depois de se desenvolverem e/ou multiplicarem em um desses invertebrados. Nesse perío­do, também foram descobertos os agentes etiológicos e descritos os ciclos das principais doen­ças transmissíveis. Louis

Pasteur e a teoria microbiana das doen­ças e Robert Koch e seu postulado são exemplos de alguns dos investigadores que deram as bases para o desenvolvimento de fármacos e de práticas, como a vacinação, a quarentena e o saneamento, que levaram a uma diminuição considerável da morbidade de muitas doen­ças transmissíveis que afligiam a humanidade.

 

9 - Gastrópodes Neotropicais Continentais de Importância Médica

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Gastrópodes Neotropicais

Continentais de Importância

Médica

Silvana Carvalho Thiengo e Monica Ammon Fernandez

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Introdução

Dentre as principais helmintoses de interesse médico transmitidas por moluscos continentais no Brasil, destacam-se a esquistossomose mansônica, a fasciolose e a angiostrongilose abdominal. Outras que ocorrem no Brasil ou no continente americano são a meningoencefalite eosinofílica, a paragonimose, a equinostomose, a clonorquiose e a opistorquiose.

Além dos moluscos transmissores da esquistossomose mansônica, da fasciolose e da angiostrongilose abdominal, serão também aqui abordados os vetores da meningoencefalite eosinofílica: as três primeiras helmintoses devido à importância que têm sob o ponto de vista da saú­de pública, e a última por se tratar de uma zoonose emergente não apenas no Brasil, mas também em outros paí­ses do continente americano.

CC

Esquistossomose

A esquistossomose é transmitida por moluscos gastrópodes de água doce da família Planorbidae (Figura 9.1) que apresentam como principais características a presença de concha planispiral (exceto em Acrorbis e Plesiophysa), tentáculos longos e filiformes e abertura genital à esquerda (Paraense, 1975).

 

10 - Fundamentos de Epidemiologia

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Fundamentos de

Epidemiologia

Carlos Mauricio de Figueiredo Antunes e Mariangela Carneiro

CC

Conceito e objetivos

A epidemiologia é conceituada como a ciên­cia que estuda a ocorrência e a distribuição de eventos relacionados com a saú­de em populações definidas, incluindo a investigação dos determinantes que influenciam estes eventos, denominados fatores de risco. Atualmente, as doen­ças sociais (acidentes de trânsito, violência urbana), são também consideradas objetos de estudo desta disciplina.

O principal objetivo da epidemiologia como disciplina científica é o conhecimento das causas de eventos relacionados com a saú­de e a aplicação deste conhecimento para controle dos mesmos (promoção da saú­de) por meio da prevenção, em diferentes grupos populacionais (habitantes de uma

­área geográfica definida, pessoas em determinada faixa etária, trabalhadores de uma indústria, ou seja, pessoas que foram ou estão expostas a um ou mais fatores de risco específicos).

 

11 - Modelos Matemáticos e Epidemiológicos para Doenças Infecciosas e Parasitárias

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Modelos Matemáticos e

Epidemiológicos para Doenças

Infecciosas e Parasitárias

Claudio José Struchiner, Paula Mendes Luz e Paulo Chagatelles Sabroza

CC

Introdução

Modelos matemáticos e epidemiológicos (Anderson e May,

1991; Diekmann e Heesterbeek, 2000; Yang, 2001; Massad et al., 2004; Keeling e Rohani, 2007; Otto e Day, 2007) constituem-se em ferramentas importantes para o planejamento das ações de controle das doen­ças infecciosas e parasitárias.

Modelos dos mais variados tipos, e em par­ticular os quantitativos, se propõem a representar e descrever realidades complexas. Para que possa ser útil, essa representação deve procurar a dosagem apropriada de realismo biológico em um contexto de importantes limitações de conhecimento sobre os diversos mecanismos envolvidos. Deve também precisar de forma explícita as diversas fontes de incertezas para que possam ser compreendidas de forma precisa pelo usuá­rio final, geralmente o formulador de políticas públicas.

