Ciencias Do Movimento Humano

Autor(es): Adroaldo Gaya
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1. Sobre o conhecimento

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Sobre o conhecimento

Adroaldo Gaya

O QUE É CONHECIMENTO?

Nosso trajeto nesta viagem pelo mundo da iniciação científica tem início em uma breve reflexão sobre o que é conhecimento.

Conhecimento em sentido lato. Conhecimento como saber genérico.

Perceber o significado do conhecimento em geral, de suas formas e sentidos

é condição necessária para que se possa delimitar o conhecimento científico como uma forma específica do conhecimento.

Um conhecimento strictu. Um conhecimento restrito.

O que é o conhecimento? Qual a sua origem? Estas são questões relevantes. No entanto, caros leitores, apesar da relevância dessas questões, quem de vocês alguma vez brecou o ritmo acelerado de suas vidas para se perguntar: O que é conhecer? Como é possível o conhecimento? Estamos em busca do quê, quando estudamos? E quando vamos à escola ou lemos um bom livro? Ou quando navegamos na Internet? O que buscamos ao ingressarmos no mundo do conhecimento científico? O que pretendemos ao prepararmos um artigo, uma monografia, uma dissertação ou uma tese?

 

2. O conhecimento científico e outras formas de conhecimento

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O conhecimento científico e outras formas de conhecimento

Adroaldo Gaya

O CONHECIMENTO CIENTÍFICO E

O CONHECIMENTO DO SENSO COMUM

Diariamente nos preocupamos com as condições do tempo. Vai chover? Fará frio?

Teremos neve? O verão vai ser chuvoso?

Jornais, emissoras de rádio e televisão nos informam repetidamente a temperatura, a velocidade dos ventos, a altura das ondas do mar. Agricultores, pescadores, pecuaristas e esportistas, por exemplo, necessitam dessas informações para plantar sua cultura, sair para o alto-mar, recolher seu rebanho, tomar decisões sobre se vão ou não escalar a montanha, descer o rio, surfar, nadar ou jogar uma partida de futebol.

No Brasil, muitos nordestinos sofrem com o rigor das secas e necessitam de previsões de tempo fidedignas para plantar a cultura que garante a subsistência familiar.

No sul do país, por outro lado, as cheias, o granizo e os ventos requerem dos agricultores e pecuaristas cuidados especiais, que dependem da previsão do tempo.

Por muitos motivos, a previsão do tempo é uma prática histórica da humanidade, sendo diversas as formas de realizála. A meteorologia por análise de imagens enviadas por satélites permite compor um conjunto de informações que indica, por exemplo, a probabilidade de chuvas. Sabe-

 

3. As ciências do movimento humano

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As ciências do movimento humano

Adroaldo Gaya

Ninguém sabe qual é o poder do corpo nem o que é possível deduzir apenas da consideração da sua natureza. Nem o corpo pode determinar o espírito a pensar, nem o espírito pode determinar o corpo em movimento, em repouso ou nalgum outro estado que seja. (Espinosa, 1973, p. 185)

Um dos paradoxos do conhecimento respeita, com efeito, o conhecimento do corpo pelo corpo. Não conhecemos as coisas senão pelo corpo, mas não sabemos como nosso corpo conhece nem quem conhece através do nosso corpo.

(Atlan, 2000, p. 93)

DA CULTURA CORPORAL

DO MOVIMENTO HUMANO ÀS

CIÊNCIAS DO MOVIMENTO HUMANO

Os discursos sobre os corpos que se exercitam são muitos. Em nossa sociedade, as interpretações sobre as representações dos corpos constituem objeto relevante de investigação nas diversas formas de expressão do conhecimento. Do senso comum

à filosofia, passando pelo olhar científico, religioso, artístico e político, “o corpo atravessa os discursos e metamorfoseia-se, mas não se dissolve” (Silva, 1999, p. 22).

