Mesoeconomia - Lições de Contabilidade Social

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Trata-se de um livro inovador na área da contabilidade social e da mesoeconomia que apresenta todos os conteúdos necessários para o entendimento do papel dos indicadores econômicos na avaliação do esforço produtivo da sociedade. Além de conter materiais utilizados na preparação de inúmeros exames de caráter acadêmico e profissional, ele expande-se integrando áreas diversas áreas das ciências sociais e tecnológicas. Também pela primeira vez no Brasil, apresenta-se a matriz de insumo-produto da empresa e associa-se a elaboração dos tradicionais índices de preços e quantidades. Também se mostra a metodologia de determinação do índice de desenvolvimento humano e há indicações metodológicas para o cálculo da felicidade nacional bruta.

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1. A Divisão do Trabalho na Sociedade

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1

A Divisão do Trabalho na Sociedade

Duilio de Avila Bêrni, Vladimir Lautert e Adelar Fochezatto

1.1 A ATIVIDADE ECONÔMICA DA SOCIEDADE HUMANA

A unidade fundamental que caracteriza os indivíduos humanos reside em seu privilegiado grau de consciência relativamente à existência dos outros animais e coisas. Desta forma, nossa consciência da existência simultânea de “um mundo lá fora”

(Cirne-Lima, 2002) e de um mundo interior constituem a dualidade básica da psiquê humana. A consciência de estarmos-no-mundo aponta para o contraste entre nossa própria individualidade e a existência de outros entes: “penso, logo existo”

é o marco inicial da filosofia racionalista. Ademais, ao fazer-se consciente de si, o homem toma ciência de que o “mundo lá fora”, chamado pelo instigante filósofo de

“realidade realmente real”, determina e é influenciado pela consciência que temos de nossa própria existência. Nosso grau de compreensão do mundo lá fora avança com a construção da própria história humana, a cultura e o movimento civilizatório, emulado com a qualidade com que construímos o mundo da realidade imaginada.

 

2. Contextualizando a Contabilidade Social

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2

Contextualizando a

Contabilidade Social

Adalberto Alves Maia Neto, Cássio da Silva Calvete e Duilio de Avila Bêrni

2.1 A REGULARIDADE DAS AÇÕES HUMANAS E O MUNDO DAS TEORIAS

A realidade realmente real apresentada na Figura 1.1 do Capítulo 1 (Divisão) do

“mundo lá fora” antecedeu o mundo da realidade imaginária, sobrevive sem ele e aparentemente transcenderá as imagens que lhe faz a mente humana. Estas imagens, fruto da racionalidade humana, assumem contornos mais ou menos racionais, dependendo do contexto em que o homem defronta-se com a natureza no sentido de debelar suas necessidades, das mais básicas às superiores. Neste contexto é que surgiu a ciência, uma forma privilegiada de lidar com o conhecimento humano sob o ponto de vista de sua associação com a tecnologia e com a possibilidade de geração de mais conhecimento e mais tecnologia. Existe um conhecimento associado exclusivamente ao mundo das ideias, como é o caso daquele que construímos a respeito dos triângulos ou dos conetivos lógicos. Este contrasta com o conhecimento que formamos a respeito de R3, nossa realidade realmente real, ou seja, o mundo tangível, a realidade “lá fora da casinha”. Neste caso, sabemos que tijolos caem de cima para baixo, e que eles são o resultado da queima de argila, que a argila é constituída por partículas, moléculas, e por aí vai.

 

3. As Três Dimensões do Trabalho Social e as Três Óticas de Cálculo do Valor Adicionado

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3

As Três Dimensões do Trabalho

Social e as Três Óticas de Cálculo do Valor Adicionado

Duilio de Avila Bêrni, Vladimir Lautert e Ani Reni Ew

3.1 VALOR DE USO, VALOR DE TROCA E VALOR

Na sociedade humana, relações como o casamento, o apadrinhamento ou ainda a que ocorre entre dois indivíduos ou grupos numa contenda esportiva ou bélica, resultam de determinados conjuntos de valores esposados pelos agentes envolvidos.

Da mesma forma, o homem, por resultar de uma construção cultural, empreende relações com outros homens, diferentes animais e incontáveis objetos materiais, também atribuindo-lhes diferentes valores. No reino da economia, o tempo de vida humano, quando voltado à produção de bens e serviços submetidos a relações de troca, transforma-se em relações de trabalho, cria mercadorias e, portanto, também gera valor. Falar em valor, neste sentido, leva-nos a transitar rapidamente para o campo da economia, quando passamos a entendê-lo como algo anexado a objetos materiais, ou seja, algo que não lhes pertencia originalmente.