 

12 - Fatores Genéticos nas Doenças Infecciosas e Parasitárias

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Fatores Genéticos nas

Doenças Infecciosas e

Parasitárias

Pedro H. Cabello

CC

A problemática das doen­ças infecciosas e parasitárias

Um dos desafios colocados frente ao geneticista é tratar de características que não dependem de fatores genéticos de transmissão mendeliana. Grande parte das doen­ças se apresenta como resultado da interação entre fatores genéticos (do agente causal e do hospedeiro) e fatores do ambiente. Essas interações são de grande complexidade e sua análise propiciou o surgimento de uma nova ­área da ciên­cia, a epidemiologia genética, a qual teve que desenvolver uma metodologia totalmente diferente daquela utilizada na análise de características monogênicas. Características como doen­ças infectoparasitárias, distúrbios como diabetes, câncer, doen­ças cardía­cas, neurodegenerativas e outras são, em geral, produtos tanto de fatores do ambiente como da atuação de muitos genes (poligenes), daí o porquê de elas serem denominadas características multifatoriais.

 

13 - Parasitos e Hospedeiros | Evolução Genômica sob o Jugo da Rainha Vermelha

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Parasitos e Hospedeiros |

Evolução Genômica sob o

Jugo da Rainha Vermelha

Sérgio D. J. Pena

CC

Genomas e parasitos

A palavra parasito vem de parasitos, no grego (para = junto de, e sitos = alimento), usada originalmente para designar os in­di­ví­duos que serviam comida em banquetes nos templos. Séculos depois, a palavra, principalmente empregada na biologia e na medicina, designa organismo que se nutre

à custa do outro. Parasitos são onipresentes – todo ser vivo tem os seus parasitos, como observou o satirista Jonathan

Swift no início do ­século 18. A flea hath smaller fleas that on him prey, and these have smaller fleas to bite’em. And so proceed ad infinitum.

Na relação de parasitismo, parasito e hospedeiro, 2 organismos com constituições genéticas muito diferentes, vivem juntos, um dentro do outro, célula dentro de célula, ou mesmo genoma dentro de genoma. As informações genéticas desses “parceiros” se expressam lado a lado, em uma interação que pode durar um longo tempo. Não é nada surpreendente que parasitos sejam evolucionariamente de fundamental importância para a espécie hospedeira, e que, por sua vez, os hospedeiros sejam de igual importância para a evolução dos parasitos. O processo de interação entre o genoma do parasito e o do hospedeiro leva à coevolução estratégica de ambos.

 

14 - Resposta Imune às Infecções e Mecanismos Evasivos dos Agentes Infecciosos

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Resposta Imune às Infecções e Mecanismos Evasivos dos

Agentes Infecciosos

Amélia Ribeiro de Jesus e Lucas Pedreira de Carvalho

CC

Introdução

O homem interage com diversos patógenos durante a evolução, ambos desenvolvendo mecanismos adaptativos de convivência, que têm a finalidade de preservação das espécies. Esses mecanismos podem funcionar como mecanismos agressores que levam à lesão te­ci­dual do hospedeiro humano, mas, na maioria das vezes, essa interação com agentes infecciosos não leva à doen­ça, podendo até ser benéfica para o hospedeiro.

Para promover doen­ça, o agente infeccioso necessita invadir, proliferar e produzir os seus efeitos lesivos para os tecidos. Esse processo de invasão encontra diversas barreiras: integridade da pele e mucosas, barreiras quí­micas e biológicas. Ao ultrapassarem essas barreiras naturais, os patógenos desencadeiam uma reação inflamatória nos tecidos, ativando células fagocíticas e fatores solúveis, como as substâncias de fase aguda e o complemento, os quais fazem parte da resposta imune inata. Esses fagócitos reconhecem uma diversidade menor de epítopos, porém reconhecem especificamente alguns padrões moleculares específicos dos patógenos (PAMP) por meio de receptores. A ligação do patógeno a esses receptores induz à ativação dos fagócitos, os quais aumentam suas capacidades microbicidas. A resposta imune inata ­atua no agente infeccioso e pode eliminá-lo nas primeiras horas após a infecção. Além disso, células apresentadoras de antígenos (macrófagos e células dendríticas) fazem a ligação entre a resposta imune inata e a adaptativa apresentando os antígenos aos linfócitos T.

 

15 - Alterações do Timo em Doenças Infectoparasitárias

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15

Alterações do Timo em

Doenças Infectoparasitárias

Wilson Savino

CC

Microambiente tímico e a diferenciação de timócitos

O timo é um órgão linfoide primário, onde células precursoras derivadas da medula óssea passam por um complexo processo de diferenciação e maturação, envolvendo a expressão sequencial de várias proteí­nas de membrana e o rearranjo dos genes que codificam os chamados receptores de célula T

(TCR), cujo produto final interage com proteí­nas codificadas pelos genes do complexo principal de histocompatibilidade

(MHC) expresso em células do microambiente tímico.

