TDAH ao Longo da Vida

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Este livro detalha, por meio de uma abordagem multidisciplinar, os diferentes aspectos do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e suas modificações ao longo da vida.
 

22 capítulos

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Capítulo 1. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: breve história do conceito

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1

Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade: breve história do conceito

Mario Rodrigues Louzã Neto

Introdução

Algumas descrições do TDAH antes do século XX

O TDAH no século XX

O conceito de TDAH no sistema americano de classificação diagnóstica

(DSM)

O TDAH na classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde (CID) da

Organização Mundial da Saúde

O TDAH no adulto

Estudos neurobiológicos

Perspectivas futuras

Introdução

Em pleno século XXI, não é raro encontrar na mídia, na literatura leiga e na internet comentários e opiniões sobre a inexistência do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). Muitas vezes se diz que o TDAH é uma “invenção da indústria farmacêutica para vender remédios” ou que o transtorno é uma forma de medicalização de comportamentos “culturalmente inaceitáveis”. Sem nenhuma evidência científica, tais afirmações são tomadas como verdades e atingem não só o público leigo como também profissionais que direta ou indiretamente lidam com possíveis pacientes. No Brasil, um levantamento recente mostrou que mais da metade de 2.117 pessoas entrevistadas (entre público leigo, educadores, psicólogos e médicos) tinham crenças sobre a doença sem qualquer respaldo científico (Gomes et al., 2007).

 

Capítulo 2. Epidemiologia e fatores de risco

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2

Epidemiologia e fatores de risco

Neander Abreu

Irismar Reis de Oliveira

Introdução

Epidemiologia do tdah

Epidemiologia na infância e adolescência

Epidemiologia na idade adulta

Fatores de risco

Persistência dos sintomas na adolescência

Persistência dos sintomas na idade adulta

Gênero e tdah na idade adulta

Fatores de risco maternos durante a gravidez

Tabaco

Álcool

Estresse psicológico

Outros fatores de risco ambientais

Considerações finais

Introdução

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é um comprometimento neurocomportamental caracterizado por desatenção e hiperatividade/impulsividade que, frequentemente, resulta em prejuízo funcional substancial (Visser; Lesesne, 2003). Estudos de acompanhamento clínico indicam que crianças com TDAH continuam a apresentar os sintomas na idade adulta (Weiss et al.,1985; Barkley et al., 2002). Há evidências de que portadores adultos, crianças e adolescentes respondem similarmente ao tratamento com estimulantes

 

Capítulo 3.1. Genética

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3

Etiopatogenia e fisiopatologia

3.1

Genética

Tatiana Roman

Verônica Contini

Claiton Henrique Dotto Bau

Introdução

Estudos genéticos moleculares

Estudos com genes candidatos no TDAH

Varreduras genômicas

Estudos moleculares em adultos

Farmacogenética/farmacogenômica

Perspectivas

Considerações finais

Introdução

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é uma patologia bastante heterogênea clinicamente. Etiologicamente, esse transtorno é considerado um fenótipo complexo e de herança multifatorial, na qual ocorre a participação tanto de genes como de agentes ambientais para a manifestação dos sintomas (Thapar et al.,

2007; Wallis; Russell; Muenke, 2008). Entre os fatores ambientais, agentes psicossociais que atuam no funcionamento adaptativo e na saúde emocional geral da criança, como desentendimentos familiares, presença de transtornos mentais nos pais e baixo nível socioeconômico, parecem ter participação importante no surgimento e na manutenção da doença, pelo menos em alguns casos. Complicações pré, peri e neonatais, tais como toxemia, eclâmpsia, baixo peso ao nascer e hipoxia, parecem ser mais prevalentes em pacientes com TDAH, podendo dessa forma contribuir para o aparecimento do transtorno, ainda que indiretamente (Banerjee; Middleton; Faraone, 2007). A exposição intrauterina à nicotina é um dos fatores ambientais mais consistentemente associados ao TDAH na literatura, com uma razão de chances combinada de 2,38. A influência direta do uso de álcool pela mãe durante a gravidez no aparecimento dos sintomas da doença também

 

