Evolução do Cérebro

Autor(es): Paulo Dalgalarrondo
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Em Evolução do cérebro, o autor apresenta, em um texto acessível e de leitura agradável, uma descrição histórica da evolução do cérebro e do comportamento de diferentes espécies, desde invertebrados até a espécie humana.Sem similar em língua portuguesa, esta obra, alicerçada nas mais recentes descobertas da arqueologia, da biologia e da antropologia, lança hipóteses sobre como o nosso cérebro atingiu o nível de complexidade que o caracteriza, passando por sutis modificações desde o surgimento da vida na Terra.

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Capítulo 6 - Evolução filogenética de algumas estruturas do sistema nervoso

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6

EVOLUÇÃO FILOGENÉTICA

DE ALGUMAS ESTRUTURAS

DO SISTEMA NERVOSO

Neste capítulo, são abordadas algumas estruturas e sistemas presentes no cérebro dos animais vertebrados para mostrar como diferentes partes e subsistemas do sistema nervoso central se transformaram ao longo da evolução filogenética.

Serão apresentadas uma estrutura responsável pela postura, pelo equilíbrio e pelo movimento (cerebelo), outra responsável pela memória e pelo aprendizado

(hipocampo), outra pelo processamento complexo das informações (córtex cerebral) e ainda uma outra estrutura recente só presente nos mamíferos placentários, responsável pela integração de informações entre os hemisférios cerebrais

(corpo caloso). Por fim, expõem-se aspectos evolutivos de alguns importantes sistemas de transmissão da atividade neuronal dependentes de mecanismos químicos, os chamados neurotransmissores.

VOLUÇÃO DO CEREBELO

O cerebelo, ou “pequeno cérebro”, evoluiu primariamente para o controle da postura e do equilíbrio, além de ser importante no planejamento e na coordenação do movimento e na estabilização da visão.1,2 Trata-se de uma estrutura oval, relativamente pequena (bem menor do que o cérebro), que se aloja na fossa posterior do crânio, atrás da ponte e da medula. Além de menor do que o cérebro, ele é, em humanos, bem mais convoluto (com muitas fissuras, sulcos, lóbulos e folhas cerebelares) do que os hemisférios cerebrais (Figura 6.1).

 

Capítulo 7 - O cérebro e o comportamento dos primatas

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7

O CÉREBRO E O

COMPORTAMENTO

DOS PRIMATAS

ORDEM DOS PRIMATAS: ESSES ATENTOS,

ÁGEIS E FLEXÍVEIS HABITANTES DAS ÁRVORES!

Foi no final do período Cretáceo e início do Paleoceno, há um tempo estimado em 80 milhões de anos, que surgiu, no interior da classe Mammalia, uma ordem peculiar, caracterizada por uma considerável plasticidade funcional ou, dito de outra forma, ausência de especialização estrita; foi o advento dos primeiros primatas.1,2 A ordem dos primatas é consideravelmente variável, tanto no seu tamanho como em sua conformação anatômica e funcional.3 Há atualmente descritas 375 espécies de primatas (5% do total de mamíferos). Caracterizamse por quase todas viverem em florestas tropicais ou subtropicais, em árvores, do alto das copas às camadas baixas. A estrutura neuronal e musculoesquelética de quase todos os primatas os capacita ao movimento livre e flexível em um ambiente tridimensional. Devem, portanto, possuir boa visão de profundidade, um acurado senso de distância e agilidade e muita habilidade em agarrar ramos, troncos e cipós (suas unhas planas são outro recurso de preensão, pois ajudam a dar firmeza às polpas dos dedos). Por serem “generalistas”, têm mãos e pés com formato “não especializado”. Além disso, possuem clavícula que lhes ajuda a orientar o ombro para o lado do corpo e, dessa forma, amplia o alcance do membro superior.1

 

Capítulo 8 - A linhagem do homem: cérebro e comportamento dos hominíneos

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8

A LINHAGEM DO HOMEM:

CÉREBRO E COMPORTAMENTO

DOS HOMINÍNEOS

As the various mental faculties gradually developed themselves the brain would almost certainly become larger. No one, I presume, doubts that the large proportion which the size of man’s brain bears to his body, compared to the same proportion in the gorilla or orang, is closely connected with his higher mental powers.*

Charles Darwin, 1871

Neste capítulo, utilizam-se amplamente como referência os excelentes livros sobre evolução humana de Roger Lewin1 e de Yves Coppens e Pascal Picq,2 assim como o volume enciclopédico de Michael Ruse e Joseph Travis.3 Para situar o ser humano e sua evolução, deve-se, logo de início, localizar o homem no espectro geral das espécies animais, a título de orientar o leitor não especialista. No Quadro 8.1, vê-se como o homem se situa em relação a todos os outros animais que habitam ou habitaram o planeta.

* Conforme as diversas faculdades mentais foram gradualmente se desenvolvendo, o cérebro certamente foi se tornando maior. Ninguém, presumo, tem dúvida de que a grande proporção do cérebro do homem em razão de seu corpo, em comparação à mesma proporção no gorila ou no orangotango, está intimamente relacionada a seu maior poder mental.

