Análise Comportamental Clínica

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Análise comportamental clínica possibilita um valioso entendimento da teoria que embasa essa abordagem, além de uma descrição clara e ricamente ilustrada por casos clínicos contextualizados em nossa realidade das estratégias da terapia comportamental

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1. Por que “análise comportamental clínica”? Uma introdução ao livro

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Capítulo 1

Por que “Análise

Comportamental Clínica”?

Uma introdução ao Livro1

Ana Karina C. R. de-Farias

Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,

Espécie de acessório ou sobressalente próprio,

Arredores irregulares da minha emoção sincera,

Sou eu aqui em mim, sou eu.

Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.

Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.

Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

E ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconsequente,

Como de um sonho formado sobre realidades mistas,

De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,

Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua,

Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda,

De haver melhor em mim do que eu.

Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa,

Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores,

De haver falhado tudo como tropeçar no capacho,

De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas,

De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida.

 

2. Behaviorismo radical e prática clínica

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Capítulo 2

Behaviorismo Radical e Prática Clínica

João Vicente de Sousa Marçal

A

relação entre Behaviorismo Radical e Terapia Comportamental teve início na década de 1950 com as primeiras aplicações dos princípios operantes, estudados em laboratório desde a década de 1930, na modificação de comportamentos considerados inadequados (Micheletto, 2001). Baseadas em princípios como modelagem, reforçamento diferencial, extinção ou mesmo punição, e sob o rótulo de Modificação do Comportamento, as técnicas eram empregadas em ambientes artificialmente construídos, normalmente em instituições psiquiátricas. O público-alvo era constituído por pessoas diagnosticadas com retardo mental, esquizofrenia, autismo e transtornos psicóticos em geral (Vandenberghe, 2001; Wong, 2006)1. As estratégias envolviam a manipulação de variáveis independentes (ambientais), as chamadas

VIs2, no sentido de aumentar ou reduzir a frequência de comportamentos-alvo, também chamados comportamentosproblema (as variáveis dependentes, ou

 

3. Habilidades terapêuticas: é possível treiná-las?

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Capítulo 3

Habilidades Terapêuticas

É Possível Treiná-las?1

Hellen Ormond Abreu-Motta

Ana Karina C. R. de-Farias

Cristiano Coelho

M

uitas são as críticas ao Behaviorismo, demonstrando, muitas vezes, uma confusão entre Behaviorismo Metodológico e Behaviorismo Radical. O

Behaviorismo veio para se contrapor ao mentalismo e à introspecção. Foi Watson, em 1913, com seu Manifesto Behaviorista, quem despertou grande interesse no estudo do comportamento, negando a possibilidade de investigação científica dos eventos privados (ou encobertos).

Skinner, por sua vez, faz uma reinterpretação desses eventos, propondo uma nova metodologia de estudo (Matos, 2001;

Sant’Anna, 2003; Skinner, 1974/1993,

1989/1991).

Este último passou a considerar os eventos privados como sendo de fundamental importância para a realização de análises funcionais, nomeando sua filosofia de Behaviorismo Radical. Ao contrário de explicar o comportamento por meio de entidades abstratas, como ocorre nas teorias psicológicas tradicionais, o

Behaviorismo Radical propõe explicar o comportamento humano por meio de relações organismo-ambiente (Kohlenberg e Tsai, 1991/2001; Skinner, 1953/1989,

 

4. Relação terapêutica sob a perspectiva analítico-comportamental

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Capítulo 4

Relação Terapêutica Sob a Perspectiva

Analítico-Comportamental

Nathalie Nunes Freire Alves

Geison Isidro-Marinho

H

istoricamente, os empreendimentos de cunho comportamental na clínica relegaram a relação terapêutica a um segundo plano. Ferster (1972) é o primeiro autor de origem analítico-comportamental a chamar a atenção para importância da relação terapêutica como instrumento de mudança. Por outro lado, contribuições de teorias como as humanistas são inegáveis quando se fala em relação terapêutica. Ainda, as abordagens psicodinâmicas também trataram da importância do tema sob o rótulo de relação de transferência e contratransferência.

A despeito das distinções teóricas e epistemológicas das abordagens em questão, um ponto que parece comum a todas elas é a ênfase dada às dificuldades de interação social de muitos clientes. Dessa forma, consideram a possibilidade da emergência dessas dificuldades dentro do consultório, sendo a relação terapêutica utilizada para reelaborar e aperfeiçoar as formas de interação empregadas pelos clientes em seu convívio social, principalmente com as pessoas significativas.