 

4. Principais concepções metodológicas da investigação científica aplicadas às ciências do movimento humano

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Principais concepções metodológicas da investigação científica aplicadas

às ciências do movimento humano

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Todas as disciplinas científicas se caracterizam pela adoção de métodos de investigação que lhe são mais ou menos peculiares. Nas ciências do movimento humano, considerando sua perspectiva predominantemente multidisciplinar, tais métodos podem assumir diferentes conotações ou modelos, dependendo da área de especialização a que estão mais próximos. Estudos sobre a fisiologia, a biomecânica do esporte, certamente adotam concepções metodológicas diferentes em relação aos estudos de antropologia e sociologia do esporte. Todavia, estando as ciências do movimento humano historicamente ligadas, em sua origem, às ciências biológicas, durante muito tempo se concebeu que os métodos desta área fossem capazes de possibilitar a emergência da totalidade dos conhecimentos inerentas às práticas da cultura corporal: os esportes, as danças, os jogos, as ginásticas, as terapias corporais, etc.

 

5. Procedimentos gerais da investigação científica

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Procedimentos gerais da investigação científica

Escolha do tema, especificação dos objetivos, formulação do problema, construção das hipóteses e definição das variáveis

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Os principais aspectos referentes às condições da construção do conhecimento científico que decidem o status de uma disciplina acadêmica consideram a necessidade do desenvolvimento de métodos de investigação específicos. Obviamente não se pode conceber que, ao tratar de uma área científica em construção, como as ciências do movimento humano, se tenha a pretensão de delimitar alternativas metodológicas originais plenamente desvinculadas daquelas desenvolvidas pelas disciplinas científicas já tradicionalmente constituídas.

No estágio inicial em que nos encontramos, o desenvolvimento científico ocorrerá naturalmente com métodos provenientes das disciplinas de origem ou disciplinas-mães (biologia, psicologia, antropologia, sociologia, história, etc.) (Gaya,

1994), configurando-se as ciências do movimento humano muito mais como uma

 

6. O Universo empírico: sujeitos da pesquisa, universo, população e amostra

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O universo empírico: sujeitos da pesquisa, universo, população e amostra

Adroaldo Gaya

Nas ciências do movimento humano, descrevemos, interpretamos, comparamos, associamos fenômenos biológicos, culturais e sociológicos diversos. São fenômenos que se manifestam no esporte, na dança, nos jogos, enfim, nas diversas expressões da corporalidade. São os corpos em movimento na amplitude de sua complexidade que tratamos de investigar.

São homens e mulheres que, na expressão plena de seus corpos em movimento, se constituem nos sujeitos reais de nossas pesquisas.

Os sujeitos da pesquisa representam o universo empírico de nossas investigações em ciências do movimento humano e, neste capítulo, vamos tratá-los a partir de duas perspectivas:

1. a das pesquisas ideográficas ou qualitativas, sob a denominação de sujeitos de pesquisa;

2. a das pesquisas nomotéticas ou quantitativas, sob a denominação de população e amostra.

OS SUJEITOS DA PESQUISA

Nas pesquisas ideográficas ou qualitativas, normalmente não há preocupações com a generalização dos resultados para além dos sujeitos investigados. Como referem Víctora, Knauth e Hassen (2000, p. 50),

 

7. Desenhos metodológicos (I) Etnografia, estudo de caso(s) e pesquisa-ação

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Desenhos metodológicos I

Etnografia, estudo de caso(s) e pesquisa-ação

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Neste e nos seguintes capítulos, vamos nos dedicar a discorrer sobre os principais desenhos metodológicos para a pesquisa em ciências do movimento humano.

Trataremos inicialmente, neste capítulo, das principais abordagens relacionadas aos modelos de pesquisa predominantemente qualitativos: a etnografia, o estudo de caso e a pesquisa-ação. Posteriormente, no Capítulo 8, trataremos das pesquisas do tipo experimental e, no Capítulo 9, das pesquisas do tipo ex post facto.

ETNOGRAFIA

O interesse dos antropólogos em registrar os hábitos de vida e a cultura dos povos submetidos à colonização européia no final do século XIX e no início do século

XX deu origem à moderna etnografia. Antropólogos, principalmente ingleses, preocupados com a influência dos colonizadores europeus sobre as culturas locais, deslocavam-se para essas longínquas regiões e realizavam observação com a intenção de descrever e preservar a memória cultural desses povos.

