Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais

Autor(es): Paulo Dalgalarrondo
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Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, livro-texto de referência na área, chega à 2a edição totalmente atualizado. Fonte introdutória de reflexão sobre a psicopatologia, auxilia o leitor no aprendizado do exame acurado do paciente, ajudando-o na identificação dos diversos transtornos psiquiátricos.

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1 - Introdução geral à semiologia psiquiátrica

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Introdução geral à semiologia psiquiátrica

Um dia escrevi que tudo é autobiografia, que a vida de cada um de nós a estamos contando em tudo quanto fazemos e dizemos, nos gestos, na maneira como nos sentamos, como andamos e olhamos, como viramos a cabeça ou apanhamos um objeto no chão. Queria eu dizer então que, vivendo rodeados de sinais, nós próprios somos um sistema de sinais.

José Saramago (Cadernos de Lanzarote, 1997)

O QUE É SEMIOLOGIA (EM GERAL,

MÉDICA E PSICOPATOLÓGICA)

A semiologia, tomada em um sentido geral, é a ciência dos signos, não se restringindo obviamente à medicina, à psiquiatria ou à psicologia. É campo de grande importância para o estudo da linguagem

(semiótica lingüística), da música (semiologia musical), das artes em geral e de todos os campos de conhecimento e de atividades humanas que incluam a interação e a comunicação entre dois interlocutores por meio de um sistema de signos.

Entende-se por semiologia médica o estudo dos sintomas e dos sinais das doenças, estudo este que permite ao profissional de saúde identificar alterações físicas e mentais, ordenar os fenômenos observaSemiologia psicopatológica é o estudos, formular diagdo dos sinais e sintonósticos e empreenmas dos transtornos der terapêuticas. Sementais. miologia psicopa-

 

2 - Definição de psicopatologia e ordenação dos seus fenômenos

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Definição de psicopatologia e ordenação dos seus fenômenos

Um fenômeno é sempre biológico em suas raízes e social em sua extensão final. Mas nós não nos devemos esquecer, também, de que, entre esses dois, ele é mental.

Jean Piaget

Campbell (1986) define a psicopatologia como o ramo da ciência que trata da natureza essencial da doença mental – suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas a ela e suas formas de manifestação. Entretanto, nem todo estudo psicopatológico segue a rigor os ditames de uma ciência sensu strictu. A psicopatologia, em acepção mais ampla, pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano. É um conhecimento que se esforça por ser sistemático, elucidativo e desmistificante. Como conhecimento que visa ser científico, não inclui critérios de valor, nem aceita dogmas ou verdades a priori.

O psicopatólogo não julga moralmente o seu objeto, busca apenas observar, identificar e compreender os diversos elementos

 

3 - O conceito de normalidade em psicopatologia

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O conceito de normalidade em psicopatologia

Que é loucura: ser cavaleiro andante ou segui-lo como escudeiro?

De nós dois, quem o louco verdadeiro?

O que, acordado, sonha doidamente?

O que, mesmo vendado, vê o real e segue o sonho de um doido pelas bruxas embruxado?

Carlos Drummond de Andrade

(Quixote e Sancho de Portinari, 1974)

O conceito de saúde e de normalidade em psicopatologia é questão de grande controvérsia (Almeida Filho, 2000).

Obviamente, quando se trata de casos extremos, cujas alterações comportamentais e mentais são de intensidade acentuada e de longa duração, o delineamento das fronteiras entre o normal e o patológico não é tão problemático. Entretanto, há muitos casos limítrofes, nos quais a delimitação entre comportamentos e formas de sentir normais e patológicas é bastante difícil.

Nessas situações, o conceito de normalidade em saúde mental ganha especial relevância. Aliás, o problema não é exclusivo da psicopatologia, mas de toda a medicina (Almeida Filho, 2001); tome-se como

 

4 - Os principais campos e tipos de psicopatologia

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Os principais campos e tipos de psicopatologia

Umas das principais características da psicopatologia, como campo de conhecimento, é a multiplicidade de abordagens e referenciais teóricos que tem incorporado nos últimos 200 anos. Tal multiplicidade é vista por alguns como “debilidade” científica, como prova de sua imaturidade. Os psicopatólogos são criticados por essa diversidade de “explicações” e teorias, por seu aspecto híbrido em termos epistemológicos.