 

5. Comportamento governado por regras na clínica comportamental: algumas considerações

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Capítulo 5

Comportamento Governado Por

Regras na Clínica Comportamental

Algumas Considerações

Carlos Augusto de Medeiros

O

s manuais de Psicologia e de Psicoterapia sustentam que fazer terapia não é dar conselhos, sugestões, ordens ou instruções. Zaro e colaboradores

(1977/1980), em seu manual introdutório a aprendizes de clínica, sugerem:

Se o terapeuta está constantemente preocupado em ‘trabalhar para valer’ mais do que o cliente, poderá na verdade comprometer o projeto, não dando ao cliente a oportunidade de desenvolver habilidades que lhe permitam lidar com situações e tomar decisões na vida. Esta abordagem por parte do terapeuta pode ainda manter padrões de dependência na interação que são problemáticos para os clientes nos seus relacionamentos sociais na vida cotidiana (p. 4).

No dia a dia, por outro lado, pessoas frequentemente dizem o que fazer umas

às outras. É comum a crença de que saber ouvir é saber dar conselhos. Na maioria das vezes, as pessoas, quando pedem conselhos, pretendem apenas ser ouvidas.

 

6. Autocontrole na perspectiva da análise do comportamento

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Capítulo 6

Autocontrole na Perspectiva da Análise do Comportamento1

Vanessa de Fátima Nery

Ana Karina C. R. de-Farias

A

palavra autocontrole é bastante utilizada na linguagem cotidiana. Para o senso-comum, autocontrole pode ser definido como uma propriedade ou característica de uma pessoa que possui, em si mesma, força de vontade para realizar ou deixar de realizar algo, controlar sentimentos ou sensações, manter o equilíbrio emocional interior, dominar os impulsos, agir como quiser, dentre outras dezenas de definições (Castanheira, 2001).

A etimologia da palavra autocontrole é controle próprio. De acordo com o

Novo Dicionário Aurélio (Ferreira, 1999), autocontrole significa equilíbrio. A mesma fonte define equilíbrio como “estabilidade mental e emocional; moderação, prudência, comedimento, autocontrole, domínio, controle” (p. 782). Controlado é definido como “submetido a controle; que tem controle; comedido, moderado” (p. 546). A definição de moderado é “regulado, regrado; que tem moderação ou prudência; comedido, circunspecto; não exagerado; não excessivo; razoável, equilibrado; suave, temperado, ameno” (p. 1351).

 

7. Análise comportamental do transtorno de ansiedade generalizada (TAG): implicações para avaliação e tratamento

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Capítulo 7

Análise Comportamental do Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

Implicações para Avaliação e Tratamento1

André Amaral Bravin2

Ana Karina Curado Rangel de-Farias

MEDO, ANSIEDADE FISIOLÓGICA

E TRANSTORNO DE ANSIEDADE

GENERALIZADA (TAG): UMA

QUESTÃO CONCEITUAL

A ansiedade tem sido descrita como estado interno desencadeado (eliciado e/ ou evocado) por situações ameaçadoras, em que o perigo é potencial, porém ainda não presente no ambiente; a esse caso, diz-se tratar-se de uma ansiedade natural, normal ou fisiológica. Esse estado interno

é composto por vários comportamentos3, dentre os quais, pensamentos e sensações

(como sensações e sentimentos difusos, desagradáveis e vagos de apreensão); comportamentos controlados pelo sistema neurovegetativo, o que envolve respostas como aumento na frequência respiratória e cardíaca; hipertensão arterial; diminuição no fluxo sanguíneo de vasos periféricos; midríase pupilar; exoftalmia;

1

O presente trabalho é parte da monografia de conclusão do curso de especialização em Análise Comportamental Clínica, no Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento, defendida pelo primeiro autor, sob orientação da segunda autora.

 

8. Atendimento domiciliar a pacientes autistas e quadros assemelhados

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Capítulo 8

Atendimento Domiciliar a Pacientes

Autistas e Quadros Assemelhados

Gustavo Tozzi Martins

O

termo “método ABA” está comumente associado a trabalhos voltados para a área de educação especial, particularmente, com pessoas sob diagnóstico de algum dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, no qual se inclui o Transtorno

1

Autista. Trata-se de um termo amplamente difundido em livros e em manuais especializados na área, porém pode ser um termo equivocado caso seja interpretado como um método distinto do que se tem produzido no campo de pesquisa a que esse termo se remete. A sigla ABA é oriunda do inglês Applied Behavior Analysis que, em português, traduz-se como Análise do

Comportamento Aplicada (ACA).