 

8. Desenhos metodológicos (II). Métodos de procedimentos nomotéticos e controle experimental

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Desenhos metodológicos II

Métodos de procedimento predominantemente nomotéticos

Controle experimental

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As abordagens metodológicas predominantemente quantitativas ou nomotéticas assumem, nas ciências do movimento humano, um papel relevante e indispensável. Os estudos que tratam as relações entre variáveis, sejam correlações, comparações, descrições ou predições, evidentemente atingem seu maior grau de controle e cientificidade ao tratarem seus dados a partir de técnicas estatísticas adequadas. Aspectos tão importantes, como a possibilidade de generalização de resultados de um pequeno grupo para populações maiores e o fato de podermos garantir índices sobre a probabilidade dos erros de medida, afirmam a relevância dessa metodologia na produção do conhecimento científico em nossa área de investigação.

Neste e nos próximos capítulos, vamos discorrer sobre os mais importantes aspectos da abordagem nomotética. Vamos iniciar com uma introdução genérica, identificando e classificando as técnicas em grupos conforme suas características principais e, posteriormente, vamos nos dedicar a analisar mais profundamente cada uma das técnicas mais freqüentes nas ciências do movimento humano.

 

9. Desenhos metodológicos (III) Métodos de procedimento: delineamentos experimentais de grupos

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Desenhos metodológicos III

Métodos de procedimento: delineamentos experimentais de grupos

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O método de procedimento experimental pode assumir diversos delineamentos. Da mesma forma, como referem Arnal,

Rincón e Latorre (1991), são diversos os modelos e os critérios de classificá-lo: técnicas de controle, número de grupos, validade interna ou externa e número de variáveis. Além disso, devemos considerar que a adoção de um ou outro critério gera taxionomias distintas, todas elas com sua lógica interna consistente.

Não obstante, sem desconsiderar a relevância de qualquer dessas taxionomias, vamos utilizar, neste guia introdutório, a seguinte classificação:

ponentes de uma população possam estar representados na amostra. Além disso, quando adotamos dois ou mais grupos em uma investigação experimental, é necessário que cada sujeito da amostra selecionada tenha, da mesma forma, igual probabilidade de ser designado para um ou outro grupo.

Por outro lado, no âmbito dos delineamentos de grupos aleatórios, conforme o número de níveis que assume a variável independente, podemos adotar delineamentos bivalentes, multivalentes e fatoriais.

 

10. Desenhos Metodológicos (IV) Métodos de procedimento: delineamentos semi e quase-experimentais de grupo

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Desenhos metodológicos IV

Métodos de procedimento: delineamentos semi-experimentais e quase-experimentais de grupos

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Muitas situações no âmbito da pesquisa científica em relação à cultura do movimento humano não permitem que se possa exercer com rigor todo o controle exigido pelos métodos experimentais. Em situação de ensino, treino ou de competição, quando se observam ou se medem determinadas variáveis, outras tantas intervenientes não podem ser devidamente controladas, por exemplo, reações ao comportamento dos expectadores, mudanças climáticas bruscas, expectativas em relação

à possibilidade de vitória são passíveis de intervir no desempenho tanto positiva como negativamente. Nesses estudos de campo realizados em situação natural, é praticamente impossível cumprir exigências, como seleção aleatória dos sujeitos, composição aleatória dos grupos, controle da situação ambiental, etc., que são requisitos do modelo experimental. Não obstante, tais óbices não devem impedir que realizemos estudos científicos que certamente poderão colaborar em grande escala para o quadro teórico das ciências do movimento

 

11. Desenhos Metodológicos (V) Delineamentos ex post facto

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Desenhos metodológicos V

Delineamentos do tipo ex post facto

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Os delineamentos do tipo ex post facto, em uma primeira aproximação, se caracterizam por tratarem de situações que já vêm dadas aos pesquisadores. Em outras palavras, os pesquisadores, por meio de fatos já ocorridos, sugerem relações entre variáveis.