Dizem alguns que, quando se conhece realmente algo, se tem apenas uma teoria que explica cabalmente os fatos; quando não se conhece a realidade que se estuda, são construídas centenas de teorias conflitantes. Discordo de tal visão; querer uma

única “explicação”, uma única concepção teórica, que resolva todos os problemas e dúvidas de uma área tão complexa e multifacetada como a psicopatologia é impor uma solução simplista e artificial, que deformaria o fenômeno psicopatológico. A psicopatologia é, por natureza e destino

 

5 - Princípios gerais do diagnóstico psicopatológico

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Princípios gerais do diagnóstico psicopatológico

Discute-se muito sobre o valor e os limites do diagnóstico psiquiátrico. Pode-se identificar, inclusive, duas posições extremas.

A primeira afirma que o diagnóstico em psiquiatria não tem valor algum, pois cada pessoa é uma realidade única e inclassificável. O diagnóstico psiquiátrico apenas serviria para rotular as pessoas diferentes, excêntricas, permitindo e legitimando o poder médico, o controle social sobre o indivíduo desadaptado ou questionador. Essa crítica é particularmente válida nos regimes políticos totalitários, quando se utilizou o diagnóstico psiquiátrico para punir e excluir pessoas dissidentes ou opositoras ao regime. A segunda, em defesa do diagnóstico psiquiátrico, sustenta que o valor e o lugar do diagnóstico em psiquiatria são absolutamente semelhantes ao valor e ao lugar do diagnóstico nas outras especialidades médicas. O diagnóstico, nessa visão,

é o elemento principal e mais importante da prática psiquiátrica.

 

6 - Contribuições de algumas áreas do conhecimento à psicopatologia

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Contribuições de algumas áreas do conhecimento à psicopatologia

CONTRIBUIÇÕES DAS

NEUROCIÊNCIAS À

PSICOPATOLOGIA

Upa! Cá estamos. Custou-te, não, leitor amigo? É para que não acredites nas pessoas que vão ao Corcovado, e dizem que ali a impressão da altura é tal, que o homem fica sendo cousa nenhuma. Opinião pânica e falsa, falsa como Judas e outros diamantes. Não creias tu nisso, leitor amado. Nem Corcovados, nem Himalaias valem muita cousa ao pé da tua cabeça, que os mede.

Machado de Assis (O cônego ou metafísica do estilo, em Várias histórias, 1896)

Visão geral dos sistemas neuronais

A riqueza do cérebro humano está basicamente relacionada à sua capacidade de receber, armazenar e elaborar informações, intimamente dependente das conexões neuronais via sinapses.

De fato, como afirma Machado de Assis, apesar da riqueza do universo, a cabeça que o estuda e o admira talvez seja uma das partes mais ricas desse universo.

A riqueza do cérebro humano está basicamente relacio-

 

7 - A avaliação do paciente

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A avaliação do paciente

Todos os homens, por natureza, desejam conhecer.

Aristóteles (348-322 a.C.)

AVALIAÇÃO PSICOPATOLÓGICA

A avaliação do paciente, em psicopatologia,

é feita principalmente por meio da entrevista. Aqui a entrevista não pode, de forma alguma, ser vista como algo banal, um simples perguntar ao paciente sobre alguns aspectos de sua vida. A entrevista, juntamente com a obserA entrevista, juntavação cuidadosa do mente com a obserpaciente, é, de fato, vação cuidadosa do o principal instrupaciente, é, de fato, mento de conhecio principal instrumento da psicopatomento de conhecilogia. Por meio de mento da psicopauma entrevista reatologia. lizada com arte e técnica, o profissional pode obter informações valiosas para o diagnóstico clínico, para o conhecimento da dinâmica afetiva do paciente e, o que pragmaticamente é mais importante, para a intervenção e o planejamento terapêuticos mais adequados.