A forte associação desse termo a técnicas de modificação do comportamento deve-se, provavelmente, à difusão de pesquisas em que se comparava o êxito da ACA no ensino de novos repertórios comportamentais em grupos de crianças com atraso no desenvolvimento sobre outras que receberam outro tipo de intervenção. Um dos principais difusores de pesquisas desse tipo foi o psicólogo e pesquisador Ivar Lovaas.

 

9. Caso clínico: formulação comportamental

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Capítulo 9

Caso Clínico

Formulação Comportamental

Denise Lettieri Moraes

A

Análise do Comportamento tem como objeto de estudo o comportamento, ou seja, ela analisa relações entre um indivíduo que se comporta e o ambiente no qual ele está inserido. A terapia derivada dessa abordagem busca a explicação para a origem e manutenção dos problemas comportamentais, assim como as condições para alterá-los, nessas relações. Se todo comportamento é considerado como selecionado e mantido pelas relações que o indivíduo estabelece com o ambiente, não há porque considerar um comportamento como patológico, já que a reação do indivíduo é sempre adaptativa

(Banaco, 1997).

É importante ressaltar que grande parte do trabalho realizado pelo terapeuta analista do comportamento é baseada em relatos trazidos pelo cliente sobre suas relações com o meio. Procura-se analisar os eventos relatados e, em alguns casos, sugerir formas de alterar as relações estabelecidas. O terapeuta, como parte do ambiente do cliente, tem condições de observar o seu comportamento e contingenciá-lo de forma a desenvolver um repertório que proporcione ao cliente o estabelecimento, em seu dia a dia, de interações menos aversivas que aquelas preexistentes (Zamignani, 2000).

 

10. Um estudo de caso em terapia analítico-comportamental: construção do diagnóstico a partir do relato verbal e da descrição da diversidade de estratégias interventivas

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Capítulo 10

Um Estudo de Caso em Terapia

Analítico-Comportamental

Construção do Diagnóstico a Partir do

Relato Verbal e da Descrição da

Diversidade de Estratégias Interventivas

Suelem Araújo Ruas

Alessandra Rocha de Albuquerque

Paula Carvalho Natalino

S

kinner (1953/2000) afirma que “a ciência se ocupa do geral, mas o comportamento do indivíduo é necessariamente único” (p. 30). Nesse sentido, o estudo de caso “tem riquezas e características que estão em nítido contraste com os princípios gerais” (Skinner, 1989/1991, p.

30), sendo considerado um recurso fundamental e necessário para o estudo do comportamento. Silvares e Banaco (2000) afirmam que “o estudo de caso pode ser a forma ideal de aumentar o corpo de conhecimento em terapia comportamental”

(p. 38) e de demonstrar a eficácia da ação terapêutica.

O presente trabalho teve como objetivo geral descrever, por meio de um estudo de caso, um processo terapêutico de base analítico-comportamental, do diagnóstico à intervenção, enfatizando o papel do comportamento verbal como fonte de informações a respeito do cliente e como elemento propulsor de mudanças. Para tanto, os temas Operantes Verbais, Correspondência Verbal-NãoVerbal e Diagnóstico e Intervenção Analítico-Comportamental serão teórica e brevemente tratados e, posteriormente, apresentar-se-á o Estudo de Caso.

 

11. Esquiva experiencial na relação terapêutica

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Capítulo 11

Esquiva Experiencial na

Relação Terapêutica1

Andréa Dutra

O

presente capítulo pretende, sob orientação da Análise Comportamental Clínica, discutir questões relacionadas à emissão de comportamentos de fuga e esquiva, por parte do cliente, durante as sessões terapêuticas, bem como apontar possíveis estratégias clínicas e importantes cuidados a serem tomados em tais situações.

Geralmente, as pessoas procuram terapia quando estão apresentando dificuldades em resolver problemas ou em função daquilo que estão sentindo, do seu

“sofrimento”. Ao falar desse “sofrimento”, o cliente relata seus eventos privados, considerando-os como problemas ou como causa de seus problemas. Segundo Santos e Tourinho (2000), na cultura ocidental, explicações “internalistas” para o comportamento são legitimadas pela comunidade, que modela e privilegia verbalizações desse tipo.

Hayes (1987) afirma que os clientes procuram na terapia ajuda para a aquisição de um repertório mais eficaz de fuga-esquiva daquilo que eles acreditam ser o seu problema ou a causa dos seus problemas: os eventos privados relacionados a eventos aversivos. Kohlenberg e

 

12. Rupturas no relacionamento terapêutico: uma releitura analítico-funcional

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Capítulo 12

Rupturas no Relacionamento Terapêutico

Uma Releitura Analítico-Funcional1

Alysson B. M. Assunção

Luc M. A. Vandenberghe

N

as últimas duas décadas, o relacionamento entre terapeuta e cliente tem recebido atenção cada vez maior dentro da teoria e pesquisa em psicoterapia. Estudiosos se voltaram para aspectos da prática clínica que não dependem de técnicas específicas, mas que são tão ou mais importantes. Desde então, a aliança terapêutica – ou relacionamento terapêutico – tem sido vista como uma variável integrativa do processo psicoterápico comum a todas as abordagens terapêuticas (Kohlenberg e

Tsai, 1991/2001; Safran, 2003; Safran e

Muran, 1996).

