Fundamentos de Psicologia-Aconselhamento Psicológico numa Perspectiva Fenomenológica Existencial

Autor(es): MORATO
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Contemplando temáticas e leituras atuais da prática psicológica, Aconselhamento Psicológico numa Perspectiva Fenomenológica Existencial procura abrir outras perspectivas para reflexões pertinentes. O livro apresenta aspectos teóricos, metodológicos e de pesquisa. O que norteia e singulariza a obra na diversidade de suas contribuições é o diálogo entre o campo do aconselhamento psicológico e a perspectiva fenomenológica existencial. A organização do livro segue uma estrutura temática que agrupa os capítulos de modo a facilitar uma compreensão do olhar fenomenológico existencial para a prática psicológica, ampliando, também, a compreensão instituída pelo aconselhamento psicológico.

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CAPÍTULO I O Nome. a Taxonomia e o Campo do Aconselhamento Psicológico

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I

CAPÍTULO

O NOME, A TAXONOMIA E O CAMPO DO

ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO

Maria Luisa Sandoval Schmidt

I

O pirata é sempre o outro. Em estudo sobre representações da pirataria, Sheila Maria Doula (1997) mostra como para os ingleses os piratas eram franceses, portugueses, espanhóis e holandeses, assim como para cada um deles eram piratas os outros.

Essa interpretação do jogo identitário no imaginário sobre a pirataria presta-se a uma analogia com o jogo identitário encetado por discursos e práticas psicoterápicos.

A classificação de teorias, métodos e técnicas psicoterápicas, na tentativa de organizar a percepção de um terreno de discursos e práticas extremamente diversificado, participa da cena em que identidades teóricas e profissionais se afirmam por oposição a outras. Subjaz ao trabalho de definição e delimitação de cada modelo psicoterápico um duplo movimento representado, por um lado, pelo esforço de compactar coerência por meio da exclusão das ambigüidades e ambivalências da teoria e da prática e da mútua implicação de ambas na clínica e, por outro, pela projeção dessas ambigüidades e ambivalências em outro modelo.

 

CAPÍTULO II Atenção Psicológica e Aprendizagem Significativa

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II

CAPÍTULO

ATENÇÃO PSICOLÓGICA E

APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

Henriette Tognetti Penha Morato

Compreender como a pessoa percebe a si e ao mundo era uma questão que sempre perpassou a Psicologia, fazendose presente em autores que percorreram o campo do Aconselhamento Psicológico. Para Rogers, tal questionamento manifestou-se por uma disposição fenomenológica para a compreensão de como era o referencial interno daquele que procura pelo psicólogo.

Segundo Rosenberg (1977), foi essa investigação que abriu uma nova maneira de se enfocar a personalidade e sua adequação, denominada por Rogers de congruência interna. Para Gomes (1983), em um estudo minucioso da teoria da experienciação de Gendlin, basicamente foi a partir do conceito rogeriano de congruência que Gendlin sugeriu reformulações à Terapia Centrada no Cliente.

Segundo esse autor, Rogers (1959) já havia levantado dúvidas se sua maneira de enfocar os fenômenos da subjetividade ainda estaria impregnada de uma orientação lógicopositivista, mas não havia levado adiante tal reflexão.

 

CAPÍTULO III A Ação Clínica e a Perspectiva Fenomenológica Existencial

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III

CAPÍTULO

A AÇÃO CLÍNICA E A PERSPECTIVA

FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL*

Carmem Lúcia Brito Tavares Barreto** • Henriette Tognetti Penha Morato***

A ocupação do espaço psicológico pelos diversos sistemas e projetos não gerou proposta integrada conceitual e teoricamente. Os sistemas de pensamento foram surgindo quase ao mesmo tempo, configurando propostas diversas para uma apreensão teórica com pretensões epistemológicas de demarcação do “psicológico”. Embora dirigidos a preocupações aparentemente excludentes – o comportamento manifesto ou a experiência imediata do sujeito

–, tais sistemas não se apresentavam tão independentes assim uns dos outros. Para além das diferenças, fazia-se presente, reiteradamente, a necessidade de confirmar a legitimidade de cada uma das posições particulares a fim de os diversos sistemas se tornarem habitantes apropriados do mesmo espaço psicológico como campo de conhecimento comum.