Capítulo 3.2. Neuropsicologia

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3.2

Etiopatogenia e fisiopatologia

3

Neuropsicologia

Luciana de Carvalho Monteiro

Mariana Margonari Russo

Luciane Lorencetti Lunardi

Mario Rodrigues Louzã Neto

Introdução

Funções executivas

Funções executivas e TDAH

Modelo cognitivo

Modelo motivacional

Heterogeneidade neuropsicológica do

TDAH: a integração de caminhos múltiplos

Avaliação neuropsicológica

Achados neuropsicológicos em crianças e adolescentes com TDAH

Subtipos

Gênero

Comorbidades

História familiar

Limitações dos estudos

Achados neuropsicológicos em adultos

Subtipos

Subgrupos

Limitações dos estudos

Introdução

Crianças, adolescentes e adultos diagnosticados com o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) partilham características clínicas semelhantes e dificuldades na maioria dos setores da vida diária, como na escola e no trabalho. Além disso, estudos indicam que as mesmas alterações cerebrais são observadas ao longo do desenvolvimento, envolvendo principalmente o córtex pré-frontal

 

Capítulo 3.3. Neuroimagem

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3

Etiopatogenia e fisiopatologia

3.3

Neuroimagem

Maria Aparecida da Silva

Introdução

Estudos morfométricos do tdah

Desenvolvimento normal do cérebro

Volume cerebral total no TDAH

Córtex pré-frontal

Corpo caloso

Gânglios da base (estriado)

Cerebelo

Cíngulo anterior

Avaliação do gênero nas alterações estruturais cerebrais

Estudos de neuroimagem funcional

PET e SPECT

Outras técnicas investigativas da função cerebral

Ressonância magnética funcional

Significado clínico

Introdução

O estudo de alterações neurobiológicas do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) tem sido direcionado a três linhas de investigações: estudos neuropsicológicos, estudos farmacológicos­ e identificação de correlatos bioquímicos (Baumeister; Hawkins, 2001).

Embora ainda não haja um modelo patofisiológico definitivo para o TDAH, há muitas evidências demonstrando disfunção do lobo frontal. Os estudos de neuroimagem convergem para a hipótese do envolvimento frontal, tendo em vista que a neuroimagem vem mostrando que áreas específicas do cérebro de indivíduos com TDAH são menores do que em pessoas sadias, tais como o lobo pré-frontal (em particular, o córtex pré-frontal direito), os gânglios da base e o cerebelo, que são regiões relacionadas a processos complexos de funções executivas (Rubia et al., 1999; Yu-Feng et al., 2007).

 

Capítulo 3.4. Neuroquímica

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3

Etiopatogenia e fisiopatologia

3.4

Neuroquímica

Erasmo Barbante Casella

Introdução

Catecolaminas

Via noradrenérgica

Via dopaminérgica

Outros neurotransmissores

Catecolaminas e TDAH

Considerações finais

Introdução

O paciente com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) pode apresentar déficits em maior ou menor intensidade na capacidade atencional e no controle da sua motricidade e de seu pensamento. Além disso, sofre um prejuízo ainda maior no seu dia a dia, determinado por um controle menor de funções mais complexas, como a capacidade de planejamento, de modificação de estratégias e de memória operacional (habilidade de manter uma ideia na mente por um tempo curto, a qual deve ser analisada antes e durante a tomada de decisão), entre outras, classicamente denominadas funções executivas (FE).

A atenção, função cerebral fundamental para a integração mental, é considerada o mais importante pré-requisito para a manifestação do intelecto e da capacidade de reflexão. O controle atencional, da impulsividade e da atividade motora e/ou comportamental é uma função essencial no cotidiano das pessoas, principalmente se levarmos em conta o enorme número de estímulos presentes em todos os momentos e a intensa competitividade que aflora já mesmo nas crianças.

 

Capítulo 3.5. Personalidade

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3

Etiopatogenia e fisiopatologia

3.5

Personalidade

Luciana de Carvalho Monteiro

Mario Rodrigues Louzã Neto

Introdução

Modelos de traços da personalidade e TDAH

Temperamento e caráter segundo

Cloninger (ICT)

O modelo dos cinco fatores (NEO)

O modelo bidimensional de medo e raiva

Introdução

Os estudos focados nas características da personalidade de adolescentes e adultos com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) que levam em consideração os substratos neurobiológicos do transtorno são recentes.

A integração entre cognição e desenvolvimento emocional é de fundamental importância para o processamento adequado da informação e o direcionamento do comportamento. A emoção organiza o comportamento, regulando essencialmente o pensamento, o aprendizado e a ação. Nesse sentido, tanto a cognição quanto a emoção podem ser consideradas componentes inseparáveis do processo do desenvolvimento (Bell; Wolfe, 2004). Essa integração é compreendida dentro do contexto biológico do desenvolvimento, cuja melhor base são os traços de temperamento (Bell; Wolfe, 2007).