Embora o uso do termo aliança terapêutica seja originário da teoria psicanalítica (Freud, 1912/1980 e 1913/1980), sua conceituação é relativamente recente.

Bordin, em 1979, a define como sendo o laço colaborativo e afetivo entre terapeuta e cliente, cujo estabelecimento está relacionado a três fatores: a tarefa ou o papel que se espera que o cliente assuma, o elo colaborativo com o terapeuta e os objetivos da psicoterapia. Estima-se que a qualidade da aliança seja função da concordância em relação a objetivos e tarefas (Bordin,

 

13. Comportamento governado por regras: um estudo de caso

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Capítulo 13

Comportamento Governado por Regras

Um Estudo de Caso1

Caroline Cunha da Silva

Ana Karina C. R. de-Farias

O

entendimento do comportamento humano é imprescindível para o aprimoramento dos indivíduos e para que possam melhor resolver seus problemas. O Behaviorismo Radical utiliza-se da história filogenética e ontogenética para a compreensão, previsão e controle do comportamento humano. A Análise do Comportamento explica a causa dos comportamentos por meio de análise de contingências, ou seja, regras que descrevem dependências entre antecedentes ambientais, respostas do organismo e suas consequências, dando ênfase à relação funcional entre esses elementos. Dessa forma, afirma-se que um comportamento é adquirido e mantido devido a suas consequências – sendo estas dependentes de seu valor de sobrevivência – e não a sensações que lhe estejam associadas (Skinner, 1953/1998,

1974/1982).

Uma das formas de controle sobre o comportamento dos indivíduos é aquele exercido por regras ou instruções. O comportamento de seguir regras envolve seguir conselhos, instruções, ordens ou outros comportamentos que descrevam, completa ou incompletamente, contingências. As regras são estímulos discriminativos verbais que especificam contingências, podendo estar descritas de forma implícita ou explícita (Baum, 1994/1999;

 

14. Relação terapêutica em um caso de fobia social

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Capítulo 14

Relação Terapêutica em um

Caso de Fobia Social1

Luciana Freire Torres

Ana Karina C. R. de-Farias

H

á um grande número de estudos sobre a natureza dos Transtornos de

Ansiedade. A ansiedade caracteriza-se pela presença dos seguintes sintomas: tensão, preocupação, irritação, angústia, dificuldade de concentração, tonturas, cefaleia e dores musculares. O indivíduo com intensas “crises de ansiedade” (ou melhor, alterações comportamentais, como as citadas) evita o contato ou a exposição a determinadas situações por temer uma possível perda de controle ou um ataque cardíaco.

Assim, esse indivíduo visa o controle de eventos relatados como “internos” e “externos”, havendo uma tendência de esquiva de situações que envolvam um maior grau de ansiedade (Caballo, 1996/2002; Dalgalarrondo, 2000. Ver também o capítulo de Bravin e de-Farias e o de Fugioka e deFarias neste livro).

Dentre os diversos transtornos de ansiedade, destaca-se aqui a fobia social, que se caracteriza por um medo intenso de situações sociais que envolvam um grupo de pessoas, de falar em público, de contato com pessoas estranhas e com pessoas que possam ser consideradas superiores a ela (APA, 2002; Campbell, 1986; Falcone, 1999).

 

15. Fuga e esquiva em um caso de ansiedade

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Capítulo 15

Fuga e Esquiva em um Caso de Ansiedade1

Regiane Oliveira Fugioka

Ana Karina C. R. de-Farias

P

or mais explorado que tenha sido o tema ansiedade, percebem-se diversas maneiras de enfocar o mesmo problema, até porque os quadros clínicos desenvolvidos pelos indivíduos também apresentam diversidades. Shinohara (2003) relata que, quando se sente mais ansiedade do que o necessário, seja em intensidade ou frequência, ou em situações nas quais a maioria das pessoas não sofreria tanto, pode-se apontar um transtorno. Em outras palavras, se a ansiedade atrapalha a vida de um indivíduo, por impedir que este faça o que gostaria ou precisaria fazer, então é provável que haja um problema, o qual deve ser avaliado por um especialista.