Por exemplo: ao investigarmos as relações entre o uso de bebidas alcoólicas e acidentes viários, uma possibilidade seria a de consultarmos os prontuários policiais sobre acidentes nas estradas, registrarmos as ocorrências da variável “presença de álcool” ou “nível de alcoolemia” e procedermos às análises estatísticas adequadas para testar nossa hipótese. Se detectarmos níveis significativos de associação entre acidentes viários e ingestão de bebidas alcoólicas, por conseqüência lógica, poderemos sugerir a hipótese de que há maior probabilidade de acidentes nas estradas quando os sujeitos consumiram bebidas alcoólicas.

Exemplo semelhante é quando se afirma que fumar causa câncer. Tal conclusão é proveniente do fato de que há maior ocorrência de câncer em fumantes do que em não-fumantes, o que é sugerido, evidentemente, após os fatos terem ocorrido.

 

12. A preparação de um artigo científico. As fases da redação

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A preparação de um artigo científico: as fases da redação

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A elaboração de um artigo originado de um trabalho de investigação científica requer uma série de informações que forneça ao leitor todas as condições de que necessita para um adequado julgamento crítico da investigação. O artigo deve ser apresentado de tal forma que, inclusive, permita a replicação do estudo por outro pesquisador.

No caso de estudos empíricos, como os que foram enfatizados ao longo deste livro, as normas de redação costumam ser uniformes, o que, de certa forma, facilita sobremaneira o processo de elaboração do artigo científico. Como afirma Pinto (1990, p. 157),

Há um conjunto de normas gerais estabelecido para a redação de um estudo de caráter científico, que é seguido pelos investigadores e que tem por objetivo melhorar a compreensão dos estudos publicados. A adoção de tais normas é, aliás, uma condição importante para que um estudo venha a ser publicado pelas principais revistas científicas internacionais.

 

13. Estatística aplicada às ciências do movimento humano: utilização dos softwares SPSS e Microsoft Excel

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Estatística aplicada às ciências do movimento humano: utilização dos softwares SPSS e Microsoft Excel

Daniel Carlos Garlipp

Rodrigo Batista Moreira

Adroaldo Gaya

Tendo em vista a importância da estatística nos diversos campos de atuação dos profissionais ligados às ciências do movimento humano e a áreas correlatas, este capítulo apresenta subsídios básicos para a aplicação, a análise e a interpretação de dados quantitativos. Essa importância se deve ao fato de que a estatística deve ser utilizada ou está presente em grande parte das monografias, dos artigos científicos, das dissertações de mestrado e das teses de doutorado.

Este capítulo abrange os principais tópicos da estatística, além de sua aplicação prática por meio do programa estatístico SPSS e da planilha eletrônica Excel.

Serão contempladas desde a construção de um banco de dados até a realização de análises paramétricas e não-paramétricas.

Procurou-se evitar a demonstração extensa de cálculos, optando por utilizar uma visão prática dos principais conceitos

 

14. Estatística – Principais testes não-paramétricos (distribuição livre) e tópicos avançados

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Estatística

Principais testes não-paramétricos

(distribuição livre). Tópicos avançados

Marcelo Faria Silva

Adroaldo Gaya

Todo fenômeno merece ser investigado. Essa afirmação sugere que se deve interpretar a expressão “fenômeno” como um despertar de enigmas e que todo pesquisador é o responsável por decifrá-lo.

É bem verdade que observamos retratos da forma em que os fenômenos são interpretados. Atualmente, vemos cientistas que dominam determinadas técnicas, a partir das quais decifram seus enigmas com grande competência. Determinados ramos da comunidade científica, por exemplo, estabelecem critérios para aceitar artigos para a publicação em periódicos. Muitas vezes são normas que reduzem as expressões do saber à exigência de determinado olhar limitado a determinado método (p. ex., só são aceitos trabalhos predominantemente quantitativos). Essa exigência pode ser considerada válida em certos campos da atividade científica. Porém, o que deve ficar claro é que, em nosso entender, tais procedimentos não podem ser vistos como a única forma de estabelecermos as regras da compreensão de fenômenos complexos. Assim, como foi referido anterior-

 

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