No entanto, a unificação do campo de saberes psicológicos apresentou-se utópica diante da dispersão e fragmentação dessa área de conhecimento. Segundo Penna (1997), um novo processo de dispersão acrescentou-se ao que já dominava o campo do saber psicológico, com o processo de multiplicação de novas disciplinas como resultado do desdobramento de domínios tradicionais. Atualmente, as preocupações centralizam-se na coerência interna das

 

CAPÍTULO IV Psicopatologia

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IV

CAPÍTULO

PSICOPATOLOGIA, FENOMENOLOGIA E

EXISTÊNCIA

Marcus Túlio Caldas

A psicopatologia é o ramo da ciência que pretende estudar o ser humano em seu adoecimento, gerando assim um conjunto de conhecimentos a esse respeito (DALGALARRONDO, 2000).

Jaspers (1913) a situa entre as ciências básicas, que, servindo de apoio à psiquiatria, se relacionaria à prática profissional, ampliando enormemente seus efeitos sociais.

Essa ligação histórica com a medicina conduziu a psicopatologia a freqüentemente se debruçar sobre o patos humano a partir de uma referência de doença mental.

Em função disso, procurou o que seria essencial à doença mental, causas, formas de manifestação, mudanças estruturais e funcionais associadas a ela (DALGALARRONDO,

2000). Entretanto, apesar dessa íntima vinculação com a tradição médica, esse campo de conhecimento tem se caracterizado pela multiplicidade de perspectivas teóricas, algumas em franca oposição. Portanto, a partir do modelo de homem ou de questão que se proponha, poderemos ter uma psicopatologia descritiva, médica, dinâmica, comportamental-cognitiva, categorial, psicanalítica, dimensional, biológica, sociocultural, operacional-pragmática, fenomenológica existencial ou fundamental. Algumas dessas abordagens permitem um diálogo mais próximo, enquanto outras terão de ser capazes de se abrir ao conflito de idéias se quiserem continuar contribuindo para esse campo de conhecimento.

 

CAPÍTULO V Entre Psicodiagnóstico e Aconselhamento Psicológico

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V

CAPÍTULO

ENTRE PSICODIAGNÓSTICO E

ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO

Gohara Yvette Yehia

Os leitores deste livro perguntar-se-ão: um texto a respeito de psicodiagnóstico em um livro que trata de

Aconselhamento Psicológico e, mais especificamente, que apresenta algumas questões acerca de plantão psicológico?

Sim, é possível encontrar interlocuções entre essas práticas psicológicas. Antes, porém, quero apresentar, a quem não o conhece, o psicodiagnóstico colaborativo.

Começarei com um brevíssimo histórico. O diagnóstico psicológico tradicional, tributário do modelo médico, conferiu aos psicólogos o uso privativo dos testes psicológicos, e continua tendo um papel importante na prática e treinamento psicológicos, sendo que os instrumentos diagnósticos mais freqüentemente utilizados têm permanecido estáveis ao longo de décadas.

A psicometria contribuiu muito para o desenvolvimento do psicodiagnóstico, tendo sido fortemente influenciada pelo paradigma científico dominante no século passado.

 

CAPÍTULO VI Como nos Tornamos Psicólogos Clínicos?

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VI

CAPÍTULO

COMO NOS TORNAMOS

PSICÓLOGOS CLÍNICOS?*

Virgínia Teles Carneiro

Assim como o corpo – respondiam os doutos – assimila e retém as diversas diferenças vividas durante as viagens e volta para casa mestiçado de novos gestos e de novos costumes, fundidos nas atitudes e funções a ponto de fazê-lo acreditar que nada mudou para ele, também o milagre laico da tolerância, da neutralidade, indulgente, acolhe, na paz, todas as aprendizagens, para delas fazer brotar a liberdade de invenção e, portanto, de pensamento.

Michel Serres

Talvez alguém já tenha se perguntado algo semelhante, de diferentes formas: “como posso aprender a ser psicólogo clínico?”; “quais habilidades tenho que desenvolver?”;

“como saber se o que faço é específico da Psicologia e não de outra área?”. São inquietações comuns a pessoas em processo de formação que, ouso dizer, não costumam ser tranqüilizadas com facilidade.

