Avaliacao Neuropsicologica 1Ed. *

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1 Neuropsicometria: Modelo Clássico e Análise de Rasch

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1

NEUROPSICOMETRIA

MODELO CLÁSSICO

E ANÁLISE DE RASCH

Gustavo Gauer

Cristiano Mauro Assis Gomes

Vitor Geraldi Haase

N

este capítulo abordam-se aspectos da psicometria relevantes à avaliação neuropsicológica. Para tanto, apresentam-se conceitos fundamentais de validade e fidedignidade na psicometria clássica e suas implicações na avaliação neuropsicológica. A seguir, são discutidos métodos baseados na análise de Rasch.

VALIDADE E

FIDEDIGNIDADE EM

PSICOMETRIA E

NEUROPSICOLOGIA

Psicometria pode ser definida como o campo de estudo das características de instrumentos ou testes que visam à mensuração de variáveis psicológicas.

Os objetivos da psicometria clássica in-

cluem historicamente a avaliação de desempenho e aptidão em domínios adaptativos mais ou menos específicos

(escola, trabalho, guerra), a identificação de diferenças individuais e a exploração teórica de fatores explicativos para características humanas como inteligência ou personalidade (Pasquali, 1998). Dentre os testes psicológicos, destacam-se clássicos da avaliação da inteligência e da personalidade. O teste de inteligência de

 

2 Neuropsicometria: Modelos Nomotético e Idiográfico

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2

NEUROPSICOMETRIA

MODELOS NOMOTÉTICO

E IDIOGRÁFICO

Vitor Geraldi Haase

Gustavo Gauer

Cristiano Mauro Assis Gomes

A

s questões psicométricas em neuropsicologia são complexas e invariavelmente conectadas à lógica inferencial da disciplina. Uma tradição que remonta a

Windelband (1901) classifica as ciências sociais e comportamentais em nomotéticas e idiográficas. No enfoque nomotético em neuropsicologia, o desempenho dos pacientes individuais em diversos testes neuropsicológicos é comparado a um referencial normativo populacional. Essa perspectiva é também chamada de nomotéticonomológica, uma vez que sua validade depende de uma ampla rede de suposições teórico-metodológicas que sustentam o processo inferencial do comportamento observado aos constructos avaliados (Cronbach e Meehl, 1955).

Diversas escolas de avaliação neuropsicológica se baseiam mais ou menos explicitamente no modelo nomotético-nomológico

(Milberg, Hebben e Kaplan, 2009; Reitan e

Wolfson, 2009; Tranel, 2009). A escola nomotética mais radical, entretanto, é aquela derivada do trabalho de Halstead e Reitan

 

3 Ferramentas para a Elaboração de Instrumentos de Medida: Identificação de Cursos Descontínuos de Desenvolvimento Neuropsicológico

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Avaliação Neuropsicológica 39

A partir da EEGq tem sido possível verificar a atividade elétrica de determinadas ondas (banda Alfa) que indicam mudanças abruptas e descontínuas no cérebro ao longo das idades, semelhantes às trajetórias de desenvolvimento cognitivo do tipo estágio verificadas pelos neopiagetianos.

Outra medida de EEGq, a Coerência, fornece evidências de conexões entre diferentes

áreas do cérebro e aponta processos de diferenciação de subsistemas neurais e da integração de áreas intracorticais (Thatcher,

1994). A medida da Coerência não é estática, mas oscila em intervalos temporais, mostrando alterações nas suas frequências nas mesmas idades em que a energia relativa medida por EEGq na banda Alfa mostra saltos abruptos. Mudanças no padrão da Coerência sugerem modificações na característica das redes neurais. Essas alterações refletem as mesmas mudanças bruscas identificadas na banda Alfa (Fischer e Rose, 1994; Thatcher, 1994).

Os estudos realizados por Thatcher (1992,

1994) e por Thatcher, North e Biver (2008,

 

4 O Neuropsicólogo e Seu Paciente: Introdução aos Princípios da Avaliação Neuropsicológica

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4

O NEUROPSICÓLOGO

E SEU PACIENTE

INTRODUÇÃO AOS

PRINCÍPIOS DA AVALIAÇÃO

NEUROPSICOLÓGICA

Maria Joana Mäder-Joaquim

O

estudo das neurociências faz parte da formação dos psicólogos clínicos e de outros profissionais da área da saúde. Compreender a complexidade do funcionamento cerebral é absolutamente necessário para o bom desenvolvimento da prática clínica dos psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Os psicólogos clínicos, independentemente das abordagens teóricas, interessam-se pelas articulações entre cérebro e comportamento, pois percebem a necessidade de uma atualização sobre as bases científicas das neurociências.