Extrair um conhecimento relevante do encontro com o doente e, neste encontro, agir de forma útil e criativa, eis um dos eixos básicos da prática profissional em saúde mental. A entrevista psicopatológica

 

8 - A entrevista com o paciente

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A entrevista com o paciente

Não sei, não sei. Não devia de estar relembrando isto, contando assim o sombrio das coisas. Lenga-lenga! Não devia de. O senhor é de fora, meu amigo mas meu estranho. Mas, talvez por isto mesmo. Falar com o estranho assim, que bem ouve e logo longe se vai embora, é um segundo proveito: faz do jeito que eu falasse mais mesmo comigo.

João Guimarães Rosa (Grande sertão: veredas, 1956)

Harry Stack Sullivan (1983) afirmava que o domínio da técnica de realizar entrevistas é o que qualifica especificamente o profissional habilidoso. Nesse sentido, por exemplo, ele define o psiquiatra (poderia ser um psicólogo clínico ou enfermeiro em saúde mental) como “um perito do campo das relações interpessoais”, ou seja, um expert em realizar entrevistas que sejam realmente úteis, pelas informações que fornecem e pelos efeitos terapêuticos que exercem sobre os pacientes.

Assim, a técnica e a habilidade em realizar entrevistas são atributos fundamentais e insubstituíveis do profissional de saúde em geral e de saúde mental em particular. Tal habilidade é, em parte, aprendida e, em outra, intuitiva, patrimônio da personalidade do profissional, de sua sensibilidade nas relações pessoais. É a respeito dos aspectos passíveis de serem de-

 

9 - As funções psíquicas elementares e suas alterações

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As funções psíquicas elementares e suas alterações

ADVERTÊNCIA: LIMITAÇÕES

DE UMA PSICOPATOLOGIA

DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS

Apesar de ser absolutamente necessário o estudo analítico das funções psíquicas isoladas e de suas alterações, nunca é demais ressaltar que a separação da vida e da atividade mental em distintas áreas ou funções psíquicas é um procedimento essencialmente artificial. Trata-se apenas de uma estratégia de abordagem da vida mental que, por um lado, é bastante útil, mas, por outro, um tanto arriscada, pois pode suscitar enganos e simplificações inadequadas.

É útil porque permite o estudo mais detalhado e aprofundado de determinados fatos da vida psíquica normal e patológica; e arriscada, porque facilmente se passa a acreditar na autonomia desses fenômenos, como se fossem objetos naturais.

Com o passar do tempo, na prática clínica diária, passa-se inadvertidamente a crer que a memória, a sensopercepção, a consciência do Eu, a vontade, a afetividade, etc., são áreas autônomas e naturais, separadas umas das outras e com vida própria.

 

10 - A consciência e suas alterações

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A consciência e suas alterações

DEFINIÇÕES BÁSICAS

O termo consciência origina-se da junção de dois vocábulos latinos: cum (com) e scio

(conhecer), indicando o conhecimento compartilhado com outro e, por extensão, o conhecimento “compartilhado consigo mesmo”, apropriado pelo indivíduo (Zeman; Grayling; Cowey, 1997). Na língua portuguesa, a palavra consciência tem, pelo menos, três acepções diferentes:

1. A definição neuropsicológica emprega o termo consciência no sentido de estado vígil (vigilância), o que, de certa forma, iguala a consciência ao grau de clareza do sensório. Consciência aqui é fundamentalmente o estado de estar desperto, acordado, vígil, lúcido. Trata-se especificamente do nível de consciência.

2. A definição psicológica a conceitua como a soma total das experiências conscientes de um indivíduo em determinado momento. Nesse sentido, consciência é o que se designa campo da consciência. É a dimensão subjetiva da atividade psíquica do sujeito que

se volta para a realidade. Na relação do Eu com o meio ambiente, a consciência é a capacidade de o indivíduo entrar em contato com a realidade, perceber e conhecer os seus objetos.