Falo com propriedade sobre o assunto por esse desassossego também ter me acompanhado durante minha formação em Psicologia, o que fez emergir meu tema para pesquisa, quando ingressei no curso de mestrado. Algo me moveu na direção de compreender melhor como nos tornamos psicólogos clínicos, porém não em termos burocráticos e institucionais. Não que a burocracia e a instituição não façam parte desse processo (e como fazem!), mas o chamado ao qual atendi foi a parte obscurecida

 

CAPÍTULO VII Entre Aprendizagem Significativa e Metodologia Interventiva: Práxis Clínica de um Laboratório Universitário como Aconselhamento Psicológico

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VII

CAPÍTULO

ENTRE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA

E METODOLOGIA INTERVENTIVA:

PRÁXIS CLÍNICA DE UM

LABORATÓRIO UNIVERSITÁRIO COMO

ACONSELHAMENTO PSICOLÓGICO*

André Prado Nunes** • Henriette Tognetti Penha Morato***

APRESENTAÇÃO

A Organização do Laboratório Universitário

O presente artigo discute o modo como um laboratório universitário construiu e efetuou Projetos de Atenção

Psicológica clínica em instituição, no campo de Aconselhamento Psicológico.

O Laboratório para Estudos e Prática em Psicologia

Fenomenológica Existencial (LEFE) é um laboratório universitário que presta serviços no campo de Psicologia a instituições e organizações com atuação nas áreas de saúde e educação. Atualmente há projetos voltados à segurança pública e à justiça.1 Em sua organização, ele conta com uma coordenadora, responsável pelo grupo de estudos, publicações, organização e participação em eventos, orientação de trabalhos e supervisão clínica da equipe de seniores, além de ser co-responsável por dois grupos nacionais de pesquisa. A equipe de seniores é, atualmente, constituída por psicólogos formados, co-responsáveis pelo grupo de estudos e ocupando as funções de supervisores clínicos e

 

CAPÍTULO VIII O Sentido da Prática Clínica para uma Clínica do Sentido: A Formação no Contexto da Atenção Psicológica em Instituições

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VIII

CAPÍTULO

O SENTIDO DA PRÁTICA CLÍNICA

PARA UMA CLÍNICA DO SENTIDO: A

FORMAÇÃO NO CONTEXTO DA ATENÇÃO

PSICOLÓGICA EM INSTITUIÇÕES*

Tatiana Benevides Magalhães Braga** • Eda Marconi Custódio***

Este capítulo pretende apresentar uma abordagem fenomenológica existencial da formação em Psicologia, a partir de experiências de Plantão Psicológico. No entanto, para entender como essa compreensão se desenvolveu, faz-se necessário considerar alguns aspectos referentes à constituição histórica dessa perspectiva para a formação em Psicologia, situando-a no contexto do desenvolvimento das ciências, no próprio contexto da Psicologia e no contexto brasileiro. Inicialmente, é preciso apresentar a perspectiva epistemológica (ou seja, o modo como se entende que uma metodologia é apropriada para a construção de conhecimento) da fenomenologia, que permeia essa compreensão e a prática de formação. É necessário ainda acompanhar alguns aspectos do percurso da Psicologia e de seu ensino no Brasil, a fim de situar o modo de constituição dessa formação. Finalmente, é preciso apresentar o contexto no qual esse modo de olhar e trabalhar, bem como a presente pesquisa, foi desenvolvido, tornando compreensível o percurso de aprendizagem e formação doravante abordado e articulando a formação com as dimensões de pesquisa e práxis presentes na Psicologia enquanto ciência e profissão. Em seguida, serão expostos alguns momentos da trajetória de formação de alunos de graduação na prática de Plantão Psicológico em projetos de Atenção Psicológica em Instituições e tecidas considerações sobre suas experiências.

 

CAPÍTULO IX Atenção Psicológica em Instituição: Plantão Psicológico como Cartografia Clínica

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IX

CAPÍTULO

ATENÇÃO PSICOLÓGICA EM

INSTITUIÇÃO: PLANTÃO PSICOLÓGICO

COMO CARTOGRAFIA CLÍNICA*

Heloísa Antonelli Aun** • Henriette Tognetti Penha Morato***

A prática psicológica em instituição diz de demandas variadas que, de certa forma, perpassam por uma atenção psicológica. O termo atenção começou a ser utilizado por nosso laboratório, o Lefe, por sua amplitude de significados:1 concentração, zelo, dedicação, disposição, mostrar, alertar, olhar, ouvir, sentir e, sobretudo, cuidado. De origem no latim, atenção remete à aplicação do espírito, compondo-se por a (para, em direção a) e tendere, com sentido semelhante a clinicar: inclinar-se.