O desenvolvimento tecnológico é surpreendente nos dias de hoje. As modificações

ocorridas no século XX transformaram a vida do cidadão comum de tal modo que em 1900 só livros de ficção poderiam sugerir. A primeira metade do século XX viu a transformação do transporte, das carroças e bondes aos aviões, encurtando assim as distâncias entre as pessoas. A segunda metade do século XX transformou a comunicação, passando da simples carta manuscrita ao e-mail pela internet com imagens em anexo. A internet revolucionou a comunicação científica e pessoal.

 

5 Inteligência Geral

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5

INTELIGÊNCIA GERAL

Carmen Elvira Flores-Mendoza

U

ma vez li em algum lugar a frase

“Qualidade não é casualidade!”.

De curta extensão, e rimada, parece mesmo uma frase de marketing. No entanto, retrata de maneira interessante aquilo que chamamos “inteligência”. Se observar detidamente as pessoas ao nosso redor perceberá que algumas delas têm mais facilidade e competência para realizar suas atividades, sejam estas caseiras ou profissionais, enquanto outras conseguem fazê-lo com algum esforço e outras, ainda, com muito esforço. As diferenças entre as pessoas não é casualidade. Existe um atributo psicológico subjacente a todas as atividades que realizamos e que condiciona posteriormente, de forma substancial, nossos status social, profissional ou financeiro. Inclusive, daquilo

que aparentemente pouco depende do nosso controle, como nossa saúde física.

Esse atributo é a inteligência. Todas as pessoas, desde as menos até as mais instruídas, reconhecem uma pessoa inteligente. A ela se referem com adjetivos como: “esperta, vivaz, rápida, perceptiva”.

 

6 Linguagem

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6

LINGUAGEM

Letícia Lessa Mansur

E

ste capítulo tem por foco a avaliação da linguagem do adulto com lesões neurológicas. Introduz o tema com a definição de linguagem, apresenta os objetivos e fundamentos para a construção de instrumentos da avaliação e examina os processos de avaliação nos diversos métodos e instrumentos de coleta de dados de linguagem.

A linguagem é definida a partir de aspectos biológicos e sociais que exprimem seu caráter essencial de favorecer a adaptação do indivíduo ao ambiente. No contexto da neuropsicologia, a avaliação da linguagem não pode ser concebida de forma dissociada de componentes linguísticos, cognitivos e sociais.

O componente cognitivo refere-se à transformação dos múltiplos inputs do ambiente em conhecimento, à organização, ao armazenamento, à recuperação e à transformação.

O componente linguístico diz respeito aos aspectos fonológicos e sintáticos, organizados segundo regras, e aos aspectos semânticos e pragmáticos; diz respeito ao conteúdo lexical (dicionário) e dos discursos.

 

7 Memória

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7

MEMÓRIA

Neander Abreu

Paulo Mattos

A

memória é uma das mais complexas funções neuropsicológicas, possibilitando ao indivíduo remeter-se a experiências impressivas, auxiliando na comparação com experiências atuais e projetando-se nas prospecções e programas futuros; assim, a memória para o processo pelo qual as experiências passadas levam à alteração do comportamento (Helene e Xavier, 2003). O caráter excepcional da memória parece repousar na complexidade dos seus processos. Estudos com indivíduos normais e com amnésia fornecem evidências para afirmar que a memória não é unitária, mas consiste em diferentes componentes, mediados por processos que são conduzidos por circuitarias neurais diferentes (Moscovitch, 2004).

A memória comporta processos complexos pelos quais o indivíduo codifica, armazena e resgata informações. A codificação refere-se ao processamento da informação que será armazenada. Por exemplo, o emprego de informações visuais na codificação parece melhorar durante a codificação (Marschark, 1992) e a exposição ao estresse prévio parece piorar as memórias dependentes de contexto (Schwabe,

 

8 Atenção

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Avaliação Neuropsicológica 87

A atenção tem papel primordial em nosso cotidiano; nossas atividades mentais ocorrem no contexto de ambientes repletos de estímulos, relevantes ou não, que se sucedem de modo ininterrupto. Os estímulos que nos cercam (sejam olfatórios, visuais, auditivos, etc.) devem ser selecionados de acordo com os objetivos pretendidos, conscientes ou não. Além disso, diversas funções cognitivas dependem fortemente da atenção, em especial a memória. Um déficit atencional pode, portanto, expressar-se em uma ampla gama de sintomas e em grande espectro de áreas da vida diária.