Tendo em vista a complexidade do comportamento humano e para entender como algumas relações com o meio adquirem propriedade na vida das pessoas, faz-se necessário buscar informações referentes à filogênese e à ontogênese (Neves et al., 2003; Skinner, 1953/1998). A filogênese envolve a passagem de características ao longo das gerações entre os indivíduos de determinada espécie, enquanto a ontogênese consiste na manutenção de certos comportamentos por meio de relações entre um organismo específico e seu meio ambiente. No caso da ontogênese, deve-se buscar entender, por meio da história individual de reforçamento e punição, como esses comportamentos foram condicionados (Baum, 1994/1999; Catania, 1998/1999; Skinner, 1953/1998,

 

16. “Prefiro não comer a começar e não parar!”: um estudo de caso de bulimia nervosa

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Capítulo 16

“Prefiro não Comer, a Começar e Não parar!”

1

Um Estudo de Caso de Bulimia Nervosa

Gabriela Inácio Ferreira Nobre

Ana Karina C. R. de-Farias

Michela Rodrigues Ribeiro

O

presente capítulo tem por objetivo apresentar a análise funcional – e intervenções dela decorrentes – de um caso clínico de Bulimia Nervosa. Para tanto, apresentará os critérios diagnósticos tradicionais para esse transtorno e as particularidades do caso de Bia (nome fictício).

Pretende-se defender a ideia de que uma análise global, sistêmica, da vida do(a) cliente leva a resultados mais satisfatórios do que um tratamento baseado apenas no diagnóstico tradicional.

TRANSTORNOS ALIMENTARES (TA)

Classificação e critérios-diagnósticos

Os transtornos alimentares caracterizam-se por severas perturbações no comportamento alimentar. Três diagnósticos específicos estão descritos na sessão de transtornos alimentares da American Psychiatric

Association (2002): a Anorexia Nervosa a

Bulimia Nervosa e a Compulsão Alimentar Periódica (não abordada no presente texto).

 

17. Disfunções sexuais e repertório comportamental:um estudo de caso sobre ejaculação precoce

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Capítulo 17

Disfunções Sexuais e Repertório Comportamental

Um Estudo de Caso Sobre Ejaculação Precoce

Alceu Martins Filho

Ana Karina C.R. de-Farias

O

bservando o ínterim do pensamento psicológico, desde Aristóteles na

Grécia antiga às teorias psicodinâmicas surgidas em meados do século XIX, a vida mental, a consciência, as emoções e os sentimentos, sempre fizeram parte do interesse dos pensamentos sobre os assuntos humanos. No início do século XX, no entanto, iniciou-se o movimento de cientificidade da Psicologia. Nesse contexto, os critérios selecionados para “observação e explicação” das ações humanas levaram em consideração, apenas, aquilo que poderia ser diretamente observado pelo cientista; no caso, o comportamento e suas determinações encontradas no ambiente externo/ público. Dessa maneira, a ciência sobre os atos dos seres humanos adotava uma metodologia já empregada nas ciências naturais (Catania, 1998/1999; Moore, 1990;

Skinner, 1938, 1953, 1957, 1963, 1971,

1976, 1981). Apesar da exclusão da vida mental do objeto de estudo da Psicologia, esse movimento, denominado behaviorista e ambientalista, não desconsiderava a existência dos processos mentais, apenas os excluía de seu objeto de estudo (Baum,

 

18. Intervenções comportamentais em uma pacientecom insônia crônica

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Capítulo 18

Intervenções Comportamentais em uma

Paciente com Insônia Crônica1

Mônica Rocha Müller

P

odemos entender o sono como uma função biológica com papel fundamental na consolidação da memória, visão binocular, função termorregulatória, conservação e restauração da energia (Reimão, 1996), ou como responsável pela restauração do metabolismo energético cerebral (Ferrara e De Gennaro, 2001).

Devido a essas importantes funções, as perturbações do sono podem acarretar alterações ou prejuízos no funcionamento físico, ocupacional, cognitivo, interpessoal e psicológico, que comprometem a qualidade de vida do indivíduo.

De acordo com Martinez (1999), o sono é um fenômeno de rotina desde o nascimento do homem e, talvez por esse motivo, sua importância não seja considerada por muitos indivíduos. A necessidade do sono faz com que o homem se recolha para dormir, e sua privação o incapacita para o trabalho e para as atividades de lazer.

O sono normal sofre variações ao longo do desenvolvimento humano, quanto à duração, distribuição de estágios e ritmo circadiano (Poyares e Tufik, 2003; Thorleifsdottir et al., 2002). De acordo com

 

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