A atenção se faz clínica pela atitude de inclinar-se ao outro. Dessa forma, desde a porta de entrada de uma instituição, a atenção psicológica se apresenta em pequenos contatos despretensiosos, fazendo-se escuta clínica: um modo de ser psicólogo clínico em meio às relações entre sujeitos no cotidiano social. A partir desses contextos, percebe-se que o contexto institucional apresenta-se como uma organização social. Assim, a prática clínica acompanha esse modo de apresentação, infiltrando-se entre relações para oferecer atenção e cuidado àquele que adoece pela e/ou na rede social. Isso porque a instituição não comunica seu sofrimento; ela é falada, ou seja, é sujeito

 

CAPÍTULO X Uma Experiência de Plantão Psicológico à Polícia Militar do Estado de São Paulo: Articulando Compreensões

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X

CAPÍTULO

UMA EXPERIÊNCIA DE PLANTÃO

PSICOLÓGICO À POLÍCIA MILITAR

DO ESTADO DE SÃO PAULO:

ARTICULANDO COMPREENSÕES*

Rodrigo Giannangelo de Oliveira** • Henriette Tognetti Penha Morato***

APRESENTAÇÃO DO TEMA

Há tempos os serviços públicos em saúde mental brasileiros mostram-se escassos e precários. Mesmo os planos de saúde que oferecem cobertura para atendimentos psicológicos ainda não têm grande abrangência. Em geral, apenas os mais caros permitem esse benefício.

Desde sua fundação, em 1999, o LEFE-USP (Laboratório de estudos e prática em Psicologia fenomenológica e existencial da USP) tem investigado e colocado em ação projetos de prática psicológica clínica em contexto institucional que buscam se afirmar como alternativas efetivas para o abismo entre o fazer psicológico e a sociedade.

Oferecendo atendimentos gratuitos aos sujeitos que se relacionam com essas instituições (funcionários e/ou usuários e seus respectivos familiares), esses projetos têm buscado alargar a abrangência do acesso à atenção psicológica.

 

CAPÍTULO XI Uma Prática Psicológica Inclusiva em Hospital Psiqui átrico: Do Cuidado de Ser ao Resgate de Cidadania

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XI

CAPÍTULO

UMA PRÁTICA PSICOLÓGICA INCLUSIVA

EM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO:

DO CUIDADO DE SER AO RESGATE

DE CIDADANIA*

Walter Cautella Junior** • Henriette Tognetti Penha Morato***

Este capítulo intenta abordar a construção de uma prática psicológica em hospital psiquiátrico de curta permanência, destinado ao atendimento de pessoas do sexo feminino em quadro agudo do que se convencionou chamar na modernidade de “doença mental”.

Ao entrar no universo institucional psiquiátrico, impactou-me a condição existencial dessas mulheres. No convívio diário com elas, saltava aos olhos justamente aquilo que se apresentava como a ausência de um existir autêntico. Suspensas no tempo, afastadas do compartilhamento e vivendo em um presente caótico e eternizado, o isolamento vivido por elas parece não ser definido tão-somente pelas paredes dos recintos que são levadas a ocupar na situação de crise. Mais intensa e dolorosamente que uma situação dada por um local, impunha-se, no contato com elas, sua condição de insustentabilidade de ser. Tocado pela condição de excluído, assumi que minha função primordial na instituição era tentar promover situações que pudessem proporcionar uma possibilidade de relação desse sujeito consigo mesmo, com os outros e com o mundo que o cerca. Minha convicção é de que,

 

CAPÍTULO XII Vividação e Situação-limite: A Experiência Entre o Viver e o Morrer no Cotidiano do Hospital

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XII

CAPÍTULO

VIVIDAÇÃ

ÇÃO E SITUAÇÃO-LIMITE: A

EXPERIÊNCIA ENTRE O VIVER E O

MORRER NO COTIDIANO DO HOSPITAL

Josélia Quintas Silva de Souza • Henriette Tognetti Penha Morato

Neste capítulo, produzido a partir da nossa dissertação de mestrado,* procuramos retratar o cotidiano do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital da

Restauração, na cidade do Recife, PE, ambiente da nossa prática institucional. A realidade hospitalar e as experiências dos participantes desse cenário crítico envolvem a situação-limite entre o viver e o morrer do paciente e as ações dos profissionais cuidadores para o tratamento necessário. Refletimos sobre o sofrimento do paciente grande queimado, no momento em que se encontra, seus recursos psicológicos diante do trauma sofrido e como suporta e enfrenta o desafio, junto à equipe de saúde, de cicatrizar a sua pele danificada pela ação do calor.