 

Capítulo 3.6. Psicodinâmica

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3

Etiopatogenia e fisiopatologia

3.6

Psicodinâmica

Vanessa de Almeida Silva

Introdução

Psicodinâmica

TDAH e narcisismo

Conceito de narcisismo

Psicodinâmica do narcisismo

Sobreposição entre a psicopatologia do TDAH e a psicopatologia do transtorno da personalidade narcisista

Considerações finais

Introdução

Os critérios diagnósticos do transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade (TDAH), segundo o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-R) e Classificação Internacional de Doenças (CID-10) baseiam-se primariamente em fenômenos comportamentais. Existe pouca referência sobre a experiência interna dessas pessoas, como enfatiza Marcelli (1998):

Nenhuma compreensão psicodinâmica é considerada, sendo a criança com TDAH vista como se não fosse um ser social, engajada em uma série de interações (família, escola) que podem assim desempenhar seu papel. As múltiplas especificidades da criança não apenas devido à sua maturação, à sua dependência ao meio, mas também seu psiquismo em via de estruturação parece ignorado, bem como toda abordagem psicodinâmica que dá um sentido a essas condutas, além de um simples “déficit”.

 

Capítulo 4.1. Criança e adolescente

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4

Quadro clínico e diagnóstico

4.1

Criança e adolescente

Fernando Ramos Asbahr

Carolina Zadrosny Gouvêa da Costa

Márcia Morikawa

Introdução

Quadro clínico

Critérios diagnósticos

Diferenças entre critérios para TDAH

(DSM-IV-TR) e TH (CID-10)

Superdiagnóstico e TDAH

Parâmetros de avaliação pela AACAP

Caso clínico

Introdução

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é caracterizado por uma tríade sintomatológica clássica: desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Nas funções psíquicas, a atenção engloba a vigilância e a tenacidade. O déficit de atenção é caracterizado por um aumento da vigilância e uma redução da tenacidade. Há uma sensibilidade excessiva a estímulos, levando à mudança do foco de atenção com muita facilidade. Assim, a capacidade de fixar a atenção em determinada tarefa está prejudicada. Esse prejuízo pode ser observado nas atividades escolares e da vida diária.

 

Capítulo 4.2. Adulto

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4.2

Quadro clínico e diagnóstico

4

Adulto

Paulo Mattos

Introdução

Quadro clínico

Desatenção, hiperatividade e impulsividade

Funções executivas

Idade de início dos sintomas

Comprometimento funcional

Autorrelato e instrumentos para sintomas de TDAH

Novos critérios

Introdução

Apesar de a forma adulta do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) ter sido objeto de polêmicas e controvérsias em um passado recente (McGough; Barkley, 2004; Mattos et al., 2006a;

Dias et al., 2007), esse diagnóstico é hoje amplamente reconhecido, apresentando uma prevalência de aproximadamente 4,4% (Kessler et al., 2006). A validade do TDAH nessa faixa etária é respaldada por estudos que demonstram um padrão de transmissão genética e alterações em exames neuropsicológicos e de neuroimagem com resultados semelhantes àqueles encontrados em estudos com crianças e adolescentes (Faraone et al., 2000).

Grande parte do conhecimento sobre TDAH acumulado nas últimas décadas foi construído a partir de resultados de estudos com populações infantis, e a possibilidade de sua extensão para adultos foi recentemente debatida em consenso envolvendo os principais pesquisadores de TDAH em nosso meio (Mattos et al., 2006a). A primeira

 

Capítulo 5.1. Criança e adolescente

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Comorbidades e diagnóstico diferencial

5.1

5

criança e adolescente

Lídia Nakamura

Leandro Thadeu Garcia Reveles

Ênio Roberto de Andrade

Introdução

Transtorno desafiador de oposição e transtorno da conduta

Transtornos de ansiedade

Transtornos do humor

Transtornos da aprendizagem

Transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas

Outras comorbidades

Diagnóstico diferencial

Introdução

Durante a década passada, estudos epidemiológicos documentaram altas taxas de comorbidades psiquiátricas e transtornos da aprendizagem em indivíduos com transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade (TDAH). As comorbidades mais comuns entre os jovens incluem o transtorno desafiador de oposição e os transtornos da conduta, de ansiedade (Spencer, 2006) e do humor (Biederman et al., 2008).