Uma das características da atenção é a dependência do interesse e da necessidade em relação à tarefa em questão. Assim, nossa prática clínica é recheada de exemplos em que mães queixam-se da desatenção de seus filhos exclusivamente para

“tarefas escolares e obrigações”, pois “ele só presta atenção no que tem interesse”.

Naturalmente, tarefas que ativam centros encefálicos relacionados ao prazer mais facilmente mantêm o foco do indivíduo, daí a queixa de que a atenção da criança pode ser boa “para jogar videogame”, mas não para estudar. Esse tipo de queixa, por outro lado, não exclui a presença de déficit atencional real, o que exige do examinador expertise na avaliação da atenção e na correlação com a clínica.

 

9 Exame das Funções Executivas

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9

EXAME DAS

FUNÇÕES

EXECUTIVAS

Leandro F. Malloy-Diniz

Jonas Jardim de Paula

Fabricia Quintão Loschiavo-Alvares

Daniel Fuentes

Wellington Borges Leite

A

s funções executivas consistem em um “conjunto de processos cognitivos que, de forma integrada, permitem ao indivíduo direcionar comportamentos a metas, avaliar eficiência e a adequação desses comportamentos, abandonar estratégias ineficazes em prol de outras mais eficientes e, desse modo, resolver problemas imediatos, de médio e de longo prazo” (Malloy-Diniz et al.,

2008). Tais funções apresentam importante valor adaptativo para o indivíduo, facilitando o “gerenciamento” em relação a outras habilidades cognitivas, como se fossem o maestro de uma orquestra ou o

general de um exército (Goldberg, 2001).

Em situações em que há o comprometimento das funções executivas, mesmo quando ocorre a preservação de outros domínios da cognição, o desempenho de indivíduos em atividades complexas, sejam elas relacionadas ao trabalho, à vida familiar ou a outros domínios do cotidiano, é altamente prejudicado.

 

10 Praxia e Visuoconstrução

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10

PRAXIA E

VISUOCONSTRUÇÃO

Pedro Fonseca Zuccolo

Patrícia Rzezak

Juliana de Oliveira Góis

O

s termos praxia e visuoconstrução designam uma esfera complexa do funcionamento humano, a da capacidade de realizar atos voluntários no plano prático. Uma gama grande de atividades depende dessas capacidades, desde o ato de se vestir, escovar os dentes, até a realização de tarefas mais complicadas como construir um modelo ou maquete tridimensional. Em outras palavras, praxia e visuoconstrução se referem às habilidades que permitem executar ações voltadas a um fim no plano concreto, através da atividade motora.

Os comportamentos ditos práxicos ou visuoconstrutivos são muitos e variáveis, portanto envolvem diferentes processos neuropsicológicos. A capacidade para de-

sempenhar essas atividades requer algumas condições: percepção visual, raciocínio espacial, habilidade para formular planos ou metas, comportamento motor e capacidade de monitorar o próprio desempenho

(Camargo e Cid, 2000). Assim, um prejuízo em algum desses componentes pode ocasionar um distúrbio práxico/visuoconstrutivo, como será visto mais adiante.

 

11 Matemática

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124 Malloy-Diniz, Fuentes, Mattos, Abreu e cols.

Um histórico do avanço dos conhecimentos neuropsicológicos sobre esse assunto

é apresentado no Quadro 11.1.

Os déficits neuropsicológicos relacionados

à manipulação de números e aritmética constituem entidades heterogêneas. Vários mecanismos e regiões cerebrais podem estar implicados, como, por exemplo, funções executivas, memória de trabalho, notações verbais e arábica, habilidades visuoespaciais, princípios aritméticos, fatos semânticos, memória procedimental e noção intuitiva de magnitude (Willmes, 2008).

A avaliação das habilidades relacionadas à aritmética foi facilitada nas últimas décadas pelo desenvolvimento de modelos cognitivo-neuropsicológicos e neurocognitivos.