 

4. A Matriz de Contabilidade Social e a Matriz de Insumo-Produto

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4

A Matriz de Contabilidade Social e a

1

Matriz de Insumo-Produto

Eduardo Grijó, Duilio de Avila Bêrni,

Vania Alberton e Ubaldino de Almeida Conceição

4.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS2

Nos Capítulos 1 a 3, que constituíram toda a Primeira Parte de nosso livro, tivemos a oportunidade de entrar em contato não apenas com os fundamentos da organização societária e da constituição do sistema econômico, mas também com os conceitos fundamentais da moderna contabilidade social. Particularmente, pudemos observar o escopo da ciência econômica em suas três dimensões, a micro, a meso e a macroeconomia. Viemos a compreender os conceitos de geração (produção), apropriação

(alocação) e absorção (distribuição) de bens e serviços e como tais conceitos, nas economias monetárias, dividem o espaço de formação do valor adicionado. O termo “divisão do espaço” é intencionalmente utilizado e pretende dar relevo, para além da lógica, à ideia da organização territorial destes conceitos. Associando-os a blocos de matrizes dispostos estrategicamente3, como vimos na Tabela 3.5 do Capítulo 3 (Dimensões), fizemo-los movimentarem-se por meio do modelo completo do fluxo circular da renda.

 

5. O Sistema de Contas Nacionais: Tabela de Recursos e Usos

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5

O Sistema de Contas Nacionais:

Tabela de Recursos e Usos

Vladimir Lautert e Duilio de Avila Bêrni

5.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Como foi visto na Primeira Parte deste livro, existem quatro formas inter-relacionadas e equivalentes de apresentação dos agregados econômicos: a exposição gráfica do modelo completo do fluxo circular da renda, o uso de equações contábeis, o sistema de contas nacionais e a notação matricial. Os dois capítulos iniciais desta

Segunda Parte dedicaram-se à apresentação dos agregados usando principalmente a notação matricial. Este capítulo e o próximo serão dedicados ao sistema de contas nacionais. Acrescentando aos dois capítulos de modelos multissetoriais e aos dois das contas nacionais a matriz de fontes e usos de fundos, montaremos o tripé da modelagem macro e mesoeconômica1.

A possibilidade de apresentar as três óticas do valor adicionado em forma de matriz permite a análise da estrutura e a quantificação das mudanças estruturais das economias. Como foi visto no Capítulo 4 (MaCS e MIP), a matriz de insumo-produto quadrada estruturada na forma de produto por produto ou atividade por atividade estabelece as relações interindustriais explicitando o consumo intermediário correspondente. Trata-se, assim, de um valor lançado na matriz ao qual atribuímos dois significados: um uso do agente econômico correspondente à coluna e um recurso do agente econômico correspondente à linha. Por seu turno, a informação básica utilizada para chegar às matrizes com esse formato é construída pela tabela de produção dos produtos (fonte dos recursos – coluna) pelas atividades (usos dos recursos – linha) e tabelas de absorção dos produtos (fonte de recursos) pelas atividades (usuárias dos produtos). De modo análogo ao Capítulo 4 (MaCS e MIP), o sistema de contas nacionais utiliza tanto tabelas quanto um sistema integrado de contas, a fim de apresentar os agregados econômicos. As formas das tabelas a serem desenvolvidas no presente capítulo evidenciam a produção e a absorção num período de tempo, ao passo que, no Capítulo 6 (CEIs), os agregados aqui apresentados serão acrescidos de vários outros e dispostos na forma de um complexo sistema de contas.

 

6. O Sistema de Contas Nacionais: Contas Econômicas Integradas

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O Sistema de Contas Nacionais:

Contas Econômicas Integradas

6

Vladimir Lautert e Luciano Moraes Braga

6.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

No Capítulo 5 (TRUs), pudemos apreciar as fortes ligações entre os conteúdos lá expostos e, particularmente, os do Capítulo 4 (MaCS e MIP). Por exemplo, vimos que uma parte do Quadro 4.1 (tabelas make e use) exibe alguns traços em comum com as Tabelas 5.1 e 5.31. Neste capítulo, vamos dar continuidade a este trabalho, apresentando as contas econômicas integradas – CEIs, seguindo, em linhas gerais, as recomendações do Handbook. Claramente, existe uma articulação entre as tabelas de recursos e usos (TRUs, apresentadas no capítulo anterior) e as CEIs, pois ambas contemplam os principais agregados macroeconômicos, a saber, o valor da produção, o consumo intermediário, o valor adicionado, o valor das importações e da demanda final, distribuídos por setores econômicos. Observamos a integração entre os dois conjuntos de contas (tabelas de recursos e usos e CEIs) na medida em que as CEIs demonstram, partindo do valor da produção, a distribuição dos resultados da atividade econômica entre os setores institucionais, descrevendo, sob outra perspectiva, as ações praticadas pelos agentes econômicos.

 

7. Bases de Dados para a Macroeconomia

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Bases de Dados para a

1

Macroeconomia

7

Vladimir Lautert, Duilio de Avila Bêrni, Paulo de Andrade Jacinto, Liderau dos Santos

Marques Jr., Eduardo Finamore, Daniela Magalhães Prates, André Moreira Cunha,

Adriana Nunes Ferreira, Adalmir Marquetti, Riovaldo Mesquita e Luciano Moraes Braga

7.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Quando comentamos o modelo completo do fluxo circular da renda na Figura 3.1 do Capítulo 3 (Dimensões), que veio a deflagrar a matriz de contabilidade social da

Tabela 3.5, a sinalização que fizemos na Introdução sobre aderirmos à nova contabilidade social recebeu um testemunho eloquente. Com este modelo, que é – na verdade –, o fluxo do valor adicionado, fomos capazes de definir três organizações econômicas (produtores, fatores e instituições) e destacar suas interações por meio de três mercados (bens e serviços, serviços dos fatores e arranjos institucionais, inclusive os arranjos monetários). Por fim, com este aparato e com a matriz de contabilidade social dele derivada, demos destaque às transações de compras e vendas levadas a efeito entre as três organizações econômicas então definidas.

 

8. Indicadores Sociodemográficos

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8

Indicadores Sociodemográficos

Vladimir Lautert, Duilio de Avila Bêrni e Ademir Barbosa Koucher

8.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A contabilidade social busca avaliar o grau de eficiência com que os recursos produtivos da sociedade são utilizados em determinados períodos de tempo, preocupando-se em quantificar o esforço destinado à reprodução da vida material. Mensurando fenômenos nas áreas econômica, sociodemográfica e ambiental, ela avalia a atividade produtiva de um determinado país ou região. Ao medirmos e avaliarmos o desempenho econômico de um determinado país ou região também devemos considerar os impactos da atividade econômica tanto sobre o meio ambiente, objeto do Capítulo 9 (Ambiental), quanto sobre as condições de vida da população, tema do Capítulo 10 (Distribuição). Se essas dimensões dos fenômenos estudados pela contabilidade social têm um espaço especial de tratamento, fica por conta do presente capítulo estabelecer o vínculo entre as características da fração da população economicamente ativa que gerou o valor adicionado em determinado território e das demais camadas populacionais que também o absorvem1.

 

9. Contabilidade Social Ambiental

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9

Contabilidade Social Ambiental

Flavio Tosi Feijó, Vladimir Lautert e Duilio de Avila Bêrni

9.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Ao longo dos Capítulos 3 a 8, e de modo intermitente em boa parte dos demais, o foco de nossa atenção reside na definição e mensuração dos resultados da atividade econômica levada a efeito durante um período. Conseguimos avaliar o valor adicionado da sociedade usando o modelo completo do fluxo circular da renda e sua extensão, a matriz de contabilidade social. Com relação à matriz de insumo-produto dela emergente, partimos de variáveis pertinentes a toda a economia e chegamos simultaneamente aos conceitos de produto (receita menos compras de insumos) e despesa (receita menos vendas de insumos). Em ambos os casos, esta definição remete diretamente ao questionamento de quais itens devem ou não ser considerados como integrantes do valor da produção, e mesmo quais atividades devem ser consideradas como produtivas.