O TDAH é composto por duas dimensões de sintomas (hiperatividade/impulsividade e desatenção), que estão associadas a cursos diferentes da doença, comorbidades, prevalência entre os sexos e formas de prejuízo de funcionamento. Em uma análise multivariada que incluía o TDAH e os transtornos desafiador de oposição, depressivo, da conduta e de ansiedade, sintomas de hiperatividade/impulsividade foram fortemente relacionados à taxa de funcionamento global

 

Capítulo 5.2. Adulto

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5

Comorbidades e diagnóstico diferencial

5.2

adulto

Marcos Romano

Mario Rodrigues Louzã Neto

Introdução

Diagnóstico diferencial ou comorbidade?

Comorbidades em adultos

Prevalência

TDAH e Transtornos Relacionados ao Uso de Substâncias Psicoativas (TUSP)

Prevalência

Natureza da relação TDAH-TUSP

Diretrizes para avaliação e tratamento

Diagnóstico diferencial

Avaliação

Tratamento

Risco de abuso de metilfenidato

TDAH e ansiedade

TDAH e transtornos do humor

(transtorno distímico e depressivo maior)

TDAH e espectro bipolar

Depressão unipolar versus depressão bipolar

TDAH e transtorno da personalidade borderline

TDAH e transtorno da personalidade antissocial

Transtornos do sono

Mulheres e TDAH – flutuações hormonais e a influência do estrogênio

A entrevista psiquiátrica

O que tratar primeiro?

Considerações finais

Introdução

 

Capítulo 6. TDAH e transtornos do sono

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6

TDAH e transtornos do sono

Maria Aparecida da Silva

Introdução

Alterações comportamentais no sono mais encontradas no TDAH

Alterações na arquitetura do sono e TDAH

Diagnóstico diferencial entre TDAH e transtornos primários do sono

Síndrome das pernas inquietas

Transtorno do sono relacionado à respiração

Outros transtornos

Neurobiologia dos transtornos do sono no TDAH

Evolução dos transtornos do sono no

TDAH com a idade

Tratamento

Transtornos do sono no TDAH

Transtornos primários do sono associados ao TDAH

Introdução

Problemas no sono, particularmente em iniciá-lo e mantê-lo, são observados em até 56% das crianças e adolescentes com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), em comparação a 25% das crianças em geral (Ohayon et al., 2000; Gruber et al., 2007) e a cerca de 70 a 80% dos adultos com o transtorno (Oosterloo et al.,

2006; Kissling et al., 2008).

A elevada prevalência de dificuldades no sono nessa população suscitou dúvidas quanto à sua relação com o TDAH e deixou de ser considerada apenas uma consequência do tratamento com estimulantes, visto que os pacientes não medicados também apresentam queixas semelhantes.

 

Capítulo 7. TDAH e gênero

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7

TDAH e gênero

Maria Angela Gobbo

Mario Rodrigues Louzã Neto

Introdução

Prevalência

Apresentação clínica

Neurobiologia

Neuroimagem

Neurofisiologia

Neuropsicologia

Genética e bioquímica

Fatores ambientais

Comorbidades

Tratamento

Introdução

É comum que se considere o transtorno de déficit de atenção/ hiperatividade (TDAH) uma doença típica do sexo masculino. No entanto, diversos estudos têm procurado caracterizar melhor os aspectos do TDAH no sexo feminino e suas diferenças em relação ao sexo masculino. É importante ainda considerar que essas diferenças provavelmente se modificam com a idade, da infância à idade adulta.

O número de mulheres com TDAH no mundo é bastante significativo; o transtorno afeta milhões delas, causando muitos danos em diversos contextos de suas vidas, pois os indivíduos do sexo feminino apresentam riscos semelhantes aos do masculino em relação ao transtorno, seus prejuízos e suas comorbidades (Staller; Faraone, 2006).