MODELOS TEÓRICOS

Um modelo inicial das habilidades numéricas e de cálculo foi formulado a partir

de observações em pacientes adultos com lesões cerebrais adquiridas (McCloskey,

Caramazza e Basili, 1985). Os dados neuropsicológicos permitiram identificar de forma consistente padrões dissociáveis de desempenho, indicando que as habilidades relacionadas ao conhecimento numérico e aritmético são complexas e decomponíveis em uma série de subdomínios.

 

12 Dificuldade Específica de Aprendizagem da Leitura e Escrita

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12

DIFICULDADE

ESPECÍFICA DE

APRENDIZAGEM DA

LEITURA E ESCRITA*

Cláudia Cardoso-Martins

Marcela Fulanete Corrêa

Luciana Freitas da Silva Magalhães

D

esde o final do século XIX e início do século XX, um grupo de crianças tem atraído o interesse de médicos, de psicólogos e de educadores em função da natureza inesperada de suas dificuldades para aprender a ler e a escrever. Tratam-se, com efeito, de crianças com inteligência normal ou acima do normal e que, ao que tudo indica, apresentam um bom desempenho em

* Os autores agradecem às escolas e às crianças que participaram dos estudos relatados no capítulo, e a todos os membros do Laboratório de Desenvolvimento

Cognitivo e da Linguagem da Universidade Federal de

Minas Gerais, sobretudo a Mirelle França MichallickTriginelli, pela sua valiosa colaboração. A preparação desse capítulo foi possível graças a uma bolsa de pesquisa do CNPq concedida à primeira autora, e a uma bolsa de doutorado da CAPES, à segunda autora.

outras áreas escolares como, por exemplo, a matemática. Como, então, explicar a sua dificuldade em aprender a ler e a escrever?

 

13 Comportamento Motor

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13

COMPORTAMENTO

MOTOR

Fabricia Quintão Loschiavo-Alvares

Guilherme Menezes Lage

Blaise Christe

D

e acordo com Gazzaniga, Ivry e

Mangun (2006), a complexidade do nosso sistema nervoso visa um único e maior objetivo; melhorar a eficiência de nossas ações, uma vez que não somos máquinas passivas de processamento, mas sim organismos constituídos para a interação com o mundo. Ainda em conformidade com os autores, à medida que estudamos sistemas nervosos mais complexos, as conexões entre sensação e ação tornam-se mais distantes, e seria um engano pensar que poderíamos estudar a percepção, a atenção e a memória de maneira isolada. Não perceberíamos a floresta ao olharmos apenas para as árvores.

Assim, não podemos compreender a ação motora final sem todas as suas implicações cognitivas, sem levarmos em consi-

deração os complicados padrões de conectividade das estruturas motoras no sistema nervoso central (SNC). Dessa forma, a ação efetiva é o objetivo final de todos os processamentos internos, e nesse contexto, a aprendizagem motora e o controle motor assumem um papel crucial na produção de movimentos intencionais.

 

14 Cognição Social

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14

COGNIÇÃO SOCIAL

Luciana de Carvalho Monteiro

Mario Rodrigues Louzã Neto

P

odemos dividir a neuropsicologia em duas áreas hierarquicamente organizadas:

• a neuropsicologia aplicada às funções cognitivas básicas, ou neurocognição, que procura examinar cada uma das funções cognitivas individualmente;

• neuropsicologia aplicada a outro âmbito cerebral, de fundamental importância para a adequação do comportamento ao ambiente, denominada cognição social.

O termo cognição social refere-se à habilidade de identificação, manipulação e adequação do comportamento de acordo com informações socialmente relevantes detectadas e processadas

em determinado contexto do ambiente

(Adolphs, 2001). Para tanto, requer um sistema neural subjacente que gerencia desde o input do estímulo (percepção) até o resultado final do processo, ou seja, a manifestação do comportamento adaptativo (Figura 14.1).

A cognição social direciona o comportamento automático e volitivo, juntamente com uma variedade de outros processos cognitivos, modulando a resposta comportamental (Adophs, 2001; Penn et al., 2008).

 

15 Reconhecimento de Emoções

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15

RECONHECIMENTO

DE EMOÇÕES

Daniel Fuentes

Luciane L. Lunardi

Leandro F. Malloy-Diniz

Cristiana Castanho de Almeida Rocca

A

percepção de faces e de expressões emocionais pode ser vista como dois processos separados, que envolvem estruturas cerebrais e circuitos neurobiológicos diferentes.