 

Capítulo 9 - A pré-história e o início das produções culturais

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A PRÉ-HISTÓRIA E O INÍCIO

DAS PRODUÇÕES CULTURAIS

Para compreender a evolução dos hominíneos e do homem, além dos registros fósseis que nos permitem conhecer a estrutura anatômica dessas espécies, os registros de ferramentas, sobretudo os utensílios de pedra, que, por sua natureza, não são tão perecíveis como os de madeira e outros materiais orgânicos, fornecem pistas muito importantes. As ferramentas encontradas junto aos sítios onde se encontram os ossos fósseis informam sobre o estilo de vida, o comportamento e a relação com o meio ambiente e com a sobrevivência desses indivíduos e grupos sociais.

Do ponto de vista histórico, parece ter sido, na Antiguidade, o filósofo romano Lucrécio, defensor de uma filosofia ética rica e lida com proveito até a atualidade, o primeiro a propor que a técnica de produzir ferramentas teria se desenvolvido ao longo da existência primeva do ser humano na terra. Teria havido, segundo Lucrécio, um período de uso de instrumentos de pedra e madeira, um período de uso do ouro e da prata, substituído pelo uso do bronze, mais duro e mais adequado como instrumento de trabalho e de luta. Por fim, o ferro substituiu o bronze, por ser ainda mais duro. No Livro V, de sua obra Da Natureza, Lucrécio1 afirma:

 

Capítulo 10 - Cultura, linguagem e simbolização

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10

CULTURA, LINGUAGEM

E SIMBOLIZAÇÃO

OBRE CULTURA E EVOLUCIONISMO CULTURAL

No final do século XIX e início do XX, o modo de compreender as diferentes sociedades humanas, em particular em relação a suas culturas, incluindo aqui instituições formativas, distribuição da propriedade, costumes, relações de parentesco, religião, mitologia e pensamento, foi o do chamado “evolucionismo cultural”. Os autores principais dessa corrente, que, entre 1870 e 1910, tornou-se hegemônica na antropologia internacional, foram os ingleses Edward Burnett

Tylor (1832-1917), Herbert Spencer (1820-1903) e James George Frazer (18541941) e o norte-americano Lewis Henry Morgan (1818-1881).

Quais eram as teses principais desses primeiros antropólogos? Eles acreditavam, como afirmava Morgan, que “a história da raça humana é uma só – na fonte, na experiência, no progresso”.1 Assim, para Morgan, os estágios de desenvolvimento social, econômico e cultural de toda sociedade (grifando-se aqui

 

Capítulo 11 - Lateralização dos hemisférios, gênero do cérebro e plasticidade neuronal

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11

LATERALIZAÇÃO DOS

HEMISFÉRIOS, GÊNERO DO

CÉREBRO E PLASTICIDADE

NEURONAL

A humanidade é globalmente dividida em destros (± 90%) e canhotos (± 10%), mas há certa variabilidade regional e cultural para tais taxas.1 Desde o clássico estudo do antropólogo Robert Hertz (1881-1915),2 que, de modo brilhante, mostrou as relações entre mão direita e hierarquia simbólica em distintas culturas, cientistas sociais, psicólogos e neurocientistas têm debatido o quanto da lateralidade dos povos é resultado de normas sociais ou de bases neurobiológicas.1,3 Aceita-se atualmente que a lateralização tenha uma considerável base genética e neurobiológica, mas o ambiente e a experiência modulam tal base.4 Há pesquisas sobre o grau de lateralização em homens pré-históricos, em estudos feitos a partir de suas pinturas e ferramentas de pedra.* No

Antigo Egito, a partir das produções artísticas que restaram, especula-se que 5 a 8% dos artistas eram canhotos.6 Em culturas mais tradicionais, como China e

 

Capítulo 12 - Biologias e psicologias do comportamento evolutivo

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12

BIOLOGIAS E PSICOLOGIAS

DO COMPORTAMENTO

EVOLUTIVO

TOLOGIA

A partir dos anos 1940, alguns biólogos europeus, entre eles Konrad Lorenz

(1903-1989) e Nikolaas (Niko) Tinbergen (1907-1988), desenvolveram no âmbito da zoologia uma nova disciplina científica denominada etologia (herdeira, de fato, de empreendimentos como a Tierpsychologie ou psicologia animal, psicologia comparada ou zoológica e dos “estudos da vida social dos animais”, do final do século XIX e da primeira metade do XX). Em 1973, Lorenz, Tinbergen e o estudioso das danças das abelhas, Karl Von Frisch (1886-1982) receberam o prêmio Nobel de fisiologia e medicina. A etologia pode ser definida como o estudo do comportamento de espécies animais por meio de observação detalhada, sobretudo do animal em seu ambiente natural, em seu nicho ecológico. Ela compreende, enfim, o estudo de padrões globais de comportamento dos animais, em condições naturais.