 

Capítulo 8. Curso e prognóstico

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8

Curso e prognóstico

Beatriz Pires Martins Shayer

Paula Alves Braga Durán

Talita Villanova Figueiredo

Elaine Leme da Silva

Maria Conceição do Rosário

Introdução

O TDAH e a criança pré-escolar

O TDAH na idade escolar

Desatenção

Hiperatividade

Impulsividade

Desempenho escolar e TDAH

O TDAH na adolescência e na idade adulta

Os sintomas de TDAH na idade adulta

TDAH e funções executivas

Considerações finais

Introdução

O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), um dos transtornos psiquiátricos mais prevalentes na infância, é caracterizado por sintomas de desatenção e/ou hiperatividade/impulsividade (Barkley, 2008a; Miranda-Casas et al., 2003; Smidts; Oosterlaan,

2007). De acordo com o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), é possível distinguir três tipos de TDAH: o predominantemente desatento, o predominantemente hiperativo-impulsivo e o combinado.

 

Capítulo 9. Qualidade de vida

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9

Qualidade de vida

Mônica Gagliotti Fortunato Friaça

Introdução

Qualidade de vida

Funções executivas e a síndrome disexecutiva em adultos e crianças com TDAH e suas implicações para a qualidade de vida

Avaliação da qualidade de vida

QOL em adultos com TDAH

QOL em crianças com TDAH

Tratamento do TDAH e qualidade de vida

Caso clínico: criança com TDAH

Introdução

As pessoas com transtorno de déficit de atenção/hiperatividade

(TDAH) apresentam uma série de dificuldades que afetam a sua qualidade de vida. Mesmo com adultos auxiliando a administração de seu cotidiano, as crianças têm prejuízos acadêmicos significativos e dificuldade nos relacionamentos com os colegas e amigos. Nos adultos que administram suas próprias vidas, as queixas mais frequentes são relativas ao âmbito profissional, aos relacionamentos e às comorbidades que atrapalham seu desempenho como um todo. Decisões ligadas

à aceitação da doença e do seu tratamento podem causar impacto e modificar a qualidade de vida do paciente, de sua família e de seus pares (Rohde et al., 2003; Brown, 2007).

 

Capítulo 10.1. Criança e adolescente

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10.1

Tratamento farmacológico

10

Criança e adolescente

Ivete Gianfaldoni Gattás

Ana Paola Robatto Nunes

Aline Tavares Reis

Samantha Nunes Santos

Maria Conceição do Rosário

Introdução

O tratamento do TDAH

Tratamento psicoeducacional

Tratamento farmacológico

Medicações estimulantes

Medicações não estimulantes

Considerações finais

INTRODUÇÃO

O tratamento farmacológico de crianças e adolescentes é um campo relativamente novo, assim como a própria psiquiatria da infância e adolescência. Ensaios clínicos controlados com placebo ainda são escassos, e boa parte das informações sobre farmacocinética e farmacodinâmica das medicações é derivada de estudos com adultos.

Felizmente, o conhecimento sobre o uso de estimulantes é uma exceção a esse cenário.

São eles, os estimulantes, os medicamentos de primeira escolha para o tratamento do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). De acordo com o DSM-IV, o TDAH é caracterizado pela presença de seis ou mais sintomas de desatenção e/ou seis ou mais sintomas de hiperatividade/impulsividade. Para o diagnóstico, é necessário que os sintomas tenham estado presentes por um período mínimo de seis meses, em grau mal adaptativo e inconsistente com o nível de desenvolvimento, e que tenham começado antes dos 7 anos de idade (APA, 2004). Segundo o DSM-IV, o TDAH é dividido em três subtipos: predominantemente desatento, predominantemente hiperativo-impulsivo e combinado (APA, 2004).

 

Capítulo 10.2. Adulto

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Tratamento farmacológico

10.2

10

ADULTO

Mario Rodrigues Louzã Neto

Introdução

Psicoestimulantes

Metilfenidato

Antidepressivos

Tricíclicos

Bupropiona

Venlafaxina

Atomoxetina

Outros medicamentos

Abordagem farmacológica

Comorbidades

INTRODUÇÃO

O tratamento farmacológico do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) em adultos é feito principalmente com dois grupos de medicamentos: os psicoestimulantes e os antidepressivos (Tabela 10.2.1). Devido à característica crônica e persistente do

TDAH adulto, o tratamento farmacológico será necessariamente de longo prazo, possivelmente pela vida toda. É importante salientar que ele é apenas uma parte do tratamento do TDAH, devendo-se considerar, também, as abordagens psicológicas e psicossociais, conforme for indicado (Moss et al., 2007).

A abordagem farmacológica deve levar em consideração o TDAH propriamente dito e também as comorbidades, muito frequentes nesses pacientes.

 

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