 

11 - A atenção e suas alterações

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A atenção e suas alterações

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A atenção pode ser definida como a direção da consciência, o estado de concentração da atividade mental sobre determinado objeto (Cuvillier, 1937). A fim de explicitar o que os mecanismos de atenção representam para o funcionamento psíquico normal, William James (1952) dizia que:

Milhões de itens [...] que são apresentados aos meus sentidos nunca ingressam propriamente em minha experiência. Por quê? Porque esses itens não são de interesse para minha pessoa. Minha experiência é aquilo que eu consinto em captar... Todos sabem o que é a atenção. É o tomar posse pela mente, de modo claro e vívido, de um entre uma diversidade enorme de objetos ou correntes de pensamentos simultaneamente dados. Focalização, concentração da consciência são a sua esA atenção se refere sência. Ela implica abao conjunto de prodicar de algumas coicessos psicológicos sas para lidar eficazque torna o ser humente com outras. mano capaz de selecionar, filtrar e orgaA atenção se nizar as informações refere ao conjunto em unidades controde processos psicoláveis e significativas.

 

12 - A orientação e suas alterações

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A orientação e suas alterações

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente é elemento básico da atividade mental. A avaliação da orientação é um instrumento valioso para a verificação das perturbações do nível de consciência. Além disso, as alterações da orientação também podem ser decorrentes de déficits de memória (como nas demências) e de qualquer transtorno mental grave que desorganize o funcionamento mental global.

Muitas vezes, verifica-se que um paciente com nível de consciência que parece normal está, de fato, com a consciência ligeiramente turva e rebaixada. Assim, ao investigar a orientação desse indivíduo, é verificado que ele se acha desorientado quanto ao tempo e ao espaço.

A capacidade

A capacidade de de orientar-se reorientar-se requer, quer, de forma conde forma consistensistente, a integrate, a integração das

ção das capacidades capacidades de atende atenção, percepção, percepção e meção e memória. Almória. terações da atenção e retenção (memória imediata e recente) apenas um pouco mais intensas do que leves costumam resultar em alterações glo-

 

13 - As vivências do tempo e do espaço e suas alterações

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As vivências do tempo e do espaço e suas alterações

O segundo, não o tempo, é implacável.

Tolera-se o minuto. A hora suporta-se.

Admite-se o dia, o mês, o ano, a vida, a possível eternidade.

Mas o segundo é implacável.

Sempre vigiando e correndo e vigiando.

De mim não se condói, não pára, não perdoa.

Avisa talvez que a morte foi adiada ou apressada

Por quantos segundos?

Carlos Drummond de Andrade

DEFINIÇÕES BÁSICAS

As vivências do tempo e do espaço constituem-se como dimensões fundamentais de todas as experiências humanas. O ser, de modo geral, só é possível nas dimensões reais e objetivas do espaço e do tempo. Portanto, o tempo e o espaço são, ambos, condicionantes fundamentais do universo e estruturantes básicos da experiência humana.

Para o físico Newton (1643-1727) e o filósofo Leibniz (1646-1716), o espaço e o tempo produzem-se exclusivamente fora do homem e têm uma realidade objetiva plena. São realidades independentes do ser humano.

As vivências do tempo e do espaço constituem-se como dimensões fundamentais de todas as experiências humanas.

 

14 - A sensopercepção e suas alterações (incluindo a representação e a imaginação)

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A sensopercepção e suas alterações

(incluindo a representação e a imaginação)

DEFINIÇÕES BÁSICAS

Todas as informações do ambiente, necessárias à sobrevivência do indivíduo, chegam até o organismo por meio das sensações. Os diferentes estímulos físicos (luz, som, calor, pressão, etc.) ou químicos (substâncias com sabor ou odor, estímulos sobre as mucosas, a pele, etc.) agem sobre os órgãos dos sentidos, estimulando os diversos receptores e, assim, produzindo as sensações. O ambiente fornece constantemente informações sensoriais ao organismo que, por intermédio delas, se auto-regula e organiza suas ações voltadas à sobrevivência ou à interação social.

Define-se senDefine-se sensação sação como o fenôcomo o fenômeno meno elementar geelementar gerado rado por estímulos por estímulos físicos, físicos, químicos ou químicos ou biológicos variados, origibiológicos variados, nados fora ou dentro originados fora ou do organismo, que dentro do organisproduzem alterações mo, que produzem nos órgãos receptoalterações nos órres, estimulando-os. gãos receptores, es-

 

15 - A memória e suas alterações

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A memória e suas alterações

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A memória é a capacidade de registrar, manter e evocar as experiências e os fatos já ocorridos. A capacidade de memorizar relaciona-se intimamente com o nível de consciência, com a atenção e com o interesse afetivo. Tudo o que uma pessoa aprende em sua vida depende intimamente da capacidade de memorização.