Neste sentido, passaremos a chamar de fronteira de produção o conjunto de todos os resultados possíveis das atividades consideradas produtivas. Nesta fronteira, incluímos todos os bens e serviços produzidos para atender à demanda emanada dos consumidores finais (as instituições famílias, governo, empresas nacionais investidoras e estrangeiras que compram as exportações nacionais), bem como à demanda que se originou dos agentes produtores. A partir desta constatação, ao centrarmos nosso interesse no lado da oferta total, notamos que o valor adicionado, ao ser mensurado pela ótica do produto, exibiu o mesmo conjunto de bens e serviços intermediários também associado à mensuração da ótica da despesa. Isto é, para o valor adicionado (produto ou despesa) que se quer calcular, para o agregado de todo o sistema1, sua obtenção resulta da subtração dos bens de consumo intermediário ao valor da produção. Com esta operação, queremos aquilatar o montante de recursos criados durante um determinado período a partir da utilização de recursos que existiam previamente ao início deste período de produção, nomeadamente, blocos de recursos hídricos, aéreos, minerais, vegetais ou animais. Em outras palavras, nos1

 

10. Distribuição da Renda Pessoal e Avaliação do Bem-Estar Social

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10

Distribuição da Renda Pessoal e

1

Avaliação do Bem-Estar Social

Vladimir Lautert e Duilio de Avila Bêrni

10.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS2

Em diversas instâncias dos capítulos anteriores, estudamos os processos de geração, apropriação e absorção do valor adicionado, mensurando-o por meio das óticas do produto, da renda e da despesa. Iniciamos destacando, na Tabela 3.5 do Capítulo

3 (Dimensões), a distribuição primária (funcional) emanando dos produtores e alcançando os locatários dos fatores de produção. Depois, examinamos a distribuição secundária, quando estes remetem seus rendimentos às instituições. Por fim, assinalamos que o círculo se fecha quando a renda circula das instituições aos produtores que lhes fornecem bens e serviços de consumo (privado ou do governo), investimento ou exportação. Este fluxo circular percorrido pela renda perpassa o núcleo conceitual de nosso livro, nomeadamente, a matriz de contabilidade social que vem sendo examinada em diferentes graus de detalhamento, como a da Tabela

 

11. Números Índices e as Comparações Intertemporais e Internacionais entre Agregados Econômicos

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11

Números Índices e as Comparações

Intertemporais e Internacionais

1 entre Agregados Econômicos

Vladimir Lautert, Duilio de Avila Bêrni, Henrique Morrone,

João Rogério Sanson, Daniela Magalhães Prates,

Gláucia Michel de Oliva e Riovaldo Mesquita

11.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS2

Em diversos contextos distribuídos pelos capítulos anteriores, fizemos comparações entre os valores de diferentes agregados econômicos pertinentes a dois ou mais momentos no tempo ou ainda a dois ou mais espaços geográficos. Neste capítulo, vamos centrar nosso foco em alguns fenômenos que podem ou obscurecer as comparações ou ajudar a colocar em destaque seu caráter ou suas componentes sistemáticas. No primeiro caso, sob o ponto de vista estritamente numérico, caso acreditemos, por exemplo, que o preço das canetas elevou-se em 10% em Pirapora, a relevância desta informação depende dos contornos qualitativos e quantitativos.

Por contraste, caso estejamos observando precisamente o mesmo tipo de caneta ofertada em Bom Jesus da Lapa e Pirapora, teremos razões para acreditar que esses

 

12. Contabilidade Social Regional

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12

Contabilidade Social Regional

Alexandre Alves Porsse e Fernando Salgueiro Perobelli

12.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Os analistas das questões econômicas regionais frequentemente se deparam com a carência de informações estatísticas no volume e na qualidade adequados. No tocante ao volume, há pesadas lacunas de material quantitativo necessário ao cálculo dos agregados econômicos. Um exemplo é a dificuldade na obtenção de estatísticas confiáveis sobre as transferências de recursos privados inter-regionais. Ainda assim, muitas vezes é possível estimar determinados montantes monetários que compõem o sistema de contabilidade social regional, notadamente a partir de fontes de dados administrativos fornecidos por órgãos governamentais regionais. No tocante à qualidade, porém, a ausência de um tratamento estatístico adequado na produção dessas informações pode conduzir à geração de viés nos valores estimados. Neste caso, citamos como exemplo o levantamento de dados sobre as transações comerciais inter-regionais de bens e serviços. Mesmo sendo passíveis de estimação por meio dos registros administrativos dos órgãos fazendários dos governos estaduais, os valores obtidos podem apresentar um viés de subcobertura provocado por problemas de sonegação ou fiscalização.