O órgão, localizado no mediastino anterior, é dividido em dois lobos, parcialmente subdivididos em lóbulos por septos que contêm vasos e inervação. Cada lóbulo apresenta re­giões claramente distintas: o córtex, região densamente povoada por linfócitos em contato íntimo com prolongamentos de células do microambiente, e a medula, menos densa em linfócitos, onde a concentração de elementos microambientais é proporcionalmente maior do que no córtex.

 

16 - A Modulação da Resistência do Hospedeiro por Microrganismos

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A Modulação da

Resistência do Hospedeiro por Microrga­nis­mos

Sylvio Celso Gonçalves da Costa

CC

Introdução

A ideia de que os mi­cror­ga­nis­mos podem modular a resistência dos hospedeiros é conhecida desde a Antiguidade. Os egípcios já haviam observado empiricamente que in­di­ví­duos portadores de abscessos eram mais resistentes às epidemias do que aqueles dotados de boa saú­de. Chanfort afirmava em sua maximas que pacientes com paludismo eram parcialmente protegidos contra a peste. Nestes casos as infecções estariam promovendo imunoestimulação, mas em muitos casos as infecções induzem à imunossupressão. A noção de que infecções podem causar imunossupressão surgiu com as observações levantadas na tripanossomía­se africana, que leva a uma profunda supressão o sistema imunitário do hospedeiro, proporcionando infecções oportunistas. Foi observado, no início do ­século 20, que pacientes com a doen­ça do sono apresentavam alta incidência de pneumonia lobar (Low e Castellani, 1903) e que, em muitos casos, ocorria supressão generalizada.

 

17 - Infecções no Hospedeiro Imunocomprometido

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17

Infecções no Hospedeiro

Imunocomprometido

Marcelo Simão Ferreira

CC

Introdução

Nas três últimas décadas, observou-se um inegável avanço em praticamente todas as ­áreas da medicina. Nos anos 1940 e 1950, pacientes com neo­pla­sias, doen­ças autoimunes ou imunodeficiên­cias congênitas tinham poucas chances de sobreviver além de alguns meses ou anos. A partir dos anos

1960, com a introdução da terapêutica com corticosteroides e com o início da quimioterapia para portadores de câncer, a sobrevida desses pacientes melhorou de forma considerável.

Obviamente, a grande maioria desses in­di­ví­duos desenvolvia grave imunodepressão consequente ao tratamento, além daquela originária da própria enfermidade de base. Nos anos

1970, houve grande incremento do número de transplantes, adicionando um verdadeiro exército de imunodeficientes crônicos em nossos ambulatórios e enfermarias, todos altamente suscetíveis ao desenvolvimento de infecções por variados patógenos. Na década seguinte, a comunidade médica mundial enfrentou, talvez, a mais devastadora das doen­ças imunodepressoras, a síndrome da imunodeficiên­cia adquirida (AIDS), doen­ça causada por um retrovírus, que infecta os linfócitos TCD4 e outras células do nosso sistema imune

 

18 - Testes Sorológicos

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Testes Sorológicos

Antônio Walter Ferreira

Introdução

Neste capítulo faremos uma breve apresentação dos diferentes testes sorológicos ou imunoensaios para detecção e quantificação de antígenos ou anticorpos em fluidos biológicos. Não faremos uma retrospectiva histórica dos diferentes testes usados ao longo de décadas e sim uma análise crítica dos métodos empregados atualmente avaliando seus custos e benefícios.

Normalmente os testes que utilizam reagentes marcados por substâncias quí­micas ou não (imunofluorescência, enzimaimunoensaio, radioimunoensaio, quimioluminescência) apresentam maior sensibilidade na detecção de seus produtos do que os testes que derivam da interação dos antígenos com os anticorpos e formam sinais de detecção (aglutinação, precipitação).

A reação de precipitação ocorre quando componentes solúveis de antígenos e anticorpos correspondentes interagem e saem da solução. A precipitação é máxima quando existem quantidades equivalentes de antígenos e anticorpos. Excesso de um dos componentes desequilibra a reação e solubiliza os complexos pré-formados. Fenômenos de pré-zona e pós-zona ocorrem acarretando falsos resultados positivos ou negativos.

 

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