Para os etólogos, o comportamento tem, de modo geral, um componente inato, instintivo, e um componente aprendido. Entretanto, aprendizagem e instinto não estão em contradição. O aprendizado ocorre sobre um padrão instintivo que é herdado. Um exemplo clássico na obra de Lorenz refere-se ao que ele denominou estampagem (imprinting, em inglês ou Prägung em alemão).

 

Capítulo 13 - Medicina evolucionista e comportamentos básicos de sobrevivência

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MEDICINA EVOLUCIONISTA

E COMPORTAMENTOS BÁSICOS

DE SOBREVIVÊNCIA

DOENÇA SOB A PERSPECTIVA EVOLUCIONISTA

A maioria das doenças que acometem o ser humano tem caráter multifatorial, isto é, são causadas, desencadeadas ou influenciadas por fatores de distintas naturezas: fatores genéticos, do desenvolvimento inicial (embrionário) ou posterior (infância e adolescência), do ambiente físico (fatores traumáticos, irradiações), químico (substâncias tóxicas ou venenos, nutrientes, poluentes) ou biológico (agentes infectocontagiosos, fenômenos autoimunes, inflamatórios), fatores psíquicos ou sociais, ou seja, fatores emocionais subjetivos e interpessoais, assim como fatores socioeconômicos, políticos, culturais e simbólicos. De modo geral, tais fatores não agem de modo isolado para a produção da doença, mas interagem de forma intensa e contínua entre si (p. ex., fatores genéticos interagindo com fatores biológicos externos, familiares, emocionais, assim como com fatores socioculturais simbólicos).

 

Capítulo 14 - Transtornos mentais segundo a perspectiva evolucionista

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14

TRANSTORNOS MENTAIS

SEGUNDO A PERSPECTIVA

EVOLUCIONISTA

RANSTORNOS PSICÓTICOS: ESQUIZOFRENIA

A esquizofrenia é a principal forma de transtorno psicótico. As psicoses caracterizam-se por sintomas como alucinações (“ouvir vozes”, “ver vultos”) e delírios

(ideias e juízos morbidamente falsos), pensamentos e comportamentos desorganizados e/ou claramente bizarros.1 Os sintomas relacionados à sensação intensa de ser perseguido (ditos “sintomas paranoides”), e o ouvir vozes acusatórias ou depreciativas são, possivelmente, os sintomas mais frequentes nas psicoses.2

Em parte dos casos observa-se, também, uma desorganização mais ou menos profunda da vida mental e do comportamento.3 Alguns autores dão ênfase à perda de contato com a realidade como dimensão central das psicoses. Nessa perspectiva, o sujeito com uma psicose passaria a viver fora da realidade, sem ser regido pelo princípio de realidade. Indivíduos psicóticos tipicamente têm insight (consciência da doença) prejudicado em relação aos seus sintomas e condição clínica geral.4

 

Conclusão

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CONCLUSÃO:

DILEMAS E PERSPECTIVAS NA

EVOLUÇÃO DO CÉREBRO HUMANO

O cérebro humano é o resultado de mais de 3 bilhões de anos de evolução orgânica. Sugere-se, aqui, pensar em sete episódios de grandes novidades evolutivas, a partir das quais, não uma linha, mas determinadas plataformas evolutivas fundamentais em termos de organização do sistema nervoso e do cérebro puderam surgir e permitir o desenvolvimento de estruturas neuronais e comportamentais:

1. O primeiro episódio foi o surgimento da multicelularidade, há cerca de 1,5 a 2,0 bilhões de anos. Com o surgimento de organismos multicelulares, grupos de células se diferenciaram, alguns deles se especializaram na percepção de estímulos e outros em respostas comportamentais. Passam a existir o tecido e o sistema nervoso, que, de forma gradativa, se organizam segundo os princípios de centralização, cefalização, simetria e regionalização.

2. O segundo foi o surgimento do encéfalo vertebrado a partir do sistema nervoso dos invertebrados, produzindo um bauplan novo, enriquecendo muito a estrutura do sistema nervoso com suas três estruturas e cinco subestruturas, aumentando as possibilidades sensoriais, motoras e comportamentais, principalmente relacionadas à obtenção ativa de alimentos.

 

Livros, revistas científicas e sites recomendados

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EVOLUÇÃO DO CÉREBRO

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LIVROS, REVISTAS CIENTÍFICAS

E SITES RECOMENDADOS

A seguir, são listados revistas científicas, livros e sites especialmente recomendados para oferecer aos leitores aprofundamento e atualização constante nos temas tratados neste livro. Os periódicos e sites podem ser encontrados na

Internet (pelo menos os resumos) ou nas bibliotecas das principais universidades brasileiras.

Annual Review of Anthropology: excelente coletânea de artigos de revisão e atualização nas principais áreas da antropologia, incluindo, além da antropologia social e cultural, artigos em paleoantropologia, arqueologia, antropologia linguística e antropologia evolucionista e, eventualmente, traz também artigos de psicologia evolucionista e evolução do cérebro. As publicações da série Annual

Review são, de modo geral, sempre de ótima qualidade.

Annual Review of Neuroscience: em linhas gerais, mas sobre neurociências, o mesmo que se disse sobre a Annual Review of Anthropology.

 

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