 

13. Matrizes Empresariais de Insumo-Produto e de Insumo-Processo

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Matrizes Empresariais de

Insumo-Produto e de

Insumo-Processo

13

Vladimir Lautert e Duilio de Avila Bêrni

13.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Até o capítulo precedente, a matriz de contabilidade social e a matriz de insumo-produto foram tratadas como instrumentos voltados à análise mesoeconômica, resultando da agregação das estatísticas obtidas na esfera dos estabelecimentos empresariais em que a atividade econômica é desenvolvida. Além disso, nossa matriz de insumo-produto estava localizada em um amplo espaço geográfico nacional, sendo que, apenas no capítulo anterior, passamos a enfocar subconjuntos deste espaço.

Neste capítulo1, vamos dedicar-nos ao estudo dos dados originais coletados nos estabelecimentos produtivos, associando a forma como os produtos intermediários ingressam nos processos de produção que os transformam em produtos finais2. Uma vez que também na empresa concebemos as atividades como resultantes da relação entre fontes de recursos e seus usos, podemos dar-lhes o formato de modelos de entrada e saída de produtos que obedecem ao mesmo princípio da matriz de insumo-produto estudada até agora.

 

14. Quid Mensurare Incipit...

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14

Quid Mensurare Incipit...

Duilio de Avila Bêrni e Vladimir Lautert

Se a Introdução deste livro começou falando na Grécia Clássica, uma vez que trilhamos, ao longo dos 14 capítulos impressos e 12 complementações no CD, um território mais extenso do que o Império Romano, então nada soará mais natural do que concluirmos com um epílogo intitulado em latim: quid mensurare incipit errare incipit. Da Grécia, vimos que o homem é a medida de todas as coisas. Baixinhos ou galalaus? Avaros ou pródigos? Felizmente, este tipo de dificuldade já foi contornado com o conceito de média, uma medida de tendência central voltada a resumir toda a distribuição dos valores de determinada variável: lobos, cordeiros, alfinetes e anjos. Ao mesmo tempo, tomar um avarento por um dadivoso, levando a avaliação a distanciar-se da média, nos lembra do latim: errare humanum est. Por isso, talvez, é que – sendo humanos – ao começarmos a medir, começaremos a errar.

Mas nem todas as nossas dificuldades resolvem-se simplesmente com o apelo ao conceito de média. Em muitos casos, nosso interesse reside precisamente no valor total da distribuição e não apenas de sua tendência central. Faláramos antes em número médio de ovelhas por cão ou por lobo, mas, naturalmente, o que mais interessa no processo de criação de ovinos é o total do rebanho. E nosso interesse na própria ovinocultura é mais centrado na deliberação com que nos dedicamos a produzir bens e serviços, a fim de atendermos a nossas próprias necessidades materiais e mesmo espirituais. Ainda assim, pensarmos em bem-estar espiritual leva-nos para fora do escopo da ciência econômica, mais voltada ao estudo das condições de geração, apropriação e absorção do valor adicionado que associamos à produção de bens e serviços que propiciam o bem-estar material. Deste modo, ao aprofundarmos a tentativa de mensurar o nível de bem-estar material alcançado por determinada comunidade, precisamos fazer a associação entre fins (usos) e meios (fontes), na busca de traços de racionalidade da ação humana voltada a produzir bens e serviços.

 

Leituras Recomendadas

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Leituras Recomendadas

ALBERTON, V.; BÊRNI, D. de A. A divisão setorial do trabalho e a produtividade do complexo metal-mecânico brasileiro. Revista de Economia Contemporânea, v. 13, p. 81-112, 2009.

ALLEN, R. G. D. Index numbers in theory and practice. London: Macmillan, 1975.

ARAÚJO, M. S. Matriz de fluxos de fundos: uma proposta de leitura dos fluxos financeiros. 1998. Tese

(Doutorado em Economia) – Instituto de Economia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de

Janeiro, 1998. No prelo.

ARMSTRONG, P.; GLYN, A.; HARRISON, J. In defense of value: a reply to Ian Steedman. Capital & Class, v.

2, n. 2, p. 1-31, 1978.

ATKINSON, A. B. On the measurement of economic inequality. Journal of Economic Theory, v. 2, n. 3, p.

244-263, 1970.

AUGUSZTINOVICS, M. Methods of international and intertemporal comparison of structure. In: CARTER,

A.; BRÓDY, A. (Ed.). Contributions to input-output analysis. Amsterdam: North Holland, 1970. p.

249-269.

BACHA, E. L. O rei da Belíndia: uma fábula para tecnocratas. In: BACHA, E. L. Os mitos de uma década.

 

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