PROCESSAMENTO DAS

EMOÇÕES

Estudos de neuroimagem sugerem que regiões específicas no córtex inferotemporal e o temporal inferior são responsáveis pela percepção de faces. Essas regiões contêm campos receptores amplos, os quais algumas vezes envolvem todo o campo visual e que são sensíveis tanto a formas como a cores.

Lesões específicas nessas áreas cerebrais levam à prosopagnosia, quadro neurológico que se refere a uma incapacidade para reconhecer rostos familiares ou famosos, embora esteja preservada a capacidade de reconhecer que o estímulo apresentado é um rosto (Gil, 2003). Entretanto, os pacientes com prosopagnosia não têm dificuldades para reconhecer expressões emocionais de faces apresentadas como estímulos. Como o reconhecimento de expressões emocionais não depende somente de reconhecimento facial, esse processo ocorre em outras regiões cerebrais.

 

16 Teoria da Mente

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16

TEORIA DA MENTE*

Luciana de Carvalho Monteiro

Fernanda Pamplona de Queiroz

Wulf Rössler

O

termo “Teoria da Mente” (ToM) foi inicialmente proposto pelos primatologistas Premack e Woodruff em um importante artigo que sugeria que os chimpanzés seriam capazes de inferir o estado mental de outros indivíduos da mesma espécie (Premack e Woodruff, 1978 apud Brüne e Brüne-Cohrs, 2006). Com o passar do tempo, o termo foi adotado pela psicologia do desenvolvimento para descrever o desenvolvimento ontogenético da perspectiva mental que ocorre na infância e na adolescência.

Em termos de psicopatologia, o conceito de distúrbio da Teoria da Mente tem

* Agradecemos à professora Maria Rita Guedes pelas valorosas contribuições e ideias sugeridas durante a elaboração deste texto.

sido cada vez mais usado em estudos com crianças autistas (Baron-Cohen et al,

1985). Nesses estudos, foi observado que tanto as crianças autistas quanto os adultos com a Síndrome de Asperger, considerada uma forma mais branda do autismo, apresentam dificuldades significativas para apreender o estado mental de outros indivíduos (Caixeta e Nitrini, 2002).

 

17 Habilidades Sociais

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17

HABILIDADES SOCIAIS

Cristiana Castanho e de Almeida Rocca

Adriana Foltran Polisel

Karen Melissa Ginês Mattos

Maria Cecília Fernandes Silva

H

abilidades sociais são comportamentos que ocorrem dentro do contexto interpessoal, que têm como finalidade comunicar com precisão emoções, sentimentos, opiniões, atitudes, direitos e necessidades pessoais. Esses comportamentos são sancionados culturalmente com normas e códigos que estipulam quais são as atitudes e comportamentos considerados mais adequados dentro de certo contexto social. Habilidades sociais envolvem tanto comportamento verbal como não verbal. Um exemplo de habilidades não verbais é o reconhecimento de emoções em faces (Del Prette e Del Prette,

2005; Perez et al., 2007).

Dessa forma, a emissão de comportamentos típicos de cada contexto e cultura minimiza a ocorrência de impasses nos relacionamentos entre as pessoas (Caballo,

2003). Essa adequação no modo de agir é que possibilita avaliar o desempenho em termos de competência.

Nas décadas de 1970 e 1980 foram criados dois modelos de comportamento socialmente qualificado (Trower et al., 1978;

 

18 Avaliação da Personalidade e sua Contribuição à Avaliação Neuropsicológica

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Avaliação Neuropsicológica 199

dagem teórica, estudam a personalidade em diferentes níveis de análise. Tais níveis incluem aspectos biológicos e psicossociais, a cultura, o histórico de contingências de reforçamento e punição ou ainda processos mentais e inconscientes. A integração de conhecimentos provenientes desses diferentes níveis de análise poderá futuramente possibilitar a compreensão da personalidade a partir de um modelo compreensivo único.

Apesar de todos esses esforços, ainda não se tem uma conceituação única de personalidade e, para os propósitos deste capítulo, adotaremos a definição de personalidade como “o resultado do processo dinâmico e contínuo de conciliar características individuais ao ambiente, de forma que isto determinará a qualidade de interação do sujeito com o meio que o cerca e vice-versa” (Fuentes et al., 2000).

POR QUE EXAMINAR

A PERSONALIDADE

DURANTE A AVALIAÇÃO

NEUROPSICOLÓGICA?

O exame da personalidade é um componente essencial das avaliações psicodiagnósticas. Em Neuropsicologia, a resposta

 

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