Para compreendermos como essa experiência acontece, buscamos uma metodologia fenomenológica existencial e através de entrevistas fomos percorrendo o caminho dos participantes desse drama-limite, que cunhamos vividação, para em seguida articularmos ao que nos dizem os estudiosos do “cuidado” sobre o tema aqui apresentado.

 

CAPÍTULO XIII Os “Sentidos” da Escuta Fenomenológico-existencial

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XIII

CAPÍTULO

OS “SENTIDOS” DA ESCUTA

FENOMENOLÓGICO-EXISTENCIAL

Darlindo Ferreira de Lima • Gohara Yvette Yehia • Henriette Tognetti Penha Morato

INTRODUÇÃO

O objetivo deste capítulo será procurar compreender como se dão os sentidos da Escuta através da experiência de ministros religiosos cristãos.1 A emergência desses sentidos nos convida para participar do movimento desafiador de ir ao encontro do desconhecido que, de alguma forma, já possui sempre um enraizamento histórico-social-cultural.

O contato com o saber-fazer clínico passa, impreterivelmente, pelo escutar. Perguntamo-nos, muitas vezes, como os terapeutas conseguiam “ouvir aquelas coisas” a respeito do sofrimento das pessoas. Esse “ouvir” parecia situar-se em um registro diferente. A Escuta, então, começou a delinear-se como um devir, uma postura de colocar-se disponível, aberto para acolher os sons e para algo mais

(sentido) que se faça presente na relação com o outro.

Pensar a Escuta a partir da perspectiva fenomenológico-existencial nos remete à necessidade de tentar situá-la em outros contextos históricos, em que não existia ainda o psicólogo clínico como hoje o conhecemos. Assim, promoveremos alguns recortes da prática da Escuta, uma espécie de historicização, procurando entendê-la em alguns momentos históricos até como contemporaneamente é situada. Em seguida, iremos trabalhar os conceitos de escuta e cuidado, procurando tecer reflexões sobre algumas de suas implicações no campo psicológico.

 

CAPÍTULO XIV Tecendo Sentidos para uma Ação Territorial em Saúde a Partir do Programa Saúde da Família

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XIV

CAPÍTULO

TECENDO SENTIDOS PARA UMA AÇÃO

TERRITORIAL EM SAÚDE A PARTIR DO

PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA*

Barbara Eleonora Bezerra Cabral** • Henriette Tognetti Penha Morato***

A ORIGEM DA QUESTÃO E O

CAMINHO POR ELA APONTADO:

UMA BREVE CARACTERIZAÇÃO

DA PESQUISA

Ao iniciar um trabalho de pesquisa1 no campo da atenção em saúde no contexto da saúde pública, havia um foco que foi se revelando ao longo do trajeto do estudo: compreender a ação territorial em saúde, realizada através do Programa Saúde da Família – PSF, estratégia adotada desde 1994 como eixo organizador da atenção básica

à saúde no Brasil. O interesse voltava-se à atuação não apenas das equipes do referido programa, mas também dos profissionais que se conectavam com as mesmas, de modo a exercer uma intervenção conjunta na comunidade ou em nível de assessoria.

Como bússola na realização da viagem, configurou-se a seguinte questão: Como poder refletir acerca da prática de profissionais de saúde pública, engajados em estratégias de ação no território, através do Programa Saúde da Família,

 

CAPÍTULO XV Metodologia de Análise Qualitativa: Desenhos Intermediando a Compreensão

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XV

CAPÍTULO

METODOLOGIA DE ANÁLISE

QUALITATIVA: DESENHOS

INTERMEDIANDO A COMPREENSÃO*

Marina Halpern-Chalom** • Henriette Tognetti Penha Morato***

A expressão não esgota o vivido, apenas aponta para ele, criando um significado, atribuindo um sentido. Leme1

Este trabalho versa sobre a criação de uma metodologia de análise qualitativa. Foi elaborada diante de uma pesquisa sobre a experiência de clientes em busca de atendimento psicológico em um serviço de Plantão Psicológico, para os quais foi oferecida, também, a narrativa de um conto tradicional (CHALOM, 2001). Assim, o texto recorre à apresentação da pesquisadora principal, referindo-se à sua própria experiência no desenrolar da pesquisa; então, por vezes, o tempo verbal aparece na 1a pessoa do singular.