Além disso, todos os processos relacionados com a memória são altamente contextualizados. De modo geral, recordamos e aprendemos elementos provenientes de experiências vivenciadas em bloco, nas quais diversas modalidades sensoriais interagem, em contexto emocional determinado e com significações pessoais e sociais específicas.

Alguns dos principais pesquisadores atuais em neurociências e comportamento atribuem papel central da memória na própria definição e na constituição do ser humano. Para Izquierdo (2002), “somos aquilo que recordamos (ou que, de um modo ou de outro, resolvemos esquecer)”. Perder a memória, segundo Squire e Kandel

 

16 - A afetividade e suas alterações

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A afetividade e suas alterações

Súbita, uma angústia...

Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!

Fernando Pessoa

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A vida afetiva é a dimensão psíquica que dá cor, brilho e calor a todas as vivências humanas.

Sem afetividade, a vida mental tornase vazia, sem sabor.

Afetividade é um termo genérico, que compreende várias modalidades de vivências afetivas, como o humor, as emoções e os sentimentos.

Segundo Mira y López (1974), quanto mais os estímulos e os fatos ambientais afetam o indivíduo (até a intimidade do ser), mais nele aumenta a alteração e diminui a objetividade. Quanto menor a distância (real ou virtual) entre quem percebe e o que é percebido, mais o objeto da percepção se confunde com quem o percebe. Assim, vai desaparecendo a possibilidade de configurar ou formar imagens delimitadas e uma nova modalidade de experiência íntima surge, experiência esta que afeta a totalidade individual e que, por isso

Afetividade é um termo genérico, que compreende várias modalidades de vivências afetivas, como o humor, as emoções e os sentimentos.

 

17 - A vontade, a psicomotricidade e suas alterações

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A vontade, a psicomotricidade e suas alterações

As borboletas

O pássaro engaiolado contempla: malícia em seus olhos!

Hai-kai de Issa (1763-1827)

DEFINIÇÕES BÁSICAS

A vontade é uma dimensão complexa da vida mental, relacionada intimamente com as esferas instintiva, afetiva e intelectiva (que envolve avaliar, julgar, analisar, decidir), bem como com o conjunto de valores, princípios, hábitos e normas socioculturais do indivíduo. Não é ponto pacífico se a vontade depende mais da esfera instintiva, de forças inconscientes, da esfera afetiva, de valores culturais ou de componentes intelectuais conscientes.

Alguns autores identificam a vontade ao desejo (consciente ou inconsciente).

A vontade é tema central de alguns filósofos, como Schopenhauer, Nietzsche e

Kant. Para Schopenhauer (1788-1860), a essência do mundo é a vontade cega e irracional; a “vontade para a vida” (Wille zum

A vontade é uma dimensão complexa da vida mental, relacionada intimamente com as esferas instintiva, afetiva e intelectiva.

 

18 - O pensamento e suas alterações

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O pensamento e suas alterações

Eu sou, eu existo; isso é certo; mas por quanto tempo? A saber, por todo o tempo em que eu penso; pois poderia ocorrer que, se eu deixasse de pensar, eu deixaria ao mesmo tempo de ser ou de existir. Agora eu nada admito que não seja necessariamente verdadeiro: portanto, eu não sou, precisamente falando, senão uma coisa que pensa [...]

Descartes (Segunda meditação, 1641)

DEFINIÇÕES BÁSICAS

CONCEITOS

Devem-se inicialmente distinguir os elementos constitutivos do pensamento, que, segundo a tradição aristotélica, são o conceito, o juízo e o raciocínio, das diferentes dimensões do processo de pensar, delimitadas como curso, forma e conteúdo do pensamento.

Sem entrar em questões filosóficas mais amplas, pode-se, didaticamente, afirmar que o pensamento se constitui a partir de elementos sensoriais, que, embora não sejam propriamente intelectivos, podem fornecer substrato para o processo do pensar: são as imagens perceptivas e as representações (presentes no Cap. 14).

 

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