Os participantes deram um depoimento sobre a experiência vivida após um dos eventos: atendimento em Plantão

Psicológico; sessão de história; sessão de história seguida de atendimento em Plantão Psicológico; ou sessão de Plantão

 

CAPÍTULO XVI A Experiência do Usuário: Via de Ressignificação do Cuidado em Ambulatório Público de Saúde Mental

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XVI

CAPÍTULO

A EXPERIÊNCIA DO USUÁRIO:

VIA DE RESSIGNIFICAÇÃO DO CUIDADO

EM AMBULATÓRIO PÚBLICO

DE SAÚDE MENTAL

Ana Maria de Santana

No atendimento psicológico favorecido ao usuário do

Sistema Único de Saúde (SUS), em unidades ambulatoriais ou policlínicas, não é raro refletir-se sobre a adequação e a eficácia dos modelos de atuação clínica utilizados para atender à sua demanda. As abordagens teórico-práticas que orientam os procedimentos de cuidado na compreensão e problematização do seu sofrimento não parecem contemplar, satisfatoriamente, as demandas reveladas no processo da assistência psicológica ao usuário. A impressão sentida nesses atendimentos é que a compreensão do psicólogo sobre os infortúnios relatados é atravessada, insistentemente, por um crivo teórico-prático que reduz, e muito, a amplitude das demandas desses pacientes. Estamos convencidos de que os modelos assistenciais vigentes de atuação, instituídos para favorecer a ação clínica do psicólogo nessas unidades, apresentam limitações na abordagem de assuntos ligados à sobrevivência cotidiana do usuário no mundo da vida, vindo apenas a contemplar parte de sua demanda psicológica.

 

CAPÍTULO XVII Saúde e Sofrimento do Trabalhador: Experiências e Olhares Acerca do (Des)cuidado de Cuidadores/Profissionais de Saúde Mental no Contexto do SUS numa Perspectiva Fenomenológica Existencial

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CAPÍTULO

XVII

SAÚDE E SOFRIMENTO DO TRABALHADOR:

EXPERIÊNCIAS E OLHARES ACERCA

DO (DES)CUIDADO DE CUIDADORES/

PROFISSIONAIS DE SAÚDE MENTAL NO

CONTEXTO DO SUS NUMA PERSPECTIVA

FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL*

Carlos Frederico de Oliveira Alves** • Henriette Tognetti Penha Morato*** • Marcus Túlio Caldas***

O CONTAR DE UM CONTAR

Falar em perspectiva é necessariamente falar em olhar...

Falar em olhar é necessariamente falar de posição... Falar acerca de posição é necessariamente falar em escolha... E escolha, por sua vez, nos remete invariavelmente a falar em política. Política não em seu sentido partidário, mas compreendida enquanto ação, que se constrói no entrehomens, movida a escolhas, olhares e busca de perspectivas, sempre sob o viés ético do cuidar de si e de outros.

Foi nesse sentido que partimos em busca da construção deste capítulo, com o objetivo de sintetizar o percurso de um processo iniciado a partir de uma série de inquietações, nascidas desde os primórdios da minha formação profissional no campo da saúde e fruto da observação e con-vivência diária com um alto grau de sofrimento vivenciado pelos profissionais que compõem as equipes de saúde no contexto do SUS e, mais especificamente, as equipes de Saúde Mental no âmbito do Movimento da Reforma

 

CAPÍTULO XVIII Caminhos e Descaminhos da Fala na Clínica Psicológica: Uma Perspectiva Fenomenológica Existencial

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XVIII

CAPÍTULO

CAMINHOS E DESCAMINHOS DA FALA NA

CLÍNICA PSICOLÓGICA:

UMA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA

EXISTENCIAL

Lucyanna de Farias Fagundes Pereira* • Marcus Túlio Caldas**

INTRODUÇÃO1

O homem contemporâneo tem marcas. Marcas de experiências, de lutas, de sofrimentos. Marcas de ausência, presença, conquistas, perdas. Marcas que traduzem ou revelam quem ele é, como foi sua história, como é seu vivido, como planeja seu futuro. Sua forma de estar no mundo, seu olhar diante dos acontecimentos e o modo como se relaciona desvelam, para aquele que se dispõe a ouvir, todo o arsenal de conhecimento a respeito de si e daquilo que o cerca, que parece brotar da própria angústia a revelação das dimensões do sofrimento e da fragilidade humana.

Esse retrato de homem que se apresenta à clínica psicológica vem buscar uma imagem de si ao tentar construir-se ou reconstruir-se à medida que participa da compreensão do seu existir. Ele se coloca imerso no trânsito da própria existência, mergulhado, muitas vezes, num aqui difícil de ser transposto, “preso no presente indefinido do sofrimento” (BARUS-MICHEL, 2001, p. 21).

 

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